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5 de junho de 2025

O NOVO LEÃO E OS VELHOS LOBOS

“Até aqui, tivemos Francisco, que falava com os lobos. Agora, temos um leão que expulsará os lobos” (Cardeal Ladislav Nemet). 

✅  Paulo Roberto Campos

Incontáveis católicos rezavam pedindo ao Espírito Santo que inspirasse claramente os Cardeais reunidos em Roma no recente Conclave. Encheram-se de esperançosa alegria ao verem, no final da tarde de 8 de maio, a fumaça branca saindo da chaminé da Capela Sistina.

Era o sinal da eleição de um novo Papa. Foi um júbilo vê-lo despontar, com as vestes tradicionais, no balcão principal da Basílica de São Pedro. O novo Romano Pontífice eleito foi o Cardeal Prevost, que escolheu o nome de Leão XIV. Com o mesmo nome, ele teve por predecessores dois santos: São Leão Magno e São Leão IX. E mais recentemente, no final do século XIX e início do século XX, Leão XIII. 

O júbilo não se restringiu à imensa multidão reunida na Praça de São Pedro, em frente à monumental Basílica. Ele também se manifestou na grande maioria dos quase um bilhão de pessoas que assistiram à grandiosa cena pelos meios de comunicação. Todos queriam ver o novo Sucessor de Pedro, o Vigário de Jesus Cristo na Terra, e dele receber a primeira bênção Urbi et Orbi


Apenas dois dias após sua eleição, Leão XIV foi rezar diante do milagroso quadro de Nossa Senhora do Bom Conselho [foto acima], na pequena e medieval cidade de Genazzano, cuja história é resumidamente exposta em artigo do Prof. Roberto de Mattei publicado na edição da revista Catolicismo* deste mês, que a todos recomendo vivamente. 

Supliquemos também à Madonna de Genazzano especial proteção ao novo Pontificado, sempre lhe inspirando bons conselhos nas grandes dificuldades com que se defrontará ao longo dos próximos anos. Tanto em função de um mundo prestes a entrar numa terceira guerra mundial, como em razão da terrível crise que flagela a Santa Igreja devido aos erros do modernismo infiltrados em seu seio, os quais foram severamente condenados por São Pio X.

Juntemos nossas orações pelo Papa Leão XIV, a fim de que Deus conceda-lhe, como bem disse o Cardeal Raymond Burke, “abundante sabedoria, força e coragem para fazer tudo o que Nosso Senhor lhe pede nestes tempos tumultuados”


Ao mesmo tempo em que houve referido júbilo do povo católico ao ver o novo Romano Pontífice, houve também uma impressão de decepção em certas alas da esquerda, tanto civil quanto religiosa, bem como da parte daqueles que sintonizam com a “esquerda católica”, que esperavam um Papa vinculado à “Teologia da Libertação”. Esses “teólogos” libertários estavam criando tal clima durante o Pontificado do Papa Francisco, que alguns observadores vaticanistas chegaram a recear a ocorrência de um cisma na Igreja. 

Esta e outras questões relativas ao novo Pontificado são desenvolvidas em Catolicismo. A título de exemplo, copio aqui um trecho de um dos colaboradores da revista, o Prof. José Antonio Ureta: 

“Segundo o jornal Le Figaro, o cardeal sérvio Ladislav Nemet [foto ao lado] teria contado uma brincadeira que circulava entre os cardeais e que daria uma outra explicação pela escolha do nome Leão – leo em latim: ‘Até aqui, tivemos Francisco, que falava com os lobos. Agora, temos um leão que expulsará os lobos”. 

É o que o geral dos católicos espera de Leão XIV para a restauração da Santa Igreja, hoje infiltrada pela “fumaça de satanás” e vítima de um “misterioso processo de autodemolição” — segundo palavras de Paulo VI — uma vez que, pelas portas e janelas abertas por lobos transvestidos de ovelhas, penetrou tal fumaça diabólica no Templo de Deus. Esperemos que Leão XIV a dissipe de uma vez por todas e ponha fim a essa “autodemolição” que levou a Igreja à crise atual. Assim será restaurada a paz na Igreja no sentido da verdadeira Paz como definida por Santo Agostinho, ou seja, “a tranquilidade da ordem”, o que supõe a eliminação tão radical quanto possível dos fatores de desordem doutrinária e disciplinar que grassam em todos os ambientes católicos. 

Ainda é cedo para alguma apreciação seriamente definitiva a respeito do novo Papa, mas suas primeiras palavras causaram alento, pelo tom da cortesia católica, oposto à brutalidade e à vulgaridade...

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* Para fazer uma assinatura da revista Catolicismo envie um e-mail para catolicismo@terra.com.br

11 de junho de 2023

80 anos da denúncia de uma Revolução dentro da Igreja Católica


Para extirpar os erros do protestantismo e do comunismo infiltrados dissimuladamente nos ambientes católicos, Plinio Corrêa de Oliveira lançou um livro em 1943 — uma obra-chave para interpretar o processo de autodemolição da Santa Igreja. 

Fonte: Editorial da e Revista Catolicismo, Nº 870, Junho/2023

Uma revolução dentro da Igreja. Esta foi a magistral denúncia feita por Plinio Corrêa de Oliveira em seu primeiro livro, Em Defesa da Ação Católica, lançado em junho de 1943.

Na época, o movimento católico era uma potência, sobretudo as Congregações Marianas lideradas por ele em São Paulo. Fato que impulsionava a irradiação esplendorosa da Igreja e favorecia o Brasil a crescer no cumprimento de sua grandiosa missão providencial. 

Fato, entretanto, que desagradava ao clero neomodernista, que trabalhava e ensinava nos seminários para ressuscitar dentro da Igreja os erros do modernismo, condenados pelo Papa São Pio X como “síntese de todas as heresias”. 

A fim de extirpar esses erros que serpenteavam nos ambientes católicos e denunciar os lobos com pele de ovelha infiltrados no rebanho, Dr. Plinio, então presidente da Junta Arquidiocesana da Ação Católica, redigiu o referido livro, que foi uma verdadeira bomba contra o progressismo. Ele sabia que se tratava de uma “operação kamikaze” e de que seria vítima das maiores perseguições — “cancelamento”, difamação, ostracismo —, mas em defesa da Igreja estava disposto a qualquer sacrifício. 

Dito e feito! As perseguições não extinguiram nem mesmo após ter ele recebido do Papa Pio XII uma carta laudatória assinada por Mons. João Batista Montini, então substituto da Secretaria de Estado da Santa Sé e depois Papa Paulo VI. 

