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16 de setembro de 2012

Palestra do Dr. Ives Gandra da Silva Martins

Palestra imperdível com o renomado jurista, Dr. Ives Gandra. 

Faça agora sua inscrição clicando em: http://ipco.org.br/home/

Recebi o convite para participar de uma conferência que está sendo promovida pelo Instituto Plinio Corrêa de Oliveira e aqui estendo esse convite aos diletos Amigos de nosso blog, pois o tema esta estreitamente vinculado aos nossos assuntos em prol da família. Eis as informações a respeito:

Quando? 

  • Dia 20 de setembro de 2012 (quinta-feira) a partir das 19 horas 


Onde? 

  • Clube Homs – Av. Paulista, 735 (a 100 metros do metrô Brigadeiro – há estacionamento pago no local) 


Quem é o Dr. Ives Gandra? 

  • Doutor em Direito e um dos mais renomados juristas do Brasil com reconhecimento internacional. É autor de mais de 40 livros individualmente, 150 em co-autoria e 800 estudos sobre assuntos diversos, como direito, filosofia, história, literatura e música, traduzidos em mais de dez línguas em 17 países. 
  • Não perca por nada esta palestra! 
  • O Dr. Ives Gandra irá falar com total conhecimento de causa sobre temas bastante atuais. Ele fará uma análise crítica sobre o julgamento do Mensalão e algumas decisões polêmicas do STF, tais como: 
  1. Autorização para utilização de embriões congelados para experiências com células tronco embrionárias; 
  2. O Supremo reconhece que os casais homossexuais têm os mesmos direitos e deveres que os casais heterossexuais; 
  3. O STF reconhece que o aborto de anencéfalos não é mais crime. 
Conto com sua participação. 
Inscreva-se com um click aqui: 


29 de outubro de 2011

Embrião humano não é “peça de reposição”

A campanha anti-aborto “A Voz do Brasil pela Vida” divulgou uma gravação do Cel. Jairo Paes de Lira comentando a auspiciosa resolução do principal tribunal da União Europeia, a Corte Europeia de Justiça (ECJ), que vetou o patenteamento de embriões. Se não fosse vetado, alegando-se a finalidade de se obter células-tronco-embrionárias (CTEH), embriões humanos poderiam ser destruídos.


A ECJ declarou, no dia 18 p.p., que tal resolução reflete a lei europeia que protege embriões — ou seja, seres humanos — e o franqueamento equivaleria a atentar "o respeito pela dignidade humana”. "[...] Um processo que envolva a retirada de uma célula tronco de um embrião humano no estágio de blastocisto, levando à destruição desse embrião, não pode ser patenteado". 


Bem que o Supremo Tribunal Federal brasileiro poderia seguir o exemplo dessa resolução e reconhecer o direito à vida desde a concepção, fechando assim as portas para a legalização do aborto em qualquer circunstância.


A decisão da ECJ é uma resolução óbvia: não se pode comercializar embriões humanos — vender seres humanos (ainda quando no estado inicial de vida), é evidente que é uma monstruosidade! Mas nestes dias de loucura e caos em que vivemos, quando lemos uma notícia com uma decisão lógica nos alegramos e é motivo de comemoração... Por isso, aconselho aos Amigos assistirem e a recomendarem o vídeo no seguinte link:
http://www.youtube.com/user/AvozdoBrasilpelaVida

24 de junho de 2008

Aborto: apesar das reações contrárias, continuam tentando “justificar” o injustificável

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Tendo o STF julgado a constitucionalidade das pesquisas com células-tronco embrionárias — na lamentável sessão do dia 29 de maio último —, agora o Supremo prepara-se para julgar a constitucionalidade da prática abortiva.

Ademais, na Câmara dos Deputados, a Comissão de Constituição e Justiça e a Comissão de Direitos Humanos, estão novamente discutindo maneiras para se conseguir, por meio de subterfúgios, a legalização do aborto no Brasil, apesar da histórica rejeição do aborto por 33 votos contrários. [vide
http://blogdafamiliacatolica.blogspot.com/2008/05/unanimidade-contra-o-aborto-33-x-0.html ] E apesar também de a imensa maioria da população brasileira ser contrária ao aborto. Mesmo assim, os abortistas não param, querem impor o aborto de qualquer jeito.

Arlindo Chinaglia, presidente da Câmara, informou que esse tema somente seria votado no plenário após se ter esgotado os debates entre anti-abortistas e abortistas. A Ministra de Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freire, e o Ministro da Saúde, José Gomes Temporão — ambos ferrenhamente favoráveis ao aborto — já se articulam para influenciar em tais debates, tentando “justificar” o que é injustificável.

Não nos desarticulemos também, estejamos sempre atentos a fim de agir contra a legalização do assassinato de inocentes — por assim dizer, a descriminalização do infantício.
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A revista Catolicismo [ www.catolicismo.com.br ], em sua edição deste mês, publicou uma muito oportuna entrevista com o médico português, Dr. Daniel Serrão, docente aposentado da Faculdade de Medicina do Porto, professor de Bioética e Ética Médica na Universidade Católica, no Porto e em Lisboa. Cientista conhecido no mundo inteiro, é membro da Academia de Ciências de Lisboa, da Academia Portuguesa de Medicina e da Academia Pontifícia para a Vida.

O Prof. Dr. Daniel Serrão responde questões que alguns leitores deste Blog da Família têm levantado — como, por exemplo, o problema dos traumas pós-aborto —, por isso aqui transcrevo as respostas do ilustre médico, entrevistado de Catolicismo:


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Catolicismo — No ano passado, Portugal tornou o aborto legal por meio de um referendo popular. No seu entender, faltaram mais pessoas do ambiente católico e de outros setores da sociedade para defender a posição contra o aborto? O Sr. poderia narrar como se deu essa consulta popular, e quais os frutos da aprovação da lei?

Prof. Dr. Daniel Serrão — Perdemos o referendo por uma escassa margem na contagem global dos votos; mas em muitas mesas de voto e em muitas regiões, ganhamos, e até com maiorias importantes. Tal como no referendo anterior, oito anos antes, nas zonas onde se constituiu um movimento organizado e coerente a favor do não, ganhamos. Só que, no referendo anterior, o cômputo global foi-nos favorável, igualmente por pequena margem, e muitos pensaram que a guerra estava ganha, quando só tínhamos vencido uma batalha.
Quem ganhou, de fato, tanto num como no outro referendo, foi a abstenção: mais da metade dos portugueses não votou. Sendo Portugal um país de grande maioria de católicos, tenho de concluir que, num momento da maior gravidade, em que estava em causa a vida humana, os católicos ficaram em casa, atraiçoando a sua fé. E tenho de concluir que a Igreja institucional, os seus pastores e os seus sacerdotes não souberam chamar os católicos à responsabilidade de não se absterem. Porque, seguramente, nenhum dos adeptos do sim ficou em casa no dia da votação.
A nova lei é a mais laxista da Europa. A mulher grávida decide livremente fazer-se abortar num hospital público, sem encargos, até a 10ª semana de gravidez; ou numa clínica privada de abortos (duas destas empresas espanholas de matar crianças ao abrigo da lei se instalaram logo em Portugal) que tenha acordo com o Serviço Nacional de Saúde, o qual paga o aborto por uma tabela convencionada, que obviamente dá lucro à empresa abortista.
Não se conhecem ainda números oficiais de abortos já realizados, mas os adeptos do sim andam inquietos, porque parece que são menos do que esperavam. Tenho exigido publicamente que esses números sejam divulgados, para que se possa, com segurança, fazer uma análise dos efeitos da lei. E espero conseguir esses números.

Catolicismo — Que conselho o Sr. daria, como médico, como católico e como pai de família, a uma jovem que o procurasse manifestando dúvida se pratica ou não um aborto?

Prof. Dr. Daniel Serrão — Daria o conselho que tenho dado muitas vezes: não assumas a responsabilidade de decidir em nome de uma vida que não é a tua; o que está dentro de ti é uma vida nova que apela a viver, e tu tens de ouvir esse apelo, que é biológico antes de ser humano. Nenhum dos motivos pelos quais me dizes que queres abortar vai ficar resolvido com o aborto, e tu vais comprar uma guerra contigo própria, que te vai acompanhar ao longo de toda a tua vida.
Não uso argumentos de cariz religioso, porque quem tenha verdadeira fé nunca colocará, a si própria, a possibilidade de se fazer abortar, sejam quais forem as situações da gravidez. Nem mesmo em casos de violação brutal.

Catolicismo — Que papel uma santa e médica –– como Santa Gianna Beretta Molla, que preferiu ter o filho, apesar da recomendação de ordem terapêutica para abortar –– pode representar como exemplo para as mulheres nos dias de hoje?

Prof. Dr. Daniel Serrão — Representa o apelo às virtudes heróicas que devem ser sempre apresentadas à juventude, porque ela é sensível à heroicidade e à dedicação absoluta a ideais, que são vividos até às últimas conseqüências. Infelizmente, à medida que a idade avança, o pragmatismo leva ao enfraquecimento da paixão pelos valores superiores; e os exemplos, como os de Santa Gianna, são menos eficazes.

Catolicismo — Em sua experiência médica, que traumas e conseqüências o aborto pode causar nas mulheres que o praticam?

