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12 de maio de 2025

NÃO CEDER, RESISTIR E VENCER


Putin ameaça Ocidente com seu armamento nuclear

“Preparai-vos, sede corajosos e estai prontos desde a manhã para o combate a essas nações que estão unidas para nos arruinar, a nós e tudo o que possuímos de sagrado; porquanto melhor é para nós morrer na guerra do que ver os males do nosso povo e das nossas coisas santas. Que se faça somente a vontade de Deus!” (Como disse Judas Macabeu – 1 Mac. III, 58-60). 


  Paulo Roberto Campos 

Catolicismo publicou, em de março de 1985, o prefácio redigido por Plinio Corrêa de Oliveira para a edição norte-americana da obra As aparições e a mensagem de Fátima conforme os manuscritos da Irmã Lúcia, de Antonio Augusto Borelli Machado.[1]

Resolvemos reproduzi-lo para nossos leitores, pois, além de ser extraordinário, levanta um tema de suprema atualidade tendo em vista o que analistas internacionais têm advertido de estarmos às vésperas da eclosão de uma Terceira Guerra Mundial. 

Não sem razão, vários governos europeus têm pedido à população que se prepare para um próximo conflito global; têm publicado manuais de sobrevivência e recomendado o estoque de itens essenciais — como comida, água, lanterna, apito, canivete, rádio a pilha, remédios etc. — para se manter nos primeiros dias da eventual guerra. 

Devastador ataque de mísseis russos na cidade ucraniana de Sumy

O sonho dos líderes comunistas russos: a restauração da URSS 

Logo após um devastador ataque de mísseis russos na cidade ucraniana de Sumy (24-3-25), o Secretário-Geral da OTAN, Mark Rutte, alertou que “a Rússia poderia lançar um ataque em grande escala contra a Europa até 2030”. Disse também que, com a crescente cooperação militar entre Rússia, China, Coreia do Norte e Irã, especialistas temem que o mundo possa estar se aproximando de uma Terceira Guerra Mundial. 
“De acordo com uma pesquisa divulgada pela ‘Ifop Fiducial’, houve uma evolução no temor sobre um novo conflito mundial, no qual 92% dos franceses estão preocupados com o risco de uma guerra” (The Economic Times, 28-3-25).[2]
Sem falar dos conflitos no Oriente Médio e da disputa entre a China vermelha e Taiwan, a possibilidade de uma Terceira Guerra Mundial cresce sobretudo se a Rússia de Putin continuar com seu plano militar de subjugar a Ucrânia e depois outros países do leste europeu. Ele pretende realizar o sonho de líderes comunistas russos de restaurar o poder da ex-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), principalmente entre 1922 e 1991 — desde Lênin até Gorbachev. 

Em razão do conflito Rússia X Ucrânia — notadamente após a eleição do novo presidente norte-americano, que tenta a qualquer custo um cessar-fogo, mas com grande vantagem para os russos —, tem-se comentado muito que seria melhor a Ucrânia “russificada” do que morta, ou seja, capitular... 

Infelizmente, essa mentalidade capitulacionista está contagiando até mesmo certas hostes que se consideram de direita... Dizem eles que os ucranianos deveriam baixar as armas e entregar parte de seu território ao ditador Putin, a fim de se evitar uma hecatombe e se alcançar a paz. Ledo engano! O urso marxista russo não se contentará com uma parte do país invadido, mas desejará abocanhá-lo inteiro e depois partir para a conquista de outras nações, primeiro daquelas que outrora estiveram dominadas pela URSS — num total de 15 países que foram satélites dela, a começar pela Polônia. 

Motivo que levou Donald Franciszek Tusk, primeiro-ministro polonês, a planejar, juntamente com o ministro da Defesa, o treinamento militar para todos os homens, a fim deixá-los prontos para a guerra e aumentar seu exército, passando dos atuais 200 mil soldados para se chegar a 500 mil, incluindo os reservistas. Tusk alertou que a Ucrânia foi invadida pela Rússia e se livrou de seu próprio arsenal nuclear, mas que hoje “está claro que estaríamos mais seguros se tivéssemos nosso próprio arsenal nuclear”. E o geral dos poloneses passaram a apoiar esse plano devido à decisão de Donald Trump de suspender a ajuda militar dos EUA à Ucrânia (BBC, 7-3-35).[3] 



“Os homens combaterão e Deus lhes dará a vitória” 

O autor [foto acima] do prefácio em foco, o qual é muito oportuno, especialmente para os presentes dias, denuncia a mentalidade entreguista de muitos que, postos frente à alternativa do famoso slogan “Better red than dead or better dead than red?”[4], optam pela primeira, dizendo que melhor é ficar vermelho (comunista) do que morrer. Ou será melhor morrer heroicamente em defesa da honra; em defesa de nosso país, evitando que ele seja dominado e desonrado por um regime comunista? 

De fato, frente à alternativa “Red or dead”, é preferível ser morto a se tornar comunista, mas há nela algo de equivocado. Para quem tem Fé, a resposta é: viver na graça de Deus, resistir e vencer tal regime. Para quem ama os valores morais e está disposto a lutar por eles, a resposta já nos foi anunciada por Santa Joana d’Arc: “Os homens combaterão e Deus lhes dará a vitória”. Nesse mesmo sentido, encorajou Santa Teresinha: “É preciso partir para salvar a Pátria, guardar sua fé, e conservar sua honra”

De modo especial, frente a tal alternativa, a resposta é: Fátima. Exatamente 108 anos atrás, Nossa Senhora alertou que a Rússia — se não houvesse a conversão da humanidade a Deus — espalharia seus erros pelo mundo “promovendo guerras e perseguições à Igreja; os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas; por fim, o meu Imaculado Coração triunfar”

Não ocorreu a conversão — pelo contrário, a humanidade se afastou ainda mais de Deus. Como castigo divino, pode a Rússia provocar a eclosão de uma nova guerra mundial, que poderá ser até uma catastrófica guerra atômica, mas o regime comunista não vencerá. Em 1917, a Santíssima Virgem nos assegurou que os erros espalhados pelo sistema comunista em todos os países serão esmagados, assim como Ela esmaga a cabeça da serpente infernal. 

A conclusão que se tira do extraordinário prefácio de Plinio Corrêa de Oliveira é que, vistos os acontecimentos à luz da profética Mensagem de Fátima, não é melhor fazer um acordo, ceder para não perder uma pretensa paz — aceitando ou vivendo num regime comunista — do que morrer; o melhor é rejeitá-lo, não ceder, e lutar para vencer o comunismo ateu e sanguinário, na certeza de que a vitória final será da Santíssima Virgem, pelo poder que Deus lhe concedeu. Só assim se alcançará a verdadeira paz — “a paz de Cristo no Reino de Cristo. Especificamente a paz de Maria no Reino de Maria”
____________ 
Notas: 
1. A primeira versão dessa obra foi publicada em Catolicismo, nº 197, maio/1967, por ocasião do cinquentenário das aparições, sob o título “Simples relato do que se passou em Fátima, quando Nossa Senhora apareceu”. Com base nos manuscritos da Irmã Lúcia, dados a lume em 1973, o trabalho foi inteiramente revisto e ampliado. Foi assim estampado de novo em Catolicismo, nº 295, julho/1975, com aprovação eclesiástica. Essa obra já ultrapassou a tiragem de cinco milhões de exemplares, somando 250 edições em 15 línguas.
2.https://abrir.link/iNlmS 
3.https://www.bbc.com/portuguese/articles/cewknk8y4jvo 
4."Melhor morto do que vermelho" e o inverso "melhor vermelho do que morto” são slogans — creditados ao Conde Bertrand Russell, intelectual britânico — que se disseminaram durante a Guerra Fria, ganhando força nos Estados Unidos no final da década de 1950, em meio a debates sobre anticomunismo e desarmamento nuclear. 


