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13 de abril de 2026

Pesquisas revelam o que os americanos pensam sobre questões morais

 


✅  Plinio Maria Solimeo

Com uma população estimada em 2025 entre 341,7 e 347,2 milhões de habitantes — crescimento esse impulsionado principalmente pela imigração, apesar da baixa taxa de natalidade e das mortes —, a sociedade americana está bastante dividida entre conservadores, liberais e moderados. Os primeiros geralmente se concentram no Partido Republicano e têm obtido aproximadamente 38% da intenção de votos contra 24% dos representantes do Partido Democrata. Os moderados oscilam entre um e outro.

Nos últimos 30 anos a polarização nos Estados Unidos atingiu níveis críticos, com os Democratas movendo-se cada vez mais para a esquerda e os Republicanos mais para a direita. Por isso a oposição entre os dois partidos cresceu também, indo além da compreensível incompatibilidade entre inimigos existenciais e opositores, para muitas vezes chegar a afetar até a governabilidade do país. Isso se torna manifesto, por exemplo, quando se trata da aprovação da lei orçamentária do governo pelas duas casas do Congresso.

Por causa da constante desavença entre republicanos e democratas, isso pode gerar uma paralisação ou shutdown na aprovação do orçamento. Foi o que ocorreu concretamente no ano passado quando, devido a um impasse político entre o Congresso e o Poder Executivo, o shutdown forçou o governo a paralisar suas atividades não essenciais pelos 43 dias que durou o impasse. 

Essa polarização entre os americanos é mostrada pelo Pew Research Center[i] em interessante reportagem com o título Republicanos e Democratas diferem profundamente em questões sobre o aborto, a homossexualidade e a pena de morte são moralmente errados”, baseado em duas pesquisas feitas por experientes membros desse instituto, respectivamente de 24 a 30 de março do ano passado com 3.605 americanos adultos, e de 5 a 11 de maio do mesmo ano com 8.937, sobre o que pensam sobre problemas morais.

Essas entrevistas foram feitas com diferentes grupos de americanos divididos por idade, sexo etc. das quais só apresentaremos algumas por questão de espaço.

 

O que pensa a generalidade dos americanos sobre os problemas morais

O Pew Research, falando dos americanos em geral, afirma: Em uma ampla gama de questões, os americanos expressam visões moralmente permissivas. Dá como exemplo que 91% deles afirmam que usar contraceptivos para evitar a gravidez não é moralmente errado, 40% acham que é moralmente aceitável, 51% pensam que não é uma questão moral, enquanto só 8% julgam que é moralmente errado.

Já com relação ao adultério eles são em geral mais conservadores, pois 90% julgam-no moralmente errado, contra 9% para os quais não o é, enquanto apenas 7% afirmam que é aceitável.

À pergunta sobre se é moralmente errado ver pornografia, o número dos que concordam com essa afirmação é de apenas 52%, contra 47% que afirmam que não é moralmente errado, 31% julgam que não se trata de uma questão moral, e 15% que afirmam que é moralmente aceitável.

Sobre o aborto, apenas 47% dos entrevistados julgam-no moralmente errado. Somando-se os 52% dos que julgam que não o é aos 21% que lhe são favoráveis e aos 31% que afirmam que não é uma questão moral, temos que, no fundo, a grossa maioria dos americanos é favorável ao aborto.

Com relação à homossexualidade, apenas 39% dos entrevistados mostraram-se contrários. Uma maioria de 60% julga que não é moralmente errado, ou seja, não são contra, 23% são declaradamente a favor e 37% que isso não é uma questão moral.

Também sobre a eutanásia, uma grossa maioria de 63% julga que não é moralmente errada, 34% julgam-na moralmente aceitável, 29% dizem que ela não implica em questão moral e apenas 35% lhe são contrários.

Quanto à pena de morte, 64% dos entrevistados julgam-na moralmente certa, 38% moralmente aceitável e 26% que não se trata de uma questão moral. Apenas 34% julgam-namoralmente condenável.

A outra estatística que nos interessa é a sobre o divórcio. Como era de se esperar num mundo tão corrompido como o nosso, uma maioria de 76% considera que não é moralmente errado, 31% que é moralmente aceitável, 45% que não implica uma questão moral, e apenas 23% afirmam que ele é moralmente errado.

 

O que pensam os jovens entre 18 e 29 anos

Em vários pontos, os jovens entre 18 e 29 anos se mostram mais conservadores do que os mais velhos. Por exemplo, na questão do divórcio, da fertilização in vitro e dos anticonceptivos lideram os que julgam que isso é moralmente errado.

Já com relação ao aborto, ao adultério, à eutanásia e à homossexualidade, eles são mais complacentes que seus maiores.

Por outro lado, na questão da pena de morte eles a rejeitam mais que os mais velhos, influenciados pela propaganda da esquerda e de certos púlpitos.

É interessante notar que, segundo o levantamento do Cooperative Election Study (CES) — uma das mais abrangentes pesquisas eleitorais e populacionais do país —, 21% dos integrantes da Geração Z declaram-se católicos, superando os 19% que se identificam como protestantes. Essa inversão quebra uma hegemonia protestante que vigorava há séculos.

 

Como vota cada sexo

É curioso verificar que em várias questões os homens se mostram mais conservadores que as mulheres. Por exemplo, 28% deles julga que o divórcio é moralmente errado, o que ocorre apenas com 19% das mulheres. Do mesmo modo, 51% deles julgam que o aborto também é moralmente errado, enquanto o número de mulheres que compartem essa opinião perfaz 44%. No tocante à homossexualidade, 43% dos homens consideram-na moralmente errada, contra 37% das mulheres.

Essa tendência se manifesta em outros pontos morais, como a fertilização in vitro, uso de anticoncepcionais, eutanásia, adultério etc. nos quais os homens são sempre mais conservadores que as mulheres.

 

O que pensam Republicanos e Democratas

A respeito do aborto é que há mais radicalização entre os dois partidos. Enquanto somente 24% dos Democratas o consideram errado, 71% dos Republicanos são contrários ao assassinato de inocentes.

Para 59% dos Republicanos o homossexualismo é condenável, apenas 20% dos Democratas têm a mesma opinião. 65% dos Republicanos julgam errado ver pornografia, número que cai para 39% entre os Democratas.

O uso de contraceptivos é apoiado ou visto com indiferença tanto por democratas — dos quais só 7% o julgam moralmente errado — quanto por republicanos (9%).

Há menor rejeição por parte dos dois partidos com relação à eutanásia, sendo que só a acham moralmente errada 48% dos republicanos e 23% dos democratas.

Já com relação ao adultério, a diferença entre os dois partidos na sua condenação é pequena: 93% dos republicanos, e 88% dos democratas.

O divórcio, como se podia esperar nesta época de quase amor livre, é rejeitado apenas por 33% dos republicanos, que o acham moralmente errado, e por 13% dos democratas.

O que surpreende é que 48% dos republicanos achem a pena de morte moralmente errada, enquanto só 20% dos democratas a condenem.

 

O fator religioso que deveria orientar os votos

Não sabemos até que ponto o fator religioso influenciou a votação das pessoas nessas pesquisas. Pois, tanto para os católicos quanto para protestantes conservadores, esse fator deveria ter pesado.

Segundo dados recentes do Pew Research Center, as igrejas evangélicas históricas e pentecostais têm apresentado uma queda contínua, especialmente entre jovens e adultos até 40 anos, sobretudo pela desfiliação religiosa e rejeição à politização das igrejas. Enquanto o catolicismo apresenta uma estabilidade relativa, sustentada principalmente pela imigração latina, que mantém o número absoluto de católicos.

Somando-se as inúmeras seitas protestantes, estas representam ainda 40% da população americana, enquanto os católicos representam somente 20%. Contudo, os Estados Unidos têm a quarta maior população de católicos do mundo, com 53 milhões de fiéis.

Se as pesquisas tivessem sido feitas exclusivamente com estes, o resultado teria sido muito diferente? Tememos que não. Pois hoje em dia, com a decadência religiosa e o esquecimento dos princípios morais mais comezinhos, o casamento em declínio sendo substituído por uniões ilícitas mais em uso, é cada vez menor o número de católicos que ainda pautam sua vida segundo os princípios da Santa Igreja.

