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9 de julho de 2025

As guerras têm como principal causa os pecados das nações


 

Na edição de março último, a revista Catolicismo publicou trecho de uma matéria do Prof. Plinio concernida na memorável polêmica que travou com os periódicos Kierunki e Zycie i Mysl, ambos pertencentes ao grupo progressista polonês Pax

Em continuação, a revista reproduziu, na edição de maio, outro oportuno trecho dessa matéria, estampada originalmente na edição de Catolicismo de novembro/1965. 

Aqui segue a transcrição de tal trecho.




  Plinio Corrêa de Oliveira

Santo Agostinho defende a tese de que não podendo as nações ser recompensadas nem castigadas na outra vida, recebem neste mundo mesmo o prêmio de suas boas ações e a punição de seus crimes. 

Assim, se queremos evitar as guerras e as hecatombes, combatamo-las em suas causas. A corrupção das ideias e dos costumes, a impiedade oficial dos Estados leigos, a oposição cada vez mais frequente entre as leis positivas e a Lei de Deus, isto sim, é que nos expõe à cólera e ao castigo do Criador, e nos conduz mais do que tudo, à guerra. 

Se, para evitá-la, cometessem as nações do Ocidente um pecado maior do que os atuais, como seria a aceitação de existir sob o jugo comunista em condições que a moral católica reprova, desafiariam desse modo a ira de Deus e chamariam sobre si os efeitos de sua cólera. 

E isto tanto mais quanto a concessão que hoje se fizesse com referência à abolição da propriedade privada, amanhã teria de ser repetida com relação à abolição da família e assim por diante. Pois assim procede com inexorável intransigência a tática das imposições sucessivas, inerente ao espírito do comunismo internacional. Desse modo, até que torpeza, até que abismo, até que apostasia não rolaríamos? 

A existência humana, sem instituições necessárias como a propriedade e a família, não vale a pena de ser vivida. Sacrificar uma ou outra, para evitar a catástrofe, não importa em “propter vitam vivendi perdere causas”? [para viver, perder aquilo que é a razão de ser da vida]. Para que viver num mundo transformado em uma imensa senzala de escravos atirados a uma promiscuidade animal? 

Em face da opção dramática da hora presente, que este artigo procura pôr em evidência, não raciocinemos como ateus, que ponderam os prós e os contras como se Deus não existisse. 

Um ato supremo e heroico de fidelidade, nesta hora, poderia apagar diante de Deus uma multidão de pecados, inclinando-O a afastar o cataclismo que se aproxima. 

Um ato de fidelidade heroica... um ato de inteira e heroica confiança no Coração d’Aquele que disse: “Aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de Coração, e encontrareis descanso para as vossas almas” (Mat. 11, 29). 

Sim, confiemos em Deus. Confiemos na sua Misericórdia, cujo canal é o Coração Imaculado de Maria.

26 de junho de 2025

SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS, UM PARAÍSO



350 anos da histórica visão do adorável Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque, durante a qual revelou promessas extremamente valiosas a todos os católicos. 

  Paulo Roberto Campos 

Junho é por excelência o mês dedicado ao Sagrado Coração de Jesus. O deste ano o é ainda mais especialmente, pois se completam 350 anos da memorável visão sobrenatural, conhecida como a “Grande Aparição”, d’Ele a Santa Margarida Maria Alacoque (1647-1690), freira da Ordo Visitationis Beatissimae Mariae Virginis (no Brasil, mais conhecida como Ordem das Visitandinas), fundada por São Francisco de Sales e Santa Joana Francisca Frémyot de Chantal em 1610. 

No dia 16 de junho de 1675, estando Santa Margarida Maria em seu mosteiro de Paray-le-Monial (na região da Bourgogne, França), Jesus, apontando para o seu próprio Coração, apareceu-lhe e disse: 

“Eis aqui o Coração que tanto amou os homens, que não poupou nada até esgotar-se e consumir-se, para testemunhar-lhes seu amor; e, por reconhecimento, não recebe da maior parte deles senão ingratidões, por suas irreverências, sacrilégios e pelas indiferenças e desprezos que têm por mim no Sacramento do amor [a Sagrada Eucaristia]. Mas o que me é ainda mais penoso é que corações que me são consagrados agem assim. 
“Por isso, Eu te peço que a primeira sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento seja dedicada a uma festa especial para honrar meu Coração, comungando-se neste dia e fazendo-lhe um ato de reparação, em satisfação das ofensas recebidas durante o tempo que estive exposto nos altares. Eu te prometo também que meu Coração se dilatará para distribuir com abundância as influências de seu divino amor sobre aqueles que lhe prestem culto e que procurem que este lhe seja prestado.”[1]

 

A Basílica e o Mosteiro do Sagrado Coração de Jesus em Paray-le-Monial.

Nosso Senhor prometeu a ela, “discípula”[2] de seu Coração Sagrado, que concederia a graça da penitência final, no último momento da vida, a todos aqueles que durante nove meses seguidos comungarem na primeira sexta-feira de cada mês. Ou seja, não morrerão em pecado mortal, recebendo a garantia da salvação eterna. Esta é a palavra dada por Ele como penhor de uma boa morte, conhecida como a “grande promessa”, que há três séculos e meio fez o Sagrado Coração de Jesus em Paray-le-Monial. É claro, nem precisaria dizer, mas nunca é demais recordar, que ninguém se salva automaticamente. Para se obter a salvação eterna há também a exigência de não se transgredir os 10 Mandamentos da Lei de Deus. Ou, tendo transgrido algum dos preceitos divinos, arrepender-se sinceramente dos pecados cometidos, fazendo uma boa confissão com o firme propósito de nunca mais voltar a cometê-los.

