Mostrando postagens com marcador Ambientes Costumes Civilizações. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ambientes Costumes Civilizações. Mostrar todas as postagens

2 de maio de 2026

Ambiente familiar na velha Europa

 


  Plinio Corrêa de Oliveira

Quando eu tinha uns 14 anos, lia livros franceses de contos. Num deles, lembro-me da narração de um domingo numa propriedade agrícola europeia, anterior à Primeira Guerra Mundial. 

A cena se passava num pequeno castelo de um barão viúvo com vários filhos — crianças, moços e moças. Todos sentados, muito saudáveis, conversando alegremente durante um almoço servido por lacaios, numa sala de jantar com uma mesa grande. 

As comedorias representavam um papel importante, sobretudo as deliciosas carnes assadas, em baixela de prata; sem grande luxo, mas comidas opulentas. O barão sentado à cabeceira da mesa, gorducho, com um apetite devastador. 

À medida que os pratos entravam, a criançada fazia festa. Os lacaios serviam contentes, o barão se divertia em ver tudo isso, e todos se divertiam em ver o divertimento dele. Era uma circulação geral de alegria, mas alegria muito casta, o problema da pureza nem entrava em cena. 

O que entrava em cena era o que minha mãe dizia: “viver é estar juntos, olhar-se e querer-se bem”. Era o ‘banquete espiritual’ de todos se quererem bem, terem a mesma mentalidade, sentirem todas as coisas do mesmo modo. 

O ambiente interno era iluminado por discretos abajures, e externamente uma chuvinha fina insuportável — o que tornava ainda mais agradável estar dentro de casa. 

Ainda adolescente, eu ia pensando nisso e achando que assim valia a pena viver. Daí eu ter tirado uma consequência que não se realizou: quando eu ficar maduro, vou morar na Europa.
____________ 
Excertos de comentários feitos pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 25 de julho de 1993. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.

11 de fevereiro de 2026

CHOQUE DE CULTURAS


  Plinio Corrêa de Oliveira

A respeito de se realizar de fato uma “União Europeia”, o problema não é principalmente econômico. É fundamentalmente cultural. Isto devido à harmonia ou choque de culturas e de psicologias. 

Poderíamos falar dos vinhos, que países europeus os produzem de primeiríssima qualidade, ou dos sabonetes. 

Objetar-me-ão: “Mas que questões frívolas!” — Eu responderia: É próprio de uma grande civilização levar a um alto requinte coisas frívolas. A frivolidade de alta classe é um dos índices da substância de uma civilização. 

Em quase todos os países europeus se produzem sabonetes esmerados, mas o caráter do sabonete primoroso varia de acordo com o temperamento e a psicologia do povo que o fabrica. O produto de um determinado país é reputado o melhor porque tem certa mentalidade típica dele, outro país tendo uma mentalidade diferente pode não gostar. 

Vamos exemplificar com os deliciosos bombons europeus. Certa vez, assisti a uma discussão entre duas pessoas: uma se deliciava preferencialmente com os chocolates ingleses e holandeses (de variedade amarga), enquanto a outra gostava mais dos suíços e italianos. Os chocolates suíços eram mais doces, digamos mais bem humorados e tranquilos. Os chocolates ingleses têm seu indiscutível sabor, são excelentes, mas não têm aquela bonomia do chocolate suíço e aquele movimentado e aliciante dos chocolates italianos.

Assim, poderíamos multiplicar os exemplos para cada nação. Mas, no fundo, eu percebi que as pessoas, quando discutem a respeito, estão discutindo mais é uma questão filosófica, como que escondida por trás dos chocolates. Com isso, percebi que se discute mais sobre qual a visão que se deve ter da vida. 


Como estas questões não são discutidas em profundidade, a questão da unificação europeia vai por um ziguezague que não se sabe até onde chegará. 
____________ 
Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 22 de julho de 1990. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.

24 de janeiro de 2026

SÃO PAULO DE OUTRORA

 

Vale do Anhangabaú

✅  Plinio Corrêa de Oliveira

No tempo antigo do bairro Campos Elíseos, onde morei na capital paulista, os jardins eram muito bonitos, com flores ornamentais. As casas eram ‘sossegadonas’, distintas e elegantes.

Campos Elíseos, nos anos 30

Quando eu era mocinho, gostava de dar um giro a pé pelas ruas (nas quais meus familiares habitualmente não transitavam) para flanar sozinho. Gostava de passar diante das casas e observar seus jardins, as flores particularmente bonitas, mais adiante ouvir a voz de alguma mulher cantando desafinada, com a janela aberta, eu a percebia costurando. 

Observava um caniche que passava, depois um lulu da Pomerânia, mais adiante um cachorro ‘de rua’. Às vezes aparecia um filhote mestiço (certamente uma cadela tinha escapado para a rua e encontrado um cachorro sem raça, daí o nascimento desse mestiço) com a saúde robusta, por um lado, e por outro um pouquinho de finura da cadela. Andava luzidio e exibicionista como um burguesinho, abanando o rabo e latindo para se fazer ver. 

