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28 de agosto de 2019

A Encíclica Humanæ Vitæ e a revolução sexual Uma condenação atual e perene

Luiz Sérgio Solimeo

No dia 25 de julho de 2018, a Igreja celebrou o 50º aniversário da publicação da Encíclica Humanæ Vitæ, do Papa Paulo VI, lançada no contexto da revolução sexual de meados dos anos sessenta. A moda, a literatura e a indústria do entretenimento haviam contribuído para uma atmosfera em que a moral tradicional em matéria sexual foi subvertida. Isto se manifestou especialmente em filmes de Hollywood, na televisão, na descoberta e divulgação da pílula anticoncepcional e no advento da minissaia. 

(É proibido proibir)
Em maio de 1968, o surto de distúrbios estudantis na maioria das universidades do Ocidente deu à revolução sexual uma base ideológica, unificando e dando significado a toda uma gama de tendências desordenadas voltadas contra a moral tradicional. Essa base ideológica consistia numa mistura de anarquismo, marxismo e freudismo. Ela negava a ordem político-social, e qualquer forma de autoridade, civil, religiosa ou de lei moral. Um slogan pintado nas paredes do campus da Universidade de Paris-Sorbonne (É proibido proibir) condensava numa frase toda essa revolta. [foto ao lado]

Ao mesmo tempo, círculos católicos progressistas procuravam fazer com que a Igreja “se adaptasse" cada vez mais ao mundo. Inúmeros teólogos começaram a argumentar que a Igreja deveria mudar sua moral perene e abandonar a intransigência em questões sexuais, aceitando a “liberdade” sexual e o uso de contraceptivos artificiais. 

A Igreja não pode mudar a Lei de Deus, expressa na natureza

Foi nesse clima de contestação que o Papa Paulo VI decidiu publicar uma encíclica sobre a contracepção — a Humanæ Vitæ.[1] A encíclica deu grande alívio aos fiéis católicos, ao mesmo tempo que provocava consternação nas hostes liberais, porque reafirmou, com toda clareza, a doutrina tradicional da Igreja sobre a natureza do casamento e a finalidade primária do ato sexual. Ao mesmo tempo condenou, de modo incisivo, o uso da pílula anticoncepcional ou de qualquer outro meio artificial de contracepção. 

A encíclica explica claramente que a Lei de Deus não pode ser mudada, uma vez que ela é expressa na própria natureza humana: “A Igreja não foi a autora dessa lei, e não pode portanto ser árbitra da mesma; ela é somente depositária e intérprete; nunca pode declarar lícito aquilo que não o é, pela sua íntima e imutável rejeição ao que se opõe ao verdadeiro bem comum do homem”.[2] 

A encíclica é baseada na lei natural e na Revelação, ambas manifestando a vontade de Deus. O Magistério da Igreja recebeu a missão não apenas de interpretar a Revelação, mas também a lei natural, portanto aborda a moral em todos os seus aspectos: “Jesus Cristo, ao comunicar a Pedro e aos Apóstolos a sua autoridade divina, e ao enviá-los a ensinar a todos os povos os seus mandamentos, constituiu-os guardas e intérpretes autênticos de toda a lei moral; ou seja, não só da lei evangélica, como também da natural, dado que ela é igualmente expressão da vontade divina, e que a sua observância é do mesmo modo necessária para a salvação”.[3]

Em conformidade com a lei natural e a Revelação, a Humanæ Vitæ enfatiza que a relação sexual, “é própria e exclusiva aos cônjuges”,[4] e, por sua própria natureza, é ordenada “para a procriação e educação dos filhos”.[5] Por isso, não hesita em afirmar: “Chamando a atenção dos homens para a observância das normas da lei natural, interpretada pela sua doutrina constante, a Igreja ensina que qualquer ato matrimonial deve permanecer aberto à transmissão da vida”.[6] 
Inúmeros teólogos começaram a argumentar que a Igreja deveria mudar sua moral perene e abandonar a intransigência em questões sexuais, aceitando a “liberdade” sexual e o uso de contraceptivos artificiais. 

Condenando a limitação artificial da natalidade 

Ao contrário da mentalidade antinatalista de hoje, que vê as crianças como obstáculos à felicidade conjugal, a encíclica recorda: “Sem dúvida, os filhos são o dom mais excelente do matrimônio e contribuem grandemente para o bem dos pais”.[7] E delineia a obrigação dos cônjuges de aderir às normas ditadas pela lei natural e divina: “Na missão de transmitir a vida, os pais não são, portanto, livres para procederem a seu próprio bel-prazer, [...] mas devem conformar o seu agir com a intenção criadora de Deus”.[8] 

Quando o ato conjugal é praticado de tal maneira que “prejudique a disponibilidade para transmitir a vida que Deus, Criador de todas as coisas, nele inseriu segundo leis particulares, está em contradição com o desígnio constitutivo do casamento e com a vontade do Autor da vida humana”.[9] Em linguagem simples, está afirmado que pecam os que praticam o ato sexual impedindo artificialmente a procriação.

