31 de janeiro de 2024

Escolas melhoram sem celular


A Flórida vetou o uso celular nas aulas de suas escolas públicas. Em muitas delas foi proibido durante todo o dia, pois os pais pedem medidas drásticas contra seu uso desenfreado, que ameaça a educação, o bem-estar e a segurança dos alunos. 

Jovens filmaram agressões a colegas apenas para postar em redes sociais. 

Marc Wasko, diretor da escola de Timber Creek (Flórida), com 3.600 alunos, afirmou que agora os professores os encontram mais participativos. 

“Adorei. Os alunos estão mais falantes e colaborativos”, confirmou a professora Nikita McCaskill.

(Fonte: Revista Catolicismo, Nº 877, Janeiro/2023)

29 de janeiro de 2024

Qual é o pensamento católico sobre o mau hábito de se dizer palavrões?

“Deixai de lado todas estas coisas: ira, animosidade, maledicência, maldade, palavras torpes da vossa boca” (Colossenses 3,8)


  Padre David Francisquini 

Fonte: Revista Catolicismo, Nº 875, Novembro/2023

 

Pergunta Um amigo me comentou recentemente que havia parado de dizer palavrões, pois lhe tinham dito que era pecado. Acrescentou que recomeçara, porque não via nada de prejudicial nisso, desde que evitasse insultar a Deus, ofender injustamente o próximo ou proferi-los em situações inapropriadas —  num exame oral,  numa entrevista para conseguir emprego, por exemplo. Acrescentou ainda que, sendo colérico, era justificável liberar a pressão da panela soltando palavrões. Objetei que tal hábito não condiz com a boa imagem de um católico. Ele me respondeu que quase todas as pessoas gostam de ouvir palavrões e que estes até ajudam a apimentar as conversas e a fazer-se passar por simpático. O que o senhor tem a dizer a respeito?

 

RespostaNa cultura popular de hoje, dizer palavrões ou usar linguagem chula é extremamente comum, tendo a vulgaridade se tornado habitual na música, no cinema, na literatura e na linguagem cotidiana, chegando-se ao extremo de moças e até mesmo senhoras soltarem palavrões. Isso à primeira vista pode não parecer pecado, sob a alegação de não se ter necessariamente a intenção de ofender a Deus ou machucar alguém e, quando o fazem, é visto apenas como fruto de uma irritação passageira e sem consequências.

Mas a realidade é mais profunda, e mais rigorosa a resposta. Se o palavrão ou a linguagem vulgar inclui de alguma maneira o nome de Deus, de Jesus Cristo, da Virgem Maria e dos santos, isso é uma violação direta do segundo mandamento, que impõe não usar o santo nome de Deus em vão. Se no ato de xingar se ofende o próximo com nomes ou adjetivos vulgares, isso pode constituir um pecado de injúria contra o oitavo mandamento e, de qualquer maneira, vai contra o que diz o Catecismo da Igreja Católica sobre o respeito devido à honra do próximo (n. 2158): “Deus chama a cada um pelo seu nome. O nome de todo o homem é sagrado. O nome é a imagem da pessoa. Exige respeito, como sinal da dignidade de quem por ele se identifica”. Por fim, se o palavrão inclui cumulativamente referências impudicas a órgãos ou questões sexuais, isso entra em colisão também com o sexto mandamento, que proíbe as palavras e canções licenciosas.

Condenações nas Sagradas Escrituras

Existe ainda uma zona cinzenta de palavrões que não entram em nenhum dos três casos acima, mas que constituem uma linguagem vulgar, frequentemente relacionada com funções corporais indecorosas. A Bíblia é muito severa a esse respeito:

“O homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu coração, e o homem mau tira coisas más do seu mau tesouro, porque a boca fala daquilo de que o coração está cheio” (São Lucas, 6, 45).

“Não é aquilo que entra pela boca que mancha o homem, mas aquilo que sai dele. Eis o que mancha o homem” (São Mateus 15,11).

“Eu vos digo: no dia do juízo os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido. É por tuas palavras que serás justificado ou condenado” (São Mateus 12, 36-37).

“Que as vossas conversas sejam sempre amáveis, temperadas com sal [da sabedoria], e saibais responder a cada um devidamente” (Colossenses 4, 6).

