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7 de fevereiro de 2026

Prisão de Maduro e a Venezuela cubanizada, continua esmagada pela Revolução Bolivariana

Nicolás Maduro no meio de militares e milicianos da Fuerza Armada Nacional Bolivariana. Essa instituição militar tem como missão oficial a de constituir um corpo "essencialmente patriótico popular e anti-imperialista" para defender a independência e a soberania nacionais sob a doutrina militar da Revolução Bolivariana, como concebida por Hugo Chávez. Contando com a cooperação técnico-militar de Cuba, é um dos maiores e mais bem armados exércitos do continente, com aproximadamente 140 mil militares ativos e uma estimativa de 200 mil milicianos (Foto: RS via Fotos Públicas).


Fonte: Editorial da Revista Catolicismo, Nº 901, Fevereiro/2026

Quando Hugo Chávez morreu em 2013, depois de ter passado longo período em Cuba tratando de um câncer, a Venezuela continuou chavista. Substituiu-o Nicolás Maduro, sequaz tão incondicional do déspota, que chegou a blasfemar dizendo que Chávez era “o Cristo redentor da América”. 

Agora a nação vizinha ficou livre também de Maduro, preso no início do ano e levado para Nova York, a fim de ser julgado por seus crimes. Caiu o ditador, mas não o governo comunista. Este permanece de pé, tendo a radical vice-presidente Delcy Rodríguez Gómez assumido interinamente a presidência. 

Ademais, continua no governo a mesma ‘nomenclatura’ chavista, gozando de todas as regalias, com seus salários exorbitantes; continua o mesmo Judiciário, controlado por juízes escolhidos por Maduro. As expropriações e estatizações das grandes empresas permanecem inalteradas; o mesmo acontece com o narcoterrorismo e a corrupção, bem como com o Conselho Nacional Eleitoral (órgão totalmente subjugado pelo governo), que garantirá ‘vitória’ eleitoral só de candidato chavista e a perpetuação da narcoditadura bolivariana. 

Continuam os mesmos órgãos sanguinários de repressão, aterrorizando o sofrido povo, sem condições sequer de protestar. Um só exemplo: o governo ordenou a todos os chavistas espionar e denunciar qualquer um — vizinho, colega de trabalho, de faculdade, na rua, no ônibus, em qualquer lugar — que comemore a prisão de Maduro. O acusado poderá ser condenado, encarcerado como se tivesse praticado algum ato terrorista contra o Estado.

A imensa maioria dos venezuelanos continua oprimida, na miséria quase extrema, não encontrando nos hospitais sequer suprimentos básicos, e nos mercados o necessário para uma vida digna. 

Estas questões são desenvolvidas na matéria de capa da edição deste mês da revista Catolicismo [foto acima], que analisa também as incoerências do governo Trump, as ambições de Xi Jinping e Putin, e a hipótese do estabelecimento de uma espécie de triunvirato global ditando os rumos da política internacional. Também trata da posição do governo lulo-petista frente à atual situação da Venezuela. 

Ainda a propósito da situação de Venezuela, transcrevemos também alguns fatos referentes ao fechamento, em 1984, do pujante grupo venezuelano ligado à TFP. 

Oxalá os males próprios a um regime comunista, que assolam a nação vizinha, não venham a contaminar o Brasil. Devemos rezar e atuar neste sentindo, dileto leitor, especialmente pela “descubanização” da Venezuela.

29 de janeiro de 2025

O BRASIL EM 2024 — Instabilidade climática em meio à desorientação e provocações da esquerda


 

Lula e Flávio Dino [ Foto: Ricardo Stuckert/PR ]

  ✅  Paulo Henrique Américo de Araújo

 

Neste olhar em retrospectiva sobre a situação brasileira, serve-nos bem como fundo de quadro a instabilidade climática — sem alarmismo ecologista obviamente — e seus efeitos que perpassaram o ano de 2024. As chuvas, a seca, as queimadas e até o frio provocaram insegurança, destruição e mortes. Tudo isso reflete, de maneira tangível, a falta de rumo das forças anticristãs revolucionárias que teimam em contrariar uma opinião pública cada vez mais infensa aos seus objetivos.

 

Rio Grande do Sul inundado pelas enchentes [Foto: Marinha do Brasil/via Fotos Públicas]

Provocações, chuvas e enchentes

2024 iniciou-se com as repercussões de gosto amargo provenientes do final do ano anterior: Flávio Dino, indicado por Lula como novo Ministro do STF, havia sido aprovado pelo Senado Federal para o cargo. O petista saiu com esta declaração: “Vocês não sabem como eu estou feliz hoje. Pela primeira vez na história deste país, nós conseguimos colocar na Suprema Corte um ministro comunista, um companheiro da qualidade do Flávio Dino.1”

Analistas consideraram a frase como “simples provocação”, “nada de muito sério2”. Por quanto tempo a opinião conservadora e cristã suportará afrontas assim? Além do amargor causado em boa parte dos brasileiros, a provocação prenunciava fortes chuvas, incêndios e fumaça que cobririam o horizonte do País. 

Em se tratando de provocação, nada mais eloquente do que o espetáculo blasfemo e pornográfico da cantora “Madonna”, ocorrido no Rio de Janeiro, em 4 de maio. Ao mesmo tempo que transcorria, na Praia de Copacabana, o insulto explícito ao sentimento religioso da maioria dos brasileiros, o Rio Grande do Sul era inundado pelas enchentes. A maior rede de televisão do País lidou mal com a situação: apesar das calamidades no Sul, deu preferência à exibição dos saracoteios insanos e imorais da artista americana3.

Enquanto uns se afundavam no pecado na capital fluminense, 182 pessoas morriam afogadas e outros 2 milhões eram afetados pelos alagamentos. Inúmeras vozes se ergueram para cogitar se teria sido possível evitar ou diminuir a catástrofe gaúcha. Sem entrar em detalhes dessa ampla discussão, um pequeno aspecto aponta para um culpado bem conhecido: o ecologismo radical. Dragagens preventivas nos rios (em especial no Rio Guaíba) teriam garantido mais espaço para a água escoar, mas isso não é executado porque “sempre se justifica propósitos ambientais”, diz o deputado estadual, Marcus Vinícius (PP-RS)4.

 

Queimadas no interior do estado de São Paulo

Estiagem, incêndios e fumaça

A seca de meados do ano foi violenta, batendo recordes de estiagem em várias regiões. Uma boa metáfora para o desprestígio crescente do lulo-petismo. No dia 1º de maio, Lula encabeçou um comício esvaziado em São Paulo, com a participação de menos de 2 mil pessoas. Lula sentiu a “secura” e “pediu água”, reclamando sobre a falta de engajamento da militância5. Ricardo Patah, um dos organizadores, afirmou: “Temos que fazer um mea culpa de nossa incapacidade de levar mais gente”, e acrescentou que há “dificuldade de interlocução com jovens6”.

Com a seca, vieram as queimadas. Cenas de labaredas gigantes à margem das rodovias de todo o País percorreram as redes sociais. Curiosamente, desta vez as tubas da grande mídia nacional e internacional não se lembraram de culpar o atual governo pelas queimadas, como haviam feito durante a gestão Bolsonaro, quando incidentes semelhantes tomaram o noticiário. Pelo contrário, houve quem apontasse como principais responsáveis, pasme-se, os agricultores7.

Um fato estranho, mas revelador da desorientação geral: o Ministro Flávio Dino, ele mesmo, o “queridinho comunista” de Lula no STF, mandou o governo atuar de modo mais eficiente para combater os incêndios8.

Assim, a Corte Suprema do País assume as funções de um Poder Executivo cada vez mais inepto. Alguém duvida que algo vai mal nas instituições da República? Vem bem a propósito o comentário de Eliane Cantanhê de: “Amazônia, Cerrado e Pantanal estão em chamas [...] Sem recuperar o protagonismo nas questões internacionais e ambientais e insistindo em estatismo e aparelhamento na Petrobras, fundos de pensão, agências reguladoras, Lula faz o oposto do que pretendia: não repete os acertos nem deixa os erros no passado9”. Os supostos “acertos” de Lula são por conta da articulista. Sabemos do que se trata: avanço da agenda esquerdista e economia submetida ao socialismo estatal, que conduzem inevitavelmente à bancarrota.

Com a estiagem prolongada, a Capital Federal assemelhava-se a um deserto no início de setembro, e a desolação patenteou-se ainda mais quando do desfile do Dia da Independência. O cenário de 2023 se repete: a Esplanada dos Ministérios praticamente vazia e um punhado irrisório de petistas. Lula achou por bem — quem sabe se para dar um pouco de ânimo à comemoração — colocar no palanque dois Ministros do STF: Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes.

Este último vai assumindo um protagonismo constrangedor10, segundo comenta Carlos Alberto Di Franco: “A destruição da ordem jurídica, que no Brasil de hoje é visível a olho nu, está sendo causada pelo excessivo protagonismo de um ministro do Supremo Tribunal Federal: Alexandre de Moraes11”. Mais adiante, acrescenta o mesmo articulista: “A crise de credibilidade do Judiciário é acelerada e preocupante. Seu desprestígio na sociedade precisa ser revertido”.

Ao mesmo tempo em que as queimadas se alastravam, as eleições municipais de 2024 entravam na “onda de calor”. E as chamas parecem ter invadido todos os quadrantes da esquerda! Não há como esconder sua estrondosa derrota. Os dados antecedentes ao pleito já indicavam a fumaça tóxica nas paragens esquerdistas: 15% dos municípios brasileiros não tiveram qualquer candidato de esquerda12. Em Santa Catarina, esse número foi de 25%.13

A esquerda venceu em apenas duas capitais: Recife e Fortaleza. Neste quesito, é seu pior resultado desde 198514. Quanto aos municípios em geral, partidos de esquerda e centro-esquerda que em 2020 tinham conquistado 852 prefeituras, agora ficaram com 74915.

Em São Paulo, Ricardo Nunes (MDB) obteve vitória esmagadora sobre Guilherme Boulos (PSOL), com diferença de quase 20 pontos: 59,3% contra 40,6%. Algo bastante sintomático foi o fato de Boulos ter tentado desesperadamente se afastar da “agenda progressista” durante a disputa, encarnando uma nova versão do “Lulinha paz e amor”. Nada funcionou!

