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18 de novembro de 2025

O que os Santos dizem sobre pureza, humildade, e controle da língua

Santa Maria Goretti é venerada como símbolo da pureza. Também conhecida como a "doce mártir da pureza" por sua coragem em defender a castidade mesmo ameaçada de morte. Dela, esta é a única foto conhecida, tirada em 1902 [detalhe abaixo].


✅  Plinio Maria Solimeo

O maior ornamento que uma mulher pode ter é o de uma pureza ilibada, tanto enquanto solteira como casada. Pois o pudor feminino atrai até mesmo o olhar dos anjos. O que se pode aplicar também aos homens.

O conhecidíssimo Santo Cura d’Ars dizia a esse respeito em um sermão: “Uma alma pura é como uma fina pérola. Enquanto está escondida na concha no fundo do mar, ninguém pensa em admira-la. Mas se a trazeis à luz do sol, essa pérola brilhará e atrairá todos os olhares. Assim, a alma pura que está escondida aos olhos do mundo, um dia brilhará diante dos Anjos no brilho da eternidade”. Fazendo outra comparação ele diz: “A alma pura é uma bela rosa, e as Três Pessoas Divinas descem do Céu para inalar sua fragrância”.

Por sua vez São João Bosco, fundador dos Salesianos, acrescenta: “A Santa Pureza, a rainha das virtudes, a angélica virtude, é uma joia tão preciosa que, quem a possui, torna-se como os anjos de Deus no Céu, mesmo revestido da carne mortal”.

Para São Francisco de Sales, o mestre da vida espiritual, também “A castidade é o lírio das virtudes, e torna os homens quase iguais aos Anjos. Tudo se torna belo de acordo com sua pureza. Assim, a pureza do homem [ou da mulher] é castidade, que é chamada honestidade; e sua observância honra e também integridade. O contrário dela é chamado corrupção. Em uma palavra, a castidade tem essa excelência peculiar sobre todas as outras virtudes: preserva tanto a alma quanto o corpo sãos e sem mancha”.

O pudor, tanto no homem quanto na mulher — mas sobretudo nesta —,tem que se refletir em todo seu semblante, em todos seus atos, em toda sua aparência, e principalmente no seu modo de se portar e até de se vestir. O que muitas vezes supõe um grande sacrifício.

Porque, como dizem muitos santos com São Pedro Julião Eymard, fundador dos Sacramentinos: “Nós temos que ser puros. E não falo meramente da pureza dos sentidos. Temos que observar a pureza em nossa vontade, em nossas intenções, em todas nossas ações”.

O que é corroborado pelo grande Doutor da Igreja e fundador dos Redentoristas, Santo Afonso Maria de Liguori: “Temos que praticar a modéstia não somente em nosso olhar, mas também em todos nossos atos, e particularmente em nossa vestimenta, em nosso caminhar, em nossa conversação e ações similares”.

Essa obrigação de nos vestirmos segundo a modéstia cristã se impõe, como diz São Jerônimo: “Ou falamos como nos vestimos, ou nos vestimos como falamos. [de outro modo, se nos vestimos indecorosamente, por exemplo] A língua fala de castidade, mas todo o corpo revela impureza”.

O fato de nos vestirmos com decoro se torna extremamente penoso nos dias de libertinagem quase total em que vivemos. Pois a moda, essa tirana que quer a todo propósito nos subjugar, está cada vez mais ousadamente caminhando para o nudismo. Basta mencionar as roupas propositadamente rasgadas e os micro-shorts com que andam muitas das mulheres de hoje, independente de idade, não tendo o pejo de ir assim indecorosamente vestidas mesmo à Santa Missa.

         Já Santa Jacinta de Fátima, favorecida por Nossa Senhora com visões proféticas apesar de sua jovem idade — morreu com 11 anos apenas —, alertou que “os pecados que levam mais almas para o inferno são os pecados da carne. Hão de vir umas modas que hão de ofender muito a Nosso Senhor. As pessoas que servem a Deus não devem andar com a moda. A Igreja não tem modas. Nosso Senhor é sempre o mesmo”.

         Ora, citando outra vez Santo Agostinho, “a luxúria consentida se torna hábito, e hábito não resistido se torna necessidade”. Quer dizer, seguir as modas inconscientemente forma um hábito que se torna necessidade. E essa necessidade muitas vezes se torna como uma droga. que pode levar aos piores excessos.

