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19 de maio de 2026

Miguel, coroinha paulista com síndrome de Down

 

Plinio Maria Solimeo 

C
om o avanço da técnica hoje já se pode acompanhar pela ultrassonografia o desenvolvimento de um feto ao longo de uma gravidez. O que possibilita saber-se não só o sexo da criança por nascer, mas se ela apresenta alguma anomalia como a síndrome de Down. Se isso ocorre, os médicos normalmente (e criminosamente) aconselham à gestante a abortar. 

Por isso hoje, na Europa, cerca de 90% das gestações com diagnósticos de síndrome de Down são interrompidas. Ou seja, abortadas. Sendo que na Islândia, na Dinamarca e no Reino Unido essas taxas muitas vezes ultrapassam esses 90% dos casos diagnosticados. Nos Estados Unidos a taxa de interrupção após o diagnóstico é de cerca de 75%, mas varia de 61% a 93% dependendo da população pesquisada. 

Por que uma maioria de pais prefere o aborto do feto com Down? 

Alguém poderia perguntar: “Por que a maioria dos pais prefere assassinar a criança por nascer com síndrome de Down a ter um filho com essa síndrome?” 

Não é difícil responder: A criança nascida com essa síndrome, na maioria dos casos, apresenta deficiência intelectual, atrasos no desenvolvimento e características físicas específicas, atraso também no desenvolvimento cognitivo e da fala, e exige estimulação precoce e apoio pedagógico. Além do que sua aparência não é de todo agradável. 

Ora, perguntamos: se o aborto de um feto normal já é um pecado “que clama aos céus e pede a Deus por vingança” por ser um “homicídio voluntário”, o que não dizer desse homicídio perpetrado sobre um feto que, pela vontade divina, apresenta essa síndrome? 

Uma feliz exceção: um casal de Piracicaba 

Entretanto, há mães que se negam a matar o filho que está em suas entranhas com um aborto voluntário por ter síndrome de Down, aceitando todas as consequências que daí poderão advir.

Tal foi o caso do religioso casal Lopes, de Piracicaba, no interior do Estado de São Paulo. Quando a esposa, Tássia, pela ultrassonografia soube que seu bebê nasceria com síndrome de Down, apesar do conselho dos médicos para que abortasse, tanto ela quanto o esposo, confiando em Deus, se recusaram a isso e resolveram continuar a gestação até o fim prontos para o que desse e viesse. 

E assim, para alegria dos pais, há 11 anos nasceu Miguel portando como previsto a síndrome de Down. Apesar de que, desde o nascimento o menino enfrentasse severas complicações, isso não o impediu de viver e crescer até os 11 anos cheio de alegria. 

Coroinha com síndrome de Down 

Tássia começou a levar Miguel desde pequeno à igreja que frequentava, Santa Rosa de Lima em Piracicaba. Esta paróquia foi criada em janeiro de 2011 por Dom Fernando Mason, hoje bispo emérito, desmembrando-se da de Sant’Anna. Santa Rosa tornou-se então para muitos dos seus paroquianos, segundo o comentário de Roberta Bissolli, o “lugar onde sentimos a presença de Deus, minha casa [e o] melhor lugar [para se estar”]. 

Nessa tão acolhedora igreja Miguel foi muito bem recebido pelos paroquianos.

Acontece que, apesar de suas limitações por causa da síndrome, desde muito cedo ele manifestou o desejo de ser coroinha. 

Para atendê-lo foi preciso que a paróquia fizesse alguns ajustes, treinando seus catequistas de acordo com as necessidades de Miguel. Tássia acompanhou todo o processo, e a coordenadora da catequese, Jaci, também se esmerou em ampara-lo. 

Desse modo Miguel pôde realizar seu sonho, e hoje ajuda à Missa, ajoelhando-se, rezando e com a patena na hora da Comunhão. Sua presença se tornou uma parte familiar e cheia de alegria nas celebrações da paróquia. 

O valor do bom exemplo 

Da. Tássia diz que uma amiguinha de Miguel [cujo nome ela não dá por discrição] não ia habitualmente à igreja. Mas sabendo que ele era coroinha, suplicou à mãe que com ela passasse a frequentá-la. Diz Da. Tássia: “Agora ela [a menina] ajuda na hora da coleta, e sua mãe se tornou catequista”. 

O que prova como o bom exemplo sempre atrai. Pois, diz Da. Tássia, “com o tempo a presença de Miguel na paróquia encorajou outras famílias a retornar a ela. Algumas pessoas perguntam mesmo quando é que ele estará ajudando a Missa para assim também a assistirem”. 

Para as mães que esperam que seus filhos se engajem mais na vida paroquial, Da. Tássia aconselha: “Isso começa em casa. E quando você vai à igreja, esteja pronta a ajudar. A empatia deve vir dos dois lados: necessitamos acolher as pessoas, mas também ajudar a preparar o caminho”. 

Como parte desse esforço, ela criou um formulário intitulado "Quem Sou Eu?", que entrega aos catequistas. O formulário explica como seu filho aprende e se comunica, para ajudar a melhor o entender a fim de acompanhá-lo melhor na catequese .

13 de abril de 2026

Pesquisas revelam o que os americanos pensam sobre questões morais

 


✅  Plinio Maria Solimeo

Com uma população estimada em 2025 entre 341,7 e 347,2 milhões de habitantes — crescimento esse impulsionado principalmente pela imigração, apesar da baixa taxa de natalidade e das mortes —, a sociedade americana está bastante dividida entre conservadores, liberais e moderados. Os primeiros geralmente se concentram no Partido Republicano e têm obtido aproximadamente 38% da intenção de votos contra 24% dos representantes do Partido Democrata. Os moderados oscilam entre um e outro.

Nos últimos 30 anos a polarização nos Estados Unidos atingiu níveis críticos, com os Democratas movendo-se cada vez mais para a esquerda e os Republicanos mais para a direita. Por isso a oposição entre os dois partidos cresceu também, indo além da compreensível incompatibilidade entre inimigos existenciais e opositores, para muitas vezes chegar a afetar até a governabilidade do país. Isso se torna manifesto, por exemplo, quando se trata da aprovação da lei orçamentária do governo pelas duas casas do Congresso.

Por causa da constante desavença entre republicanos e democratas, isso pode gerar uma paralisação ou shutdown na aprovação do orçamento. Foi o que ocorreu concretamente no ano passado quando, devido a um impasse político entre o Congresso e o Poder Executivo, o shutdown forçou o governo a paralisar suas atividades não essenciais pelos 43 dias que durou o impasse. 