A turma do PT e aliados ainda estão tentando juntar os cacos depois do fracasso eleitoral. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, afirmou que defende uma aliança “mais ao centro”16. Porém, já prevendo que a manobra não surtirá efeito sobre o brasileiro médio, intuitivo e de bom senso, a líder petista emendou em tom de ameaça: a esquerda “vai continuar sendo massacrada” se não regular as redes sociais17.

 


Inverno: “gelo” na máquina estatal

O inverno de 2024 derrubou os marcadores dos termômetros, batendo recordes de baixas temperaturas em certas capitais18. O frio extremo localizado foi um dos fatores (indiretos, é verdade) para a queda do avião da Voepass e a morte de seus 62 passageiros e tripulantes. Não desejo ser irreverente com a memória das vítimas, mas o lastimável acidente traz analogia marcante com o percurso seguido por Lula em seu desastroso 3º mandato.

Há gelo nas engrenagens do avião petista. Tal se vê nos disparates da política externa. As eleições na Venezuela — com sua escancarada ausência de legitimidade — tiveram como resultantes explicitar as incongruências da diplomacia brasileira e acabaram por consolidar a ditadura de Nicolás Maduro. Lula perdeu credibilidade e de seu autoproclamado título de “líder natural” da América Latina só restaram destroços. 19

Durante seu discurso na ONU em setembro, o líder petista repetiu propagandas demagógicas ultrapassadas, insistiu em ações para promover “igualdade de gênero” e políticas “antidiscriminação”; além de criticar as “estruturas da governança mundial”, em sinal claro para a tentativa de dar foco ao seu pretenso protagonismo com o chamado “sul-global”. Falou tanto que estourou o tempo do seu discurso e teve o microfone cortado20. Uma vergonha...

Na reunião do Brics em outubro, Lula tentou emplacar a liderança naquilo que analistas classificam de tendência “antiocidental” do bloco21. Mas no fim, de acordo com um especialista, o mandatário brasileiro acabou perdendo: “A imagem de Lula está manchada por seu apoio a Xi Jinping e a Vladimir Putin, e por sua atuação nos Brics 22.”

A par do esfriamento das suas pretensões no Brics, Lula ainda cometeu gafes pueris na diplomacia com os Estados Unidos. Pouco antes dos resultados das eleições presidenciais norte-americanas, ele saiu com este disparate: uma possível vitória do republicano Donald Trump representaria a volta de um “nazismo e fascismo com outra cara23”.

Para completar a insensatez diplomática com relação aos Estados Unidos, a esposa de Lula, Janja, não achou nada melhor do que atacar, da forma mais baixa, o Elon Musk, indicado por Trump para integrar sua nova equipe de governo. Numa típica “atitude de botequim”, ela referiu-se ao milionário com um palavrão24 — irreproduzível numa publicação como a nossa —, causando mal-estar mesmo entre os aliados petistas e provocando uma moção de repúdio na Câmara dos Deputados25.

Por essas e por muitas outras é explicável que a “frente fria” da insatisfação vá tomando conta do horizonte lulista e provoque a queda nos seus índices de aprovação. Em maio de 2024, a popularidade de Lula, que já vinha despencando, era de 37,4%. Em novembro, esse número tinha descido a 35%.27

Céu nublado, tempestades e raios

O tempo fechado e melancólico de outubro guardava certa analogia com a situação da “esquerda católica” no Brasil. A CNBB — sempre atrelada a um “progressismo” decrépito — parece se encontrar num “céu nublado”, quase totalmente desprezada no cenário nacional. Alguém se lembra de qualquer declaração ou atitude relevante do órgão, durante o ano? Ao menos algo que tenha sido de molde a mover as vontades? Nada!

Nesse sentido, são extremamente significativas essas palavras de Frei Beto, ao observar os participantes de um encontro de “progressistas” em Belo Horizonte: “A maioria de cabelos brancos ou tingidos. Minha geração envelhece. Chego este ano aos 80. É muito preocupante constatar que as forças progressistas não logram renovar seus quadros.” 28

A desconfiança e a indiferença dos brasileiros com relação ao clero progressista só aumentam. Motivos eles têm! Veja-se, por exemplo, a total inação das autoridades eclesiásticas quando “peregrinos” do movimento LGBT exibiram, na própria Basílica de Aparecida, uma cópia da imagem da Padroeira vestida com a bandeira arco-íris [foto ao lado]. Diante da perplexidade dos católicos, saiu a público uma lacônica nota dos responsáveis pelo Santuário Nacional. 29



Do outro lado do espectro político e religioso, a tendência é outra: juventude, dinamismo, esperança. Os quadros da direita se renovam e avançam. As próprias eleições municipais confirmaram isso de maneira eloquente30. Quem há de se surpreender que os progressistas e esquerdistas de todos os vieses estejam desorientados e assumam, como último recurso, o revanchismo meio desesperado? Parece que a gota d’água para o revide veio após a clamorosa vitória de Trump e da direita em geral nas eleições americanas.

As tempestades e os relâmpagos despontaram no horizonte dias depois dos resultados. O estopim de um mal executado “ataque terrorista” em Brasília desencadeou novamente os alaridos da esquerda: o País está sob a ameaça dos “conservadores radicais”! O insano e atrapalhado “terrorista” morreu no ato, os danos materiais causados por ele foram insignificantes, porém o evento serviu bem, novamente, para a hábil propaganda da esquerda demonizar todos os conservadores e direitistas31, mesmo os que desejam ordem e paz para a Nação.

Quase como uma cena saída de um enredo já pronto, outro raio iluminou os céus em novembro: o vazamento de supostos planos de golpe de estado, envolvendo o ex-presidente Bolsonaro, o alto escalão do Executivo de então, bem como oficiais das Forças Armadas. Na sequência das investigações, a tempestade deve continuar nos primeiros meses de 2025, entretanto nada mais apropriado para desviar as atenções da patente derrota e desorientação da esquerda no Brasil no último ano.


Não podemos nos esquecer de um contra-golpe simbólico no meio deste vendaval: no fim de novembro, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal (CCJ), presidida pela Deputada conservadora Caroline de Toni, aprovou o projeto de emenda constitucional que proíbe o aborto no Brasil32. O projeto precisa passar por outros trâmites na Câmara, mas a decisão reflete a força da direita no Legislativo, algo que provocou esperneios histéricos entre petistas e seus aliados. Parabéns aos membros da CCJ pela decisão corajosa.

Diante dos acintes esquerdistas e progressistas contra a tendente pacatez e tranquilidade de nosso povo, vale mencionar essas palavras de Plinio Corrêa de Oliveira: “Cuidado com os pacatos que se indignam, senhores da esquerda, do centro e da direita. A hora não é para carrancas, mas para as discussões arejadas, polidas, lógicas e inteligentes. Os pacatos toleram tudo, exceto que se lhes perturbe a pacatez. Pois então facilmente se fazem ferozes...”33

Peçamos a Nossa Senhora Aparecida que conduza as forças conservadores e católicas neste ano de 2025 para, dentro da lei e da ordem, fazerem valer sua voz sobre a esquerda desnorteada, desesperada e derrotada.

____________

Notas:

1. Valor Econômico, 15-12-23

2. Idem.

3. Tragédia no RS, documentário Brasil Paralelo

4. UOL, 25-5-24.

5. Folha de S. Paulo, 1-5-24.

6. FSP, Fábio Zanini,“Fim da linha”, 3-5-24.

7. FSP, 6-9-24.

8. O Globo, 14-9-24.

9. O Estado de S. Paulo, 9-9-24.

10. Correio do Povo, 7-9-24.

11. OESP, 16-9-24.

12. UOL,18-9-24.

13. UOL,18-9-24.

14. FSP, 28-10-24.

15. Embora o PT tenha conquistado mais prefeituras do que em 2020 (183 para 252), isso pouco representa de tendência geral nos resultados. Cfr. UOL, 27-10-24.

16. Portal de Prefeitura, 28-10-24.

17. Infomoney, 28-10-24.

18. Em São Paulo houve a média mais baixa em 25 anos: Cfr. Isto é, 28-8-24. O Rio de Janeiro teve a madrugada mais fria em 13 anos (8,3ºC): Cfr. O Globo, 13-8-24.

19. FSP, 14-8-24.

20. Gazeta do Povo, 22-9-24.

21. BBC Brasil, 22-10-24.

22. OESP, 30-11-24.

23. Poder 360, 7-11-24.

24. OESP, 17-11-24.

25. OESP, 28-11-24.

26. UOL, 7-5-24.

27. OESP, 12-11-24.

28. UniSinos, 22-4-24.

29. Portal de Prefeitura, 19-11-24.

30. Gazeta do Povo, 10-11-24.

31. Gazeta do Povo, 14-11-24.

32. Agência Brasil, 27-11-24.

33. FSP, “Cuidado com o Pacatos”,4-12-1982.

4 de janeiro de 2025

2024 EM RETROSPECTIVA — Sinais do Céu para a Igreja e para o Mundo


 

As investidas da Revolução e da Contra-Revolução na América Latina ao longo do ano; o Brasil se debate em meio à confusão: instabilidade política e minguamento da esquerda; movimentos marxistas, civis e eclesiásticos, em rigoroso inverno; promessa de jubilosa primavera para os conservadores; Notre-Dame — esperança de restauração da Cristandade. 


Fonte Revista Catolicismo, Nº 889, Janeiro/2025 

“Procurai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas as coisas vos serão dadas por acréscimo” (Mt 6,33). 

Deste conselho do Divino Mestre podemos dizer que não foi aplicado ao longo do ano que acaba de se encerrar. Se fosse, tudo teria sido diferente... 

Também se poderia dizer que foi aplicado justamente o contrário: procurou-se em primeiro lugar os acréscimos (as coisas secundárias, como os bens materiais) e se esqueceu de procurar o Reino de Deus. 

Donde a miserável situação da Igreja e do mundo em 2024: a Igreja “descatolicizada” e o mundo paganizado. Ficou-se sem o Reino de Deus e também sem os acréscimos (tão almejados). 

A Santa Igreja “à beira de um precipício” (segundo oportuna declaração do bispo texano, emérito de Tyler, Dom Joseph Strickland, comentando o nefasto Sínodo sobre a Sinodalidade) e o mundo prestes a entrar numa III Guerra, que, para alguns sérios analistas políticos, já começou. Basta lembrarmo-nos da situação de Israel, Palestina, Líbano, Síria, Irã, Ucrânia, Rússia, Taiwan, entre outras nações em conflitos internos ou externos. 