Prof. Dr. Daniel Serrão — O mais grave, conforme a minha experiência, é a persistência, na memória afetiva, de um sentimento de profunda angústia existencial, que torna a vivência comum muito difícil. Tive um caso grave de suicídio iminente, que só foi controlado com tratamento psiquiátrico especializado durante quase um ano. Uma jovem de 17 anos, que se fez abortar de uma gravidez resultante de uma relação incestuosa consentida, ficou totalmente inibida de ter vida sexual. O aborto de tóxico-dependentes torna a recuperação da dependência muito mais difícil, parecendo que a jovem quer castigar-se pelo que fez. Mas o mais grave é que persiste a memória da decisão e do ato, muitas vezes com representação durante o sonho ou com alucinações. Uma das jovens, que obviamente não “viu” o ato de aborto feito sob anestesia, descrevia com profundo sofrimento a morte do seu filho, com os pormenores que lhe apareciam nos sonhos. A sua angústia era tão profunda, que necessitou de tratamento psicológico durante quatro anos. Na minha experiência, nenhuma mulher se recupera completamente de um ato de aborto. Há uma ferida biológica que muito dificilmente cicatriza.

Catolicismo — Fala-se muito que a legalização tem como finalidade combater os abortos clandestinos. No seu entender, essa é uma razão real?

Prof. Dr. Daniel Serrão — É uma falsa e hipócrita razão. É evidente que, se todos os abortos passarem a ser feitos gratuitamente, à vontade da mulher, sem qualquer condicionalismo, deverão acabar os abortos clandestinos nos hospitais públicos, porque seriam absurdos. Mas não é isto que acontece. Em Portugal não há números fidedignos, mas os abortistas lamentam o número baixo de abortos hospitalares; e insinuam, eles próprios, que os clandestinos continuam. É claro que continuam, porque muitas mulheres que decidem fazer-se abortar, por este ou aquele motivo, desejam que esse ato lhes seja praticado de forma clandestina, e não numa enfermaria de um hospital onde toda a gente vai saber que ela está internada para fazer aborto.

Catolicismo — Na Esparta pagã, e em outras culturas afastadas do Direito Natural, praticava-se o infanticídio no caso de crianças nascidas com defeitos físicos. No caso de prosseguir a atual ofensiva contra a vida, não é de se recear que cheguemos a esse ponto?

Prof. Dr. Daniel Serrão — Sem nenhuma dúvida. Na Holanda o infanticídio é já praticado como uma extensão, tolerada pelos tribunais, da lei atual da eutanásia. De acordo com esta lei, a eutanásia deixou de ser um homicídio despenalizado, e tornou-se uma decisão dos médicos como qualquer outra. O infanticídio, por assimilação da lei, deixou de ser um crime e passou a ser, igualmente, uma decisão do médico.

Catolicismo — Muitas abortistas alegam que a mulher é dona de seu corpo, e portanto caberia a ela a escolha e o direito de abortar. O que a ciência diz a respeito disso?

Prof. Dr. Daniel Serrão — Não é preciso a ciência, basta o senso comum. É evidente que a mulher é “dona” do seu corpo e deve procurar para este, sempre, o seu melhor bem. A cirurgia estética é um bom exemplo dessa espécie de propriedade sobre o corpo. Só que o embrião em desenvolvimento durante nove meses é um corpo próprio, que se serve do corpo da mãe para se alimentar e desenvolver, e a partir de 500 gramas de peso já pode dispensar o corpo da mãe. A mãe é dona do seu corpo, mas não é dona do corpo do seu filho ou filha.

Catolicismo — Freqüentemente acusa-se a Igreja Católica de ser inimiga do progresso e da ciência. O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, inspirador da revista Catolicismo, sempre sustentou o contrário. Sempre ensinou que a Igreja é a grande benfeitora do autêntico progresso, da cultura e da civilização. Gostaríamos de conhecer sua opinião a respeito.

Prof. Dr. Daniel Serrão — Tinha Plinio Corrêa de Oliveira — que tive o ensejo de conhecer em uma de suas visitas a Portugal — toda a razão. O recente caso das células-tronco ou estaminais é uma demonstração eloqüente disso. A oposição da Igreja à destruição de embriões para se obterem estas células levou investigadores em todo o mundo a procurarem fontes alternativas. Essas fontes apareceram pelo trabalho científico, e hoje pode dizer-se que, para se conseguirem resultados terapêuticos, não são necessárias células tiradas de embriões, destruindo-os, já que as encontramos no líquido amniótico e no sangue do cordão umbilical.

Catolicismo — Discute-se na Supremo Tribunal Federal o tema da utilização de células-tronco embrionárias em pesquisas médicas. Em caso de aprovação por parte dos magistrados, o Sr. acha que isso trará mesmo algum avanço para o mundo científico brasileiro?

Prof. Dr. Daniel Serrão — Como acabo de responder, não há hoje necessidade de usar células-tronco de origem em embriões. No recente livro Cell Therapy, editado pela McGrawHill, e no qual tive a honra de colaborar, estão apresentados os resultados, nos diferentes campos, do uso terapêutico de células somáticas com função estaminal. No interesse dos doentes, os países que têm condições para fazer investigação com estas células devem subsidiar os ensaios com as células de adultos, pois com estas podem obter-se, em curto prazo, resultados positivos, particularmente em doenças cardíacas e do sistema nervoso.

Catolicismo — Sabe-se que em alguns países essas pesquisas com células-tronco embrionárias já se fazem há algum tempo. Divulga-se algum fruto real dessas pesquisas?

Prof. Dr. Daniel Serrão — Não há um único resultado terapêutico em seres humanos com células-tronco de origem em embriões humanos. Os principais problemas –– que são o controle da capacidade de transformação dessas células-tronco embrionárias em células tumorais, e a própria estabilidade do fenótipo de célula-tronco não diferenciada e das células diferenciadas obtidas das células-tronco –– não estão resolvidos. E sem estarem resolvidos, não se vislumbra qualquer aplicação em doentes. Pelo contrário, as células-tronco obtidas em estruturas adultas, em particular na medula óssea, há muitos anos dão resultados excelentes em leucemias e linfomas, e nos casos de neoplasias em que é necessário aplicar terapias que destroem a medula óssea. Atualmente é possível “guardar” células-tronco obtidas da criança logo após nascer, e se for necessário, usá-las anos depois, sem nenhum problema de rejeição imunológica. Se os resultados dos investigadores japoneses e americanos vierem a ser desenvolvidos com sucesso, qualquer célula do nosso organismo adulto poderá ser transformada, por engenharia de genética molecular, em célula com as características de célula-tronco embrionária.

Catolicismo — Que mensagem o Sr. gostaria de dar aos leitores de Catolicismo, para incentivá-los na luta contra a prática do aborto?

Prof. Dr. Daniel Serrão — A mensagem é só uma: aprender a ter respeito pelo corpo próprio e pelo corpo do outro. Respeito, antes de mais, biológico, pois todo corpo vivo apela a viver, e esse apelo tem de ser escutado e respeitado. A criança que está a desenvolver-se apela à mãe para viver, com a linguagem própria do equilíbrio biológico. Depois, respeito ao nível humano, porque o feto é já da nossa família humana, mesmo que ainda não fale conosco; mas vai falar em breve, e se já falasse, pediria que não fosse morto. Finalmente, respeito espiritual, porque o ser que se desenvolve no útero da mãe não é uma coisa, mas uma estrutura pessoal, que irá manifestar-se como pessoa espiritual à medida que o tempo passar.
No ato de abortar, o abortador destrói uma vida biológica, mata um corpo humano pessoal e anula a expressão de um espírito. Espírito que, para nós católicos, é a marca do Criador em nosso corpo, desde a concepção.


16 de junho de 2008

29 de maio de 2008: dia de luto na História do Brasil — II

Conforme me comprometi na matéria abaixo (Um dia negro na História do Brasil: 29 de maio de 2008 ), em postar alguns textos sobre a doutrina católica que condena os métodos antinaturais de procriação — como a fecundação in vitro, assim como as pesquisas com embriões humanos —, segue a transcrição de alguns trechos que selecionei da Instrução Donum Vitae, da “Congregação para a Doutrina da Fé”. Tomei a liberdade de assinalar em negrito algumas passagens que me pareceram essenciais.

A íntegra dessa Instrução encontra-se disponível em:
http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_19870222_respect-for-human-life_po.html#_ftn21

Esse documento foi assinado pelo então Cardeal Joseph Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, em 22 de fevereiro de 1987, sobre “o respeito à vida humana nascente e à dignidade da procriação”. Nele o leitor encontrará consubstanciado o ensinamento do Magistério da Igreja a respeito desse importante tema. Aliás, diga-se de passagem, teria sido de suma eficácia se nas vésperas do julgamento no STF, sobre as condenáveis pesquisas com células-tronco embrionárias, todos os membros da Hierarquia eclesiástica tivessem insistido em divulgar e pregar aos fiéis essa doutrina tradicional da Igreja. Talvez tivessem influenciado a decisão do STF...

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Excertos da Instrução Donum Vitae, de 22-2-1987, sobre “o respeito à vida humana nascente e à dignidade da procriação”

“Desde o momento da concepção, a vida de todo ser humano deve ser respeitada de modo absoluto, porque o homem é, na Terra, a única criatura que Deus ‘quis por si mesma’,(1) e a alma espiritual de cada um dos homens é ‘imediatamente criada’ por Deus; (2) todo o seu ser traz a imagem do Criador. A vida humana é sagrada, porque desde o seu início comporta ‘a ação criadora de Deus’ (3) e permanece para sempre em uma relação especial com o Criador, seu único fim.(4) Somente Deus é o Senhor da vida, desde o seu início até o seu fim: ninguém, em nenhuma circunstância, pode reivindicar para si o direito de destruir diretamente um ser humano inocente.(5)

“A procriação humana exige uma colaboração responsável dos esposos com o amor fecundo de Deus;(6) o dom da vida humana deve realizar-se no matrimônio, através dos atos específicos e exclusivos dos esposos, segundo as leis inscritas nas suas pessoas e na sua união.(7) [...]

