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4 de setembro de 2014

PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL / 1914 – 2014

Paulo Roberto Campos 
Muito se tem falado sobre os 100 anos da Primeira Guerra Mundial, mas pouco de suas reais consequências. Iniciada em 28 de junho de 1914, com o assassinato do herdeiro do Império Áustro-Húngaro, o Arquiduque Francisco Ferdinando (Sarajevo), a hecatombe só encerrou-se em 1918, acarretando no mundo inteiro sérias consequências, profundo desmoronamento de valores morais, graves cicatrizes na Civilização Cristã. 


Naqueles primórdios do século passado, num clima saturado de otimismo, dançavam-se as valsas vienenses nos faustosos salões iluminados pelas recém-inventadas lâmpadas elétricas e exalavam-se os melhores perfumes da Belle Époque. 

Na Paris de 1900, a capital da “douceur de vivre” [doçura de viver], realizou-se a primeira grande exposição universal. Visitantes de todos os quadrantes da Terra lá estiveram, prestando admirados suas homenagens aos surpreendentes progressos que a técnica acabara de descobrir. 

Nascia a era apoteótica da máquina. Despontava a civilização industrial e o mundo mecanizado, nos quais os homens esperavam poder viver plenamente felizes — a tecnologia resolveria todos as dificuldades, a ciência eliminaria as doenças e, quiçá, até a morte. 

Essa concepção de vida é denunciada por Plinio Corrêa de Oliveira em sua magna obra "Revolução e Contra-Revolução":
“Auto-suficiente pela ciência e pela técnica, [o homem] pode ele resolver todos os seus problemas, eliminar a dor, a pobreza, a ignorância, a insegurança, enfim tudo aquilo a que chamamos efeito do pecado original ou atual. [...] Nesse mundo, a Redenção de Nosso Senhor Jesus Cristo nada tem a fazer. Pois o homem terá superado o mal pela ciência e terá transformado a terra em um ‘céu’ tecnicamente delicioso. E pelo prolongamento indefinido da vida esperará vencer um dia a morte” (Parte I, Cap. XI, 3). 
Com uma tal mentalidade a entrava a humanidade nessa nova era, que prometia “um paraíso na Terra”. E entrava eufórica, como eufórica ingressara no Titanic — o fabuloso e gigantesco palácio flutuante — os futuros náufragos daquele colosso “insubmergível” que hoje jaz no fundo do oceano.

Como um raio céu sereno, o assassinato do herdeiro do Império Áustro-Húngaro, executado por um anarquista sérvio, foi a centelha da Primeira Guerra Mundial. Teria sido um castigo da Providência? Por quê? Não teria sido pelo fato de a humanidade ter posto mais fé na ciência e na tecnologia do que no Criador de todas as coisas? 


Pior que a própria guerra foram as suas consequências: o continente europeu foi profundamente abalado por um psy-terremoto que fez tremer o magnífico edifício da Civilização Cristã e revolucionar os costumes. Apesar de seu “epicentro” ter ocorrido no Velho Mundo, seus efeitos fizeram-se sentir em todo o orbe. No Brasil, por exemplo — que vivia até então tranquilo, tendo como polo de atração a Europa, particularmente Paris —, uma profunda modificação transformou as mentalidades e os modos de ser. Novos “valores” emergiram, os costumes mais tradicionais foram abalados, tudo em nome da modernidade lançada pelos Estados Unidos — a American way of life —, especialmente do cinema, a grande novidade da época. Hollywood passou a ser o novo polo de atração mundial. 

