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5 de junho de 2025

O NOVO LEÃO E OS VELHOS LOBOS

“Até aqui, tivemos Francisco, que falava com os lobos. Agora, temos um leão que expulsará os lobos” (Cardeal Ladislav Nemet). 

✅  Paulo Roberto Campos

Incontáveis católicos rezavam pedindo ao Espírito Santo que inspirasse claramente os Cardeais reunidos em Roma no recente Conclave. Encheram-se de esperançosa alegria ao verem, no final da tarde de 8 de maio, a fumaça branca saindo da chaminé da Capela Sistina.

Era o sinal da eleição de um novo Papa. Foi um júbilo vê-lo despontar, com as vestes tradicionais, no balcão principal da Basílica de São Pedro. O novo Romano Pontífice eleito foi o Cardeal Prevost, que escolheu o nome de Leão XIV. Com o mesmo nome, ele teve por predecessores dois santos: São Leão Magno e São Leão IX. E mais recentemente, no final do século XIX e início do século XX, Leão XIII. 

O júbilo não se restringiu à imensa multidão reunida na Praça de São Pedro, em frente à monumental Basílica. Ele também se manifestou na grande maioria dos quase um bilhão de pessoas que assistiram à grandiosa cena pelos meios de comunicação. Todos queriam ver o novo Sucessor de Pedro, o Vigário de Jesus Cristo na Terra, e dele receber a primeira bênção Urbi et Orbi


Apenas dois dias após sua eleição, Leão XIV foi rezar diante do milagroso quadro de Nossa Senhora do Bom Conselho [foto acima], na pequena e medieval cidade de Genazzano, cuja história é resumidamente exposta em artigo do Prof. Roberto de Mattei publicado na edição da revista Catolicismo* deste mês, que a todos recomendo vivamente. 

Supliquemos também à Madonna de Genazzano especial proteção ao novo Pontificado, sempre lhe inspirando bons conselhos nas grandes dificuldades com que se defrontará ao longo dos próximos anos. Tanto em função de um mundo prestes a entrar numa terceira guerra mundial, como em razão da terrível crise que flagela a Santa Igreja devido aos erros do modernismo infiltrados em seu seio, os quais foram severamente condenados por São Pio X.

Juntemos nossas orações pelo Papa Leão XIV, a fim de que Deus conceda-lhe, como bem disse o Cardeal Raymond Burke, “abundante sabedoria, força e coragem para fazer tudo o que Nosso Senhor lhe pede nestes tempos tumultuados”


Ao mesmo tempo em que houve referido júbilo do povo católico ao ver o novo Romano Pontífice, houve também uma impressão de decepção em certas alas da esquerda, tanto civil quanto religiosa, bem como da parte daqueles que sintonizam com a “esquerda católica”, que esperavam um Papa vinculado à “Teologia da Libertação”. Esses “teólogos” libertários estavam criando tal clima durante o Pontificado do Papa Francisco, que alguns observadores vaticanistas chegaram a recear a ocorrência de um cisma na Igreja. 

Esta e outras questões relativas ao novo Pontificado são desenvolvidas em Catolicismo. A título de exemplo, copio aqui um trecho de um dos colaboradores da revista, o Prof. José Antonio Ureta: 

“Segundo o jornal Le Figaro, o cardeal sérvio Ladislav Nemet [foto ao lado] teria contado uma brincadeira que circulava entre os cardeais e que daria uma outra explicação pela escolha do nome Leão – leo em latim: ‘Até aqui, tivemos Francisco, que falava com os lobos. Agora, temos um leão que expulsará os lobos”. 

É o que o geral dos católicos espera de Leão XIV para a restauração da Santa Igreja, hoje infiltrada pela “fumaça de satanás” e vítima de um “misterioso processo de autodemolição” — segundo palavras de Paulo VI — uma vez que, pelas portas e janelas abertas por lobos transvestidos de ovelhas, penetrou tal fumaça diabólica no Templo de Deus. Esperemos que Leão XIV a dissipe de uma vez por todas e ponha fim a essa “autodemolição” que levou a Igreja à crise atual. Assim será restaurada a paz na Igreja no sentido da verdadeira Paz como definida por Santo Agostinho, ou seja, “a tranquilidade da ordem”, o que supõe a eliminação tão radical quanto possível dos fatores de desordem doutrinária e disciplinar que grassam em todos os ambientes católicos. 

Ainda é cedo para alguma apreciação seriamente definitiva a respeito do novo Papa, mas suas primeiras palavras causaram alento, pelo tom da cortesia católica, oposto à brutalidade e à vulgaridade...

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* Para fazer uma assinatura da revista Catolicismo envie um e-mail para catolicismo@terra.com.br

7 de maio de 2025

AO PAPA IGNOTO

Emblema da Santa Sé quando a sede está vacante, enquanto se espera o anúncio do novo Papa


  Paulo Roberto Campos

Dois dias antes do início do Conclave de 1978, que elegeu o Papa João Paulo II, Plinio Corrêa de Oliveira, em seu artigo para a “Folha de São Paulo” (14-10-1978) com o título em epígrafe, levantou a pergunta:

“Quantos dias durará a escolha do novo Papa? Quem será o novo Papa?” 

Continua o brilhante articulista: 

“Essa questão parece que se vai tornando mais enigmática, à medida que o tempo corre. Ora, antes mesmo que se saiba quem ele será, desejo dirigir-lhe aqui uma súplica. Pois a magnitude do que vou pedir excede às circunstâncias pessoais de quem venha a ser eleito. Escrevo, pois, ao Papa Ignoto”. 

Seu premente pedido foi: 

“Santo Padre, o Brasil é, no mundo de hoje, o País de maior população católica. A unidade civil desse enorme bloco religioso é fator fundamental para que ele possa dar inteiro cumprimento, entre as nações, à sua vocação cristã. Ora, essa unidade está ameaçada. Um só gesto vosso bastará para salvá-la. Fazei esse gesto logo nos primeiros dias após vossa eleição. Ela será o pórtico de glória com que se abrirá vosso Pontificado.

“Santo Padre, afastai o perigo com que se defronta a unidade do Brasil”.

“Como se vê, qualquer que seja a nacionalidade do futuro Pontífice, seja ele bispo diocesano ou cardeal de Cúria, pouco importa. Minha súplica é tal que, para ser bem acolhida, basta que ele seja simplesmente Papa”. 

O Prof. Plinio expõe um fato concreto daquele ano e uma questão específica “chefiada por sacerdotes e freiras progressistas e esquerdistas”, mas, no fundo, é a mesma questão que persiste em nossos dias: a nefasta atuação da “esquerda católica” — o clero dito católico, pouco católico e muito esquerdista. Ela, com o beneplácito da CNBB, colabora para a implantação de um regime socialo-marxista no Brasil, nos mesmos moldes dos regimes que arruinaram Cuba, Venezuela, Nicarágua etc. 

Plinio Corrêa de Oliveira assim fechou seu artigo: 

“O Papa ignoto poderá fazer cessar tudo isto de um momento para outro [...]. Para ele se voltam, pois, aflições, preces e esperanças que são minhas, porém não só minhas”.