“Esta Congregação tem conhecimento das discussões atuais acerca do início da vida humana, da individualidade do ser humano e da identidade da pessoa humana. Ela relembra os ensinamentos contidos na Declaração sobre o aborto provocado: ‘A partir do momento em que o óvulo é fecundado, inaugura-se uma nova vida que não é aquela do pai ou da mãe, e sim de um novo ser humano que se desenvolve por conta própria. Nunca se tornará humano se já não o é desde então. A esta evidência de sempre [...] a ciência genética moderna fornece preciosas confirmações. Esta demonstrou que desde o primeiro instante encontra-se fixado o programa daquilo que será este vivente: um homem, este homem-indivíduo com as suas notas características já bem determinadas.

“Desde a fecundação tem início a aventura de uma vida humana, cujas grandes capacidades exigem, cada uma, tempo para organizar-se e para encontrar-se prontas a agir’.(8) Esta doutrina permanece válida e, além disso, é confirmada — se isso fosse necessário — pelas recentes aquisições da biologia humana, que reconhece que no zigoto [célula resultante da fusão dos núcleos dos dois gametas] derivante da fecundação já está constituída a identidade biológica de um novo indivíduo humano.

“É certo que nenhum dado experimental, por si só, pode ser suficiente para fazer reconhecer uma alma espiritual; todavia, as conclusões da ciência acerca do embrião humano fornecem uma indicação valiosa para discernir racionalmente uma presença pessoal desde esta primeira aparição de uma vida humana: como um indivíduo humano não seria pessoa humana? O Magistério não se empenhou expressamente em uma afirmação de índole filosófica, mas reafirma de maneira constante a condenação moral de qualquer aborto provocado. Este ensinamento não mudou e é imutável.(9) [...]

“Os embriões humanos obtidos in vitro são seres humanos e sujeitos de direito: a sua dignidade e o seu direito à vida devem ser respeitados desde o primeiro momento da sua existência. É imoral produzir embriões humanos destinados a serem usados como ‘material biológico’ disponível.

“Na prática habitual da fecudação in vitro, nem todos os embriões são transferidos para o corpo da mulher; alguns são destruídos. Assim como condena o aborto provocado, a Igreja proíbe também o atentado contra a vida destes seres humanos. É necessário denunciar a particular gravidade da destruição voluntária dos embriões humanos obtidos in vitro, unicamente para fins de pesquisa, seja mediante fecundação artificial como por ‘fissão gemelar’. Agindo de tal forma, o pesquisador toma o lugar de Deus e, mesmo se não é consciente disso, faz-se senhor do destino de outrem, uma vez que escolhe arbitrariamente quem fazer viver e quem mandar à morte, suprimindo seres humanos indefesos.

“Os métodos de observação e de experimentação que causam dano ou impõem riscos graves e desproporcionados aos embriões obtidos in vitro são moralmente ilícitos pelos mesmos motivos. [...]

“As técnicas de fecundação in vitro podem abrir possibilidade a outras formas de manipulação biológica ou genética dos embriões humanos, tais como as tentativas ou projetos de fecundação entre gametas humanos e animais e de gestação de embriões humanos em úteros de animais, bem como a hipótese ou projeto de construção de úteros artificiais para o embrião humano. Estes procedimentos são contrários à dignidade do ser humano própria do embrião, e ao mesmo tempo lesam o direito de cada pessoa a ser concebida e a nascer no matrimônio e pelo matrimônio.

Também as tentativas ou hipóteses destinadas a obter um ser humano sem conexão alguma com a sexualidade, mediante ‘fissão gemelar’, clonagem ou partenogênese, devem ser consideradas contrárias à moral por se oporem à dignidade tanto da procriação humana como da união conjugal”.
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Notas:
1. Const. past. Gaudium et Spes, 24.
2. Cfr. Pio XII, Encicl. Humani Generis: AAS 42 (1950) 575; Paulo VI, Professio Fidei: AAS 60 (1968) 436.
3. João XXIII, Encicl. Mater et Magistra, III: AAS 53 (1961) 447.
4. Cfr. Const. past. Gaudium et Spes, 24.
5. Cfr. Pio XII, Discurso à União Médico-Biológica “São Lucas”, 12 de novembro de 1944: Discorsi e Radiomessaggi VI (1944-1945) 191-192.
6. Cfr. Const. past. Gaudium et Spes, 50.
7. Cfr. Const. past. Gaudium et Spes, 51.
8. Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração sobre o aborto provocado, 12-13: AAS 66 (1974), 738.
9. Cfr. Paulo VI, Discurso aos participantes do XXIII Congresso Nacional dos Juristas Católicos Italianos, 9 de dezembro de 1972: AAS 64 (1972).

8 de junho de 2008

Um dia negro na História do Brasil: 29 de maio de 2008

Para a obtenção do amparo legal às pesquisas com embriões humanos — com a controvertida decisão do STF —, cientistas e instituições pró-aborto, dispondo largamente da mídia, fizeram “propaganda enganosa”, venderam ilusões e muitos compraram suas falsas promessas.

Paulo Roberto Campos

prccampos@terra.com.br

No dia seguinte à votação final no Supremo Tribunal Federal — que em controvertida sessão aprovou por 6 votos a 5 as pesquisas com células-tronco embrionárias (conforme a Lei de Biossegurança) — 99% dos meios de comunicação do Brasil festejaram tal aprovação como sendo um dia radioso e de grandes esperanças. Entretanto, não temos a menor dúvida em afirmar que foi um dia negro e triste para a história de nosso País.

Com a deplorável votação no STF, interpreta-se que nossa Constituição não reconhece o direito à vida senão depois do nascimento. Isso corresponde a um verdadeiro atentado contra a ordem natural das coisas, contrario à moral católica e à ética. Além do mais, contraria fundamentadas pesquisas de grandes cientistas do Brasil e do exterior, que comprovam que a vida inícia-se na fecundação e demonstram que o embrião humano não é apenas um aglomerado de células, mas possui uma vida em estado inicial, com um patrimônio genético próprio. (a respeito, vide neste blog a matéria intitulada: A vida inicia-se na fecundação. Mas cientistas a serviço da causa abortista tudo fazem para tentar provar o contrário.

É o que por exemplo afirma a renomada médica Dra. Alice Teixeira Ferreira: “Está demonstrado pela ciência que a origem do ser humano se situa no momento da concepção. O Sr., eu, todos nós tivemos nossa origem na concepção. Esse é um fato que foi descrito pela ciência. A ciência não dá o ‘porquê’, ela dá o ‘como’. Já em 1827 isso foi descrito por Karl Ernst von Baer. Ele observou o ovo, ou zigoto, em divisão na tuba uterina e o blastócito no útero de animais. Em duas obras descreveu os estágios correspondentes ao desenvolvimento do embrião. Por isso é chamado, ‘pai da embriologia moderna’. Todo livro moderno de embriologia humana traz esta descrição. Todos os textos consultados, nas suas últimas edições, afirmam que o desenvolvimento humano se inicia quando o ovócito é fertilizado pelo espermatozóide. Todos afirmam que o desenvolvimento humano é a expressão do fluxo irreversível de eventos biológicos ao longo do tempo, que só pára com a morte”.

Dra. Alice Teixeira Ferreira, formada na Escola Paulista de Medicina em 1967, doutorada em Biologia Molecular em 1971, pos-doc na Research Division da Cleveland Clinic Foundation, EUA, Livre Docente da UNIFESP/EPM. Trecho de sua entrevista concedia à revista Catolicismo (edição de janeiro/2006). Os leitores que desejarem a íntegra dessa elucidativa entrevista, basta um click no link: http://www.catolicismo.com.br/materia/materia.cfm/idmat/7D89A3F2-3048-560B-1CBC961F22FE5DE8/mes/Janeiro2006
Ou, se preferirem receber o texto por e-mail, basta enviar uma mensagem para prccampos@terra.com.br escrevendo no “assunto”: Entrevista da Profª Alice Teixeira.


Resolução que abre as portas para a prática do aborto
Com a liberação das pesquisas com células-tronco embrionárias (CTEH), abrem-se as portas para a despenalização do aborto, pois o feto é um embrião mais desenvolvido. Uma vez que se pode destruir a vida embrionária, porque proibir que se tire a vida de um feto no ventre materno?

O ministro Marco Aurélio Mello, deixou claro que, com a aprovação da Lei de Biossegurança, o STF está pronto para julgar a causa de aborto nos casos de anencefalia. Segundo ele: “o julgamento do processo sobre as pesquisas com CTEH, aplainou o terreno”. Primeiramente, apenas a legalização do aborto nos casos de bebês anencefálicos, depois...

Depois de aprovadas pelo STF as pesquisas com embriões humanos, é chegada a vez de se tentar legalizar o aborto — em qualquer tempo de gestação, até mesmo quando praticado no 9º mês da gravidez.

Com isso, abrem-se as portas também para outros tipos de práticas antinaturais. Como, por exemplo, a clonagem (técnica de reprodução humana sem o concurso do casal). Primeiramente alegar-se-á que a finalidade da clonagem seria para a obtenção de “material biológico” (peças de reposição) para servir na cura de certas doenças ou de órgãos para transplantes. Depois será a vez de se revelar que a finalidade é a produção de seres humanos, por meio da chamada “engenharia genética”. Portanto, tal aprovação merece o repúdio de todos aqueles que defendem a lei natural e a ordem da criação estabelecida por Deus.