Para ilustrar nossos leitores, vamos lembrar o que diz a Doutrina Católica sobre os vários pontos abordados, seguindo o Terceiro Catecismo da Doutrina Cristã, ou Catecismo Maior de São Pio X.

Aborto – Pílulas abortivas

Está condenado no 5º. Mandamento da Lei de Deus, não matar, porque o aborto espontâneo é um verdadeiro assassinato de inocentes perpetrado pela própria mãe. E, sendo um homicídio voluntário, classifica-se como um dos “pecados que bradam ao Céu e pedem à Deus por vingança”, pois sua malícia é tão grave e manifesta, que provoca o mesmo Deus a puni-lo com os mais severos castigos

Homossexualismo

Por ser um ser um ato sensual contra a natureza, também é um dos pecados que bradam ao Céu e pedem a Deus por vingança.

Adultério – relações extramatrimoniais

A infidelidade matrimonial está condenada pelo 6º. Mandamento da Lei de Deus “não pecar contra a castidade”, e pelo 9º. “Não desejar a mulher do próximo” que, segundo o Catecismo de São Pio X, “proíbe expressamente todo o desejo contrário à fidelidade que os cônjuges se juraram ao contrair o matrimônio; e proíbe também todo o pensamento culpável e todo desejo de ação proibido pelo sexto Mandamento”.

Eutanásia

Esta prática está condenada pelo 5º Mandamento da Lei de Deus, “Não matar”. Diz o Catecismo: “Neste Mandamento Deus proíbe ainda ao homem dar a morte a si mesmo, isto é, o suicídio [...] porque o homem não é senhor de sua vida, como o não é da dos outros”.

Divórcio

“O Matrimônio é um Sacramento instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo que estabelece uma união santa e indissolúvel entre o homem e a mulher, e lhes dá a graça de se amarem um ao outro santamente, e de educarem cristãmente seus filhos [...] e não se pode quebrar senão pela morte de um dos cônjuges, porque assim estabeleceu Deus desde o começo, e assim o proclamou solenemente Jesus Cristo, Senhor Nosso”. [...] “O vínculo do matrimônio cristão não pode ser dissolvido pela autoridade civil, porque esta não pode ingerir-se em matéria de Sacramentos, nem separar o que Deus uniu”.

Pena de Morte

A doutrina tradicional da Igreja, baseada em São Tomás de Aquino, defendia a licitude da pena capital em casos específicos, argumentando que retirar a vida de um grande malfeitor que ameaça a sociedade é um ato justo e salutar para preservar o bem comum. Ele comparava o criminoso a um membro gangrenado que deve ser amputado para salvar o corpo social. A sentença deve ser proferida por uma autoridade pública legítima, após julgamento justo, e não por vingança pessoal.

Entretanto, teólogos modernos argumentam que, se o sistema carcerário for capaz de neutralizar o criminoso sem a sua morte, isso diminui a necessidade da pena capital.

O que, com sobejas evidências, duvidamos

O Catecismo de São Pio X está de acordo com a doutrina de São Tomás, a qual foi até há pouco pregada pela Igreja: “É lícito tirar a vida do próximo: durante o combate em guerra justa; quando se executa por ordem da autoridade suprema a condenação à morte em castigo de algum crime; quando se trata de necessária e legítima defesa da vida, no momento de uma injusta agressão.”

Fertilização in vitro

A Doutrina Católica considera a fertilização in vitro (FIV) moralmente inaceitável, pois separa a procriação do ato sexual conjugal e frequentemente envolve a destruição de embriões. A Igreja ensina que os filhos devem ser concebidos através de um ato de amor entre os cônjuges, não como um produto laboratorial, respeitando a dignidade humana desde a concepção.

Esperemos que, pela intercessão de Nossa Senhora e de São José, Padroeira da Igreja Universal, tempos venham em que a sã doutrina católica e ortodoxa readquira seu lugar na Igreja como na época do Concílio de Trento, em que, ao lado das Sagradas Escrituras, estava a Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino, na qual os ensinamentos perenes da Santa Igreja orientaram e orientam até hoje os católicos amantes da tradição.



[i] O Pew Research Center é um think tank (laboratório de ideias) apartidário com sede em Washington, D.C., que fornece informações baseadas em dados sobre questões sociais, opinião pública, tendências demográficas e hábitos de mídia nos EUA e no mundo. Ele é conhecido por ser uma fonte neutra que não toma posições políticas ou de políticas.

 

 

27 de janeiro de 2026

Vibrante Marcha pela Vida em Paris Luta contra o Aborto e a Eutanásia


No domingo, 18 de janeiro de 2026, uma multidão entusiasmada e energizada de aproximadamente 10.000 pessoas compareceu à tradicional Marcha Francesa para a vida, em Paris. O evento, realizado na Place Vauban, diretamente em frente ao Hôtel des Invalides, foi um forte sinal para a França e o mundo de que, apesar das derrotas recentes, o movimento pró-vida pela primeira filha da Igreja não está apenas vivo, mas crescendo.

A marcha deste ano foi notável pelo grande número de jovens e pela presença católica muito visível. Grupos de estudantes do ensino médio e universitários vieram de toda a França cantando canções católicas, rezando o terço e entoando slogans pró-vida. O presidente da Marca para a Vida, Guilhaume de Théuilloy, lembrou aos participantes que "manifestações não são a única forma de lutar... A oração é verdadeiramente fundamental, assim como a vigília pela vida que ocorre na noite anterior [à marcha] na Igreja de Saint-Roch. A cultura da morte é o desencadeamento da obra do diabo, que luta ferozmente contra a humanidade." Monsenhor Dominique Rey, bispo emérito de Fréjus-Toulon e o único bispo presente, afirmou em seu discurso: "O respeito pela vida hoje é um chamado do Céu. Está no cerne da missão da Igreja."

Vibrante Marcha pela Vida em Paris Luta contra o Aborto e a Eutanásia

Diversas organizações pró-vida francesas participaram da marcha, incluindo Droit de NaîtreSOS Tout-PetitsLes Éveilleurs e Renaissance Catholique. Pró-vida vieram de outros países europeus, assim como dos Estados Unidos. Tanto no conteúdo quanto no tom, a Marcha para a Vida se inspira muito na Marcha Americana pela Vida anual realizada em todos os meses de janeiro em Washington, D.C. Filiais francesas de organizações pró-vida nos EUA, como 40 Dias pela Vida e Rachel's Vinyard, estavam presentes. Assim como na marcha dos EUA, os pró-vida franceses expressam uma militância e confiança apesar dos retrocessos e batalhas perdidas. Em Paris deste ano, a Marca para a Vida prestou homenagem ao líder conservador americano Charlie Kirk, um ferrenho defensor dos não nascidos, que foi tragicamente assassinado em 10 de setembro de 2025.

A defesa dos não nascidos, idosos e doentes terminais na França não poderia ser mais urgente. Quando a Suprema Corte dos Estados Unidos em 2022 anulou a infame decisão Roe vs. Wade -- permitindo assim que estados isoladamente proibissem o aborto – os progressistas europeus ficaram chocados. O primeiro-ministro britânico Boris Johnson chamou isso de "um grande retrocesso", enquanto a primeira-ministra francesa Elisabeth Borne o chamou de "um dia sombrio para os direitos das mulheres." O presidente Emmanuel Macron prometeu tornar a França o primeiro país a consagrar a "liberdade garantida de acesso ao aborto" na constituição do país, e conseguiu isso em 4 de março de 2024 com maiorias esmagadoras tanto na Assembleia Nacional quanto no Senado francês.

O tema principal da marcha pela vida deste ano foi a luta contra o suicídio assistido.

Vibrante Marcha pela Vida em Paris Luta contra o Aborto e a Eutanásia

Cumprindo uma de suas promessas de campanha de 2017, em 27 de março de 2025, por 305 votos a 199, o governo do presidente Emmanuel Macron aprovou uma lei de eutanásia na Assembleia Nacional. Ainda está aguardando uma votação no Senado, mas se aprovada, a lei seria uma das mais permissivas do mundo sobre eutanásia, colocando a França na mesma categoria que Bélgica e Canadá.