Na perspectiva do Conclave que se iniciou neste dia 7 de maio, poder-se-ia levantar a mesma questão ao próximo Papa:

Tal “esquerda católica”, pregando uma nova moral “modernista”, na linha daquela condenada por São Pio X [foto ("colorizada") ao lado], utilizando-se do nome “católico” para enganar os fieis, está se transformando numa anti-igreja, como já o é a extrema-esquerda eclesiástica da Teologia da Libertação, que prega abertamente o igualitarismo comunista, a invasão de propriedades particulares, a luta de classes etc. 

Rezemos para que o novo Papa — hoje ignoto, mas que poderemos tomar conhecimento amanhã ou nos próximos dias — desmascare essa anti-igreja, arrancando-lhe o rótulo de “católica”, como o fez o Papa São Pio X, por meio da Encíclica Pascendi Dominici Gregis (8-9-1907), desmascarando a seita “modernista” — qualificada por ele como “síntese de todas as heresias” e “cúmulo infinito de sofismas, com os quais se racha e se destrói toda a religião” —, que também se apresentava como “católica”. 

Encerro repetindo o pedido expresso no mencionado artigo do Prof. Plinio:

“Um só gesto vosso [Santo Padre] bastará para salvar. Fazei esse gesto logo nos primeiros dias após vossa eleição. Ela será o pórtico de glória com que se abrirá vosso Pontificado [...]. O Papa ignoto poderá fazer cessar tudo isto de um momento para outro [...]. Para ele se voltam, pois, aflições, preces e esperanças que são minhas, porém não só minhas. Vejamos”.

31 de janeiro de 2025

Que o sonho não vire pesadelo



✅  Paulo Roberto Campos 

Este novo ano começou com uma grande promessa que pode desequilibrar a balança da luta entre a Revolução e a Contra-Revolução, entre comunismo e anti-comunismo, entre esquerda e direita, entre modernismo (progressimo-teologia da libertação) e conservadorismo (tradição católica como força jovem dotada de potência). Tal promessa, para muitos um sonho, vem dos Estados Unidos com um novo governo — eleito por essa força conservadora — que substitui o deplorável governo Biden. 

Entretanto, no Brasil, o trôpego governo lulo-petista faz de tudo para indispor nosso País com os Estados Unidos, com evidente prejuízo para todos os brasileiros. É uma lástima! Sobretudo porque, além de nos distanciar da maior potência da Terra, empurra o Brasil para as garras do dragão chinês obediente à ditadura comunista. 

Rezemos para que o recém-empossado governo norte-americano não esmoreça e, assim, não frustre todo o sonho conservador que venceu as eleições. Infelizmente, já nos primeiros dias de seu mandato, o presidente Donald Trump deu sinais de esmorecimento. Ainda é tempo de acertar os passos, de realizar o sonho, evitar o pesadelo. Oxalá! 

Para ajudar nossos leitores a terem em vista essa problemática neste começo de 2025, seguem alguns pensamentos. 

“A vitória mais bela que se pode alcançar é vencer a si mesmo.”
(Santo Inácio de Loyola) 

“O objetivo de um ano novo não é que nós deveríamos ter um ano novo. É que nós deveríamos ter uma alma nova.” 
(G. K. Chesterton) 

“Para ganhar um ano novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente. É dentro de você que o Ano-Novo cochila e espera desde sempre.” 
(Carlos Drummond de Andrade) 

“Não existem sonhos impossíveis para aqueles que realmente acreditam que o poder realizador reside no interior de cada ser humano. Sempre que alguém descobre esse poder, algo antes considerado impossível se torna realidade.” 
(Albert Einstein) 

“Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.”
(James R. Sherman) 

“Há quem diga que todas as noites são de sonhos. Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isto não tem muita importância. O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado.” 
(William Shakespeare) 

“Eu sonho minha pintura, e então eu pinto meu sonho.” 
(Vincent van Gogh)

29 de janeiro de 2025

O BRASIL EM 2024 — Instabilidade climática em meio à desorientação e provocações da esquerda


 

Lula e Flávio Dino [ Foto: Ricardo Stuckert/PR ]

  ✅  Paulo Henrique Américo de Araújo

 

Neste olhar em retrospectiva sobre a situação brasileira, serve-nos bem como fundo de quadro a instabilidade climática — sem alarmismo ecologista obviamente — e seus efeitos que perpassaram o ano de 2024. As chuvas, a seca, as queimadas e até o frio provocaram insegurança, destruição e mortes. Tudo isso reflete, de maneira tangível, a falta de rumo das forças anticristãs revolucionárias que teimam em contrariar uma opinião pública cada vez mais infensa aos seus objetivos.

 

Rio Grande do Sul inundado pelas enchentes [Foto: Marinha do Brasil/via Fotos Públicas]

Provocações, chuvas e enchentes

2024 iniciou-se com as repercussões de gosto amargo provenientes do final do ano anterior: Flávio Dino, indicado por Lula como novo Ministro do STF, havia sido aprovado pelo Senado Federal para o cargo. O petista saiu com esta declaração: “Vocês não sabem como eu estou feliz hoje. Pela primeira vez na história deste país, nós conseguimos colocar na Suprema Corte um ministro comunista, um companheiro da qualidade do Flávio Dino.1

Analistas consideraram a frase como “simples provocação”, “nada de muito sério2”. Por quanto tempo a opinião conservadora e cristã suportará afrontas assim? Além do amargor causado em boa parte dos brasileiros, a provocação prenunciava fortes chuvas, incêndios e fumaça que cobririam o horizonte do País. 

Em se tratando de provocação, nada mais eloquente do que o espetáculo blasfemo e pornográfico da cantora “Madonna”, ocorrido no Rio de Janeiro, em 4 de maio. Ao mesmo tempo que transcorria, na Praia de Copacabana, o insulto explícito ao sentimento religioso da maioria dos brasileiros, o Rio Grande do Sul era inundado pelas enchentes. A maior rede de televisão do País lidou mal com a situação: apesar das calamidades no Sul, deu preferência à exibição dos saracoteios insanos e imorais da artista americana3.

Enquanto uns se afundavam no pecado na capital fluminense, 182 pessoas morriam afogadas e outros 2 milhões eram afetados pelos alagamentos. Inúmeras vozes se ergueram para cogitar se teria sido possível evitar ou diminuir a catástrofe gaúcha. Sem entrar em detalhes dessa ampla discussão, um pequeno aspecto aponta para um culpado bem conhecido: o ecologismo radical. Dragagens preventivas nos rios (em especial no Rio Guaíba) teriam garantido mais espaço para a água escoar, mas isso não é executado porque “sempre se justifica propósitos ambientais”, diz o deputado estadual, Marcus Vinícius (PP-RS)4.