Hoje os erros então desmascarados retornaram e se intensificaram. Os filhos espirituais daquele clero dos anos 1940 degeneraram de modo acelerado, deixando a Igreja no descrédito e conspurcada por escândalos morais, pregação aberta de erros doutrinários e até de heresias. São os adeptos da “teologia da libertação”, de uma “igreja nova” sem lei nem hierarquia e posta a serviço do comunismo. 

Exemplo recente disso é o chamado “Caminho Sinodal”, que pretende instituir uma Igreja diametralmente oposta à fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo. 

Nossos leitores poderão conferir na matéria de capa da revista Catolicismo* [foto acima] deste mês como há exatos 80 anos o autor de Em Defesa da Ação Católica alertou para o processo de autodemolição da Santa Igreja que atingiu hoje o seu apogeu, e entenderão por que o eminente líder católico brasileiro foi silenciado, caluniado e perseguido durante toda a sua vida. Boa leitura! 

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8 de setembro de 2021

CUBA LIVRE?


Depois de 62 anos gemendo sob o peso da bota dos carcereiros fidelcastristas, a sofrida população cubana brada por liberdade, quer dar um BASTA à miséria moral e material. Por fim, depois de tanta opressão física e psicológica, raiará a primavera para Cuba? Ou a ilha continuará sendo o ópio da esquerda mundial? 

Fonte: Editorial da Revista Catolicismo, Nº 849, Setembro/2021* 

Depois de 62 anos oprimidos como se escravos fossem de um imenso latifúndio da família Castro, o povo cubano se levantou no último mês de julho exigindo liberdade e medidas contra o colapso sanitário e a crônica falta de alimentos. 

Imagens do "Paraíso" castrista
Devido àqueles gigantescos protestos, não deixou de ser no mínimo curioso observar no mundo livre a choradeira geral da esquerda, dos obstinados propagandistas das “maravilhas do paraíso fidelcastrista”. Eles — que se blasonam de “guardiões dos direitos humanos, amantes da liberdade e da tolerância” — não deveriam ter sido os primeiros a exultar de alegria vendo triunfar a “liberdade de expressão”? 

Pelo contrário, ficaram profundamente tristes. Por quê? — Com o desmoronamento do regime comunista em tantos países (sobretudo nos anos 1990 no Leste europeu), a existência de Cuba, teimando em manter um sopro de vida ao marxismo, tornou-se “oxigênio” para os pulmões criptocomunistas. Eles não conseguem mais viver sem a utopia marxista e entrariam em agonia se um dia a Cuba castrista morresse. 

Cubanos fugindo do "Paraíso"...
O fim do comunismo na pobre ilha abriria caminho para que a antiga “Pérola das Antilhas” retornasse à prosperidade anterior à tomada do poder pelos “talibãs” de Sierra Maestra em 1959, sob o comando do ditador marxista-leninista, carcereiro, déspota e opressor conhecido como Fidel Castro. 

Os acontecimentos que se desenrolam em Cuba constituem a temática principal da revista Catolicismo deste mês [foto acima]. Tratamos também da questão do embargo econômico — muito criticado pelos agentes da esquerda civil e religiosa, mas cuja suspensão só colaboraria para prolongar a vida do governo agonizante. Na mesma edição reproduzimos uma memorável carta de uma cubana ao Papa Francisco, implorando-lhe romper o silêncio e condenar o comunismo, assim como um artigo sobre o abaixo-assinado da TFP americana dirigido ao presidente Joe Biden, pedindo-lhe que escute a voz do povo que protestou nas ruas de várias cidades de Cuba. 

O falido Fidel Castro e o ex-presidente falido

Que resultados obtiveram aqueles protestos? Reprimindo violentamente os manifestantes e jogando-os nas abarrotadas e insalubres prisões, conseguiu o governo comunista sufocá-los? Emergirão novas ondas de protestos? Serão elas suficientes para dar um ‘basta’ definitivo ao regime tirânico que tortura física e psicologicamente há seis décadas a sofrida população cubana? Quem viver, verá... 



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29 de outubro de 2019

“Todos os deuses dos pagãos são demônios”


Em Roma, durante o Sínodo Pan-Amazônico, Deus e a Santíssima Virgem Maria foram substituídos por ídolos pagãos em algumas celebrações 


➤  Paulo Roberto Campos
Fonte: Revista Catolicismo, Nº 827, Novembro/2019. 

O mundo católico se estarreceu com a “cerimônia” realizada nos jardins do Vaticano, na véspera da abertura do Sínodo Pan-Amazônico, pois se tratou de um ritual indígena de magias para obter curas e outros favores, invocando poderes preternaturais. Muitos a classificaram de “pajelança”, com algumas agravantes: 

Foi realizada na presença do Papa Francisco e de Dom Claudio Hummes, relator-geral do Sínodo e presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), além de alguns cardeais, bispos e eclesiásticos. 

Em vez de uma cerimônia religiosa, que poderia ser uma procissão conduzindo uma reprodução da imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, tão ligada à conversão dos indígenas, levaram sobre uma canoa, à maneira de um andor utilizado em procissões, uma “adaptação amazônica com traços afros” da imagem que foi denominada pachamama (a “mãe terra”) — divindade cultuada por certas tribos indígenas, sobretudo da região dos Andes, e que mais recentemente está sendo cultuada também por ecologistas radicais; num ato de idolatria, alguns se prosternaram diante da efígie pagã. 



Idolatria na Cidade Eterna 

Antes inimaginável, tal afronta à Santíssima Virgem, destronada e preterida por uma estátua imoral e demoníaca, foi praticada nos jardins do Vaticano. Em seguida ela foi levada sobre os ombros, “em procissão”, à Basílica de São Pedro e a outras igrejas de Roma, enquanto idólatras dançavam e entoavam cânticos fetichistas intercalados com hinos religiosos. Como se essa abominação não bastasse, uma estampa desse ídolo pagão foi colocada no auditório onde se reúnem os padres sinodais. 

No contexto do Sínodo, as ruas próximas ao Vaticano presenciaram também uma paródia da Via Sacra, na manhã do dia 18 de outubro, denominada Via Crucis Amazônica [foto acima]. Exaltou em suas 14 estações equivocados “direitos humanos”, incitou à luta de classes e de raças, e criticou os “abusos da colonização”. Seu encerramento se deu na Praça de São Pedro, com pessoas prosternadas diante da pachamama. Desse evento, sempre com a presença da escultura idolátrica, participaram índios, bispos, sacerdotes e religiosos. Também estiveram presentes Dom Pedro Ricardo Barreto Jimeno, SJ, arcebispo de Huancayo (Peru) e vice-presidente da REPAM. De uma dança dos aborígines, chegou a participar Dom Roque Paloschi, Arcebispo de Porto Velho, presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), enquanto os índios cantavam, tocavam seus instrumentos musicais primitivos e incensavam os presentes (com a “fumaça de Satanás”). 