         Por isso aconselha o grande Santo Inácio de Loyola: “Que a tua modéstia seja um incentivo suficiente, sim, uma exortação para que todos fiquem em paz só de olharem para ti”.

         Isso é muito importante. Porque as mulheres que se vestem de modo indecoroso e andam pelas ruas pavoneando-se, são responsáveis por todos os pecados de mau pensamento e de maus desejos que cometem os homens que as veem. E deverão pagar por isso no inferno ou, quando muito, no Purgatório.

         Sobre como ser pura comenta a mesma Santa Jacinta de Fátima: “Ser pura de corpo é guardar a castidade [segundo o estado de vida]. E ser pura de alma é não cometer pecados, não olhar o que não se deve ver, não roubar, não mentir nunca, dizer sempre a verdade ainda que custe”.

         Isso nos leva a outra ordem de considerações. Santa Jacinta diz que ser pura de alma é não cometer pecados. Ora, um dos pecados mais comuns entre as mulheres e que é muito pouco combatido, é a murmuração sobre a vida alheia; enquanto que entre os homens, é o vício das conversas imorais.

 Sobre isso diz o Santo Cura d’Ars: “O homem de fala impura é uma pessoa cujos lábios são apenas uma abertura e um cano que o inferno usa para vomitar suas impurezas sobre a terra.”

         A consequência disso, como afirmou São Clemente de Alexandria — escritor, teólogo e apologista cristão grego que viveu entre os séculos II e III: “Conversa impura faz-nos sentir confortáveis com ações impuras. Mas aquele que sabe controlar a língua está preparado para resistir aos ataques da luxúria”.

         Esse controle da língua exige muito esforço. São Tiago Apostolo, em sua epístola (3, 7) comenta: “Todo gênero de feras é domável e tem sido domado pela força humana. Mas a língua nenhum homem é capaz de domá-la”. “Vede como um pequeno fogo pode incendiar uma floresta! Assim também a língua é fogo, é um mundo de iniquidade”. (3, 5b) E, “Se alguém não peca por palavra, é varão perfeito” (Id 2).

         A necessidade de controlar nossas palavras é muito importante, pois Nosso Senhor Jesus Cristo já nos alertou: “Eu vos digo que de toda palavra ociosa que os homens falarem terão que dar conta no dia do juízo. Pois, por tuas palavras serás justificado, ou por tuas palavras serás condenado” (Mt 12, 36,37).

         O Real Profeta dizia num de seus Salmos: “Quem poderá Senhor, entrar no teu Santuário? [...] aquele que não usa sua língua com maledicência, que nenhum mal faz a seu semelhante, nem lança calúnias ou afrontas contra seu companheiro” (Sl 15, 3).

         Para isso é necessário que se tenha muita humildade, que se seja puro e humilde de coração. Pois, como diz São Francisco de Sales: “A humildade é a salvaguarda da castidade. Em matéria de pureza, não há perigo maior do que não temer o perigo. Quanto a mim, quando encontro um homem seguro de si e sem medo, considero-o perdido. Alarmo-me menos com aquele que é tentado e resiste evitando as ocasiões, do que com aquele que não é tentado e não se preocupa em evitar as ocasiões. Quando uma pessoa se coloca numa situação de tentação, dizendo: ‘Não cairei’, é um sinal quase infalível de que cairá, e com grande prejuízo para a sua alma.”

Isso supõe que a pessoa esteja em estado de graça, pois este estado, segundo São Pedro Julião Eymard, “nada mais é do que pureza, e concede o céu àqueles que se revestem dela. A santidade, portanto, é simplesmente o estado de graça purificado, iluminado, embelezado pela pureza mais perfeita, isento não só do pecado mortal, mas também das menores faltas; a pureza fará dos homens santos! Tudo reside nisso!

Essa é a graça que devemos pedir Àquela que foi sempre Imaculada e mansa e humilde de coração: que nos dê uma profunda humildade junto a uma exímia pureza de coração, de corpo e de alma.


29 de janeiro de 2024

Qual é o pensamento católico sobre o mau hábito de se dizer palavrões?