Marie-Lys Pellissier, porta-voz da Marche pour la vie, disse ao Le Figaro: "Não queremos uma sociedade que mate, mas uma que proteja e apoie os mais vulneráveis em todas as fases de suas vidas, independentemente do seu nível de dependência e do custo de sua existência."

Embora o tema do suicídio assistido seja o mais urgente politicamente, a luta pelo aborto ainda não acabou. Por um lado, a taxa de abortos está subindo. Em 2023, 243.300 abortos foram realizados na França, o maior número desde 1990 e um dos maiores já registrados. Ao mesmo tempo, a taxa de natalidade está despencando. Em 2025, a taxa de natalidade na França caiu para 1,56 filhos por mulher, o nível mais baixo desde o fim da Primeira Guerra Mundial. Nesse mesmo ano, o menor número de nascimentos desde 1942 também registrou a primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial que o número de mortes (651.000) superou o número de nascimentos (645.000). A população da França, de 69,1 milhões, cresceu ligeiramente apenas devido à imigração. Até 2030, pessoas com 65 anos ou mais serão mais numerosas do que aquelas com menos de 20 anos.

Em janeiro de 2024, no mesmo ano em que aprovou a proteção constitucional do aborto, o presidente Macron reconheceu a crise demográfica na França e fez um discurso em que pediu um "rearmamento demográfico." Ele anunciou a criação de novos programas de assistência governamental para ajudar a aumentar a taxa de natalidade. Essas medidas hipócritas não farão nada para conter a maré do inevitável colapso demográfico graças a 51 anos de aborto legal.

Vibrante Marcha pela Vida em Paris Luta contra o Aborto e a Eutanásia

Progressistas europeus, de fato, estão profundamente preocupados com o fato de um movimento pró-vida crescente na Europa ameaçar o futuro do aborto legal. Em 2025, a Anistia Internacional publicou um estudo chamado Quando os direitos não são reais para todos: a luta pelo acesso ao aborto na Europa. O relatório, embora otimista quanto ao futuro, ainda assim revela um profundo receio de que o futuro dos direitos ao aborto esteja longe de ser certo. O relatório ataca a existência de "um movimento global anti-gênero bem financiado" que está forçando progressistas a defender "conquistas arduamente conquistadas contra a retrocesso prejudicial e retrógrado no acesso existente ao aborto."

Se os progressistas que promovem a cultura da morte estão preocupados, é porque são muito mais fracos do que parecem. Os movimentos de aborto e suicídio assistido dependem do falso "consenso" de apoio universal à sua causa. Como o exemplo americano demonstra, se até mesmo alguns europeus se levantarem e reagirem, podem quebrar esse consenso e forçar a cultura da morte do passo para trás, que não passa de um gigante com pés de argila.

2 de janeiro de 2026

2025

 


Retrospecto dos principais acontecimentos da Santa Igreja Católica e do mundo multipolar em realinhamentos num rumo caótico


Fonte: Editorial da Revista Catolicismo, Nº 901, Janeiro/2026 

A recente mudança de pontificado, na Santa Igreja, suscitou muitas esperanças; mas também, como se tem visto, inseguranças, desconfianças e desilusões. 

Um turbilhão de desordens catastróficas está encaminhando o mundo para a Terceira Guerra Mundial, mas reações conservadoras surpreendentes nos animam, provocando muitas esperanças. 

Na geopolítica mundial, 2025 foi um ano de surpreendentes rupturas e inesperadas alianças. Elas convulsionaram o panorama global, sobretudo após a volta de Trump à Casa Branca. 

No panorama católico, ao lado de calamidades inauditas, temos assistido a um verdadeiro renascimento da fé, sobretudo entre jovens, que estão retomando as práticas religiosas tradicionais no denominado Catholic Revival

O que dissemos acima sintetiza acontecimentos do ano que findou. A retrospectiva de 2025, apresentada em quatro partes por abalizados colaboradores da revista Catolicismo, desenvolve com segurança aspectos de magna importância para o prezado leitor avaliar o status quo de assuntos de especial interesse para a civilização cristã. 

* * * 
Na edição deste mês a revista inicia uma nova seção, intitulada Nobreza e Tradição numa Cristandade Vigorosa. Nela oferecemos aos leitores trechos extraídos do excelente livro A volta ao mundo da Nobreza, de Leon D. Beaugeste. Certamente será muito apreciada essa coletânea de episódios da História pouco divulgados, que nela são condensados, desfazendo conceitos errôneos sobre o valioso papel formativo da antiga nobreza católica, na coesão, harmonia e aperfeiçoamento da vida social. 
* * * 
Enquanto na edição anterior celebrou-se o número 900 de Catolicismo, na deste mês outra comemoração: jubileu de fundação! 75 anos de bom combate, destemido e incansável, sem falhar um mês sequer, desde 1951. Agradecemos a Nossa Senhora essa longa existência, a qual pouquíssimas revistas conseguem alcançar, e suplicamos a Ela especial proteção para as futuras edições, futuras polêmicas, futuras lutas pela maior glória de Deus. 

Desejamos aos nossos leitores especiais graças ao longo do novo ano que se inicia, para que juntos continuemos a guardar a fé e perseverar no combate em prol do pensamento autenticamente católico.

18 de dezembro de 2025

INÉDITA E HISTÓRICA MENSAGEM DO PRESIDENTE DOS EUA SOBRE A IMACULADA CONCEIÇÃO

 


✅  Paulo Roberto Campos 

Nos dois séculos e meio de história dos Estados Unidos, Donald J. Trump é considerado o primeiro presidente norte-americano a fazer uma saudação oficial a Nossa Senhora enquanto concebida sem pecado original, ou seja, conforme o dogma da Imaculada Conceição, proclamado pelo Papa Pio IX, em 8 de dezembro 1854, com a Bula Ineffabilis Deus.

Sem aqui tratar dos acertos ou desacertos de Trump (e são muitos os acertos e muitos os desacertos...), no dia da Imaculada, 8 de dezembro, ele fez algo surpreendentemente bem acertado: uma saudação à Virgem, na qual inseriu, no final, a Ave Maria e pediu a intercessão d´Ela pelo fim da guerra e por uma paz duradoura no mundo. 

Apesar de ele não ser católico, falou da fervorosa devoção que os católicos norte-americanos dedicam a Santa Mãe de Deus e mencionou alguns grandes personagens do país que se consagraram na devoção à Imaculada, como Santa Elizabeth Seton e outros.

Basílica do Santuário Nacional
da Imaculada Conceição, em Washington
Na mensagem presidencial, Trump mencionou também a Basílica da Imaculada Conceição, em Washington, e das quase 50 universidades americanas que levam o nome de Maria, além de numerosas igrejas, hospitais e escolas. 

No final, o presidente americano acrescentou algumas palavras em agradecimento a Ela por sua intercessão a favor dos Estados Unidos, lembrando que Ela é Padroeira da nação.

Segue a tradução da íntegra da mensagem presidencial por ocasião da Festa da Imaculada Conceição. Publicado pela The White House em Briefings & Statements /  https://www.whitehouse.gov/ 


Hoje, reconheço todos os Americanos que celebram o dia 8 de Dezembro como um Dia Santo em homenagem à fé, humildade e amor de Maria, Mãe de Jesus e uma das maiores figuras da Bíblia. 

Anunciação do Anjo a Maria,
Ambrogio Lorenzetti (c. 1290 – 1348),
Pinacoteca Nazionale de Siena, Itália.


Na Festa da Imaculada Conceição, os católicos celebram o que acreditam ter nascido Maria livre do pecado original como mãe de Deus. Ela entrou pela primeira vez na história registrada como uma jovem mulher quando, de acordo com as Sagradas Escrituras, o anjo Gabriel a saudou na pequena cidade de Nazaré com a notícia de um milagre: “Ave, cheia de graça! O Senhor está contigo”, anunciando que “tu conceberás em teu ventre e darás à luz um filho, e o chamarás de Jesus”. 