Nessa escalada de disparates, não se chegaria também a propor no Brasil experiências de gestação de embriões humanos em úteros de animais? Causa horror só de pensar, mas... “cesteiro que faz um cesto, faz um cento” ou, conforme um salmo: “Abyssus abyssum invocat” (Um abismo atrai outro abismo...)

Recentemente o Parlamento Britânico aprovou essa monstruosidade: a criação de embriões híbridos — ou seja, a implantação de células humanas em animais. (cfr. “O Estado de S. Paulo”, 24-3.08, “Ministro defende lei de embriões híbridos”) O homem distanciando-se da ordem natural, revoltando-se contra o Criador, pode chegar a esse abismo de infâmia e aberração. Que monstros não seriam gerados?

Ian Wilmut, cientista britânico, responsável pela clonagem da ovelha Dolly

A tecnologia da clonagem já não estará sendo experimentada nos subterrâneos de laboratórios, espalhados em diversos países, às escondidas das leis atualmente proibitivas? Assim como “criaram” uma ovelha “Dolly” (o primeiro mamífero clonado - foto acima), não tentariam criar um “humano”? Quem teria segurança em afirmar que já não se fazem experiências com esse objetivo?

Com a prática abortiva, mata-se um ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus; com a clonagem “constrói-se” um ser humano, criado em laboratório. É a utopia atéia e materialista dos propugnadores do chamado “mundo novo” a ser construído. E, para habitar esse “mundo novo”... a criação de um “homem novo”. Uma “nova era” para aqueles que negam a lei natural e a existência de Deus Criador de todas as coisas.
As declarações “salvadoras” antes da votação no STF
Nos últimos dias de maio, notamos a movimentação de uma gigantesca articulação para se obter a liberação das pesquisas com CTEH. Por detrás disso, notou-se que há fortes interesses de instituições pró-aborto (por exemplo, a fundação Rockefeller), que sustentam ONGs e o lobby nacional e internacional para forçar a aprovação de leis que despenalizem o aborto.

Na mesma ocasião, observamos também uma grande atividade midiática de desinformação. Muitas vezes a mídia adulterava os fatos, noticiava sucessos com pesquisas com células-tronco, insinuando que se tratava de células-tronco embrionárias (CTEH), quando os bons resultados tinham sido obtidos a partir de células-tronco adultas (CTAH). Estas sim, extraídas da medula óssea, do cordão umbilical e de outros tecidos humanos, têm produzido excelentes resultados. O que não é divulgado pela grande mídia.

Manipulou-se também o sentimentalismo do povo brasileiro, divulgando apenas a “voz do sentimento” e não a “voz da razão”— como se, para o bem do progresso e dos deficientes físicos, a ciência tivesse direito a qualquer coisa. Portanto, que os fins justificariam os meios.

Para sensibilizar, e até mesmo criar uma comoção na opinião pública e assim influenciar os senhores Ministros, não tiveram escrúpulos em utilizar deficientes, enganados por falsas promessas de curas repentinas. Divulgou-se que, caso fossem aprovadas as pesquisas com CTEH, eles seriam curados. Como se, por uma mágica qualquer (algo como promessas de curandeiros fazedores de “milagres”), a cura se daria em pouco tempo. Na linha de que os cegos passariam a ver, o mudos a falar, os surdos a ouvir e os paralíticos a andar. Muitos deficientes foram então conduzidos em suas cadeiras de rodas para o prédio do STF, a fim de serem televisionados e fazerem declarações emocionantes. Inúmeras reportagens afirmaram que em todo o Brasil, milhões de deficientes e portadores de moléstias degenerativas torciam pela autorização das pesquisas, pois, desse modo, em pouco tempo, eles seriam curados. Só faltou a mídia afirmar que a dor desapareceria da face da Terra e que os “humanos” se tornariam imortais...

É curioso observar que esse era o discurso antes da aprovação no STF. Após a aprovação, o discurso mudou... Os mesmos cientistas e porta-vozes das pesquisas com CTEH, que prometeram as curas, começaram a dizer que ainda tinham pela frente longos anos de pesquisas, que não havia nenhum resultado concreto para apresentar... Por exemplo, a geneticista Mayana Zatz (da USP), declarou: “Todos vamos nos beneficiar dessa vitória. Temos uma enorme responsabilidade pela frente. Quero deixar claro que não estamos prometendo cura imediata, mas dar o melhor de nós nas pesquisas”...

É a velha tática revolucionária: Menti, menti, sempre alguma coisa ficará [nas cabeças das pessoas], como dizia o ímpio Voltaire.

A verdade sobre as pesquisas com células-tronco
Ainda que o tratamento com células-tronco embrionárias (CTEH) curasse, ele não seria lícito, pois sob nenhum ponto de vista se pode sacrificar uma vida humana para salvar outra. Renomados cientistas dizem justamente que todas as pesquisas com CTEH fracassaram, mas que eles depositam grandes esperanças no tratamento com células-tronco adultas (CTAH), com as quais já se tem obtido ótimos resultados concretos.

Oportunamente postarei neste blog uma excelente matéria mostrando que os experimentos com CTEH não têm proporcionado curas e são criminosas e que, pelo contrário, a aplicação de CTAH já tem proporcionado diversas curas, além de não atentar contra a vida.

Transcrevo trecho de um documento da citada Profa. Dra. Alice Teixeira, intitulado: “A verdade sobre as células embrionárias contra as mentiras divulgadas”:

“Durante a conferência, organizada pela Associação Nacional para a Defesa do Direito à Objeção de Consciência (ANDOC) na Academia de Medicina de Granada, a pesquisadora Natália López Moratalla, catedrática de Bioquímica da Universidade de Navarra, afirmou que hoje a pesquisa ‘derivou decididamente para o emprego das células-tronco adultas’, que são extraídas do próprio organismo e que já estão dando resultados na cura de doentes.

A pesquisadora Natália López Moratalla

“Segundo López Moratalla, ‘existem cerca de 600 protocolos que utilizam células-tronco adultas, e não se apresentou nenhum com células de origem embrionárias’. As células adultas ‘possuem o mesmo potencial de crescimento e diferenciação das células-tronco embrionárias e substituem muito bem as possibilidades biotecnológicas sonhadas para aquelas’.

‘As últimas descobertas sobre as possibilidades terapêuticas das células-tronco adultas, põem em suspeita abertamente as duas grandes ‘promessas’ propiciadas pela nova lei espanhola de biomedicina: o uso e criação de embriões para pesquisa e a chamada clonagem terapêutica. Aos graves problemas éticos já conhecidos (a destruição indiscriminada de milhares de embriões humanos), se unem evidências científicas que questionam cada vez sua utilidade terapêutica’, afirmou a pesquisadora.

As células-tronco embrionárias fracassaram. Caiu, pelo peso de sua própria irracionalidade, o uso terapêutico de células provenientes de embriões gerados por fecundação, ou células humanas provenientes da transferência nuclear a óvulos (o que se conhece por clonagem terapêutica)’, reiterou.

“Tendo em vista os esclarecimentos acima, seria ético que se parasse com esse engodo que sugere que as células embrionárias humanas, obtidas com a morte de embriões humanos, vão fazer paralíticos andar, cego enxergar, etc”.

A esperança da medicina encontra-se nas células-tronco adultas
Num artigo para a “Folha de S. Paulo” (28-5-08), intitulado “A Constituição e as células-tronco adultas”, o Prof. Ives Gandra da Silva Martins (foto ao lado), advogado e professor emérito da Universidade Mackenzie, explicita muito bem o engodo que envolve a questão das pesquisas com células-tronco embrionárias. Transcrevo alguns trechos:

“A Constituição brasileira declara, no caput do artigo 5º, que o direito à vida é inviolável; o Código Civil, que os direitos do nascituro estão assegurados desde a concepção (artigo 2º); e o artigo 4º do Pacto de São José, que a vida do ser humano deve ser preservada desde o zigoto. O argumento de que a Constituição apenas garante a vida da pessoa nascida — não do nascituro — e que nem sequer se poderia cogitar de ‘ser humano’ antes do nascimento é, no mínimo curioso: retira do homem a garantia constitucional do direito à vida até um minuto antes de nascer e assegura a inviolabilidade desse direito a partir do instante do nascimento. De rigor, a Constituição não fala em direito inviolável à vida em relação à pessoa humana, mas ao ser humano, ou seja, desde a concepção.

“Lembro-me, inclusive, do argumento do professor Jérôme Lejeune, da Academia Francesa, para quem, se o nascituro está vivo e não é um ser humano, então é um ser animal, de tal maneira que todos os que defendem essa tese admitem ter tido, no correr de sua vida, uma natureza animal, antes do nascimento, e uma natureza humana, depois dele.

“Ocorre que, em novembro de 2007, J. Thomson, nos EUA, e Yamanaka, no Japão, conseguiram produzir células-tronco adultas pluripotentes induzidas, passando a ter espectro aplicacional semelhante àquele prometido — e, até hoje, não obtido — com células-tronco embrionárias. E, em 14 de fevereiro deste ano, Yamanaka anunciou a produção de células-tronco pluripotentes induzidas sem riscos de gerar tumores. As embrionárias importam tal risco, assim como o da rejeição.