“Deixai de lado todas estas coisas: ira, animosidade, maledicência, maldade, palavras torpes da vossa boca” (Colossenses 3,8)


✅  Padre David Francisquini 

Fonte: Revista Catolicismo, Nº 875, Novembro/2023

 

Pergunta — Um amigo me comentou recentemente que havia parado de dizer palavrões, pois lhe tinham dito que era pecado. Acrescentou que recomeçara, porque não via nada de prejudicial nisso, desde que evitasse insultar a Deus, ofender injustamente o próximo ou proferi-los em situações inapropriadas —  num exame oral,  numa entrevista para conseguir emprego, por exemplo. Acrescentou ainda que, sendo colérico, era justificável liberar a pressão da panela soltando palavrões. Objetei que tal hábito não condiz com a boa imagem de um católico. Ele me respondeu que quase todas as pessoas gostam de ouvir palavrões e que estes até ajudam a apimentar as conversas e a fazer-se passar por simpático. O que o senhor tem a dizer a respeito?

 

Resposta — Na cultura popular de hoje, dizer palavrões ou usar linguagem chula é extremamente comum, tendo a vulgaridade se tornado habitual na música, no cinema, na literatura e na linguagem cotidiana, chegando-se ao extremo de moças e até mesmo senhoras soltarem palavrões. Isso à primeira vista pode não parecer pecado, sob a alegação de não se ter necessariamente a intenção de ofender a Deus ou machucar alguém e, quando o fazem, é visto apenas como fruto de uma irritação passageira e sem consequências.

Mas a realidade é mais profunda, e mais rigorosa a resposta. Se o palavrão ou a linguagem vulgar inclui de alguma maneira o nome de Deus, de Jesus Cristo, da Virgem Maria e dos santos, isso é uma violação direta do segundo mandamento, que impõe não usar o santo nome de Deus em vão. Se no ato de xingar se ofende o próximo com nomes ou adjetivos vulgares, isso pode constituir um pecado de injúria contra o oitavo mandamento e, de qualquer maneira, vai contra o que diz o Catecismo da Igreja Católica sobre o respeito devido à honra do próximo (n. 2158): “Deus chama a cada um pelo seu nome. O nome de todo o homem é sagrado. O nome é a imagem da pessoa. Exige respeito, como sinal da dignidade de quem por ele se identifica”. Por fim, se o palavrão inclui cumulativamente referências impudicas a órgãos ou questões sexuais, isso entra em colisão também com o sexto mandamento, que proíbe as palavras e canções licenciosas.

Condenações nas Sagradas Escrituras

Existe ainda uma zona cinzenta de palavrões que não entram em nenhum dos três casos acima, mas que constituem uma linguagem vulgar, frequentemente relacionada com funções corporais indecorosas. A Bíblia é muito severa a esse respeito:

“O homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu coração, e o homem mau tira coisas más do seu mau tesouro, porque a boca fala daquilo de que o coração está cheio” (São Lucas, 6, 45).

“Não é aquilo que entra pela boca que mancha o homem, mas aquilo que sai dele. Eis o que mancha o homem” (São Mateus 15,11).

“Eu vos digo: no dia do juízo os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido. É por tuas palavras que serás justificado ou condenado” (São Mateus 12, 36-37).

“Que as vossas conversas sejam sempre amáveis, temperadas com sal [da sabedoria], e saibais responder a cada um devidamente” (Colossenses 4, 6).

“Deixai de lado todas estas coisas: ira, animosidade, maledicência, maldade, palavras torpes da vossa boca” (Colossenses 3,8).

“Quanto à fornicação, à impureza, sob qualquer forma, ou à avareza, que disto nem se faça menção entre vós, como convém a santos. Nada de obscenidades, de conversas tolas ou levianas, porque tais coisas não convêm; em vez disso, ações de graças” (Efésios 5, 3-4).

A Sagrada Família – Rafael Flores (1832 - 1886). Museu Nacional de Arte, Cidade do México

“Teu modo de falar te dá a conhecer”

É claro que, para os palavrões constituírem pecado, é necessário que sejam proferidos com pleno conhecimento e pleno consentimento. A raiva ou um grande aborrecimento diminuem a responsabilidade moral e a gravidade da falta, porque tornam mais difícil conter o fluxo de palavras grosseiras que vêm à mente. Mas isso não ocorre se a pessoa se habituou a jamais proferir palavrões e a usar sempre uma linguagem respeitosa e elevada.