 

Queimadas no interior do estado de São Paulo

Estiagem, incêndios e fumaça

A seca de meados do ano foi violenta, batendo recordes de estiagem em várias regiões. Uma boa metáfora para o desprestígio crescente do lulo-petismo. No dia 1º de maio, Lula encabeçou um comício esvaziado em São Paulo, com a participação de menos de 2 mil pessoas. Lula sentiu a “secura” e “pediu água”, reclamando sobre a falta de engajamento da militância5. Ricardo Patah, um dos organizadores, afirmou: “Temos que fazer um mea culpa de nossa incapacidade de levar mais gente”, e acrescentou que há “dificuldade de interlocução com jovens6”.

Com a seca, vieram as queimadas. Cenas de labaredas gigantes à margem das rodovias de todo o País percorreram as redes sociais. Curiosamente, desta vez as tubas da grande mídia nacional e internacional não se lembraram de culpar o atual governo pelas queimadas, como haviam feito durante a gestão Bolsonaro, quando incidentes semelhantes tomaram o noticiário. Pelo contrário, houve quem apontasse como principais responsáveis, pasme-se, os agricultores7.

Um fato estranho, mas revelador da desorientação geral: o Ministro Flávio Dino, ele mesmo, o “queridinho comunista” de Lula no STF, mandou o governo atuar de modo mais eficiente para combater os incêndios8.

Assim, a Corte Suprema do País assume as funções de um Poder Executivo cada vez mais inepto. Alguém duvida que algo vai mal nas instituições da República? Vem bem a propósito o comentário de Eliane Cantanhê de: “Amazônia, Cerrado e Pantanal estão em chamas [...] Sem recuperar o protagonismo nas questões internacionais e ambientais e insistindo em estatismo e aparelhamento na Petrobras, fundos de pensão, agências reguladoras, Lula faz o oposto do que pretendia: não repete os acertos nem deixa os erros no passado9”. Os supostos “acertos” de Lula são por conta da articulista. Sabemos do que se trata: avanço da agenda esquerdista e economia submetida ao socialismo estatal, que conduzem inevitavelmente à bancarrota.

Com a estiagem prolongada, a Capital Federal assemelhava-se a um deserto no início de setembro, e a desolação patenteou-se ainda mais quando do desfile do Dia da Independência. O cenário de 2023 se repete: a Esplanada dos Ministérios praticamente vazia e um punhado irrisório de petistas. Lula achou por bem — quem sabe se para dar um pouco de ânimo à comemoração — colocar no palanque dois Ministros do STF: Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes.

Este último vai assumindo um protagonismo constrangedor10, segundo comenta Carlos Alberto Di Franco: “A destruição da ordem jurídica, que no Brasil de hoje é visível a olho nu, está sendo causada pelo excessivo protagonismo de um ministro do Supremo Tribunal Federal: Alexandre de Moraes11”. Mais adiante, acrescenta o mesmo articulista: “A crise de credibilidade do Judiciário é acelerada e preocupante. Seu desprestígio na sociedade precisa ser revertido”.

Ao mesmo tempo em que as queimadas se alastravam, as eleições municipais de 2024 entravam na “onda de calor”. E as chamas parecem ter invadido todos os quadrantes da esquerda! Não há como esconder sua estrondosa derrota. Os dados antecedentes ao pleito já indicavam a fumaça tóxica nas paragens esquerdistas: 15% dos municípios brasileiros não tiveram qualquer candidato de esquerda12. Em Santa Catarina, esse número foi de 25%.13

A esquerda venceu em apenas duas capitais: Recife e Fortaleza. Neste quesito, é seu pior resultado desde 198514. Quanto aos municípios em geral, partidos de esquerda e centro-esquerda que em 2020 tinham conquistado 852 prefeituras, agora ficaram com 74915.

Em São Paulo, Ricardo Nunes (MDB) obteve vitória esmagadora sobre Guilherme Boulos (PSOL), com diferença de quase 20 pontos: 59,3% contra 40,6%. Algo bastante sintomático foi o fato de Boulos ter tentado desesperadamente se afastar da “agenda progressista” durante a disputa, encarnando uma nova versão do “Lulinha paz e amor”. Nada funcionou!

A turma do PT e aliados ainda estão tentando juntar os cacos depois do fracasso eleitoral. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, afirmou que defende uma aliança “mais ao centro”16. Porém, já prevendo que a manobra não surtirá efeito sobre o brasileiro médio, intuitivo e de bom senso, a líder petista emendou em tom de ameaça: a esquerda “vai continuar sendo massacrada” se não regular as redes sociais17.

 


Inverno: “gelo” na máquina estatal

O inverno de 2024 derrubou os marcadores dos termômetros, batendo recordes de baixas temperaturas em certas capitais18. O frio extremo localizado foi um dos fatores (indiretos, é verdade) para a queda do avião da Voepass e a morte de seus 62 passageiros e tripulantes. Não desejo ser irreverente com a memória das vítimas, mas o lastimável acidente traz analogia marcante com o percurso seguido por Lula em seu desastroso 3º mandato.

Há gelo nas engrenagens do avião petista. Tal se vê nos disparates da política externa. As eleições na Venezuela — com sua escancarada ausência de legitimidade — tiveram como resultantes explicitar as incongruências da diplomacia brasileira e acabaram por consolidar a ditadura de Nicolás Maduro. Lula perdeu credibilidade e de seu autoproclamado título de “líder natural” da América Latina só restaram destroços. 19

Durante seu discurso na ONU em setembro, o líder petista repetiu propagandas demagógicas ultrapassadas, insistiu em ações para promover “igualdade de gênero” e políticas “antidiscriminação”; além de criticar as “estruturas da governança mundial”, em sinal claro para a tentativa de dar foco ao seu pretenso protagonismo com o chamado “sul-global”. Falou tanto que estourou o tempo do seu discurso e teve o microfone cortado20. Uma vergonha...

Na reunião do Brics em outubro, Lula tentou emplacar a liderança naquilo que analistas classificam de tendência “antiocidental” do bloco21. Mas no fim, de acordo com um especialista, o mandatário brasileiro acabou perdendo: “A imagem de Lula está manchada por seu apoio a Xi Jinping e a Vladimir Putin, e por sua atuação nos Brics 22.”

A par do esfriamento das suas pretensões no Brics, Lula ainda cometeu gafes pueris na diplomacia com os Estados Unidos. Pouco antes dos resultados das eleições presidenciais norte-americanas, ele saiu com este disparate: uma possível vitória do republicano Donald Trump representaria a volta de um “nazismo e fascismo com outra cara23”.

Para completar a insensatez diplomática com relação aos Estados Unidos, a esposa de Lula, Janja, não achou nada melhor do que atacar, da forma mais baixa, o Elon Musk, indicado por Trump para integrar sua nova equipe de governo. Numa típica “atitude de botequim”, ela referiu-se ao milionário com um palavrão24 — irreproduzível numa publicação como a nossa —, causando mal-estar mesmo entre os aliados petistas e provocando uma moção de repúdio na Câmara dos Deputados25.