Chá no Mappin
Mais adiante eu encontrava uma padaria de portugueses, exalando o cheiro bom de pão quente saindo do forno, convidando-me a entrar e comprar. 

Naqueles tempos as coisas tinham certo molejo, havia tempo para tudo, ninguém fazia as coisas depressa. Sabia-se que catástrofes podem acontecer, mas nada inopinadamente, e todo mundo levava vida tranquila. 

Inúmeras vezes, pessoas de minha família se queixavam desse ou daquele incômodo (em geral eram pequenos incômodos), e eles iam ao médico no centro da cidade, que era ao mesmo tempo lugar de negócios e de passeios. Havia cinemas, confeitarias, uma porção de atrações dessas, de boa qualidade, e essa ida ao médico se transformava também num passeio. 

Era comum uma senhora ir ao médico levando dois ou três filhos ou sobrinhos, para depois tomarem chá na casa Mappin, por exemplo. No centro da cidade a pessoa podia ir e se distrair. Como seria isso hoje?... 


____________ 
Excertos de comentários feitos pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 8 e 14 de setembro de 1991. Esta transcrição adaptada não passou pela revisão do autor.

12 de dezembro de 2025

FUNÇÃO DOS SÍMBOLOS PARA VENCER



A Batalha de Rocroi – François Joseph Heim (1834). Galeria de Batalhas, Palácio de Versalhes (França).



✅  Plinio Corrêa de Oliveira


N
este quadro da batalha de Rocroi — um dos principais combates da Guerra dos Trinta Anos travado em 19 de maio de 1643 —, vemos, de um lado, os franceses, e de outro os tércios espanhóis. Os soldados de ambos os lados estão firmes no campo de batalha e não há como abrir uma brecha no meio deles. 

Os franceses estão hesitantes, e nem toda fogosidade do Duque d’Enghien — então com apenas 21 anos, e mais tarde conhecido como o Grand Condé —, são suficientes para dar o arranco necessário para abrir essa brecha nas tropas dos tércios — então considerados invencíveis, eles estavam sob o comando do general Francisco de Melo, Conde de Assumar.

O Duque d’Enghien tem nas mãos o bastão de marechal da França [foto]. Era um símbolo muito sério! No mundo anterior à Revolução Francesa, sobretudo na Idade Média, o bastão era uma insígnia de mando frequente. E o bastão de marechal de França era forrado com veludo lilás sobre o qual se imprimiam, em ouro saliente, as flores de lis da Casa de França.

O Grand Condé comandava com esse bastão. Quando ele viu que não havia meio de abrir a brecha nos soldados tércios, ele lançou seu bastão no meio deles, dizendo ao exército francês: “Vamos pegá-lo!” 

Assim, seus soldados se lançaram e conseguiram abrir a brecha nas tropas adversárias.

Este quadro representa essa cena da batalha. O Grand Condé encontrou a solução para aquela situação difícil. 

Alguém talvez dissesse o seguinte: “Esse é um recurso que se usa até em brinquedos de criança; joga-se a bola no campo adversário e diz ‘vamos pegar a bola’. Portanto, trata-se de um método psicológico muito corrente e foi utilizado”. 

Mas no caso de Condé foi porque ele era um homem-símbolo e tinha na mão um bastão muito simbólico. E quem não for capaz de ir atrás do símbolo, não é capaz de vencer. Condé arriscou a vitória e lançou o bastão, talvez pensando: “Toda a minha glória militar está sendo arriscada neste gesto, mas a vaincre sans péril on triomphe sans gloire” (a vencer sem perigo, triunfa-se sem glória). 

Ele arriscou tudo na beleza do gesto, jogando o bastão de marechal de França, bradando, eventualmente com seu cavalo levantando as patas dianteiras de modo lindo.

Nessas horas, por uma disposição da Providência, até batem nas plumas do chapéu os ventos propícios para marcarem lindamente a história e o quadro ficar completo. No arriscado gesto de jogar seu bastão de mando, ele ganhou a batalha! 

____________ 
Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 15 de março de 1977. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.

2 de agosto de 2025

Beleza da movimentação do mar




✅  Plinio Corrêa de Oliveira

Quando eu tinha tempo de ficar olhando o mar — hoje eu nado no mar da luta, não no mar H2O... —, ele me apresentava dois pontos extremos, com todas as gamas intermediárias. Era agradável ver tantas belezas que Deus apresentava fazendo o mar passar de um extremo ao outro através das gamas intermediárias; ou fazendo de repente interromper a sequência, dar um giro e passar para o outro lado. 