É precisamente nessas circunstâncias que se deixa ver se a pessoa recebeu uma boa educação ou melhorou a que recebeu no ambiente em que foi criado. Alguém disse que a cortesia é a liturgia da caridade e isso é muito verdadeiro, pois a pessoa polida demonstra ter preocupação pela sensibilidade das pessoas que a rodeiam. Mais ainda, como a caridade começa em casa, ela demonstra ter uma consciência clara de sua própria dignidade de católico batizado e de membro de uma família digna.

Aqueles que se habituaram a dizer palavrões devem se esforçar para corrigir esse mau hábito e procurar afinar a sua sensibilidade de maneira a se chocarem quando ouvirem músicas, diálogos de filmes ou conversas entre colegas ou amigos que empregam linguagem chula. De fato, a vulgaridade tem o efeito muito danoso de conseguir amortecer na alma das pessoas a rejeição a coisas que normalmente deveriam chocá-las.

Essa obrigação de corrigir-se é tanto maior quanto mais a pessoa estiver em contato com crianças, pois estas são propensas ao mimetismo e tendem a repetir o que ouvem dos maiores. Se o entorno acha graça, elas percebem nos sorrisos maliciosos um encorajamento para enveredar pela via da vulgaridade e da faceirice.

Aos que colocam as crianças no bordo desse precipício, aplicam-se as severas palavras de Nosso Senhor: “Se alguém fizer cair em pecado um destes pequenos que creem em mim, melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó de um moinho e o lançassem no fundo do mar” (São Mateus 18, 6).

Uma consideração final e colateral, já não diretamente de ordem moral, mas que pode ajudar a nossa sociedade decadente a fazer um derradeiro esforço de correção da linguagem. É as pessoas tomarem consciência de que a linguagem vulgar cai bem em certos ambientes ditos “prá-frente”, mas é muito mal vista nos círculos mais cultivados e elevados de uma cidade, nos quais a elegância da apresentação e dos modos de ser ainda é um critério de avaliação das pessoas. Esses círculos poderão dizer ao “boca suja” aquilo que os criados disseram a Simão Pedro na casa de Caifás: “Teu modo de falar te dá a conhecer” (São Mateus 26, 73).

O mais importante, porém, é procurar ajustar em tudo nossas vidas ao divino modelo de Nosso Senhor Jesus Cristo, cuja linguagem era constituída somente de “palavras de vida eterna” (São João 6, 68). Pode-se imaginar a elevação, a seriedade e a doçura das conversas da Sagrada Família na casa de Nazaré?

16 de janeiro de 2024

“RAINHA DAS VIRTUDES”


Obra do artista italiano  Giovanni Battista Torriglia (1858 - 1937). The See-Saw oil on canvas.

✅  Paulo Roberto Campos 

Cultivar a virtude da pureza é indispensável no lar verdadeiramente católico. Sem ela, a família entra numa espiral declinante, que poderá levar à sua suma decadência moral e material. 

Pelo contrário, nos lares onde a virtude angélica da pureza é cultivada, todas as demais virtudes encontram solo fértil para florescer. Os vínculos familiares se fortalecem, o ambiente se torna harmonioso e o convívio agradável. Por isso, muitos santos afirmaram que a pureza é a “Rainha das Virtudes”. São Francisco de Sales costumava dizer que “a castidade é o lírio das virtudes”, que deixava as pessoas parecidas com os anjos. 

Infelizmente, grande parte da mídia, sobretudo TVs e Internet, despeja em nossas casas toneladas de lixo de impureza, propaga a imoralidade escancarada e até pornografia para destruir a inocência das crianças, levar as famílias à dissolução do matrimônio, à depravação dos bons costumes e até à perversão sexual. 

Com o objetivo de auxiliar os pais e mães de família na formação de seus filhos, comentando com eles temas que mostram a beleza da virtude da virgindade e falando do horror ao pecado contra a castidade, seguem alguns pensamentos de grandes santos. 