Assim, a Igreja não pode aceitar, mas deve condenar a contracepção: “Em conformidade com estes pontos essenciais da visão humana e cristã do matrimônio, devemos uma vez mais declarar que é absolutamente de excluir, como via legítima para a regulação dos nascimentos, a interrupção direta do processo gerador já iniciado; e sobretudo o aborto querido diretamente e procurado, mesmo por razões terapêuticas. É de excluir de igual modo, como o Magistério da Igreja repetidamente declarou, a esterilização direta, quer perpétua quer temporária, tanto do homem como da mulher. É ainda de excluir toda a ação que, em previsão do ato conjugal ou durante a sua realização, ou também durante o desenvolvimento das suas consequências naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar impossível a procriação”.[10]

Para se avaliar o alcance e a seriedade dessa condenação, o Papa deixou claro que estava falando como Doutor da Igreja Universal e sucessor dos Apóstolos. De fato, depois de expor os novos problemas do Magistério, ele afirma inequivocamente: “Por isso, depois de termos examinado atentamente a documentação que nos foi preparada, depois de aturada reflexão e de insistentes orações, é nossa intenção agora, em virtude do mandato que nos foi confiado por Cristo, dar a nossa resposta a estes graves problemas”.[11] 

Alguns teólogos liberais alegaram que o aspecto unitivo do ato conjugal, por si só, é suficiente para justificá-lo. E poderia ser dissociado do aspecto procreativo, justificando assim o uso da pílula anticoncepcional. A encíclica, ao contrário, reafirma que os aspectos unitivos e procreativos do ato conjugal são inseparáveis por sua própria natureza, como estabelecido pelo Criador. Portanto o homem não pode, por sua própria iniciativa, romper a conexão inseparável “entre o significado unitivo e o significado procreativo”, ambos inerentes ao ato conjugal.[12]

Tais teólogos invocam a teoria do “mal menor”, para justificar o uso da pílula anticoncepcional. No entanto, a encíclica explica que essa teoria não se aplica a este caso: “Nunca é lícito, nem sequer por razões gravíssimas, fazer o mal para que daí provenha o bem (Rom. 3, 8); isto é, ter como objeto de um ato positivo da vontade aquilo que é intrinsecamente desordenado, e portanto indigno da pessoa humana, mesmo se for praticado com intenção de salvaguardar ou promover bens individuais, familiares, ou sociais”.[13]
Em conformidade com a lei natural e a Revelação, a Humanæ Vitæ enfatiza que a relação sexual “é própria e exclusiva aos cônjuges”, e, por sua própria natureza, é ordenada “para a procriação e educação dos filhos”.

Advertindo os Estados de índole totalitária 

Quem analisa a Humanæ Vitæ não pode deixar de admirar a sabedoria da doutrina tradicional da Igreja, prevendo ao longo do tempo a situação a que chegaria o mundo moderno, com os Estados exibindo tendência sempre crescente de definir suas próprias normas para as famílias, resultando uma assustadora corrupção da moral. Por isso a encíclica enfatiza que o controle artificial da natalidade abre facilmente o caminho para a infidelidade conjugal e causa “um abaixamento geral dos padrões morais”, expondo particularmente os jovens à tentação. A advertência é clara: 

“Quem poderia reprovar um governo que aplicasse à solução dos problemas da coletividade aquilo que viesse a ser reconhecido como lícito aos cônjuges para a solução de um problema familiar? [...] Portanto, não se querendo expor ao arbítrio dos homens a missão de gerar a vida, devem-se reconhecer necessariamente limites intransponíveis no domínio do homem sobre o próprio corpo e as suas funções; limites que a nenhum homem é lícito ultrapassar, seja ele simples cidadão privado ou investido de autoridade”.[14] 

Não há nada utópico na solução apresentada pela Humanæ Vitæ, e de fato é a única realmente coerente e eficaz. Por isso ela chama a atenção dos “educadores e de todos aqueles que desempenham tarefas de responsabilidade, em ordem ao bem comum da convivência humana, [...] para a necessidade de criar um clima favorável à educação para a castidade, isto é, ao triunfo da liberdade sã sobre a licenciosidade, mediante o respeito da ordem moral”.[15] 

Observa ainda que a virtude da castidade, sem a qual a família está destinada a perecer, infelizmente é atacada de todas as formas: “Tudo aquilo que nos modernos meios de comunicação social leva à excitação dos sentidos, ao desregramento dos costumes, bem como todas as formas de pornografia ou de espetáculos licenciosos, devem suscitar a reação franca e unânime de todas as pessoas solícitas pelo progresso da civilização e pela defesa dos bens do espírito humano. Em vão se procurará justificar estas depravações com pretensas exigências artísticas ou científicas, ou tirar partido da liberdade deixada neste campo por parte das autoridades públicas”.[16] 

Agir de acordo com ensinamentos perenes 

Que São Joaquim e sua castíssima filha, a Virgem Maria,
iluminem a tantos que no meio da confusão dos dias atuais
correm o risco de encaminharem seus passos
pelos caminhos de perigosa e terrível perdição
Cinquenta anos após a publicação da Humanæ Vitæ, seus ensinamentos continuam válidos como sempre, e indiscutivelmente se aplicam ao debate sobre o “casamento” homossexual e inúmeras outras aberrações, que tanto ameaçam a família e a própria vida humana. Em meio a essa cacofonia, que obedece a comandos ocultos, deve ser sempre reafirmada a doutrina católica sobre o propósito do ato sexual, e, portanto, do casamento. 

Baseada na imutabilidade da natureza humana, na Sabedoria e Vontade divinas, a doutrina católica prega hoje aquilo que sempre pregou e sempre pregará até o fim dos tempos. Tal pregação nem sempre é popular. De fato, a Humanæ Vitæ foi recebida com desânimo e desprezo pelos promotores da revolução sexual. Mas desprezo à verdade não torna a verdade menos verdadeira. Ao condenar a revolução sexual, num chamado constante para retornar à verdadeira natureza do casamento, a voz sempre coerente e perene da Igreja se destaca ainda mais em meio ao caos moral. 

Estamos em tempos difíceis, ainda mais deteriorados após a Amoris Lætitia. Mas a encíclica de Paulo VI permanece um farol para os que são fiéis ao ensinamento perene da Igreja. Hoje, infelizmente, muitos teólogos, inclusive bispos e cardeais, querem mudar essa doutrina perene. Há até rumores de que o Papa Francisco teria convocado uma comissão para estudar a história da Humanæ Vitæ, presumivelmente com a intenção de modificá-la. 

De nossa parte, aconteça o que acontecer, teremos sempre como norma de vida e combate os princípios imutáveis da lei natural e da Revelação.