Santa Margarida Maria Alacoque


Celebração litúrgica do Sagrado Coração de Jesus

No mesmo ano da mencionada aparição de Nosso Senhor (1765) à santa freira Visitandina, o Papa Clemente XIII (pontificado de 1758 a 1769) aprovou a festa do Sagrado Coração de Jesus para algumas dioceses; depois foi estendida a toda a Igreja pelo Bem-aventurado Papa Pio IX (1846 - 1879) com o decreto da Congregação dos Ritos, de 23 de agosto de 1856. Em 11 de junho de 1899, Leão XIII consagrou todo o gênero humano ao Sacratíssimo Coração de Jesus. Pio XI, em 1928, definiu a festa do Sagrado Coração como a característica de nossos tempos.
A solene festividade litúrgica do Sagrado Coração de Jesus celebra-se sempre na sexta-feira que segue a Oitava de Corpus Christi (neste ano, no dia 27 de junho). Desse modo, a Igreja a estabeleceu como uma extensão da comemoração de Corpus Christi (celebrada neste ano em 19 de junho). No dia 28 do mesmo mês, celebramos o Imaculado Coração de Maria, comemorado no calendário católico tradicional no dia 22 de agosto.


 

O Sagrado Coração há de salvar o mundo

Atendendo ao pedido feito pela Irmã Maria do Divino Coração (1863-1899) — condessa de Drostezu Vischering, superiora da Congregação de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor, que recebera revelações de Jesus —, o Papa Leão XIII (1878-1903) fez a solene Consagração do mundo ao Sagrado Coração de Jesus, acompanhado dos bispos de todo orbe, em 11 de junho de 1899, pouco depois da publicação da Encíclica Annum Sacrum (25 de maio de 1899). Ato de Consagração que o Papa classificou como sendo a maior obra de seu pontificado (vide no quadro da p. XX a fórmula da consagração escrita por Leão XIII).
No final da quinta parte do livro Em Defesa da Ação Católica (1943), de Plinio Corrêa de Oliveira, citando o Papa Pio XI, lemos:
“Nosso predecessor de feliz memória, Leão XIII, comprazia-se justamente, em sua Encíclica Annum Sacrum, com a admirável oportunidade do culto para com o Sagrado Coração de Jesus; por isto, não hesitava ele em dizer:
“‘Quando a Igreja, ainda próxima de suas origens, gemia sob o jugo dos Césares, uma cruz apareceu no céu a um jovem imperador [Constantino, 272 - 337]; ela era o presságio e a causa de um insigne e próximo triunfo. Hoje, um outro símbolo divino, presságio felicíssimo, aparece a nossos olhos: é o Coração Sacratíssimo de Jesus, encimado pela Cruz e resplandecendo com um brilho incomparável no meio das chamas. Devemos colocar nele todas as nossas esperanças; é a ele que devemos pedir a salvação dos homens, é dele que é preciso esperá-la’” (Encíclica Miserentissimus Redemptor, de 8 de maio de 1928).
E o Prof. Plinio comenta:
“Fala-se muito em ‘idade nova’ — ‘tempos novos’ — ‘ordem nova’. Queiram-no ou não o queiram nossos adversários, essa ‘idade nova’ será o reino do Sagrado Coração de Jesus, sob cuja suavíssima influência o mundo encontrará o único caminho de sua salvação. “Adoremos este Coração Sagrado, no qual a iconografia católica nos mostra a Cruz do sacrifício, da luta, do combate, da austeridade, assentando suas raízes no mais perfeito dos Corações, e iluminada pelas chamas purificadoras e deslumbrantes do amor.”[3]

Altar de Santa Margarita Maria Alacoque, com a urna com suas relíquias, na capela da Visitação de Paray-le-Monial 

 

“Sagrado Coração de Jesus e Maria”

Para melhor aquilatarmos a excelência dessa incomparável devoção ao adorável Coração de Jesus, recomendamos a leitura do artigo que segue. Nele, Plinio Corrêa de Oliveira expõe magistralmente a situação da sociedade decadente devido à crueldade, ao egoísmo e à dureza e frieza de coração do geral de nossos contemporâneos. E afirma que, para extirpar tais males, a salvação encontra-se na devoção ao Sagrado Coração de Jesus que arde de amor infinito pela humanidade, e que, apesar de nossas misérias, está sempre disposto a perdoar misericordiosamente, sobretudo se pedirmos a mediação do Imaculado Coração de Maria.
Concluímos afirmando com São João Eudes, fundador da Congregação de Jesus e Maria, que os Corações de Jesus e de Maria são um só, inseparáveis; de tal modo unidos pela fornalha ardente do Espírito Santo, que o santo fundador os invocava no singular: “Sagrado Coração de Jesus e Maria”.
____________
Notas: 1. Sainte Marguerite Marie, Sa vie écrite par elle-même, Edições Saint Paul, Paris, 1947, pp. 70-71. Imprimatur de M. P. Georgius Petit, Bispo de Verdun.
2. Essa confidente do Sagrado Coração de Jesus certa vez assinou com seu próprio sangue: “Irmã Margarida Maria, discípula do Divino Coração do Adorável Jesus”. A fim de melhor conhecer sua vida, vide Catolicismo, nº 498, junho/1992: https://catolicismo.com.br/Acervo/Num/0498/p01.html
3. Em Defesa da Ação Católica, Plinio Corrêa de Oliveira, 2ª edição, Artpress, São Paulo, 1983, pp. 335-336.

6 de junho de 2025

Devoção ao Sagrado Coração de Jesus — Segura salvação para a dureza moral nos corações


  Fonte: Editorial da revista Catolicismo, 894, junho/2025 

Em meio às borrascas desse mar revolto que é o mundo atual, anarquizado e na iminência de uma terceira grande guerra, se não nos atracarmos a um porto seguro, poderemos naufragar. Mas a Divina Providência nos orienta a um porto seguríssimo: a devoção ao Sagrado Coração de Jesus! Devoção considerada por muitos santos e teólogos como uma das mais preciosas graças com que a Santa Igreja tem sido reconfortada nos últimos séculos. 

Podem os mares encapelados, as tempestades do mundo, as provações desta vida e as tentações diabólicas abaterem-se sobre nós, mas se invocarmos com confiança e fervor Aquele Adorável Coração seremos salvos. Vítima dos pecados, das ingratidões, dos ultrajes, da dureza e frieza de coração, e de diversas outras misérias, perfurado pela lança de Longinus no alto do Calvário, d’Ele jorrou sangue para a Redenção do gênero humano. É a infinita misericórdia de Deus, que jamais nos abandona e está sempre disposto a curar todos os males, a sanar todas as crises de nossos dias, a perdoar os corações contritos e humilhados. 