O mundo saído das trincheiras da guerra de 1914-1918 era completamente outro. A Europa católica foi a grande prejudicada, de modo especial o glorioso Império Áustro-Húngaro. As suaves melodias das valsas vienenses foram abafadas pelos grunhidos do fox trot e os ruídos da jazz band, oriundos da América do Norte. Usando linguagem metafórica, em artigo publicado no “O Legionário” (13-5-1945), Plinio Corrêa de Oliveira assim descreve os efeitos do pós-Guerra:
“É preciso ter vivido em 1920, ou 1925, para compreender o tremendo caos ideológico em que se debatia a humanidade. A Cristandade parecia um imenso prédio em trabalhos finais de demolição. Não havia o que não se fizesse para a destruir. Aqui, especialistas silenciosos e metódicos arrancavam uma a uma as pedras, desconjuntavam as traves, tiravam as portas a seus batentes, e as janelas a suas esquadrias. Essa faina, que faziam com o mutismo, a solércia e a agilidade de conspiradores, progredia com frieza inexorável, sem perda de um instante, sem desperdício de um segundo. [...] Procuravam com o material roubado à Casa de Deus, construir em suas linhas extravagantes e sensuais, a orgulhosa Cidade do Demônio. Tudo isto não é senão alegoria. E não há alegoria, nem imagem, nem descrição que possa retratar a confusão daqueles dias de pós-Guerra”.

22 de dezembro de 2011

“TRÉGUA DE NATAL”


Paulo Roberto Campos

No Natal de 1914 — portanto, durante a Primeira Guerra Mundial —, exércitos inimigos digladiavam-se ferozmente. Mas, no entardecer daquele magno dia da Cristandade, afundados em suas trincheiras, os soldados alemães começaram a cantar o “Stille Nacht, Heilige Nacht” (Noite Feliz). 

Ao ouvirem aquela tão doce melodia — uma canção vinda do Céu —, os inimigos encostaram suas armas. Os sons dos fuzis e as explosões das bombas foram substituídos pelos cânticos natalinos, pelas gaitas-de-fole dos ingleses e pelos sinos de uma Igreja a repicar alegremente celebrando o Nascimento do Menino Jesus. Era a “Trégua de Natal”! As tropas passaram aquela evocativa noite, iluminada pelas estrelas e pelas velas acesas, em serena e santa paz... 

Analogamente nosso blog — cujas matérias em 2011, pela ajuda e graça de Deus, talvez algumas tenham tido o efeito de “bombas” contra os adversários da instituição familiar na Terra de Santa Cruz — também fará a sua “Trégua de Natal”. Contudo, o nosso “cessar-fogo” terá uma condição: se ocorrer alguma traição, cessa o “cessar-fogo” e voltaremos ao campo de batalha da polêmica em defesa dos valores da família!

Celebraremos o Santo Natal, mas estaremos vigilantes, pois nossos adversários são velhacos em aproveitar a “calada da noite” para fazer espúrios “acordos” e investidas contra a instituição familiar e “apunhalar” assim a moral católica. Como aconteceu recentemente, aliás, com a tentativa de aprovação da perversa “Lei da homofobia” (persecutória à família) e com a aprovação da “Lei da palmada”, a qual equivaleu a um tapa na cara dos pais de família. “Aprovação” velhaca, diga-se de passagem, pois não se deu no Plenário da Câmara dos Deputados, mas numa simples comissão, praticamente no “apagar das luzes” de 2011.

Revivamos então, diletos Amigos, na “Santa Trégua de Deus”, o verdadeiro espírito e as alegrias de Natal. Faz-se para isso muito conveniente uma adequada decoração natalina que destaque o Presépio junto à árvore de Natal e não “divinize” a figura — caricata e comercial — do “Papai Noel” que, em muitos lares, tem “sequestrado” o Divino Menino Jesus... ou ocupado o Seu lugar!

De todo coração, agradecendo o apoio aos nossos embates, assim como as críticas construtivas que ao longo desse caótico 2011 recebemos, desejo a todos os seguidores e leitores do Blog da Família um Santo e Feliz Natal e um Ano Novo especialmente abençoado e de grandes realizações. 

Que a Sagrada Família, Jesus, Maria e José, reinem sempre em vossos lares.