Essa polarização entre os americanos é mostrada pelo Pew Research Center[i] em interessante reportagem com o título “Republicanos e Democratas diferem profundamente em questões sobre o aborto, a homossexualidade e a pena de morte são moralmente errados”, baseado em duas pesquisas feitas por experientes membros desse instituto, respectivamente de 24 a 30 de março do ano passado com 3.605 americanos adultos, e de 5 a 11 de maio do mesmo ano com 8.937, sobre o que pensam sobre problemas morais.

Essas entrevistas foram feitas com diferentes grupos de americanos divididos por idade, sexo etc. das quais só apresentaremos algumas por questão de espaço.

 

O que pensa a generalidade dos americanos sobre os problemas morais

O Pew Research, falando dos americanos em geral, afirma: “Em uma ampla gama de questões, os americanos expressam visões moralmente permissivas.” Dá como exemplo que 91% deles afirmam que usar contraceptivos para evitar a gravidez não é moralmente errado, 40% acham que é moralmente aceitável, 51% pensam que não é uma questão moral, enquanto só 8% julgam que é moralmente errado.

Já com relação ao adultério eles são em geral mais conservadores, pois 90% julgam-no moralmente errado, contra 9% para os quais não o é, enquanto apenas 7% afirmam que é aceitável.

À pergunta sobre se é moralmente errado ver pornografia, o número dos que concordam com essa afirmação é de apenas 52%, contra 47% que afirmam que não é moralmente errado, 31% julgam que não se trata de uma questão moral, e 15% que afirmam que é moralmente aceitável.

Sobre o aborto, apenas 47% dos entrevistados julgam-no moralmente errado. Somando-se os 52% dos que julgam que não o é aos 21% que lhe são favoráveis e aos 31% que afirmam que não é uma questão moral, temos que, no fundo, a grossa maioria dos americanos é favorável ao aborto.

Com relação à homossexualidade, apenas 39% dos entrevistados mostraram-se contrários. Uma maioria de 60% julga que não é moralmente errado, ou seja, não são contra, 23% são declaradamente a favor e 37% que isso não é uma questão moral.

Também sobre a eutanásia, uma grossa maioria de 63% julga que não é moralmente errada, 34% julgam-na moralmente aceitável, 29% dizem que ela não implica em questão moral e apenas 35% lhe são contrários.

Quanto à pena de morte, 64% dos entrevistados julgam-na moralmente certa, 38% moralmente aceitável e 26% que não se trata de uma questão moral. Apenas 34% julgam-namoralmente condenável.

A outra estatística que nos interessa é a sobre o divórcio. Como era de se esperar num mundo tão corrompido como o nosso, uma maioria de 76% considera que não é moralmente errado, 31% que é moralmente aceitável, 45% que não implica uma questão moral, e apenas 23% afirmam que ele é moralmente errado.

 

O que pensam os jovens entre 18 e 29 anos

Em vários pontos, os jovens entre 18 e 29 anos se mostram mais conservadores do que os mais velhos. Por exemplo, na questão do divórcio, da fertilização in vitro e dos anticonceptivos lideram os que julgam que isso é moralmente errado.

Já com relação ao aborto, ao adultério, à eutanásia e à homossexualidade, eles são mais complacentes que seus maiores.

Por outro lado, na questão da pena de morte eles a rejeitam mais que os mais velhos, influenciados pela propaganda da esquerda e de certos púlpitos.

É interessante notar que, segundo o levantamento do Cooperative Election Study (CES) — uma das mais abrangentes pesquisas eleitorais e populacionais do país —, 21% dos integrantes da Geração Z declaram-se católicos, superando os 19% que se identificam como protestantes. Essa inversão quebra uma hegemonia protestante que vigorava há séculos.

 

Como vota cada sexo

É curioso verificar que em várias questões os homens se mostram mais conservadores que as mulheres. Por exemplo, 28% deles julga que o divórcio é moralmente errado, o que ocorre apenas com 19% das mulheres. Do mesmo modo, 51% deles julgam que o aborto também é moralmente errado, enquanto o número de mulheres que compartem essa opinião perfaz 44%. No tocante à homossexualidade, 43% dos homens consideram-na moralmente errada, contra 37% das mulheres.

Essa tendência se manifesta em outros pontos morais, como a fertilização in vitro, uso de anticoncepcionais, eutanásia, adultério etc. nos quais os homens são sempre mais conservadores que as mulheres.

 

O que pensam Republicanos e Democratas

A respeito do aborto é que há mais radicalização entre os dois partidos. Enquanto somente 24% dos Democratas o consideram errado, 71% dos Republicanos são contrários ao assassinato de inocentes.

Para 59% dos Republicanos o homossexualismo é condenável, apenas 20% dos Democratas têm a mesma opinião. 65% dos Republicanos julgam errado ver pornografia, número que cai para 39% entre os Democratas.

O uso de contraceptivos é apoiado ou visto com indiferença tanto por democratas — dos quais só 7% o julgam moralmente errado — quanto por republicanos (9%).

Há menor rejeição por parte dos dois partidos com relação à eutanásia, sendo que só a acham moralmente errada 48% dos republicanos e 23% dos democratas.

Já com relação ao adultério, a diferença entre os dois partidos na sua condenação é pequena: 93% dos republicanos, e 88% dos democratas.

O divórcio, como se podia esperar nesta época de quase amor livre, é rejeitado apenas por 33% dos republicanos, que o acham moralmente errado, e por 13% dos democratas.

O que surpreende é que 48% dos republicanos achem a pena de morte moralmente errada, enquanto só 20% dos democratas a condenem.

 

O fator religioso que deveria orientar os votos

Não sabemos até que ponto o fator religioso influenciou a votação das pessoas nessas pesquisas. Pois, tanto para os católicos quanto para protestantes conservadores, esse fator deveria ter pesado.

Segundo dados recentes do Pew Research Center, as igrejas evangélicas históricas e pentecostais têm apresentado uma queda contínua, especialmente entre jovens e adultos até 40 anos, sobretudo pela desfiliação religiosa e rejeição à politização das igrejas. Enquanto o catolicismo apresenta uma estabilidade relativa, sustentada principalmente pela imigração latina, que mantém o número absoluto de católicos.