Em um dos atos mais profundos e consequentes da história, Maria aceitou heroicamente a vontade de Deus com confiança e humildade: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”. A decisão de Maria alterou para sempre o curso da humanidade. Nove meses depois, Deus se tornou homem quando Maria deu à luz um filho, Jesus, que viria a oferecer sua vida na cruz pela redenção dos pecados e pela salvação do mundo. 

Batalha de New Orleans,
pintada por Jean Hyacinthe de Laclotte,
membro da Milícia da Louisiana,
com base em seus esboços feitos no local.

Por quase 250 anos, Maria desempenhou um papel destacado na nossa grande história americana. Em 1792, menos de uma década após o fim da Guerra Revolucionária, o bispo John Carroll — o primeiro bispo católico nos Estados Unidos e primo do signatário da Declaração da Independência, Charles Carroll — consagrou nossa jovem nação à mãe de Cristo. Menos de um quarto de século depois, os católicos atribuíram a Maria a impressionante vitória do general Andrew Jackson sobre os britânicos na decisiva Batalha de Nova Orleans [quadro ao lado]. Todos os anos, os católicos celebram uma missa de ação de graças em Nova Orleans, no dia 8 de janeiro, em memória da ajuda de Maria para salvar a cidade. 

Ao longo dos tempos, personagens lendárias americanas como Elizabeth Ann Seton, Frances Xavier Cabrini e Fulton Sheen, que passaram suas vidas glorificando a Deus a serviço dos outros, mantiveram uma profunda devoção a Maria. A Basílica do Santuário Nacional da Imaculada Conceição, localizada no coração da capital de nossa nação, honra Maria como a maior igreja da América do Norte. A oração atemporal “Ave Maria” continua sendo amada por inúmeros cidadãos. 

Ela inspirou a fundação de inúmeras igrejas, hospitais e escolas. Quase 50 faculdades e universidades americanas levam o nome de Maria. E, daqui a poucos dias, em 12 de dezembro, os católicos dos Estados Unidos e do México celebrarão a devoção inabalável a Maria que se originou no coração do México — um lugar que agora abriga a bela Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe — em 1531. À medida que nos aproximamos dos 250 anos da gloriosa Independência Americana, reconhecemos e agradecemos, com total gratidão, o papel de Maria na promoção da paz, da esperança e do amor na América e além de nossas fronteiras. 

Há mais de um século, em meio à Primeira Guerra Mundial, o Papa Bento XV, líder da Igreja Católica Romana, encomendou e dedicou uma majestosa estátua de Maria, Rainha da Paz, segurando o Menino Jesus com um ramo de oliveira, para que os fiéis cristãos fossem encorajados a seguir seu exemplo de paz, rezando pelo fim do terrível massacre. Poucos meses depois, a Primeira Guerra Mundial chegou ao fim. Hoje, voltamo-nos mais uma vez para Maria em busca de inspiração e encorajamento, enquanto rezamos pelo fim da guerra e por uma nova e duradoura era de paz, prosperidade e harmonia na Europa e em todo o mundo. 

Em sua homenagem, e em um dia tão especial para nossos cidadãos Católicos, lembramos as palavras sagradas que trouxeram ajuda, conforto e apoio a gerações de fiéis americanos em momentos de necessidade: 
Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém!

21 de setembro de 2025

DESABAMENTO DA CIVILIZAÇÃO EUROPÉIA

 

Varsóvia em ruínas após o intenso bombardeio promovido pela Luftwaffe alemã durante a invasão da Polônia.

✅  Plinio Corrêa de Oliveira 

Neste mês completaram-se 80 anos do término de uma das principais catástrofes do século passado: a Segunda Guerra Mundial. 

Entre 1º de setembro de 1939 a 2 de setembro de 1945, envolvendo a maior parte dos países, morreram mais de 45 milhões de pessoas e quase 35 milhões ficaram feridas. 

Em memória desse conflito, teríamos vários artigos de Plinio Corrêa de Oliveira, mas — devido ao limitado espaço desta página — seguem apenas dois trechos redigidos antes do início da guerra, mas prevendo que o apocalíptico perigo já despontava no horizonte. Assim, por exemplo, no “Legionário”, de 22 de novembro de 1936, ele havia alertado: 

O encouraçado USS West Virginia (BB-48) em chamas após ser atingido por um bombardeio japonês durante o Ataque a Pearl Harbor.



“A Europa e os Estados norte-americanos estão a braços com problemas tremendos. Dentro em pouco — e só os cegos podem contestá-lo — virá um dilúvio internacional: a guerra mundial está a bater às portas da civilização do Ocidente. Depois deste dilúvio, o que ficará da velhíssima Ásia, da Europa agonizante, da América do Norte precocemente arrastada a uma crise mortal? Ninguém poderá dizê-lo. Mas o que é certo é que, à margem deste mundo corrompido e destruído, ficará, virginalmente intacta, a América Latina. E é de suas entranhas, que terá de brotar a nova civilização. 

“Se esta civilização for católica, apostólica e romana, estará firmada a humanidade, por muitos séculos, nos caminhos de Deus. Se ela não for católica, quem poderá prever em que erros despenhará a humanidade?” 

E um ano antes da eclosão mundial, no “Legionário” de 18 de setembro de 1938, ele prognostica que os acordos de paz — então em curso — não conseguiriam evitar a guerra: 

“Por mais que se procure impedir que o grande público tenha uma visão direta de todas as consequências das últimas negociações de Berchtesgaden [pequena cidade bávara, refúgio alpino de Hitler, palco de decisões políticas cruciais, por exemplo, neste local ele recebeu, em 1938, o primeiro-ministro britânico Neville Chamberlain], tudo leva a crer que se o espectro da guerra for realmente afastado em virtude do encontro Hitler-Chamberlain, a conflagração não será propriamente ‘evitada’, mas adiada [...]. 

“Que extensão poderá ela tomar? Não o sabemos. Quando poderá ela explodir? Amanhã? Daqui a 6, 10, 12 ou 24 meses? Não o sabemos. Mas enquanto Hitler estiver no poder, ela será inevitável [...]. 

“A guerra significaria necessariamente o desabamento da civilização europeia, e o Velho Continente se transformaria, caso a Alemanha vencesse, em um montão de ruínas policiadas pelos camisas pardas. O nazismo acha que ainda assim vale a pena”.

25 de junho de 2025

Três lições importantes do ataque dos Estados Unidos às instalações nucleares do Irã


 

✅  John Horvat II

O ataque de 21 de junho às instalações nucleares do Irã [foto acima] contém três lições muito importantes que vão contra muitas narrativas falsas que circulam nos dias de hoje. Um deles vem daqueles que se opõem ao ataque. Eles afirmam que essa ação não refletiu a vontade do povo americano.

Essas três lições podem servir como uma verificação da realidade, permitindo que os americanos ajustem alguns critérios e os ajudem a navegar no mundo real.

Acordar em um mundo perigoso

A primeira lição é que a América vive em um mundo escuro e perigoso, pronto para explodir a qualquer momento e em qualquer lugar. Antes de junho, poucos esperavam testemunhar outra guerra punitiva, muito menos a participação americana nela.

No entanto, esse conflito aconteceu. O alvo era o Irã, um gigante estrategicamente posicionado do tamanho do Alasca que controla o fluxo de 20% do petróleo mundial através do Estreito de Ormuz. Durante décadas, tem sido o ponto central das guerras por procuração contra Israel e o Ocidente em todo o Oriente Médio. Ele prega e canta "Morte à América do Norte".

O conflito atual é um alerta que lembra ao mundo sobre as nações hostis que buscam obter armas poderosas, neste caso nucleares, para usar contra os Estados Unidos, seus aliados e tudo o que resta do cristianismo e do Ocidente cristão.

O Irã faz parte de uma visão de mundo "multipolar" com o objetivo de deslocar os Estados Unidos e o Ocidente de sua posição de hegemonia. Rússia, China, Coreia do Norte e Turquia são os outros membros importantes. Cuba, Nicarágua e Venezuela lideram um círculo de membros de segundo nível. Brasil, África do Sul e dezenas de outras nações se deixam influenciar por esse novo eixo do mal, distanciando-se dos Estados Unidos e do Ocidente.