“Deixai de lado todas estas coisas: ira, animosidade, maledicência, maldade, palavras torpes da vossa boca” (Colossenses 3,8).

“Quanto à fornicação, à impureza, sob qualquer forma, ou à avareza, que disto nem se faça menção entre vós, como convém a santos. Nada de obscenidades, de conversas tolas ou levianas, porque tais coisas não convêm; em vez disso, ações de graças” (Efésios 5, 3-4).

A Sagrada Família – Rafael Flores (1832 - 1886). Museu Nacional de Arte, Cidade do México

“Teu modo de falar te dá a conhecer”

É claro que, para os palavrões constituírem pecado, é necessário que sejam proferidos com pleno conhecimento e pleno consentimento. A raiva ou um grande aborrecimento diminuem a responsabilidade moral e a gravidade da falta, porque tornam mais difícil conter o fluxo de palavras grosseiras que vêm à mente. Mas isso não ocorre se a pessoa se habituou a jamais proferir palavrões e a usar sempre uma linguagem respeitosa e elevada.

É precisamente nessas circunstâncias que se deixa ver se a pessoa recebeu uma boa educação ou melhorou a que recebeu no ambiente em que foi criado. Alguém disse que a cortesia é a liturgia da caridade e isso é muito verdadeiro, pois a pessoa polida demonstra ter preocupação pela sensibilidade das pessoas que a rodeiam. Mais ainda, como a caridade começa em casa, ela demonstra ter uma consciência clara de sua própria dignidade de católico batizado e de membro de uma família digna.

Aqueles que se habituaram a dizer palavrões devem se esforçar para corrigir esse mau hábito e procurar afinar a sua sensibilidade de maneira a se chocarem quando ouvirem músicas, diálogos de filmes ou conversas entre colegas ou amigos que empregam linguagem chula. De fato, a vulgaridade tem o efeito muito danoso de conseguir amortecer na alma das pessoas a rejeição a coisas que normalmente deveriam chocá-las.

Essa obrigação de corrigir-se é tanto maior quanto mais a pessoa estiver em contato com crianças, pois estas são propensas ao mimetismo e tendem a repetir o que ouvem dos maiores. Se o entorno acha graça, elas percebem nos sorrisos maliciosos um encorajamento para enveredar pela via da vulgaridade e da faceirice.

Aos que colocam as crianças no bordo desse precipício, aplicam-se as severas palavras de Nosso Senhor: “Se alguém fizer cair em pecado um destes pequenos que creem em mim, melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó de um moinho e o lançassem no fundo do mar” (São Mateus 18, 6).

Uma consideração final e colateral, já não diretamente de ordem moral, mas que pode ajudar a nossa sociedade decadente a fazer um derradeiro esforço de correção da linguagem. É as pessoas tomarem consciência de que a linguagem vulgar cai bem em certos ambientes ditos “prá-frente”, mas é muito mal vista nos círculos mais cultivados e elevados de uma cidade, nos quais a elegância da apresentação e dos modos de ser ainda é um critério de avaliação das pessoas. Esses círculos poderão dizer ao “boca suja” aquilo que os criados disseram a Simão Pedro na casa de Caifás: “Teu modo de falar te dá a conhecer” (São Mateus 26, 73).

O mais importante, porém, é procurar ajustar em tudo nossas vidas ao divino modelo de Nosso Senhor Jesus Cristo, cuja linguagem era constituída somente de “palavras de vida eterna” (São João 6, 68). Pode-se imaginar a elevação, a seriedade e a doçura das conversas da Sagrada Família na casa de Nazaré?

22 de janeiro de 2024

Uniformes escolares ordenam os estudos

 


  Fonte: Revista Catolicismo, Nº 877, Janeiro/2023

O ministro francês da Educação, Gabriel Attal, estuda reintroduzir o uniforme nas escolas públicas do país. 

O ensaísta Jean-Paul Brighelli convida alunos e professores a se vestirem decentemente, diz que o uniforme é cerimonial e essencial, e que o desleixo das roupas induz a um modo desleixado no estudo. 

Alunas da escola Caetano de Campos,
na capital paulista, no início do século XX
E pergunta: “Por que os políticos se opõem?”. 

Todos os esquerdistas apoiam o igualitarismo, mas não querem a igualdade nesse uniforme!