A grande alternativa de nosso tempo – dead? or red? – na perspectiva da mensagem de Fátima 


✅  Plinio Corrêa de Oliveira 

O livro As aparições e a mensagem de Fátima conforme os manuscritos da Irmã Lúcia sai agora em edição norte-americana. Publicado no ano de 1967 no Brasil, onde alcançou 19 edições, a obra circulou também em Portugal (em edição local), bem como no mundo hispânico (através de 14 edições em idioma castelhano) e na Itália (quatro edições). Transpôs ele igualmente os umbrais do mundo anglo-saxônico, onde foi transcrito nas revistas Crusade for a Christian Civilization de Nova York e “TFP Newsletter” de Johannesburg. Auguro acolhida também excelente para a presente edição. 

Com efeito, a obra do eng. Antonio Augusto Borelli Machado está baseada em uma investigação muito ampla de fontes, e em uma análise penetrante das mesmas. Com os dados assim obtidos e selecionados, ela constitui uma compilação inteligente, ágil e vitoriosa de tudo quanto integra realmente a Mensagem de Fátima. E, a par disso, apresenta uma interpretação a um tempo arguta e prudente, de vários aspectos dela. 

Quiseram o autor e a Editora que eu precedesse de um prefácio a presente edição.

Acedendo ao amável convite, pareceu-me que nada poderia interessar tanto ao homem contemporâneo — e notadamente ao leitor norte-americano — quanto relacionar o conteúdo da Mensagem com os problemas da paz e da guerra considerados do ponto de vista da cruel alternativa: — Better red than dead? – Better dead than red? 

É o que experimentarei fazer a seguir. 

*     *    * 
Para uma grande maioria de nossos contemporâneos, é inteiramente claro que essa é a alternativa fundamental ante a qual todos nos encontramos. 

A Mensagem de Fátima nos proporciona conhecer com clareza sobrenatural a solução da Providência para essas perguntas angustiantes. 

Em 1917, meses antes de o comunismo ascender ao poder na Rússia, e 28 anos antes de a primeira bomba atômica explodir em Hiroshima, a Mensagem de Nossa Senhora transmitida ao mundo por meio dos três pastorezinhos da Cova da Iria contém os elementos de uma resposta cristalina a essas graves interrogações. 

De um lado, a Mensagem fala a respeito dos "erros da Rússia" — o comunismo — e indica o meio pelo qual a expansão deste pode ser evitada. Com efeito, o comunismo, ela o aponta como o grande castigo ao qual a humanidade está exposta em razão do declínio religioso e moral dos povos. Ele aparece, portanto, claramente, como um flagelo da Providência para castigar os povos, e especialmente os do Ocidente. E tal flagelo os homens podem evitá-lo se se emendarem da irreligião e da imoralidade em que se acham atolados, e voltarem à profissão da verdadeira Fé, e retornarem à prática efetiva da Moral cristã. 

Em termos mais precisos, para que fosse cumprida a vontade de Nossa Senhora, não bastaria — segundo a Mensagem — um grande número de conversões pessoais. Era necessário que as várias nações, cada qual como um todo, notadamente as do Ocidente — a seu modo ele também tão devastado pela irreligião e pela imoralidade — voltassem à profissão da verdadeira Fé e à prática dos preceitos morais perenes do Evangelho. 

A Mensagem não se limita, pois, a apontar o perigo, mas indica o modo de obviá-lo. Este modo não é morrer, muito menos aceitar de ficar comunista. Ele consiste em seguir a vontade de Deus, em atender a Mensagem da Mãe d’Ele e de todos nós. 

Entre essas condições — é preciso não esquecer — está a Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria, nos termos em que Nossa Senhora a pediu. 

Porém a Mensagem ainda vai mais longe. Ela adverte de que se isto não for feito, a Justiça de Deus não mais reterá o castigo iminente: “Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja; os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas; por fim, o meu Imaculado Coração triunfará.” 

Os três pastorinhos: Lúcia, Francisco e Jacinta


Importa notar que a Mensagem não afirma que, cumprido quanto a Rainha do Céu e da Terra deseja para aplacar a cólera de Deus, o flagelo do comunismo será afastado do mundo sem luta, pelo menos incruenta. Ela deixa ver, isto sim, intervenções admiráveis da Providência nos acontecimentos humanos que assegurem a vitória sobre o flagelo comunista. 

Mas, ao mesmo tempo, deixa aberta a porta para a hipótese de que os homens tenham que dar seu contributo nessa luta, participando eles mesmos, heroicamente, dos grandes prélios nos quais a ajuda soberana e decisiva da Virgem alcançará a vitória. 

Com efeito, a Mensagem exclui a hipótese de uma vitória definitiva do comunismo: se os homens atenderem ao apelo da Virgem, o comunismo será vencido sem castigo para eles; se não atenderem a esse apelo, o comunismo flagelará os homens, mas também acabará vencido. 

Em uma ou outra hipótese, a vitória será da Mãe de Deus.

Qual a relação entre esta autêntica conversão da Rússia e a extinção do flagelo comunista? — É evidente. Está no Kremlin o principal foco de propaganda comunista no mundo. A conversão da Rússia traria consigo a paralisação dessa força.

Convém notar que, na perspectiva de Fátima, não são principalmente os armamentos, por mais poderosos que sejam, que evitarão o castigo. A dissuasão eventualmente alcançada pelo armamentismo das nações do Ocidente pode ser um meio legítimo e necessário para prevenir a guerra e, portanto, para alcançar o prolongamento da paz. 

Contudo, a expansão do comunismo é descrita por Nossa Senhora como uma punição que resulta dos pecados dos homens. E esta punição não será evitada se os homens não se converterem. 

Pode ocorrer — isto sim — que um dos meios pelos quais o castigo desabe sobre os homens impenitentes venha a ser um anti-armamentismo incondicional, de caráter puramente emocional, e, portanto, imprevidente, que estimule toda sorte de agressões e de ataques de um adversário cada vez mais armado. 

Entretanto — note-se bem — o modo preferido pela Providência para fazer cessar o flagelo comunista, de nenhum modo é uma guerra. Esse modo consiste na emenda dos homens, no cumprimento do que a Mensagem pede e na conversão da Rússia. 

Pode ser que a Providência queira servir-se de uma guerra para preparar as condições para uma conversão da Rússia. Porém, isto não está declarado na Mensagem. Em todo caso, a simples vitória militar sobre a Rússia não resolverá o problema, nem afastará os homens da alternativa “red” – “dead”. A Providência quer ir mais longe. Ela quer converter a Rússia.