____________ 

Notas 
1. CARTA ENCÍCLICA HUMANAE VITAE DE SUA SANTIDADE PAPA PAULO VI, 25 de julho do ano de 1968, http://w2.vatican.va/content/paul-vi/pt/encyclicals/documents/hf_p-vi_enc_25071968_humanae-vitae.html. Durante a comemoração do 40º aniversário, Bento XVI enfatizou: “Quarenta anos depois da sua publicação, aquele ensinamento não só manifesta a sua verdade inalterada, mas revela também a clarividência com a qual o problema é tratado”. (Discurso aos participantes do congresso internacional organizado pela Pontifícia Universidade Lateranense por ocasião do 40º aniversário da Encíclica Humanae Vitae, em 10 de maio de 2008: http://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/speeches/2008/may/documents/hf_ben-xvi_spe_20080510_humanae-vitae.html. 
2. HV, nº 18. As citações da Humanae Vitae referem-se ao número do parágrafo da encíclica apresentado no site do Vaticano: http://w2.vatican.va/content/paul-vi/pt/encyclicals/documents/hf_p-vi_enc_25071968_humanae-vitae.html 
3. HV, nº 4. 
4. HV, nº 8. 
5. HV, nº 9.
6. HV, nº 11.
7. HV, nº 9.
8. HV, nº 10. 
9. HV, nº 13.
10. HV, nº 14. 
11. HV, nº 6. Inúmeros teólogos são da opinião de que a condenação da contracepção é uma doutrina infalível. Por exemplo: Pe. M.R. Gagnebet, O.P., “The Authority of the Encyclical Humanae Vitae” ("A Autoridade da Encíclica Humanae Vitae"), em www.ewtn.com/library/Theology/AUTHUMVT.HTM; Pe. John Hardon, S.J., “Contraception: Fatal to the Faith” ("Contracepção: Fatal à Fé"), em www.catholic-pages.com/morality/fatal.asp; Pe. Brian W. Harrison, O.S., revisão de Humanae Vitae e Infallibilità: il Concilio, Paolo VI e Giovanni Paolo II (“Humanae Vitae e Infalibilidade: o Concilio, Paulo VI e João Paulo II”), por Ermenegildo Lio, O.F.M. (Vaticano, Libreria Editrice Vaticana, 1986), em www.rtforum.org/lt/lt12.html; Pe. Joseph H. Ryder, S.J., “Pope Paul VI’s Encyclical Humanae Vitae as an Infallible Definition of Doctrine” (“A Encíclica Humanae Vitae do Papa Paulo VI como uma Definição Infalível de Doutrina”), Social Justice Review, em www.socialjusticereview.org/articles/humanae_vitae.php. 
12. HV, nº 12.
13. HV, nº 14. 
14. HV, nº 17. 
15. HV, nº 22.
16. Id. Ibid.

22 de junho de 2019

Cresce o círculo de influência da Contra-Revolução


   
Lançamento da Frente Parlamentar do Ensino Domiciliar, ocorrido no Congresso Nacional em 2 de abril de 2019 [Fotos: Cleia Viana / Câmara dos Deputados]

 ➤  Paulo Henrique Américo de Araújo

O auditório encontrava-se lotado. Todos os presentes pareciam muito à vontade, quase como se estivessem em casa. Homens, mulheres, casais jovens; e para completar, muitas crianças corriam e brincavam entre as poltronas, através dos corredores, deixando-se filmar e fotografar. Mas o leitor se enganaria, julgando tratar-se de festa de aniversário ou reunião de pouca importância. Não! Lá estavam vários deputados federais, jornalistas aglomerados; e na tribuna, uma Ministra de Estado.

Um menino mais ousado subiu correndo até a área das autoridades, e se escondeu sob a mesa junto da qual se achava a Ministra. A mãe, em estado avançado de gravidez, rapidamente alcançou o pequeno atrevido, e após pequena luta conseguiu retirá-lo daquele lugar inapropriado. Todos os que presenciaram a cena, inclusive a Ministra, sorriam e achavam graça.

A descrição que acabo de fazer é fidedigna. Eu mesmo a acompanhei, e seria facilmente confirmada por todos os presentes no lançamento da Frente Parlamentar do Ensino Domiciliar, ocorrido no Congresso Nacional em 2 de abril de 2019.1 A alegria distendida da cena pode surpreender o leitor, e foi certamente sentida pelos frequentadores dos carrancudos ambientes parlamentares de Brasília, assim amenizado pela presença incomum de tantas crianças em evento que dizia respeito a elas. 
As crianças amenizaram com sua presença o importante evento

Defender os filhos da corrupção moral

Por cima do debate sobre o ensino domiciliar (home schooling), durante aquela sessão as atitudes, o convívio, as maneiras de ser revelavam algo de profundamente distendido, gentil, suave, algo autenticamente brasileiro. Bem o oposto do que se costuma ver no Congresso: carrancas, manifestações furiosas, gestos histéricos, violentos até.

Como argumento mais recorrente a favor do ensino domiciliar, os deputados integrantes da Frente Parlamentar apontavam sobretudo a defesa da família, sob os aplausos entusiasmados da audiência. A Ministra Damares Alves foi especialmente ovacionada quando afirmou: “O Estado é laico, mas nós somos cristãos”.

Poderia haver nos presentes algumas discrepâncias de métodos, mas um princípio era compartilhado por todos: a educação das crianças cabe primeiro aos pais. Ao Estado cabe apenas a função supletiva, acessória. Os pais têm o direito e o dever de defender seus filhos, especialmente quando se sabe que o ambiente escolar está impregnado de doutrinação marxista e degradação moral. Assim, a bandeira do home schooling adquire, em linhas gerais, um inegável caráter contra-revolucionário.