Pintura com a Beata Maria do Divino Coração
e Santa Margarida Maria de Alacoque
em adoração ao Sagrado Coração de Jesus.
Importa destacar que o culto ao Sagrado Coração está intimamente vinculado à devoção ao Coração de Maria. Essa verdade levou o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a escrever: “No dia em que tivermos legiões de pessoas verdadeiramente devotas do Coração Imaculado de Maria, o Coração de Jesus reinará sobre o mundo inteiro.” 

É no intuito de colaborar para que essa incomparável devoção triunfe em todos os corações, a fim de que se restabeleça no mundo inteiro o Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo, que a equipe da revista Catolicismo* escolheu esse tema para matéria de capa de sua edição de junho [foto no topo] — mês consagrado especialmente ao Sagrado Coração de Jesus e no qual se completam exatamente 350 anos de sua principal aparição sobrenatural à sua confidente, Santa Margarida Maria Alacoque, no dia 16 de junho de 1675.


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* Para fazer uma assinatura da revista Catolicismo envie um e-mail para catolicismo@terra.com.br

6 de junho de 2024

Incomparável devoção para as atuais calamidades


S
endo o presente mês dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, apraz-nos transcrever, em Sua honra, um trecho de um artigo de Plinio Corrêa de Oliveira publicado na edição de junho de 1953 desta revista. 

Neste ano, no dia 7 de junho ocorre a celebração litúrgica (sempre na sexta-feira seguinte à Oitava de Corpus Christi) dessa devoção — primordial sobretudo nos presentes dias de calamidade moral e material — ao Coração de Jesus, “receptáculo de justiça e de amor”, como é invocado em sua ladainha. 


“O culto ao Sagrado Coração de Jesus foi considerado por todos os teólogos como uma das mais preciosas graças com que a Santa Igreja tem sido confortada nos últimos séculos. Destinava-se ela a reanimar nos homens o amor de Deus entorpecido pelo naturalismo da Renascença, pelos erros dos protestantes, jansenistas, deístas e racionalistas. 
No século passado, foi por meio desta devoção que o Apostolado da Oração produziu um admirável reflorescimento de vida religiosa em todo o mundo. E, como os males de que o Sagrado Coração de Jesus nos deve preservar crescem dia a dia, é evidente que dia a dia se acentua a atualidade desta incomparável devoção. 
Contudo, é preciso acrescentar que, na agravação dos males contemporâneos, a Providência como que quis superar a Si própria, apontando aos homens como alvo de sua piedade o Coração de Maria, que de certo modo requinta e leva à sua plenitude o culto ao Sagrado Coração de Jesus. 
Os estudos e a devoção cordimariana não são novos. Quer nos parecer, entretanto, que a simples leitura das mensagens de Fátima demonstra com quanta insistência Nossa Senhora os quer para nossos dias. A missão que Ela confiou à Irmã Lúcia foi especialmente a de ficar na Terra para atrair os homens ao Coração Imaculado de Maria. Várias vezes esta devoção é recompensada durante as visões.
Este Coração Santíssimo se apresenta mesmo, na segunda aparição, coroado de espinhos pelos nossos pecados, a pedir a oração reparadora dos homens. Parece-nos que este ponto como que compendia em si todos os tesouros das mensagens de Fátima.”

15 de junho de 2023

SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

Imagem venerada na Igreja do Sagrado Coração de Jesus em SP [Foto PRC] 

  Paulo Roberto Campos 

O mês de junho é dedicado pela Igreja ao Sagrado Coração de Jesus. Sua festa, neste ano, é celebrada no próximo dia 16. 

Essa festividade, que visa honrar o adorável Coração, foi aprovada pelo Papa Clemente XIII em 1765 para algumas dioceses. Depois foi estendida a toda a Igreja pelo Bem-aventurado Papa Pio IX, no dia 23 de agosto de 1856, com o decreto da Congregação dos Ritos. No começo do século XX, Leão XIII consagrou todo o gênero humano ao Sacratíssimo Coração de Jesus. Em 1928, Pio XI definiu a festa do Sagrado Coração como a característica de nossos tempos. 

No dia 16 de junho de 1675, aparecendo a Santa Margarida Maria Alacoque (1647-1690) no Convento da Visitação de Santa Maria, em Paray-le-Monial (França), e apontando para o Seu próprio coração, Nosso Senhor lhe disse: 

“Eis aqui o Coração que tanto amou os homens, que não poupou nada até esgotar-se e consumir-se, para testemunhar-lhes seu amor; e, por reconhecimento, não recebe da maior parte deles senão ingratidões, por suas irreverências, sacrilégios e pelas indiferenças e desprezos que têm por Mim no Sacramento do amor. Mas o que Me é ainda mais penoso é que corações que Me são consagrados agem assim. 

“Por isso, Eu te peço que a primeira sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento seja dedicada a uma festa especial para honrar meu Coração, comungando-se neste dia e fazendo-Lhe um ato de reparação, em satisfação das ofensas recebidas durante o tempo que estive exposto nos altares. Eu te prometo também que meu Coração se dilatará para distribuir com abundância as influências de seu divino amor sobre aqueles que Lhe prestem culto e que procurem que este Lhe seja prestado”.[1] 


Nosso Senhor prometeu a Santa Margarida Maria que concederia a graça da penitência final para todos aqueles que durante nove meses seguidos comungarem na primeira sexta-feira. Ou seja, não morrerão em pecado, recebendo a garantia da salvação eterna. Esta é conhecida como a “A Grande Promessa”,[2] embora existam outras 11 admiráveis promessas. 

Reveladas a Santa Margarida Maria Alacoque, as 12 Promessas do Sagrado Coração de Jesus são profundamente tocantes e sublimes. Convém que sejam meditadas pelo leitor, pois maior incentivo para o progresso na virtude e aumento do desejo de salvação parece impossível. 