Nem a Providência precisa de uma guerra para a conversão da Rússia. Na hipótese de uma conversão do Ocidente, parece mais provável que a Providência prefira levar isto a cabo por meios pacíficos, persuasivos, religiosos. Evidentemente, o que a Mensagem promete é a conversão da Rússia à Religião Católica, com a consequente posição firmemente anticomunista que a Hierarquia católica tomava compactamente ao tempo em que a Mensagem de Fátima foi dada aos homens. 

*   *   * 

Qual a relação entre esta autêntica conversão da Rússia e a extinção do flagelo comunista? — É evidente. Está no Kremlin o principal foco de propaganda comunista no mundo. A conversão da Rússia traria consigo a paralisação dessa força. 

Ademais, uma Rússia convertida se abriria pronta e inteiramente para o Ocidente. Seria então possível a todos os homens conhecer muito mais objetiva e profundamente do que agora o abismo de males, de natureza espiritual e temporal, em que estas muitas e longas décadas de aplicação do regime comunista lançaram a infeliz Rússia e seus satélites. O que abriria muito mais os olhos dos povos do Ocidente para o que há de falso na propaganda comunista, imunizando-os contra ela. 

Por fim, e mais uma vez, insisto em que, na perspectiva de Fátima, a conversão da Rússia tem como condição prévia uma conversão do Ocidente. Dessa conversão sincera e profunda, como obviamente a Santíssima Virgem a deseja, resultará que o Ocidente será, já de si, totalmente refratário ao comunismo. 

Fátima não nos fala da China, do Vietnã, do Cambodge, nem da desdita dos demais povos sob jugo comunista. Mas é óbvio que Nossa Senhora, a qual tão admiravelmente terá protegido sem guerra um Ocidente convertido, não permitirá que essas grandes e desditosas nações fiquem à margem da efusão de graças que converterão o Ocidente e a Rússia com seus satélites (pois estes não terão condições de se manterem em regime comunista dentro de uma Europa convertida). 

Também para os demais povos, para as nações não mencionadas nas revelações de Fátima, a virtude da esperança cristã nos proporciona — eu diria que nos impõe — a certeza de que lhes propiciará os meios de romperem seus grilhões, bem como de conhecerem e praticarem a verdadeira Fé. 

*   *   * 

É bem de ver que essas várias considerações despertarão em certos espíritos uma atitude de ceticismo e de desdém. 

Os homens sem Fé — e seus irmãos, isto é, os que têm pouca Fé — sorrirão diante do que lhes parecerá uma simplificação desconcertante, e até infantil, dos problemas hodiernos, que empurram o Ocidente para o comunismo e eventualmente para a guerra. Procurar a solução deles na cândida Mensagem anunciada por três pastorezinhos analfabetos, lhes parecerá ridículo. Mais talvez do que isso, demencial. 

Não nego a complexidade inextricável dos problemas contemporâneos. Penso, pelo contrário, que essa complexidade é tal, que eles me parecem insolúveis por mão humana. 

E isso tanto mais quanto a intervenção dos homens sem Fé, ou de pouca Fé, nas pesquisas e debates destinados a resolver tais problemas, os complica ainda mais. 

Superficialidade? — Ela me parece presente. Não, porém, em nosso campo, mas precisamente no dos céticos. 

Com efeito, vejo-os engajados em uma concepção o mais das vezes profundamente ignorante, e sempre apriorística e superficial, do que seja a religião, do papel dela na vida das sociedades, dos homens e dos indivíduos, e na avaliação das potencialidades e virtualidades dela, fortíssimas e insubstituíveis, para a solução dos problemas que os céticos procuram em vão resolver. 

Não está aqui a ocasião adequada para explanar ainda mais este amplíssimo assunto. 

Não resisto, porém, ao desejo de fazer ver a eventuais leitores céticos algo dessas insubstituíveis possibilidades da religião, de pôr ao alcance deles como que um buraco de fechadura através do qual divisem algo desse vastíssimo horizonte. 
Santo Agostinho traça o perfil da sociedade verdadeiramente cristã — a Cidade de Deus — e dos benefícios que daí resultam para o Estado: imagine-se — escreve ele — “um exército constituído de soldados como os forma a doutrina de Jesus Cristo, governadores, maridos, esposos, pais, filhos, mestres, servos, reis, juízes, contribuintes, cobradores de impostos como os quer a doutrina cristã! E ousem ainda [os pagãos] dizer que essa doutrina é oposta aos interesses do Estado! Pelo contrário, cumpre-lhes reconhecer sem hesitação que ela é uma grande salvaguarda para o Estado quando fielmente observada” (Epist. 138 al. 5 ad Marcellinum, cap. II, n.º 15). 
A doutrina católica mostra que, pelo infeliz dinamismo da natureza humana decaída em consequência do pecado original, como da operação do demônio e de seus agentes terrenos na medida em que o homem se afasta da Fé, tende a um modo de ser e de agir oposto ao que a Fé ensina. Quanto maior a distância, tanto maiores as transgressões. Algo como a lei de Newton. A experiência aliás o confirma. E de modo muito particular em nossos dias. 

Qual a escola política, social ou econômica que poderia evitar, sem o auxílio da Religião, a explosão final de uma sociedade que, impelida pelo próprio dinamismo da descrença e da corrupção, chegasse à transgressão total dos princípios em que se funda a Cidade de Deus descrita por Santo Agostinho? 

Sem que os homens voltem a esses princípios salvíficos, não há como evitar — para os indivíduos e para as sociedades — uma deterioração global, de natureza e proporções indefiníveis, mas tanto mais temíveis quanto maior duração e profundidade tenha o processo de degenerescência. 

Que os homens ou as nações menos afetadas por essa deterioração queiram defender-se contra os cometimentos dos homens e das nações mais afetadas, que para isso se armem em uma atitude vigilante, suasória, amiga da paz, mas em atitude também pronta à legítima defesa vigorosa e vitoriosa: nada mais justo. 

Porém, tais homens, tais nações não conseguirão estancar só por isso os fermentos de destruição postos em suas entranhas pelo neopaganismo moderno que ingeriram. 

Esta é uma afirmação implícita em toda a Mensagem de Fátima. 

Diante desta consideração, percebe-se melhor um aspecto dos castigos: é seu caráter saneador, regenerador e reordenativo. Intervindo ao longo de um infindável processo de degradação tanto individual quanto coletivo, o qual expõe aos maiores riscos a salvação de incontáveis almas, o castigo altera a situação, abre os olhos dos homens para a gravidade de seus pecados, os eleva até as altas paragens da contrição e da emenda. E, por fim, lhes dá a verdadeira paz. 

Quantos perecerão, infelizmente. Mas terão melhores condições para morrer na graça de Deus, como escreveu São Pedro sobre os que morreram durante o dilúvio (cfr 1 Pt. III, 20). 

Morrer: oh! dor. Mas as almas nobres sabem que a morte não é necessariamente o mal maior. Disse-o Judas Macabeu: “Melhor é para nós morrer na guerra do que ver os males do nosso povo e das nossas coisas santas” (1 Mac. III, 59). 

Em termos atuais, é preferível morrer a ficar vermelho. 

Mas melhor ainda é viver. Sim, viver da vida sobrenatural da graça nesta Terra, para depois viver eternamente na glória de Deus. 

A conversão da Rússia depende da conversão sincera e profunda do Ocidente


Essas últimas são considerações de bom senso, facilmente acessíveis aos espíritos desprevenidos e equitativos. 