“A declaração de Yamanaka (foto ao lado) é suficientemente expressiva: ‘Quando vi o embrião, eu repentinamente percebi que não havia muita diferença entre ele e minhas filhas. Eu pensei, nós não podemos continuar destruindo embriões para nossa pesquisa. Deve haver outro meio’”. (“The New York Times”, 11-12-07, “Minha meta é evitar usar células embrionárias”).

“Não sem razão, do site do governo do Canadá consta relatório com a seguinte conclusão: “Recentemente, o debate sobre o uso de embriões como uma fonte de células-tronco pode tornar-se desnecessário, na medida em que as pesquisas vêm mostrando significativos sucessos na demonstração da pluripotencialidade das células-tronco adultas, originárias de músculos, cérebro e sangue.

“Compreendo, pois, a posição dos cientistas brasileiros, professores Alice Teixeira, Cláudia Batista, Dalton de Paula Ramos, Elizabeth Kipman, Herbert Praxedes, Lenise Martins Garcia, Lilian Piñero Eça, Marcelo Vaccari, Rodolfo Acatauassú, Antônio Eça e Rogério Pazetti, quando declaram que a esperança da medicina regenerativa encontra-se na pluripotencialidade induzida das células-tronco adultas”.

Uma resolução baseada em falsas premissas
Mesmo com os bilhões de dólares desperdiçados nas duas últimas décadas em pesquisas com CTEH, elas não produziram qualquer resultado salutar. Um fracasso evidente. Mas, apesar disso, seis Ministros do STF votaram favoravelmente a essas pesquisas. Eles julgaram improcedente a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) impetrada pelo ex-procurador-geral da República, Cláudio Fontelles. Segundo este, a Lei de Biossegurança, “viola dois princípios da Constituição: o direito à vida e a dignidade da pessoa humana”.

Contudo, os seis Ministros, fundamentados em falsas premissas (que os embriões congelados não têm vida; que são inviáveis e que o destino deles era o lixo), concluíram que os embriões não são pessoas... Data vênia, os Senhores Ministros não sabiam que o fato de o embrião estar congelado não é impedimento para que ele seja gerado? Sim, eles sabiam que só de uma clínica no Brasil, a partir de embriões congelados, ocorreram 402 nascimentos de bebês, a maior parte acima de três anos de congelamento.

Vinícius: embrião congelado por oito anos, hoje bebê... “descongelado” e saudável


Embriões congelados que “viraram” gente…
Há diversos casos de embriões, que depois de muitos anos congelados, implantados no útero de mulheres, são hoje pessoas muito saudáveis. Nos Estados Unidos há casos de embriões que ficaram congelados por mais de 10 anos e que geraram crianças inteiramente normais.

No Brasil, ao que consta, o embrião que ficou mais tempo congelado (oito anos) tendo sido depois implantado no útero de sua mãe, é o de Vinícius (foto acima, quando tinha 6 meses). Hoje, com 1 ano, ele vive inteiramente normal e alegre junto a seus pais em Mirassol (SP). Se esse embrião tivesse sido utilizado em pesquisas, conforme a Lei de Biossegurança, Vinícius teria sido morto, usado como “cobaia de laboratório”. Quantos outros “Vinícius” serão eliminados?

A mãe do pequeno Vinícius, Da. Maria Roseli, declarou: “Meu filho venceu oito anos de congelamento e a prematuridade. Imagine se eu tivesse desistido dele e doado o embrião para pesquisa? Acredito sim que há vida [nos embriões], o Vinícius é a prova disso”.

O Dr. José Gonçalves Franco Junior, médico ginecologista, responsável pela clínica onde Vinícius ficou por 8 anos congelado em forma de embrião, declarou: “É uma loucura falarem que embrião congelado há mais de três anos é inviável. E isso não tem nada a ver com religião. A viabilidade é um fato e ponto”. (“Folha de S. Paulo”, 9-3-08, “O Bebê que saiu do Frio”).

Laicismo X religiosidade do povo brasileiro
Outro “argumento” repetido por alguns Ministros foi de que o Estado brasileiro é laico, não sendo por isso obrigado a se submeter à moral religiosa. Esqueceram de que, mesmo sendo laico o Estado, a imensa maioria do povo brasileiro é católica. A grande mídia ecoou esse “argumento”, centrando o problema como se tratasse de um enfrentamento entre a “fé obscurantista”, defendida pela Igreja, e a ciência, única capaz de trazer o progresso.

Neste sentido vale a pena ter presente a seguinte consideração, extraída de um artigo do notável jurista Ives Gandra Martins (“Jornal do Brasil”, 2-6-07):
“Estado laico não significa que aquele que não acredita em Deus tenha direito de impor sua maneira de ser, de opinar e de defender a democracia. Não significa, também, que a democracia só possa ser constituída por cidadãos agnósticos ou ateus. Não podem, ateus e agnósticos, defender a tese de que a verdade está com eles e, sempre que qualquer cidadão, que acredita em Deus, se manifeste sobre temas essenciais — como, por exemplo, direito à vida, eutanásia, família — sustentar que sua opinião não deve ser levada em conta, porque é inspirada por motivos religiosos. A recíproca, no mínimo, deveria ser também considerada, por tal lógica conveniente e conivente, e desqualificada a opinião de agentes ateus e agnósticos, precisamente porque seus argumentos são inspirados em sentimentos anti-Deus.
Numa democracia, todos têm o direito de opinar, os que acreditam em Deus e os que não acreditam. Mas, na democracia brasileira, foram os representantes do povo, reunidos numa Assembléia Constituinte considerada originária, que definiram que todo o ordenamento jurídico nacional, toda a Constituição, todas as leis brasileiras devem ser veiculadas ‘sob a proteção de Deus’, não podendo, pois, violar princípios éticos da pessoa humana e da família”.


Se a ciência renega o Criador, ela retrocede
À vista dos disparates que estão despontando a partir de uma ciência revolucionária, que avança de costas para Deus – e que portanto retrocede –, é muito conveniente relembrar a doutrina católica a respeito de procriação por métodos antinaturais, como a fecundação in vitro. Uma doutrina lógica e cristalina, mas posta de lado por pseudoscientístas. É o que pretendo postar em nosso blog dentro de alguns dias. Aguardem, creio que será de grande utilidade para todos os leitores, especialmente para os pais e mães de família.

Apesar do trunfo obtido pelos abortistas, com a aprovação das experiências com células-tronco embrionárias, devemos redobrar nossa luta contra o aborto, procurando agir, sempre dentro das leis, para suscitar ainda mais as reações sadias da parte verdadeiramente católica de nossa Pátria. Pois, do contrário, repito, um abismo atrairá outro abismo...

26 de maio de 2008

Urgente: Apelo para que os Ministros do STF votem NÃO às pesquisas com células-tronco embrionárias: não curam e são criminosas!


Como todos se recordam, em 5 de março último, iniciou-se no Supremo Tribunal Federal o julgamento do projeto de Lei de Bio-Segurança — que permitiria pesquisas com células-tronco embrionárias. (vide post: http://blogdafamiliacatolica.blogspot.com/2008/03/no-lcito-eliminar-uma-vida-ainda-que.html

Mas a decisão do STF foi adiada, pois, em boa hora, o Ministro Carlos Alberto Menezes Direito, pediu vistas ao processo, a fim de ter mais tempo para estudar os argumentos apresentados naquele colegiado.

Agora, na próxima 4ª. feira, dia 28 de maio, o STF novamente se reunirá para a votação.

Em vista disso, recebi um e-mail urgente de um colega, Daniel Martins, da Campanha “Nascer é um direito”, pedindo o envio de mensagens a todos os Bispos do Brasil a fim de que eles possam influenciar na decisão dos Ministros do STF.

Já atendi o pedido e rogo o mesmo favor aos diletos Amigos. Segue o e-mail que recebi e que bem explica o urgente lance:
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Clique aqui e participe de nossa campanha de envio de apelo aos Bispos do Brasil!
Vamos salvar a vida dos embriões!
O futuro e a sorte de milhares de embriões será decidida, nesta quarta-feira, pelo Supremo Tribunal Federal(STF), em Brasília.

Clique aqui agora e impeça que milhões de embriões sejam condenados à morte!
Vamos mandar uma carta aos bispos de todo o Brasil pedindo que eles se mobilizem e usem sua benéfica influência em defesa da vida inocente.
Mais uma vez agradeço seu esforço.
Deus lhe pague
Atenciosamente
Daniel Martins
Campanha Nacional Contra o AbortoNascer é um DireitoAssociação dos Fundadores
http://www.nascereumdireito.org.br/
Para saber mais detalhes, leia a explicação abaixo
Há três anos, foi aprovada uma lei conhecida como a lei da Biossegurança (Lei nº 11,105/05) e depois sancionada pelo Presidente Lula. De acordo com essa lei poder-se-ia utilizar embriões para pesquisas e terapias. Ou seja seria permitido matar embriões.
Eles procuram dizer que seriam usados as células tronco dos embriões para curar determinadas doenças degenerativas.

Ora, isso é falso! Pois até agora cientistas de todo o mundo que tentaram fazer alguma experiência com células-tronco de embriões, não obtiveram resultados positivos, muito pelo contrário, nenhuma deu certo. Mas, usando células-tronco adultas, deram excelentes resultados.
Naquele mesmo ano, o Procurador Geral da República, Cláudio Lemos Fonteles, entrou com um processo no Supremo Tribunal Federal alegando que essa lei violava nossa Constituição, era portanto, inconstitucional.