Agradava-me ver avançar aquelas grandes ondas, em ofensiva para a terra — não ondas descabeladas, o descabelado não me agrada —, mas grandes ondas em ordem, um ataque em regra como de uma cavalaria nobre, numa “bataille rangée”, batalha ordenada em fileiras.

É bonita a variedade, porque às vezes as ondas não chegam a arrebentar, elas quase arrebentam, formam aquelas proeminências e vão adiante. 

Outras ondas, pelo contrário, arrebentam e há um “gáudio” de gotas pelo ar que depois caem e seguem sua ofensiva, parando um pouco antes de chegar à terra para saltitar pelo ar. Elas bailam um pouco pelo ar jubilosamente, como guerreiros que antes de dar o ataque definitivo dançam o baile da vitória. 

Agrada também ver o mar inteiramente calmo, quase imóvel. Dir-se-ia que está de tal maneira absorto na contemplação do céu que nem pensa em si mesmo. 

De repente, de um lugar qualquer, a surpresa surge, algo começa a se mover. É um vagalhão, é uma bagunça aquática, é um assalto contra a terra, em que os vários elementos do mar não vêm em bataille rangée, mas parecem se empurrarem uns aos outros para tomar a dianteira e conquistar a terra mais depressa. É a beleza da variedade, do inesperado, do quase susto, do imprevisto. 


Esse é mais um
pulchrum do movimento — a beleza da movimentação do mar. Se o mar fosse feio, o movimento dele não seria bonito. 

Um exército que avança é muito bonito quando é composto de homens robustos; se é um exército de capengas que se arrasta, não vale dois caracóis. O mar é belo, mas sua movimentação está à altura dele. 

Os mistérios que ele contém, é outro pulcrhum, um outro mundo que se move nas entranhas que ele oculta. 
____________
Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 25 de novembro de 1988. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.

23 de maio de 2025

NOSSA SENHORA AUXILIADORA

Oferece-nos a fonte de todas as graças 

  Plinio Corrêa de Oliveira

Estive rezando numa igreja onde havia uma mesinha colocada na nave central, mas fora do presbitério, coberta com um tule cor-de-rosa muito pálido. Em cima da mesa, uma imagem de Nossa Senhora Auxiliadora. Era uma igreja de salesianos. 

A imagem segura em uma das mãos o Menino Jesus e na outra o cetro. E me veio esta reflexão: “Essa imagem é tal, que dá a impressão de que Nossa Senhora nos oferece o Menino Jesus”. Depois olhei para a outra mão, vi o cetro nobremente estendido, e pensei: “Dir-se-ia que Ela nos oferece o cetro também”. 

O que isso quer dizer? Significa que Ela está disposta a mover sua onipotência suplicante na direção que nós desejamos. 

Ou seja, não há arma melhor do que o cetro d’Ela, que estende assim, como quem diz: “Meu filho, aqui à minha direita está a fonte de todas as graças; na minha mão esquerda tenho o símbolo de todo o poder, tudo é para você. Peça e eu lhe atenderei! Peça Nosso Senhor Jesus Cristo; peça o meu poder para tocar avante o seu apostolado e eu concederei”.

Devemos olhar para Nossa Senhora e pensar no cetro d’Ela. A oração põe em nossas mãos o seu cetro. Diante das dificuldades, devemos pedir a Ela que mova o seu cetro e faça com que ele abra diante de nós os caminhos. 

____________ 

Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 10 de maio de 1974. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.

10 de fevereiro de 2025

BOLO NO ESPETO


  Jorge Vicente Saidl 

“Bolo no espeto” soa realmente muito estranho em português. No entanto, é a tradução literal de “gâteau à la broche”, expressão francesa que designa uma muito bela e saborosa tradição culinária lituana.

Porque um bolo lituano com nome francês? No fim do artigo vai ficar claro. 

Espeto não é bem o termo adequado, porque a iguaria é preparada num torno, como se pode ver na ilustração, e, ademais, sobre o eixo há um cone. 

A massa é derramada sobre o cone, junto ao fogo, fazendo com que, à medida em que o torno vai girando, vá espirrando e se solidificando, formando pontas como se fossem galhos, daí o termo lituano “šakotis“, derivado de “šaka“ (galho de árvore). 

O bolo, depois de pronto, é retirado do eixo, ficando parecido com o galho de uma de árvore. 

O “bolo no espeto” tem várias versões em diferentes países, porém são cilíndricos simplesmente e não têm os “galhos”. 

Com uma receita que leva muitos ovos, fica com coloração amarelada e tem mais propriamente a consistência de um biscoito. 

Enquanto na Alemanha a versão local chamada de “Baumkuchen” é servida mais no Natal, e talvez mais ou menos o mesmo aconteça com os “parentes” de outros países, o “šakotis”, que em princípio é destinado a ocasiões especiais, é enormemente difundido na Lituânia e não há supermercado onde não se encontre mais de uma marca do produto. 