Por essas e por muitas outras é explicável que a “frente fria” da insatisfação vá tomando conta do horizonte lulista e provoque a queda nos seus índices de aprovação. Em maio de 2024, a popularidade de Lula, que já vinha despencando, era de 37,4%. Em novembro, esse número tinha descido a 35%.27

Céu nublado, tempestades e raios

O tempo fechado e melancólico de outubro guardava certa analogia com a situação da “esquerda católica” no Brasil. A CNBB — sempre atrelada a um “progressismo” decrépito — parece se encontrar num “céu nublado”, quase totalmente desprezada no cenário nacional. Alguém se lembra de qualquer declaração ou atitude relevante do órgão, durante o ano? Ao menos algo que tenha sido de molde a mover as vontades? Nada!

Nesse sentido, são extremamente significativas essas palavras de Frei Beto, ao observar os participantes de um encontro de “progressistas” em Belo Horizonte: “A maioria de cabelos brancos ou tingidos. Minha geração envelhece. Chego este ano aos 80. É muito preocupante constatar que as forças progressistas não logram renovar seus quadros.” 28

A desconfiança e a indiferença dos brasileiros com relação ao clero progressista só aumentam. Motivos eles têm! Veja-se, por exemplo, a total inação das autoridades eclesiásticas quando “peregrinos” do movimento LGBT exibiram, na própria Basílica de Aparecida, uma cópia da imagem da Padroeira vestida com a bandeira arco-íris [foto ao lado]. Diante da perplexidade dos católicos, saiu a público uma lacônica nota dos responsáveis pelo Santuário Nacional. 29



Do outro lado do espectro político e religioso, a tendência é outra: juventude, dinamismo, esperança. Os quadros da direita se renovam e avançam. As próprias eleições municipais confirmaram isso de maneira eloquente30. Quem há de se surpreender que os progressistas e esquerdistas de todos os vieses estejam desorientados e assumam, como último recurso, o revanchismo meio desesperado? Parece que a gota d’água para o revide veio após a clamorosa vitória de Trump e da direita em geral nas eleições americanas.

As tempestades e os relâmpagos despontaram no horizonte dias depois dos resultados. O estopim de um mal executado “ataque terrorista” em Brasília desencadeou novamente os alaridos da esquerda: o País está sob a ameaça dos “conservadores radicais”! O insano e atrapalhado “terrorista” morreu no ato, os danos materiais causados por ele foram insignificantes, porém o evento serviu bem, novamente, para a hábil propaganda da esquerda demonizar todos os conservadores e direitistas31, mesmo os que desejam ordem e paz para a Nação.

Quase como uma cena saída de um enredo já pronto, outro raio iluminou os céus em novembro: o vazamento de supostos planos de golpe de estado, envolvendo o ex-presidente Bolsonaro, o alto escalão do Executivo de então, bem como oficiais das Forças Armadas. Na sequência das investigações, a tempestade deve continuar nos primeiros meses de 2025, entretanto nada mais apropriado para desviar as atenções da patente derrota e desorientação da esquerda no Brasil no último ano.


Não podemos nos esquecer de um contra-golpe simbólico no meio deste vendaval: no fim de novembro, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal (CCJ), presidida pela Deputada conservadora Caroline de Toni, aprovou o projeto de emenda constitucional que proíbe o aborto no Brasil32. O projeto precisa passar por outros trâmites na Câmara, mas a decisão reflete a força da direita no Legislativo, algo que provocou esperneios histéricos entre petistas e seus aliados. Parabéns aos membros da CCJ pela decisão corajosa.

Diante dos acintes esquerdistas e progressistas contra a tendente pacatez e tranquilidade de nosso povo, vale mencionar essas palavras de Plinio Corrêa de Oliveira: Cuidado com os pacatos que se indignam, senhores da esquerda, do centro e da direita. A hora não é para carrancas, mas para as discussões arejadas, polidas, lógicas e inteligentes. Os pacatos toleram tudo, exceto que se lhes perturbe a pacatez. Pois então facilmente se fazem ferozes...”33

Peçamos a Nossa Senhora Aparecida que conduza as forças conservadores e católicas neste ano de 2025 para, dentro da lei e da ordem, fazerem valer sua voz sobre a esquerda desnorteada, desesperada e derrotada.

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Notas:

1. Valor Econômico, 15-12-23

2. Idem.

3. Tragédia no RS, documentário Brasil Paralelo

4. UOL, 25-5-24.

5. Folha de S. Paulo, 1-5-24.

6. FSP, Fábio Zanini,“Fim da linha”, 3-5-24.

7. FSP, 6-9-24.

8. O Globo, 14-9-24.

9. O Estado de S. Paulo, 9-9-24.

10. Correio do Povo, 7-9-24.

11. OESP, 16-9-24.

12. UOL,18-9-24.

13. UOL,18-9-24.

14. FSP, 28-10-24.

15. Embora o PT tenha conquistado mais prefeituras do que em 2020 (183 para 252), isso pouco representa de tendência geral nos resultados. Cfr. UOL, 27-10-24.

16. Portal de Prefeitura, 28-10-24.

17. Infomoney, 28-10-24.

18. Em São Paulo houve a média mais baixa em 25 anos: Cfr. Isto é, 28-8-24. O Rio de Janeiro teve a madrugada mais fria em 13 anos (8,3ºC): Cfr. O Globo, 13-8-24.

19. FSP, 14-8-24.

20. Gazeta do Povo, 22-9-24.

21. BBC Brasil, 22-10-24.

22. OESP, 30-11-24.

23. Poder 360, 7-11-24.

24. OESP, 17-11-24.

25. OESP, 28-11-24.

26. UOL, 7-5-24.

27. OESP, 12-11-24.

28. UniSinos, 22-4-24.

29. Portal de Prefeitura, 19-11-24.

30. Gazeta do Povo, 10-11-24.

31. Gazeta do Povo, 14-11-24.

32. Agência Brasil, 27-11-24.

33. FSP, “Cuidado com o Pacatos”,4-12-1982.

4 de janeiro de 2025

2024 EM RETROSPECTIVA — Sinais do Céu para a Igreja e para o Mundo


 

As investidas da Revolução e da Contra-Revolução na América Latina ao longo do ano; o Brasil se debate em meio à confusão: instabilidade política e minguamento da esquerda; movimentos marxistas, civis e eclesiásticos, em rigoroso inverno; promessa de jubilosa primavera para os conservadores; Notre-Dame — esperança de restauração da Cristandade. 


Fonte Revista Catolicismo, Nº 889, Janeiro/2025 

“Procurai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas as coisas vos serão dadas por acréscimo” (Mt 6,33). 

Deste conselho do Divino Mestre podemos dizer que não foi aplicado ao longo do ano que acaba de se encerrar. Se fosse, tudo teria sido diferente... 

Também se poderia dizer que foi aplicado justamente o contrário: procurou-se em primeiro lugar os acréscimos (as coisas secundárias, como os bens materiais) e se esqueceu de procurar o Reino de Deus. 

Donde a miserável situação da Igreja e do mundo em 2024: a Igreja “descatolicizada” e o mundo paganizado. Ficou-se sem o Reino de Deus e também sem os acréscimos (tão almejados). 