Somando-se as inúmeras seitas protestantes, estas representam ainda 40% da população americana, enquanto os católicos representam somente 20%. Contudo, os Estados Unidos têm a quarta maior população de católicos do mundo, com 53 milhões de fiéis.

Se as pesquisas tivessem sido feitas exclusivamente com estes, o resultado teria sido muito diferente? Tememos que não. Pois hoje em dia, com a decadência religiosa e o esquecimento dos princípios morais mais comezinhos, o casamento em declínio sendo substituído por uniões ilícitas mais em uso, é cada vez menor o número de católicos que ainda pautam sua vida segundo os princípios da Santa Igreja.

Para ilustrar nossos leitores, vamos lembrar o que diz a Doutrina Católica sobre os vários pontos abordados, seguindo o Terceiro Catecismo da Doutrina Cristã, ou Catecismo Maior de São Pio X.

Aborto – Pílulas abortivas

Está condenado no 5º. Mandamento da Lei de Deus, não matar, porque o aborto espontâneo é um verdadeiro assassinato de inocentes perpetrado pela própria mãe. E, sendo um homicídio voluntário, classifica-se como um dos “pecados que bradam ao Céu e pedem à Deus por vingança”, pois sua malícia é tão grave e manifesta, que provoca o mesmo Deus a puni-lo com os mais severos castigos

Homossexualismo

Por ser um ser um ato sensual contra a natureza, também é um dos pecados que bradam ao Céu e pedem a Deus por vingança.

Adultério – relações extramatrimoniais

A infidelidade matrimonial está condenada pelo 6º. Mandamento da Lei de Deus “não pecar contra a castidade”, e pelo 9º. “Não desejar a mulher do próximo” que, segundo o Catecismo de São Pio X, “proíbe expressamente todo o desejo contrário à fidelidade que os cônjuges se juraram ao contrair o matrimônio; e proíbe também todo o pensamento culpável e todo desejo de ação proibido pelo sexto Mandamento”.

Eutanásia

Esta prática está condenada pelo 5º Mandamento da Lei de Deus, “Não matar”. Diz o Catecismo: “Neste Mandamento Deus proíbe ainda ao homem dar a morte a si mesmo, isto é, o suicídio [...] porque o homem não é senhor de sua vida, como o não é da dos outros”.

Divórcio

“O Matrimônio é um Sacramento instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo que estabelece uma união santa e indissolúvel entre o homem e a mulher, e lhes dá a graça de se amarem um ao outro santamente, e de educarem cristãmente seus filhos [...] e não se pode quebrar senão pela morte de um dos cônjuges, porque assim estabeleceu Deus desde o começo, e assim o proclamou solenemente Jesus Cristo, Senhor Nosso”. [...] “O vínculo do matrimônio cristão não pode ser dissolvido pela autoridade civil, porque esta não pode ingerir-se em matéria de Sacramentos, nem separar o que Deus uniu”.

Pena de Morte

A doutrina tradicional da Igreja, baseada em São Tomás de Aquino, defendia a licitude da pena capital em casos específicos, argumentando que retirar a vida de um grande malfeitor que ameaça a sociedade é um ato justo e salutar para preservar o bem comum. Ele comparava o criminoso a um membro gangrenado que deve ser amputado para salvar o corpo social. A sentença deve ser proferida por uma autoridade pública legítima, após julgamento justo, e não por vingança pessoal.

Entretanto, teólogos modernos argumentam que, se o sistema carcerário for capaz de neutralizar o criminoso sem a sua morte, isso diminui a necessidade da pena capital.

O que, com sobejas evidências, duvidamos

O Catecismo de São Pio X está de acordo com a doutrina de São Tomás, a qual foi até há pouco pregada pela Igreja: “É lícito tirar a vida do próximo: durante o combate em guerra justa; quando se executa por ordem da autoridade suprema a condenação à morte em castigo de algum crime; quando se trata de necessária e legítima defesa da vida, no momento de uma injusta agressão.”

Fertilização in vitro

A Doutrina Católica considera a fertilização in vitro (FIV) moralmente inaceitável, pois separa a procriação do ato sexual conjugal e frequentemente envolve a destruição de embriões. A Igreja ensina que os filhos devem ser concebidos através de um ato de amor entre os cônjuges, não como um produto laboratorial, respeitando a dignidade humana desde a concepção.

Esperemos que, pela intercessão de Nossa Senhora e de São José, Padroeira da Igreja Universal, tempos venham em que a sã doutrina católica e ortodoxa readquira seu lugar na Igreja como na época do Concílio de Trento, em que, ao lado das Sagradas Escrituras, estava a Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino, na qual os ensinamentos perenes da Santa Igreja orientaram e orientam até hoje os católicos amantes da tradição.



[i] O Pew Research Center é um think tank (laboratório de ideias) apartidário com sede em Washington, D.C., que fornece informações baseadas em dados sobre questões sociais, opinião pública, tendências demográficas e hábitos de mídia nos EUA e no mundo. Ele é conhecido por ser uma fonte neutra que não toma posições políticas ou de políticas.

 

 

12 de março de 2026

O parecer pró-vida de Gonet

 

O parecer pró-vida de Gonet

(Procurador Geral da República posiciona-se contra a assistolia fetal)

https://www.providaanapolis.org.br/

Com a graça de Deus, milagres acontecem. No dia 4 de março de 2026, o Procurador Geral da República Paulo Gonet emitiu um surpreendente parecer pró-vida na ADPF 1141 (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental n. 1141), promovida pelo PSOL contra a Resolução nº 2.378/2024 do CFM, que proibiu a assistolia fetal em bebês acima de 22 semanas. Recapitulemos o caso.

Em 17/04/2024, o ministro relator, Alexandre de Moraes, não apenas aceitou o pedido formulado na ação, como ainda deferiu o pedido liminar, declarando suspensos os efeitos da Resolução até o final do julgamento.

Em 31/05/2024, o Ministro André Mendonça apresentou um voto divergente, ou seja, não referendando a medida cautelar de Alexandre de Moraes.

Em 19/06/2024, o Advogado-Geral da União Jorge Messias manifestou-se “pela procedência do pedido, para declarar a inconstitucionalidade da Resolução nº 2.378/2024 do Conselho Federal de Medicina”.

Quase dois anos depois, em 04/03/2026, Paulo Gonet, Procurador Geral da República, emite um parecer[1] “pelo não referendo da liminar”, ou seja, para que se restaure a vigência e a eficácia da Resolução CFM n. 2.378/2024.