Nossa Pátria não está “ilhada”, ilesa aos conflitos mundiais, pois dominada por um governo de esquerda aliado a ditadores marxistas, como Putin, Xi Jinping et caterva, que pretendem uma Nova Ordem Mundial liderada pela China comunista e não mais pelo mundo ocidental e cristão; tudo em oposição à liderança dos Estados Unidos. 

Confrontam-se esses dois polos ideológicos em radical “guerra fria” — fala-se em “fria”, mas, de fato, esquentando muito dia a dia... 

Graças a Deus, ao longo do ano, fomos vendo a estrela do PT se apagando. Talvez até tenha se apagado definitivamente, como revelaram as últimas eleições municipais e a rejeição a Lula chegando a 90% no mercado financeiro (cfr. Pesquisa Quaest de dezembro passado). 

Entretanto, no caos generalizado de 2024, o ano, ardendo em incêndios no fundo de um “buraco negro”, terminou com uma grande promessa de ressurgimento da civilização: a maravilhosa restauração da Catedral de Notre-Dame! Uma como que ressurreição da fabulosa rainha de todas as catedrais — símbolo da restauração do Reino de Deus no Reinado do Imaculado Coração de Maria.

28 de dezembro de 2024

COMUNICADO do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira



Na véspera do Natal, resolução do CONANDA abre as portas à prática do aborto no Brasil. Rejeitamos tal decisão favorável ao aborto em menores de idade, sem limite de tempo, desrespeitando o direito dos pais, dos médicos e a moral cristã.

 

Na antevéspera do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Brasil foi surpreendido por uma resolução do CONANDA (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente) a favor do pecado do aborto realizado em menores de idade.

O CONANDA é integrante da estrutura básica do Ministério dos Direitos Humanos do atual Governo do PT.

Ao final das deliberações, os conselheiros se saudaram com “Feliz Natal”, enquanto aprovavam uma Resolução que buscava garantir o chamado “aborto legal” a menores de idade, sem a necessidade do consentimento dos pais ou de seus representantes legais e, em alguns casos, até mesmo em oposição à vontade deles.

Para o CONANDA, de forma contraditória, uma criança que ainda não tem maturidade biológica ou psicológica para ser mãe, seria madura o suficiente para decidir pelo aborto, ocasionando a morte de um outro ser humano ainda não nascido.

Ademais, os Hospitais católicos seriam obrigados a realizar o aborto e o médico, mesmo desconfiando de que a gestante estivesse mentindo sobre ter sofrido violência sexual, não poderia deixar de realizar o aborto.

Causa profunda dor, especialmente entre os católicos, a grave omissão da CNBB, cujo representante não participou da votação, permitindo que a resolução fosse aprovada sem sua manifestação.

Convém lembrar que o Concílio Vaticano II, em sua constituição pastoral Gaudium et spes (7 de dezembro de 1965), condenou o aborto como um crime abominável.

Nos últimos 25 anos, o aborto foi sendo gradualmente implantado no Brasil através de interpretações judiciais, à revelia do processo legislativo.

Em uma democracia, cabe ao Congresso votar Leis e ao Poder Judiciário julgar os casos segundo as leis aprovadas. Todavia, não houve alteração legislativa na lei do aborto desde 1940, apenas resoluções, normas técnicas ou decisões judiciais.

O Código Penal, de 1940, tipifica o aborto como crime, não o punindo em duas situações (gravidez resultante de estupro e risco de vida da mãe). Posteriormente, há cerca de dez anos, o STF incluiu uma terceira situação em que o crime de aborto não é punido (fetos anencéfalos).

Até 1998, o aborto não era realizado em nenhum hospital do Brasil. Em 1998, o então Ministro da Saúde de Fernando Henrique Cardoso, José Serra, publicou uma “norma técnica” autorizando o aborto no Brasil nos casos em que o Código Penal não punia. Por uma “interpretação” feita através de uma norma técnica que não tinha nem sequer o valor de uma lei, o “crime não punido” passou a ser um direito, ao qual se deu o nome de “aborto legal”.

De lá para cá, a situação foi sendo gradualmente ampliada.

A esquerda, que hoje diz defender a Democracia, diante do crescimento da Opinião Pública conservadora no Brasil, decidiu mudar de estratégia e contornar o processo legislativo.

Apenas a título exemplificativo, elencamos algumas das absurdas deliberações do CONANDA (a numeração dos artigos pode ser alterada até a publicação oficial da resolução):

1) A criança ou adolescente, vítima de violência sexual, deve ser informada “sobre a interrupção da gestação” mesmo na “ausência dos pais ou do representante legal” (Art. 8º. §3º)

2) “O aborto legal é um direito humano de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual” (Art. 9º.) (Grifos nossos).

3) Nenhuma notificação ou comunicação, seja ao Conselho Tutelar ou à autoridade policial, podem, “em hipótese alguma, ser impostas como condições para o acesso a serviços e procedimentos de saúde” (Art. 14). Ademais, na mesma linha, “O atendimento de saúde deve ser assegurado independentemente da comunicação tratada neste dispositivo” (Art. 17, parágrafo único).

4) A mesma criança que deve ser amparada e protegida pelo CONANDA por sua vulnerabilidade, é considerada capaz de uma autonomia em relação à própria família e ao Estado: “É dever do Estado, da família e da sociedade respeitar a autonomia de crianças e adolescentes em relação ao exercício de seus direitos, abstendo-se de qualquer ato que constranja, ameace ou provoque medo, vergonha ou culpa em decorrência da decisão de interromper a gestação ou de realizar a entrega protegida” (Art. 21).

5) Os pais seriam contactados se houvesse “concordância da criança ou adolescente”, mas não necessariamente para que os pais decidam sobre o procedimento do aborto, mas para que possam “acompanhar o atendimento, receber as devidas informações” (Art. 24).

6) Se a criança tiver capacidade de “tomada de decisão” (a resolução não especifica quem será o responsável por atestar essa capacidade, mas deixa claro que não são os pais), o “profissional deve garantir que o procedimento de escuta, manifestação da vontade e quaisquer outros tratamentos ou cuidados, devidamente consentidos, sejam realizados sem qualquer impedimento” (Art. 25). (Grifos nossos).

7) Se houver divergência entre a vontade dos pais e da criança e a situação chegue ao Poder Judiciário, a resolução do CONANDA chega ao absurdo de tentar orientar a decisão dos juízes, garantindo à criança, que seu caso seja analisado “a partir de sua vontade manifestada..., que reconhece a condição de sujeitos de direitos de crianças e adolescentes, abstendo-se de atos que deem prevalência à vontade dos pais ou responsáveis legais em detrimento da vontade manifestada pela criança ou adolescente...” (Art. 28, IV). (Grifos nossos)

8) Para deixar mais patente a virtual abertura do aborto no Brasil, bastando a palavra da vítima para ter acesso ao aborto em decorrência de violência sexual, o CONANDA afirma, em sua resolução: “O acesso à interrupção legal da gestação não dependerá: da lavratura de boletim de ocorrência, de decisão judicial autorizativa do procedimento, da comunicação aos responsáveis legais quando isso puder ocasionar danos à criança ou adolescente” (Art. 31).

9) O aborto pode ser realizado até os nove meses de gestação: “O limite de tempo gestacional para a realização do aborto não possui previsão legal, não devendo ser utilizado pelos serviços como instrumento de óbice para a realização do procedimento” (Art. 32).

10) Hospitais católicos ou confessionais, que se oponham ao aborto, não podem se negar ao procedimento: “A objeção de consciência é um direito individual que não pode ser alegado por instituições que prestam serviços de saúde” (Art. 34).

11) O médico que desconfiar da adolescente gestante que alegar ter sofrido violência sexual, não poderá alegar essa desconfiança para se abster de realizar o aborto: “Configura conduta discriminatória, inapta de ser caracterizada como objeção de consciência, a recusa em realizar a interrupção da gestação com base meramente na descrença em relação à palavra da vítima de violência sexual” (Art. 34, §1º).

Essa resolução, votada na antevéspera de Natal, mostra até onde a esquerda quer levar o nosso querido Brasil, a Terra de Santa Cruz.

"Matança dos Inocentes" (ordenada por Herodes), quadro de Duccio Di Buoninsegna (1308), Museu dell'Opera del Duomo (Siena, Itália).


Quando nascia Nosso Senhor Jesus Cristo, cuja festa comemoramos neste dia 25 de dezembro, um personagem de nome Herodes ficou marcado na História por ter ordenado a morte dos inocentes.

Arrancados dos braços de suas mães, essas crianças verteram seu sangue como consequência de uma sociedade que já não valorizava a Moral, mas o prazer e o poder.

O Brasil, corrompido por essa mesma mentalidade, se aproxima mais do paganismo do que do Cristianismo.

Mas é nas grandes decadências, como essa que atravessamos, que a História mostra as grandes ressurreições.

Estamos no Natal d’Aquele que é a Luz do Mundo. Diante de seu Presépio peçamos, por meio de Nossa Senhora Aparecida, as graças necessárias para não apenas permanecermos fiéis, mas para defendermos a sua Lei contra as artimanhas que se abatem sobre nossa nação.

Em breve, temos a certeza, as trevas desse neopaganismo serão vencidas pela Luz de Cristo que já começa a brilhar em incontáveis almas que se voltam para a verdadeira Fé, do Verdadeiro Deus, nascido da Virgem Maria em Belém.