1ª) Às pessoas consagradas ao meu Coração darei as graças necessárias para o seu estado;

2ª) Darei paz às suas famílias; 

3ª) Eu as consolarei nas suas aflições; 

4ª) Serei o seu amparo e seguro refúgio ao longo da vida e particularmente na hora da morte;

5ª) Derramarei bênçãos abundantes sobre os seus trabalhos diários; 

6ª) Os pecadores encontrarão no meu Coração a fonte e o oceano infinito de misericórdia; 

7ª) As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas; 

8ª) As almas fervorosas elevar-se-ão rapidamente a uma grande perfeição; 

9ª) Abençoarei os lares onde a imagem do meu Sagrado Coração esteja exposta e seja honrada; 

10ª) Darei aos sacerdotes a graça de mover os corações empedernidos; 

11ª) As pessoas que propaguem esta devoção terão o seu nome inscrito no meu Coração e dali nunca será apagado; 

12ª) E eu prometo [esta é conhecida como “a grande promessa”], no excesso de misericórdia do meu Coração, que o meu Amor Todo-Poderoso concederá a todos aqueles que comunguem nas nove primeiras sextas-feiras de cada mês de modo consecutivo, a graça da perseverança final, a salvação eterna. 



A primeira promessa sugere a consagração ao Sacratíssimo Coração de Jesus. Para aqueles que desejarem se consagrar, eis a fórmula composta por Santa Margarida Maria Alacoque: 

“Eu, [mencionar o nome], dou e consagro ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo minha pessoa e minha vida, minhas ações, penas e dores, não querendo servir-me de parte alguma de meu ser, senão para honrá-Lo, amá-Lo e glorificá-Lo. 

É esta a minha vontade irrevogável: pertencer-Vos e fazer tudo por vosso amor, renunciando completamente ao que não for do vosso agrado. 

Eu Vos tomo, pois, ó Sagrado Coração, por único objeto do meu amor, protetor de minha vida, segurança de minha salvação, remédio de minha fragilidade e inconstância, reparador de todos os meus defeitos e asilo seguro na hora da morte. 

Sede, ó Coração de bondade, minha justificação para com Deus vosso Pai, afastai de mim os castigos de vossa justa cólera. Ó Coração de amor, ponho em Vós toda a minha confiança, pois tudo receio de minha fraqueza e malícia, mas tudo espero da vossa bondade. 

Destruí em mim tudo o que vos possa desagradar ou resistir. Que o vosso puro amor se grave tão profundamente no meu coração, que eu não possa jamais vos esquecer, nem me separar de Vós. 

Suplico-vos também, por vossa suma bondade, que o meu nome seja escrito em Vosso Coração, pois eu quero fazer consistir toda minha felicidade e minha glória em viver e morrer convosco na qualidade de vosso escravo. Assim seja!”

22 de junho de 2022

Nossa Senhora como caminho para se chegar a Jesus Cristo


Para todas as almas apostólicas é de primordial importância o culto ao Imaculado Coração de Maria.

“No dia em que tivermos legiões de pessoas verdadeiramente devotas do Coração Imaculado de Maria, o Coração de Jesus reinará sobre o mundo inteiro. Com efeito, essas duas devoções não se podem separar. A devoção a Maria Santíssima é a atmosfera própria da devoção a Nosso Senhor. O verão traz as flores e os frutos. A devoção a Nossa Senhora gera como fruto necessário o amor sem reservas a Nosso Senhor Jesus Cristo.”

✅  Plinio Corrêa de Oliveira

“Legionário”, 30 de julho de 1944

Imagem da Capela de Nossa Senhora,
 a Branca – Catedral de Santo Estêvão,
Bourges (França)
[Foto: Frederico Viotti]

O
Revmo. Sr. Pe. Raimundo Pujol, Provincial dos Missionários do Coração Imaculado de Maria, deu a lume uma obra sobre a devoção básica da gloriosa Congregação a que pertence. Gostaríamos que o belo e prático volume editado pela “Ave Maria” estivesse em mãos de todos os católicos verdadeiramente piedosos, autenticamente interessados nos destinos da Igreja em nossos dias.

“Dos católicos verdadeiramente piedosos”, dizíamos. Com efeito, toda a piedade verdadeira tem por objetivo dar glória a Deus e conduzir o homem à virtude. Para uma e outra coisa, que aliás se confundem, a devoção ao Coração Imaculado de Maria é um verdadeiro dom da Providência a este pobre e dilacerado século.

Nossa Senhora é a Medianeira de todas as graças. Querer rezar sem a intercessão dela é o mesmo que pretender voar sem asas, diz Dante. Se desejamos que nossos atos de amor, de louvor, de ação de graças e de reparação cheguem até o trono de Deus, devemos depositá-los nas mãos de Maria Santíssima.

Seria ridículo imaginar que Nossa Senhora constitui um desvio, e que atingimos mais diretamente a Deus se não nos dirigirmos a Ela. O contrário é que é verdade. Só por meio dela é que chegamos a Deus. Prescindir de Nossa Senhora para chegar a Jesus Cristo, sob o especioso pretexto de que Nossa Senhora constitui um anteparo entre nós e Seu Divino Filho, é tão estulto como pretender analisar os astros sem telescópio, “diretamente”, por imaginar que o cristal das lentes constitui um anteparo entre os astros e nós. Quem quisesse fazer astronomia “diretamente”, a olho nu, não faria astronomia, mas tolice. Pretender ter vida de piedade sem o auxílio de Nossa Senhora, é o mesmo que fazer astronomia a olho nu.

O mesmo se diga quanto ao papel de Nossa Senhora em nossa santificação. Não são poucos os católicos que, verificando a imensa desproporção existente entre a debilidade das forças humanas e a dureza da luta que a preservação da virtude impõe, se deixam arrastar a uma moral latitudinária, minimalista, cheia de transações com o espírito do século. E, para isto, os pretextos, as razões falsas, porém verossímeis, não lhes faltam. Apelam para a fraqueza moral do homem contemporâneo, para as mil dificuldades que a civilização moderna cria para a prática da virtude etc., etc. De uma coisa, entretanto, se esquecem: por mais fraco que seja o homem, a graça de Deus é invencível. Quando a graça de Deus encontra o apoio de uma correspondência generosa no homem ela pode milagres. “Tudo posso n´Aquele que me conforta”, escreveu São Paulo.

