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14 de julho de 2022

A Revolução Francesa “guilhotinou” o caráter religioso das cerimônias públicas

Coroação de Carlos VII - Eugène Lenepveu (1819–1898). Panteão de Paris.

✅  Plinio Corrêa de Oliveira 

Até a Revolução Francesa (1789), o mundo não conheceu a aberração que se chama o agnosticismo de Estado. Nos povos pagãos como nos cristãos era convicção, que não sofria controvérsia, o caráter religioso de que se deveriam revestir todas as manifestações da vida pública. 

Nas grandes monarquias, nas repúblicas aristocráticas ou burguesas, todos os acontecimentos de relevo da vida civil eram comemorados de modo religioso: investidura de chefes de Estados, celebração de heróis nacionais, glorificação de feitos de armas notáveis, expressão dos grandes lutos nacionais, tudo se fazia em cerimônias de culto, como a sagração, as missas de ação de graças ou de Requiem, os Te Deum etc. 

Esses atos, como é bem de ver, não tinham um caráter exclusivamente simbólico ou alegórico. Se bem que servissem também para manifestar de modo oficial o louvor, a alegria ou a tristeza nacional, eles tinham também um conteúdo muito real, que era o ato religioso pelo qual a coletividade nacional, como tal, referia ao Criador suas alegrias e suas dores, sua glória e seu infortúnio, adorando, agradecendo, expiando ou suplicando graças, oficialmente reunida aos pés do Deus três vezes Santo.

No altar da catedral de Notre Dame de Paris,
na diabólica Revolução Francesa durante uma "Festa da Razão",
foi cultuada a "Deusa da Razão"... Atos análogos se repetiram
em outras catedrais ou igrejas francesas.
Com a Revolução Francesa começaram os atos públicos de caráter meramente leigo. Esses atos procuravam copiar as manifestações públicas de fundo religioso do Ancien régime — "ersatz" que não raras vezes foi simiesco, como a adoração de uma atriz seminua, que representava a Deusa Razão [quadro ao lado]. Despidas forçosamente essas manifestações de seu conteúdo real, que era religioso, ficaram elas reduzidas à condição de fórmulas ocas, sem nenhum outro valor que o de uma fria alegoria. 

De 1789 para cá [233 anos de laicismo], a composição de alegorias cívicas evoluiu sem dúvida, e aos poucos se encontraram, nesse terreno, fórmulas tocantes, expressões de grande formosura literária ou cênica, perfeitamente capazes de impressionar uma grande multidão. Mas, no fundo de todas elas, fica sempre a impressão das alegorias que não são senão uma figura fugitiva e impalpável da realidade, de alegorias que se desvanecem logo depois da cerimônia, e que passam como passam todas as coisas da Terra. 
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(“Legionário”, Nº 675, 15 de julho de 1945).

29 de fevereiro de 2020

Vírus ataca a instituição familiar, pior que o coronavírus

➤  Paulo Roberto Campos

Hoje tomei conhecimento um artigo muito antigo (1939), mas de uma atualidade que muito me impressionou e que diz respeito a dois assuntos entrelaçados e primordiais de nossos dias: direito de propriedade e família. Abaixo reproduzo a íntegra dele, mas as partes mais concernentes aos temas desse nosso Blog da Família são os dois últimos trechos (“A família e o Estado” e “Falsos remédios”). 

Ao ler tais trechos — prognósticos feitos 81 anos atrás — lembrei-me da aprovação (em 2010) da “Proposta de Emenda à Constituição do Divórcio” — hoje popularizada com o nome de “Divórcio-Express”, instantâneo ou relâmpago —, que eliminou, para a efetivação do divórcio, a necessidade de separação judicial por mais de um ano ou de separação de fato por mais de dois anos.

Com essa aprovação, o Estado, contribuindo para o desmoronamento da instituição da família, atrai o desmoronamento de si próprio e de todas as instituições do Estado. 

Confira o artigo, dileto leitor, e tire suas conclusões. 

O VERDADEIRO CONFLITO 


➤  Plinio Corrêa de Oliveira
“Legionário”, 15 de outubro de 1939, N. 370, pag. 3 

Hilaire Belloc, conhecido escritor católico inglês, amigo íntimo do desaparecido Chesterton, é o autor deste ensaio publicado no periódico londrino “The Universe”. Demonstra Belloc que todas as controvérsias desta agitada época se reduzem, no fundo, a uma só: o conflito entre a Igreja Católica e seus inimigos. 

O aspecto mais interessante da época atual é o seguinte: ninguém se apercebe da natureza da grande luta que se está travando em todas as nações da Europa e parcialmente na América e na Ásia. 