Algumas ponderações e distinções se impõem. Em seu depoimento aos participantes, uma mãe de dois filhos com problemas mentais indicou que o home schooling não é para todos, mas sim para os pais que desejarem e tiverem condições para tanto. Para os militantes da esquerda, contrários à educação dos filhos em casa, deixou este recado, sob aplausos do auditório: “Nós não somos extra-terrestres!”. 
Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Fracos argumentos contra o ensino em casa


A argumentação contrária ao home schooling alega que a educação cabe primeiro ao Estado, e secundariamente à família. Num evidente embaralhamento de conceitos, exemplifica com crianças hipotéticas, que fora das escolas públicas não teriam oportunidade de interação, convívio com pessoas diferentes (na verdade, recorrem a termos tendenciosamente manipulados, como “diversidade”, “socialização”, “preconceitos”, etc). Os pais que negam isso aos filhos são pejorativamente tachados de retrógrados, conservadores obtusos, religiosos fanáticos.

Nesse sentido, é reveladora a declaração de Telma Vinha, professora de Psicologia Educacional da Unicamp: “Se a família tem visões racistas ou preconceituosas, a escola tem que transformar esses valores em socialmente desejáveis. Cada família vai estar centrada nos seus valores e achar que são únicos, só que a gente tem que pensar que educa as pessoas para uma sociedade democrática, plural”.2

A mensagem da professora não poderia ser mais tendenciosa: deve-se corrigir as famílias de seus “racismos” e “preconceitos”, quer dizer, de seu posicionamento contra o homossexualismo ou contra a ideologia de gênero, por exemplo. E a escola se apresenta como o lugar ideal para libertar as crianças de tais ideias religiosas “radicais” e “discriminatórias” vindas dos pais...

Ainda mais ostensivamente contrária é a opinião da jornalista Renata Cafardo, num pequeno artigo para “O Estado de S. Paulo”: “Com 45 milhões de estudantes nas escolas brasileiras, o governo de Jair Bolsonaro escolheu priorizar em seus primeiros cem dias o ensino em casa, praticado por cerca de 7 mil famílias”.3 Note-se que o vozerio altissonante da esquerda em favor das minorias (sobretudo a autointitulada LGBT) aplaude qualquer iniciativa governamental que as favoreça, mas isso não vale para as minorias do home schooling, nas quais não reconhece o direito de existir.

Com esta comparação se percebe como a iniciativa da educação em casa tem causado dores de cabeça aos revolucionários de nossos dias. 

A reação anticomunista se fortalece


Após a referida reunião no Congresso Nacional, em 12 de abril o Governo Federal apresentou projeto de lei para regulamentação do ensino domiciliar.4 É claro que os contrários esperam barrar essa iniciativa, para manterem como obrigatória para todas as crianças a escola que no entanto qualificam como “plural”, “diversa” e “cidadã”. Os campos estão bem delimitados, nessa batalha que não deve terminar tão cedo.

O ambiente distendido e alegre no Congresso Nacional, por ocasião do lançamento da Frente Parlamentar do Ensino Domiciliar, em nada diferia das multidões pacíficas, tipicamente brasileiras, que se aglomeraram nas principais cidades do País a partir de 2013. Pois os pais que se preocupam com os perigos da doutrinação esquerdista e a degradação moral nas escolas acompanham e apoiam também as incontáveis outras reações sadias da opinião pública nos últimos anos — manifestações firmes, serenas, contra o socialismo e a imoralidade, sem nada de agressões nem agitações.

Esse panorama trouxe-me a recordação de uma entrevista concedida por Plinio Corrêa de Oliveira ao Prof. Marcelo Lúcio Ottoni de Castro, na ocasião em que este preparava sua dissertação de mestrado em História.5 Quando o diálogo tratava do desequilíbrio de forças da Revolução e da Contra-Revolução, especificamente entre as décadas de 60 e 90 do século XX, o entrevistado deixou claro o que pensava:

“No desequilíbrio de forças, a da Contra-Revolução aumentou mais. Por quê? Porque a Revolução se tornou mais radical. E tornando-se mais radical, muita gente que era da chamada ‘terra de ninguém’, entre Revolução e Contra-Revolução, se assustou e voltou para trás. São os ‘agredidos pela realidade’. Esses voltaram e acrescentaram em algo o círculo de influência da Contra-Revolução. Não ficaram propriamente contra-revolucionários, mas ampliou-se o círculo de influência da Contra-Revolução”.

A constatação acima se apresenta ainda mais verdadeira ao analisar os fenômenos de opinião pública ocorridos no Brasil recente. Nos 13 anos dos governos Lula-Dilma, aguçou-se uma reação veemente de grande parte dos brasileiros contra a cavalgata esquerdista. E aí está o fenômeno do “ensino domiciliar”, a comprovar o fato. Assim cresce o círculo de influência da Contra-Revolução.

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Notas

21 de junho de 2019

Mães corajosas defendem seus filhos face à investida de “Drag Queen”

➤  Marcos Machado 

Uma excelente notícia nos vem do EUA: mães fortes e corajosas se unem para fazer frente à misoginia[1] e sexualização de crianças levada a cabo por "Drag Queen History Hour"

O site do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira [2] publicou, em março deste ano, um artigo esclarecedor sobre o protesto da TFP americana contra o “Drag Queen”: “As reuniões (Drag Queen) geralmente acontecem em bibliotecas públicas, além de locais privados”. Durante esses eventos (dragqueen), homens vestidos de mulher lêem livros para crianças, geralmente sobre homossexualidade ou transgenderismo”.[3] 

Afirma a notícia, publicado por LifeSiteNews, SPOKANE, Washington, 19 de junho de 2019, que “Um grupo de mães e seus simpatizantes tomaram as ruas para mostrar sua oposição à Drag Queen Story Hour". [foto acima]