A perspectiva dessa aliança antiocidental é mal nomeada. Por mais diferentes que sejam essas nações entre si, elas estão unidas em sua oposição aos EUA e ao Ocidente. Assim, o conflito é descrito com mais precisão como bipolar — Ocidente versus anti-Ocidente. Não é verdadeiramente "multipolar".

Há três anos, a Rússia lançou sua injusta guerra de agressão contra a Ucrânia, que ainda está em andamento. Em 7 de outubro de 2023, o Irã, por meio de seu representante Hamas (acompanhado pelo Hezbollah), lançou uma guerra injusta de agressão contra Israel. Amanhã, a China pode muito bem fazer o mesmo contra Taiwan, a Coreia do Norte contra a Coreia do Sul e a Venezuela contra a Guiana. A Rússia pode ampliar sua guerra injusta e atacar uma ou mais nações bálticas, Finlândia ou Polônia.

A lição é que o Ocidente não está apenas ameaçado, mas sob ataque, e uma ação defensiva enérgica pode e deve ser tomada agora. O mundo tomou conhecimento.

Apoio agressivo à liderança dos EUA

A segunda lição é que a maioria dos americanos está ciente desses perigos e apoiará qualquer governo que trabalhe para tornar o mundo mais seguro.

Existe um mito de que, com a vitória do presidente Donald Trump nas eleições de novembro passado, a maioria dos americanos agora não está preocupada com o resto do mundo, que a grande maioria de seus eleitores quer ignorar os conflitos mundiais e se concentrar exclusivamente na “América em primeiro lugar”.

O ataque dos EUA às instalações nucleares do Irã expõe a falta de apoio dos eleitores a essa ideia de retirada do mundo. É um equívoco sem evidências para apoiá-lo.

Na verdade, os eleitores do presidente Trump apoiam esmagadoramente ações comoo o ataque ao Irã. Uma nova pesquisa do Instituto Ronald Reagan, realizada pouco antes do ataque, mostrou que 90% dos republicanos autoidentificados do MAGA acreditam que "impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear é importante para a segurança dos EUA". Cerca de 74% deles dizem que é "muito".

Os resultados se tornam ainda mais surpreendentes com pesquisas mostrando que os eleitores do MAGA são mais agressivos em questões de liderança mundial americana do que os republicanos que não são do establishment MAGA (Make America Great Again – Torne a América Grande Novamente).

O apoio está aumentando

As mesmas perguntas da pesquisa do Instituto Reagan foram feitas nos últimos dois anos. Os resultados mostram não apenas um apoio consistente ao envolvimento internacional dos Estados Unidos em ataques como o ataque iraniano, mas também aumentos significativos nesse apoio entre os eleitores do MAGA desde o ano passado.

Por exemplo, uma supermaioria de 93% dos eleitores do MAGA concordou que "um exército forte dos EUA é essencial para manter a paz e a prosperidade, tanto em casa quanto no exterior". Essa porcentagem aumentou para 96% em 2025. O apoio a uma pergunta perguntando se os Estados Unidos deveriam ser "mais engajados e assumir a liderança" disparou de 51% para 73% em um ano. Outras perguntas tiveram aumentos semelhantes.

Se forem tomadas medidas enérgicas e conclusivas, esses americanos apoiarão esses esforços com margens esmagadoras e grande unidade.

Os americanos não são isolacionistas

A lição final é que o apoio à greve ajudará a desmantelar o mito de que a América se tornou uma nação de isolacionistas autocentrados. Embora exista um quadro de isolacionistas radicais entre os apoiadores do MAGA, a grande maioria desses americanos e muitos outros em ambos os lados do corredor querem que os Estados Unidos se envolvam e os vejam como uma parte essencial da segurança mundial.

Os americanos do MAGA não apenas favorecem ações como o ataque iraniano, mas também apoiam uma ampla gama de posições anti-isolacionistas.

Como observa Marc Thiessen, do The Washington Post, "Em praticamente todas as métricas medidas — desde o apoio a Taiwan e à OTAN até preocupações com democracia, direitos humanos, China e liderança dos EUA — os autodenominados republicanos do MAGA apoiam mais a liderança americana forte e baseada em princípios no cenário mundial do que seus irmãos republicanos não-MAGA."

Esse apoio geralmente representa uma maioria esmagadora de 80 ou 90%, especialmente em questões-chave como a China. E está crescendo.

O mundo é um lugar escuro e perigoso. O ataque iraniano de 21 de junho é um episódio de uma guerra de autodefesa contra os inimigos do Ocidente cristão. A Ucrânia é outra manifestação dessa autodefesa do Ocidente cristão, e este bravo país precisa de total apoio dos Estados Unidos e do mundo livre.

A América tem um papel a desempenhar nesta guerra de autodefesa. Não pode simplesmente afastar-se dos seus deveres e responsabilidades. As evidências mostram que muitos americanos reconhecem essa verdade e apoiarão esmagadoramente uma ação forte e baseada em princípios contra nações desonestas que travam guerras diretas ou por procuração contra o Ocidente.

Não deve haver hesitação ou fraqueza. Uma visão clara de quem são os inimigos do Ocidente, juntamente com uma ação prudente, sábia, eficaz e resoluta contra eles, é o que é urgentemente necessário.

31 de janeiro de 2025

Que o sonho não vire pesadelo



✅  Paulo Roberto Campos 

Este novo ano começou com uma grande promessa que pode desequilibrar a balança da luta entre a Revolução e a Contra-Revolução, entre comunismo e anti-comunismo, entre esquerda e direita, entre modernismo (progressimo-teologia da libertação) e conservadorismo (tradição católica como força jovem dotada de potência). Tal promessa, para muitos um sonho, vem dos Estados Unidos com um novo governo — eleito por essa força conservadora — que substitui o deplorável governo Biden. 

Entretanto, no Brasil, o trôpego governo lulo-petista faz de tudo para indispor nosso País com os Estados Unidos, com evidente prejuízo para todos os brasileiros. É uma lástima! Sobretudo porque, além de nos distanciar da maior potência da Terra, empurra o Brasil para as garras do dragão chinês obediente à ditadura comunista. 

Rezemos para que o recém-empossado governo norte-americano não esmoreça e, assim, não frustre todo o sonho conservador que venceu as eleições. Infelizmente, já nos primeiros dias de seu mandato, o presidente Donald Trump deu sinais de esmorecimento. Ainda é tempo de acertar os passos, de realizar o sonho, evitar o pesadelo. Oxalá! 

Para ajudar nossos leitores a terem em vista essa problemática neste começo de 2025, seguem alguns pensamentos. 

“A vitória mais bela que se pode alcançar é vencer a si mesmo.”
(Santo Inácio de Loyola) 

“O objetivo de um ano novo não é que nós deveríamos ter um ano novo. É que nós deveríamos ter uma alma nova.” 
(G. K. Chesterton) 

“Para ganhar um ano novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente. É dentro de você que o Ano-Novo cochila e espera desde sempre.” 
(Carlos Drummond de Andrade) 

“Não existem sonhos impossíveis para aqueles que realmente acreditam que o poder realizador reside no interior de cada ser humano. Sempre que alguém descobre esse poder, algo antes considerado impossível se torna realidade.” 
(Albert Einstein) 

“Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.”
(James R. Sherman) 

“Há quem diga que todas as noites são de sonhos. Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isto não tem muita importância. O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado.” 
(William Shakespeare) 

“Eu sonho minha pintura, e então eu pinto meu sonho.” 
(Vincent van Gogh)

28 de janeiro de 2025

NO TABULEIRO LATINOAMERICANO — “Revolução e Contra-Revolução” em 2024

 

Megaporto de Chancay, na costa do Peru, a poucos quilômetros de Lima. 

·        Juan Antonio Montes

Fonte Revista Catolicismo, Nº 889, Janeiro/2025 

Atendendo a um pedido da revista Catolicismo paraque no âmbito deste número dedicado ao retrospecto de 2024 desenvolvesse o tema do embate entre a Revolução e a Contra-Revolução na América Hispânica neste período, farei algumas considerações que sirvam para esclarecer o leitor sobre os acontecimentos que marcaram o percurso do “Continente da Esperança” e as perspectivas que deles se podem esperar.