A Santa Igreja “à beira de um precipício” (segundo oportuna declaração do bispo texano, emérito de Tyler, Dom Joseph Strickland, comentando o nefasto Sínodo sobre a Sinodalidade) e o mundo prestes a entrar numa III Guerra, que, para alguns sérios analistas políticos, já começou. Basta lembrarmo-nos da situação de Israel, Palestina, Líbano, Síria, Irã, Ucrânia, Rússia, Taiwan, entre outras nações em conflitos internos ou externos. 

Nossa Pátria não está “ilhada”, ilesa aos conflitos mundiais, pois dominada por um governo de esquerda aliado a ditadores marxistas, como Putin, Xi Jinping et caterva, que pretendem uma Nova Ordem Mundial liderada pela China comunista e não mais pelo mundo ocidental e cristão; tudo em oposição à liderança dos Estados Unidos. 

Confrontam-se esses dois polos ideológicos em radical “guerra fria” — fala-se em “fria”, mas, de fato, esquentando muito dia a dia... 

Graças a Deus, ao longo do ano, fomos vendo a estrela do PT se apagando. Talvez até tenha se apagado definitivamente, como revelaram as últimas eleições municipais e a rejeição a Lula chegando a 90% no mercado financeiro (cfr. Pesquisa Quaest de dezembro passado). 

Entretanto, no caos generalizado de 2024, o ano, ardendo em incêndios no fundo de um “buraco negro”, terminou com uma grande promessa de ressurgimento da civilização: a maravilhosa restauração da Catedral de Notre-Dame! Uma como que ressurreição da fabulosa rainha de todas as catedrais — símbolo da restauração do Reino de Deus no Reinado do Imaculado Coração de Maria.

4 de outubro de 2024

“Mineração e eleição só depois da apuração”



Nas vésperas das eleições municipais, seguem alguns pensamentos para levarmos em consideração no próximo domingo 


“Para vencer, não devem os candidatos procurar ajustar suas campanhas eleitorais ao quadro-fiction de uma opinião pública brasileira socialo-comunista. Falem com timbre claro, leal e valente, a linguagem que os setores centristas e até reacionários da opinião pública gostam de ouvir. E as urnas lhes dirão que terá vencido o candidato que falou ao Brasil real, e não o que tenha falado a um Brasil irreal, um Brasil-fiction, paraíso dos comunistas e de seus vizinhos ideológicos.” (Plinio Corrêa de Oliveira) 

 

“Em ano eleitoral o ar está cheio de discursos. E vice-versa.” (François-Joseph Nolau)

 

“Fala-se em liberdade para matá-la, em democracia para destruí-la, em legalidade para negá-la em sua própria essência. As palavras adquirem sentido oposto ao seu significado, e os homens afetam sentimentos nobres para justificar, na perplexidade das ideias, a política dos mais baixos instintos.” (Carlos Lacerda

 

“O silêncio dos povos é lição para os governantes.” (Provérbio francês)

 

“Nunca se mente tanto quanto antes de uma eleição, durante uma guerra e depois de uma pescaria...” (Otto von Bismarck

 

“Você pode enganar uma pessoa por muito tempo; algumas, por algum tempo; mas não consegue enganar todas por todo o tempo” (Abraham Lincoln

 

“O coração do sábio o inclina para a direita, mas o coração do tolo o inclina para a esquerda. Quando o tolo vai pelo caminho, falta-lhe o entendimento, e assim mostra a todos que é tolo” (Eclesiastes 10, 2-3

 

“Alguns usam a estatística como os bêbados usam os postes: mais para apoio do que para iluminação” (Andrew Lang

 

“Todos nós, políticos, sabemos o que é preciso fazer. Só não sabemos como ser reeleitos depois”. (Jean-Claude Juncker

 

“Quando a política penetra no recinto dos Tribunais, a Justiça se retira por alguma porta”. (François Guizot

 

“Um povo que elege corruptos, impostores, ladrões e traidores, não é vítima, é cúmplice”. (George Orwell


9 de maio de 2024

A esquerda de cabelos brancos ou tingidos

Frei Betto: “As poucas manifestações públicas convocadas pela esquerda reúnem um número inexpressivo de pessoas e, em geral, a turma dos cabelos brancos".

✅  Helio Viana
 

Para as almas que têm fé — e que, portanto, podem legitimamente considerar-se bem-nascidas, pois, com a ajuda da graça, se mantiveram fiéis às promessas do seu batismo —, a idade não conta tanto pelo número de anos como pelo amor e serviço de Deus, na esperança de serem recompensadas por Ele eternamente no Céu.


Fidel Castro e Frei Betto: O tempo passou... E a esquerda?

Tais almas sabem que a Terra é um Vale de Lágrimas, ao contrário do que pregam os socialistas e teólogos da libertação, para os quais o fim último do homem é gozar as delícias do “paraíso” miserabilista do socialismo sob o tacão do Estado, sem religião, família e propriedade. 

Um dos principais expoentes dessa corrente no Brasil é o dominicano Frei Betto, frequentador assíduo de Cuba e admirador de sua miséria, que chegou a morar na casa de Lula a fim de lhe ensinar o beabá da política revolucionária segundo a ótica da teologia da libertação. 

Esse teólogo do ateísmo e os que pensam como ele, entretanto se esquecem que, como acontece há dois mil anos, todos aqueles que se insurgem contra os planos de Deus mediante a Santa Igreja Católica, são sempre derrotados. 

Há felizmente em nossos dias, no Brasil e em todo o Ocidente, um crescente movimento de volta para Deus e rejeição do socialismo, sobretudo em vastas camadas da juventude e nas classes mais desfavorecidas, que dão cada vez mais as costas aos acenos mentirosos dos demagogos de plantão, que ainda têm o desplante de dizer que foram eles que as abandonaram. 

Sentiu-o recentemente Frei Beto, em artigo publicado no dia 22 de abril no site progressista do Instituto Humanitas Unisinos (IHU)*, da Universidade dos jesuítas de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, ao descrever sua participação num congresso em Belo Horizonte.

Transcrevemos a seguir alguns tópicos dessa matéria, fazendo notar que assinalamos em negrito alguns trechos: 

A esquerda não tem decolado nem com apoio do Papa


“Participei em Belo Horizonte, no início de abril, do 12º encontro nacional do Movimento Fé e Política. Quase duas mil pessoas. Ao contrário dos encontros anteriores à pandemia, poucos jovens. A maioria de cabelos brancos ou tingidos. 

“Minha geração envelhece. Chego este ano aos 80. Nossas ideias, propostas e utopias, também envelhecem? 

“É muito preocupante constatar que as forças progressistas não logram renovar seus quadros. Para vice de Boulos, na disputa pela prefeitura de São Paulo, em outubro próximo, o PT precisou importar uma mulher filiada a outro partido: Marta Suplicy, que fará 80 anos em março de 2025. No Rio, o PT parece não ter quem indicar para possível vice na chapa do prefeito Eduardo Paes, candidato à reeleição. Tende a importar Anielle Franco, do PSOL. 