Encontrarão elas algum fundamento na Mensagem? — Não me parece. 

Esta narra o que fará Deus para punir os pecados de uma humanidade tenazmente impenitente ao longo das décadas em que a Mensagem reboou pelo mundo sem converter os homens. Mais especificamente, sem converter os católicos, pois é com as orações deles, suas penitências e sua emenda de vida que a Virgem Santíssima conta de modo todo especial para obter do Divino Filho a suspensão dos efeitos de sua cólera, e o advento do Reino d’Ela. A mensagem nada diz do que a Providência fará em favor dos justos — dos que optaram pela fidelidade às promessas de Nossa Senhora — durante os dias terríveis da punição, nem o que nessa ocasião deseja deles. 

Bem entendido, não aludo aqui senão à parte pública da Mensagem. Nenhuma conjectura conheço absolutamente inquestionável sobre o que realmente contém a parte secreta da Mensagem, a qual só a Santa Sé conhece... [N.B.: Lembrando que este prefácio foi redigido em 1985]. 

Seja-me lícito externar aqui quanto deixa tristes e perplexos incontáveis fiéis, dos mais devotos dentre os “fatimitas”, em vista da eventualidade de que os homens possam não conhecer esta parte ainda não revelada, mesmo quando ela poderia presumivelmente dar alento aos justos e contrição aos extraviados. 

Com efeito, não é fácil compreender como a Mãe de Misericórdia, tão empenhada em ajudar por meio da Mensagem a todos os homens, não tenha tido uma particular palavra de afeto, de estímulo e de esperança para aqueles a quem Ela reservou a árdua e gloriosa missão de se Lhe conservarem fiéis nesta terrível conjuntura. 

Nada impede admitir que essas palavras se encontrem na parte ainda não revelada do Segredo de Fátima. 


Essa consideração final me desviou do curso da exposição que vinha seguindo. Pouco resta a dizer sobre ela. 

Continuando a aprofundar a hipótese da impenitência dos homens e do castigo, o contexto da Mensagem nos induz a pensar que, se tal se der, os castigos serão pelo menos de duas ordens: guerras — e pensamos que entre essas se devem incluir não só os conflitos entre os povos, mas também as guerras civis de facção contra facção dentro de um mesmo povo — e cataclismos ocorridos na própria natureza. 

Essas guerras internas terão caráter ideológico? Constituirão uma luta entre fiéis e infiéis de todo gênero: hereges ou cismáticos, larvados ou declarados, grupos ou correntes de profissão não cristã, ateus etc.? Ou serão guerras sem conotação ideológica pelo menos oficial (como o conflito franco-prussiano de 1870, ou a I Guerra Mundial)? 

A distinção entre guerras e cataclismos parecia muito clara em 1917, quando a Mensagem foi comunicada aos homens. Pois se afigurava então impossível que os homens provocassem cataclismos, os quais pareciam claramente destinados a resultar de meros atos da Providência, atuando de modo justiceiro sobre os vários elementos da natureza. 

Na realidade, essa distinção continua válida, mas desde que se lhe faça a ressalva de que, com a dissociação do átomo, o homem adquiriu a possibilidade de provocar cataclismos de proporções incalculáveis. Sem que, ao mesmo tempo, tenha adquirido o poder de frear esses cataclismos. 

Em consequência, a catástrofe atômica, provocada eventualmente por uma guerra filha do pecado, produziria só por si os castigos cósmicos que a Mensagem deixa entrever. Mas é possível também que aos efeitos da hecatombe atômica se juntem outras perturbações naturais ordenadas por Deus. 

Uma observação final ainda está por ser apresentada. 

Dentro da perspectiva fatimita, a verdadeira garantia contra catástrofes que assolem a humanidade está muito menos (e, em certa perspectiva, de todo não está...) em medidas de desarmamento, tratados de paz etc., do que na conversão dos homens. 

Ou seja, se estes não se converterem, os castigos virão, por mais que os homens se esforcem por evitá-los com meios outros que não essa conversão. 

Pelo contrário, se se emendarem, não só Deus afastará deles a plenitude de sua cólera vingadora, como haverá entre eles todas as condições próprias a promover uma paz verdadeira e durável. A paz de Cristo no Reino de Cristo. Especificamente a paz de Maria no Reino de Maria. 

Dentro da perspectiva fatimita, a verdadeira garantia contra catástrofes que assolem a humanidade está muito menos (e, em certa perspectiva, de todo não está...) em medidas de desarmamento, tratados de paz etc., do que na conversão dos homens.


Espero que essas várias reflexões, relacionando com a Mensagem de Fátima problemas de atualidade suprema, ajudem o leitor a tirar todo o proveito da compilação fatimita, da mais flagrante oportunidade, que o eng. Antonio Augusto Borelli Machado nos apresenta em seu estudo, já tão conhecido no Brasil e no mundo ibero-americano, e que merece sê-lo também no mundo inteiro.
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Fonte: Revista Catolicismo, 893, maio/2025

2 de abril de 2025

A APOTEOSE DE SANCHO PANÇA

 

O encontro de Sancho Pança com seu asno ruço. Detalhe da pintura de Moreno Carbonero. Esse personagem de Cervantes em sua obra “Dom Quixote de la Mancha” tornou-se o homem-símbolo do comodismo, do imediatismo mesquinho, da imprevidência e da poltronice.

✅  ROBERTO DE MATTEI

No início de março de 2022, duas semanas após a invasão russa da Ucrânia, o jornalista Vittorio Feltri concluiu um artigo no jornal "Libero" com estas palavras: "Gostaríamos de sugerir a Zelensky que não seja um valentão, esqueça. Melhor derrotado do que morto."

Alguns dias depois, comentamos as palavras de Feltri na RadioRomaLibera (https://www.radioromalibera.org/meglio-russi-che-morti/).

A situação de Zelenski naquela época parecia muito mais perigosa do que a de hoje. Os russos avançavam e o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, evocou o risco de uma terceira guerra mundial "nuclear e devastadora". Os ucranianos, no entanto, resistiram por três anos, infligindo à Rússia e ao Ocidente uma derrota que não é militar, mas moral, à qual vale a pena voltar.

A exortação de Feltri à rendição lembrou o slogan da esquerda europeia nos anos oitenta, "Melhor vermelho do que morto", lançado para se opor aos mísseis americanos Pershing 2, instalados para responder aos mísseis SS20 que os russos haviam implantado para atingir alvos contra a Europa. Mas desta vez o slogan é bem recebido por muitos paleoconservadores ou neotradicionalistas, e até, ao que parece, pelo novo governo americano. Perguntamo-nos então: por que o católico, mas mesmo antes disso, o homem naturalmente justo, diante de um perigo que ameaça a existência de seu país, nunca dirá vermelhos ou russos melhores do que mortos, assim como ele nunca pode dizer melhor preto ou verde do que morto?