Nasce uma reação corajosa de mães em defesa de seus filhos 

“Um grupo 500 ‘Mom Strong’ (Mães fortes) e aderentes homens se reuniram do lado de fora da Biblioteca Pública de Spokane South Hill (Washington) no sábado, 15 de junho. O evento da tarde, que atraiu mais de 200 apoiadores, ocorreu no lado oposto da rua da biblioteca. Apresentava vários grupos de igrejas. 
“500 ‘Mom Strong’ é um grupo fundado no Facebook por Anna Bohach [foto], uma mulher que acredita que os eventos de ‘dragqueen’ da biblioteca são tanto misóginos quanto tentativas de sexualizar crianças. 
“Bohach começou o grupo quando descobriu que a Biblioteca Spokane South Hill Branch ia sediar uma "Hora da História de Drag Queen" em 15 de junho. Um anúncio oficial do evento prometia "uma edição especial brilhante do storytime". "Vamos compartilhar histórias de identidade e inclusão e celebrar a criatividade com um ofício", continuou o anúncio. 
“Bohach, que tem quatro filhos, está casada há 13 anos. Ela disse à LifeSiteNews que sempre dissera a si mesma que faria alguma coisa se a Hora das Histórias de Drag Queen chegasse a Spokane. O pedido de ação chegou quando sua mãe telefonou para ela com a notícia da hora da biblioteca de Spokane. ‘Acho que veio de Deus’, disse Bohach. Veio à minha cabeça que eu e um grande número de mães deveria fazer algo sobre isso." 

Drag Queen é ofensivo às mães e aos filhos 

“500 Mom Strong é um grupo de mulheres que se cansaram da sexualização de seus nossos filhos e da zombaria de nossa feminilidade", escreveu ela. “Isso é misoginia; dragqueens são muito ofensivos para as mulheres. São caricaturas grotescas hiper-sexualizadas das mulheres. Eles zombam das mulheres e degradam nossa feminilidade. Uma dragqueen não é diferente de um racista vestindo uma cara preta. 

“A biblioteca que hospeda um evento como esse ensina aos nossos filhos que as mulheres são apenas objetos sexuais e ensina às nossas filhas que elas devem ser excessivamente sexualizadas para serem desejadas. 

"Basta! Dizemos NÃO a uma agenda política voltada para a degradação de mulheres e a sexualização de crianças. Nós dizemos não à ideologia de gênero!” 

“Implacável, a mãe forte espera que outras mães se inspirem em sua luta contra a misoginia de dragqueens e Drag Queen Story Hour. ‘Meu objetivo é de 500 mães’, disse ela à LifeSiteNews. ‘Eu quero somar 500 mães em cada estado que trabalhem juntas para pará-lo em seu estado’. Este não é um sonho impossível”. 
*   *   *
Um belo exemplo de como a reação conservadora está viva nos EUA. Iniciativas de verdadeiras mães de família preocupadas com a formação moral de seus filhos, que se unem e protestam (pacificamente) nas vias públicas. 

Uma iniciativa a ser tomada como exemplo para mães brasileiras quando a Ideologia de Gênero quer conspurcar as crianças e adolescentes, inclusive nas Escolas brasileiras. 

Diz a Sagrada Escritura: Ai daquele que escandalizar a um desses pequeninos: “Melhor lhe seria que se lhe atasse em volta do pescoço uma pedra de moinho e que fosse lançado ao mar, do que levar para o mal a um só destes pequeninos. Tomai cuidado de vós mesmos” (Lc 17, 2).

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O vídeo mostra, durante uma atuação pública contra atividade “Drag Queen” em escolas, uma transgênero que tenta destruir uma Imagem de Nossa Senhora de Fátima.
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1. Misoginia é a repulsa, desprezo, ódio ou aversão às as mulheres. Essa sim, seria uma iniciativa digna de louvor em defesa da mulher se as feministas fossem sinceramente femininas.
2. https://ipco.org.br/ativista-pro-transgenero-ataca-a-estatua-da-virgem-maria-durante-vigilia-de-oracoes-contra-o-drag-queen/#.XQuJtIhKiUk 
3. https://www.lifesitenews.com/news/500-mom-strong-group-leads-rally-against-drag-queen-story-hour

2 de fevereiro de 2019

Educação sexual nas escolas? — Grave erro!

➤  Paulo Roberto Campos

Na entrevista coletiva que concedeu no dia 28 de janeiro aos jornalistas a bordo do avião que o levava de volta a Roma [foto] após a “Jornada Mundial da Juventude” do Panamá, o Papa Francisco afirmou, entre outras coisas que causaram estupefação, ser favorável à educação sexual nas escolas. 

Eis suas palavras, respondendo ao jornalista Edwin Cabrera Uribe, que lhe perguntara sua opinião sobre o assunto: 
“Penso que, nas escolas, é preciso dar educação sexual [...]. É preciso oferecer uma educação sexual objetiva: assim como é, sem colonizações ideológicas. Porque se, nas escolas, se dá uma educação sexual imbuída de colonizações ideológicas, destrói-se a pessoa [...]. O problema está nos responsáveis pela educação, a nível nacional, regional, em cada unidade escolar: que professores escolhem para isso? Que manuais? Já os vi de todas as cores. Há coisas que fazem amadurecer e outras que causam dano [...]. Digo que é preciso haver educação sexual para as crianças. O ideal é que se comece em casa, com os pais. Nem sempre é possível, devido a muitas situações familiares, ou porque não sabem como a fazer. A escola supre isto e deve fazê-lo; caso contrário, fica um vazio que acaba preenchido por qualquer ideologia”.
Tal resposta não poderia evidentemente deixar de causar grande perplexidade em numerosas famílias católicas que lutam para preservar a inocência de suas crianças. Elas conhecem as péssimas condições de imoralidade nas quais os “responsáveis pela educação” sexual nas escolas — mistas em sua imensa maioria — ministrariam suas aulas. Nestas, como já se tem visto, em nome de educação sexual, professores ensinam as coisas mais indecentes, inclusive pornografia, erotizando os pequenos.