*   *   *


Com o auxílio de Deus as crianças, as donzelas, os anciãos enfrentavam no Coliseu os mais terríveis tormentos. Será possível que o cristão católico de nossos dias não possa enfrentar os perigos da civilização moderna?

A questão, para dilatarmos as fronteiras da Santa Igreja, por todo o universo, não consiste em afrouxarmos a invencível doutrina de Jesus Cristo. Saibamos viver a vida da graça com a plena correspondência de nosso livre arbítrio. Saibamos procurar a graça nas fontes onde realmente ela jorra, e com o auxílio dela tornemo-nos fortes para todas as austeridades que o Espírito Santo de nós exige. Entre essas fontes da graça, está sem dúvida, em lugar relevantíssimo, a devoção ao Coração Imaculado de Maria.

Na Sagrada Escritura encontramos esta frase: “Porque foram fracos, eu lhes abri uma porta que ninguém poderá fechar”. Esta porta aberta para a fraqueza do homem contemporâneo é o Coração Imaculado de Maria.

Com efeito, nada nos pode dar maior confiança, esperança mais fundada, estímulo mais certo, do que a convicção de que em todas as nossas misérias, em todas as nossas quedas, não temos apenas, a nos olhar com o rigor de Juiz, a infinita Santidade de Deus, mas também o coração cheio de ternura, de compaixão, de misericórdia, de nossa Mãe Celeste. Onipotência Suplicante, Ela saberá conseguir para nós tudo quanto nossa fraqueza pede para a grande tarefa de nosso reerguimento moral.

Com este coração, todos os terrores se dissipam, todos os desânimos se esvaem, todas as incertezas se desanuviam. O Coração Imaculado de Maria é a Porta do Céu aberta de par em par aos homens de nosso tempo, tão extremamente fracos. E esta porta “ninguém a poderá fechar”, nem o demônio, nem o mundo, nem a carne.

Fazer apostolado é, essencialmente, salvar almas. Aos que se interessam pelo apostolado nada deve importar mais do que o conhecimento das devoções providenciais com que o Espírito Santo enriquece a Santa Igreja em cada época, para a utilidade das almas. O Sumo Pontífice atualmente reinante [Pio XII] aponta duas devoções: a do Sagrado Coração de Jesus, a do Coração Imaculado de Maria.

Aparecendo em Fátima, Nossa Senhora disse textualmente aos Pastorzinhos que uma intensa devoção ao Coração Imaculado de Maria seria o meio de salvação do mundo contemporâneo. Milagres sem conta têm atestado a autenticidade da mensagem celeste. Não nos resta, senão confortarmo-nos ao ditame que dela decorre.

Se essa é a salvação do mundo, se queremos salvar o mundo, apregoemos o meio providencial para sua salvação. No dia em que tivermos legiões de pessoas verdadeiramente devotas do Coração Imaculado de Maria, o Coração de Jesus reinará sobre o mundo inteiro. Com efeito, essas duas devoções não se podem separar. A devoção a Maria Santíssima é a atmosfera própria da devoção a Nosso Senhor. O verão traz as flores e os frutos. A devoção a Nossa Senhora gera como fruto necessário o amor sem reservas a Nosso Senhor Jesus Cristo. E, no dia em que o mundo inteiro voltar a Jesus por Maria, o mundo estará salvo. Para todas as almas apostólicas é, portanto, de primordial importância o culto ao Imaculado Coração de Maria.

*   *   *

Temos falado constantemente em “verdadeira” devoção. Com efeito, não nos bastam as devoções externas, formais, convencionais. É preciso que a devoção seja esclarecida, inteligente, sensata, fecunda. Ela deve resultar de persuasões firmes, gerar resoluções duráveis.

O livro do Revmo. Sr. Pe. Raimundo Pujol, em linguagem atraente e edificante, chega precisamente a este resultado. Escrito com muita suavidade de estilo, ele é, entretanto, altamente substancioso, e contém todos os elementos de um estudo lógico, claro, rico, a respeito da devoção ao Coração de Maria.

Este livro não é apenas uma série de ditirambos, mas uma doutrina substanciosa, que se pode compreender, assimilar, admirar. Lendo-o, estudando-o adquirem-se os conhecimentos necessários para que a devoção ao Coração de Maria deite em nosso espírito as raízes sólidas de que carece. Quer quanto ao histórico dessa devoção, quer quanto aos seus fundamentos dogmáticos e sua importância em nossos dias, o Revmo. Pe. Raimundo Pujol dá a conhecer ao público tudo quanto é desejável [“O Coração de Maria e a hora presente”, Editora Ave Maria, 1944, 91 páginas].

Para a propagação do culto ao Coração Imaculado da Santa Mãe de Deus, os filhos do Beato Claret [canonizado por Pio XII a 7 de maio de 1950] acabam de dar, portanto, mais um grande tributo pela pena de seu ilustrado e douto Provincial.

21 de junho de 2022

O ADORÁVEL SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

 


A devoção ao Sacratíssimo Coração é admiravelmente enriquecida quando unida à devoção ao Imaculado Coração de Maria, pois Ela é o caminho mais seguro, fácil e rápido para se chegar ao nosso Divino Redentor.

  Paulo Roberto Campos

 

“O culto ao Sagrado Coração é a quintessência do cristianismo, o compêndio e sumário de toda a Religião”, escreveu de modo lapidar o Bispo de Poitiers, Louis-Édouard François Désiré Pie (1815-1880), mais conhecido como Cardeal Pie, por quem São Pio X nutria grande admiração.

Entre as numerosas recomendações de papas e santos mostrando a importância primordial dessa devoção, podemos citar, a título de exemplo, as palavras do Bem-aventurado Pio IX (1846-1878) ao fundador dos Missionários do Coração de Jesus, Padre Jules Chevalier: “A Igreja e a sociedade não têm outra esperança senão no Sagrado Coração de Jesus; é Ele que curará todos os nossos males. Pregai e difundi por todas as partes a devoção ao Sagrado Coração, ela será a salvação para o mundo”.1

Amor divino respondido com a ingratidão humana

Convento da Visitação de Santa Maria, em Paray-le-Monial
O mês de junho é consagrado ao Sagrado Coração de Jesus, cuja festa solene se celebra na sexta-feira seguinte à Oitava de Corpus Christi — portanto, neste ano, no dia 24. A Santa Igreja a estabeleceu como uma extensão da comemoração de Corpus Christi (16 de junho). 