O parecer de Gonet surpreende por dois motivos. Primeiro, pela descrição da hediondez da assistolia fetal e do início do desenvolvimento embrionário. Segundo, por afirmar que a não aplicação da pena ao aborto quando a gravidez resulta de estupro (art. 128, II, CP) não significa que tal aborto seja lícito.

Descrição da assistolia fetal

O Procurador transcreve a descrição que o Conselho Federal de Medicina faz da prática da assistolia fetal em um bebê acima de 22 semanas:

“Não se pune” é diferente de “não há crime”

Não obstante, convém descrever de forma mais detalhada exatamente no que consiste a assistolia fetal, através da administração de drogas (geralmente cloreto de potássio e lidocaína) no sistema circulatório ou no próprio coração!

Neste caso, para que a Corte tenha uma noção mais exata do que estamos falando. Imagine o feto flutuando encerrado no líquido amniótico. O profissional responsável deverá, sem sequer haver anestesia, alcançar uma veia de seu corpo, ou diretamente o coração, para tentar injetar as drogas a serem utilizadas.

Como bem se pode imaginar, não se trata de procedimento fácil ou rápido!

Como dito, o feto está flutuando, não estando em posição fixa, o que leva o profissional responsável a penetrar-lhe inúmeras vezes com mecanismo perfurante até finalmente localizar a veia a ser injetada ou o coração.

O feto não está anestesiado e, obviamente, lembremos que já é um ser humano, em período perinatal, não irá ser alvejado pela perfuração facilmente, mexendo-se incansavelmente na tentativa de se livrar das punções havidas e da dor. Esse procedimento não é rápido, não é simples e, como facilmente perceptível, bastante doloroso e traumático ao ser humano já formado que ali se encontra![2]

Além disso, Gonet faz referência a dados da embriologia.

Para fins de complementação de raciocínio, é preciso ter presente que há desenvolvimento humano, segundo a própria ciência médica, desde a fecundação. A partir daí já há um indivíduo único, diferenciado da mãe e do pai, com código genético próprio, distinto e exclusivamente seu[3].

Pela primeira vez no processo, alguém distinguiu entre a exclusão da pena e a exclusão do crime na hipótese do aborto praticado em mulher grávida em razão de um estupro (art. 128, II, CP).

Convém, porém, ressaltar que a opção do legislador foi a de não punir, ao invés de simplesmente afirmar que não há crime.

[…]

Uma conduta pode ser ilícita, mas ser tomada como não punível. De fato, nem todo ilícito de ordem cível há de ser também um ilícito penal, não obstante o contrário suceda. No julgamento do RE n. 635.659/SP, o Supremo Tribunal faz exemplo de situação dessa ordem. Ali, entendeu-se precisamente que o porte da cannabis sativa [maconha] para uso pessoal é ilícito – por isso até, a possibilidade de apreensão da substância –, não obstante não ser dado atribuir-lhe repercussão penal.

[…]

Essas considerações mostram que, no caso da gravidez resultante de estupro, não se pune o fato, mas ele não se torna lícito. Por isso mesmo, tampouco gera direito subjetivo público de exigir dos serviços de saúde do Estado a realização do aborto, muito menos gera direito a exigir do médico particular a providência[4].

A argumentação acima, que mostra a não existência de um direito ao aborto, mesmo quando a gravidez resulta de estupro, não foi usada até agora por nenhum dos Ministros do STF, nem pelo próprio CFM. Queira Deus que ela encontre acolhida entre aqueles que ainda estão por emitir seu voto na ADPF 1141.

Anápolis, 12 de março de 2026.

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz

Vice-presidente do Pró-Vida de Anápolis

[1] https://portal.cfm.org.br/wp-content/uploads/2026/03/parecer_gonet_assistolia.pdf

[2] Parecer, p. 11.

[3] Parecer, p. 18.

[4] Parecer, p. 19-20.


27 de janeiro de 2026

Vibrante Marcha pela Vida em Paris Luta contra o Aborto e a Eutanásia


No domingo, 18 de janeiro de 2026, uma multidão entusiasmada e energizada de aproximadamente 10.000 pessoas compareceu à tradicional Marcha Francesa para a vida, em Paris. O evento, realizado na Place Vauban, diretamente em frente ao Hôtel des Invalides, foi um forte sinal para a França e o mundo de que, apesar das derrotas recentes, o movimento pró-vida pela primeira filha da Igreja não está apenas vivo, mas crescendo.

A marcha deste ano foi notável pelo grande número de jovens e pela presença católica muito visível. Grupos de estudantes do ensino médio e universitários vieram de toda a França cantando canções católicas, rezando o terço e entoando slogans pró-vida. O presidente da Marca para a Vida, Guilhaume de Théuilloy, lembrou aos participantes que "manifestações não são a única forma de lutar... A oração é verdadeiramente fundamental, assim como a vigília pela vida que ocorre na noite anterior [à marcha] na Igreja de Saint-Roch. A cultura da morte é o desencadeamento da obra do diabo, que luta ferozmente contra a humanidade." Monsenhor Dominique Rey, bispo emérito de Fréjus-Toulon e o único bispo presente, afirmou em seu discurso: "O respeito pela vida hoje é um chamado do Céu. Está no cerne da missão da Igreja."

Vibrante Marcha pela Vida em Paris Luta contra o Aborto e a Eutanásia

Diversas organizações pró-vida francesas participaram da marcha, incluindo Droit de Naître, SOS Tout-Petits, Les Éveilleurs e Renaissance Catholique. Pró-vida vieram de outros países europeus, assim como dos Estados Unidos. Tanto no conteúdo quanto no tom, a Marcha para a Vida se inspira muito na Marcha Americana pela Vida anual realizada em todos os meses de janeiro em Washington, D.C. Filiais francesas de organizações pró-vida nos EUA, como 40 Dias pela Vida e Rachel's Vinyard, estavam presentes. Assim como na marcha dos EUA, os pró-vida franceses expressam uma militância e confiança apesar dos retrocessos e batalhas perdidas. Em Paris deste ano, a Marca para a Vida prestou homenagem ao líder conservador americano Charlie Kirk, um ferrenho defensor dos não nascidos, que foi tragicamente assassinado em 10 de setembro de 2025.