Esse danoso ensinamento, ministrado fora do lar e por vezes com distribuição de manuais obscenos com imagens libidinosas, leva com frequência as crianças à iniciação sexual precoce e até mesmo, em certos casos, à prostituição infantil e à gravidez de meninas que sequer chegaram à adolescência. Segundo um relatório de 2018 da OMS (Organização Mundial da Saúde), no Brasil a taxa de gravidez indesejável na adolescência supera a média mundial! 

Assim sendo, pais e mães de família perguntam: qual é verdadeiramente a posição da Igreja Católica a respeito de tal tipo de educação sexual, que sempre fora reservada aos pais e não às escolas? 

Para responder a essa questão, nada melhor do que recorremos ao ensinamento tradicional do Magistério Pontifício. Assim, eis a resposta do Papa Pio XI (1857-1939) [foto ao lado] na Encíclica Divini Illius Magistri
“Mormente perigoso é, portanto, aquele naturalismo que, em nossos tempos, invade o campo da educação em matéria delicadíssima como é a honestidade dos costumes. Assaz difuso é o erro dos que, com pretensões perigosas e más palavras, promovem a pretendida educação sexual, julgando erradamente poderem precaver os jovens contra os perigos da sensualidade, com meios puramente naturais, tais como uma temerária iniciação e instrução preventiva, indistintamente para todos, e até publicamente, e pior ainda, expondo-os por algum tempo às ocasiões para acostumá-los, como dizem, e quase lhes fortalecer o espírito contra aqueles perigos. 
“Estes erram gravemente, não querendo reconhecer a natural fragilidade humana e a lei de que fala o Apóstolo: contrária à lei do espírito (Rom 7, 23), e desprezando até a própria experiência dos fatos, da qual consta que, nomeadamente nos jovens, as culpas contra os bons costumes são efeito, não tanto da ignorância intelectual, quanto e principalmente da fraqueza da vontade, exposta às ocasiões e não sustentada pelos meios da Graça. 
“Se, consideradas todas as circunstâncias, alguma instrução individual acerca deste delicadíssimo assunto se torna necessária, quem recebeu de Deus a missão educadora e a graça própria desse estado deve, em tempo oportuno, tomar todas as precauções conhecidíssimas da educação cristã tradicional e suficientemente descritas pelo já citado Antoniano*, quando diz: ‘Tal e tão grande é a nossa miséria e a inclinação para o mal, que muitas vezes até as coisas que se dizem para remédio dos pecados são ocasião e incitamento para o mesmo pecado. Por isso importa sumamente que um bom pai, quando discorre com o filho em matéria tão lúbrica, esteja bem atento, e não desça a particularidades e aos vários modos pelos quais esta hidra infernal envenena uma tão grande parte do mundo; não seja o caso que, em vez de extinguir este fogo, o sopre ou acenda imprudentemente no coração simples e tenro da criança. Geralmente falando, enquanto perdura a infância, bastará usar daqueles remédios que, juntamente com o próprio efeito, inoculam a virtude da castidade e fecham a entrada ao vício’”. (Silvio Antoniano, Dell'educazione cristiana dei figliuoli, lib. II, c. 88).
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* Cardeal Silvio Antoniano, discípulo do admirável educador que foi São Filipe de Nery, e mestre e secretário das cartas latinas de São Carlos Borromeu, a instancias e sob a inspiração do qual escreveu o tratado Della educazione cristiana dei figliuoli.

2 de abril de 2018

CONVITE


A investida Internacional, cultural e sexual continua propagando a absurda Ideologia de Gênero

Com frequência recebemos notícias de professores, programas de televisão, filmes, livros que insistem em difundir essa antinatural ideologia, assim revelando que tal campanha é orquestrada, como que por um maestro invisível. 

Assim sendo, o Instituto Plinio Corrêa de Oliveira convidou dois médicos brasileiros para exporem esse assunto que tanto preocupa pais e mães. 

Ambos conferencistas denunciarão as origens e os métodos espúrios que se está empregando para impor a nossos filhos e netos a inaceitável Ideologia de Gênero.

Convidamos nossos leitores para essa importante conferência. Ela será realizada na capital paulista, no seguinte endereço: 


CLUB HOMS

No dia 5 de abril 

Às 19:00 hs. 

Av. Paulista, 735 (próximo do metrô Brigadeiro)

São Paulo - SP 


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9 de outubro de 2017

MEC quer impor “na marra” a absurda e antinatural Ideologia de Gênero


Paulo Roberto Campos 

Hoje tomei conhecimento de uma apreciável “Nota Pastoral sobre o risco da ideologia de gênero”, de Dom Antonio Carlos Rossi Keller, bispo de Frederico Westphalen (RS). [*] 

Diante de tão grave problema, que atenta violentamente contra as crianças brasileiras — com a obrigação imposta pelo MEC de se “ensinar” a Ideologia de Gênero em todas as escolas (públicas e privadas) —, constamos um silêncio por parte da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) não condenando categoricamente tal normativa do Ministério da Educação. Este estabelece, já para o próximo ano letivo, o ensinamento absurdo, anticientífico e oposto à ordem natural estabelecida por Deus, que criou o homem e a mulher (Cfr. Gênesis 1, 26-27). Assim, ficamos contentes em ouvir a voz de um bispo da Santa Igreja se levantar em defesa dos ensinamentos perenes do Magistério infalível. 


Ao mesmo tempo, Dom Keller defende os valores da instituição da família e condena os doutrinadores de tal nefasta ideologia. Estes sinistros doutrinadores já estão (des)ensinado às nossas crianças que não existe apenas os gêneros masculino e feminino, mas que existem quase 40 tipos de gêneros... E cada criança pode escolher que gênero deseja para si! 

Seguem excertos, que extraí da “Nota Pastoral”, que me pareceram mais relevantes. 