Metaforicamente, o substantivo “coração” é empregado para simbolizar valores de ordem moral — a pureza, por exemplo: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus!” (Mt 5, 8). Mas simboliza sobretudo o extremo amor d’Aquele que disse: “Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque Eu sou manso e humilde de coração” (Mt 11, 29). É o amor de Jesus Cristo por seus filhos, duros de coração, mas aos quais Ele se ofereceu como vítima para os redimir e salvar eternamente.

Esse sublime aspecto nos é apresentado pela iconografia com a imagem de Nosso Senhor apontando seu Coração, em recordação ao que Ele disse a Santa Margarida Maria Alacoque (1647-1690) [vide quadro no final deste artigo] no dia 16 de junho de 1675 no Convento da Visitação de Santa Maria, em Paray-le-Monial [foto ao lado], quando lamentou:

         “Eis aqui o Coração que tanto amou os homens, que não poupou nada até se esgotar e se consumir, para lhes testemunhar seu amor; e, por reconhecimento, não recebe da maior parte deles senão ingratidões, por suas irreverências, sacrilégios e pelas indiferenças e desprezos que têm por Mim no Sacramento do amor. Mas o que Me é ainda mais penoso é que corações que Me são consagrados agem assim.”2

“A Grande Promessa” do Sagrado Coração de Jesus

Aparição do Sagrado Coração
 de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque
Justamente para desagravar as ofensas contra seu Divino Coração, Nosso Senhor orientou essa mesma santa — cuja vida foi inteiramente voltada para o culto do Sagrado Coração e, sempre aconselhada por São Cláudio la Colombière, tudo fez para expandir essa sacratíssima devoção — a incentivar em todos os católicos o piedoso hábito da comunhão reparadora das primeiras sextas-feiras de cada mês. Ele prometeu que concederia a graça da salvação eterna a todos aqueles que durante nove meses seguidos comungassem na primeira sexta-feira especialmente para desagravá-Lo. Ou seja, quem cumprisse esse seu desejo não morreria em pecado e teria garantida sua felicidade eterna no Céu. Para alcançar tamanha graça, contudo, há também a obrigação de não transgredir os 10 Mandamentos da Lei de Deus. Essa garantia de salvação eterna é conhecida como a “A Grande Promessa” do Sagrado Coração.

Eis as palavras divinas dirigidas à Santa Margarida:

“Por isso, Eu te peço que a primeira sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento seja dedicada a uma festa especial para honrar meu Coração, comungando-se neste dia e fazendo-Lhe um ato de reparação, em satisfação das ofensas recebidas durante o tempo que estive exposto nos altares. Eu te prometo também que meu Coração se dilatará para distribuir com abundância as influências de seu divino amor sobre aqueles que Lhe prestem culto e que procurem que este Lhe seja prestado.”3

         Além do santo costume da comunhão reparadora recomenda-se, de modo muito especial a cada um individualmente e a toda família, a consagração ao Sagrado Coração de Jesus. Há uma bela e muito inspirada consagração a Ele, composta pela grande santa de Paray-le-Monial, que propomos aos nossos leitores e às suas famílias. [vide quadro no final deste artigo].


Nossa Senhora inseparavelmente unida a Jesus Cristo

Em sua encíclica Haurietis Aquas, publicada em 1956, ano do centenário da extensão para toda a Igreja da festa litúrgica do Sagrado Coração de Jesus, o Papa Pio XII escreveu de maneira magistral:

“O Coração do nosso Salvador reflete de certo modo a imagem da Divina Pessoa do Verbo, e, igualmente, das suas duas naturezas: humana e divina; e n’Ele podemos considerar não só um símbolo, mas também como que um compêndio de todo o mistério da nossa Redenção. Quando adoramos o Coração de Jesus Cristo, nele e por ele adoramos tanto o amor incriado do Verbo divino quanto o seu amor humano e os seus demais afetos e virtudes, já que um e outro amor moveu o nosso Redentor a imolar-se por nós e por toda a Igreja, sua Esposa.”4

A Providência Divina dispôs que a Santíssima Mãe de Jesus fosse Medianeira universal de todas as graças. Ou seja, ninguém recebe graça alguma a não ser por meio d’Ela. Assim, se quisermos atendê-Lo e acrisolar a nossa devoção ao seu Sacratíssimo Coração, devemos ter uma especial devoção ao Imaculado Coração de Maria. Duas devoções inseparáveis, a tal ponto de São João Eudes, fundador da Congregação de Jesus e Maria, ensinar que ambas as devoções poderiam resumir-se em uma só, sintetizada na jaculatória “Sagrado Coração de Jesus e Maria”, de tal modo ambos os corações estão unidos.

Na mesma encíclica Haurietis Aquas, Pio XII recomenda: “A fim de que a devoção ao Coração augustíssimo de Jesus produza frutos mais copiosos na família cristã, e mesmo em toda a humanidade, procurem os fiéis unir a ela estreitamente a devoção ao Coração Imaculado da Mãe de Deus. Foi vontade de Deus que, na obra da Redenção humana, a Santíssima Virgem Maria estivesse inseparavelmente unida a Jesus Cristo; tanto que a nossa salvação é fruto da caridade de Jesus Cristo e dos seus padecimentos, aos quais foram intimamente associados o amor e as dores de sua Mãe. Por isso, convém que o povo cristão –– que de Jesus Cristo, por intermédio de Maria, recebeu a vida divina –– depois de prestar ao Sagrado Coração o devido culto, renda também ao amantíssimo Coração de sua Mãe celestial os correspondentes obséquios de piedade, amor, agradecimento e reparação. Em harmonia com este sapientíssimo e suavíssimo desígnio da Divina Providência, Nós mesmo, por ato solene, dedicamos e consagramos a santa Igreja e o mundo inteiro ao Coração Imaculado da Santíssima Virgem Maria.”5

A plenitude do culto ao Sagrado Coração de Jesus

         No mesmo sentido apontado na citada encíclica, Plinio Corrêa de Oliveira escreveu, em artigo publicado em 2-6-1946 no semanário “Legionário”: “A ideia do culto ao Coração Imaculado de Maria se relaciona com a mediação universal. Assim como no culto do Sagrado Coração de Jesus se tem em vista o íntimo do mistério de Cristo, o seu aspecto mais profundo de Redentor, assim também no culto ao Coração de Maria se tem em vista o íntimo do mistério da Mãe de Deus, pelo qual se acha em união necessária com seu Filho e assim é a mediadora de todas as graças.”