No começo deste ano, em março começou o julgamento no STF e o relator Ministro Carlos Ayres Britto, votou contra as alegações do Procurador Fonteles, dizendo que a vida começa só depois do nascimento com vida! O que é um absurdo! O feto, o embrião tem vida desde o momento da concepção.

Essa lei absurda não é só contra a Constituição é, também, contra a lei de Deus. É contra o quinto mandamento que proíbe matar.

Vamos pois fazer um apelo aos bispos do Brasil, pois eles têm autoridade para mostrar que essa lei vai contra os princípios da Igreja Católica, que é a religião com o maior número de fiéis em nossa Pátria.

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) tem condições de ir ao STF e apelar para que os Ministros do Supremo não aprovem esta lei, pois ela será a porta de entrada para o aborto o qual é a nova matança de inocentes, em pleno século XXI.
Dê um clique e salve a vida desses inocentes. Só Você poderá fazer isso. Clique aqui e participe de nossa campanha de envio de apelo aos Bispos do Brasil.

4 de maio de 2008

A vida inicia-se na fecundação. Mas cientistas a serviço da causa abortista tudo fazem para tentar provar o contrário.

Sobre a questão da utilização de células-tronco embrionárias, que temos tratado aqui neste Blog, o novo presidente do Supremo Tribunal Federal, o Ministro Gilmar Mendes, afirmou que pretende retomar a votação neste mês de maio. (cfr. “O Estado de S. Paulo, 25-4-08). Temos, portanto, que ficar muito atentos às movimentações que se façam nesse sentido no STF.

A revista Catolicismo deste mês publica uma muito elucidativa entrevista (segue abaixo) a respeito do tema com o Dr. Dalton Luiz de Paula Ramos, professor da Universidade de São Paulo. O ilustre entrevistado deixa claro que quanto mais avança a pesquisa científica, mais claramente fica demonstrado que a vida começa na concepção.

O Prof. Dalton há 25 anos leciona Ética Profissional e, na última década, Bioética. Coube a ele dissertar sobre o tema “Inconsistências conceituais sobre o início da vida humana”, na audiência pública convocada pelo Supremo Tribunal Federal, realizada em Brasília em 20 de abril de 2007, referente à Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn nº 3510) contra o art. 5º e parágrafos da Lei nº 11.105, de 24 de março de 2005, que permite, para fins de pesquisa e terapia, a utilização de células-tronco embrionárias.
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Uma nova vida humana começa no exato momento da fecundação No STF, Prof. Dalton Luiz de Paula Ramos, durante sua exposição sobre o início da vida humana


Catolicismo — Qual é a natureza do presente debate sobre experiências científicas com embriões humanos?

Prof. Dalton — A natureza do debate é discutir o momento do início da vida. Julgo importante reafirmar um fato. No meu ponto de vista — devidamente demonstrado, como explicarei —, uma nova vida humana, segundo a Biologia e a Genética, começa no exato momento da fecundação. Uma nova vida humana, zigoto, embrião etc. A Biologia e a Genética vão empregar diferentes terminologias para caracterizar diferentes estágios do desenvolvimento, mas o fato é que, no momento da junção de dois gametas (masculino e feminino) uma identidade geneticamente única se formou. Portanto, no momento da fecundação cria-se um patrimônio genético diferente daquele do pai e da mãe. Esse é um aspecto importante que merece ser ressaltado, porque a identidade dessa nova vida se cria já naquele exato momento chamado fecundação.

Catolicismo — Isto já se encontra demonstrado pela Biologia e pela Genética?

Prof. Dalton — Na verdade, a Biologia nos demonstra esse cenário não só no campo do ser humano. Ao longo da História, a reprodução sexuada sempre gerou novos organismos diferentes dos pais. Entre organismos aquáticos, por exemplo, com fecundação externa, essa alteridade se torna evidente. Ninguém pensaria que um alevino (forma embrionária de peixe) ou um girino (larva de anfíbio) é parte do corpo de sua mãe. Sua alteridade é evidente. Mas seu “status” embriológico é comparável ao de um feto humano. E o aspecto que hoje fica evidente é que, quanto mais se pesquisa, mais rica e detalhada se torna a realidade da vida humana desde o momento da concepção. Aliás, eu gostaria de frisar este aspecto da realidade como método. Para tal estudo é necessário termos acesso a todos os elementos dessa realidade.
Catolicismo — Se tal estudo não é fácil nem para os cientistas, o que dizer para a sociedade em geral?
Prof. Dalton — Com efeito, isto constitui uma grande dificuldade quando falamos de biotecnologia. No mais das vezes, o que chega à sociedade em geral são informações parciais, que nem sempre ajudam à formação de um juízo claro que possa embasar de forma bem mais consistente as decisões. A Embriologia é uma ciência muito complexa, que exige muito estudo para se chegar a uma visão mais clara desta realidade. Ora, o público leigo não tem necessariamente tal clareza, até que os cientistas o informem. Ao embrião humano não se pode dispensar o tratamento conferido a uma entidade biológica qualquer. E este é um aspecto importante pois o estudo do embrião humano enfrenta várias dificuldades. Uma delas é o fato de ele ser muito pequeno. Assim sendo, fica difícil àqueles que não têm acesso aos recursos tecnológicos (ao conhecimento tecnológico que permita a obtenção de uma visão mais clara do que venha a ser este embrião) entender efetivamente o que ele representa.

Catolicismo — O embrião humano pode ser desenvolvido em laboratório, fora do útero materno?
Prof. Dalton — O embrião humano não é um simples aglomerado de células, pois o comportamento dessas primeiras células embrionárias, que formam um conjunto denominado embrião, é totalmente diferente do comportamento de outras células agrupadas. Em inúmeros laboratórios de pesquisa são hoje desenvolvidas culturas de células humanas. Retira-se pequeno segmento da pele, por exemplo, e esse pequeno segmento de pele, com uma tecnologia que já dominamos há quase um século, é cultivado em laboratório. Essa cultura de células tem uma grande importância na pesquisa científica, pois permite aos pesquisadores testar a toxicidade de medicamentos, o comportamento dessas células, o comportamento de algumas das suas proteínas. Enfim, viabiliza uma série de estudos importantíssimos no cenário científico. Temos células humanas colocadas em um ambiente propício. Basicamente lhes é oferecido um ambiente protegido, onde elas possam dispor dos alimentos necessários. Nestas condições de suporte de vida, essa cultura de células permanecerá como tal enquanto os recursos tecnológicos o permitirem. Agora vamos fazer um paralelo com o embrião humano. Se ao embrião humano forem oferecidas condições de proteção, acolhida e alimentação necessárias, ele vai se desenvolver de acordo com um processo ou projeto que já foi nele colocado: a vida humana como um processo contínuo, coordenado e progressivo. Mas ainda que não disponhamos de tanta tecnologia.

Catolicismo — O Sr. poderia explicar esse processo com mais detalhes?
Prof. Dalton – Ele é contínuo porque tem um ponto de início, isto é, o surgimento de uma nova vida humana, um novo ser com identidade própria, distinto de todos os outros. Contínuo ainda porque tem um ponto de fim, que nós chamamos de morte, quando se interrompe este processo. Quanto tempo isto vai durar? Vai depender de cada um, da história de cada um em particular. Pode durar uma semana ou durar cem anos.
O processo é coordenado, porque auto-suficiente. Auto-suficiente no próprio projeto, pois possui todas as instruções para que se realizem os processos biológicos necessários à continuidade desta vida. O embrião não pergunta à sua mãe, depois da nidação, o que ele precisa fazer para constituir seu braço ou sua perna. Ele “sabe”!
É também progressivo, pois se oferecermos ao embrião as condições necessárias, se lhe oferecermos o amparo e a acolhida de que precisa, ele sempre passará para um estágio seguinte. Ultrapassada uma etapa de desenvolvimento, passa à etapa seguinte, sem regressos. Em condições normais não há regressos, e essas evoluções vão compor uma biografia.

Catolicismo — Isso significa então que a vida humana não se limita àquilo que um leigo pode perceber sem a ajuda de aparelhos?

Prof. Dalton — Esse conhecimento da vida humana, nós todos temos, independentemente do nosso cabedal de informações na área da Genética ou da Biologia, porque quando falamos de vida humana, estamos falando de algo que nos diz respeito. Independentemente do nosso conhecimento científico, esse processo que eu mencionei se torna evidente após o nascimento. Todos concordam que isso reflete o desenvolvimento da vida a partir do parto da criança, que vai se transformar em um adolescente, em um adulto, em um idoso: um início e um fim. Ora, se dispusermos de outra lupa, de outro sistema para ver essa realidade — o que a biotecnologia nos oferece —, nós vamos retrocedendo nessa cronologia até chegarmos à constatação de que, já naquele primeiro instante da concepção, se configuram todas estas categorias, todo esse processo que acabei de descrever.

Catolicismo — A vida começaria na nidação?

Prof. Dalton — Não! Não começa na nidação! A nidação, que é a implantação e fixação do ovo no útero da mãe, apenas fornece ao novo ser a possibilidade de se alimentar e se desenvolver. Quando um recém-nascido está sendo amamentado, torna-se muito claro para nós o seu vínculo, o seu maravilhoso vínculo com a mãe. Se uma criança recém-nascida não é alimentada pela mãe, ela morre! Quanto à nidação, é possível através de microscópio ver o embrião ali, ligado ao útero da mãe. Se a um embrião não for oferecida a oportunidade de chegar à nidação, ele não se tornará feto, vai morrer e ser eliminado.

Catolicismo — A relação com a mãe constitui originária e estruturalmente o novo ser?