“A castidade, ou a pureza de coração, carrega um glorioso e distinto lugar entre as virtudes, porque ela — sozinha — permite ao homem ver a Deus. Por isso, a própria Verdade disse: ‘Bem aventurados os puros de coração, pois verão a Deus’ (Mt 5,8)”. 
(Santo Agostinho) 

“A humildade é a guardiã da castidade. Em matéria de pureza, não há pior perigo do que não temer o perigo. Quando uma pessoa está segura de si mesma e sem medo de cair, ela está perdida”. 
(São Filipe Neri) 

“Devemos ser puros. Não falo apenas da pureza dos sentidos. Devemos observar grande pureza em nossa vontade, em nossas intenções, em todas as nossas ações”. 
(São Pedro Julião Eymard ) 

“A alma pura é uma bela rosa, e as três pessoas divinas descem do Céu para inalar a sua fragrância”. 
(São João Maria Vianney) 

“A santa pureza, a rainha das virtudes, a virtude angelical, é uma joia tão preciosa que aqueles que a possuem se tornam como os Anjos de Deus no Céu, mesmo vestidos em carne mortal”. 
(São João Bosco)

 

25 de fevereiro de 2019

Homossexualismo, pecado gravíssimo contra a natureza

O Papa São Pio X em foto feita em 1905
A doutrina Católica condena o homossexualismo, que é contrário à ordem natural das coisas e à família. O Catecismo de São Pio X (1910) [foto acima] afirma que o “pecado de impureza contra a natureza" é considerado como daquelas perversidades que "bradam a Deus por vingança” (nº 966). Isto porque, “mais do que outros pecados, apresenta uma assinalada e manifesta malícia, e atrai de modo insigne a ira e a vingança de Deus sobre aqueles que o cometem” (Cardeal Pedro Gasparri, Catechismus catholicus, Tipis Poliglotis Vaticanis, 15ª ed., p. 258). 

Tendo em vista o atual julgamento no Supremo Tribunal Federal [vide post anterior] — que assim como se condena uma hostilidade de caráter racista, poderá condenar injustamente quem se manifestar contra o homossexualismo, desse modo criminalizado a chamada "homofobia" —, recomendo a audição da gravação de uma entrevista do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira ao SBT, concedida em 29 de outubro de 1992. Aqueles que desejarem o texto da mesma podem obtê-lo no seguinte link:
https://www.pliniocorreadeoliveira.info/ENT_921029_homossexualismo.htm

4 de abril de 2017

MODAS E OS SEUS “DIKTATS”



Padre David Francisquini (*) 

Não deixa de ser curiosa a maneira como os meios de comunicação costumam tratar das modas. Via de regra, eles se utilizam de uma linguagem evasiva como “Você já conhece as tendências da moda?”; “Fique de olho nos desfiles e descubra qual será a tendência...”; “Tendências que vão bombar no próximo verão...”. 

O dicionário define tendência como uma disposição natural que leva algo ou alguém a se mover em direção a outra coisa ou a outra pessoa. Afirma-se também que os estilistas se baseiam em tendências universais. 

Como nos encontramos num processo revolucionário várias vezes secular, todo ele feito por etapas, que tem por origem última em determinadas tendências desordenadas; lutando por realizar-se, elas começam sempre por modificar as mentalidades, as expressões artísticas e os costumes. 

Com efeito, tais tendências têm muito de natural, mas considerando o processo revolucionário como o descreve Plinio Corrêa de Oliveira na sua obra-prima Revolução e Contra-Revolução, elas podem ser facilmente induzidas, o que facilita a compreensão de onde elas vêm e para onde vão.

Afinal, quem dita tendências na moda? — As grandes grifes mundiais, ou seja, agentes revolucionários, com desígnios escusos, na pretensão de abalar convicções, costumes, modos de ser e de agir das pessoas que ainda prezam e vivem valores herdados da civilização cristã. 

Ainda que tais grifes quisessem apenas vender, mas o que é a publicidade moderna senão a exploração de um ou mais vícios capitais? Com tal objetivo, tais agentes avaliam o panorama das psicologias das almas, com suas tendências, contando sempre com o mecanismo dos vícios e das tendências desordenadas.

Com que objetivo? — Destronar Nosso Senhor e colocar Satanás em um trono; liquidar a boa ordem das coisas e preparar os gostos, os pendores, os humores para os vícios. Modificar o estado temperamental, para que as pessoas vão se habituando à cacofonia, ao mau gosto, a tudo quanto é desordenado; estimular os hábitos imoderados e tendenciosos na maneira de se vestir, cores extravagantes sem harmonia e beleza, bem como a minimização das vestes rumo à nudez.