São Paulo, 24 de dezembro de 2024

Frederico R. de Abranches Viotti

Diretor de Comunicação

Instituto Plinio Corrêa de Oliveira


4 de outubro de 2024

“Mineração e eleição só depois da apuração”



Nas vésperas das eleições municipais, seguem alguns pensamentos para levarmos em consideração no próximo domingo 


“Para vencer, não devem os candidatos procurar ajustar suas campanhas eleitorais ao quadro-fiction de uma opinião pública brasileira socialo-comunista. Falem com timbre claro, leal e valente, a linguagem que os setores centristas e até reacionários da opinião pública gostam de ouvir. E as urnas lhes dirão que terá vencido o candidato que falou ao Brasil real, e não o que tenha falado a um Brasil irreal, um Brasil-fiction, paraíso dos comunistas e de seus vizinhos ideológicos.” (Plinio Corrêa de Oliveira) 

 

“Em ano eleitoral o ar está cheio de discursos. E vice-versa.” (François-Joseph Nolau)

 

“Fala-se em liberdade para matá-la, em democracia para destruí-la, em legalidade para negá-la em sua própria essência. As palavras adquirem sentido oposto ao seu significado, e os homens afetam sentimentos nobres para justificar, na perplexidade das ideias, a política dos mais baixos instintos.” (Carlos Lacerda) 

 

“O silêncio dos povos é lição para os governantes.” (Provérbio francês)

 

“Nunca se mente tanto quanto antes de uma eleição, durante uma guerra e depois de uma pescaria...” (Otto von Bismarck) 

 

“Você pode enganar uma pessoa por muito tempo; algumas, por algum tempo; mas não consegue enganar todas por todo o tempo” (Abraham Lincoln) 

 

“O coração do sábio o inclina para a direita, mas o coração do tolo o inclina para a esquerda. Quando o tolo vai pelo caminho, falta-lhe o entendimento, e assim mostra a todos que é tolo” (Eclesiastes 10, 2-3) 

 

“Alguns usam a estatística como os bêbados usam os postes: mais para apoio do que para iluminação” (Andrew Lang) 

 

“Todos nós, políticos, sabemos o que é preciso fazer. Só não sabemos como ser reeleitos depois”. (Jean-Claude Juncker) 

 

“Quando a política penetra no recinto dos Tribunais, a Justiça se retira por alguma porta”. (François Guizot) 

 

“Um povo que elege corruptos, impostores, ladrões e traidores, não é vítima, é cúmplice”. (George Orwell) 


26 de setembro de 2024

A “vitória” de Nicolás Maduro, as reações e o futuro da Venezuela

 

 O caudilho Nicolás Maduro em campanha eleitoral 

Uma vez oficializada a roubalheira eleitoral, a reatividade interna e externa terá sido suficiente para que o candidato eleito assuma a presidência em janeiro? A posição do governo brasileiro vem sendo ridicularizada, enquanto na Venezuela “vale-tudo” para manter de pé a cambaleante ditadura marxista-chavista apoiada na tábua de salvação de outras ditaduras.


✅ Paulo Roberto Campos

 

         A “Revolução Bolivariana” — conceito criado por Hugo Chávez ao aprovar uma nova constituição para a Venezuela, em 1999 — foi suscitada em nome do povo venezuelano com a promessa de acabar com a corrupção, recuperar a economia e criar uma era de prosperidade. Entretanto, nada disso aconteceu, mas exatamente o contrário: ela veio para flagelar e castigar de todos os modos aquele já sofrido povo.

         Para promover suas falaciosas promessas, Chávez instituiu a reeleição ilimitada para os cargos públicos; debilitou o direito de propriedade; destruiu parte do setor privado; promoveu severa estatização e expropriações, chegando até a mudar o nome da Venezuela, que ele passou a denominar República Bolivariana de Venezuela. Na verdade, mais apropriado teria sido chamá-la de “Cubazuela”, tal foi a cubanização do país.

Jovens da TFP venezuelana numa campanha em Caracas

Décadas atrás, essas questões relativas ao direito de propriedade ensejaram grandes campanhas da TFP venezuelana — também conhecida no país como Asociación Civil Resistencia —, tendo ela conseguido com sua brilhante atuação evitar por longos anos a situação de caos, tirania e miséria que se abateu sobre a nação vizinha.

Entretanto, em 13 de novembro de 1984, no governo socialista de Jaime Lusinchi (1984-1989), de Acción Democrática — partido que preparou os caminhos para a entrada e a tomada do poder por Hugo Chávez —, a TFP foi fechada por decreto governamental, exatamente por ser um grupo anticomunista que defendia os valores da tradição, família e propriedade, pilares básicos da civilização cristã ocidental.

Seria necessário um volumoso livro para narrar o que se passou com a TFP venezuelana: seus manifestos em defesa do país ameaçado e o verdadeiro estrondo publicitário que ela sofreu. A avalanche de difamações publicada contra ela por toda a mídia e a perseguição aos seus membros foram tais, que eles se viram obrigados a sair da Venezuela.1

Com seus abnegados e combativos membros fora do país, o campo ficou propício para a esquerda avançar à vontade. Nesse sentido, registro uma pergunta que me foi feita por um colega venezuelano certo tempo depois: “Se a TFP venezuelana não tivesse sido fechada e nós obrigados a sair do país, portanto continuado com nossas campanhas, teria acontecido a catástrofe apocalíptica que estamos presenciando no governo do ditador Maduro?”

Por ter passado algum tempo em Caracas e conhecido de perto a brilhante história da TFP venezuelana — sua ação junto à opinião pública, uma belíssima epopeia, e testemunhado algumas de suas memoráveis campanhas —, posso afirmar que dificilmente teria acontecido o que está se passando atualmente, pois a TFP teria premunido povo venezuelano para os perigos que o rondava.

Esse colega me disse que tinha a mesma opinião. E levantou outra questão: “Esta situação deplorável da Venezuela poderia ser considerada como uma espécie de punição divina recebida em razão do fechamento da TFP venezuelana?” Poderia continuar expondo a nossa interlocução, que se prolongou um pouco mais, contudo deixo a pergunta dele no ar... e volto ao tema principal da matéria.

*   *   *

O projeto do atual ditador Nicolás Maduro — fiel discípulo de Chávez — é dar continuidade à tal Revolução Bolivariana, que se tornou sinônimo de opressão, de abolição do direito de propriedade, de empobrecimento, de catástrofe e corrupção como nunca vistos. Praticada descaradamente pela Nomenklatura chavista, a corrupção dilapidou os fabulosos recursos do país.

Consequências constrangedoras para uma população tão próspera até algumas décadas atrás: pobreza sem precedentes; hiperinflação; total escassez até de produtos básicos; aumento estarrecedor da criminalidade; medo contínuo dos “esquadrões da morte” sustentados por Maduro a fim de perseguir seus críticos.

“Socialismo do século XXI”, um regime comunista

Donde as crescentes fugas de venezuelanos para outros países (trataremos disso mais abaixo). Muitos exilados, devido à implacável perseguição política, tiveram suas casas e outros bens confiscados pelo Estado, sem serem notificados, sem chance de se defenderem na justiça. Essas propriedades são depois oferecidas como presentes aos cúmplices do governo. Muitos advogados se recusam assumir a defesa dos legítimos proprietários, pois seus familiares são ameaçados de prisão e morte.

Maduro é obediente à ordem recebida de seu antecessor Chávez, pai e chefe da “Revolução Bolivariana” — também chamada de “Socialismo do século XXI” —, que havia ordenado aos seus sequazes, em cadeia nacional: “Expropriem” os bens daqueles que ousarem fazer oposição ao governo!

Com isso houve enorme fuga de capitais e estatização de setores estratégicos da economia. Segundo a Heritage Foundation, a garantia dos direitos de propriedade na Venezuela é das mais fracas do mundo (recebe apenas a nota 5 sobre 100) e a expropriação, sem indenização alguma, tornou-se comum.

Apenas constatamos aquilo que já tínhamos como certo: que o dito “Socialismo do século XXI” não passava de um novo nome para um velho sistema: o regime comunista. O estrago está feito. Mas vejamos suas garras um pouco por todo lado. Ainda agora podemos observar como a ditadura chavista é admirada e mimada não apenas pelo presidente petista do Brasil, mas também pelos membros do “Fórum de São Paulo” — aquele encontro de partidos e organizações de esquerda da América Latina e do Caribe para dar firmeza e fazer avançar os partidos esquerdistas após a queda do Muro de Berlim.2

Edmundo González Urrutia e María Corina Machado percorrem as ruas de Caracas rodeados por seus apoiadores.


Eleições: o “vale-tudo” para manter de pé a ditadura

Para obter sua reeleição no pleito do dia 28 de julho passado, Maduro cassou os direitos políticos dos eventuais candidatos que tinham maiores chances de derrotá-lo. Um caso bem típico ocorreu com a mais proeminente líder da oposição, María Corina Machado, que naturalmente seria eleita. Ela não foi somente inabilitada como candidata, mas também processada pelo Ministério Público venezuelano, acusada de incitamento à rebelião. Dito órgão cassou ainda os direitos políticos de outros presidenciáveis e mandou arbitrariamente para a cadeia vários líderes que faziam campanha contra o governo Maduro.

Para atingir sua meta no período pré-eleitoral, o ditador Maduro fechou quase 500 veículos de comunicação que lhe faziam alguma oposição, e dominou praticamente todos os demais, não dando chance de propaganda aos candidatos opositores. Além disso, contou com toda a força policial para impedir algumas manifestações pela mudança de governo; encarcerou centenas de oposicionistas; proibiu a presença de representantes da oposição para fiscalizar a contagem oficial dos votos, tendo igualmente gozado do apoio de agentes cubanos e russos no setor de inteligência.

Há anos Maduro utiliza tecnologia chinesa, com o apoio russo e cubano, em troca de petróleo. Com isso ele consegue respaldo em segurança interna, prevenção de eventuais deserções nas Forças Armadas e rastreamento de opositores, mantendo controlada a população. Tais agentes vigiam os adversários e seguem os passos de eventuais conspiradores. Vale- tudo para manter de pé a ditadura bolivariana.

Intimidação para manter a segurança... nas fraudes eleitorais

Mesmo com todo esse aparato de segurança e da máquina do governo, o medo de Maduro da derrota nas urnas era grande. Assim, no dia 24 de julho, ele prometeu mergulhar o país numa guerra civil, caso não vencesse as eleições: “Se não quiserem que a Venezuela caia em um banho de sangue, em uma guerra civil fratricida, produto dos fascistas, garantamos o maior êxito, a maior vitória da história eleitoral do nosso povo.”

Como se não bastassem tais absurdos, em 26 de julho, o avião levando ex-presidentes latino-americanos desejosos de acompanhar as eleições foi proibido pelo ditador de entrar na Venezuela, e alguns observadores que já lá estavam para fiscalizar o pleito, foram expulsos. No mesmo dia, sob o pretexto de “assegurar as eleições”, ele mandou fechar todo o espaço aéreo, marítimo e terrestre do país. Sim, assegurar as fraudes!

Dois dias antes, o todo-poderoso Diosdado Cabello [foto] — recentemente promovido a Ministro do Interior e acusado de liderar, junto com Maduro, uma rede de militares de alta patente que controla a exportação de droga —já havia declarado que “expulsaria os ex-presidentes se eles pusessem os pés na Venezuela”. Chamando-os de “inimigos do país” e de “fascistas internacionais”, disse que “eles não estavam convidados. Se aparecerem no aeroporto, os expulsaremos”.