À vista dessas irreverências e profanações, nunca é demais relembrar o que está contido na Sagrada Escritura (Salmos 95, 5): “Omnes dii gentium dæmonia” – todos os deuses dos pagãos são demônios. 

Reações justas e necessárias 

Nos jardins do Vaticano, prosternados cultuando a Pachamama 
As “pajelanças” nos jardins do Vaticano, e também diante do Santíssimo Sacramento em igrejas romanas, provocaram viva indignação e justa reação de movimentos e fiéis católicos do mundo inteiro. 

O site LifeSiteNews organizou um abaixo-assinado pedindo ao Vaticano que a Igreja impeça tais atos e faça respeitar o Primeiro Mandamento da Lei Divina: “Eu sou o Senhor, teu Deus [...]. Não terás outros deuses diante de minha face” (Êxodo 20, 2-3). A petição exigia a remoção das imagens da pachamama e outros objetos sincréticos que foram introduzidos em templos católicos de Roma, pois isso confunde os fiéis e os induz ao erro. 

O cacique da etnia Macuxi, Jonas Marcolino, disse ter tomado conhecimento da referida “pajelança”, e observou que, sem dúvida alguma, tratou-se de um ato pagão com todas as características de rituais indígenas da região amazônica. 

Do clero brasileiro, uma reação enérgica foi do bispo emérito de Marajó (PA), Dom José Luiz Azcona, que se manifestou indignado com as “figuras nuas esculpidas de mulheres indígenas grávidas, que aparecem repetidamente no Sínodo da Amazônia e em eventos organizados pela ‘Amazônia Casa Comum’ e pela REPAM”. Classificou as liturgias sincretistas de “motivo de escândalo para toda a Igreja” (cf. LifeSiteNews, 21-10-19).


As três imagens sendo jogadas no rio Tibre
Refletindo a mesma indignação, nas primeiras horas da manhã de 21 de outubro alguns católicos entraram na igreja de Santa Maria em Traspontina, nas proximidades do Vaticano, e retiraram as três estátuas da pachamama que lá estavam expostas num altar. Caminharam em seguida até a histórica Ponte Sant’Angelo, de onde as lançaram no rio Tibre. Os autores se declararam agredidos em sua fé por aqueles objetos anticatólicos, por isso não poderiam ficar indiferentes. 

Foram inúmeros nas redes sociais os comentários elogiosos a esse gesto, corajoso e sumamente simbólico. Muitos comparam a bela atitude de seus autores com a cólera de Nosso Senhor Jesus Cristo, expulsando com um chicote os vendilhões que conspurcavam o lugar santo que era o Templo: “Está escrito: A minha casa é casa de oração! Mas vós a fizestes um covil de ladrões” (Lc 19, 45-46). Um jovem católico comentou: “Eu sou da Amazônia (Belém, PA), e digo com toda autoridade: católicos da Amazônia estão comemorando a destruição do ídolo pagão de ‘pachamama’. Na Amazônia, temos apenas uma rainha: Nossa Senhora de Nazaré, o horror dos pagãos”

Indispensável reparação 

Os ídolos expostos num altar a igreja de Sta. Maria em Traspontina
A fim de se abafar as incontáveis reações, alguns prelados tentaram impingir reinterpretações contraditórias para a imagem da pachamama, como sendo apenas um “símbolo da vida, da fertilidade e da mãe terra”. Por exemplo, Paolo Ruffini, Prefeito do Dicastério para a Comunicação do Vaticano, disse numa conferência de imprensa que a imagem poderia, entre outras coisas, ser da Virgem Maria. Ninguém acreditou nem aceitou, pois não se sabe o que é pior: a exaltação de uma imagem nua representando Nossa Senhora (um grave ultraje blasfemo contra Ela) ou a idolatria ao ídolo! O próprio Vaticano desmentiu essa reinterpretação de Paolo Ruffini, mas não conseguiu apresentar outra.

Agindo de modo oposto ao dos grandes missionários Nóbrega e Anchieta, a quem o Brasil católico deve seu glorioso passado, os missionários progressistas adeptos da eco-teologia pleiteiam o abandono da ideia de conversão religiosa dos índios, para que se mantenham no paganismo, com seus costumes primitivos, idolatrando ídolos diabólicos, acreditando em superstições e magias dos espíritos malignos, praticando rituais de feitiçarias, canibalismo, infanticídio etc. 


Devemos nos empenhar para oferecer a Deus e à Virgem Santíssima reparação pelos ultrajes desses rituais pagãos. Melhor ainda, empreender todos os esforços para reduzir ao mais completo fracasso o projeto de manter os indígenas em seus costumes primitivos e nos cultos pagãos. Não podemos também admitir a introdução de práticas e rituais do paganismo aborígine mesclados na liturgia católica.

Diante dessa terrível apostasia de uma igreja nova “com o rosto amazônico”, vem a propósito a indagação contida em artigo de Plinio Corrêa de Oliveira na “Folha de S. Paulo”, em 5 de janeiro de 1975, sob o título Quem ainda é católico na Igreja Católica?: “Uma pergunta que, também a propósito da conduta face ao comunismo e de diversos outros assuntos, pode ser feita: quem ainda é católico apostólico romano dentro desse imenso magma de 600 milhões de pessoas — cardeais, bispos, sacerdotes, religiosos e leigos — habitualmente tidos como membros da única e imperecível Igreja de Deus?”.

Conciliábulo da Pachamama e da Eco-Teologia da Tribalização

Paulo Roberto Campos

Ontem se encerrou o Sínodo Pan-Amazônico, que poderia ser denominado como CONCILIÁBULO da Pachamama e da Eco-Teologia da Tribalização. Haverá hoje em Roma atos de reparação nas igrejas que foram profanadas pelos blasfemos cultos de ídolos? E amanhã tais igrejas serão purificadas? E depois elas serão reconsagradas ao culto do verdadeiro Deus?

Se a idolatrada escultura de madeira era ou não da Pachamama pouco importa, o que importa é que tal escultura foi reverenciada como um ídolo dentro de igrejas católicas, carregada como em procissão religiosa e presente num arremedo de Via Sacra por ruas próximas da Praça de São Pedro. Se alguém tem alguma dúvida, os vídeos e as fotos abundam pela internet. 