Por todos os lados ouvireis dizer que se trata de uma pugna entre o comunismo e o que se convencionou chamar “fascismo”. Os que não são tão lerdos para dizer isto dirão que há uma contenda entre um velho mundo tradicional e um mundo novíssimo que surge. Outros, com visão mais estreita, chamam-na “uma luta entre certas raças ou nações”, o que não é verdade, pois trata-se de um movimento universal; alguns mais creem que só temos uma guerra entre ricos e pobres. 

Todas estas explicações sobre o que está ocorrendo são em certo grau imperfeitas, quando não decididamente absurdas. O que em realidade presenciamos é um conflito entre a Igreja Católica e seus inimigos. 

Vamos até o caos 

A maior parte dos que tomam mais a sério e mais inteligentemente esta luta certamente não reconhecem esta verdade e, não obstante, ela é a verdade central de toda esta questão. Não se reconhece isto porque todos em geral nos encontramos ante resultados indiretos e não percebemos as causas primeiras, uma vez que as origens de todo acontecimento de caráter social jazem no fundo, não sendo, portanto, facilmente reconhecidas. Mas a menos que compreendamos que o conflito moderno todo gira em torno da Fé e é mais um exemplo da luta entre a Fé e o mundo que se vem desenrolando através das idades, não chegaremos a compreender a natureza do perigo que envolve a Terra. Porque a ameaça que pesa sobre o mundo moderno não consiste na possibilidade de cair nas garras desta ou daquela raça, desta ou daquela filosofia, mas no perigo de perder o que criou a nossa civilização. 

O que construiu nossa civilização foi a Fé, e a medida que perdemos esta força criadora, desmoronar-se-á mais e mais nossa civilização. Se se perder totalmente essa força, toda nossa civilização perder-se-á com ela: avançamos rumo ao caos. 

Umas perguntas ao Dr. Inge 

O Dr. William Ralph Inge (1860-1954, escritor inglês, anglicano e professor de teologia em Cambridge) escreveu há pouco uma frase extraordinária, afirmando que a menos que o mundo se submeta de novo aos ensinamentos de Nosso Senhor estará condenado a perecer. “Nada — disse o Dr. Inge — poderá salvar-nos senão as leis e as doutrinas de Cristo”. Trata-se de pessoa muito inteligente, como todos o sabem e algo quase tão importante: é um homem sumamente culto. Muito se aproximou da verdade e no que disse suas palavras expressaram certamente a verdade. 

Mas o Dr. Inge não acrescentou a cláusula suplementar única que teria podido dar a seu pensamento plenitude de sentido. Não acrescentou que uma só instituição conservou uma tradição ininterrupta desse divino ensinamento que com todo acerto presume ser a única e mui necessária medicina para os males modernos. E não disse porque não o crê assim: não crê o Dr. Inge que a Igreja Católica fale com a voz de Cristo, ou que seja a única que possui em si toda a tradição de Cristo. Não obstante o Dr. Inge quedar-se-ia perplexo, como qualquer outro homem, se tivesse que nos dizer quem pode no mundo inteiro reclamar para si este título a não ser a Igreja segundo sua própria definição: una, católica e apostólica. 

Considerai qualquer um dos vários temas principais que moveram atualmente os homens à guerra, para os que já estão combatendo ou prestes a combater. Dai a esses temas a forma de interrogação: “Qual é a doutrina certa sobre a propriedade, dimanada da autoridade de Cristo?” Ou então: “Qual é a doutrina certa sobre o matrimonio?” Ou esta outra pergunta: “Qual a doutrina certa sobre a guerra?” A estas e a todas as principais questões que se proponham obtereis uma resposta com a autoridade da Igreja. Fora da Igreja obtereis uma multidão de contestações contraditórias. Ninguém pode assinalar aqui ou ali uma autoridade final exceto nós católicos quando assinalamos o que aceitamos como filosofia salutar da vida. 

A resposta da Igreja 

Ademais note-se que em toda questão capital cuja resposta seja indispensável para orientar a humanidade, a resposta que a Igreja dá está baseada em diversos princípios que lhe dão seu apoio e impede a falsidade do exagero e a falsidade de tratar matérias universais como se fossem assuntos isolados. Assim, por exemplo, em relação à propriedade, a Igreja afirma o direito de propriedade. Não diz como os comunistas: “a propriedade dos meios de produção é imoral”, mas assenta que a propriedade é uma instituição moral, quer se trate de produtos de consumo ou de bens produtivos. Mas afirma também a Igreja que todo ser humano tem direito a viver de acordo com normas humanas; que todo ser humano tem direito ao que a Igreja chama “pão humano”. Mais ainda: a dignidade humana deve manter-se incólume. A pressão econômica, quando se torna tão opressiva que chega a produzir o que o Papa reinante [Pio XII] descreveu como uma situação “vizinha da escravidão”, é imoral. 

Ainda há mais: a Fé pressupõe uma organização social estável; portanto não concede uma competência irrestrita, desenfreada. A doutrina da Igreja sobre a propriedade apóia-se em toda uma trama de proposições relacionadas entre si e que, aplicadas integralmente, seriam capazes de produzir uma sociedade estável e feliz. 