Por uma razão muito simples: porque existem valores morais que transcendem a vida humana entendida em um sentido puramente biológico. Aqueles que adotam o slogan "Melhor vermelho do que morto" expressam uma concepção materialista e hedonista da vida, pela qual não há valores morais pelos quais valha a pena lutar e, se necessário, morrer. Pelo contrário, aqueles que rejeitam este slogan, antes de fazerem uma escolha política, fazem uma escolha moral: afirmam uma dimensão ética da vida. Esta dimensão ética da vida faz parte da tradição da civilização ocidental e cristã. Em abril de 1984, a Fundação Gioacchino Volpe dedicou seu décimo segundo encontro ao tema "Sim à paz, não ao pacifismo" (https://lanuovacontrocorrente.it/libro/si-alla-pace-no-al-pacifismo/?srsltid=AfmBOoq1P25H5Ctxqe9ebgGuzRzbye4xhdzDV1qb0qxY-Fa6pf4vEFLYI). Falando nesta conferência, lembrei que nenhum slogan como esse "melhor vermelho do que morto"  nega radicalmente os princípios e o espírito da civilização ocidental e cristã.

"Qual tem sido de fato a alma da civilização ocidental ao longo dos séculos? O espírito de sacrifício. O que é o espírito de sacrifício? É saber renunciar a um direito ou a um bem, mesmo a um grande, em vista de um bem maior. Espírito de sacrifício significa ter ideais elevados e lutar por eles, lutar pelo que é melhor, à custa da dor, das lutas, da renúncia. A riqueza material e espiritual das famílias e dos povos é filha deste espírito de sacrifício. O verdadeiro progresso, o verdadeiro desenvolvimento na vida dos homens está intimamente ligado a este espírito de sacrifício. Daqui nascem as alturas da santidade e do heroísmo. Em que se baseia o espírito de sacrifício? Sobre o amor. Quanto mais amamos um bem, maiores serão as renúncias e os esforços que nos imporemos para alcançá-lo. E quanto mais alto for um bem, mais esse bem merecerá ser amado".

Mas, antes de mim, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira havia escrito estas palavras na "Folha de S. Paulo" de 16 de outubro de 1983: o conteúdo do slogan "Melhor vermelho do que morto",

“O conteúdo desse slogan consiste em que a vida — sim, a vida terrena — é o bem supremo do homem. De onde se infere que o amor à Fé, à independência pátria, à dignidade pessoal, à honra, tem de ser menor do que o amor à vida. Imbecis todos os mártires e todos os guerreiros que até aqui entenderam o contrário. E em confronto com os quais eram menoscabados como poltrões os que, para salvar a própria pele, renegavam a Fé, fugiam do campo de batalha, ou aquiesciam vilmente a qualquer insulto. 
A velha tábua de valores foi invertida. Os mártires e os heróis de guerra, que figuravam com destaque nas fileiras de escol da humanidade, devem ser vistos daqui por diante como idiotas. Como idiotas, também, os moralistas, os oradores, os poetas que realçavam aos olhos do povo a suposta sublimidade com que aqueles imbecis corriam ao holocausto. Cumpre calar afinal os velhos ditirambos ao heroísmo religioso ou civil. Pois o elogio da imbecilidade arrasta os fracos a segui-la. 
Pelo contrário, viva os poltrões. Chegou para eles a era da glória. A prevalecer o ‘better red than dead’, eles constituem o creme mais fino da humanidade. Formam a grei securitária e astuta dos endeusadores do egoísmo. 
É a apoteose de Sancho Pança. Para que este século terminasse coerente com o longo processo de decadência no qual ele estava engajado quando despertou para a História, seria mesmo necessário que ele descesse assim tão baixo”...

Quarenta anos se passaram desde então e hoje não nos perguntamos se vale a pena morrer, mas mesmo se vale a pena baixar nosso padrão de vida para garantir a independência e a liberdade da Ucrânia. Esse espírito de renúncia ao sacrifício e à luta incentiva o expansionismo do chefe do Kremlin, que já prevê que os europeus de nosso tempo, após a conquista russa da Ucrânia, eles se perguntarão se vale a pena morrer ou empobrecer para salvar os países bálticos.

É verdade, é a apoteose de Sancho Pança. E a alternativa ao astuto e ganancioso Sancho Pança não é o quimérico Dom Quixote, mas é o cristão que luta com as armas da coragem e da honra, da oração e do sacrifício. Ele baseia a sua esperança de vitória neste realismo, porque sabe que “Quem ama a sua vida, perdê-la-á; mas quem odeia a sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna”. (Jo 12, 25).

 

28 de janeiro de 2025

NO TABULEIRO LATINOAMERICANO — “Revolução e Contra-Revolução” em 2024

 

Megaporto de Chancay, na costa do Peru, a poucos quilômetros de Lima. 

·        Juan Antonio Montes

Fonte Revista Catolicismo, Nº 889, Janeiro/2025 

Atendendo a um pedido da revista Catolicismo paraque no âmbito deste número dedicado ao retrospecto de 2024 desenvolvesse o tema do embate entre a Revolução e a Contra-Revolução na América Hispânica neste período, farei algumas considerações que sirvam para esclarecer o leitor sobre os acontecimentos que marcaram o percurso do “Continente da Esperança” e as perspectivas que deles se podem esperar.

 

1. Emergência de uma nova forma de “guerra fria”?

Xi Jinping, ditador chinês. 

Quando a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas se dissolveu em 1991, muitas pessoas incautas previram um “fim da história”, com base no fato de que nada mais era do que o confronto de duas ideologias opostas. Eles pensavam que, uma vez terminada uma das partes em conflito (a URSS), a história obviamente terminaria.1

O que o autor da tese do “fim da história” não sabia prever naquele momento era o fato de que o colapso da URSS não seria o fim do mundo comunista, mas sim a mudança de “porta-estandarte” desta ideologia macabra.

Em 1991, quando os braços emagrecidos dos que apoiavam a ideologia comunista já não conseguiam continuar a esconder o panorama de fome e escravidão que imperava naquelas nações, surgiram em cena dois novos e fortes braços que, graças às técnicas que o mesmo Ocidente lhes tinha fornecido, souberam aproveitar seus enormes recursos econômicos e populacionais para assumir o papel deixado pela sua antecessora: a China comunista de Mao Tse-tung.

O slogan do mundo “multipolar”, que a China reivindica hoje, nada mais é do que uma nova versão da “guerra fria” sob outro nome e outras técnicas, mas com o mesmo objetivo: acabar com a primazia do Ocidente e impor hegemonia.

Contudo, há uma grande diferença entre a guerra de conquista promovida pela URSS e aquela promovida hoje pela China de Xi Jinping.

A primeira consistiu na divulgação da ideologia de Marx e na promoção de guerras subversivas para derrubar governos pró-ocidentais. Pelo contrário, a atual técnica de expansão da China comunista não promove guerras internas ou “tomadas de poder”, mas sim acordos comerciais e favorecimento das estruturas dos países latino-americanos, entre outros centros geográficos.

Contudo, não é difícil ver que na troca de bens e serviços entre as nações pobres da América Latina e uma China que parece ser dotada de recursos inesgotáveis, a “parte do leão” vai para a China.