“Lei antifascismo” imposta por um ditador socialista

Como sempre acontece — também no Brasil —, qualquer um que faça oposição à esquerda é rotulado de nazista e golpista de extrema-direita. É um surrado bordão! Mas apesar de ser uma rotulagem ridícula, o Parlamento venezuelano (praticamente todo controlado pelo governo, que ocupa 256 das 277 cadeiras) está por aprovar em segunda votação a “Lei antifascismo”.

Esta pretende evitar, entre outras coisas, um “golpe de Estado ciberfascista e criminoso”. Assim, poderá reprimir ainda mais e encarcerar, sem justificativa e sem julgamento, aqueles que forem simplesmente rotulados de “fascistas”, bem como punir aqueles que financiarem atividades que “incitem o fascismo”.

         Nicolas Forsans, co-diretor do Centro de Estudos Latino-Americanos e Caribenhos (CLACS) da Universidade de Essex (Reino Unido), afirmou: “Maduro exerce controle total sobre as instituições na Venezuela, o que elimina qualquer forma de proteção legal. A oposição, por exemplo, nem sequer tem acesso à mídia. Com esse domínio sobre o Exército, a polícia, o sistema de Justiça e a Assembleia Nacional (Congresso venezuelano), ele age como um ditador.”3

No setor petrolífero, má gestão e falta investimento na modernização

         Antes de entrarmos diretamente nos resultados das eleições de 28 de julho, convido o leitor a percorrer alguns caminhos que levaram a infeliz Venezuela ao descalabro atual.

         O país possui as maiores reservas de petróleo do mundo. Segundo informação fornecida em janeiro passado pela própria estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA), as vastas reservas de petróleo do país chegam a 300,878 bilhões de barris. A Arábia Saudita detém o segundo lugar, com 267 bilhões de barris.

Entretanto, devido à má administração e à falta de investimento para modernizar a estrutura do setor petrolífero — como a aquisição de peças de reposição —, mas sobretudo devido à corrupção nua e crua, a Venezuela só produz 770 mil barris/dia, quando a média de seus melhores dias era de três milhões de barris. Assim, em vez de ocupar o primeiro lugar na produção de petróleo, ocupa o vigésimo, atrás de países como Colômbia, México e Brasil.

Corrupção sem limites sugando as riquezas venezuelana

Em 1999, nos primórdios do governo Hugo Chávez, com a venda do petróleo não faltavam recursos para nada. Alguns anos depois, com o advento do “Socialismo do século XXI”, os líderes do chavismo ficaram bilionários com a roubalheira dos cofres das estatais, sobretudo a de petróleo. E o povo venezuelano? — Passou a ser reprimido, a comer as sobras que caíam das nababescas mesas dos camaradas que detinham apenas para si as imensas riquezas do país.

         A corrupção no Brasil foi alarmante e igualmente astronômica — basta ler os documentos relativos ao governo PT, obtidos durante a “Operação Lava Jato” —, mas, se comparada à da Venezuela, ela é coisa para simples iniciantes “batedores de carteira”. Sobretudo nos anos do governo Maduro, quando os desvios de recursos ultrapassam centenas de bilhões de dólares.

Conforme Ryan Berg, diretor do Programa de Américas do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, pode inclusive “ultrapassar um trilhão de dólares [...]. Esse nível de corrupção ajudou o regime a se manter no poder, fortalecendo a coesão em torno de Maduro. Sem esses recursos, o partido governante não teria conseguido manter o controle e assegurar a lealdade de seus aliados, o que poderia ter levado a fraturas maiores no regime mais cedo”. Segundo o Índice de Percepção da Corrupção de 2023 da ONG Transparência Internacional, a Venezuela ficou em 177º lugar entre os 180 países.4

         O PIB do país foi reduzido em 60%, o geral da população não tem acesso aos produtos mais básicos, e o pouco que encontra para comprar é só por meio de um rodízio semanal definido por números do RG! Devido a essa situação miserável, o caudilho venezuelano, alegando as “sanções impostas pelos gringos”, joga a culpa nos Estados Unidos, e não no socialismo, do mesmo modo como fazia Fidel Castro quanto à miséria de Cuba.

Nicolás Maduro com Putin e Xi Jinping, aliados de confiança nesta grave situação


Outras ditaduras como tábua de salvação do regime chavista

Apesar de toda essa bancarrota, o ditador venezuelano vai sobrevivendo. Como? O já citado Nicolas Forsans declarou em 22-8-24 à BBC News Brasil que “Maduro, embora esteja isolado da comunidade internacional, especialmente do Ocidente, conta com aliados importantes como Rússia, China e Irã, com os quais mantém uma relação duradoura”.

Putin fala em “parceria estratégica” e que Maduro sempre será “um convidado bem-vindo em solo russo”. Forsans disse também que a “Rússia e a Venezuela compartilham o interesse de contrabalançar e enfraquecer o poder dos EUA”.

         Nesse mesmo sentido, Moisés Rendón e Claudia Fernández, em artigo do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, nos EUA, afirmam: “O regime de Maduro não estaria no poder hoje sem o apoio de seus cinco principais aliados: Rússia, China, Cuba, Irã e Turquia. Esses países oferecem diferentes formas de apoio financeiro, diplomático e de inteligência ao regime venezuelano.”5

Seria preciso acrescentar que a sobrevivência política, econômica e militar do regime Maduro se deve também ao fato de que, em 2018, aderiu à chamada “nova rota da seda” — projeto de Xi Jinping para dominar alguns países em troca de bilionárias ajudas para a construção de obras estruturais básicas.

Em troca, o governo Maduro vende megas-empresas, sobretudo o petróleo venezuelano, para a China. O Irã fornece navios-tanque para transportá-lo. Um só exemplo: apenas neste ano, a China emprestou à Venezuela 330 bilhões de reais. Por tudo isso, a Venezuela terá que pagar um altíssimo preço.

Fuga de mais de um quarto da população venezuelana

Supermercado - prateleiras vazias
Por sua riqueza incalculável — foi a seu tempo considerada uma das nações mais ricas da América Latina, com potencial para ser uma das mais ricas do mundo —, afluíram à Venezuela trabalhadores do mundo inteiro a fim de melhorar muito o nível de vida de suas famílias.

Hoje ocorre o contrário, eles estão procurando escapar do país onde boa parte da população sofre a mais cruel pobreza. Pesquisa sobre Condições de Vida (Encovi) da Universidade Católica Andrés Bello (UCAB), registra 76,6% da população venezuelana em extrema pobreza, e no nível abaixo da pobreza chega a 94,5%.

Tal estado de miséria — conforme o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) —, desde 2014 obrigou quase oito milhões de pessoas a fugir para outros países, a fim de conseguirem sobreviver. Mais de um quarto da população! Somente para o Brasil fugiram mais de 600 mil venezuelanos.

Com certeza, esses oito milhões que escaparam de Maduro não votariam nele, mas no candidato opositor. De onde a ordem do tirano de fechar as fronteiras, impedindo assim que parte desses imigrantes venezuelanos entrasse no país para votar. Eles sonhavam voltar à Pátria derrotando democraticamente o regime bolivariano.

As fugas continuam, e agora, com o eventual novo mandato (roubado escandalosamente), nova onda migratória é temida. Segundo ORC Consultores, numa apuração anterior às recentes eleições, mais de 18% dos entrevistados pela empresa responderam que se Maduro não for apeado do Poder, pensavam em fugir da fome e da violência que castigam a Venezuela.

Esmagadora vitória eleitoral da oposição

Ocorridas as eleições de 28 de julho, o que se revelou? — Que a derrota de Nicolás Maduro foi ainda mais fragorosa do que já indicavam todos os institutos de pesquisas independentes. O chavista obteve apenas cerca de 30% dos votos dos venezuelanos. E o opositor, o ex-diplomata Edmundo González Urrutia (PUD – Plataforma Unitária Democrática), obteve quase 70% dos votos.

Resultado que se pode comprovar inequivocamente, pois os eleitores do principal bloco de oposição — numa articulação muito bem organizada, com grande participação popular e, pelo que consta, com respaldo de militares de baixa patente — fotografaram os boletins de urna e disponibilizaram online imagens de 81% deles (25 mil boletins). Como os eleitores já tinham certeza de que os resultados seriam fraudados para se declarar Maduro reeleito — independentemente da real contagem dos votos — “armaram-se” de celulares para fotografar as atas diretamente nas respectivas seções eleitorais.

E o resultado publicado pela oposição corresponde bem aproximadamente às porcentagens dos institutos independentes de pesquisas de opinião feitas nos dias precedentes às eleições e às sondagens “boca de urna”.

A televisão estatal noticia a “vitória” de Maduro, ratificada pelo CNE dias depois


Grosseira fraude eleitoral arquitetada pelo governo

Mas, evidentemente, como todos já sabíamos e como já ocorreu nos roubados pleitos anteriores, Maduro não aceitaria a derrota, não quer de jeito algum “largar o osso”. Para isso, mandou que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), órgão totalmente subjugado ao governo — controla todo o poder judiciário, legislativo e militar —, comunicasse um falso resultado para que ele pudesse ficar mais seis anos no Poder, totalizando 18 anos. Ou seja, até 2031, pelo menos... Se somarmos o período de Chávez, temos até hoje 25 anos de despotismo! Isto, sim, tem todas as características de verdadeiro “golpe de Estado”.

Então o CNE, como órgão fantoche do tirano, declarou — mesmo antes do encerramento das apurações... — que Maduro havia vencido com 51,95% dos votos, enquanto Edmundo González Urrutia teria obtido 43,18%. Quem quiser acreditar, que acredite; que acredite também que 2 + 2 é igual a 5.

O CNE não apresentou as atas eleitorais (pelo menos até hoje, 26 de agosto) porque se as apresentasse comprovaria que Maduro tinha sido derrotado. Se elas comprovassem seu triunfo, o CNE teria feito a divulgação já no dia seguinte às eleições. Aliás, procedimento usual na Venezuela, pois exigido por lei.

Entretanto, apesar da grotesca e grosseira farsa eleitoral, a China comunista, Rússia, Irã, Cuba, Nicarágua e Coreia do Norte foram as primeiras ditaduras a reconhecerem a “vitória” do déspota e a felicitá-lo. Enquanto os primeiros a reconhecerem a vitória esmagadora de González foram os EUA, Argentina, Uruguai, Peru, Equador e Costa Rica.