Trata-se de uma ofensiva que, muitas vezes, tenta transtornar a ordem espiritual, com desregramentos morais, para assim golpear a boa ordem no âmbito temporal. Ofensiva satânica visando atacar a glória de Deus, tentando destruir a ordem espiritual e temporal, sugerindo concessões ao mal.

Tudo isso é feito por meio de devotados agentes que atuam de maneira inversa à dos evangelizadores que edificaram a civilização cristã. É deprimente notar o descaso com que as modas indecentes vão penetrando e se avolumando rumo ao nudismo, em detrimento dos modos de se vestir do passado. [bons exemplos na foto ao lado]. 

Mais triste ainda é o desdém, a indiferença e a omissão cada vez maiores por parte daqueles que deveriam ser o sal da terra e a luz do mundo, que permitem pessoas indecorosas nos recintos sagrados e até mesmo aproximarem-se da mesa eucarística. 

Tudo isso leva crer na existência de uma ação junto àqueles que deveriam ser o baluarte da fé e da ortodoxia a fim de conduzi-los a um pacto com o mundo, permitindo a contaminação dos ambientes católicos com os erros modernos ao cerrar os olhos para o uso de roupas masculinas pelas mulheres, alegando que não se deve incomodar com essas “ninharias”...

Porventura, não sabem eles, com base em Santo Ambrósio e São Tomás de Aquino, ser o próprio Deus quem vestiu as aves e os animais, com penas e pelos? E que Ele mesmo diferenciou o sexo de cada um? 

Assim, Deus pôs no homem um princípio inteligente e volitivo, estabeleceu a diferenciação entre homem e mulher e que cada um deve regrar seus atos de acordo com essa diferença, vestindo-se convenientemente, conforme a natureza de cada sexo. 

Diz Santo Ambrósio: “Não se conserva a castidade quando não se guarda a distinção dos sexos”. Isto faz parte de um princípio, estabelecido pelo próprio Deus, que tem como base a própria natureza racional do homem e da mulher. 

Lemos nas Escrituras que é abominável o homem que se veste como mulher e a mulher como homem, porque é a transgressão da própria natureza.

Faz parte da boa ordenação das coisas que o homem ao atingir um grau de civilização e de progresso se dignifique em toda a sua plenitude na maneira de se vestir, nos hábitos comportamentais condizentes ao seu fim nesta Terra, qual seja conhecer, amar e servir a Deus, preparando-se para a vida eterna. 

O que as ditas modas introduzem é uma depravação do próprio homem em sua dignidade de ser racional e ontológico. Prepara-o para todas as aberrações conduzindo-o ao caos, visto que semelhante conduta reflete a negação do próprio Deus.

Quando nossos primeiros pais, por desobediência a Deus, pecaram no Paraíso terrestre, esconderam-se confusos e envergonhados devido à nudez. Deus Pai, com a sua bondade, teceu-lhes vestes e os cobriu, como quem cobre as aves de penas, e os animais de pelos, e os campos de vegetação.

No ambiente de permissivismo moral, a distinção de um sexo do outro, vai se atenuando de tal forma que hoje se chega a fazer justificação da Ideologia de Gênero, escancarando a negação da evidência que a natureza se encarregou de estabelecer entre homem e mulher. 

Afirma São Tomás de Aquino: 
“Que o vestuário exterior deve corresponder à condição da pessoa, de conformidade do uso comum. Por isso, em si mesmo é pecaminoso uma mulher trazer trajes viris ou inversamente. Sobretudo por que pode ser causa de lascívia. O que a lei antiga expressamente proibia, porque os gentios usavam desses travestimentos pela superstição da idolatria.”
O igualitarismo constitui uma das características dominantes de hoje. Em nome da igualdade vai se impondo ao homem o sentimento anticristão. A igualdade entre os sexos representa uma das inúmeras manifestações de igualitarismo que leva a negação de Deus e da religião, afastando as pessoas de sua própria identidade. 