 

1. Emergência de uma nova forma de “guerra fria”?

Xi Jinping, ditador chinês. 

Quando a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas se dissolveu em 1991, muitas pessoas incautas previram um “fim da história”, com base no fato de que nada mais era do que o confronto de duas ideologias opostas. Eles pensavam que, uma vez terminada uma das partes em conflito (a URSS), a história obviamente terminaria.1

O que o autor da tese do “fim da história” não sabia prever naquele momento era o fato de que o colapso da URSS não seria o fim do mundo comunista, mas sim a mudança de “porta-estandarte” desta ideologia macabra.

Em 1991, quando os braços emagrecidos dos que apoiavam a ideologia comunista já não conseguiam continuar a esconder o panorama de fome e escravidão que imperava naquelas nações, surgiram em cena dois novos e fortes braços que, graças às técnicas que o mesmo Ocidente lhes tinha fornecido, souberam aproveitar seus enormes recursos econômicos e populacionais para assumir o papel deixado pela sua antecessora: a China comunista de Mao Tse-tung.

O slogan do mundo “multipolar”, que a China reivindica hoje, nada mais é do que uma nova versão da “guerra fria” sob outro nome e outras técnicas, mas com o mesmo objetivo: acabar com a primazia do Ocidente e impor hegemonia.

Contudo, há uma grande diferença entre a guerra de conquista promovida pela URSS e aquela promovida hoje pela China de Xi Jinping.

A primeira consistiu na divulgação da ideologia de Marx e na promoção de guerras subversivas para derrubar governos pró-ocidentais. Pelo contrário, a atual técnica de expansão da China comunista não promove guerras internas ou “tomadas de poder”, mas sim acordos comerciais e favorecimento das estruturas dos países latino-americanos, entre outros centros geográficos.

Contudo, não é difícil ver que na troca de bens e serviços entre as nações pobres da América Latina e uma China que parece ser dotada de recursos inesgotáveis, a “parte do leão” vai para a China.

E qual é essa “parte do leão” chinês? Precisamente o aumento de sua influência no Continente, que até agora era conhecido como o “quintal” dos Estados Unidos.2

Observa o especialista latino-americano Christian Hauser, da Universidade de Ciências Aplicadas de Graubünden, na Suíça: “Ultimamente, os desafios e riscos associados à ascensão da China como ator dominante em muitas áreas econômicas e tecnológicas têm se tornado cada vez mais claros na América Latina. Países latino-americanos estão cada vez mais envolvidos na rivalidade geopolítica entre os Estados Unidos e a China. Neste contexto, é provável que as atuais tensões entre alguns países da América Central, como a Guatemala, a Costa Rica e a China, sejam apenas o início de relacionamentos mais conflituosos no futuro.”3

 

Um novo “protetorado” chinês está sendo estabelecido em todos os países do continente, começando pelas nações com infraestruturas mais precárias. Na foto, Xi Jinping com o presidente Luis Arce da Bolívia.  

2. De Xangai a Chancay, uma nova forma de “protetorado”.

Talvez o exemplo mais característico deste novo tipo de influência sobre o conjunto de nações latino-americanas seja a recente inauguração, em novembro passado, do megaporto de Chancay, na costa do Peru.

Por ocasião da última APEC, realizada na cidade de Lima em novembro passado, o ditador chinês Xi Jinping inaugurou o porto de Chancay, a menos de 100 km de distância da capital. O megaporto foi construído por uma empresa estatal chinesa e conta com recursos de última geração.4

No seu discurso inaugural, Xi Jinping comemorou o fato de esse porto facilitar uma rota direta de Chancay a Xangai e impulsionar ainda mais o comércio entre os dois países. O governo peruano destacou o fato de que esse megaporto atrairá investimentos anuais de mais de 4 bilhões de dólares.5

Poucas semanas após a sua posse, o futuro porta-voz do novo governo Trump, Mauricio Claver-Carone, antigo diretor principal para o Hemisfério Ocidental, anunciou que “qualquer produto que passe por Chancay deveria ter uma tarifa de 60%”.6


Segundo o mesmo responsável norte-americano, a medida visa travar o transbordo de produtos chineses em todo o continente e reduzir a influência econômica de Pequim na América Latina.

A questão óbvia é se esse anúncio reduzirá a influência da China no continente, ou apenas a aumentará, uma vez que os Estados Unidos não acompanham estas ameaças com qualquer oferta de investimento compensatória. Desta forma, um novo “protetorado” chinês está sendo estabelecido em todos os países do continente, começando pelas nações com infraestruturas mais precárias.7

Contudo, este novo “protetorado” não é livre. Tem as suas condições e elas são draconianas. A primeira é que as nações que os assinam devem romper imediatamente as suas relações diplomáticas com Taiwan.8

Outro país interessado em tornar-se membro deste Protetorado Chinês é a Bolívia. Por ocasião da última reunião do G20, realizada no Brasil, logo após a APEC em Lima, Xi Jinping reservou alguns minutos para atender o presidente Arce. Ao final do encontro, o presidente boliviano postou em sua rede social: “Hoje no Brasil, no âmbito da Cúpula de Líderes do G20, realizamos um encontro agradável e frutífero com o irmão presidente Xi Jinping”. Arce não indicou em que consistiu o encontro com o “irmão Xi Jinping”, mas provavelmente tratou de novas promessas da China e de novas hipotecas para a pequena economia boliviana.9

Tais promessas são muito questionáveis quando se sabe que a China está extraindo ouro daquele país, utilizando supostas “cooperativas bolivianas” que funcionam como fachada para empresas estatais chinesas. Ao exposto, cabe acrescentar que a China não tem nenhum cuidado com a preservação do meio ambiente, nem a devida atenção aos operários que ali trabalham.10

Resta saber quais são os propósitos que levam a China a ser tão “generosa” com os países sul-americanos. Será apenas altruísmo a favor das nações pobres? Ou será exclusivamente para garantir a utilização de matérias-primas, como o lítio, para as suas empresas?

É claro que a China tem interesse nas matérias-primas que a América Latina possui. Porém, a esta razão deve-se acrescentar outra: seus estrategistas devem levar em conta que numa hipótese, nada improvável, de um confronto que não seja americano, a China já conta com o apoio de cada vez mais países do Continente como, para usar a expressão do Presidente da Bolívia, “irmãos.”11

Estas intenções foram expressas claramente por Xi: “O ‘Sonho Chinês’ e o ‘Sonho Latino-Americano’ estão intimamente ligados. Ambas as partes devem ser encorajadas a prosseguir estes sonhos e a torná-los realidade em conjunto.”12

Seria oportuno perguntar aos habitantes de Hong Kong ou de Taiwan se acreditam que este “sonho” não seja antes um pesadelo terrível.

 

Cúpula dos Brics realizada na cidade de Kazan entre 22 e 24 de outubro de 2024 

Rota da seda, nova operação de “baldeação ideológica inadvertida”

Na década de 1960, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira denunciou um estratagema do comunismo internacional que consistia em aproximar gradativamente os países não comunistas dos seus postulados. O ilustre pensador católico alertou contra o uso de “palavras talismânicas” como “diálogo”, “terceira via” etc. O que caracterizou estas palavras foi o seu significado impreciso, através do qual se manipulou uma gradual “baldeação” de natureza ideológica para o comunismo.

Se estas foram as manobras psicológicas praticadas pela operação de “baldeação ideológica”, o leitor pode imaginar quão mais eficazes serão se não se limitarem a meras palavras, mas antes oferecerem uma cooperação econômica “graciosa” e suculenta.

Ao exposto devemos acrescentar o fato de que, durante a “Guerra Fria”, os Estados Unidos implementaram muitos programas — nem todos bem orientados — em favor do desenvolvimento latino-americano, com o objetivo de evitar o deslizamento destas nações em direção à Cuba dos irmãos Castro.