         No mesmo “Legionário”, em matéria de 30 de julho de 1944, o saudoso escritor católico, o principal colaborador de Catolicismo, havia desenvolvido de modo mais aprofundado o comentário acima, afirmando que a devoção ao Coração de Maria leva à sua plenitude o culto ao Sagrado Coração de Jesus. [Nota: Reproduzimos tal matéria no post que faremos amanhã neste Blog da Família]. 

Fátima e o Sagrado Coração de Jesus e Maria

        

Em Fátima se inculca, com expressiva insistência,
 a devoção ao Sagrado Coração de Jesus.
 Nas fotos, a imagem de Nossa Senhora percorre a esplanada do santuário,
no centro da qual se encontra a imagem dourada
do Sagrado Coração, no alto de uma esguia coluna.
 
Encerramos as considerações sobre essas devoções — essenciais e perfeitas, sobretudo para os nossos conturbados tempos de impiedade e de catástrofes morais e materiais, agravadas pela guerra em curso no Leste europeu que poderá se alastrar pelo mundo — reproduzindo trecho de outro artigo do Prof. Plinio, publicado na edição de Catolicismo de junho de 1953:

 Em Fátima se inculca igualmente, com expressiva insistência, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, que, ela também, tem sido posta na penumbra por certa tendência de espiritualidade muito em voga em nossos dias.

O culto ao Sagrado Coração de Jesus foi considerado por todos os teólogos como uma das mais preciosas graças com que a Santa Igreja tem sido confortada nos últimos séculos. Destinava-se ela a reanimar nos homens o amor de Deus entorpecido pelo naturalismo da Renascença, pelos erros dos protestantes, jansenistas, deístas e racionalistas.

No século passado, foi por meio desta devoção que o Apostolado da Oração produziu um admirável reflorescimento de vida religiosa em todo o mundo. E, como os males de que o Sagrado Coração de Jesus nos deve preservar crescem dia a dia, é evidente que dia a dia se acentua a atualidade desta incomparável devoção.

Contudo é preciso acrescentar que, na agravação dos males contemporâneos, a Providência como que quis superar a si própria, apontando aos homens como alvo de sua piedade o Coração de Maria, que de certo modo requinta e leva à sua plenitude o culto ao Sagrado Coração de Jesus.

Os estudos e a devoção cordimariana não são novos. Quer nos parecer, entretanto, que a simples leitura das mensagens de Fátima demonstra com quanta insistência Nossa Senhora os quer para nossos dias. A missão que Ela confiou à Irmã Lúcia foi especialmente a de ficar na Terra para atrair os homens ao Coração Imaculado de Maria. Várias vezes esta devoção é recompensada durante as visões. Este Coração Santíssimo nos aparece mesmo, na segunda aparição, coroado de espinhos pelos nossos pecados, a pedir a oração reparadora dos homens. Parece-nos que este ponto como que compendia em si todos os tesouros das mensagens de Fátima."

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Notas:

1. Pe. Jules Chevalier, Le Sacré-Coeur de Jésus, Retaux-Bray, Paris, 1886, p. 382.

2. Sainte Marguerite Marie, Sa vie écrite par elle-même, Edições Saint Paul, Paris, 1947, p. 70. Imprimatur de M. P. Georgius Petit, Bispo de Verdun.

3. Op. cit. p. 71.

4. Encíclica de Pio XII, Haurietis Aquas (15-05-1956), Sobre o culto do Sagrado Coração de Jesus, Editora Vozes Ltda, Petrópolis, 1959, p. 31.

5. Op. cit. p. 47.

* Matéria publicada na Revista Catolicismo, Nº 858, Junho/2022.

 



CONSAGRAÇÃO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

[Composta por Santa Margarida Maria Alacoque]

 

Eu, [mencionar o nome], dou e consagro ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo minha pessoa e minha vida, minhas ações, penas e dores, não querendo servir-me de parte alguma de meu ser, senão para honrá-Lo, amá-Lo e glorificá-Lo.

É esta a minha vontade irrevogável: pertencer-Vos e fazer tudo por vosso amor, renunciando completamente ao que não for do vosso agrado.

Eu Vos tomo, pois, ó Sagrado Coração, por único objeto do meu amor, protetor de minha vida, segurança de minha salvação, remédio de minha fragilidade e inconstância, reparador de todos os meus defeitos e asilo seguro na hora da morte.

Sede, ó Coração de bondade, minha justificação para com Deus vosso Pai, afastai de mim os castigos de vossa justa cólera. Ó Coração de amor, ponho em Vós toda a minha confiança, pois tudo receio de minha fraqueza e malícia, mas tudo espero da vossa bondade.

Destruí em mim tudo o que Vos possa desagradar ou resistir. Que o vosso puro amor se grave tão profundamente no meu coração, que eu não possa jamais Vos esquecer, nem me separar de Vós.

Suplico-Vos também, por vossa suma bondade, que o meu nome seja escrito em vosso Coração, pois eu quero fazer consistir toda a minha felicidade e minha glória em viver e morrer convosco na qualidade de vosso escravo. Assim seja!




SANTA MARGARIDA MARIA ALACOQUE

Confidente do Sagrado Coração de Jesus

 

            Essa grande santa visitandina nasceu em Verosvres (França), em 22-7-1647, e três dias depois recebeu o batismo.

            Ainda muito pequena, bastava alguém dizer-lhe que tal coisa ofendia a Deus, para que ela compreendesse imediatamente que não se devia fazer. A menina Margarida Maria rezou certo dia: “Ó meu Deus, eu Vos consagro minha pureza e Vos faço o voto de castidade perpétua”. Mais tarde, ela própria disse que não sabia o que significava “voto de castidade perpétua”, mas sentiu-se inspirada a fazer essa consagração.