Na missa de encerramento de tal Conciliábulo, para não espantar ainda mais os autênticos católicos — já por demais chocados com os cultos idolátricos nas igrejas romanas — os organizadores não levaram as esculturas pagãs da Pachamama. Estas, depois de terem sido jogadas no rio Tibre, recuperadas e levadas para serem adoradas na Igreja de Santa Maria em Traspontina [foto ao lado], foram colocadas no auditório onde se reuniam os padres sinodais. Entretanto, esses organizadores fizeram com que o Papa Francisco levasse em seu báculo, encimado por um Cruz, uma outra imagem pagã [foto abaixo - clik para ampliá-la]. 


Ainda que não se realizem naquelas igrejas romanas os indispensáveis atos de desagravo, particularmente façamos nós, dirigindo nossas súplicas a Deus e à Sua Santa Mãe, gravemente ofendidos por aqueles rituais. Peçamos-Lhes que reduzam ao mais completo fracasso o nefasto projeto de não mais se converter os indígenas, e, pior ainda, de se introduzir nos hábitos da Igreja Católica tais rituais pagãos.

31 de outubro de 2017

500 ANOS DA REVOLTA DE LUTERO CONTRA A CRISTANDADE

A pseudo-reforma protestante impulsionou a humanidade ao igualitarismo comunista e à anarquia 

Oscar Vidal 

Neste dia 31 de outubro completa-se o V centenário da Revolução Protestante, marco oficial da revolta do heresiarca Martinho Lutero contra Roma, quando o monge apóstata pregou suas 95 teses na porta da capela do castelo de Wittenberg, em Augsburgo (Alemanha), no dia 31 de outubro de 1517. [pintura ao lado

Os erros de tais teses blasfemas, fruto do orgulho e da sensualidade desse fementido herege, começaram a ser difundidos pelo mundo, impulsionado outras revoltas e dando origem, séculos depois, à Revolução Francesa e à Revolução Comunista. 

Tratando do processo revolucionário em sua obra Revolução e Contra-Revolução (Parte I, Cap. 6, 1 A e B), Plinio Corrêa de Oliveira descreve as tendências desordenadas e as paixões desenfreadas como sendo “a força propulsora da Revolução”.
“Como os cataclismos, as más paixões têm uma força imensa, mas para destruir. “Essa força já tem potencialmente, no primeiro instante de suas grandes explosões, toda a virulência que se patenteará mais tarde nos seus piores excessos. Nas primeiras negações do protestantismo, por exemplo, já estavam implícitos os anelos anarquistas do comunismo. Se, do ponto de vista da formulação explícita, Lutero não era senão Lutero, todas as tendências, todo o estado de alma, todos os imponderáveis da explosão luterana já traziam consigo, de modo autêntico e pleno, embora implícito, o espírito de Voltaire e de Robespierre, de Marx e de Lenine”. (Cfr. Leão XIII, Encíclica Quod Apostolici Muneris, de 28/12/1878, Bonne Presse, Paris, vol. I, p. 28). 

Como até na Igreja Católica setores progressistas estão celebrando esse centenário — uma incoerência que está provocando desconcerto e perplexidade em inúmeros fiéis católicos —, reproduzimos abaixo uma colaboração do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, publicada na “Folha de S. Paulo” em 27-12-83. Essa leitura auxiliará uma análise sobre a gravidade dessa celebração tão ilógica. Como até autoridades eclesiásticas podem comemorar o ódio contra a Igreja Católica e o desejo de destruí-la?


Gravura representando o "casamento" do ex-frade Lutero com a ex-freira Catarina von Bora

Lutero: não e não

Plinio Corrêa de Oliveira
Transcrito da “Folha de S. Paulo”, 27 de dezembro de 1983


         Tive a honra de ser, em 1974, o primeiro signatário de um manifesto publicado em cotidianos dos principais do Brasil e reproduzido em quase todas as nações onde existiam as então onze TFPs. Era seu título: A política de distensão do Vaticano com os governos comunistas – Para a TFP: Omitir-se? Ou resistir? (cfr. “Folha de S. Paulo”, 10-4-74).

Nele, as entidades declaravam seu respeitoso desacordo face à "ostpolitik" conduzida por Paulo VI, e expunham pormenorizadamente suas razões para tanto. Tudo — diga-se de passagem — expresso de maneira tão ortodoxa que ninguém levantou a propósito qualquer objeção.

Para resumir numa frase, ao mesmo tempo toda a sua veneração ao Papado e a firmeza com a qual declaravam sua resistência à "ostpolitik" vaticana, as TFPs diziam ao Pontífice “Nossa alma é Vossa, nossa vida é Vossa. Mandai-nos o que quiserdes. Só não nos mandeis que cruzemos os braços diante do lobo vermelho que investe. A isto nossa consciência se opõe”.

Lembrei-me desta frase com especial tristeza lendo a carta escrita por João Paulo II ao cardeal Willebrands (cfr. "L’Osservatore Romano", 6-11-83), a propósito do quingentésimo aniversário do nascimento de Martinho Lutero, e assinada no dia 31 de outubro p.p. data do primeiro ato de rebelião do heresiarca, na igreja do castelo de Wittenberg. Está ela repassada de tanta benevolência e amenidade, que me perguntei se o Augusto signatário esquecera as terríveis blasfêmias que o frade apóstata lançara contra Deus, Cristo Jesus Filho de Deus, o Santíssimo Sacramento, a Virgem Maria e o próprio Papado.

O certo é que ele não as ignora, pois estão ao alcance de qualquer católico culto, em livros de bom quilate, os quais ainda hoje não são difíceis de obter.

Tenho em mente dois deles. Um, nacional é “A Igreja, a Reforma e a Civilização, do grande jesuíta Pe. Leonel Franca. Sobre o livro e o autor, os silêncios oficiais vão deixando baixar a poeira.

O outro livro é de um dos mais conhecidos historiadores franceses do século XX, Funck-Brentano, membro do Instituto de França, e aliás insuspeito protestante.

Comecemos por citar textos colhidos na obra deste último: "Luther" (Grasset, Paris, 1934, 7ª ed., 352 pp.). [capa ao lado] E vamos diretamente a esta blasfêmia sem nome: “Cristo — diz Lutero — cometeu adultério pela primeira vez com a mulher da fonte, de que nos fala João. Não se murmurava em torno dele: “Que fez, então, com ela? Depois com Madalena, em seguida com a mulher adúltera, que ele absolveu tão levianamente. Assim Cristo, tão piedoso, também teve de fornicar, antes de morrer” ("Propos de table", nº 1472, ed. de Weimar 2. 107 – cfr op. cit. p. 235).