“González recebeu a maior quantidade de votos por uma margem insuperável”

No dia 1º de agosto, em comunicado, o chefe da diplomacia americana, Antony Blinken, contestou a apuração, afirmando que não refletia a vontade do povo venezuelano, e pediu uma recontagem detalhada dos votos. “Dada a evidência esmagadora, está claro para os EUA e, mais importante, para o povo venezuelano, que Edmundo González Urrutia ganhou a maioria dos votos na eleição presidencial de 28 de julho [...]. A oposição publicou mais de 80% das atas de votação recebidas diretamente das seções eleitorais de toda a Venezuela. Elas mostram que González Urrutia recebeu a maior quantidade de votos por uma margem insuperável [...]. Agora que a votação foi concluída, é de vital importância que todos os votos sejam contados de forma justa e transparente”.6

Posteriormente, evidenciada a fraude eleitoral, vários outros países declararam não reconhecer a vitória do tirano. No dia 4 de agosto, em comunicado oficial, a União Europeia declarou que Nicolás Maduro saiu derrotado nas eleições, que o CNE não apresentou nenhuma evidência do contrário, exigiu a apresentação das apurações de cada uma das máquinas e a aceitação de auditoria externa.

O que Maduro não quer é de vital importância: a divulgação da apuração dos números de cada seção eleitoral, pelo menos enquanto órgãos governamentais não forjarem outras atas falsas. Entre outras coisas, ele teme que, com o resultado real, vir a ser apeado do Poder e deportado, uma vez que além de ser procurado pelos Estados Unidos por acusações de tráfico de drogas, ele foi acusado perante o Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia (Holanda), por evidentes crimes políticos, violações de direitos humanos, lavagem de dinheiro, vínculo com o narcotráfico, e tráfico de armas.

Esperamos que a imensa maioria dos países não reconheçam a fraude. Claro, não espero isso do governo brasileiro, pois o PT, assim como agiu em relação ao tirano Fidel Castro, sempre defendeu, afagou e até mesmo sustentou o regime do ditador. O povo venezuelano nunca esquecerá de que, quando mais precisava da ajuda do governo brasileiro, este não tomou a sua defesa, mas a de seu algoz.

Observadores confirmam a fraude praticada descaradamente

Especialistas em eleições da própria ONU — órgão insuspeito, pois frequentemente torce a favor de governos esquerdistas — foram obrigados a confessar que “as medidas do órgão eleitoral venezuelano desrespeitaram os preceitos básicos para uma eleição com alguma credibilidade”, uma vez que não foram publicados os boletins de votação por mesas e centros de votação, e nem mesmo por município.

O comunicado da ONU confirma que a transmissão eletrônica dos dados das urnas funcionou perfeitamente no início, porém “foi detida bruscamente nas horas que seguiram o fim da votação, sem que fosse proporcionada explicação a qualquer candidato”. Esse documento de especialistas da ONU foi classificado por Jorge Rodríguez (presidente da Assembleia venezuelana) como “lixo”, durante uma sessão do Parlamento.

Outros documentos que ele classificou também como “lixo” são da responsabilidade do Carter Center (organização criada pelo ex-presidente americano Jimmy Carter), a única que conseguiu ficar na Venezuela para observar as eleições — talvez por ter fama de defender posições de esquerda.

Entretanto, os observadores do Carter Center declararam que as eleições não foram democráticas e que os documentos apresentados pela oposição eram seguros. Eles analisaram os relatórios apresentados por eleitores, por partidos de oposição e por funcionários da organização em campo, e sustentam, com base em estatísticas, “que são consistentes, têm todas as características de segurança dos resultados originais”.

Assim, sustentam que González de fato venceu e que as informações do CNE são falsas e que não agiu de maneira independente, “não garantiu os princípios básicos de transparência e integridade, fundamentais para eleições credíveis [...]. Não seguiu as normas nacionais e não respeitou os prazos [...]. A eleição presidencial da Venezuela de 2024 não se adequou a parâmetros e padrões internacionais de integridade eleitoral e não pode ser considerada democrática”. Além de confirmar que o povo venezuelano deu vitória esmagadora a González, o Centro Carter refuta a acusação do governo de Maduro de que os documentos apresentados pela oposição são falsos.

Uma das manifestações em Caracas pelo fim da ditadura bolivariana

Tribunal Penal Internacional – mandado de prisão contra Maduro

         O Conselho Permanente da OEA (Organização dos Estados Americanos) aprovou, no dia 16 de agosto, uma resolução pedindo ao governo Maduro a publicação dos resultados das tais atas e a transparência na apuração. O texto foi adotado pelo consenso de 26 países-membros que participaram da reunião realizada em Washington.

         O secretário da organização, Luis Almagro, já havia dito no dia 31 de julho que a OEA “não reconhecerá as eleições na Venezuela sem dados eleitorais”, e que “pedirá ao Tribunal Penal Internacional (TPI) uma ordem de prisão contra Nicolás Maduro” devido à sua responsabilidade, bem como de seus aliados, por torturas e execuções políticas e do “ataque sangrento contra manifestantes [...]. Chegou a hora da justiça e vamos solicitar a imposição de acusações com um mandado de prisão”.

Outra denúncia feita perante o TPI contra o governo Maduro, por crimes contra a humanidade, é assinada por um grupo de juristas internacionais. Eles pedem que haja uma ação imediata para colocar um ponto final às contínuas repressões contra a oposição no país, como detenções arbitrárias e execuções extrajudiciais: “As violações dos direitos humanos na Venezuela não são casos isolados, mas fazem parte de um padrão generalizado e sistemático [...]. Os responsáveis por esses crimes ocupam altos cargos no governo, o que indica uma política estatal que visa reprimir a dissidência”.7

Além das denúncias do TPI, pesa sobre a cabeça de Maduro e de alguns chefes venezuelanos outros mandados de prisão emitidos pela Justiça americana, devido ao comprometimento com o tráfico de drogas.

É melhor para um país negociar com o ditador ou apeá-lo do poder?

Na reunião extraordinária do Conselho Permanente da OEA (Washington, 31-7-24), realizada na capital norte-americana, foi votada uma resolução que exigia das autoridades venezuelanas a divulgação imediata das atas eleitorais. No entanto, “a medida não recebeu o apoio necessário para ser aprovada pelo Conselho Permanente da organização, depois que países como Brasil, Colômbia e México se abstiveram”.

Diferentemente da posição dessas famosas organizações e de numerosos países, os presidentes brasileiro, mexicano e colombiano falaram em “diálogo” e “negociação” entre o governo opressor e a oposição — o álibi que o ditador precisava para consumar a fraude e a autoproclamada vitória. Aqueles três presidentes se limitam a pedir a publicação das mencionadas atas. Neste mesmo sentido, falou também o Papa Francisco. Se fosse o contrário..., se comprovadamente a oposição tivesse perdido as eleições, mas não aceitasse a derrota, eles falariam em “diálogo”? Ou mandariam aceitar o resultado?

Designado pelo Papa Francisco, o novo Núncio Apostólico para a Venezuela, o espanhol Mons. Alberto Ortega Martín, entregou as cartas credenciais ao ditador Maduro. Por este, foram recebidas no Palácio Miraflores (Caracas) no dia 13 de agosto. Que significado tem essa nomeação? — Fazê-lo nesse momento de extrema anormalidade no país, de modo tão cordial, para não dizer caloroso, significou aos olhos de muitos católicos, em particular dos venezuelanos, um apoio ao ditador e sua legitimação no Poder, nos dias em que este se vê derrotado pelo resultado das urnas e ameaçado de cair.8

Protesto popular contra a fraude nas eleições e a violenta repressão do regime ditatorial de Maduro.


Grandes manifestações na Venezuela e em outros países

         O povo venezuelano não está disposto a “engolir” os resultados impostos pelo Conselho Nacional Eleitoral. O mesmo aconteceu em eleições anteriores, mas desta vez, de posse dos documentos, máquina por máquina, parece que o povo está disposto a ir até o fim, até a queda do governo ditatorial.

        

Mesmo enfrentando toda a força policial, durante alguns dias, manifestações espontâneas lotaram ruas e praças públicas da capital e de praticamente todas as cidades; derrubaram dezenas de estátuas de Chávez e Maduro; rasgaram e queimaram milhares de cartazes com a cara do tirano espalhados por todo o país [foto ao lado]. Devido a isso, o governo declarou que tais atos são tipificados como “crime contra a Pátria e os responsáveis serão presos”.

         Em outros países também ocorreram manifestações. A maior delas teria sido a da Espanha — cujo ex-presidente socialista, José Luis Rodríguez Zapatero, é um dos principais conselheiros de Maduro. Milhares de venezuelanos e amigos espanhóis lotaram a imensa Praça Puerta del Sol, em Madrid, para protestar contra Maduro. “No dejéis de pelear hasta que caiga el régimen”, era um dos slogans que bradavam. Outros, escritos em cartazes, como “No nos callarán”, “No al fraude electoral”.

Num discurso nessa manifestação, Isabel Díaz Ayuso, presidente da Comunidade de Madrid, afirmou: “Não parem de lutar até que Nicolás Maduro caia. Vamos derrubar esse muro como foi derrubado o de Berlim [...]. O tirano ameaçou com o banho de sangue que está realizando. De forma covarde, inabilitou a candidatura de María Corina Machado porque via nela a líder da Venezuela”. Isabel Díaz solicitou a intervenção do Tribunal Penal Internacional para agir contra os crimes que estão sendo cometidos contra o povo venezuelano.

As prisões estão abarrotadas, Maduro prometeu construir mais

A repressão policial contra os manifestantes na Venezuela continua brutal, mas não conseguiu esmorecê-los. Uma “campanha de terror” foi desencadeada pelo governo para perseguir mesmo aqueles que apenas desejavam que o governo publicasse as citadas atas. Maduro mandou a tropa de choque da GNB (Guarda Nacional Bolivariana) e da PNB (Polícia Nacional Bolivariana), assim como as milícias bolivarianas (conhecidas como “coletivos”), agirem “com mão de ferro” contra todos que se manifestem contrários à sua reeleição.

De acordo com fontes oficiais, 27 pessoas foram mortas, 192 ficaram feridas e 2.400 foram presas (dentre os detidos, centenas de mulheres e 116 menores de idade), sob o pretexto de “tentativa de golpe de Estado”; alguns foram presos em suas residências e sem mandados judiciais; muitos receberam penas superiores àquelas aplicadas contra traficantes de drogas; familiares de detidos temem falar com a imprensa para não despertar retaliações contra seus parentes. Devido ao pânico generalizado, a autocensura começa a imperar. Para aumentar ainda mais a intimidação, Maduro anunciou a construção de mais prisões.