Prof. Dalton — Não! É a realidade do novo ser que torna possível a relação! Não há relação se não existe um ser humano que se relaciona com outro ser humano. Então, quando falamos de relação, nós estamos reconhecendo que existem dois seres humanos. A implantação faz simplesmente com que o embrião cresça e se desenvolva. Nesse sentido, eu lembro uma situação que é muito freqüente, e que muitas mães poderão relatar: a existência de embriões congelados não tira da mãe que os cedeu o significado da relação dela para com eles. Muitas mães podem relatar isto.

Catolicismo — Alguns cientistas favoráveis à pesquisa com células-tronco embrionárias afirmam que não é possível haver um ser humano se ainda não existe o cérebro. Pode-se dizer que o cérebro começa a atuar quando, exatamente?

Prof. Dalton — Sabemos que o cérebro se desenvolve porque o embrião o faz desenvolver-se. Não é o inverso! O cérebro do feto não vai se desenvolver por ação da mãe. Desenvolve-se por meio dos genes que estão dentro do embrião desde o primeiro momento da fecundação.

Catolicismo — Dada a grande incidência de abortos espontâneos nas primeiras semanas da gravidez, alguns questionam se é possível falar em vida neste período.

Prof. Dalton — É claro que sim! O aborto espontâneo é uma interrupção muito precoce desta vida, um episódio de morte, o que não descaracteriza o fato de que esta vida ocorreu. Mesmo que o prognóstico seja de morte em função de um aborto espontâneo –– ou em função de uma intervenção tecnológica que privou este embrião de continuar seu processo, que priva este embrião do corpo da mãe, e que conserva este embrião congelado –– não podemos, por isto, dizer que esta vida nunca existiu, não descaracteriza o fato de que esta vida ocorreu. Seria o mesmo que dizer que não estamos vivos porque um dia iremos morrer! Frente à baixa perspectiva de virem a ser implantados e viabilizados alguns desses embriões crio-conservados, equivaleria à pena de morte uma lei autorizando a utilizá-los para qualquer finalidade.

Catolicismo — Visto que o embrião pode se dividir em dois ou mais, formando gêmeos com a mesma base genética, podemos ter certeza de sua individualidade?

Prof. Dalton — Essa individualidade existe! A geminação do embrião para formar os gêmeos não destrói o primeiro embrião. Em todos esses argumentos existe uma discussão, não a respeito da distinção entre a individualidade materna e a individualidade do embrião. O que se discute, ainda que implicitamente, é se essa vida é “humana”, isto é, se compartilha todos os atributos de um indivíduo humano.
Nesse particular, estamos retrocedendo na história da civilização ocidental. Os bárbaros exigiam que os recém-nascidos demonstrassem ter atributos humanos para serem plenamente reconhecidos no seio da comunidade social. Agora retornamos — de forma mais elaborada, talvez — à mesma discussão e à mesma exigência daqueles povos. Aos poucos, impregnados por tais erros, chegamos à conclusão de que pode ser válido matar todos aqueles que não sejam viáveis ou não tenham potência suficiente para se proteger. Sociedades assim são plenamente conhecidas ao longo da História, e seus mais recentes representantes, o nazismo e o stalinismo, ainda estão presentes na memória coletiva.
Por tudo isso, a sociedade até poderá assumir (!) um critério de “humanidade” que se baseie na potência e viabilidade do organismo, porém não poderá negar que essa opção contraria o dado biológico, que caracteriza o “humano” por seus atributos genéticos e por sua expressão orgânica. Ainda mais, tal critério de “humanidade” traz o perigo do casuísmo e da própria negação da vida como direito universal.
Claro que estamos todos interessados na busca de terapêuticas que possam resolver os males que afligem a nós mesmos e a nossos irmãos. Nesta discussão se apresentam indícios científicos de terapêuticas que podem ser eficazes para a solução de uma série de problemas de saúde, como é o caso das pesquisas em que se empregam células-tronco originárias de tecidos adultos — o que não implica na destruição de embriões — ou na reprogramação celular, quando células-tronco originárias de tecidos adultos, por meio de intervenções genéticas realizadas em laboratórios, adquirem os atributos biológicos de totipotência similares aos das células embrionárias para que, então, possa se pesquisar esses atributos para possíveis usos terapêuticos. O segundo aspecto –– reconhecimento do embrião como vida humana –– não se contrapõe às exigências éticas que devem regular a busca dessas terapêuticas. Hoje, é público e notório que o uso de células-tronco adultas oferece os resultados terapêuticos que a sociedade exige e precisa.

9 de abril de 2008

Parte III -- ABORTO: Crime que brada ao Céu e clama a Deus por vingança!

CONTINUAÇÃO

TERCEIRA PARTE [ Final ]


ABORTO
O ensinamento da Igreja, a Lei natural e a ciência convergem na defesa da vida

Se a grande maioria anti-abortista do Brasil não se mobilizar, o nefando massacre de inocentes poderá tornar-se lei, atraindo para o País a maldição divina

Frederico Abranches Viotti

As penas canônicas à prática do aborto
Para deixar clara a gravidade desse pecado, a Igreja estabeleceu penas severas não apenas para quem o praticar, mas também para todos aqueles que com ele colaborarem. Assim dispõe o Código Canônico, em seu cân. 1398: “Quem provoca aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sententiae.”

A excomunhão latae sententiae é uma pena automática, independentemente de ser declarada por qualquer autoridade eclesiástica. Para que ela recaia sobre a pessoa, é preciso que o aborto tenha sido voluntário (não espontâneo, mas provocado) e que o efeito tenha sido atingido (o feto tenha morrido). Se houve uma tentativa, há o pecado que deve ser confessado, mas não ocorre a pena de excomunhão.


Caso o aborto tenha sido realizado, incorrem na pena de excomunhão latae sententiae não apenas a mulher que voluntária e conscientemente o realizou, mas também todos aqueles que formalmente para esse ato colaboraram, como médicos, enfermeiras, parentes, amigos, etc.


Nesse sentido também se pronunciou João Paulo II: “Mas a responsabilidade cai ainda sobre os legisladores que promoveram e aprovaram leis abortistas e sobre os administradores das estruturas clínicas onde se praticam os abortos, na medida em que a sua execução deles dependa”.(21)


Para que a pena de excomunhão seja levantada, é preciso que o penitente procure o seu bispo, pois é este que tem a autoridade para remir a pena de excomunhão latae sententiae (cân: 1356). Alguns padres podem receber poderes especiais de seu bispo para atenderem esses casos de excomunhão automática (cân: 1357 § 2º).


Caso o penitente tenha procurado seu confessor, durante o sacramento da confissão este pode, segundo o cân. 1357, remitir a censura latae sententiae, se for duro para o penitente permanecer em estado de pecado grave durante o tempo necessário para que o superior competente tome providências. Para isso, o confessor deve impor ao penitente a obrigação de recorrer dentro de um mês ao superior competente ou a um sacerdote munido de faculdade, sob pena de reincidência. Esse recurso ao superior pode também ser feito pelo próprio confessor.(22)

A questão da infusão da alma por Deus
Não resta dúvida de que a vida começa na concepção, como vimos. Já no que diz respeito à infusão da alma, a Igreja nunca definiu dogmaticamente o momento em que Deus a infunde no embrião (também chamado de animação).


Alguns autores, entre eles São Gregório de Nissa († após 394), São Basílio Magno († 379), São Máximo Confessor († 662) eram partidários da animação imediata. Para esses santos, a alma é infundida no mesmo momento da concepção, quando Deus “anima” aquele ser que está sendo concebido. Já Santo Tomas de Aquino († 1274) defendia a tese da animação mediata (isto é, apenas um certo tempo após a concepção).


Em qualquer dos casos, o aborto sempre foi proibido e severamente punido, pois a vida natural deve ser preservada desde o momento da concepção, para que nela possa ser infundida a alma.


É por isso que o Papa Inocêncio XI condenou em 1679 a idéia de que seria lícito “praticar o aborto antes da animação do embrião [infusão da alma no embrião por Deus] para impedir que uma jovem grávida fosse morta ou desonrada” (nº 34); e também condenou a tese de que “todo embrião (enquanto está no útero) carece de alma racional, e portanto esta tem início quando ocorrer o parto; e conseqüentemente dever-se-ia dizer [com base nessa tese], em nenhum aborto comete-se homicídio” (nº 35).(23)


Dessa forma, mesmo não tendo se pronunciado dogmaticamente sobre o momento da animação, a Igreja sempre proibiu o aborto. Já desde o primeiro catecismo, conhecido como Didaqué prescrevia: “Não matarás o embrião por meio do aborto”.(24)


Ao longo de todos os séculos, essa proibição se manteve inalterada.

Tentativas para a ampla legalização do aborto no Brasil
Em sua recente viagem ao Brasil, Bento XVI também deixou patente a clara posição da Igreja em face do tema. Ainda antes de chegar ao solo de nosso País, enquanto concedia uma entrevista a jornalistas que o acompanhavam, reiterou que todos aqueles que praticam o aborto incorrem na pena de excomunhão.(25) No mesmo sentido foram suas palavras quando fez seu primeiro discurso no País, ainda no aeroporto internacional de Cumbica.(26)


Infelizmente, apesar de seu apelo contra o assassinato de inocentes, Bento XVI encontrou um País sendo acuado por uma maciça propaganda que busca liberalizar o aborto no Brasil. Ela tem o nítido interesse de quebrar a barreira moral que existe na opinião pública brasileira, amplamente contrária ao aborto. Recente pesquisa de opinião assegurou que cerca de 90% da população do Brasil é contrária ao aborto.(27)


A escandalosa propaganda abortista, muitas vezes carregada de argumentos emocionais, não visa apenas quebrar o horror ao crime do aborto. Também tem a finalidade de apoiar os inúmeros projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional para ampliar os casos de aborto não punidos em nosso País, ou mesmo considerá-los legais.