Na escola, a distinção desejável é a intelectual, e não a marca dos jeans ou do tênis. O uniforme cria um ambiente de ordem necessária aos estudos.

16 de janeiro de 2024

“RAINHA DAS VIRTUDES”


Obra do artista italiano  Giovanni Battista Torriglia (1858 - 1937). The See-Saw oil on canvas.

  Paulo Roberto Campos 

Cultivar a virtude da pureza é indispensável no lar verdadeiramente católico. Sem ela, a família entra numa espiral declinante, que poderá levar à sua suma decadência moral e material. 

Pelo contrário, nos lares onde a virtude angélica da pureza é cultivada, todas as demais virtudes encontram solo fértil para florescer. Os vínculos familiares se fortalecem, o ambiente se torna harmonioso e o convívio agradável. Por isso, muitos santos afirmaram que a pureza é a “Rainha das Virtudes”. São Francisco de Sales costumava dizer que “a castidade é o lírio das virtudes”, que deixava as pessoas parecidas com os anjos. 

Infelizmente, grande parte da mídia, sobretudo TVs e Internet, despeja em nossas casas toneladas de lixo de impureza, propaga a imoralidade escancarada e até pornografia para destruir a inocência das crianças, levar as famílias à dissolução do matrimônio, à depravação dos bons costumes e até à perversão sexual. 

Com o objetivo de auxiliar os pais e mães de família na formação de seus filhos, comentando com eles temas que mostram a beleza da virtude da virgindade e falando do horror ao pecado contra a castidade, seguem alguns pensamentos de grandes santos. 

“A castidade, ou a pureza de coração, carrega um glorioso e distinto lugar entre as virtudes, porque ela — sozinha — permite ao homem ver a Deus. Por isso, a própria Verdade disse: ‘Bem aventurados os puros de coração, pois verão a Deus’ (Mt 5,8)”. 
(Santo Agostinho) 

“A humildade é a guardiã da castidade. Em matéria de pureza, não há pior perigo do que não temer o perigo. Quando uma pessoa está segura de si mesma e sem medo de cair, ela está perdida”. 
(São Filipe Neri) 

“Devemos ser puros. Não falo apenas da pureza dos sentidos. Devemos observar grande pureza em nossa vontade, em nossas intenções, em todas as nossas ações”. 
(São Pedro Julião Eymard ) 

“A alma pura é uma bela rosa, e as três pessoas divinas descem do Céu para inalar a sua fragrância”. 
(São João Maria Vianney) 

“A santa pureza, a rainha das virtudes, a virtude angelical, é uma joia tão preciosa que aqueles que a possuem se tornam como os Anjos de Deus no Céu, mesmo vestidos em carne mortal”. 
(São João Bosco)

 

13 de janeiro de 2024

Eis o ponto mais fraco (e forte) do debate sobre o aborto


  

John Horvat II

O caso de uma gestante no Texas que exigiu um aborto por motivos de saúde se concentra em um ponto vital do debate sobre o aborto. Não é o caso aqui de entrar nos detalhes médicos da reivindicação da mãe ou julgar seus motivos para o aborto que ela acabou praticando. 

Ao se concentrar no estado vulnerável de uma mãe grávida com problemas de saúde sem risco de vida, o movimento pró-aborto espera usar um caso extraordinário para estabelecer uma dispensa geral para matar crianças inocentes. Ativistas pró-aborto acham que esses casos excepcionais são o ponto fraco da causa pró-vida. 

Eles acham que o ponto "vulnerável" dos verdadeiros pró-vida é sua intransigência em relação ao aborto, não importa o quão emocional, sensacional ou verdadeiramente trágico o caso possa ser, como pode ser visto no caso do Texas. 

De fato, a questão central do debate sobre o aborto gira em torno do consentimento para o assassinato único de um feto. Essa posição define os dois lados. 

Retratando os pró-vida como cruéis 

Os promotores do aborto acham que podem ganhar o debate explorando o impacto emocional desses casos para mostrar a "crueldade" daqueles que defendem a vida. Eles apelarão para os moderados que tolerarão o aborto nesses casos e os voltarão contra os pró-vida por serem radicais demais. Finalmente, os promotores do aborto tentarão abalar as convicções dos pró-vida que podem estar vacilando. 