Segundo informações de grupos de direitos humanos, a maior parte das mortes foram causadas por pistoleiros a serviço do regime. Os familiares desconhecem o paradeiro de quase mil daqueles presos. No final de uma manifestação em Caracas, o caminhão conversível — usado como palanque pela oposição em seus protestos, no qual estava escrito nas laterais “A Venezuela venceu” — foi confiscado.

O ditador não permite qualquer liberdade de expressão que represente crítica ao seu governo; ele resolve esse problema simplesmente mandando prender não só os críticos, mas também os suspeitos. Até gente que nada tinha a ver com o problema foi presa. “Um surdo-mudo de 29 anos que estava esperando o ônibus; uma cozinheira saindo de um restaurante; um adolescente de 15 anos que caminhava pela rua; outros jovens e filhos de policiais e funcionários públicos que não tinham nenhuma ligação com manifestações políticas — todos esses foram presos pelo regime chavista desde o anúncio da vitória do ditador Maduro nas eleições presidenciais. As denúncias foram feitas por Alfredo Romero, presidente da ONG Foro Penal, que atua na defesa de presos políticos na Venezuela há 20 anos. ‘São detenções indiscriminadas, estão prendendo qualquer um que esteja andando na rua, não interessa se estão ligados a protestos, ‘disse ele, que continua no país, à Folha’.”9   

“Nas últimas semanas, diversos jornalistas e outros profissionais ligados a agências públicas têm sido afastados de modo forçado ou demitidos quando não demonstram apoio político a Maduro.” Alguns deles foram presos em manifestações, uma vez que, aparentemente, estavam do lado da oposição.

A conhecida jornalista Carmela Longo (aposentada do jornal “Ultimas Noticias”, ligado ao governo) foi encarcerada juntamente com seu filho. Este foi solto no mesmo dia, depois de interrogado na sede da Direção Investigativa de Maripérez (Caracas). Sua mãe, que continua presa e convocada para interrogatório no dia 26 de agosto, deve responder pelo crime de “instigação ao ódio e ao terrorismo”.10

“Um aumento dos mecanismos de terror do Estado”

Moradores do bairro popular caraquenho 23 de Enero publicam fotos de suas casas com um X; teriam sido marcadas como registro de que seus habitantes apoiaram a oposição. Nas palavras de Oscar Murillo, diretor da Provea, a mais respeitada organização de direitos humanos da Venezuela, “um aumento dos mecanismos de terror do Estado, além de uma ampliação das formas de castigar os cidadãos e converter toda a sociedade em suspeita”.

“O efeito intimidatório das prisões para levar a um apaziguamento das pessoas parece mais importante do que o custo político das detenções”, declarou Alfredo Romero, presidente do Foro Penal. A maioria dos detidos é acusada de instigação ao ódio e terrorismo, resistência à autoridade e obstrução de vias públicas. São “crimes” que podem ser punidos com até 20 anos de prisão.

Advogados também relatam a ampliação da prática de extorsões por agentes de segurança. Diante da ausência de garantias judiciais e da erosão da institucionalidade policial, os agentes exigem dinheiro de famílias para não levar seus membros detidos.

Quando escrevo (26 de agosto), María Corina Machado e o candidato eleito Edmundo González, investigados pelo Ministério Público, estão escondidos em lugar desconhecido, por temor de serem sequestrados, presos ou até mesmo executados por milícias bolivarianas armadas organizadas por terroristas cubanos. O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, declarou no dia 5 de agosto que abriu uma investigação criminal contra os dois líderes da oposição por “incitar policiais e autoridades militares a desobedecerem às leis”.11

Segundo o jornal francês Le Monde, a principal líder da oposição declarou: “Não vamos abandonar as ruas”. Afirmou ainda, que continuarão com as manifestações “de forma inteligente, cautelosa, resiliente e corajosa [...]. O protesto pacífico é nosso direito. A voz do povo é respeitada. O mundo inteiro e toda a Venezuela reconhecem que o presidente eleito é Edmundo González Urrutia”.12

O mesmo temor está obrigando outros opositores não se exporem em manifestações, simplesmente por terem dito que o processo eleitoral foi fraudado.

As várias propostas da dupla Lula-Amorim têm sido recusadas pela Venezuela, deixando o Brasil numa posição muito incômoda dentro e fora do País. [Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil]


Lula apequenando e envergonhando o Brasil perante o mundo

         Nesta matéria, a parte relativa à dupla Lula da Silva e Celso Amorim é de causar vergonha alheia. Ambos atuaram politicamente em relação à Venezuela do modo mais primário e retrógado possível, deixando o Brasil humilhado e isolado, como pária frente à maioria das nações, e mais alinhado a outros governos marxistas e ditatoriais que felicitaram Maduro pela “vitória”. É a mesma visão diplomática anacrônica em relação à Rússia invasora da Ucrânia, em relação aos terroristas do Hamas, em relação às loucuras do ditador Ortega da Nicarágua etc.

         Como veremos, o governo brasileiro, com sua obsessão pelo “cumpanhero Maduro” — assim como era obstinado por Hugo Chávez e Fidel Castro —, está apequenando e envergonhando o Brasil, e apagando o passado brilhante do Itamaraty, outrora um corpo diplomático de primeira classe, atuando nos mais delicados acontecimentos internacionais com tanta maestria que causava respeito e admiração no mundo inteiro.

         Celso Amorim (assessor internacional de Lula) foi um dos poucos observadores permitidos pelo governo Maduro a ficar em Caracas nos dias do pleito. O ditador tinha a esperança de que tais “observadores” aliados servissem para chancelar sua vitória.

         Apesar das evidências de fraude, em vez de denunciar a farsa, Lula e Amorim sugeriram um governo de coalizão ou novas eleições; um segundo turno entre Maduro e González. Essa abstrusa sugestão só favoreceria Maduro, pois só há segundo turno quando um dos candidatos não consegue ultrapassar 50% dos votos, e todo mundo sabe que González obteve quase 70%.

Maduro seria favorecido para ganhar tempo e, no próximo pleito, garantir que seus partidários não permitam a falha que houve nas eleições de 28 de julho, que não conseguiu impedir aos opositores fotografar as atas nas seções eleitorais. Ou então para o déspota ter mais tempo a fim forjar falsas atas de votação. Aí sim, os documentos falsificados seriam apresentados à mídia. Tudo só “para inglês ver”... e Lula & Cia. fingirem que acreditam.

Ridicularizada a sugestão defendida pelo governo brasileiro

Lula disse que, se fosse Nicolás Maduro, convocaria novas eleições e que ele ainda tem tempo para realizá-las... Não há a menor prova de que as novas também não sejam fraudadas, muito pelo contrário, serão ainda mais, uma vez que não poderá haver nenhum observador independente, nem fiscais da oposição. Tanto o governo quanto a oposição rejeitam a ridícula sugestão da dupla Lula-Amorim, que comprovou, uma vez mais, a ausência do senso diplomático, faltou o tirocínio que deve caracterizar um estadista.

Diosdado Cabello — o já citado número dois do governo — ridicularizou a sugestão dos dois brasileiros como sendo “uma estupidez”. Mandando-lhes parar de dizer coisas estúpidas, disse: “As eleições não vão se repetir, porque Nicolás Maduro ganhou”.

Por sua vez, María Corina Machado comentou a falta de respeito da atrapalhada dupla: “De onde tiraram essa ideia de nova eleição? Aqui já houve uma [...]. A eleição foi sob os termos do regime, com uma campanha desigual, e mesmo assim nós ganhamos!”

         A proposta dos petistas foi tão ridícula que motivou muitas piadas na Venezuela. Alguns dizendo que, se fosse aceita, poderia haver uma terceira, uma quarta, uma quinta eleição, até sair um resultado ao gosto de Maduro... El Chigüire Bipolar, um site humorístico venezuelano, comentou fazendo blague: “O Brasil propõe repetir as eleições até que Maduro vença”...

Lula atenuando sua opinião para não aumentar sua impopularidade

         Apesar de todos esses disparates, Lula ainda tenta salvar Maduro a qualquer custo, buscando alguma saída honrosa para ele. Depois, à medida que as rejeições ao ditador do chavismo foram aumentando na opinião pública brasileira, Lula foi usando artifícios para evitar aumento ainda maior de sua impopularidade, atenuando seus comentários sobre Maduro, que antes eram calorosos a favor do governo do também ex-sindicalista.

         Outro que se viu obrigado a atenuar seus comentários a respeito do “cumpanhero Maduro” para não perder eleitores, declarando que a “Venezuela não é meu modelo de democracia”, foi Guilherme Boulos, do Partido Socialismo e Liberdade, em quem Lula aposta todas suas fichas para ocupar a Prefeitura de São Paulo.

         Recente pesquisa do DataFolha (12-8-24) com eleitores paulistanos sobre as eleições na Venezuela revelou que 79% deles acreditam que houve adulteração dos resultados. Pelo jeito, Lula e Boulos já sabiam que a imensa parte dos eleitores não “engoliria” tão escandalosa fraude...

         Em uma entrevista à Rádio Gaúcha (16-8-24), perguntado se o regime de Maduro era uma ditadura, Lula — que sempre recusou a chamar o ditador de... ditador, e que anos atrás declarou que na Venezuela havia até “excesso de democracia” — respondeu: “Acho que a Venezuela vive um regime muito desagradável. Mas não acho que seja uma ditadura. É um governo com viés autoritário, mas não é uma ditadura como a gente conhece tantas nesse mundo”.

         Sem dúvida, “um regime muito desagradável”. Os venezuelanos, tanto aqueles que vivem no país, quanto os milhões de exilados, que digam quão “desagradável” é viver sendo pisados anos a fio pelas botas da ditadura chavista.

         Num momento em que praticamente todo o mundo não reconhece a reeleição do ditador Nicolás Maduro, o PT de Lula da Silva se apressou em lançar a “Nota da Executiva Nacional do PT sobre eleições na Venezuela”, louvando o processo eleitoral (sic). Evidentemente, essa nota obteve resposta agradecida de Maduro, enviada por meio do ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil.

No quadro ao lado [abaixo], a transcrição da nota afrontando a inteligência da imensa maioria do povo brasileiro e venezuelano, publicada no site do partido, logo no dia seguinte às eleições.