NOTA PASTORAL SOBRE O RISCO DA IDEOLOGIA DE GÊNERO NA BASE NACIONAL CURRICULAR COMUM, DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. 


Caríssimos sacerdotes, diáconos, consagrados e consagradas, fiéis leigos e pessoas de boa vontade da nossa Diocese de Frederico Westphalen (RS), dirijo-lhes esta Nota Pastoral a fim de alertá-los sobre um assunto de capital importância para o futuro de toda a Humanidade: a implantação da antinatural “ideologia de gênero” na Base Nacional Curricular Comum (BNCC), do Ministério da Educação, a ser, a partir de 2018, aplicada — obrigatoriamente — em todas as escolas de nível Fundamental e Médio[1]deste nosso amado, mas tão sofrido Brasil. 

Ora, ainda que contrarie a mentalidade do “politicamente correto”, e, por isso sofra ácidas críticas, a Igreja, tem — como bem asseverou o Papa Bento XVI, em 19 de janeiro de 2013, especialmente por meio dos Bispos, enquanto “vigilantes” (episkopoi) da fé e da moral — a missão de precaver o Povo de Deus dos perigos iminentes. Falava, então, o Pontífice: “os Pastores da Igreja – a qual é ‘coluna e sustentáculo da verdade’ (1Tm 3,15) — têm o dever de alertar contra estas derivas tanto os fiéis católicos como qualquer pessoa de boa vontade e de razão reta”. 

É, pois, com este propósito de servir ao bom Povo de Deus a mim confiado, por meio da Mãe Igreja, que escrevo esta Nota Pastoral com votos de que possa ela chegar — com saudações de bênção e paz — ao maior número de pessoas neste momento crucial da História. 


Que é ideologia de gênero? 

A ideologia de gênero, difundida a partir das décadas de 1960/70 do século XX, quer ensinar que a masculinidade (ser homem) e a feminilidade (ser mulher) não são determinadas pelo sexo biológico dado pela natureza, mas, sim, pela cultura ou pelo gênero. Este, fruto de mera construção social e linguística, ensina — em oposição à Biologia — três ou mais[2] variantes ao ser humano: ele poderia ser masculino, feminino ou neutro (nem um nem outro). 

Ora, para fazer a sociedade aceitar, passivamente, tal ideologia que, se aplicada, destruiria por completo a humanidade[3], há um longo trabalho em curso. Visa levar à “desconstrução” cultural gradativa, mas firme, da sociedade, começando pela família e pela educação escolar. Primeiro, de um modo ambíguo para quem ouve, depois, de forma clara capaz de induzir cada ser humano a aceitar tamanha afronta à Lei natural física e moral presentes, qual marca do Fabricante, na natureza de cada homem e de cada mulher. Homem e mulher que não se contrapõem, mas, ao contrário, complementam-se de modo harmonioso. 

Como não perceber, portanto, que a tentativa de inserção da ideologia de gênero na BNCC atende a interesses ideológicos colonizadores bem determinados, e não ao genuíno bom-senso do povo brasileiro que rejeitou, vigorosamente, tão nefasta ideologia em todos os âmbitos educacionais (nacional, estadual e municipal) nos quais ela, sorrateiramente e à força, tentou adentrar? 


Pura ideologia anticientífica 

Reporto-me apenas a uma recente e ilustrativa notícia exibida no site Aleteia[4] na qual se lê que: 
“Em 2011, um documentário transmitido em rede nacional na Noruega abalou a credibilidade dos defensores da ideologia de gênero nos países da Escandinávia”. 
“O Conselho Nórdico de Ministros, que inclui autoridades da Noruega, da Suécia, da Dinamarca, da Finlândia e da Islândia, determinou a suspensão dos financiamentos até então concedidos ao Instituto Nórdico de Gênero, entidade promotora de ideias ligadas às chamadas ‘teorias de gênero’. A medida veio após a exibição, em 2010, do filme Hjernevask (‘Lavagem Cerebral’), que questionava os fundamentos científicos dessas teorias – que, de fato, não passam de teorias sem comprovação empírica”. 
“A produção do sociólogo e ator Harald Eia contrapõe as afirmações dos defensores da teoria de gênero com outras de estudiosos das Neurociências e da Psicologia Evolutiva. Enquanto os teóricos do gênero afirmam que não há fundamento biológico nas diferenças de comportamento entre homens e mulheres e que elas se devem meramente a construções sociais, os outros cientistas mostram resultados de testes empíricos que constatam diferenças inatas nas preferências e comportamentos de homens e mulheres.” 
“Os estudiosos das Neurociências admitem que a cultura exerce influência nos comportamentos, mas demonstram que os genes são determinantes para algumas condutas. Já os teóricos do gênero afirmam que “não veem verdade” nas pesquisas dos neurocientistas, embora toda a base dos seus estudos de gênero seja apenas teórica e não empírica.”
“No vídeo, a ‘filósofa do gênero’ Catherine Egeland, uma das entrevistadas, chega a afirmar que ‘não se interessa nem um pouco’ por esse tipo de ciência e que ‘é espantoso que as pessoas se interessem em pesquisar essas diferenças’ (!). (Destaque nosso)” 

A pergunta a ser feita é: quem, em sã consciência, deixaria seus filhos — crianças e adolescentes — entregues a um currículo fundamentado em uma ideologia antinatural e anticientífica, como é a famigerada ideologia de gênero? 


Uma exortação à respeitosa e firme reação

Diante do que, brevemente, acabo de expor só me resta pedir, com toda a convicção, a cada um(a) a quem esta Nota chegar, pelos tantos meios de que hoje dispomos, que, dentro da lei e da ordem, expresse o seu vigoroso “Não” à inserção da antinatural, anticientífica e impopular ideologia de gênero na BNCC, do Ministério da Educação. Uma das formas úteis de fazê-lo é pelo link colocado ao final desta Nota. 