“Tenho proferido conferências pelo Brasil afora e assessorado movimentos populares. Os cabelos brancos predominam na plateia. As poucas manifestações públicas convocadas pela esquerda reúnem um número inexpressivo de pessoas e, em geral, a turma dos cabelos brancos [...].

“A queda do Muro de Berlim abalou as nossas esperanças em um mundo onde todos teriam a sua existência dignamente assegurada. E o capitalismo, gato de sete fôlegos, inovou-se pelos avanços da ciência e da tecnologia e, sobretudo, do neoliberalismo [...].

“Na esquerda ‘ainda somos os mesmos’. Não semeamos a safra de novos militantes com medo de que eles se destacassem e ocupassem as nossas instâncias de poder. Abandonamos as favelas, as zonas rurais de pobreza, os movimentos de bairros. E não aprendemos a atuar nas trincheiras digitais, monopolizadas pela direita como armas virtuais da ascensão neofacista. 

“Não sabemos como reagir diante do fundamentalismo religioso que mobiliza multidões, abastece urnas, elege inclusive bandidos notórios. Fundamentalismo que apaga as desigualdades sociais e as contradições de classe e ressalta que tudo se reduz à disputa entre Deus e o diabo. Todo sofrimento decorre do pecado. Eliminado o pecado, irrompe a prosperidade, que empodera e favorece o domínio: a confessionalização das instituições públicas; a deslaicização do Estado; a neocristandade que condena à fogueira da difamação e do cancelamento todos que não abraçam “a moral e os bons costumes” dos que clamam contra o aborto e homenageiam torturadores e milicianos assassinos.

“Precisamos fazer autocrítica, rever nossas ideias, ter a coragem de abrir espaços às novas gerações e reinventar o futuro. Nossos cabelos brancos denunciam o inverno que nos acomete. É hora de uma nova e florida primavera!”. 

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* https://www.ihu.unisinos.br/categorias/638672-cabelos-brancos-artigo-de-frei-betto

3 de dezembro de 2023

Sinodalidade, colegiado, pirâmide invertida e tribalismo eclesiástico

Alguns dos participantes do sínodo posam no fim de uma das jornadas. 

Numa “igreja sinodal”, uma inversão de valores e uma substituição da hierarquia católica por um colegiado, incluindo leigos de ambos os sexos, com poderes iguais ou superiores aos do clero 

  Paulo Roberto Campos
Fonte: Revista Catolicismo, Nº 876, Dezembro/2023

Convocada pelo Papa Francisco, a 16ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos — o tão recente e já de triste e infeliz memória Sínodo sobre a Sinodalidade — reuniu no Vaticano de 4 a 28 de outubro quase 500 pessoas dos cinco continentes, para discutir questões relativas ao futuro da Igreja. Encerrou-se sem decisões, apenas lançando um “Relatório Síntese”, e prometendo voltar à carga em outubro de 2024. 

Muitos ficaram decepcionados e lamentaram o fato de que essa assembleia nada tenha decidido. Nós, pelo contrário, demos graças a Deus por isso! Boa parte do mundo católico estava muito temerosa de eventuais mudanças na doutrina da Igreja e de modificações em questões próprias à moral sexual. A permissão da comunhão a divorciados, de “casamentos” entre duplas do mesmo sexo, a ordenação de homens casados, o “diaconato feminino”, e até, futuramente, ordenações de mulheres ao sacerdócio foram assuntos que também vieram à baila e especialmente preocuparam os católicos. O maior temor, contudo, era de que tal assembleia desse início a um processo de radical “democratização” da Igreja, rompendo sua estrutura hierárquica a favor de uma “igreja sinodal” com os leigos na direção deliberando questões próprias às autoridades eclesiásticas. 

Na nova igreja “democratizada”, sonhada pelas correntes progressistas e os “teólogos” da libertação, o pretenso “povo de Deus” tomaria as decisões no lugar do clero, dos bispos e do próprio Papa, podendo chegar até mesmo a escolher “democraticamente” um novo Pontífice, como se escolhe um presidente da República. 

Em nome de um “coletivo dos fiéis”, essa “igreja sinodal” atuaria à maneira de um laicato tribalista, com suas experiências sentidas ou reveladas misticamente, inspiradas por gurus, num ambiente próprio ao pentecostalismo protestante ou à magia-fetichista-tribal. Ou seja, uma completa negação do sacerdócio hierárquico como estabelecido por Deus para sua Igreja, ao qual cabe ensinar, dirigir e santificar os fiéis. 

A “igreja sinodal” não seria dirigida pela cabeça, a autoridade legitimamente constituída, mas pela base, ao estilo das “comunidades eclesiais de bases” — nome originado de sovietes —, que dirigem “auscultando” o “povo de Deus”, e não atendendo ao mandado de Nosso Senhor Jesus Cristo aos Apóstolos: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Mc 16,15-16). 
Pirâmide Invertida no Museu do Louvre



Uma “pirâmide invertida”, uma “igreja ao avesso” 


Ela seria, portanto, uma igreja igualitária, cuja base é superior ao vértice, como numa “pirâmide invertida” — para usar a expressão do Papa Francisco —, que nos faz lembrar da Pirâmide Invertida no Museu do Louvre, mandada construir em 1981 pelo ex-presidente socialista francês François Mitterrand. O Papa afirmou: “Mas nesta Igreja, como numa pirâmide invertida, o vértice encontra-se abaixo da base”[1]. 

Seria uma catolicidade ao avesso, uma “reinvenção da igreja”, não considerando o Papa como infalível, mas sim esse colegiado do “povo de Deus”. Na realidade, não se trata aqui de todo o povo, constituído pelos fiéis católicos, mas de uma minoria barulhenta e revoltada de progressistas radicais. 

A esse propósito, é oportuno recordar as palavras ditas há um ano pelo Cardeal Gerhard Ludwig Müller, ex-prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé “Eles sonham com outra Igreja que nada tem a ver com a fé católica. [...] e procuram abusar desse processo para levar a Igreja Católica, não apenas em outra direção, mas à destruição da Igreja Católica”.[2]

A primeira sessão do Sínodo sobre a Sinodalidade não aprovou as barbaridades elencadas neste artigo, mas iniciou o processo (irreversível?) para se chegar ao ponto tão sonhado pela “Teologia da Libertação”. Conseguirá esse intento na sua segunda sessão, em outubro de 2024? Deus não permita tal dano à Santa Igreja, que “em suas instituições, em sua doutrina, em suas leis, em sua unidade, em sua universalidade, em sua insuperável catolicidade, a Igreja é um verdadeiro espelho no qual se reflete nosso Divino Salvador. Mais ainda, Ela é o próprio Corpo Místico de Cristo”.[3] 
Cardeal Gerhard Ludwig Müller, ex-prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé: “Eles sonham com outra Igreja que nada tem a ver com a fé católica. [...] e procuram abusar desse processo para levar a Igreja Católica, não apenas em outra direção, mas à destruição da Igreja Católica”.