A defesa dos não nascidos, idosos e doentes terminais na França não poderia ser mais urgente. Quando a Suprema Corte dos Estados Unidos em 2022 anulou a infame decisão Roe vs. Wade -- permitindo assim que estados isoladamente proibissem o aborto – os progressistas europeus ficaram chocados. O primeiro-ministro britânico Boris Johnson chamou isso de "um grande retrocesso", enquanto a primeira-ministra francesa Elisabeth Borne o chamou de "um dia sombrio para os direitos das mulheres." O presidente Emmanuel Macron prometeu tornar a França o primeiro país a consagrar a "liberdade garantida de acesso ao aborto" na constituição do país, e conseguiu isso em 4 de março de 2024 com maiorias esmagadoras tanto na Assembleia Nacional quanto no Senado francês.

O tema principal da marcha pela vida deste ano foi a luta contra o suicídio assistido.

Vibrante Marcha pela Vida em Paris Luta contra o Aborto e a Eutanásia

Cumprindo uma de suas promessas de campanha de 2017, em 27 de março de 2025, por 305 votos a 199, o governo do presidente Emmanuel Macron aprovou uma lei de eutanásia na Assembleia Nacional. Ainda está aguardando uma votação no Senado, mas se aprovada, a lei seria uma das mais permissivas do mundo sobre eutanásia, colocando a França na mesma categoria que Bélgica e Canadá.

Marie-Lys Pellissier, porta-voz da Marche pour la vie, disse ao Le Figaro: "Não queremos uma sociedade que mate, mas uma que proteja e apoie os mais vulneráveis em todas as fases de suas vidas, independentemente do seu nível de dependência e do custo de sua existência."

Embora o tema do suicídio assistido seja o mais urgente politicamente, a luta pelo aborto ainda não acabou. Por um lado, a taxa de abortos está subindo. Em 2023, 243.300 abortos foram realizados na França, o maior número desde 1990 e um dos maiores já registrados. Ao mesmo tempo, a taxa de natalidade está despencando. Em 2025, a taxa de natalidade na França caiu para 1,56 filhos por mulher, o nível mais baixo desde o fim da Primeira Guerra Mundial. Nesse mesmo ano, o menor número de nascimentos desde 1942 também registrou a primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial que o número de mortes (651.000) superou o número de nascimentos (645.000). A população da França, de 69,1 milhões, cresceu ligeiramente apenas devido à imigração. Até 2030, pessoas com 65 anos ou mais serão mais numerosas do que aquelas com menos de 20 anos.

Em janeiro de 2024, no mesmo ano em que aprovou a proteção constitucional do aborto, o presidente Macron reconheceu a crise demográfica na França e fez um discurso em que pediu um "rearmamento demográfico." Ele anunciou a criação de novos programas de assistência governamental para ajudar a aumentar a taxa de natalidade. Essas medidas hipócritas não farão nada para conter a maré do inevitável colapso demográfico graças a 51 anos de aborto legal.

Vibrante Marcha pela Vida em Paris Luta contra o Aborto e a Eutanásia

Progressistas europeus, de fato, estão profundamente preocupados com o fato de um movimento pró-vida crescente na Europa ameaçar o futuro do aborto legal. Em 2025, a Anistia Internacional publicou um estudo chamado Quando os direitos não são reais para todos: a luta pelo acesso ao aborto na Europa. O relatório, embora otimista quanto ao futuro, ainda assim revela um profundo receio de que o futuro dos direitos ao aborto esteja longe de ser certo. O relatório ataca a existência de "um movimento global anti-gênero bem financiado" que está forçando progressistas a defender "conquistas arduamente conquistadas contra a retrocesso prejudicial e retrógrado no acesso existente ao aborto."

Se os progressistas que promovem a cultura da morte estão preocupados, é porque são muito mais fracos do que parecem. Os movimentos de aborto e suicídio assistido dependem do falso "consenso" de apoio universal à sua causa. Como o exemplo americano demonstra, se até mesmo alguns europeus se levantarem e reagirem, podem quebrar esse consenso e forçar a cultura da morte do passo para trás, que não passa de um gigante com pés de argila.

31 de março de 2025

Na França, apesar dos imigrantes, o número de nascimentos continua em declínio


·      ✅   Plinio Maria Solimeo

 

Com a decadência religiosa e a perda do espírito sobrenatural, hoje em dia a quase totalidade das pessoas vive só para seu conforto e prazeres. Por isso evita tudo que possa supor um sacrifício ou dedicação integral. O que leva a que elas não pensem mais em ter filhos, ou em ter apenas um. Para isso recorrem à pílula abortiva para evita-los e, quando não conseguem, fazem o aborto.

                Isso, que ocorre em todo o mundo, faz com que em vários países, principalmente da Europa, o número de nascimentos seja tão pequeno, que não satisfaz a taxa de reposição necessária que corresponda um ao pai, outro à mãe, e outro para recompensar o número de mortes.

                Nesse sentido, vamos analisar essa situação como ocorre na França de hoje, outrora a “Filha Primogênita de Igreja”, segundo o relatório demográfico do Instituto Nacional de Estatística do país, publicado no dia 14 de janeiro. Seus dados e estatísticas foram analisados pelo jornalista Yann Thompson em artigo na France Télévisions[i], no qual nos baseamos.

                O relatório daquele Instituto mostra que, no dia 1º. de janeiro, a França tinha cerca de 68,6 milhões de habitantes, incluindo Córsega e departamentos ultramarinos. O que mostra que houve um aumento de 0,25% de pessoas no país. Ou seja, de 169 mil pessoas, que no entanto é o menor aumento dos últimos anos. Mesmo assim, a França continua sendo o segundo país mais populoso da União Europeia logo atrás da Alemanha. Deve-se dizer que esse aumento da população se deve em boa parte à imigração.

As mortes são quase tão numerosas quanto os nascimentos

Sublinha o relatório que há 60 anos a França, em meio a um boom demográfico, registrava quase o dobro de nascimentos do que de mortes a cada ano. Eram os bons tempos em que as famílias eram muito numerosas e tinham muitos filhos.

Isso mudou. Em 2024 o número de bebês nascidos foi de 663 mil, para 646 mil mortes. Houve então uma queda de 2,2% nos nascimentos em um ano.   O que, para o Instituto significa que, a pequena diferença de 17 mil entre nascimentos e mortes revela que a França atingiu “o seu nível mais baixo [de nascimentos] desde o fim da Segunda Guerra Mundial".