Uma instrução da Santa Sé, de 12-1-1930, afirma:
“Muitas vezes, dada a oportunidade, o Sumo Pontífice reprovou e condenou acerbamente a maneira insolente de se vestir que se vai introduzindo entre as senhoras e jovens católicas. 
Esse modo de vestir, não só ofende o decoro feminino e a modéstia, mas, o que é mais grave, causa sério prejuízo a essas mesmas mulheres. E pior, leva miseravelmente outros homens à condenação eterna. 
Nada mais lógico e forçoso que os bispos, assim como convém aos ministros de Cristo, como se fossem uma só voz, oponham toda barreira a essa audácia e libertinagem da moda, suportando com serenidade e coragem as zombarias e insultos que receberem de espíritos malévolos por essa tomada de posição. 
Os párocos e pregadores, nas ocasiões que se oferecerem, conforme recomenda São Paulo, ‘insistam, expliquem, increpem, exortem’ para que as mulheres usem vestes que irradiem o pudor e que sejam o ornamento e defesa da virtude; e admoestem aos pais para que não deixem suas filhas usar vestes indecorosas. 
Os pais conscientes da obrigação gravíssima que têm de cuidar, em primeiro lugar, da educação religiosa e moral dos filhos, fomentem, em seu espírito, por todos os meios, quer pela palavra, quer pelo exemplo, o amor da virtude, da modéstia e da castidade”.

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(*) Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso Moreira (RJ) – o Revmo. Pe. David Francisquini é colaborador da Agência Boa Imprensa (ABIM).

25 de maio de 2008

Prática homossexual: “Pecado que brada aos céus por vingança”

Representação da cidade de Sodoma sendo destruída por uma chuva de fogo

Paulo Roberto Campos

Hoje, 25 de maio, realiza-se a tal “parada do orgulho homossexual” na Avenida Paulista. O que repugna a toda família normalmente bem constituída — ou seja, constituida a partir do casamento entre um homem e uma mulher.

Já o nome — “parada do orgulho” — revela suas péssimas origens, pois segundo o grande comentarista da Sagrada Escritura, Cornélio a Lápide, o orgulho gera impureza:

“A impureza é o castigo do orgulho, da mesma forma que a humildade é a recompensa da castidade. Esta é a ordem estabelecida por Deus, e se o homem submete sua mente a Deus, também o seu corpo se submeterá a Deus. Pelo contrário, quando o homem se rebela contra Deus, também seu corpo se rebela contra ele” (Cornélio a Lápide, Commentaria in Scripturam Sacram (Paris: Vivès, 1863), vol. 18, p. 54)

Lamentavelmente a referida “parada do orgulho” é feita com patrocínios provenientes dos cofres públicos — dinheiro, portanto, da imensa maioria da população brasileira, que entretanto a reprova. É o que informa “O Estado de S. Paulo”, do dia 16-05-08: “Neste ano, o governo federal reserva R$ 300 mil, ante R$ 250 mil de 2007, e a Prefeitura desembolsa R$ 450 mil, ante R$ 350 mil da edição passada. O evento vai ter orçamento em torno de R$ 1,070 milhão, já acrescentados os investimentos da Caixa Econômica Federal (R$ 120 mil) e Petrobrás (R$ 200 mil)”.

Mas pior que o desperdiço do dinheiro público, é tratar-se do financiamento de um evento que exalta o pecado, a imoralidade, o vício antinatural. Pois, a homossexualidade viola a Lei de Deus, além de contrariar a própria natureza humana. É a pior forma de imoralidade, severamente condenada pela Igreja Católica, cujo pensamento a respeito nunca mudou, conforme ensina o “Catecismo da Igreja Católica” (publicado em 1994 pelo Vaticano) ao afirmar que os atos homossexuais são “intrinsecamente desordenados”, e “contrários à Lei Natural”.

Verdades esquecidas
À vista dessa “parada do orgulho” e em defesa da família normalmente constituída, transcrevo aqui algumas verdades esquecidas, de acordo com as quais o pior castigo de Deus é quando Ele abandona às suas próprias paixões os pecadores que não querem se converter. Disso decorre o vício antinatural da homossexualidade.

São Paulo Apóstolo, tratando da degradação dos romanos, devido à prática homossexual, afirma:

“Por isso, Deus os entregou a paixões vergonhosas: as suas mulheres mudaram as relações naturais em relações contra a natureza. Do mesmo modo também os homens, deixando o uso natural da mulher, arderam em desejos uns para com os outros, cometendo homens com homens a torpeza, e recebendo em seus corpos a paga devida ao seu desvario”. (Rom 1, 26-27).