A família e o Estado 

Tomemos outro ponto análogo. Existe o indivíduo para o Estado ou o Estado para o indivíduo? Em torno desta questão gira todo o conflito entre o despotismo e a liberdade. Também sobre isto a Igreja tem uma resposta perfeitamente clara, mas múltipla. 

O Estado existe para a família, e o Estado existe para melhorar tanto a vida física como a espiritual do indivíduo, e esta ultima sobre tudo. Mas o Estado tem o direito de exigir de seus cidadãos defesa contra a agressão e obediência às leis que sejam razoáveis. A autoridade cívica dimana de Deus, mas o abuso dessa autoridade não vem de Deus. Quando essa autoridade se põe em conflito com a lei de Deus, perde toda sua validez

Nunca a Igreja, em toda a sua longa história, produziu nem inspirou uma sociedade sujeita à tirania como princípio, nem tão pouco produziu uma sociedade em que se negasse a autoridade dos magistrados civis. 

Na raiz de toda sua política e de toda sua educação social encontra-se sua clara doutrina sobre a família, mas da família criada para a salvação do indivíduo

Falsos remédios 

O trágico perigo de nosso tempo está nos falsos remédios, desprovidos de autoridade efetiva, remédios baseados em um princípio insuficiente, remédios derivados de extremismos, que se propõem a curar o padecimento mortal que nos aflige. Sob o capitalismo industrial o homem é vítima da injustiça. Por isto quem está em conflito com a Fé exclama: “Acabemos com a propriedade privada dos meios de produção e desaparecerá a injustiça!” E assim será certamente, mas a troco de sofrer coisa pior que substituirá a propriedade privada. Porque a única alternativa possível da propriedade como instituição social é a escravidão. 

A vida dos casados tem sempre algumas atribulações e às vezes é submetida a provas verdadeiramente trágicas, quase intoleráveis. Quem está em conflito com a Fé exclama: “Acabemos com o matrimonio por meio de um sistema de divórcios fáceis e desaparecerão os males provenientes do matrimonio”. E assim será certamente, mas outros males, muito piores, absolutamente desumanos, aparecerão em lugar do matrimonio abolido, porque estará destruída a célula ou unidade da vida social e isto quer dizer que muito em breve a própria sociedade estará aniquilada.

4 de julho de 2008

Vamos votar contra a “bancada dos fundamentalistas abortistas”

Diletos Amigos

Ontem ocorreu uma nova rodada de debates na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, a respeito do projeto abortista (PL 1135/91). Tal nefando projeto, permitiria o aborto em qualquer etapa da gestação, até mesmo no 9º mês...

Presente ao debate, o deputado José Genoino (PT-SP) disse que vai tentar adiar a votação do PL até depois do recesso de agosto — quando o Supremo Tribunal Federal deve julgar o aborto de fetos anencéfalos. Segundo o deputado, ex-guerrilheiro, a posição do STF poderá ajudar na aprovação do aborto, como ajudou na aprovação das pesquisas com embriões humanos, no catastrófico dia 29 de maio p.p.. Eis a confissão que acabou fazendo o petista José Genoino: “Vou obstruir a votação o máximo que puder, porque a gente perde aqui. Existe uma onda conservadora, fundamentalista no Congresso. E o peso das religiões ainda é grande apesar de sermos um Estado laico”. (Cfr. “Notícias UOL”, 2-7-08).

Sim, deputado, o Estado é laico, mas a laicidade não outorga a ninguém o “direito” de matar inocentes no ventre materno!

Sim, deputado, o Estado é laico, mas a imensa maioria da população brasileira é católica, e o Sr. — se fosse realmente democrático, um autentico representante do povo — deveria não se esquecer dessa maioria!

Sim, deputado, o Estado é laico, mas o Sr. deveria não se esquecer também da histórica sessão ...laica... (no dia 7-5-08), na qual a sua bancada (a “bancada dos fundamentalistas abortistas” ou a “bancada da morte”) foi derrotada por 33 x 0 !!!
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A propósito do debate de ontem, o site “O Globo Online” está promovendo uma enquête, com a seguinte pergunta: “Você é a favor da descriminalização do aborto?”.

A todos defensores da vida inocente convido a entrar no referido site e registrar o seu NÃO !

Quando emiti meu voto, o placar marcava o seguinte resultado:

Você é a favor da descriminalização do aborto?
· Sim 43.62%
· Não 56.38%


A nobre causa contrária ao aborto está ganhando, mas precisamos de uma vitória ainda mais brilhante. Por favor, click no link abaixo e emita o seu voto para derrotar, de modo esmagador, os fundamentalistas defensores da matança de inocentes.

http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/07/03/projeto_que_libera_aborto_provoca_nova_polemica_na_ccj-547086853.asp