Por outro lado, a taxa de mortalidade aumentou um pouco de 1,1%, em 2024, de acordo com estimativas do Instituto. Esse aumento, que era perfeitamente previsível, pode ser explicado pelo envelhecimento da população, com a chegada “a idades de alta mortalidade” das gerações nascidas entre 1946 e 1974.

Contudo, houve uma mudança na expectativa de vida da população. A taxa de envelhecimento das mulheres passou para 85,6 anos, enquanto que a dos homens começa pela primeira vez a atingir a idade dos 80 anos de expectativa de vida.              

Assim, a "esperança de vida das mulheres é uma das mais elevadas da UE", atrás de Espanha, enquanto "a dos homens está na 11.ª posição", muito atrás do campeão, Malta, mas acima da média europeia, como nota o Instituto Nacional de Estatística com base em dados comparativos de 2023.

Cada vez menos filhos

                Uma coisa a se lamentar tendo-se o espírito católico, é que as mulheres francesas entre 20 e 40 anos, estão cada vez tendo menos filhos. Em 2024, com um índice de 1,62 filhos por mulher, a taxa de fertilidade total continuou a diminuir para um nível não visto desde 1919 e o fim da Primeira Guerra Mundial.

                Com a preocupação crescente das jovens com seus estudos e carreira profissional mais os atrativos da vida moderna, ocorre que as mulheres entre 30 e 34 anos têm taxa maior de fertilidade que as jovens entre 25 e 29 anos. Mesmo assim, essa taxa de fecundidade também registrou o nível mais baixo em um século, sendo de 1,59, bem abaixo do necessário para ocorrer a renovação da população. Para se ter uma ideia, essa taxa ainda em 2010, era de 2,02 filhos por mulher.

                Entretanto, apesar dessa taxa baixíssima, para se ver a decadência da moralidade na Europa, as mulheres francesas ainda têm mais filhos que as de muitas outras nações da União Europeia, como a Espanha e Itália. Esta situação permite à França manter uma das maiores percentagens de menores de 15 anos na Europa (17,3 % em 2023), atrás da Irlanda e da Suécia.

Cresce o número de “casamentos”

                O articulista que seguimos, para ser politicamente correto, tem em seu artigo um subtítulo que diz “Os casamentos estão em ascensão, as uniões PACS estão em declínio”.

                Ele afirma com toda naturalidade que o número de casamentos celebrados na França aumentou em 2% em 2024, atingindo um total de 247 mil. Ora, por liberalismo, ele inclui nesse total os 7 mil “casamentos” entre pessoas do mesmo sexo. Mesmo as PACS – “parceria contratual  entre duas pessoas maiores, independente do sexo, tendo como objetivo organizar a vida em comum” – caiu 3% em 2023, sendo de 204 mil uniões “incluindo 10.600 pessoas do mesmo sexo”.

                Curioso que não encontramos dados sobre as uniões fora do casamento, tão comum nos nossos infelizes dias.

                Por causa dessa triste realidade, muitas nações da Europa, principalmente Itália e Espanha, com sua população cada vez mais envelhecendo e diminuído, têm que recorrer à mão de obra estrangeira para poder sobreviver.

                Rezemos para que isso não ocorra em nosso Brasil, a Terra de Santa Cruz.



[i] (https://www.francetvinfo.fr/societe/naissances-mariages-deces-decouvrez-le-portrait-demographique-de-la-france-en-cinq-graphiques_7011737.html#at_medium=5&at_campaign_group=1&at_campaign=alerte_info&at_offre=3&at_variant=V3&at_send_date=20250114&at_recipient_id=726375-1492290919-f7c26739&at_adid=DM1054776)

 

11 de março de 2025

Hungria: solução para o problema da imigração desordenada e da baixa taxa de natalidade



✅  Plinio Maria Solimeo 

O mundo todo — mas principalmente a Europa — está enfrentando crise após crise, originadas por políticas suicidas. Além do envelhecimento da população, entre outras coisas ela tem que arcar com uma muito baixa taxa de nascimentos, e a uma imigração descontrolada. 

O problema mais grave é a baixa taxa de nascimentos, pois ela tende só a piorar porque a maioria das mulheres hoje em dia querem se dedicar somente às suas ocupações profissionais e seus lazeres, sem ter preocupação com filhos.

A solução que a maior parte dos países da União Europeia encontrou para enfrentar a falta de mão de obra que a situação acima configura, é a de abrir suas fronteiras para a imigração sem controle, apesar dos protestos contínuos de muitos de seus habitantes. 

Haverá outra solução para o problema? 

Ao que parece, a Hungria encontrou a fórmula. 

Viktor Orbán, seu primeiro-ministro, alegando que os imigrantes que entram no país tiram vagas de trabalho que deveriam ser de cidadãos húngaros, é contra uma imigração desordenada. Por isso afirma que, enquanto ele for primeiro-ministro, a “Hungria não se transformará em um destino para os imigrantes [...] Não queremos uma minoria numerosa com diferentes tradições e cenário culturais; queremos conservar a Hungria como Hungria”, afirmou. 

Em um discurso citado pelo diário britânico Guardian, o primeiro-ministro húngaro afirmou que: “Em toda a Europa existem cada vez menos crianças, e a resposta do Ocidente para isso é a imigração [...]. Eles [os europeus] querem que entrem [nos seus países] tantos imigrantes quanto as crianças que estão em falta, para que os números equilibrem. Nós, húngaros, temos uma maneira diferente de pensar. Em vez de apenas números, queremos crianças húngaras. A imigração para nós é uma [forma de] rendição", conclui Orbán . 

Por isso, para ele, a única forma de resolver o problema do envelhecimento e do encolhimento da população, é a de incentivar o nascimento de novos cidadãos. E a fórmula para isso é investir na família. 

Foi isso que disse em seu discurso sobre o estado da Nação quando definiu as diretrizes gerais de seu governo para 2025: “Fortalecer políticas pró-natalidade, e incentivar as famílias húngaras a terem mais filhos, contando com vantagens fiscais sem precedentes na Europa” . 

Numa entrevista, Viktor Orbán  falou sobre os “ataques à família tradicional [...]. Queremos proteger a família tradicional. Que a mãe é uma mulher, e o pai é um homem. Isso tem a ver com a tradição e nós gostaríamos de manter isso”, disse o primeiro-ministro . 