Passando-se a fronteira da Lituânia, já não mais se vê. 

Entretanto, é surpreendente encontrá-lo na sua versão francesa, num canto da França, perto de Lourdes. 

No Château Fort Musée, dessa importante cidade mariana, está a explicação: Numa das salas do museu se encontra uma representação do torno para o feitio do bolo e uma placa explicando que, passando pela Lituânia, as tropas napoleônicas levaram a receita para seu país natal. Curiosamente que só para este extremo sul do território francês. Apenas um ou alguns soldados franceses da região dos Pirineus se interessaram pela receita. Talvez outros tiveram interesse, mas estavam muito apressados para deixar o território então russo ou caíram no campo de batalha. Em terras francesas, o “Šakotis” que poderia se chamar “Chacotis”, entretanto foi batizado com o nome de “gâteau a la broche”

O Šakotis talvez deva ser considerado o principal manjar doce lituano. 

Dos salgados, o prato principal é provavelmente o Didžkukuliai, mais conhecido como Cepelinai, por ter o formato de um balão Zeppelin. Mas isso é outra questão, que poderia ser tema para um próximo artigo.






23 de dezembro de 2024

Divino Infante, um Rei, mas imensamente acessível


A Adoração dos Pastores (detalhe) — Anton Raphael Mengs (1728-1779). Museu do Prado, Madri.

Plinio Corrêa de Oliveira 

A Mãe de Deus, majestosíssima, transcendente, puríssima, rezando ao Menino-Deus. Os Anjos entoando em volta canções de glorificação, e toda atmosfera reinante saturada de valores tais, que dir-se-ia haver na pobreza da Gruta de Belém uma atmosfera de corte. 

O Divino Infante atrai para junto de Si, ao mesmo tempo, todas as formas de grandeza que d´Ele dimanam, e que não constituem senão reflexos de sua Pessoa; todas as formas de pureza, todas as formas de santidade, que são apenas uma participação da santidade d´Ele.

Imensamente acessível, este Rei, tão cheio de majestade, abre para nós os olhos. Notamos que seu olhar puríssimo, inteligentíssimo, lucidíssimo penetra nossos olhos. Vê o mais profundo dos nossos defeitos, como também o melhor de nossas qualidades. E nesse momento toca nossa alma, como comoveu São Pedro durante a Sua Paixão. 

Esse olhar ocasiona em nós uma tristeza profunda por nossos defeitos. Ele nos inspira horror por nossos pecados. Mas também, penetrando em nós tal olhar, manifesta o Redentor recém-nascido seu amor não só em relação às nossas qualidades, mas também pela condição de criaturas feitas por Ele. Um amor dedicado a nós, apesar de nossos defeitos, por termos sido criados por Ele e destinados a um grau de santidade e de perfeição enquanto podendo existir em nós, e que Ele conhece e ama. 

____________ 
Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 29 de dezembro de 1973. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.

13 de dezembro de 2024

MEDIANTE AS COISAS SIMBÓLICAS CHEGAMOS A DEUS

 


A consideração simbólica é uma verdadeira antevisão do Céu, onde somos chamados a contemplar Deus face a face. Nesta Terra somos chamados a vê-Lo nas coisas criadas, através dos símbolos chegamos a Ele. 


  Plinio Corrêa de Oliveira 

O cerimonial tem valor moral e está vinculado à questão do simbolismo. De modo geral, os cerimoniais marcaram a Idade Média, por exemplo, com as belas cerimônias de armar um cavaleiro, como também aquelas que eram feitas para degradá-lo, no caso de ele ter praticado algo contrário à honra. 

Para ilustrar a questão do simbolismo, dou outro exemplo: uma pessoa contempla a caça com falcão. A ave voa, pega uma presa e desce. É bonito considerar o falcão na sua altivez, na sua dignidade, no ímpeto de sua força. Consideramos a sua agudeza de vista, seu élan, sua coragem, e fazemos analogias com qualidades humanas. O ardor belicoso do falcão é símbolo, pois reflete o homem que luta, e esta é sua mais alta ação, abaixo da oração. 

Deus proveu a natureza em abundância de exemplos nesse sentido. Isto a fim de que o homem se compenetre bem das verdades e dos princípios abstratos ao considerar os símbolos palpáveis. Se ele não olha, analisa e medita, não há possibilidade de se compenetrar inteiramente. 

Esta consideração simbólica é uma verdadeira antevisão do Céu, tem algo da visão beatífica. Porque o homem é chamado a ver Deus face a face no Céu, mas nesta Terra ele O vê nos símbolos. Estes alimentam a inteligência e dão uma espécie de proporção humana, de estatura humana à ideia abstrata. 


Por esta razão, toda a vida da Idade Média era feita de cerimoniais e símbolos, pois o homem não é composto só de alma, mas também de corpo. Ele seria uma espécie de esqueleto sem carne se tivesse só a doutrina sem os símbolos. 