Considerando todos os danos que casos como esses podem infligir à causa pró-vida, é fácil entender por que muitos podem pensar que essa defesa intransigente da vida é o ponto fraco do movimento. 

Não há ponto fraco, desde que as proliferações expliquem bem essa intransigência.

A maior força, não a fraqueza 

Ao contrário do que pensam os pró-abortistas, essa determinação de defender a vida humana inocente não importa o que represente a maior força do movimento, não sua fraqueza.

Esse compromisso confere ao movimento pró-vida seu dinamismo e caráter sobrenatural. A noção cristã da vida humana é que cada pessoa existe para conhecer, amar e servir a Deus nesta Terra e ser feliz com Ele na próxima vida por toda a eternidade. Essa visão é contrária à visão liberal que vê a vida como um meio de alcançar a realização pessoal, gratificando as paixões — mesmo à custas dos outros, especialmente os nascituros. 

Assim, o maior propósito e felicidade na vida consiste em seguir a Lei de Deus e evitar o mal — por mais difícil que seja. 

Aqueles que são contrários à prática abortiva só serão fortes quando reconhecerem o valor da vida humana e fizerem todo o possível para que a pessoa tenha condições de glorificar a Deus e seguir Sua Lei. 

Assim, esse ponto forte, mas vulnerável, deve ser defendido, aconteça o que acontecer. A derrubada de Roe vs Wade foi vencida pelos pró-vida que se recusaram a se curvar diante daqueles que propunham fraqueza e compromisso. Resistiram à tentação de ceder, mesmo que um pouco, e seguir o caminho mais fácil. Têm de continuar a fazê-lo agora.

Tornando toda a vida vulnerável 

Os pró-aborto são fracos e vulneráveis contra essa intransigência. Obriga-os a assumir uma posição insustentável de admitir que tirar uma vida inocente deve ser permitido.

Uma vez que uma vida indefesa e inocente é sacrificada no altar da conveniência, dos prazeres e da "liberdade", toda a vida "inconveniente", nascida e não nascida, fica vulnerável. 

Assim, o movimento pró-aborto necessariamente se move para aceitar o aborto até o nascimento — e mesmo depois. Apoia necessariamente o suicídio assistido e a eutanásia. É inteiramente coerente com sua visão de mundo radical impor-se à sociedade com grande crueldade, perseguindo todos os que discordam dos mais extremos excessos. 

Uma batalha sem exceções 

Todas as sociedades totalitárias apoiam o aborto radical, uma vez que tais regimes só podem chegar ao poder quando a vida humana não tem valor e pode ser brutalmente reprimida. 

Assim, o valor da vida humana inocente é a questão central do debate sobre o aborto, apresentando pontos fortes e fracos de ambos os lados. 

A firme resolução de proteger o valor intrínseco de toda vida inocente em todas as circunstâncias mantém toda a vida segura. Por outro lado, a obsessão de gratificar as paixões sobre todas as outras considerações não poupa ninguém que fique no caminho. 

Ambos os lados são construídos sem exceções. Para aqueles que são contrários ao aborto, toda vida humana inocente encontra proteção por trás da não permissão de exceções para o aborto provocado. Para os pró-aborto, a aceitação única do assassinato abre as comportas da morte que, eventualmente, não conhece exceções. 

Essa é a questão central do debate sobre o aborto. Todas as outras considerações, como o caso do Texas, são mostras laterais que o movimento pró-aborto usa para promover sua causa sombria, arrecadar dinheiro descaradamente e desafiar as proibições do aborto. 

Tais espetáculos devem ser denunciados pelo que são: um ataque direto à vida humana inocente criada para glorificar a Deus seguindo Sua Lei.

4 de janeiro de 2024

“VIETNAMIZAÇÃO” DO NOSSO CONTINENTE?


✅  Paulo Roberto Campos


Este “novo mapa da Venezuela” foi apresentado no dia 5 de dezembro pelo ditador Nicolás Maduro. Como se vê nas fotos, a região de Essequibo — mais de dois terços do território da Guiana, muito rico em petróleo, gás e minérios — foi incorporada ao território venezuelano numa canetada. 