Entre as reformas que ele promoveu com relação à família, está a de estender a isenção fiscal vitalícia concedida às outras mães húngaras, antes reservada para mulheres com quatro filhos. Gradualmente essa mesma medida será estendida, a partir de outubro de 2025, às mães de três filhos e, a partir de janeiro de 2026, às com dois filhos. 

Essa reforma “afetará aproximadamente 250.000 famílias com três filhos, e 600.000 famílias com dois filhos. Orbán justificou essa política explicando que a estabilidade financeira é um fator fundamental para incentivar a natalidade. Segundo ele, sem as medidas pró-família postas em prática pelo seu governo desde 2010, a Hungria teria visto pelo menos 200.000 nascimentos a menos”. 

Contudo, além da isenção total do imposto de renda, “o governo húngaro também está dobrando o valor das deduções fiscais para os pais, num esquema semelhante aos existentes em outros países europeus. 

Concretamente, as novas medidas permitirão às famílias deduzir 50 euros por mês para um filho, 200 euros para dois filhos, e 500 euros para três filhos”. Também estarão isentos de impostos todos os auxílios vinculados à licença parental e aos abonos de família. 

Ora, para isso é necessário que a Hungria esteja gozando de boa situação financeira, pois representa um investimento orçamentário significativo. “Viktor Orbán garantiu que a situação econômica húngara permite que elas sejam financiadas. A Hungria espera crescimento estável e redução contínua da dívida pública, apesar dos novos gastos”. 

Entre as medidas já em vigor, estão: 

• Empréstimos sem juros para recém-casados, conversíveis em subsídios dependendo do número de filhos.
• Assistência na compra de veículos familiares, incluindo minivans para famílias numerosas. 
• Benefícios parentais vantajosos, combinados com isenções fiscais. 

É necessário ressaltar que essas medidas já atraíram os conservadores europeus, que citam a Hungria como exemplo a seguir contra a "caixa de ferramentas demográficas" da Comissão Europeia, que está focada principalmente no aumento da imigração extra-europeia para responder ao envelhecimento da população. Essa medida foi fortemente criticada pelos “grupos conservadores da Itália, Polônia, e até mesmo na França, que estão defendendo políticas semelhantes [às da Hungria] diante de populações cada vez mais hostis à imigração em massa”.

23 de fevereiro de 2025

O aborto animaliza as pessoas, afirma bispo espanhol


O Ministério da Saúde espanhol publicou que em 2022 eram aguardados 428.208 bebês, mas só 329.892 conseguiram chorar, sorrir e abrir os olhos, pois os restantes — quase 100 mil — foram abortados. 

De modo contraditório, vigora simultaneamente no país a Lei do Bem-Estar Animal. 

O bispo de Orihuela-Alicante, Dom José Ignacio Munilla [foto], exclamou: “Quando a pessoa é animalizada, trata-se o animal como pessoa” e tira-se cruelmente a vida de um ser humano indefeso alegando um ‘direito’! 

Em certo sentido, pior do que o aborto é a animalização que esse crime acarreta. A aceitação social dessa degradação é a pior desgraça de nosso século.

27 de janeiro de 2025

Oportuno alerta para fortificar os movimentos que combatem o aborto

 


Para os movimentos anti-aborto no Brasil, julgamos muito interesse o manifesto da TFP americana, cuja tradução aqui reproduzimos. Esse documento foi largamente distribuído durante a gigantesca manifestação contrária ao aborto, ocorrida em Washington no dia 24 último.

Fonte: https://www.tfp.org/time-for-a-reality-check-in-the-pro-life-cause/

As fotos são de autoria de William Gosset e Nikolas Scheuren e foram feitas na recente March for Life da capital americana.  

 


Hora de uma verificação da realidade na causa pró-vida

  

À medida que nos aproximamos das Marchas pela Vida de 2025, o movimento pró-vida é forçado a enfrentar novas realidades à luz dos resultados das eleições de novembro [com a vitória de Donald Trump]. O campo de batalha mudou e é hora de refletir sobre as oportunidades e perigos que enfrentamos agora.

Por esta razão, a Sociedade Americana para a Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP) convida todos aqueles que se opõem ao aborto provocado a considerar novas perspectivas que ajudarão a garantir a vitória de que precisamos com tanta urgência.

Entrando em 2025, os americanos pró-vida têm muito o que comemorar.

Os pró-vida deram um suspiro de alívio e oraram em ação de graças pela derrota da chapa de Harris. Lembramos com pavor o histórico de Biden / Harris de ser o governo mais pró-aborto de nossa história. Não havia limite para seu zelo pela causa pró-aborto. Todos os caminhos possíveis foram abertos para facilitar o massacre maciço de inocentes. A derrota de Harris evitou mais catástrofes em grande escala.

Muitos outros candidatos pró-aborto também perderam. Devemos celebrar este desenvolvimento promissor.


Devemos também considerar o impacto da derrota eleitoral de Harris em todo o mundo. Devastou esquerdistas e forças pró-aborto em todos os lugares. A esquerda dos EUA esperava usar a questão do aborto como um ponto de encontro para impulsionar sua revolução. Globalmente, as forças pró-aborto e esquerdistas entram em 2025 desmoralizadas e divididas.

Nem todas as notícias eleitorais foram boas. Emendas pró-aborto aprovadas em sete estados. Isso deve nos levar a uma reflexão orante. Isso sinaliza que a luta pelos nascituros está longe de terminar. Ainda há muito trabalho a ser feito antes de vermos o alvorecer da vitória.

Assim, a eleição mudou as perspectivas de maneiras positivas e negativas. É hora de fazer uma verificação da realidade para ver onde estamos, o que mudou e o que devemos fazer nos próximos dias.

Essa reavaliação deve nos ajudar a eliminar velhos mitos que atrasam nossa vitória. Devemos mudar nossa percepção dos pró-aborto que revelaram todo o seu rosto durante a eleição. Alguns conservadores também mudaram. Precisamos manter nosso foco e resistir à imensa pressão para mudar nossa mensagem. Nunca devemos trair a causa do nascituro.

Assim, apresentamos quatro verificações da realidade para ajudar a orientar nosso futuro.

1 — Não há moderados no movimento pró-aborto. A derrota de Roe v. Wade lançou o lado do aborto em um frenesi, e seus ativistas estão revelando suas verdadeiras cores.

Os abortistas que propunham que os abortos deveriam ser seguros, legais e raros como um meio "razoável" de justificar o aborto provocado se foram.