E qual é essa “parte do leão” chinês? Precisamente o aumento de sua influência no Continente, que até agora era conhecido como o “quintal” dos Estados Unidos.2

Observa o especialista latino-americano Christian Hauser, da Universidade de Ciências Aplicadas de Graubünden, na Suíça: “Ultimamente, os desafios e riscos associados à ascensão da China como ator dominante em muitas áreas econômicas e tecnológicas têm se tornado cada vez mais claros na América Latina. Países latino-americanos estão cada vez mais envolvidos na rivalidade geopolítica entre os Estados Unidos e a China. Neste contexto, é provável que as atuais tensões entre alguns países da América Central, como a Guatemala, a Costa Rica e a China, sejam apenas o início de relacionamentos mais conflituosos no futuro.”3

 

Um novo “protetorado” chinês está sendo estabelecido em todos os países do continente, começando pelas nações com infraestruturas mais precárias. Na foto, Xi Jinping com o presidente Luis Arce da Bolívia.  

2. De Xangai a Chancay, uma nova forma de “protetorado”.

Talvez o exemplo mais característico deste novo tipo de influência sobre o conjunto de nações latino-americanas seja a recente inauguração, em novembro passado, do megaporto de Chancay, na costa do Peru.

Por ocasião da última APEC, realizada na cidade de Lima em novembro passado, o ditador chinês Xi Jinping inaugurou o porto de Chancay, a menos de 100 km de distância da capital. O megaporto foi construído por uma empresa estatal chinesa e conta com recursos de última geração.4

No seu discurso inaugural, Xi Jinping comemorou o fato de esse porto facilitar uma rota direta de Chancay a Xangai e impulsionar ainda mais o comércio entre os dois países. O governo peruano destacou o fato de que esse megaporto atrairá investimentos anuais de mais de 4 bilhões de dólares.5

Poucas semanas após a sua posse, o futuro porta-voz do novo governo Trump, Mauricio Claver-Carone, antigo diretor principal para o Hemisfério Ocidental, anunciou que “qualquer produto que passe por Chancay deveria ter uma tarifa de 60%”.6


Segundo o mesmo responsável norte-americano, a medida visa travar o transbordo de produtos chineses em todo o continente e reduzir a influência econômica de Pequim na América Latina.

A questão óbvia é se esse anúncio reduzirá a influência da China no continente, ou apenas a aumentará, uma vez que os Estados Unidos não acompanham estas ameaças com qualquer oferta de investimento compensatória. Desta forma, um novo “protetorado” chinês está sendo estabelecido em todos os países do continente, começando pelas nações com infraestruturas mais precárias.7

Contudo, este novo “protetorado” não é livre. Tem as suas condições e elas são draconianas. A primeira é que as nações que os assinam devem romper imediatamente as suas relações diplomáticas com Taiwan.8

Outro país interessado em tornar-se membro deste Protetorado Chinês é a Bolívia. Por ocasião da última reunião do G20, realizada no Brasil, logo após a APEC em Lima, Xi Jinping reservou alguns minutos para atender o presidente Arce. Ao final do encontro, o presidente boliviano postou em sua rede social: “Hoje no Brasil, no âmbito da Cúpula de Líderes do G20, realizamos um encontro agradável e frutífero com o irmão presidente Xi Jinping”. Arce não indicou em que consistiu o encontro com o “irmão Xi Jinping”, mas provavelmente tratou de novas promessas da China e de novas hipotecas para a pequena economia boliviana.9

Tais promessas são muito questionáveis quando se sabe que a China está extraindo ouro daquele país, utilizando supostas “cooperativas bolivianas” que funcionam como fachada para empresas estatais chinesas. Ao exposto, cabe acrescentar que a China não tem nenhum cuidado com a preservação do meio ambiente, nem a devida atenção aos operários que ali trabalham.10

Resta saber quais são os propósitos que levam a China a ser tão “generosa” com os países sul-americanos. Será apenas altruísmo a favor das nações pobres? Ou será exclusivamente para garantir a utilização de matérias-primas, como o lítio, para as suas empresas?

É claro que a China tem interesse nas matérias-primas que a América Latina possui. Porém, a esta razão deve-se acrescentar outra: seus estrategistas devem levar em conta que numa hipótese, nada improvável, de um confronto que não seja americano, a China já conta com o apoio de cada vez mais países do Continente como, para usar a expressão do Presidente da Bolívia, “irmãos.”11

Estas intenções foram expressas claramente por Xi: “O ‘Sonho Chinês’ e o ‘Sonho Latino-Americano’ estão intimamente ligados. Ambas as partes devem ser encorajadas a prosseguir estes sonhos e a torná-los realidade em conjunto.”12

Seria oportuno perguntar aos habitantes de Hong Kong ou de Taiwan se acreditam que este “sonho” não seja antes um pesadelo terrível.

 

Cúpula dos Brics realizada na cidade de Kazan entre 22 e 24 de outubro de 2024 

Rota da seda, nova operação de “baldeação ideológica inadvertida”

Na década de 1960, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira denunciou um estratagema do comunismo internacional que consistia em aproximar gradativamente os países não comunistas dos seus postulados. O ilustre pensador católico alertou contra o uso de “palavras talismânicas” como “diálogo”, “terceira via” etc. O que caracterizou estas palavras foi o seu significado impreciso, através do qual se manipulou uma gradual “baldeação” de natureza ideológica para o comunismo.

Se estas foram as manobras psicológicas praticadas pela operação de “baldeação ideológica”, o leitor pode imaginar quão mais eficazes serão se não se limitarem a meras palavras, mas antes oferecerem uma cooperação econômica “graciosa” e suculenta.

Ao exposto devemos acrescentar o fato de que, durante a “Guerra Fria”, os Estados Unidos implementaram muitos programas — nem todos bem orientados — em favor do desenvolvimento latino-americano, com o objetivo de evitar o deslizamento destas nações em direção à Cuba dos irmãos Castro.

Hoje, pelo contrário, a nova Administração Trump anuncia a todos os ventos que o seu objetivo será primeiro “tornar os Estados Unidos grandes novamente”, o que significará, sem dúvida, cortar subsídios e apoio econômico, precisamente às nações que os recebem a mancheias da China.

Não é difícil prever para onde serão direcionadas as simpatias dos países sul-americanos. Cada vez mais, o “quintal” dos Estados Unidos está se tornando o quintal da China.

 


4 — BRICS, uma reformulação das “nações não alinhadas”?

Quem acompanhou os acontecimentos da “guerra fria” recordará a formação do Pacto das “Nações Não Alinhadas”, um grupo de países com governos de esquerda que parecia fazer parte de uma “terceira posição” entre a Rússia Soviética e os Estados Unidos.

Com o desaparecimento da importância geopolítica do bloco russo, e devido a divergências e até guerras entre os seus membros, hoje o acordo dos “Não-alinhados” é quase inexistente e foi substituído pelo pacto de nações de economias emergentes, conhecido como Brics.13

Em teoria, esses países estão organizados para se ajudarem mutuamente em favor do desenvolvimento das suas economias, mas, na realidade, constituem cada vez mais uma frente de nações contra o Ocidente rico, com uma visão clara de luta de classes.

Durante a cúpula dos Brics realizada na cidade de Kazan entre 22 e 24 de outubro de 2024, o governo da Bolívia comemorou a admissão do país como “parceiro” daquele fórum político e econômico. Na mesma ocasião, Cuba foi incluída, apesar de a sua economia ser tudo menos “emergente”...