No Senado existem cinco projetos em tramitação. A grande maioria tenta ampliar os casos em que o aborto –– apesar de ilegal –– não é punido no Brasil.(28) Um dos projetos tenta obrigar as delegacias de polícia a que informem à gestante a respeito do seu “direito” ao “aborto legal”...(29)


Na Câmara Federal encontra-se mais de uma dezena de Projetos de Lei procurando favorecer o aborto de todas as formas possíveis. Há vários deles obrigando os hospitais públicos a realizar o aborto nos casos não punidos pelo Código Penal Brasileiro. Outras propostas legislativas defendem a permissão do aborto até certo período de tempo de gestação. Há também alguns que buscam liberalizar totalmente o homicídio dos inocentes, em qualquer tempo e em qualquer caso.(30)



Conclusão e uma conclamação aos católicos
Não é de hoje que a rejeição ao aborto vem aumentando em nosso País. Segundo pesquisas recentes, essa rejeição aumentou em mais de 30 pontos percentuais nos últimos 15 anos.(31)


Exatamente por isso, os defensores do aborto procuram fazer passar leis que obriguem a população a tolerar e até mesmo a aceitar a sua prática.


Catolicismo já alertou algumas vezes para a enorme máquina abortista que está em funcionamento incessante no mundo inteiro, incluindo o Brasil.(32)


Diante dessa pertinaz onda abortista, nada mais importante do que conclamar os católicos a serem militantes, isto é, a defenderem vigorosamente a posição anti-abortista. E nesta defesa, empregarem destemidamente argumentos também religiosos. Não basta defender a vida no plano natural, é preciso defender desassombradamente a Lei de Deus na sociedade humana.


A sociedade deve buscar ser um reflexo do Céu, e o homem deve preparar sua alma para a eternidade. É dever do católico, que nesta Terra deve ser militante, defender Nosso Senhor Jesus Cristo com ardor, e não apenas defender a vida humana.


Se o Brasil aprovar o aborto, não estará aprovando apenas mais uma lei. Estará aprovando uma legislação contrária a Deus, à Lei natural, à própria ciência e ao Direito Constitucional brasileiro.


A exemplo de Santa Gianna Beretta Molla, que preferiu entregar sua vida a Deus para evitar que seu filho morresse, saibamos também nós, auxiliados pelas graças concedidas mediante a intercessão da Santíssima Virgem, defender os princípios d’Aquele que, sendo seu Filho, também é nosso Redentor e fonte de toda e qualquer vida –– Nosso Senhor Jesus Cristo.




Notas:
1. “El Mundo” (Panamá), 19-01-03 / EWTN News.
2. Idem, ibidem.
3. São Remy, bispo de Reims, converteu Clóvis, rei dos francos. Dessa conversão nasceu a Filha Primogênita da Igreja, a França.
4. “El Mundo” (Panamá), 19 de janeiro de 2003 / EWTN News.
5. Em alguns países europeus, a lei do Estado já proíbe um católico de se manifestar contra o homossexualismo publicamente.
6. Para efeitos deste artigo, considera-se “ciência empírica” a ciência nascida na época moderna, em que o valor de uma descoberta científica ficava restrito à sua capacidade de ser provada experimentalmente, isto é, empiricamente.
7. O positivismo (1854) foi a doutrina difundida principalmente por Auguste Comte. Segundo ela, filha das idéias da Revolução Francesa, a humanidade estava entrando em uma nova era histórica, em que a ciência derrubaria os “mitos” da religião. Em sua tentativa de tornar a ciência um valor absoluto, Auguste Comte chegou a criar a Religião da Humanidade, na qual os cientistas passariam a ser os novos sacerdotes.
8. A esse respeito, ver Catolicismo, março/2006.
9. Ácido desoxirribonucleico (ADN ou DNA, em inglês Deoxyribonucleic acid) é uma molécula orgânica que contém a "informação" que coordena o desenvolvimento e funcionamento de todos os organismos vivos.
10. Para efeitos deste artigo, utilizamos o termo “metafísica” (além da física) no seu sentido mais amplo, incluindo argumentos dedutíveis pela razão humana.
11. Essa “teoria da limonada” é atribuída ao jurista Lídio Bandeira de Mello.
12. Apesar de ilegal, diversas são as notícias de que muitos hospitais estão efetivamente dispensando a apresentação do Boletim de Ocorrência para interromper a gravidez (aborto), que supostamente teria sido resultante de estupro.
13. “Folha de S. Paulo”, 5-12-03 – Seção Tendências/Debates
14. Idem, ibidem.
15. Idem, ibidem.
16. Encíclica Evangelium Vitae (25-3-95), nº 58.
17. Cf. Spirago, Catecismo Católico Popular, 5ª edição, União Gráfica, Lisboa, 1951, p. 226.
18. Encíclica Evangelium Vitae (25-3-95).
19.
http://www.vatican.va/news_services/liturgy/saints/ns_lit_doc_20040516_beretta-molla_po.html, apud “Pró-vida” de Anápolis (GO).
20. A esse respeito, ver Nelson Hungria em seus comentários ao Código Penal Brasileiro.
21. Encíclica Evangelium Vitae (25-3-95).
22. Código de Direito Canônico, 11ª edição revista e ampliada. Comentários do Pe. Jesús Hortal, S.J., Loyola, São Paulo, 1989.
23. Denzinger-Umberg, Enchiridion Symbolorum nºs 1184 e 1185, Editorial Herder, Barcelona, 24ª edição, 1946.
24. Didaqué, Paulus Editora, São Paulo, 1989, p. 10.
25. “O Estado de S. Paulo”, 10-5-07.
26. Idem, ibidem. Ver também Catolicismo de junho de 2007.
27. Reportagem especial da “Folha de S. Paulo”, 25-1-04.
28. SF PLS 00183/2004, SF PLS 00227/2004, SF PLS 00312/2004, SF PLS 00078/1993.
29. SF PLC 00018/2001 de 22-3-01.
30. Com o objetivo de permitir o aborto em qualquer época, destaca-se o PL-1135/1991, de autoria dos deputados Eduardo Jorge e Sandra Starling, ambos do PT, que propugna extinguir o artigo do Código Penal que proíbe o aborto no Brasil.
31. Reportagem da “Folha de S. Paulo”, 25-1-04.
32. Catolicismo, julho/2007, p. 27, A Internacional do aborto: imensa máquina para impor o genocídio de nascituros ao mundo inteiro.

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Sessão no Supremo Tribunal Federal, que começou a julgar a questão das células-tronco embrionárias

No Supremo Tribunal Federal,
recente votação sobre o uso de células-tronco embrionárias

Houve grande cobertura da mídia sobre a votação ocorrida no Supremo Tribunal Federal (STF) a respeito do uso de células-tronco embrionárias, em 5 de março último.


A discussão remonta à aprovação, pelo Congresso Nacional, de uma lei que autoriza o uso de embriões humanos para pesquisas científicas. Com essa lei, todos os embriões congelados há mais de quatro anos poderiam ser usados pelos cientistas em pesquisas variadas.


Diante da gravidade da situação, o ex-Procurador-Geral da República, Cláudio Fonteles, entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) junto ao STF, para derrubar a referida legislação.


Em 5 de março do corrente ano, o plenário do STF começou a julgar a matéria, sendo que dois de seus ministros já se manifestaram sobre o tema, aprovando o uso das células-tronco dos embriões. O terceiro ministro a votar, Carlos Alberto Menezes Direito, pediu vistas aos autos do processo, isto é, pediu para analisar melhor o caso.


Com tal pedido de vistas, o julgamento foi adiado. Peçamos a Deus seja afastado de nosso País o perigo de uma decisão favorável às pesquisas com células-tronco embrionárias.


A matéria é vasta, já tendo sido tratada na edição de agosto de 2005 de Catolicismo. Todavia, a revista não poderia deixar de mencionar o absurdo dessa presente discussão.


Em recente reportagem, o jornal “Folha de S. Paulo”(1) narrou a história de Vinicius Dorte, hoje com seis meses de idade. O menino, que foi gerado a partir de um embrião congelado havia sete anos, seria uma das milhares – ou milhões – de vítimas potenciais dessa lei.


Salienta-se que os únicos resultados concretos no uso terapêutico de células-tronco foram obtidos através do uso de células adultas (o que é inteiramente lícito do ponto de vista moral), e não de células embrionárias.


Nesse sentido, o jornalista Nelson Ramos Barretto, colaborador de Catolicismo, assim se expressou em 4-3-08 à Agência Brasil: “Nós temos as células adultas, que estão conseguindo o que se deseja. Por que, então, ferir o direito à vida?”.(2)


Nada há de errado em buscar a cura para inúmeras doenças. Mas jamais seria lícito obter essa cura à custa da vida de embriões humanos. O que equivaleria às pesquisas médicas que muitos regimes totalitários (nazismo, por exemplo) realizaram no século XX, levando à morte incontáveis pessoas. É lamentável que muitos sejam capazes de criticar os erros passados, mas poucos são capazes de condenar e evitar desassombradamente os mesmos erros no presente.

1. http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe0903200801.htm
2. http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/03/04materia/2008/03/04.8429340217/view