A realização de alguns prognósticos 

Em sua obra-magna Revolução e Contra-Revolução, Plinio Corrêa de Oliveira, depois de tratar da IV Revolução — no sentido de um movimento que visa eliminar os restos de civilização católica e impulsionar uma “civilização” tribalista — discorre sobre o plano revolucionário de se impulsionar também o igualitarismo dentro da Igreja, transformando-a numa espécie de “Tribalismo eclesiástico”, sem ordem hierárquica. 

A respeito, reproduzimos alguns trechos dessa obra, por tratar-se de prognósticos feitos há décadas, que estão se cumprindo se os compararmos com os projetos do recente Sínodo. 

Tribalismo eclesiástico — Pentecostalismo 

“Falemos da esfera espiritual. Bem entendido, também ela a IV Revolução quer reduzir ao tribalismo. E o modo de o fazer já se pode bem notar nas correntes de teólogos e canonistas que visam transformar a nobre e óssea rigidez da estrutura eclesiástica, como Nosso Senhor Jesus Cristo a instituiu e 20 séculos de vida religiosa a modelaram magnificamente, num tecido cartilaginoso, mole e amorfo, de dioceses e paróquias sem circunscrições territoriais definidas, de grupos religiosos em que a firme autoridade canônica vai sendo substituída gradualmente pelo ascendente dos ‘profetas’ mais ou menos pentecostalistas, congêneres, eles mesmos, dos pajés do estruturalo-tribalismo, com cujas figuras acabarão por se confundir. Como também com a tribo-célula estruturalista se confundirá, necessariamente, a paróquia ou a diocese progressista-pentecostalista. 

“Desmonarquização” da autoridade eclesiástica 

“Nesta perspectiva, que tem algo de histórico e de conjectural, certas modificações de si alheias a esse processo poderiam ser vistas como passos de transição entre o status quo pré-conciliar e o extremo oposto aqui indicado. Por exemplo, a tendência ao colegiado como modo de ser obrigatório de todo poder dentro da Igreja e como expressão de certa ‘desmonarquização’ da autoridade eclesiástica, a qual ipso facto ficaria, em cada grau, muito mais condicionada do que antes ao escalão imediatamente inferior. 

“Tudo isto, levado às suas extremas consequências, poderia tender à instauração estável e universal, dentro da Igreja, do sufrágio popular, que em outros tempos foi por Ela adotado às vezes para preencher certos cargos hierárquicos; e, num último lance, poderia chegar, no quadro sonhado pelos tribalistas, a uma indefensável dependência de toda a Hierarquia em relação ao laicato, suposto porta-voz necessário da vontade de Deus. ‘Da vontade de Deus’, sim, que esse mesmo laicato tribalista conheceria através das revelações ‘místicas’ de algum bruxo, guru pentecostalista ou feiticeiro; de modo que, obedecendo ao laicato, a Hierarquia supostamente cumpriria sua missão de obedecer à vontade do próprio Deus”.[4]

A invariável confiança da alma católica 

Prof. Plinio Corrêa de Oliveira
Em face dessa calamitosa situação dentro da Santa Igreja, cumpre-nos, a exemplo do Prof. Plinio, não esmorecermos em absolutamente nada nossa fé, mas fortificá-la ainda mais: 

“Em meio a esse caos, só algo não variará. É, em meu coração e em meus lábios, como no de todos os que veem e pensam comigo, a oração: “Ad te levavi oculos meos, qui habitas in coelis. Ecce sicut oculi servorum in manibus dominorum suorum, sicut oculi ancillae in manibus dominae suae; ita oculi nostri ad Dominam Matrem nostram donec misereatur nostri”.[5] É a afirmação da invariável confiança da alma católica, genuflexa, mas firme, em meio à convulsão geral. 

“Firme com toda a firmeza dos que, em meio da borrasca, e com uma força de alma maior do que esta, continuarem a afirmar do mais fundo do coração: ‘Credo in Unam, Sanctam, Catholicam et Apostolicam Ecclesiam’, ou seja, Creio na Igreja Católica, Apostólica, Romana, contra a qual, segundo a promessa feita a Pedro, as portas do inferno não prevalecerão.”  
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Notas: 
1. https://encurtador.com.br/owNX6 
2. Cardeal Müller sobre o Sínodo sobre a Sinodalidade: "Uma tomada hostil da Igreja de Jesus Cristo ... Temos de resistir'| Registro Nacional Católico (ncregister.com) 
3. Trecho da Via Sacra composta por Plinio Corrêa de Oliveira, publicada por Catolicismo em março de 1951. 
4. Revolução e Contra-Revolução, Artpress, Parte III, Cap. III, E (e Posfácio de 1992), São Paulo, 2012. 
5. "Levanto meus olhos para ti, que habitas nos Céus. Assim como os olhos dos servos estão fixos nas mãos dos seus senhores e os olhos da escrava nas mãos de sua senhora, assim nossos olhos estão fixos na Senhora, Mãe nossa, até que Ela tenha misericórdia de nós" (Cfr. Ps. 122, 1-2). *
Para uma visão de conjunto do Sínodo sobre a Sinodalidade, recomendamos a leitura da matéria principal da revista Catolicismo em sua edição de outubro passado e do muito oportuno livro O caminho sinodal, uma caixa de Pandora — 100 perguntas e 100 respostas.

13 de outubro de 2023

Novo mandato de um governo com as mesmas promessas não realizadas

Lula na abertura da 78ª Assembleia Geral das Nações Unidas

✅  Paulo Roberto Campos 

Em seu recente discurso na abertura da 78ª Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York, no dia 19 de setembro, Lula da Silva vociferou com características bem apropriadas à extrema-esquerda: “A desigualdade precisa inspirar indignação. Indignação com a fome, a pobreza, a guerra, o desrespeito ao ser humano. Somente movidos pela força da indignação poderemos agir com vontade e determinação para vencer a desigualdade”[1]. 

Com uma concepção muito ultrapassada, o presidente petista parece acreditar que a igualdade é um bem absoluto e ignorar que a desigualdade não é um mal em si. Seria injusto tratar o pobre sem caridade, mas também é injusto tratar diferentes igualmente. 

Numa empresa, por exemplo, os funcionários mais dedicados ao trabalho merecem promoções e salários melhores. Se o patrão pagasse a todos igualmente, estaria incentivando a vagabundagem. Esforçar-se e dedicar-se mais para quê, se no final do mês quem trabalhou muito e quem não trabalhou ganhasse o mesmo, os funcionários “encostariam o corpo” e a empresa quebraria. 

Isso se poderia dizer também quanto aos alunos de um colégio. Quem estuda mais, merece nota mais alta, evidentemente. É uma desigualdade que incentiva o aprimoramento dos talentos de cada um e torna o mundo mais belo. Imaginemos um mundo onde todas as flores, ou todos os pássaros, fossem iguais... Mil exemplos poderiam ser elencados. Todos ilustrariam que certa pregação da igualdade total, uma utopia marxista, no fundo revela indignação às desigualdades criadas por Deus. 