Isto explica a simbologia medieval e seus cerimoniais. Mais ainda, explica algo do feitio de alma que deve ter um autêntico católico contra-revolucionário. 

Quando vemos algo que nos fala à alma e nos entusiasma, devemos aprofundar nesta linha de transcender do concreto para o abstrato, como no exemplo da coragem do falcão ilustrando a ideia de coragem e a virtude da coragem. O que se liga metafisicamente a Deus. 

Se quisermos considerar a presença de Deus em todas as coisas, devemos procurar os símbolos criados por Ele. Num falcão observamos a sua coragem, e disso passamos para o abstrato, deduzindo um princípio moral: a virtude da coragem. Daí vemos essa virtude em Deus de um modo absoluto. 

Miniatura da investidura de um cavaleiro,
dos estatutos da “Ordem do Nó”, 
fundada em 1352 por Luís de Nápoles
Este exercício metafísico é árduo, mas é o prêmio que na Terra se pode ter. Há um provérbio alemão que diz: “todo começo é difícil”. Mas para alcançar o prêmio é preciso começar a se exercitar para chegar até o metafísico. 
Alguém poderia dizer que não tem tempo de pensar nisso. Respondo que não é falta de tempo, é falta de pensar no tempo que temos. Mas adquirindo o hábito de pensar, será agradável. A pessoa passa a se deleitar com as coisas que levam a Deus e passa a execrar as coisas que nos afastam d’Ele. A pessoa passa a viver noutra dimensão, num mundo do maravilhoso. 

Lembro-me de uma cidadezinha do interior de São Paulo, Amparo, onde fizemos um exercício de transcendência desses. Certa vez, fiz por suas ruazinhas um passeio a pé junto com alguns amigos de uma fazenda das proximidades. Comentamos as bonitas portas das casas e daí passamos a relacioná-las com as portas no estilo Império francês e com os faustos da Europa. 



Este encontro do bom gosto dentro das cinzas apagadas do interior é deleitável, nos eleva a Deus, e forma as almas altamente simbólicas dos varões verdadeiramente católicos. ____________ 

Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 10 de agosto de 1973. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.

18 de novembro de 2024

Magnata húngaro — Reluzimento da Ásia com a categoria do Ocidente




  Plinio Corrêa de Oliveira 

O que é um magnata húngaro? A palavra magnata vem de magnus, grande. Equivale mais ou menos ao título de Grande de Espanha. Magnata húngaro seria um Grande da Hungria. 

Qual a característica própria ao magnata húngaro? Coube aos húngaros, devido a circunstâncias históricas, ficarem situados durante muito tempo nos confins entre o Oriente e o Ocidente.

Há na realidade daquele país, nas maneiras húngaras de ser, em seus trajes etc., algo que participa, ao mesmo tempo, do equilibrado, do acertado, do distinto do Ocidente e de algo do fabuloso do Oriente. Existe um reluzimento da Ásia conjugando-se com a categoria do Ocidente. E isso fazia-se notar muito nos trajes com que os magnatas húngaros compareciam a certo tipo de cerimônias na corte da Áustria, em Viena. 

A Áustria e a Hungria constituíam uma monarquia dual. O imperador da Áustria era Rei da Hungria. Em vista disso, na corte de Viena apareciam muitos húngaros, e naturalmente, conforme a cerimônia, com traje regional. 

Eles ostentavam vestes que constituíam um conjunto de indumentária difícil de ser descrita em seus pormenores. Figurava nela um chapéu alto, de pele, com uma aigrette, isto é, uma pena alta, bonita. Depois havia nela uma espécie de capa colocada nas costas, de forma um tanto enviesada, com botões e alamares muito bonitos. Por fim, botas altas, de verniz.

O todo era muito imponente, com um quê de ultra civilizado, mas deixando entrever, pelo meio, alguma coisa do tigre, que pode pular em cima de quem lhe desagradar muito vivamente... 

Tal mescla de alguma coisa de fera com certa característica de gentil-homem, de um toque oriental com uma dosagem ocidental, confere uma força e uma distinção — além de indicar o poder do magnata no feudo onde ele é o senhor — que enchem a alma católica de delícias.  

____________ 
Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira para sócios e cooperadores da TFP em 1o de junho de 1993. Sem revisão do autor.
Fonte: Revista Catolicismo, Nº 635, Novembro/2003.

14 de outubro de 2024

Santa Teresa d’Ávila, a grandeza carolíngia


A grande santa carmelita, grandeza perfeita e acabada, expressão da reflexão, da decisão e da perseverança 

✅  Plinio Corrêa de Oliveira 

Já comentei este e outros quadros de Santa Teresa d’Ávila. Este eu considero magnífico, pois exprime bem o que eu imaginava da grande santa espanhola. 