Lido isto, não nos surpreende que Lutero pense — como assinala Funck-Brentano — que "certamente Deus é grande e poderoso, bom e misericordioso [...] mas é estúpido — "Deus est stultissimus" ("Propos de table", no. 963, ed. de Weimar, I, 487). É um tirano. Moisés agia movido por sua vontade, como seu lugar-tenente, como carrasco que ninguém superou, nem mesmo igualou em assustar, aterrorizar e martirizar o pobre mundo” (op. cit. p. 230).

Tal está em estrita coerência com estoutra blasfêmia, que faz de Deus o verdadeiro responsável pela traição de Judas e pela revolta de Adão: “Lutero — comenta Funck-Brentano — chega a declarar que Judas, ao trair Cristo, agiu sob imperiosa decisão do Todo-poderoso. Sua vontade (a de Judas) era dirigida por Deus: Deus o movia com sua onipotência. O próprio Adão, no paraíso terrestre, foi constrangido a agir como agiu. Estava colocado por Deus numa situação tal que lhe era impossível não cair” (op. cit. p. 246).

Coerente ainda nesta abominável sequência, um panfleto de Lutero intitulado “Contra o pontificado romano fundado pelo diabo”, de março de 1545, chamava o Papa, não “Santíssimo”, segundo o costume, mas “infernalíssimo”, e acrescentava que o Papado mostrou-se sempre sedento de sangue (cfr. op. cit. pp. 337-338).

Não espanta que, movido por tais ideias, Lutero escrevesse a Melanchton, a propósito das sangrentas perseguições de Henrique VIII contra os católicos da Inglaterra. “É lícito encolerizar-se quando se sabe que espécie de traidores, ladrões e assassinos são os papas, seus cardeais e legados. Prouvesse a Deus que vários reis da Inglaterra se empenhassem em acabar com eles” (op. cit. p. 254).

Por isso mesmo exclamou ele também: “Basta de palavras: o ferro! o fogo!” E acrescenta: “Punimos os ladrões à espada, por que não havemos de agarrar o papa, cardeais e toda a gangue da Sodoma romana e lavar as mãos no seu sangue?” (op. cit., p. 104).

Esse ódio de Lutero o acompanhou até o fim da vida. Afirma Fuck-Brentano: “Seu último sermão público em Wittenberg é de 17 de janeiro de 1546; o último grito de maldição contra o papa, o sacrifício da missa, o culto da Virgem” (op. cit., p. 340).

Não espanta que grandes perseguidores da Igreja tenham festejado a memória dele. Assim “Hitler mandou proclamar festa nacional na Alemanha a data comemorativa de 31 de outubro de 1517, quando o frade agostiniano revoltoso afixou nas portas da igreja do castelo de Wittenberg as famosas 95 proposições contra a supremacia e as doutrinas pontifícias” (op. cit., p. 272).

E, a despeito de todo o ateísmo oficial do regime comunista, o Dr. Erich Honnecker, presidente do Conselho de Estado e do Conselho de Defesa, o primeiro homem da República Democrática Alemã, aceitou a chefia do comitê que, em plena Alemanha vermelha, organizou as espalhafatosas comemorações de Lutero neste ano (cfr. "German Comments", de Osnabruck, Alemanha Ocidental, abril de 1983).

Que o frade apóstata tenha despertado tais sentimentos num líder nazista, como mais recentemente no líder comunista, nada de mais natural.

Nada mais desconcertante e até vertiginoso, do que o ocorrido quando da recentíssima comemoração do quingentésimo aniversário do nascimento de Lutero num esquálido templo protestante de Roma, no dia 11 do corrente.

Deste ato festivo, de amor e admiração à memória do heresiarca, participou o prelado que o conclave de 1978 elegeu Papa. E ao qual caberia, portanto, a missão de defender, contra heresiarcas e hereges, os santos nomes de Deus e de Jesus Cristo, a Santa Missa, a Sagrada Eucaristia e o Papado!

“Vertiginoso, espantoso” — gemeu, a tal propósito, meu coração de católico. Que, sem embargo, com isto redobrou de fé e veneração pelo Papado.
No próximo artigo me resta citar “A Igreja, a Reforma e a Civilização”, do grande Pe. Leonel Franca. 

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[Amanhã 31 de outubro, publicaremos o artigo acima mencionado]

12 de agosto de 2016

CONVITE — Conferência sobre “Teologia da Libertação”


O Instituto Plinio Corrêa de Oliveira convida o público para uma conferência a respeito de um velho fantasma que parecia morto e sepultado: a “Teologia da Libertação”. Entretanto, tal “fantasma” está reaparecendo em ambientes do clero progressista de esquerda. 


O evento ocorrerá no próximo dia 18 (5ª. feira), no Club Homs (endereço abaixo), e terá por orador o Prof. Julio Loredo de Izcue, autor do livro TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO — Um salva-vidas de chumbo para os pobres, lançado na Itália e agora no Brasil. Loredo reside em Milão e é presidente da TFP italiana. 

Essa adulterada “Teologia” tenta sobreviver bafejada pela ala mais progressista da “esquerda católica” com o objetivo de promover luta de classes e de raças, conforme a ideologia marxista. 


Um dos exemplos disso: a participação de João Pedro Stédile, chefe do MST, no “Encontro Mundial dos Movimentos Populares” realizado no Vaticano. 

Devido à gravidade da crise na Santa Igreja, temos como católicos o dever de defendê-la, empenhando-nos em conhecer as suas causas. 

Para fazer sua inscrição na conferência click aqui:
http://teologialibertacao.vive.ipco.org.br/inscricao-direta

Para outras informações click no seguinte link: 
http://teologialibertacao.vive.ipco.org.br/Renasce-Teologia-da-Libertacao#


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CLUB HOMS  
Av. Paulista, 735 (próximo do metrô Brigadeiro – na capital de São Paulo). 
Dia 18 de agosto, às 19,00 hs.



30 de setembro de 2015

Uma sociedade "miserabilista" atrofia as potencias da alma humana, fomenta a conaturalidade com o horrendo e atenta contra a glória de Deus


Apêndice do livro: “Hasta cuándo las Américas tolerarán al dictador Castro, el implacable stalinista que continúa oprimiendo al pueblo cubano, y amenazando a naciones hermanas?" — Décadas de progresivo acercamiento comuno-católico en la isla-presidio del Caribe. Miami, 1990, pgs. 167 a 172.(*) 


Em termos absolutos, a Deus não era necessário criar o universo, com suas diversas categorias de seres. Mas uma vez que o criou, somente poderia fazê-lo tendo em vista a finalidade mais perfeita dessa obra, que é a sua própria glória. Entretanto as criaturas glorificam a Deus essencialmente pelo fato de ser; e por cumprir plenamente seu fim específico na criação. Assim em seu conjunto, essa última é um reflexo do próprio Deus.