            Quando contava oito anos, devido à morte de seu pai, passou dois anos como aluna no convento das clarissas, em Charolles, e fez ali sua primeira comunhão. Vendo o bom exemplo das religiosas, nasceu em sua alma a vocação religiosa.

            Como um indício da grande vocação a que ela era chamada, é oportuno lembrar um fato de sua vida: muito devota da Santíssima Virgem, rezava todos os dias o terço de joelhos. Mas um dia rezou-o sentada. Nossa Senhora apareceu-lhe e a repreendeu: “Estranho muito, minha filha, que me sirvas com tanto desleixo”.

Mais tarde, quando manifestou a familiares seu desejo de ser religiosa, esses pressionaram-na para que entrasse no convento das ursulinas. Ela respondia: “Eu quero ir às visitandinas, em um convento bem longe, onde não tenha nem parentes nem conhecidas, porque não quero ser religiosa senão por amor de Deus”.

            Afinal, aos 24 anos, seu desejo se cumpriu, depois de 10 anos de provações. Entrou no convento das visitandinas de Paray-le-Monial da Ordem da Visitação de Santa Maria — instituição religiosa fundada por São Francisco de Sales (1567-1622) e Santa Joana de Chantal (1572-1641). Esse convento francês fora escolhido por Nosso Senhor para, a partir daí, mais intensamente expandir pelo mundo inteiro a devoção a seu Sacratíssimo Coração.

            Como religiosa nesse convento, por três ocasiões sucessivas o Divino Redentor apareceu-lhe com o Sagrado Coração à mostra, fez-lhe ver o desejo ardente que tinha de salvar os pecadores e pediu a instituição de uma festa litúrgica para honrá-Lo, bem como a comunhão reparadora das primeiras sextas-feiras do mês.

Tal missão não se realizaria senão com muitas lutas e sofrimentos. Ela era criticada dentro e fora do convento. Internamente, criticava-se tal devoção como sendo uma “novidade extravagante”; externamente, era criticada pelos jansenistas(*) — os progressistas da época. Esses atacavam virulentamente o culto ao Sagrado Coração e à Eucaristia.

            Entretanto, o Divino Redentor quis servir-se da santa religiosa visitandina para difundir universalmente a devoção. Após sua morte, em 1690, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus estendeu-se muito, não apenas na França, mas por outros países. Ela foi canonizada em 1920, pelo papa Bento XV (**).

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(*) Jansenismo: heresia que constituiu uma corrente semi-protestante no interior da Igreja. Era de um rigorismo hirto e despropositado. Foi instituída pelo holandês Cornélio Jansênio, bispo de Ypres (1636). Este negava a infinita misericórdia de Deus e defendia a predestinação. Tal heresia foi condenada por diversos Papas, entre os quais Inocêncio X, pela bula papal Cum occasione (1653).

(**) Cfr. Vie et Révélations de Sainte Marguerite-Marie Alacoque écrites par elle-même, Imprimerie St-Paul, Bar-le-Duc, França, 1947; e 

http://www.corazones.org/santos/margarita_maria_alacoque_escritos.htm.

6 de junho de 2022

A plenitude do culto ao Sagrado Coração de Jesus

 


O Sacratíssimo Coração de Jesus, formado pelo Espírito Santo no seio da Virgem Mãe, é fonte de vida, consolação e santidade, é o que há de mais precioso na Cristandade e a solução para as desordens do mundo! 


Fonte: Revista Catolicismo, Nº 858, Junho/2022 

Não constitui novidade para ninguém, genericamente falando, reconhecer que nossos contemporâneos não correspondem ao sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo na Cruz para nos salvar, pois a humanidade vive enchafurdada no vício, na amoralidade, na corrupção, na devassidão, na desonra, na deterioração de todas as coisas. 

Apesar de nosso Divino Salvador ter lamentado sobre a utilidade de seu Preciosíssimo Sangue, ele não correu em vão. Muito pelo contrário, produziu frutos admiráveis ao longo da História. Dele brotaram maravilhosas épocas de fé, numerosas epopeias, inúmeras almas santas, profetas, grandes papas, reis e teólogos, enfim, grandes personagens. Gerou sobretudo a Cristandade. 

Mas, ao nos reportarmos ao nosso século, onde encontrar esses grandes santos? É triste e desolador procurar e não os achar... Há remédio para tal desolação? Sem dúvida! 

Ele se resume numa só frase: “Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua mente, e com todas as tuas forças” (Mc 12, 30). Foi a resposta de Nosso Senhor ao ser perguntado qual era o primeiro de todos os Mandamentos. 

Quem ousaria dizer que o geral dos homens de nossos dias cumpre esse Mandamento? Entretanto, caso o cumprisse integralmente, a humanidade seria salva, tudo se resolveria, os males seriam sanados; mesmo continuando a viver com as dificuldades inerentes a este Vale de Lágrimas, conviveríamos com muitos aspectos que seriam reflexos do Paraíso terrestre. 

O Bem-aventurado Pio IX foi categórico ao ensinar: “Pregai e difundi por todas as partes a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, ela será a salvação para o mundo”

É com essa esperança que a revista Catolicismo deste mês publica como matéria de capa algumas considerações sobre o adorável Coração de nosso Divino Redentor. 

Publicação feita na esperança de, atendendo ao pedido do Papa Pio IX, poder colaborar na obra de salvação do mundo. O geral dos homens amaria de todo coração a Deus sobre todas as coisas, e depois d’Ele, amaria Nossa Senhora sobre todas as coisas. 

É o que recomendam muitos papas e santos — unir a devoção ao Sagrado Coração de Jesus à devoção ao Imaculado Coração de Maria —, como o leitor poderá constatar ao longo da referida matéria. 

Ou seja, perceberão tratar-se de devoções inseparáveis de corações inseparáveis, de tal modo que, ao recorrermos a Deus por meio de sua Santíssima Mãe, eleita para ser nossa Medianeira, Ele nos ouvirá com muito mais agrado e nos atenderá muito mais rapidamente.