Rosto impassível, olhar com vida própria, por assim dizer, autônomo do rosto. Enquanto o rosto está átono, o olhar está contemplando. Olhar que se compraz em ver longe no horizonte, como de uma águia, o ponto mais esplendoroso. Dir-se-ia que a santa carmelita está olhando um sol que não ofusca. O que ela considera com admiração, com veneração, com uma forma de amor que não é propriamente o carinho, mas a completa entrega de si e o não querer a não ser aquilo que ela está olhando. 

Mas há por detrás dessa impassibilidade do rosto, pela posição da cabeça sobre o pescoço e do pescoço sobre os ombros, muita coerência. A cabeça está para o pescoço como o pescoço está para o corpo. Esta impostação caracteriza o seu élan, sua coragem e a própria expressão da reflexão, da decisão e da perseverança. 

Neste quadro de Santa Teresa notamos uma atitude de altivez que recebe d’Aquele a quem ela contempla. O olhar parece dizer: “Eu só temo Aquele a quem admiro, e a favor d’Ele não temo absolutamente ninguém. Aquele que é tudo e vence tudo; vamos para a frente!” 

É uma alma varonil, com nada do pseudo-feminismo atual. Ela é a figura feminina, mas também a figura da força de um varão com uma grandeza carolíngia. No domínio feminino ela é um Carlos Magno. Uma grandeza perfeita e acabada! Bem se poderia chamá-la de “Teresa de Jesus, a carolíngea” — magnífico elogio também para Carlos Magno!

____________ 
Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 6 de junho de 1980. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.

22 de setembro de 2024

DUAS CONCEPÇÕES OPOSTAS NA ARTE

Sublimidade numa pintura de Jean Fouquet e a concepção progressista e blasfema de uma pintura moderna 

  Plinio Corrêa de Oliveira 

O quadro A Santíssima Trindade, pintado por Jean Fouquet,* aparece com o céu azul repleto de anjos dourados. Céu tão diferente daqueles que vemos em algumas figuras, com nuvens molengas parecendo feitas de isopor, onde as pessoas se sentam para passar o tempo. 

Já o céu imaginado por Fouquet é como se fosse uma verdadeira catedral. 

Vemos anjos e santos sentados em tronos dos dois lados. No centro uma espécie de plateia de bem-aventurados. Todos áureos pela glória de Deus. 

No mais alto, os três tronos perfeitamente iguais para as pessoas da Santíssima Trindade — um só Deus em Três Pessoas distintas, que possuem a mesma natureza divina, o Pai, o Filho e o Espírito Santo —, que reinam numa glória perfeitamente igual, desde sempre e para sempre. 

Ao lado, um trono menor e em outro alinhamento, entretanto tão próximo apesar de distante. Nele vemos sentada uma figura nívea, superior a todo o dourado e a todo o azul do céu: Nossa Senhora. As três pessoas da Santíssima Trindade voltam-se para Ela em sinal de louvor, porque é a obra-prima de toda a criação. 

Nossa Senhora reza recolhida, remetendo a Deus em forma de adoração, o amor que Ele lhe concede tão generosamente. É a imagem do Céu, repleto de ordem, de sublimidade, de hierarquia, de sacralidade. 



O contrário dessa imagem do Céu é esse outro quadro. É a figura de como o progressismo concebe as coisas da religião. É uma pintura moderna representando a Última Ceia de Nosso Senhor Jesus Cristo com os Apóstolos. É a caricatura da religião. Nosso Senhor representado pela arte moderna é em tudo blasfêmia! 

____________ 
*Jean Fouquet (1420–1481, anos aproximativos) é considerado o maior pintor francês de seu tempo. Suas obras são classificadas entre o final do Gótico e o início da Renascença. Entre suas numerosas obras, uma das mais célebres são as miniaturas do Livro de Horas de Etienne Chevalier, do qual faz parte o quadro que ilustra esta página: A Santíssima Trindade, o Sufrágio da Miniatura dos Santos (Museu Condé, Chantilly, França). 


_______________________________________________________ 
Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 28 de julho de 1974. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.

16 de julho de 2024

Aspectos de requinte de civilização e debilidades na fisionomia de Luís XVII

* Louis-Charles de France (Versailles, 1785 – Paris, 1795), segundo filho de Luís XVI e da Rainha Maria Antonieta. Após a decapitação de seu pai na sanguinária Revolução Francesa — cujo marco inicial foi a Queda da Bastilha, em 14 de julho de 1789 —, foi reconhecido como titular da coroa da França pelas potências coligadas e por seu tio, o futuro Luís XVIII. Morreu nas garras daquela Revolução, na prisão do Templo. (Quadro de Alexander Kucharski - 1792).