Por sua vez, o ditador Maduro viajou pessoalmente a Kazan para pedir a Putin que incorporasse a Venezuela na lista de países membros. Sua intenção foi frustrada graças ao veto do Brasil. O mesmo aconteceu com a Nicarágua, que enviou uma delegação à reunião com o mesmo objetivo.14

No caso da Nicarágua, o veto do Brasil se deveu ao fato de aquela nação ter expulsado pouco antes o embaixador brasileiro por este não ter comparecido à celebração de um aniversário da revolução sandinista.

O que precede não impediu a Nicarágua de celebrar pouco depois um importante acordo com a China de Xi, mediante o qual entregou um megaprojeto de infraestruturas àquela nação. O jornal argentino Infobae noticiou que “a ditadura de Daniel Ortega na Nicarágua selou esta segunda-feira vários acordos com empresas chinesas para desenvolver infraestruturas essenciais no país, consolidando a sua perigosa aliança com um regime autoritário como o de Xi Jinping, relação que tem sido sujeita às críticas internacionais pelo aumento do controle e da opressão em ambas as nações.”15

Por sua vez, a Venezuela orgulha-se do apoio que a sua ditadura encontra nos governos da China, da Rússia e do Irã e não há dúvida de que se não fosse o veto brasileiro à ditadura que causou o maior êxodo da história do Continente, já faria parte desse conglomerado, também conhecido como “clube da ditadura”16

Estas alianças entre países latino-americanos, cada vez mais críticos dos Estados Unidos, estão formando um bloco regional que desafia os valores ocidentais e representa sérias ameaças à ordem mundial e aos restos da civilização cristã nas nossas nações.

 


5 — Argentina e outras nações do Continente dão esperança

Em contraste com esta capitulação de vários países sul-americanos às políticas hegemônicas da China e da Rússia, destaca-se a atitude da Argentina que, cansada de várias décadas perdidas causadas por governos socialistas, decidiu optar por um Presidente de linha totalmente oposta.

É claro que, dado o lugar de destaque que a Argentina ocupa no conjunto das nações latino-americanas, a sua influência no sentido oposto ao que delineamos, assume particular importância. Esta importância é sublinhada pela rapidez com que este governo consegue escapar à espiral inflacionária em que o mergulharam sucessivos governos peronistas de Kirchner.

Os governos do Uruguai e do Paraguai tiveram uma influência positiva semelhante ao longo deste ano de 2024. Por sua vez, a eleição que deu a presidência a Daniel Noboa no Equador e fechou o caminho ao candidato do ex-presidente Rafael Correa, constituiu um passo na direção certa.

Resta saber qual será a mudança de rumo político no Uruguai após a ascensão de um novo presidente da esquerda naquela nação.

 

Curiosa mistura de wokismo e ditaduras

A afirmação do presidente Boric de que “os laços não fazem sentido para mim”, dada numa entrevista à revista Time seis meses após a sua ascensão à Presidência, resume a marca do seu governo:um chefe de Estado distraído, espontâneo, casual.

Tais características remetem à ideologia ‘acordada’, a qual, sem afirmá-lo, Boric e vários outros presidentes do Continente veem com simpatia.

No entanto, essas simpatias continuam a chamar a atenção para uma corrente ideológica que vem das universidades norte-americanas e se caracteriza por um liberalismo extremo, por parte de Chefes de Estado que ao mesmo tempo se identificam com “o clube das ditaduras”.

Esta contradição vê-se, entre vários aspectos, no fato de o wokismo manter como dogma a necessidade de acabar com as empresas extracionistas prejudiciais ao ambiente quando a nação mais predatória do ambiente é a China.17

Por outro lado, fortes reclamações são sentidas pelas Marinhas e corporações de pescadores das costas do continente sul-americano devido à pesca de arrasto totalmente predatória realizada pela China. Apesar disso, as autoridades políticas desses países têm sido tímidas quando se trata de exigir o respeito pela sua soberania marítima.18

Contradição semelhante verifica-se em relação à adesão de vários governos de esquerda latino-americanos à chamada “ideologia de gênero”. Estes governos não hesitam em implementar políticas que favoreçam a transexualidade dos menores, sem limites de idade ou consentimento dos pais.

No entanto, nenhum dos países do Brics incentiva ou permite tais tratamentos chamados “Terapias de Conversão”. Pelo contrário, por diferentes razões, tanto a China, quanto a Rússia e o Irã opõem-se à sua implementação. É o que afirma, entre outras fontes, não suspeitas de serem de direita, a página “gatecenter.org”, uma espécie de centro de pensamento socialista espanhol.19

Estas inconsistências, entre o discurso ultraliberal woke, ao qual aderem os governos de esquerda do Continente e, no sentido oposto, as políticas superestatais de controle interno das suas populações impostas pelas principais nações dos Brics, não deixam de mostrar quão frágil pode ser a aliança entre eles.

Estas circunstâncias levam a supor que, embora tais alianças representem uma ameaça, possuem vários fatores que podem transformá-las num “gigante com pés de barro”.

Sem dúvida, a maior contradição entre os principais países dos Brics e as nações latino-americanas é que, com exceção do Brasil, todas essas nações do Brics são pagãs ou refratárias a qualquer influência católica.

No sentido contrário, basta visitar as nações do nosso continente para perceber o quanto ainda se justifica a expressão de que ainda é “o Continente da Esperança”.

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1. F. Fukuyama, na revista Estudios Públicos: El fin de lahistoria, 1990, 30 de janeiro. https://www.cepchile.cl/cep-40-aniversario/fukuyama-en-la-revista-estudios - publicos-o-fim-da-história/

2. Cfr. João Paulo II, Ecclesia Apostólica na América. O Papa João Paulo II proferiu a Exortação Apostólica Ecclesia na América em 23 de janeiro de 1999, na Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, México.

3. Cfr. “A América Latina sente cada vez mais pressão da China” https://www.dw.com/es/am%C3%A9rica-latina-siente-cada-vez-m%C3%A1s-la-presi%C3%B3n-de-china/a-69258814

4. Cfr. “O que nos deixou a APEC 2024: o choque de poderes, a ausência de grandes líderes e os principais acordos econômicos” 16 de novembro, o Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC) 2024. https://www.infobae.com/peru/2024/11/17/lo-que-nos-dejo-apec-2024-el-choque-de-poderas-grandes-lideres-ausentes-y-los-principales- acordos econômicos/

5. Cfr. “Ministério dos Transportes e Comunicações (Peru). MTC: O megaporto de Chancay iniciou operações que revolucionarão o comércio entre o Peru e a Ásia. Localizado em Huaral, gerará um impacto econômico de cerca de 4.500 milhões de dólares anuais.” https://www.gob.pe/institucion/mtc/noticias/1057890-mtc-entro-en-operaciones-el-megapuerto-de-chancay-que-revolucionara-el-comercio-entre-peru-y-asia.