 


PT: “Presidente Nicolás Maduro, agora reeleito”

“O PT saúda o povo venezuelano pelo processo eleitoral ocorrido no domingo, dia 28 de julho de 2024, em uma jornada importadora, democrática e sóbria. Temos a certeza de que o Conselho Nacional Eleitoral, que anunciou a vitória do presidente Nicolás Maduro, dará tratamento respeitoso para todos os recursos que receberem, nos prazos e nos termos previstos na Constituição da República Bolivariana da Venezuela. É importante que o presidente Nicolás Maduro, agora reeleito, continue o diálogo com a oposição, no sentido de superar os graves problemas da Venezuela, em grande medida danos por sanções ilegais. O PT seguirá vigilante para contribuir, na medida de suas forças, para que os problemas da América Latina e Caribe sejam tratados pelos povos da nossa região, sem nenhum tipo de violência e ingerência externa”.

Executiva Nacional do PT

 

PT cumprimentou Maduro como legítimo presidente eleito da Venezuela. Na foto, a líder do partido, Gleisi Hoffmann. [Foto: Flickr/Paulo Pinto/Agência PT]

Comentando a situação pós-eleitoral na Venezuela, Lula da Silva disse cinicamente que “não tem nada de grave, nada de anormal”... Seria hilário se não fosse extremamente inverídico! Até os cegos veem que tudo está gravíssimo, nada normal, tudo caótico. O petista continua pedindo para se tornar público os boletins eleitorais...

Fazendo-se de cego para as imagens das atas de mais de 80% das seções eleitorais comprovando, sem qualquer sombra de dúvida, a fragorosa derrota de Maduro, Lula soltou outra “pérola”: disse também que se a oposição desejar, poderá reclamar na Justiça... Justiça, na Venezuela chavista?!

Decisão do TSJ: “oficializada” a roubalheira eleitoral

         Devido a todas as contestações dos resultados apresentados pelo Conselho Nacional Eleitoral declarando a “vitória” de Maduro, um clamor internacional se ergueu para que os boletins de urnas fossem apresentados e se permitisse a algum órgão independente fazer uma auditoria imparcial da apuração.

         Claro, Maduro não quer apresentar os boletins da sua derrota. Na tentativa de iludir a opinião internacional, pediu à mais alta corte do país, o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), para fazer a auditoria e emitir uma certificação. Ora, como todo mundo sabe, esse tribunal-fantoche nunca emite sentenças contrárias aos desejos do ditador. Coitados dos magistrados que ousarem a se opor! Eles obedecem cegamente como se fossem empregados de Maduro. Este costuma dizer que a Venezuela passou por uma “revolução jurídica”. Neste caso, concordo com ele...

         Dito e feito. O TSJ emitiu, no dia 22 de agosto, a combinada sentença selando os resultados exatamente como antes declarados pelo Conselho Nacional Eleitoral. O TSJ declarou, para inglês ver, que depois de uma pormenorizada análise — sem apresentar os detalhes técnicos mesa por mesa —, chegou à conclusão de que o cidadão Nicolás Maduro venceu o pleito presidencial para ocupar um terceiro mandato, de 2025 a 2031.

Declarou também que as atas eleitorais estão sob sua proteção; que é proibido divulgá-las; instou o CNE a publicar o resultado definitivo no Diário Oficial e que tal decisão é inapelável... Todos aqueles que a contestarem serão intimados pelo Ministério Público.

“O TSJ decidiu foi a sua cumplicidade com a fraude do CNE”

         Numerosos países, entre estes os EUA e a União Europeia, rejeitaram a pseudo-validação do TSJ. Como era de esperar de um petista, Lula não manifestou a sua rejeição. Continuou repetindo, assim como o presidente colombiano e o mexicano, que há necessidade de se apresentar as atas. Ora, o próprio TSJ proibiu tal apresentação... e se algum dia resolverem apresentá-las, serão atas forjadas, e não as autênticas. O que Lula pensa que é o eleitor brasileiro? Um imbecil?

         Até Gabriel Boric, presidente do Chile, foi mais esperto que Lula, pois, apesar de também ser de esquerda, declarou que não aceita a consolidação da fraude: “Não há dúvida de que estamos diante de uma ditadura que falsifica eleições, reprime quem pensa diferente e é indiferente ao maior exílio do mundo.”

         Dos Estados Unidos, o porta-voz do Departamento de Estado, Vedant Patel, declarou em comunicado: “A decisão carece completamente de credibilidade, dadas as evidências esmagadoras de que González recebeu a maioria dos votos.”13

         A Secretaria Geral da OEA também refutou a decisão do Supremo venezuelano. “O CNE proclamou Maduro de maneira apressada, com base em um boletim parcial emitido de forma oral, com números que evidenciavam impossibilidades matemáticas”.

         O alto representante da União Europeia para as Relações Exteriores, Josep Borrell, declarou: “Este resultado eleitoral tem que ser comprovado e até agora não vimos nenhuma prova. Enquanto não virmos um resultado que seja verificável, não iremos reconhecê-lo.”

         O candidato eleito Edmundo González Urrutia escreveu na rede X: “O regime se equivocou: o que o TSJ decidiu foi a sua cumplicidade com a fraude do CNE. Longe de encerrar o caso, aceleraram o processo que isola e afunda Maduro ainda mais a cada dia.”

Estava concluindo este artigo quando li uma notícia estrondosa da Agence France-Presse, de 26 de agosto. O advogado Juan Carlos Delpino Boscán, uma das principais autoridades eleitorais da Venezuela, pois um dos cinco diretores do Conselho Nacional Eleitoral, de algum lugar clandestino — pois, classificado de “traidor”, teme represálias —, escreveu nas redes sociais que não há provas de que o ditador Nicolás Maduro venceu a eleição, que houve irregularidades nas eleições do dia 28 de julho: “Tudo o que aconteceu antes, durante e depois das eleições presidenciais indica a gravidade da falta de transparência e a veracidade dos resultados anunciados”.

“Quando a Assembleia Nacional escolheu Delpino como membro do CNE, em agosto de 2023, muitos na Venezuela viram o gesto como uma tentativa de dar ao órgão um verniz de equilíbrio e legitimidade. Na época, ele vivia nos EUA e voltou, segundo ele, por seu compromisso com a democracia”.14

O ministro do Interior, Diosdado Cabello, vituperou dizendo que Delpino abandonou seu cargo e fugiu para a Colômbia, que ele é um “traidor da Pátria”... Vamos acompanhar esse affaire para ver no que dará tão grave denúncia de alguém de dentro do CNE, que conhece muito bem como funcionam as coisas nesse órgão do governo.

Por meio do presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, o deputado chavista Jorge Rodríguez, Maduro quer aprovar uma lei que proíba a candidatura de cidadãos que não acatem as decisões do Tribunal Supremo de Justiça. O mesmo parlamentar, no dia 13 de agosto, conforme informação da ANSA, propôs uma reforma da lei eleitoral para proibir definitivamente a presença de qualquer observador “estrangeiro” nas próximas eleições no país... Assim, ficaria garantido a Maduro e a seus sucessores a permanência para sempre no poder...



Perguntas evidentes, respostas incertas, conclusão

         E agora? O candidato eleito, Edmundo González, assumirá o governo? Maduro será realmente apeado do Poder ou tomará posse em janeiro próximo? Lula estará presente em Caracas para assistir à entrada do terceiro mandato? O ditador mergulhará num “banho de sangue” o povo descontente? Eclodirá no país uma “guerra civil fratricida”? Ou acontecerá, como em Cuba, onde Fidel Castro acabou ficando por décadas pisando no miserável povo e, após sua morte, substituído por outras botas de outro ditador comunista?

         As respostas não são fáceis. O futuro da Venezuela é incerto. Nenhum prognóstico será preciso. Tudo dependerá, além da forte pressão internacional, do grau de reação e indignação interna. Ou seja, dos venezuelanos que sonhavam no melhor para sua Pátria já no início do próximo ano com um novo governo.

         Muito do futuro do país, mesmo com a forte resistência popular, dependerá também dos chefes de todos os poderes, jurídicos, civis e militares, atualmente todos dependentes de Maduro. Todos, para manterem a “lealdade” a ele, são ricamente sustentados, possuem todas as regalias (com as quais o povo nem sonha), uma vez que o governo os mantém com os recursos do petróleo.

         Por essas e por outras, os chefões sequazes de Maduro farão absolutamente tudo para não serem apeados do governo; do contrário, poderão amargar o resto de seus dias encarcerados.

Entretanto, dependerá também do aumento do descontentamento entre magistrados, militares e até mesmo entre alguns líderes do chavismo que não simpatizam muito com a ideia da “guerra fratricida” — muitos deles vivem com medo do governo opressor. Havendo deserções nesses meios, poderá ajudar a enfraquecê-lo.

Aparentemente, o apoio nos meios militares é sólido, mas há notícias de fissuras em razão do empobrecimento até de famílias de militares de baixa patente, daqueles que não pretendem punir seus próprios conterrâneos, bem como daqueles que sofrem humilhações dos oficiais cubanos impondo-se nos quartéis.

Neste panorama incerto e tão carregado de tragédia, depositemos nossas esperanças nas mãos de Deus, rogando-Lhe, por intercessão da Rainha e Padroeira da Venezuela, Nossa Senhora de Coromoto, que a forte reatividade demonstrada em todo país não esmoreça e vá até o fim do governo comuno-bolivariano. De mesmo modo que o ditador e seus capangas, por tudo o que fizeram com os venezuelanos, tenham um futuro condizente com seus atos.

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Notas:

1. No livro Um homem, uma obra, uma gesta há um relato das atividades da TFP venezuelana e uma descrição do estrondo publicitário que o partido socialista moveu contra aquela associação. Basta acessar o link:

https://www.pliniocorreadeoliveira.info/Gesta_0305Venezuela.htm

2.https://pt.wikipedia.org/wiki/Foro_de_S%C3%A3o_Paulo

3. BBC News Brasil em Londres, 22-8-24.

4. BBC News Brasil em Londres, 8-8-24.

5. BBC News Brasil em Londres, 22-8-24.

6. O Estado de S. Paulo, 2-8-24.

7. https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/ansa/2024/08/19

8. https://press.vatican.va/content/salastampa/it/bollettino/pubblico/2024/05/14/0394/00812.html

9. Folha de S. Paulo, 3-8-24.

10. Boletim ANSA, 26-8-24.

11. Reuters, 5-8-24.

12. Le Monde, 17-8-24.

13. O Estado de S. Paulo, 27-8-24.

14. O Estado de S. Paulo, 23-8-24.