Com a palavra o Papa Leão XIII: “Substituindo a providência paterna pela providência do Estado, os socialistas vão contra a justiça natural e quebram os laços da família. Mas, além da injustiça do seu sistema, veem-se bem todas as suas funestas consequências: a perturbação em todas as classes da sociedade, uma odiosa e insuportável servidão para todos os cidadãos, porta aberta a todas as invejas, a todos os descontentamentos, a todas as discórdias; o talento e a habilidade privados dos seus estímulos, e, como consequência necessária, as riquezas estancadas na sua fonte; enfim, em lugar dessa igualdade tão sonhada, a igualdade da nudez, na indigência e na miséria”[2].

MORREMOS DE FOME – DITADURA TOTAL!!!. Imagem da Venezuela de hoje

Uma regra que só tem exceções... 

Em todos os países de regime comunista ou socialista, os governos se impuseram por meio dos mesmos embustes — promessas demagogas de acabar com as “desigualdades sociais”. E o que sucedeu? A escalada horripilante da miséria, “a fome, a pobreza, a guerra, o desrespeito ao ser humano”...

Grupo de cubanos tentando escapar do 
"paraíso" criado por Fidel Castro

As nações que foram subjugadas pelo comunismo alcançam, sim, a igualdade, mas à custa de reduzir à pobreza todos os seus habitantes. É a vil igualdade na miséria. Disso é Cuba um exemplo. Apenas neste ano, quase 80 cubanos da ilha-presídio morreram afogados no mar, ao tentarem fugir para os Estados Unidos em balsas improvisadas. 

A Venezuela, que virou uma fábrica de pobreza, é outro exemplo patente. Uma quarta parte de sua população não tem sequer alimentação básica. Chávez e Maduro conseguiram um feito inaudito: transformar o país mais próspero da América Latina no mais pobre. 

A população da Nicarágua também vai afundando na mesma indigência. E Lula se mostra “muy amigo” dos ditadores desses e de outros países. 

Não há desigualdade nos países onde todos são pobres? Sim, há: os mandatários e a Nomenklatura são riquíssimos, gozam de todos os privilégios. Parafraseando o poeta francês Ernest Jaubert, poderíamos dizer: “A igualdade entre os mandatários comunistas é uma regra que só tem exceções”...

No topo do ranking de custos bancados pelo cartão presidencial 

Na referida Assembleia, um dos principais órgãos da ONU, o líder petista repetiu indignado que “a desigualdade precisa inspirar indignação”. Então ele se indignaria, por exemplo, com os riquíssimos ditadores cubanos, venezuelanos e nicaraguenses? 

Será que Lula está indignado consigo mesmo, uma vez que fica gastando milhões — pagos pelo contribuinte brasileiro — com viagens inúteis, que não acarretam bens ao País, mas que são realizadas para o presidente aparecer na mídia nacional e internacional. Só com cartões corporativos, apenas até agosto último, ele gastou R$ 7,87 milhões — 50% a mais do que Jair Bolsonaro no mesmo período em 2019 (R$ 5,2 milhões, com valores já atualizados pela inflação). 

Causa perplexidade ver alguém — que tanto fala em tirar o Brasil do “mapa da fome” — fazer gastos faraônicos usando o cartão presidencial. É inacreditável, mas não é fake. Leiam o artigo de Thiago Resende, publicado pela insuspeita “Folha de S. Paulo” (19-9-23) com o título “Lula gasta mais com cartão corporativo do que Bolsonaro, Temer e Dilma”. Eis algumas linhas do repórter desse jornal em Brasília: 

“O presidente Lula (PT) tem gastado mais com cartão corporativo neste terceiro mandato do que Jair Bolsonaro (PL), Michel Temer (MDB) e Dilma Rousseff (PT). O patamar elevado de compras e pagamentos coloca o petista com uma média de gastos recorde. Até agora, foram fechados os extratos de sete meses do cartão corporativo. As despesas, quando somadas, chegaram a um valor próximo de R$ 8 milhões. Esse ritmo leva Lula ao topo do ranking de custos bancados pelo cartão presidencial, acima de Bolsonaro, que já apresentava contas mais altas que os antecessores”[3].

Democracia e liberdade de expressão ‘da boca pra fora’ 

Se dependesse de Lula,
Putin poderia visitar o Brasil.
Mas o Tribunal Penal Internacional
tem ordem de captura contra ele...
Lula foi obrigado a recuar

Outro embuste dos governantes comunistas: falam ad nauseam em nome de democracia e da liberdade de expressão. Falação tão desprovida de verdade quanto a de um governo que se vangloriava ser de “paz e amor”. Entretanto, vemo-lo fazer discursos próprios a despertar ressentimentos e indignações, agindo a fim de se desforrar das humilhações sofridas devido aos próprios fracassos. 

Fala em “liberdade de expressão”, mas a máquina de seu governo procura amordaçar, ou mesmo encarcerar, pessoas que se manifestam fazendo uso da “liberdade de expressão”. 

Fala em democracia, mas apoia ditadores. Recente exemplo disso foi o “salvo-conduto” que Lula da Silva prometeu ao ditador Vladimir Putin, caso venha ao Brasil para participar da reunião do G20 no próximo ano. O petista disse que Putin pode vir tranquilamente, garantindo-lhe que aqui não será preso. 

Mesmo sabendo da ordem do Tribunal Penal Internacional de captura do tirano russo devido a crimes de guerra contra a Ucrânia, e que o Brasil é signatário do Estatuto de Roma — tratado internacional que criou o TPI —, Lula infringirá, além desse tratado, a nossa própria Constituição, cujo parágrafo 4º do artigo 5º prescreve: “O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional”. 

Como o “salvo-conduto” despertou muita repercussão negativa, pois nenhum presidente brasileiro pode passar por cima do direito internacional e da Constituição nacional, Lula tentou retificar o que havia declarado dizendo que a decisão é da Justiça brasileira e que não tinha conhecimento do TPI... 

Muito difícil acreditar, pois ele próprio recorreu ao TPI para anular sua prisão em Curitiba e há poucos meses disse que o ex-presidente Bolsonaro “um dia será julgado no tribunal internacional”... 

Nem defendeu a Ucrânia, nem condenou a Rússia 

No mesmo discurso do dia 19 último na Assembleia da ONU, Lula da Silva, muito de passagem, falou da guerra da Ucrânia, mas sem mostrar, de um lado, que ela foi provocada com a covarde e brutal invasão perpetrada pela Rússia de Putin, e sem defender, de outro lado, os direitos territoriais da Ucrânia. 

As palavras do presidente petista, insistindo no pseudo diálogo, foram: “A guerra da Ucrânia escancara nossa incapacidade coletiva de fazer prevalecer os propósitos e princípios da Carta da ONU. Não subestimamos as dificuldades para alcançar a paz. Mas nenhuma solução será duradoura se não for baseada no diálogo.” O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, evidentemente, não aplaudiu tal discurso.

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Notas

1. “O Globo”, 19-9-23.

2. Encíclica Rerum Novarum” (1891), "Documentos Pontifícios", Vozes, Petrópolis, fascículo 2, 6ª edição (1961), pp. 10-11.

3. “Folha de S. Paulo”, 19-9-23.

4. “Folha de S. Paulo”, 15-9-23.