6. Cfr. “Qualquer produto que passe por Chancay deveria ter uma tarifa de 60%”: o assessor de Donald Trump tem como alvo o porto da China no Peru. https://www.infobae.com/peru/2024/11/18/cualquier-producto-que-pase-por-chancay-deberia-tener-un-arancel-del-60-asesor-de-donald-trump- coloca-na-vista-o-porto-da-china-no-peru/

7. Cfr. “SANTIAGO CARRANCO. A mudança nas relações entre pequenos países andinos (Equador e Peru) com grandes potências (China) após a pandemia da Covid-19, nos permite abordar dois casos de Estados que podem ser entendidos a partir desta conceituação, dada a existência de uma relação de dependência com a China. Bertóla& Ocampo (2013) afirmam que “a maior parte dos países latino-americanos não conseguiu superar um padrão de especialização produtiva baseado na exploração dos recursos naturais”. Portanto, ao se estabelecerem como países latino-americanos com economias exportadoras, tanto o Equador como o Peru encontraram-se subordinados ao capital estrangeiro. Assim, ambos os países sul-americanos são vulneráveis nas suas relações com um dos seus principais parceiros comerciais e financeiros: a China. https://relial.org/wp-content/uploads/2024/02/La-influencia-de-China-en-AL-final.pdf

8. “O recente anúncio de Honduras de romper relações diplomáticas com Taiwan e reconhecer o princípio de ‘uma só China’ é mais uma reviravolta na virada política que (China) está liderando na América Latina para reconhecer o gigante asiático como uma grande potência econômica e comercial que tem cada vez mais influência política na região. Honduras e Taiwan, considerada pela China como uma província rebelde, mantinham uma intensa relação de cooperação militar, educacional e econômica desde 1941. No entanto, o presidente hondurenho, Xiomara Castro, ordenou há dias ao seu chanceler, Eduardo Enrique Reina, para estabelecer relações diplomáticas com a China, o que significou romper com Taiwan. Este é o reconhecimento de uma situação internacional que não pode continuar a ser negada e é o posicionamento da China como uma grande potência”, explica. EFE. Luciano Bolinaga, doutor em Relações Internacionais pela Universidade Nacional de Rosário (Argentina).

9. Cfr. “O presidente Luis Arce realizou uma reunião ‘agradável e frutífera’ com Xi Jinping na Cúpula do G20 no Brasil. 19 de novembro de 2024. https://vc.presidencia.gob.bo/index.php/prensa/58-julio/943-el-presidente-luis-arce-mantuvo-una-reuni%C3%B3n-%E2%80%9Cgrata-y -fruta%C3%ADfera%E2%80%9D-com-xi-jinping-na-cimeira-do-g20-no-brasil

10. Cfr. “‘O saque do ouro boliviano: as empresas chinesas se escondem atrás de cooperativas de mineração’, é a manchete do jornal boliviano El Deber. O desejo da China por matérias-primas é cada vez mais questionado na Bolívia: Os chineses pegam “tudo e não deixam nada para o povo, mas o Governo não diz nada”, disse ao jornal um homem que não quis revelar sua identidade. https://www.dw.com/es/crece-el-rechazo-al-expansionismo-de-china-en-am%C3%A9rica-latina/a-63968473

11. Cf. Alexandra Sitenko, in Heinrich-Böll-Stiftung “A influência da China na América Latina. Além do econômico, a aproximação da China com a América Latina tem também uma componente política. É essencialmente o reconhecimento da política de “uma China.” Em 2017, havia um total de 18 países que reconheceram a soberania de Taiwan, que Pequim considera uma província separatista. Destes, 12 estavam na América Latina e no Caribe. Desde então, El Salvador, o Panamá e a República Dominicana cortaram os seus laços diplomáticos com Taipé e, em vez disso, aproximaram-se da estratégia geopolítica da Iniciativa Cinturão e Rota (BRI), também conhecida como o “projeto” da Nova Rota da Seda, liderada pelo Presidente Xi Jinping. anunciada no Cazaquistão em 2013, visa consolidar a supremacia global da China. Até à data, vários países da região, incluindo Chile, Equador e Bolívia, assinaram cartas de intenção de participar do projeto.”

12. Cfr. “China fortalece as suas relações com a América Latina, ‘o quintal’ dos Estados Unidos. Presidente Xi Jinping e sua visita ao Peru e ao Brasil esta semana”. Domingo, 17 de novembro de 2024. https://noticiasargentinas.com/internacionales/china-afianza-sus-relaciones-con-america-latina---el-patio-trasero --of-the-united-states_a673957de8055baacf3b0322a?srsltid=AfmBOooGaD8YqKYgRvZp-RE-BbjDEQ_fOetCGp-bpSLt6pD_RWRrGqEx

13. Cfr. Renato Baumann. “Comércio entre os países ‘BRICS’. A sigla BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul),originalmente usada para identificar economias emergentes com grandes dimensões geográficas e demográficas, está se tornando na prática uma categoria de análise. Estes países passaram a ser considerados de forma diferente, passando a ser vistos já não apenas como ‘outros países em desenvolvimento’, mas como candidatos a desempenhar um papel de importância crescente na cena mundial.” https://www.cepal.org/sites/default/files/publication/files/3166/LCbrsR210_es.pdf

14. Cfr. “O Brasil explicou que o impedimento de Caracas de ingressar no BRICS se deve ao fato de o presidente Nicolás Maduro ter abusado da confiança de Lula após as eleições presidenciais ao não cumprir sua promessa de apresentar os registros oficiais dos resultados, como explicou a O Globo, Celso Amorim, assessor presidencial para assuntos internacionais.” https://elpais.com/america/2024-10-25/brasil-dice-que-veto-a-venezuela-en-los-brics- Porque-abuso-de-su-confianza-tras-las-elecciones .html

15. Cfr. “América Latina. O regime chinês expande o seu controle sobre a Nicarágua com novos acordos milionários apoiados pela ditadura de Ortega.” https://www.infobae.com/america/america-latina/2024/11/19/el-regimen-de-china-amplia-su-control-sobre-nicaragua-con-nuevos-atrabajos-millonarios-respaldados-pela-ditadura-de-ortega/

16. Cfr. “O veto de Lula e do Brasil impede que Ortega entre no ‘clube das ditaduras’.Com exceção do Brasil, praticamente todas as ditaduras do mundo estão juntas no chamado grupo BRICS”, afirma o pesquisador.https://confidencial.digital/politica/veto-de-lula-impide-a-daniel-ortega-entrar-al-club-de-las-dictaduras/

17. A este respeito, o jornal espanhol La Vanguardia informa que “a China é o maior emissor de gases do mundo e a segunda maior economia, mas resiste a assumir formalmente que deve contribuir para o financiamento climático.” Cf. https : //www.lavanguardia.com/natural/contaminacion/20241121/10124395/emisiones-china-han-causado-mas-global-warming-ue.html

18. Cfr. “Uma frota de pelo menos 90 navios estrangeiros zomba da segurança marítima do Chile neste momento. Nenhum notificou as autoridades do Serviço Nacional de Pesca e Aquicultura (Sernapesca) ou da Marinha do Sul sobre suas identidades ou localizações, impedindo a rastreabilidade de seus São navios chineses em busca de lulas? https://panampost.com/gabriela-moreno/2023/12/12/aguas-chilenas-invadidas-por-90-embarcaciones-extranjeras-que-podrian-ser-chinas/

19. Cfr. Alba Teresa González Esteban e Paula Toro Bahamonde. “Objetivos desconectados: Os BRICS e a saúde reprodutiva dos ODS. Este estudo apresenta evidências importantes sobre a grande distância que existe entre o estado atual dos dados e as metas propostas em a Agenda 2030 “11 de abril de 2024 | Análise do Documento de Trabalho do Young Voices”. https://gatecenter.org/objetivos-descargados-los-brics-y-la-salud-reprodutiva-de-los-ods/