A excelência da ordem mineral se encontra no mero ato de ser; na ordem vegetal, ela se encontra na mesma vida, que aparece assim dentro da escala da criação; na ordem animal tal excelência se encontra na vida sensitiva; e no homem a excelência se encontra na capacidade de usar sua inteligência. 
A criação é um reflexo do próprio Deus

Em que consiste a glória que o homem dá a Deus pelo ato de ser inteligente? Fundamentalmente, em conhecer e amar a ordem do ser no próprio Deus, através da semelhança do Criador que o homem encontra refletida na ordem criada. É um instinto da alma buscar nas coisas aquilo que mais lhe fala de Deus. Esse instinto é uma espécie de desejo natural que a impulsiona a elevar-se progressivamente, por meio das perfeições mais sublimes e transcendentes dos seres criados, a ver a própria essência do primeiro Ser – imutável, transcendente, eterno – que é Deus. 

Um dos objetivos do processo revolucionário que vem assolando a Cristandade, desde o fim da Idade Média até nossos dias,(1) tem sido a diminuição, no homem, da percepção dos transcendentais(2) do ser.
Havana - o regime comunista afundou Cuba no miserabilismo
Assim se poderia dizer, em termos gerais, que a confusão, o caos e a conseguinte perda do sentido das hierarquias, afetam a visão do “unum” [único]; o relativismo filosófico, moral e religioso extingue e ofusca a percepção do “verum” [verdadeiro]; a imoralidade e a amoralidade reinantes nas sociedades contemporâneas contribuem para fazer o mesmo com o “bonum” [bom]; e, por fim, é a concepção do miserabilismo, alentada por correntes de comuno-progressistas, a ponta de lança para destruir nas almas e na sociedade a percepção do “pulchrum” [belo]. (3)

Com esta ofensiva conjugada para extinguir o dinamismo dos transcendentais do ser nas almas, a Revolução vai conseguindo levar imperceptivelmente à humanidade até o ateísmo; ou até formas de panteísmo que excluem a transcendência(4) de Deus. Com isso, caem as barreiras que facilitam a aceitação, na teoria e na prática, de uma convergência dos católicos com o marxismo cultural. 

A tônica revolucionária acentuada na destruição do “pulchrum”, tanto na esfera espiritual quanto na temporal 

Deve-se notar que em cada fase histórica da investida revolucionária contra a Cristandade, se manifesta uma acentuação diferente no processo de destruição da percepção humana de cada transcendental. Uma análise desse fenômeno ultrapassa os limites deste ensaio. Entretanto, podia-se dizer que, nos dias que correm, esse empenho revolucionário está colocado sobre tudo em função da destruição do “pulchrum”, depois de ter conseguido avanços impressionantes nos outros mencionados. 

É o que parece vislumbrar-se por detrás das citações de teóricos comunistas e de teólogos “liberacionistas”. 

As considerações que se seguem neste ensaio focalizam, por isso, os efeitos nefastos que a expansão das concepções de raiz miserabilista trazem – com o consequente obscurecimento da percepção do “pulchrum” –, e isso não somente para a alma humana e a sociedade, como também para a glória de Deus. 

O miserabilismo ofusca o “instinto de Deus” 

Havana
Os modelos miserabilistas da sociedade, propostos por correntes comuno-católicas contemporâneas, são profundamente antinaturais; pois tendem a deformar, e inclusive a atrofiar, os instintos mais profundos da alma humana. 

O instinto fundamental de toda criatura racional é a busca da felicidade, que a conduzirá a Deus. O homem tende à felicidade por um instinto inato e não pode, sem grave violência contra a sua natureza, apartar-se de seu fim ultimo, que é o conhecimento e o amor de Deus; com o auxílio, é certo, da graça sobrenatural que perfeiçoa e eleva a natureza. 


A beleza no mundo eleva a alma a Deus
Se bem que a verdadeira e última felicidade de todo o homem se alcança no Céu, já nesta vida pode-se ter uma certa felicidade que, ainda que imperfeita, tem alguma semelhança com a celeste. Na vida terrena, a felicidade que mais se parece com a do Céu está na contemplação desinteressada da beleza refletida na criação. Conhecendo-a, a própria alma se torna bela. E, com isso, por uma certa conaturalidade, a alma tende a desejar a suprema beleza divina. A esse respeito, diz São Tomás que “quando o homem vê um efeito, experimenta o desejo natural de conhecer sua causa e daí nasce a admiração humana”.(5) Por isso pode afirmar-se que o espetáculo da beleza nas coisas desperta a admiração, e a admiração acende a tendência para Deus, que é o desejo de conhecer a causa última. 

Como uma consequência do argumento anterior, o Doutor Angélico afirma: “É evidente que nenhum homem pode apartar-se voluntariamente da bem-aventurança, pois busca esse objetivo natural e necessariamente, e escapa da miséria”.(6) 

O miserabilismo debilita a inteligência ao eliminar os reflexos cognoscíveis do Criador na sociedade 

Somente o homem é capaz de tender até a felicidade, pois essa é um bem da razão. Agora para encontrar essa felicidade, o homem deve avançar até seu fim, que é Deus. E uma das primeiras e mais diretas formas pelas que a alma racional encontra os vestígios de Deus é, como se tem dito, na beleza das coisas criadas: o desejo natural de ver a Deus nasce na alma suscitado pela contemplação do mundo criado, “porque – como diz São Paulo – as coisas invisíveis de Deus, depois da criação do mundo, se tornaram visíveis através da compreensão das coisas feitas”(7) (Rom. 1:20).


Logo quanto mais beleza encontra a alma no mundo sensível, mais se eleva sua alma a Deus.

Por isso se torna patente a necessidade – tanto para a perfeição do homem quanto, sobretudo, para a glória de Deus – que nessa realidade visível se manifeste e resplandeça a beleza de Deus. Isso, não somente nas obras que saem diretamente das mãos do Criador, como também das dos homens: “Resplandeça Sua obra sobre Israel e Sua magnificência nos cumes”, disse o salmista (Salmos 67:35). 

Pelo contrário, aqueles que, segundo o próprio São Paulo, “tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças” – e que, por isso, “obscureceram seus corações insensatos” – o próprio Deus “os abandonou aos desejos de seu coração, à imundícia” (Romanos 1:21 e 24). A partir dessa rejeição fica aberto, segundo o Apóstolo dos gentios, o caminho para o mundo horrendo. 