  Plinio Corrêa de Oliveira

Ao ver esse quadro com a figura de Luís XVII*, a impressão que me causou foi de fragilidade, dignidade e mando. Não o mando concebido de um modo abrutalhado e prepotente, como quem dissesse: “Me traga um copo d’água!” Mas um mando noutro sentido, como de quem pergunta: “Quereria me trazer um copo d’água?” 

Não passaria pela cabeça de quem recebe o pedido, de responder-lhe: “NÃO”. Porque a amabilidade e dignidade são tantas, que o indivíduo sente que deve trazer o copo d’água; muito menos pelo medo do que pela noção de superioridade que está incutida nesse estilo apresentado no quadro. 

Esta noção de mando vem com uma conotação confusa de contraste entre a revolucionária falta de dignidade e a superioridade. 

Não estou fazendo um elogio incondicional dessa gravura. Depois farei as críticas. Agora estou justificando a primeira impressão que tive. 

Esse requinte de civilização nem sempre fica claro, por causa dos preconceitos revolucionários de desprezar sob o pretexto de que tem grandeza. 

O Príncipe Real da França aparece muito consciente de que tem o direito de ser servido, que é normal que assim seja. Aparece também um tanto da debilidade censurável que resulta de algo que não é censurável: a ideia de que é tão normal ser servido, que não precisa fazer esforço para tal. Não há dúvida que é uma posição eminentemente aristocrática.

Ao mesmo tempo, essa figura me causa outra impressão: uma espécie de massa mole, onde existe mais carne do que osso. Há nas maçãs do rosto do Príncipe qualquer coisa de mole, que nunca se contraíram numa atenção, num sofrimento, numa oração. 

Observem as sobrancelhas. Elas “comentam” o olhar; sem elas se teria dificuldade de interpretar o olhar. Há sobrancelhas nas quais se percebe, por um imponderável qualquer, que houve o hábito de cerrá-las, que é produto da reflexão, e há sobrancelhas despreocupadas. 

Os olhos são grandes e tomam boa parte da face. O olhar não é ininteligente e é plácido; aparentemente desanuviado, mas crítico. Todo olhar tem algo de “anuviado”, mas ele disfarçou esse aspecto, o que é sinal da educação. 


A Rainha Elizabeth II [ao lado], por exemplo, tem um olhar que é absolutamente imóvel e não exprime nada do que pensa. Isso por diplomacia. Isso é categoria! 

Nesse quadro de Luís XVII se nota alguém que não fez outra coisa senão ver jardins bonitos, mármores, cristais, com fontes jorrando, gente fazendo reverência, e ele olhando sem entender muito... Dessa impressão se pode deduzir algo a respeito da mentalidade.

Nessa figura, o que há de Revolução e Contra-Revolução? Tudo que tem de aristocrático, dignidade e essa forma de mando representa Contra-Revolução. 

De Revolução notam-se: debilidades, molezas, tendências para o igualitarismo, por incrível que pareça. 


Nessa pintura, onde está a tendência para o igualitarismo? Comparem com o grande Luís XIV [ao lado], de quem é descendente. Em comparação com o Rei Sol, o Príncipe é um gatinho, um ratinho. É o igualitarismo que foi amesquinhando. 

Luís XVII em relação ao avô é um plebeu. Em relação a nós é um príncipe, porque estamos numa época de proletarismo debandado. 

O fato de ele não ser capaz de se impor pela força também é Revolução, porque nenhum homem pode pretender impor-se apenas por sua superioridade, pois muitas vezes os outros não atendem, então é preciso saber berrar e ir para frente. Ele precisava ser um homem que soubesse pegar uma espada ou um chicote, ou — muito melhor que isso — tivesse o olhar de Luís XIV! Pois vale mais do que a espada e o chicote! O olhar pode paralisar o adversário em seu devido lugar!
____________ 

Excertos da conferência (sem data) proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.

4 de maio de 2024

GRANDEZA EM DAR TUDO DE SI


✅  Plinio Corrêa de Oliveira 

Linda fotografia de uma águia que investe sobre algo que está embaixo.

A ave de rapina está descendo no seu voo com toda a força, o bico para frente, com o olhar assestado, com as garras numa atitude ao mesmo tempo de agressão, mas vigilante, com possibilidade de se desviar para depois atacar em circunstâncias melhores.

É um misto extraordinário de capacidade de agressão, de defesa, de força e de astúcia.

Muito bonita a águia, com sua bela plumagem, bico e olhar lindos. Sobretudo, ela representa a grandeza. E em três elementos: 

Em primeiro lugar, para o ataque que vai realizar, ela extrai de si tudo quanto tem. Dá a impressão de mobilização total, em que todos os recursos de perspicácia, de arrojo, de prudência, de firmeza, de constância não se separam da capacidade de alterar seus planos. Tudo conjugado num equilíbrio extraordinário. Há uma grandeza em dar tudo de si para uma determinada finalidade. 