Hoje, pelo contrário, a nova Administração Trump anuncia a todos os ventos que o seu objetivo será primeiro “tornar os Estados Unidos grandes novamente”, o que significará, sem dúvida, cortar subsídios e apoio econômico, precisamente às nações que os recebem a mancheias da China.

Não é difícil prever para onde serão direcionadas as simpatias dos países sul-americanos. Cada vez mais, o “quintal” dos Estados Unidos está se tornando o quintal da China.

 


4 — BRICS, uma reformulação das “nações não alinhadas”?

Quem acompanhou os acontecimentos da “guerra fria” recordará a formação do Pacto das “Nações Não Alinhadas”, um grupo de países com governos de esquerda que parecia fazer parte de uma “terceira posição” entre a Rússia Soviética e os Estados Unidos.

Com o desaparecimento da importância geopolítica do bloco russo, e devido a divergências e até guerras entre os seus membros, hoje o acordo dos “Não-alinhados” é quase inexistente e foi substituído pelo pacto de nações de economias emergentes, conhecido como Brics.13

Em teoria, esses países estão organizados para se ajudarem mutuamente em favor do desenvolvimento das suas economias, mas, na realidade, constituem cada vez mais uma frente de nações contra o Ocidente rico, com uma visão clara de luta de classes.

Durante a cúpula dos Brics realizada na cidade de Kazan entre 22 e 24 de outubro de 2024, o governo da Bolívia comemorou a admissão do país como “parceiro” daquele fórum político e econômico. Na mesma ocasião, Cuba foi incluída, apesar de a sua economia ser tudo menos “emergente”...

Por sua vez, o ditador Maduro viajou pessoalmente a Kazan para pedir a Putin que incorporasse a Venezuela na lista de países membros. Sua intenção foi frustrada graças ao veto do Brasil. O mesmo aconteceu com a Nicarágua, que enviou uma delegação à reunião com o mesmo objetivo.14

No caso da Nicarágua, o veto do Brasil se deveu ao fato de aquela nação ter expulsado pouco antes o embaixador brasileiro por este não ter comparecido à celebração de um aniversário da revolução sandinista.

O que precede não impediu a Nicarágua de celebrar pouco depois um importante acordo com a China de Xi, mediante o qual entregou um megaprojeto de infraestruturas àquela nação. O jornal argentino Infobae noticiou que “a ditadura de Daniel Ortega na Nicarágua selou esta segunda-feira vários acordos com empresas chinesas para desenvolver infraestruturas essenciais no país, consolidando a sua perigosa aliança com um regime autoritário como o de Xi Jinping, relação que tem sido sujeita às críticas internacionais pelo aumento do controle e da opressão em ambas as nações.”15

Por sua vez, a Venezuela orgulha-se do apoio que a sua ditadura encontra nos governos da China, da Rússia e do Irã e não há dúvida de que se não fosse o veto brasileiro à ditadura que causou o maior êxodo da história do Continente, já faria parte desse conglomerado, também conhecido como “clube da ditadura”16

Estas alianças entre países latino-americanos, cada vez mais críticos dos Estados Unidos, estão formando um bloco regional que desafia os valores ocidentais e representa sérias ameaças à ordem mundial e aos restos da civilização cristã nas nossas nações.

 


5 — Argentina e outras nações do Continente dão esperança

Em contraste com esta capitulação de vários países sul-americanos às políticas hegemônicas da China e da Rússia, destaca-se a atitude da Argentina que, cansada de várias décadas perdidas causadas por governos socialistas, decidiu optar por um Presidente de linha totalmente oposta.

É claro que, dado o lugar de destaque que a Argentina ocupa no conjunto das nações latino-americanas, a sua influência no sentido oposto ao que delineamos, assume particular importância. Esta importância é sublinhada pela rapidez com que este governo consegue escapar à espiral inflacionária em que o mergulharam sucessivos governos peronistas de Kirchner.

Os governos do Uruguai e do Paraguai tiveram uma influência positiva semelhante ao longo deste ano de 2024. Por sua vez, a eleição que deu a presidência a Daniel Noboa no Equador e fechou o caminho ao candidato do ex-presidente Rafael Correa, constituiu um passo na direção certa.

Resta saber qual será a mudança de rumo político no Uruguai após a ascensão de um novo presidente da esquerda naquela nação.

 

Curiosa mistura de wokismo e ditaduras

A afirmação do presidente Boric de que “os laços não fazem sentido para mim”, dada numa entrevista à revista Time seis meses após a sua ascensão à Presidência, resume a marca do seu governo:um chefe de Estado distraído, espontâneo, casual.

Tais características remetem à ideologia ‘acordada’, a qual, sem afirmá-lo, Boric e vários outros presidentes do Continente veem com simpatia.

No entanto, essas simpatias continuam a chamar a atenção para uma corrente ideológica que vem das universidades norte-americanas e se caracteriza por um liberalismo extremo, por parte de Chefes de Estado que ao mesmo tempo se identificam com “o clube das ditaduras”.

Esta contradição vê-se, entre vários aspectos, no fato de o wokismo manter como dogma a necessidade de acabar com as empresas extracionistas prejudiciais ao ambiente quando a nação mais predatória do ambiente é a China.17

Por outro lado, fortes reclamações são sentidas pelas Marinhas e corporações de pescadores das costas do continente sul-americano devido à pesca de arrasto totalmente predatória realizada pela China. Apesar disso, as autoridades políticas desses países têm sido tímidas quando se trata de exigir o respeito pela sua soberania marítima.18

Contradição semelhante verifica-se em relação à adesão de vários governos de esquerda latino-americanos à chamada “ideologia de gênero”. Estes governos não hesitam em implementar políticas que favoreçam a transexualidade dos menores, sem limites de idade ou consentimento dos pais.

No entanto, nenhum dos países do Brics incentiva ou permite tais tratamentos chamados “Terapias de Conversão”. Pelo contrário, por diferentes razões, tanto a China, quanto a Rússia e o Irã opõem-se à sua implementação. É o que afirma, entre outras fontes, não suspeitas de serem de direita, a página “gatecenter.org”, uma espécie de centro de pensamento socialista espanhol.19

Estas inconsistências, entre o discurso ultraliberal woke, ao qual aderem os governos de esquerda do Continente e, no sentido oposto, as políticas superestatais de controle interno das suas populações impostas pelas principais nações dos Brics, não deixam de mostrar quão frágil pode ser a aliança entre eles.

Estas circunstâncias levam a supor que, embora tais alianças representem uma ameaça, possuem vários fatores que podem transformá-las num “gigante com pés de barro”.

Sem dúvida, a maior contradição entre os principais países dos Brics e as nações latino-americanas é que, com exceção do Brasil, todas essas nações do Brics são pagãs ou refratárias a qualquer influência católica.

No sentido contrário, basta visitar as nações do nosso continente para perceber o quanto ainda se justifica a expressão de que ainda é “o Continente da Esperança”.

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1. F. Fukuyama, na revista Estudios Públicos: El fin de lahistoria, 1990, 30 de janeiro. https://www.cepchile.cl/cep-40-aniversario/fukuyama-en-la-revista-estudios - publicos-o-fim-da-história/

2. Cfr. João Paulo II, Ecclesia Apostólica na América. O Papa João Paulo II proferiu a Exortação Apostólica Ecclesia na América em 23 de janeiro de 1999, na Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, México.

3. Cfr. “A América Latina sente cada vez mais pressão da China” https://www.dw.com/es/am%C3%A9rica-latina-siente-cada-vez-m%C3%A1s-la-presi%C3%B3n-de-china/a-69258814

4. Cfr. “O que nos deixou a APEC 2024: o choque de poderes, a ausência de grandes líderes e os principais acordos econômicos” 16 de novembro, o Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC) 2024. https://www.infobae.com/peru/2024/11/17/lo-que-nos-dejo-apec-2024-el-choque-de-poderas-grandes-lideres-ausentes-y-los-principales- acordos econômicos/

5. Cfr. “Ministério dos Transportes e Comunicações (Peru). MTC: O megaporto de Chancay iniciou operações que revolucionarão o comércio entre o Peru e a Ásia. Localizado em Huaral, gerará um impacto econômico de cerca de 4.500 milhões de dólares anuais.” https://www.gob.pe/institucion/mtc/noticias/1057890-mtc-entro-en-operaciones-el-megapuerto-de-chancay-que-revolucionara-el-comercio-entre-peru-y-asia.