O miserabilismo atrofia a vontade e deforma a sensibilidade 

De maneira semelhante ao que ocorre com a inteligência, a vontade tende também a atrofiar-se como resultado da implantação de uma sociedade tal como a desejam os teóricos comuno-católicos do miserabilismo. Por causa das circunstâncias que essa cria – quer dizer, uma sociedade sem ornato nem beleza – a vontade tenderá com menos força até a verdadeira plenitude humana. 

Do mesmo modo que a contemplação da beleza do mundo
sensível é um dos pontos de partida da inteligência para o conhecimento de Deus, essa realidade também é capaz de despertar, desenvolver e enriquecer os atos de vontade e os processos afetivos que, muitas vezes, o precedem(8) e que conduzem à felicidade; ou, pelo contrário, uma sociedade miserabilista pode debilitar e desvanecer esses mesmos atos volitivos e afetivos.

A vontade é uma faculdade espiritual, consciente e livre. Portanto, é capaz de sobrepor-se à desordem ou à ausência dos movimentos instintivos da sensibilidade. Por isso, teoricamente, o homem pode dirigir esse poder da alma até seu fim último em meio da total ausência de estímulos sensíveis, movida apenas pelo conhecimento abstrato de Deus. 

Mas como a natureza humana não é angélica, e, sim, um composto de alma e matéria, se faz necessário que, pelo menos em parte, o apetite da natureza instintiva preceda ao querer da vontade.(9)

Por exemplo, a um menino que viva em uma tribo primitiva da Nova Guiné é enormemente difícil, se não impossível, por causa da rudeza do ambiente, aprender a analisar com sua inteligência, aderir com sua vontade e degustar com sua sensibilidade, desde a beleza estética de uma obra de arte sacra até a qualidade e os diversos sabores de um bom vinho.

Isso acontece porque seus sentidos estão embrutecidos, com o qual sua alma espiritual carece dos instrumentos necessários para distinguir os aspectos transcendentes e formosos da realidade. 

Em uma forma meramente analógica, esse princípio está incluído no mundo animal. Assim, por exemplo, um gato criado no obscurecimento total e sem contato com outros animais, aves ou insetos, verá atrofiado seu instinto de caçador inato. 

O miserabilismo evita que o homem conheça a verdadeira felicidade e adira ao seu fim último que é Deus.

O ditador comunista de Cuba, Raul Castro,
com o Cardeal de Havana, Mons. Jaime Ortega
Em sociedades artificialmente privadas de ornato e beleza, como ocorre nos países comunistas – de onde impera compulsoriamente o feio, o banal e o sórdido nos ambientes, os costumes e as artes – tendem a debilitar o impulso da vontade até seu fim último transcendente, que é Deus. Porque, como recorda São Tomás, “tal como cada um é, tal lhe parece o fim”.(10) 

Isso se dá particularmente naqueles países como Cuba, onde o regime tem optado explicitamente por um modelo “miserabilista”, com o aplauso de “teólogos da libertação”. 

O próprio sistema de racionamento imperante – qualificado como um “êxito político”, no sentido de que implanta uma “base igualitária”(11) na população – coloca em um necessário primeiro plano os desejos mais imediatos e animais do homem, reflexos do instinto de conservação e do instinto gregário.(12)

Se essa situação de fato é aceita passivamente – como acaba ocorrendo em incontáveis pessoas que vivem sob o regime comunista cubano, para as quais as possibilidades de modificar o contexto imperante são remotas – a sensibilidade, em relação ao bem, à verdade e à beleza, se vai deformando ou atrofiando. E como ela influi sobre a vontade, acaba sendo que o desvio da primeira repercute sobre a segunda, ajudando a apartá-la de seu fim verdadeiro, como ensina São Tomás.(13) 

Em um ambiente assim, e através do processo aqui descrito e analisado em suas linhas gerais, os indivíduos vão sendo imperceptivelmente conduzidos até uma forma de ateísmo por assim dizer “vivencial”. Ou então até modalidades de panteísmo que negam a transcendência de Deus. Nessas condições as pessoas estarão muito mais propensas a aceitar uma convergência e identificação com o comunismo. 

Riquezas materiais, manifestação da abundância dos dons de Deus

Para melhor esclarecer este ensaio, ao falar do “pulchrum” na Criação não se tem dito a necessária correlação entre esse transcendental do ser – cujos vestígios a revolução gnóstica e igualitária quer extinguir da face da Terra – e a riqueza ou abundância material. A este aspecto se dedicarão em seguida algumas linhas. 

Como se tem visto, à luz do sentido comum e da filosofia tomista, um dos caminhos principais para que a alma se eleve ao conhecimento de Deus – e, em consequência, alcance de sua própria felicidade – é a contemplação do belo nas coisas criadas. 

Daí a necessidade do esplendor e o ornato na ordem material, para que possam exercitar-se as faculdades naturais da alma que melhor ordenam o homem até Deus, como o são o desejo instintivo da verdade, da bondade e da beleza. 

Nas presentes considerações, se tem insistido especialmente nessa última. E se tem mostrado também como esses instintos espirituais da alma podem atrofiar-se por falta de exercício, tal como se atrofiam os músculos do corpo quando se mantêm imóveis por longo tempo.

Entretanto, a riqueza é uma das condições que favorecem a criação do esplendor inerente ao belo, assim como, pelo contrário, a miséria produz feiura. A sabedoria divina, pela boca do rei Davi, considera feliz o povo que goza da abundância de bens, não somente morais, mas também materiais. 

Um povo assim não somente vive na posse da honra, da verdade e da justiça, como “cheios estão seus celeiros, transbordando toda sorte de frutos; suas ovelhas mil vezes fecundas, se multiplicam pelos campos em numerosos rebanhos; suas vacas estão gordas. Não têm buracos em suas muralhas, nem exílio, nem choro em suas praças. Feliz chamaram o povo que goza dessas coisas” (Salmos 143:12 a 15).

São Tomás sentencia, a respeito da abundância material e espiritual louvada neste Salmo: “Os homens estimam que têm nesta vida alguma felicidade, por certa semelhança com a benção verdadeira; e essas não se enganam de todo”(14) Algo oposto, portanto, à concepção miserabilista da sociedade sustentada pelas correntes comuno-progressistas.

Necessidade de uma riqueza proporcional, em todos os níveis sociais 

As riquezas são uma manifestação da abundância dos dons de Deus. Isso não somente vale para as grandes riquezas, mas também para aquele grau de supérfluo necessário que todo o homem deve ter para adornar sua vida, dando, assim, a essa, o grau de dignidade e esplendor necessários para manter vivo e atuante o dinamismo da alma para as coisas mais altas.