Após realizar um plebiscito (fraudulento) no dia 3 de dezembro, Maduro escreveu:
“Imediatamente ordenei publicar e levar a todas as escolas, colégios, Conselhos Comunitários, estabelecimentos públicos, universidades e a todos os lares do país o novo mapa da Venezuela com a nossa Guiana Essequiba. Este é o nosso querido mapa!”.
Ele falou em invadir Essequibo e, violando o direito internacional, criou por decreto o “Estado venezolano de Essequiba”. Ademais, nomeou um governador para a parte territorial anexada e estabeleceu um setor da estatal Petróleos de Venezuela A.S. para a “exploração de recursos naturais em todo o território e todos os seus mares”

Como é público e notório, além do estreito vínculo que mantém com Cuba e Nicarágua, o regime venezuelano é aliado da China, da Rússia e do Irã, cujos governos o ajudam como “cabeça de ponte” para penetrarem em nosso continente. Penetração que projetam ser a mais profunda possível, sobretudo para fazer face aos Estados Unidos. 

O povo venezuelano está faminto, quarta parte da população fugiu do país para não morrer de fome, enquanto não falta dinheiro para o exército. A Venezuela é a sexta nação do mundo que mais investe em poderio militar, graças aos três países mencionados, que podem estar por detrás do atual conflito junto às nossas fronteiras. 

Por ocasião da Guerra das Malvinas, comentando em artigo para a “Folha de S. Paulo” (22-5-1982) aquele conflito entre a Argentina e a Inglaterra, Plinio Corrêa de Oliveira levantou a hipótese de um plano para “vietnamizar a América do Sul”, sobretudo devido ao fato de que a Rússia comunista estava dando respaldo à Argentina. 

Malvinas serviu de pretexto para a Rússia tentar meter suas garras em terras platinas e, a partir delas, agarrar outras partes da América do Sul. Agora, com a disputa entre a Venezuela e a Guiana por Essequibo, a hipótese não poderia deixar de ser levantada.

Neste caso, poder-se-iam aplicar as palavras finais do citado artigo: 
“Hipóteses, sim. Mas com o terrível ar de verossímeis. E que explicariam em profundidade como, repetindo a jogada malvina ao longo da costa pacífica, Moscou esperaria talvez vietnamizar todo o Continente!”. 
Atualmente, além de Moscou, poderíamos acrescentar Pequim e Teerã no plano de um novo “Vietnã” em nossas fronteiras.

2 de janeiro de 2024

Impossibilidade de coexistência entre Igreja e comunismo

Algumas traduções do livro A Liberdade da Igreja no Estado Comunista


Completam-se neste mês 60 anos da publicação no jornal Il Tempo, de Roma, da íntegra do ensaio A Liberdade da Igreja no Estado Comunista [fac-símile abaixo], de Plinio Corrêa de Oliveira. Em memória, segue a transcrição de excertos do prefácio que o Autor escreveu para a décima edição dessa obra, a qual comprova quão pernicioso é para os povos um modus vivendi com qualquer regime comunista. O Cardeal Giuseppe Pizzardo, então Prefeito da Sagrada Congregação dos Seminários e Universidades, em carta oficial escreveu que esse livro é “um eco fidelíssimo dos Documentos do Supremo Magistério da Igreja”. A íntegra dele pode ser obtida em nosso site: https://catolicismo.com.br/Acervo/Num/0152/P01.html


  Plinio Corrêa de Oliveira

“Aconselho a certas categorias de pessoas que não leiam este ensaio. Ele não foi escrito para as mentalidades acomodatícias, idólatras do fato consumado. Também não para os preguiçosos e os medrosos, para quem o esforço e o risco constituem um mal que jamais estão dispostos a enfrentar. 

Principalmente, perderão seu tempo, lendo este ensaio, os homens sem Fé, que não creem em Deus, e consideram o curso da História, nas épocas de catástrofe e decadência, sujeito exclusivamente às forças sociais e econômicas cegas, ou às personalidades, ao mesmo tempo insípidas e monstruosas, que aparecem então na crista dos acontecimentos.

Em síntese, o comunismo tem a seu serviço o poder, o ouro, a propaganda. Em certas elites corruptas, não cessa de crescer. Mas a multidão, em parte não a conquista, em outra parte as perde. E diante desta constatação, o poder dele, formidável como um gigante, deixa ver bem seus pés de barro. 