Depois, outro elemento de grandeza é não ter proporção com aquilo que ataca. De maneira que, quando avança, ataca com tal superioridade, tão de cima, que quase não deixa ao ente atacado a possibilidade de reagir. Agarra, estraçalha e levanta voo. Isto é grandeza! Nada lhe resiste. Nada tem impulso que valha contra ela. A águia acaba arrebatando tudo.

Um terceiro elemento da grandeza: a águia não tem proporção com aquilo que intenta fazer maior do que ela. Parece uma contradição, mas não é. Ela vem lá do alto de uma montanha e transpõe abismos e abismos para acabar colhendo um animal para se alimentar. Ela não tem proporção com o tamanho dos abismos que percorreu. E esse fato é mais um elemento da grandeza da águia, que se torna maior que os abismos que ela venceu!

______________

Excertos de uma conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em dezembro de 1974. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.

26 de fevereiro de 2024

INOCÊNCIA — “sem a qual as coisas não seriam senão o que são”



✅  Plinio Corrêa de Oliveira

Quando menino, no Jardim da Luz da São Paulinho de antigamente, o que constituía um dos meus encantos eram os cisnes à beira do lago. Eles saíam de umas casinholas de porcelana e apareciam majestosos. Realizavam em mim um ideal: moverem-se sobre as águas sem fazer esforço. Eu não percebia que as patas deles faziam esforço, pois nunca fui bom observador nos aspectos “mecânicos” da natureza. 

Eu via o cisne leve, flutuando, gostando da água, mas se sentindo superior a ela, e aristocraticamente olhando a água de cima. De maneira tal, que se tinha a impressão de que da posição do pescoço — numa espécie de “S” sublime — se irradiavam todas as delícias do aristocratismo. 

Depois de contemplar os cisnes, aquela espécie de ápice das delícias do Jardim da Luz, eu voltava para casa considerando uma porção de coisas que dizem respeito à ordem universal vista sob certo ângulo. Era a natureza, mas vista com olhos de um inocente batizado.

Isso me conduzia ao desejo de certa super-inocência, de super-pureza, de super-virtude, que era o necessário para que tudo aquilo atraísse tanto. 

Claude Lorrain, um artista francês, gostava de pintar a luz do sol refletindo sobre as coisas. Às vezes, paredes manchadas, leprosas de tão velhas, mas com o sol batendo, aquelas manchas ficavam parecidas com pedras semi-preciosas enchendo a parede.

Há uma frase, esta de outro francês, o poeta Edmond Rostand, como que saudando o sol e dizendo: “Le soleil, sans lequel les choses ne seraient que ce qu'elles sont”. (O sol, sem o qual as coisas não seriam senão aquilo que são). 

Analogamente, poder-se-ia a fortiori assim saudar a inocência: “sans laquelle les choses ne seraient que ce qu'elles sont”. Ou seja, o mesmo jardim, visto por um menino sem inocência, que teria vontade de matar os passarinhos, de sair correndo para pegar um cisne, de quebrar a casinha dele, de promover brigas de uns com os outros, veria as coisas como elas são, sem as luzes do sol. 

Já um menino inocente via uma ordem de coisas como elas deveriam ser no que havia de melhor, apontando para o que elas deveriam ser de um modo superior.  

____________

Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 29 de agosto de 1992. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.

29 de novembro de 2023

Elegância na Coroa Real, sublimidade na Coroa Imperial


✅  Plinio Corrêa de Oliveira


N
o museu do Louvre, em Paris, está exposta uma coroa que foi do Rei Luís XV. Tem toda a elegância de formas das coisas tipicamente francesas. Gosto da elegância das formas porque ela é o primeiro estágio no caminho da sublimidade [foto ao lado]. 

Aquela coroa é completamente recamada de brilhantes, de maneira que, exceto no aro que cinge a fronte do rei, nela não se vê senão brilhantes. Uma joia magnífica! 

Entretanto, nenhuma outra coroa no mundo determinou em meu espírito a impressão que produziu uma coroa mandada fazer na Boêmia por um imperador do Sacro-Império, da Casa d’Áustria [foto no topo e abaixo]. 


Rodolfo II mandou fazê-la com seu próprio dinheiro. Não pertencendo, portanto, ao Estado, mas ao imperador romano germânico. Depois, passou a ser a coroa dos imperadores austríacos. 

É uma coroa de tal maneira sublime e magnífica que, de todas as coroas do mundo, aquela é, de longe, a que mais arrebata o meu espírito. 

Quando eu soube que numa exposição em Sevilha, no pavilhão da Áustria, havia uma estampa magnífica dessa coroa, pedi que me conseguissem uma fotografia. Guardei-a dentro de uma espécie de oratório que há no meu escritório, para poder vê-la de vez em quando. Esse meu entusiasmo vem do quê? — Da especial e peculiar sublimidade que aquela coroa tem. 

____________

Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 26 de março de 1939. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.