6. Cfr. “Qualquer produto que passe por Chancay deveria ter uma tarifa de 60%”: o assessor de Donald Trump tem como alvo o porto da China no Peru. https://www.infobae.com/peru/2024/11/18/cualquier-producto-que-pase-por-chancay-deberia-tener-un-arancel-del-60-asesor-de-donald-trump- coloca-na-vista-o-porto-da-china-no-peru/

7. Cfr. “SANTIAGO CARRANCO. A mudança nas relações entre pequenos países andinos (Equador e Peru) com grandes potências (China) após a pandemia da Covid-19, nos permite abordar dois casos de Estados que podem ser entendidos a partir desta conceituação, dada a existência de uma relação de dependência com a China. Bertóla& Ocampo (2013) afirmam que “a maior parte dos países latino-americanos não conseguiu superar um padrão de especialização produtiva baseado na exploração dos recursos naturais”. Portanto, ao se estabelecerem como países latino-americanos com economias exportadoras, tanto o Equador como o Peru encontraram-se subordinados ao capital estrangeiro. Assim, ambos os países sul-americanos são vulneráveis nas suas relações com um dos seus principais parceiros comerciais e financeiros: a China. https://relial.org/wp-content/uploads/2024/02/La-influencia-de-China-en-AL-final.pdf

8. “O recente anúncio de Honduras de romper relações diplomáticas com Taiwan e reconhecer o princípio de ‘uma só China’ é mais uma reviravolta na virada política que (China) está liderando na América Latina para reconhecer o gigante asiático como uma grande potência econômica e comercial que tem cada vez mais influência política na região. Honduras e Taiwan, considerada pela China como uma província rebelde, mantinham uma intensa relação de cooperação militar, educacional e econômica desde 1941. No entanto, o presidente hondurenho, Xiomara Castro, ordenou há dias ao seu chanceler, Eduardo Enrique Reina, para estabelecer relações diplomáticas com a China, o que significou romper com Taiwan. Este é o reconhecimento de uma situação internacional que não pode continuar a ser negada e é o posicionamento da China como uma grande potência”, explica. EFE. Luciano Bolinaga, doutor em Relações Internacionais pela Universidade Nacional de Rosário (Argentina).

9. Cfr. “O presidente Luis Arce realizou uma reunião ‘agradável e frutífera’ com Xi Jinping na Cúpula do G20 no Brasil. 19 de novembro de 2024. https://vc.presidencia.gob.bo/index.php/prensa/58-julio/943-el-presidente-luis-arce-mantuvo-una-reuni%C3%B3n-%E2%80%9Cgrata-y -fruta%C3%ADfera%E2%80%9D-com-xi-jinping-na-cimeira-do-g20-no-brasil

10. Cfr. “‘O saque do ouro boliviano: as empresas chinesas se escondem atrás de cooperativas de mineração’, é a manchete do jornal boliviano El Deber. O desejo da China por matérias-primas é cada vez mais questionado na Bolívia: Os chineses pegam “tudo e não deixam nada para o povo, mas o Governo não diz nada”, disse ao jornal um homem que não quis revelar sua identidade. https://www.dw.com/es/crece-el-rechazo-al-expansionismo-de-china-en-am%C3%A9rica-latina/a-63968473

11. Cf. Alexandra Sitenko, in Heinrich-Böll-Stiftung “A influência da China na América Latina. Além do econômico, a aproximação da China com a América Latina tem também uma componente política. É essencialmente o reconhecimento da política de “uma China.” Em 2017, havia um total de 18 países que reconheceram a soberania de Taiwan, que Pequim considera uma província separatista. Destes, 12 estavam na América Latina e no Caribe. Desde então, El Salvador, o Panamá e a República Dominicana cortaram os seus laços diplomáticos com Taipé e, em vez disso, aproximaram-se da estratégia geopolítica da Iniciativa Cinturão e Rota (BRI), também conhecida como o “projeto” da Nova Rota da Seda, liderada pelo Presidente Xi Jinping. anunciada no Cazaquistão em 2013, visa consolidar a supremacia global da China. Até à data, vários países da região, incluindo Chile, Equador e Bolívia, assinaram cartas de intenção de participar do projeto.”

12. Cfr. “China fortalece as suas relações com a América Latina, ‘o quintal’ dos Estados Unidos. Presidente Xi Jinping e sua visita ao Peru e ao Brasil esta semana”. Domingo, 17 de novembro de 2024. https://noticiasargentinas.com/internacionales/china-afianza-sus-relaciones-con-america-latina---el-patio-trasero --of-the-united-states_a673957de8055baacf3b0322a?srsltid=AfmBOooGaD8YqKYgRvZp-RE-BbjDEQ_fOetCGp-bpSLt6pD_RWRrGqEx

13. Cfr. Renato Baumann. “Comércio entre os países ‘BRICS’. A sigla BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul),originalmente usada para identificar economias emergentes com grandes dimensões geográficas e demográficas, está se tornando na prática uma categoria de análise. Estes países passaram a ser considerados de forma diferente, passando a ser vistos já não apenas como ‘outros países em desenvolvimento’, mas como candidatos a desempenhar um papel de importância crescente na cena mundial.” https://www.cepal.org/sites/default/files/publication/files/3166/LCbrsR210_es.pdf

14. Cfr. “O Brasil explicou que o impedimento de Caracas de ingressar no BRICS se deve ao fato de o presidente Nicolás Maduro ter abusado da confiança de Lula após as eleições presidenciais ao não cumprir sua promessa de apresentar os registros oficiais dos resultados, como explicou a O Globo, Celso Amorim, assessor presidencial para assuntos internacionais.” https://elpais.com/america/2024-10-25/brasil-dice-que-veto-a-venezuela-en-los-brics- Porque-abuso-de-su-confianza-tras-las-elecciones .html

15. Cfr. “América Latina. O regime chinês expande o seu controle sobre a Nicarágua com novos acordos milionários apoiados pela ditadura de Ortega.” https://www.infobae.com/america/america-latina/2024/11/19/el-regimen-de-china-amplia-su-control-sobre-nicaragua-con-nuevos-atrabajos-millonarios-respaldados-pela-ditadura-de-ortega/

16. Cfr. “O veto de Lula e do Brasil impede que Ortega entre no ‘clube das ditaduras’.Com exceção do Brasil, praticamente todas as ditaduras do mundo estão juntas no chamado grupo BRICS”, afirma o pesquisador.https://confidencial.digital/politica/veto-de-lula-impide-a-daniel-ortega-entrar-al-club-de-las-dictaduras/

17. A este respeito, o jornal espanhol La Vanguardia informa que “a China é o maior emissor de gases do mundo e a segunda maior economia, mas resiste a assumir formalmente que deve contribuir para o financiamento climático.” Cf. https : //www.lavanguardia.com/natural/contaminacion/20241121/10124395/emisiones-china-han-causado-mas-global-warming-ue.html

18. Cfr. “Uma frota de pelo menos 90 navios estrangeiros zomba da segurança marítima do Chile neste momento. Nenhum notificou as autoridades do Serviço Nacional de Pesca e Aquicultura (Sernapesca) ou da Marinha do Sul sobre suas identidades ou localizações, impedindo a rastreabilidade de seus São navios chineses em busca de lulas? https://panampost.com/gabriela-moreno/2023/12/12/aguas-chilenas-invadidas-por-90-embarcaciones-extranjeras-que-podrian-ser-chinas/

19. Cfr. Alba Teresa González Esteban e Paula Toro Bahamonde. “Objetivos desconectados: Os BRICS e a saúde reprodutiva dos ODS. Este estudo apresenta evidências importantes sobre a grande distância que existe entre o estado atual dos dados e as metas propostas em a Agenda 2030 “11 de abril de 2024 | Análise do Documento de Trabalho do Young Voices”. https://gatecenter.org/objetivos-descargados-los-brics-y-la-salud-reprodutiva-de-los-ods/