Nossa pecaminosa omissão certamente custará caro a crianças e adolescentes envoltos, obrigatoriamente, nas escolas, à doutrinação da ideologia de gênero a partir do ano letivo de 2018. 

Neste espírito, abençoo a todos e a cada um com suas famílias e comunidades com votos de que a Mãe Aparecida, cujo tricentenário celebramos neste ano, e São José, defensor da Sagrada Família de Nazaré, intercedam pelo nosso tão sofrido Brasil. 


Frederico Westphalen, 12 de setembro de 2017. 
Memória Litúrgica do Santíssimo Nome de Maria 
+ Antonio Carlos Rossi Keller
Bispo de Frederico Westphalen

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[*] http://www.diocesefw.com.br/noticia/291 
[1] Cf. http://www.citizengo.org/pt-pt/node/87279, acesso em: 08/09/17 
[2] Há quem chegue a nomear cinco ou seis gêneros: “heterossexual masculino, heterossexual feminino, homossexual, lésbica, bissexual e indiferenciado” (J. Burgraff. Gênero (Gender) in Pontifício Conselho para a Família,Lexicon: termos ambíguos e discutidos sobre família, vida e questões éticas. Brasília: CNBB, 2014, p. 454 – excelente fonte de consulta e trabalho). 
[3] J. Scala. Ideologia de gênero: neototalitarismo e morte da família. São Paulo: Katechesis/Artpress, 2011 – obra referencial no tema. 
[4]https://pt.aleteia.org/2017/09/08/documentario-noruegues-abala-credibilidade-da-ideologia-de-genero/, acesso em: 09/09/17.

14 de julho de 2016

Brasil: pais e mães de família lutam para “despetetizar” a educação


Gonzalo Guimaraens – Destaque Internacional (*)

No Brasil, o Partido dos Trabalhadores (PT), nascido em ambientes da “Teologia da Libertação” e defensor da revolução cubana, aproveitou-se de uma longa década no Poder para assegurar que o sistema educacional permanecesse em suas mãos, mesmo na eventualidade de perder o governo.

Em direção oposta, pais e mães de família de todo o País estão se organizando para conseguir o apoio de deputados federais e estaduais, e proclamam que chegou a hora de uma profunda “despetetização” da educação no Brasil, ou seja, que é necessário desmontar essa máquina de proselitismo criada pelo PT. 

Quem destampou a panela desse drama, e mostrou os descontentamentos subterrâneos existentes em todo o território brasileiro, não foi nenhum meio de comunicação nacional, mas sim o diário “El País”, de Madrid (edição para o Brasil), com uma série de artigos e reportagens referidos nos links no final desta matéria, cuja leitura recomendamos. 


“O professor de minha filha comparou Che Guevara com São Francisco de Assis”, lembra com indignação o advogado Miguel Nagib.[foto“As pessoas desejam deformar as cabeças das crianças, associando as duas coisas, levando-as a dizer que Che Guevara é um santo”, afirmou o entrevistado. O episódio foi o suficiente para que o advogado Nagib criasse em 2004, junto com outros pais de família, a ONG “Escola Sem Partido”, que atualmente tem uma presença ativa na Câmara dos Deputados em Brasília, e em Câmaras Estaduais da Federação. Suas ideias, análises e propostas encontram-se no site: www.escolasempartido.org. 


A tarefa não é fácil, mas o ânimo e a dedicação desses pais de família no Brasil são notáveis, como se pode constatar na reportagem do “El País”. Em direção contrária, sindicatos de professores de orientação esquerdista estão exercendo pressão muito forte para que nada seja “despetetizado”. Trata-se de uma árdua luta contra a “hegemonia” anticultural das esquerdas, e de um exemplo não apenas para o Brasil, mas para toda a América Latina. 

Na educação, as esquerdas brasileiras fundamentam sua ação de deformação principalmente em dois pilares ideológicos: a ideologia marxista gramsciana e a chamada “Ideologia de Gênero”, que ensina aos jovens e às crianças a ideia de que eles podem escolher livremente seu gênero, independentemente do sexo masculino ou feminino. 

Segundo esses pais e mães, isso é algo oposto aos princípios cristãos, contunde o senso comum e contraria a ordem natural. Ademais, programas escolares que defendem a “Ideologia de Gênero”, do ponto de vista jurídico “transgridem princípios constitucionais” e acordos interamericanos de direitos humanos, os quais afirmam que “os pais têm o direito de que seus filhos recebam educação religiosa e moral de acordo com suas respectivas convicções”, esclarece Nagib.


Esses pais e mães de família no Brasil vêm travando há anos uma luta moral e de princípios, mas os grandes meios de comunicação praticamente os ignoram. Pareceu-nos necessário contribuir para torná-los conhecidos também nos países de língua espanhola, bem como nas comunidades hispânicas dos Estados Unidos, onde existem movimentos semelhantes ao da “Escola Sem Partido”, propiciando compartilhar assim as interessantes informações contidas nas reportagens do “El País”.

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Links do “El País” (edição brasileira): 
> “A educação brasileira no centro de una guerra ideológica” http://brasil.elpais.com/brasil/2016/06/22/politica/1466631380_123983.html
> “O professor de minha filha comparou Che Guevara com São Francisco de Assis” http://brasil.elpais.com/brasil/2016/06/23/politica/1466654550_367696.html 
> “Católicos e evangélicos em cruzada contra a palavra gênero” http://brasil.elpais.com/brasil/2015/06/11/politica/1434059650_940148.html 
Sobre o tema, alguns sites recomendados
Escola Sem Partido: www.escolasempartido.org
Instituto Plinio Corrêa de Oliveira: www.ipco.org.br 

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(*) Notas de “Destaque Internacional” — uma visão “politicamente incorreta” feita a partir da América do Sul. Documento de trabalho (11 de julho de 2016). Este texto, traduzido do original espanhol por Paulo Roberto Campos, pode ser divulgado livremente.