A arte popular, por exemplo, é a seu modo uma forma preciosa de riqueza material de uma nação, que supõe uma dignidade de alma aberta à beleza. E isso somente é possível em um povo onde a fé e o sentimento religioso estão operantes. 

Com mais razão ainda o são também a arte nobre, os palácios, os monumentos faustosos, as grandes instituições e em geral todo aquele que exige não somente nobreza de alma, mas também grandes meios materiais para serem realizados. 

Essas manifestações artísticas se complementam como expressão da alma de todo o povo e a todos aproveita. E a própria psicologia moderna reconhece hoje o grande valor que historicamente tiveram para o bem-estar psíquico de todo o corpo social as diversas manifestações de riqueza material. 
O regime comunista transformou Cuba, a ex- "Pérola da Antilhas", numa imensa favela 

Antes de tudo, o miserabilismo atenta contra a glória de Deus 

Concluindo, pode-se afirmar que atuar para a implantação de uma sociedade miserabilista traz preparada a premissa implícita de que o homem não deve lutar contra seus desejos desordenados nem contra as circunstâncias adversas externas para embelezar moralmente sua alma e aperfeiçoar o mundo que o rodeia; seu bem estaria em deixar-se governar por seus instintos mais baixos e primários.

Sob certo ponto de vista, isso constitui um auge da aversão a Deus – que começou com o pecado do orgulho do “non serviam” [não servirei] – e projeta sérias consequências no plano moral, social e econômico.

O miserabilismo é um pecado contra Deus, porque nega ao criador a glória e a honra que se Lhe deve absolutamente, renunciando ao ordenado uso dos bens terrenos, que Deus entregou aos homens para que os multiplicassem.

O miserabilista é como aquele servo infiel do Evangelho, que enterrou o talento que o Senhor lhe havia dado, não o fazendo frutificar (São Mateus 25: 14 – 30).

É também uma injustiça contra a sociedade, porque destrói e impede o harmonioso desenrolar da ordem natural, que, como explica São Tomás amplamente, em matéria de bens terrenos alcança seu pleno desenrolar no regime de propriedade privada (15). 

É, por fim, uma agressão contra a natureza humana, pois, como se demonstrou, atrofia as potências da alma, removendo do homem os meios adequados para alcançar seu fim último, que é a felicidade.

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Notas: 
(*) "Até quando as Américas tolerarão o ditador Castro, o implacável stalinista que continua oprimindo o povo cubano, e ameaçando as nações irmãs?“, Miami, 1990, pgs. 167 a 172. (Os trechos aqui publicados foram traduzidos por Anselmo de Barcelos Coura). 
1. Sobre as causas desse processo, e seu desenvolvimento histórico até o presente, ver a obra mestra de Plinio Correa de Oliveira, Revolução e Contra-Revolução. 
2. Os transcendentais, em seu sentido filosófico, são qualidades que pertencem ao ser enquanto tal, convindo, portanto, se bem que em graus diversos, a todos os seres. Assim, por exemplo, são perfeições transcendentais a unidade, a verdade e a beleza. 
São Tomás ensina que a noção de propriedades transcendentais do ser domina a respeito tudo o que se pode dizer do ser. Elas são noções análogas de perfeições que se realizam nas criaturas e, de modo eminente e infinito, em Deus.
São Tomás trata amplamente sobre o lugar do “verum” – a qualidade de ser verdadeiro – entre os transcendentais “ens”, “unum”, “aliquid”, “bonum”, na questão I, “De Veritate”, a.1 (Edições Universidade de Navarra, Pamplona, 1967, pp. 151 a 163). Na presente dissertação se enfatiza a ação nefasta do processo revolucionário enquanto provocando um debilitamento da percepção do “pulchrum”. E poderiam efetuar-se estudos análogos centrando-se em outros transcendentais, especialmente o “verum” e o “bonum”. A respeito da verdade e suas principais modalidades, veja o denso opúsculo “A verdade libertadora“, do eminente teólogo espanhol contemporâneo Revmo. Pe. Victorino Rodríguez e Rodíguez, O.P. 
Ao fato experimental, de que as coisas têm propriedades transcendentais que se realizam em diversos graus, como a verdade, a bondade, a beleza e nobreza, etc., São Tomás tem isso como ponto de partida para sua quarta via, na qual demonstra a existência de Deus: “Vemos, nos seres, que alguns são mais ou menos bons, verdadeiros e nobres que outros, e o mesmo acontece com as diversas qualidades. Mas o mais e o menos se atribui às coisas segundo sua proximidade com o máximo, e, por isso, se diz que o mais quente é o que mais se aproxima do máximo calor. Portanto, tem que existir algo que seja o sumo da verdade, da nobreza e do ótimo, e, por isso, ente ou ser supremo. (“Suma Teológica”, I, q.2, a. 3c). 
3. O desenvolvimento dessa tese, em todas as dimensões que ela comporta, transcende os limites do presente trabalho. Neste nos estenderemos especificamente sobre a ação do miserabilismo enquanto destruidor ou obscurecedor da percepção do pulchrum nas almas. Inclusive, sobre esse aspecto, não pretendemos abarcar todo o tema, nem enfocá-lo com a precisão ou com o rigor de um filósofo. 
4. Nesse contexto, o termo “transcendência” diz respeito ao conjunto dos atributos do Criador, que ressaltam sua infinita superioridade em relação as criaturas. 
5. Suma Teológica I, q. 12, a. 1 
6. Suma Teológica I, q. 94, a. 1c 
7. Isto é, as perfeições invisíveis de Deus se tornaram visíveis à inteligência, por meio de Suas obras. 
8. No animal, a finalidade da sensibilidade está no deleite do próprio sentido, na conservação do ser (instinto de conservação) e da espécie (instinto de reprodução). No homem, em troca, os sentidos também estão ordenados à perfeição humana, que, como foi visto, se encontra na felicidade transcendente, conhecida pela inteligência e desejada pela vontade. 
9. cfr. Suma Teológica, 1-2, q. 10, a. 1, art. 1. 
10. Suma Teológica, 1-2, q. 9, a. 2 e ad. 3.
11. cfr. “1917-1987: o socialismo em debate”, Instituto Cajamar, São Paulo, 1988; relato de Juan Valdés, Chefe do Departamento da América Latina do Centro de Estudos de América, da Habana; p. 133. 
12. A vida cotidiana dos cubanos é característica neste sentido. O racionamento, as filas intermináveis para adquirir produtos indispensáveis para a subsistência, etc., conduzem a isso. 
13. cfr. I-II, q. 9, a. 2, e ad. 3. 
14. Suma Teológica, 1-2, q. 5, a. 3, ad. 3. 
15. Suma Teológica, 2-2, 66, 1-2.