Com a reversão de Roe, despertamos para a realidade de que não há mais moderados no movimento abortista. Os pró-aborto de hoje jogaram a cautela ao vento e exigem que as regras de aborto ao estilo norte-coreano, desde a concepção até o nascimento, sejam consagradas na lei e nas constituições estaduais.

Seus gritos radicais não pedem compromisso. Eles nos atacam com seu ódio. Alguns até vandalizam nossos centros de gravidez.

A luta mudou. Enfrentamos um adversário radical que não esconde mais seu objetivo final e hediondo. Os lados são mais bem definidos.

Essa nova situação abre oportunidades, pois muitos ficarão alarmados com o crescente radicalismo abortista. No entanto, também apresentará perigos, pois podemos esperar que a batalha se intensifique e se torne mais brutal.



2 — A posição pró-aborto não é invencível

As eleições gerais de 2024 destruíram o mito de que a questão do aborto sempre vence nas urnas.

Depois de Roe, os pró-aborto adotaram a estratégia de realizar referendos, introduzindo emendas pró-aborto nas constituições estaduais. Superando fortemente a oposição antiaborto, os pró-aborto conseguiram aprovar uma série dessas iniciativas. Quanto mais eles passavam, mais convencidos ficavam de que as iniciativas eleitorais pró-aborto eram invencíveis.

Esse falso mito foi esmagado em novembro. Os candidatos pró-vida venceram as eleições em massa e três emendas pró-aborto foram derrotadas. Os resultados das eleições provaram que as iniciativas pró-aborto podem ser derrotadas mesmo quando o lado pró-vida é massivamente superado.

Além disso, a esquerda esperava que a questão galvanizasse um número extraordinário de mulheres a votar e, portanto, ajudasse os candidatos pró-aborto a vencer.

Essa onda maciça de entusiasmo pelos "direitos reprodutivos" nunca apareceu. Aparentemente, mais de 7 milhões de eleitores do Partido Democrata ficaram em casa. O espetacular absenteísmo dos eleitores foi a derrota de Harris / Walz.

O aborto ainda é uma questão importante para ambos os lados. No entanto, não é o ponto de encontro que a esquerda imaginou.



3 — A dinâmica da batalha pró-vida mudou

O lado contrário ao aborto há muito conta com o apoio incondicional do movimento conservador ao longo das décadas. De sua parte, fornecemos os meios e votos para eleger candidatos em todos os níveis de governo.

Essa ajuda mútua forneceu a energia e a persistência necessárias para derrubar Roe v. Wade. A causa pró-vida tornou-se um ponto de encontro para todas as coisas conservadoras.

A triste nova realidade é que esse apoio incondicional não existe mais. Muitos no movimento conservador agora pedem o abandono da luta contra o aborto. Alguns fazem isso porque acham que a derrubada de Roe foi uma solução suficiente para o problema. Outros acham que as questões econômicas devem ser a única prioridade. Outros afirmam que apoiar questões de vida derrota nas urnas.

Assim, devemos enfrentar a realidade dessas visões equivocadas entre os conservadores. Esta não é a primeira vez que enfrentamos políticos covardes que mudam com o vento. Devemos insistir na importância preeminente da questão do aborto. A moral não é negociável. Devemos manter o curso como temos feito ao longo dos anos. Não nos cansaremos a esse respeito. Só ficaremos satisfeitos com a vitória completa.



4 — Não podemos evitar a necessidade de mudar a cultura

O movimento pró-vida venceu o debate intelectual por sua insistência perseverante de que o aborto não era um direito da mulher, mas um mal moral. O aborto provocado é sempre assassinato, pois interrompe o coração de um feto inocente.

A nova realidade é que o movimento deve levar a luta um passo adiante, centrando-a na derrota da revolução sexual. Devemos abordar o problema em sua origem. De fato, o aborto facilitou a destruição da moral cristã, permitindo que homens e mulheres fossem sexualmente ativos sem as consequências da gravidez.

Os fatos mostram a necessidade de fazer da revolução sexual o alvo de nossos esforços incansáveis. A grande maioria dos abortos (87%) é resultado de relações sexuais fora do casamento. A melhor defesa do nascituro é a família tradicional, um pai e uma mãe unidos em casamento — um homem e uma mulher unidos por toda a vida, excluindo todos os outros. Enquanto a cultura exaltar a liberdade sexual completa, o aborto sempre será visto como contracepção de emergência.



Assim, o movimento pró-vida não deve apenas ter a coragem de salvar a vida de bebês (por mais vital que seja), mas deve atacar a revolução sexual em todas as suas manifestações. Devemos procurar salvar o casamento, promover a modéstia e defender e louvar a castidade. Devemos condenar a promiscuidade, a licenciosidade e a impureza. Devemos dedicar a esta guerra moral toda a engenhosidade, determinação e sacrifício usados para fechar 4.333 clínicas de aborto em todo o país.

Esse esforço consistiria em mostrar o impacto negativo devastador do aborto em indivíduos e comunidades. Também exigiria a apresentação de uma visão positiva de homens e mulheres dentro de uma estrutura pró-casamento e pró-família. Acima de tudo, devemos ser bons exemplos de vida virtuosa para atrair pessoas para nossa causa.

Essa tarefa é facilitada porque o modelo liberal dominante de sociedade está desmoronando e poucas alternativas são apresentadas.


Almas tímidas podem objetar que tal transformação social é impossível. No entanto, eles disseram o mesmo sobre derrubar Roe v. Wade, e Dobbs provou que eles estavam errados.

A sociedade pode mudar para melhor. Em nossa verificação da realidade, devemos recorrer a um Ser Superior — um poder sobrenatural para Quem todas as coisas são possíveis.

Somente com a ajuda de um Deus Todo-Poderoso e de Sua Mãe Santíssima podemos aceitar esse desafio de mudar a cultura e cortar a causa raiz do aborto.



Hoje, quando a ajuda política vacila e diminui, devemos confiar que a assistência divina será ainda mais certa. Devemos acreditar com a confiança inabalável que move montanhas para obter a vitória de que precisamos.

Sigamos em frente, portanto, e enfrentemos com coragem as novas realidades que nos interpelam. Com nossa oração e ação, improvisaremos e ousaremos enquanto marchamos para nosso objetivo abençoado: uma América moral e livre de aborto sob Deus. Não nos cansemos nem descansemos até que o aborto provocado se torne impensável e Deus e Sua Mãe Santíssima sejam glorificados em toda Terra.