Mas que são de barro esses pés, só o percebem com toda a nitidez os homens de Fé, que não se deixam enganar pelo turbilhão da publicidade feita em torno da suposta onipotência comunista. Creem eles em Deus, confiam na Virgem e estão firmemente dispostos a entrar na luta, certos de que a vitória final lhes pertence. 

É de homens tais, que sabem ver que são de barro os pés do colosso, que se pode esperar que o pisem. É para eles que este ensaio foi escrito. Provando a impossibilidade da coexistência entre a Igreja e os regimes comunistas, o presente trabalho visa auxiliá-los a se firmarem numa posição de rejeição absoluta em relação às investidas comunistas.

“E constitui um estímulo a que, em número sempre crescente, ataquem o adversário terrivelmente grande e ridiculamente débil. Repetimos: lutando pela causa de Deus, terão eles consigo o auxílio do Céu e poderão, com a ajuda da Virgem, renovar a face da Terra.”

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Fonte: Revista Catolicismo, Nº 876, Dezembro/2023

1 de janeiro de 2024

2023 – RETROSPECTO — "Se aqueles dias não fossem abreviados, criatura alguma escaparia”

 


Como analisar o caos? Focalizando acontecimentos sob o prisma da Fé Católica



Fonte: Editorial da e Revista Catolicismo, Nº 876, Dezembro/2023


Com insegurança e criminalidade generalizadas, guerras e guerrilhas pipocando um pouco por toda parte — ameaçando inclusive as nossas fronteiras, caso o ditador Maduro decida invadir a região de Essequibo —, a palavra PAZ nunca foi tão evocada nesse 2023 que acaba de expirar. 

Sobretudo devido a duas terríveis guerras, que podem degenerar numa Terceira Guerra Mundial: a da Rússia contra a Ucrânia, que resiste heroicamente ao invasor russo, e a da Palestina, com a resposta de Israel aos brutais atentados perpetrados pelos terroristas do Hamas. 

No final do ano, o ditador venezuelano, Nicolás Maduro, mobilizou 5.682 militares e mandou para a região de Essequibo caças F-16 e Sukhoi [fabricados pela Rússia - foto], navios de guerra, navios de patrulha, barcos a motor armados com mísseis e veículos anfíbios.





Entretanto, uma autêntica pacificação na Terra só será possível, se tivermos a coragem de lutar para manter a paz, e se os homens se converterem realmente a Deus. Foi o que afirmou o grande Papa São Pio X: “Querer paz sem Deus é absurdo. Onde não há Deus, não há justiça. Onde não há justiça, em vão nutre-se a esperança de paz”. Quanto desejaríamos que um Papa contemporâneo dissesse algo nesse sentido! 

Enquanto essa conversão não se der, em vão os líderes pacifistas — que atuam por uma pacificação sem levar em conta a Religião verdadeira de Nosso Senhor Jesus Cristo — pregarão sua arenga infrutífera e sem fim, falando paz, paz, paz... 

A posição de Catolicismo a tal respeito foi definida pelo nosso principal inspirador, Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, quando afirmou que “a ordem civil, com todos os seus frutos, não se pode manter onde a Igreja é odiada e perseguida. Assim, o problema da paz é, essencialmente e antes de tudo, um problema religioso. Por isto mesmo, não bastam para assegurá-la as providências humanas. Cumpre rezar e fazer penitência, para que a Providência nos conserve este bem precioso”

Para solucionar os conflitos hodiernos, de nada adianta a intervenção meramente natural, com visão míope dos acontecimentos, de um líder de qualquer país. Do nosso, por exemplo, cuja pretensão megalomaníaca de se julgar estadista, intromete-se onde não é chamado e só pleiteia providências humanas, colhendo vergonhosos fracassos. 

Os problemas não são simples, mas ciclópicos. O que os agrava sobremaneira é o fato de não haver na Igreja um grande líder, como um São Pio X, que os resolva definitivamente. Ademais, a própria Igreja passa por um misterioso processo autodestrutivo.

Para analisar os mais graves problemas transcorridos em 2023 e vislumbrar as perspectivas para 2024, oferecemos a nossos leitores o retrospecto do ano findo (publicado na revista Catolicismo deste mês), mas com os acontecimentos vistos sob a perspectiva da Fé católica.