O grande São Tomás de Aquino, referindo-se a essas palavras do Apóstolo, mostra a gravidade de tal pecado antinatural:

“Se todos os pecados da carne merecem condenação, pois através deles o homem se deixa dominar pelo que tem da natureza animal, muito mais merecem condenação os pecados contra a natureza, pelos quais o homem degrada sua própria natureza animal. [...] O homem peca contra a natureza quando contraria a natureza do seu gênero, isto é, a sua natureza animal. Ora, é evidente que, de acordo com a ordem natural, a união dos sexos entre os animais é orientada para a concepção. Disso se segue que todo ato sexual que não pode conduzir à concepção é oposto à natureza animal do homem”. (São Tomás de Aquino, Super Epistolam B. Pauli ad Romanos, Cap. 1, Lec. 8).

E Santo Agostinho, em sua célebre obra “Confissões”, nestes termos condena a homossexualidade:

“Aquelas ofensas que são contrárias à natureza devem ser detestadas e punidas em todo o tempo e lugar. Assim aconteceu com os sodomitas, e todas as nações que as cometerem deveriam ser igualmente culpadas do mesmo crime ante a lei divina, pois Deus não fez os homens de tal modo que possam abusar um do outro daquele modo. Pois a amizade que deve existir entre Deus e nós é violada quando a própria natureza da qual Ele é autor é poluída pela perversão da luxúria”. (Santo Agostinho, Confissões, Livro II, Cap. 8, n° 15).

Santa Catarina de Siena, escreveu o que Deus lhe ditou sobre os homossexuais:

“Como cegos e insensatos, com a luz do seu intelecto obscurecida, não reconhecem o mau odor e a miséria em que se encontram. Não apenas porque esse pecado tem mau odor diante de mim, que sou a suprema e eterna Verdade, mas de fato ele me desagrada a tal ponto, e eu o tenho em tanta abominação, que por causa apenas dele Eu queimei cinco cidades por punição divina, pois a minha justiça divina não mais podia suportá-lo. Esse pecado desagrada não apenas a mim, como já disse, mas também aos próprios demônios que esses desgraçados tornaram seus senhores. Não que esse mal os desagrade [aos demônios], pois não gostam de nada que seja bom, mas porque a natureza deles, que foi originalmente angélica, provoca-lhes repugnância ao ver cometer tão enorme pecado”. (Santa Catarina de Siena, The Dialogue of the Seraphic Virgin (Londres: Burns, Oates e Washbourne, Ltd., 1925), p. 255.

Os pecados de homossexualismo de tal modo provocam a cólera divina que “bradam aos Céus e clama a Deus por vingança”. Na Bíblia lemos esta passagem referente a Sodoma e Gomorra: “Vamos destruir este lugar, pois é tão grande o clamor diante do Senhor contra os da cidade, que Ele nos enviou para destruí-la” (Gen. 19, 13). (Vide gravura no alto)

Ambas as cidades pecadoras e amaldiçoadas servem de advertência de Deus para as cidades de nossos dias, nas quais se ostenta o “orgulho homossexual”. Segundo São Pedro: “E condenou a uma total ruína as cidades de Sodoma e Gomorra, reduzindo-as a cinzas, pondo-as como exemplo daqueles que venham a viver impiamente”.(II Pedro, 2, 6-8).

A conclusão óbvia é que a promoção de tal “parada” esta provocando a cólera de Deus, atraindo assim terríveis castigos para nossa cidade.

Encerro prometendo continuar com esse importante tema. Vou pesquisar outras “verdades esquecidas” a respeito, para serem introduzidas neste Blog da Família. São verdades óbvias, mas muito esquecidas devido ao relativismo moral de nossos tempos. Mas antes de encerrar, uma ponderação:

Nosso Senhor Jesus Cristo ensina no Evangelho (cfr. Mt 7, 1-6) que não devemos condenar o semelhante. Portanto, não podemos, de modo algum, agredir tais pecadores. Mas enquanto católicos temos a obrigação de ser fiéis aos ensinamentos do Divino Mestre, que também nos ensinou o dever de repudiar categoricamente o pecado. Então, rezemos pela conversão dos pecadores. Em conformidade, aliás, com o pedido feito por Nossa Senhora em Fátima.