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5 de outubro de 2018

Critérios básicos para o voto eleitoral dos católicos

➤  Mons. José Luiz Villac

Pergunta — Venho notando uma tremenda indefinição de meus conhecidos quanto às próximas eleições. Há muita confusão. Para esclarecê-los, tenho procurado falar que devemos escolher candidatos que não defendem projetos ou práticas transgressoras das Leis de Deus. Como eu não consigo ir além, rogo ao Mons. José Luiz a gentileza de uma ajuda para a minha argumentação. Pergunto se realmente a Igreja proíbe aos católicos votar em candidatos que defendem práticas contrárias às Leis de Deus. 

Resposta — Atendo com muito gosto ao pedido do consulente, frisando de antemão que minha resposta não tem nenhum caráter político-partidário; trata-se apenas de uma orientação teórica para as consciências a respeito do reto exercício dos direitos e obrigações dos fiéis na sua participação na vida pública.

Deve-se de início ressaltar que os cidadãos são moralmente corresponsáveis pela sociedade em que vivem, de modo especial numa democracia, na qual são convocados para eleger representantes que irão reger e legislar em seu nome. Não devem esquecer que a finalidade da votação deve ser, em última análise, a promoção do bem comum da sociedade. 

A qualidade de um candidato, seja qual for o cargo público que pleiteie ocupar, não deve ser medida apenas com base em sua personalidade (simpatia, facilidade para falar em público, habilidade em gestão administrativa, etc.), mas também com base na sua personalidade pública: os princípios e os programas que ele pretende desenvolver para promover o bem comum. 


Valores que um candidato não pode desprezar 

A proteção da vida humana inocente 
desde a concepção até a morte natural, 
uma das condições para um católico votar em consciência
O Catecismo da Igreja Católica menciona os componentes essenciais do bem comum: os direitos fundamentais e inalienáveis da pessoa humana (nº 1907); o bem-estar social e o desenvolvimento da sociedade, incluindo a educação, a cultura, o trabalho, a saúde, etc. (nº 1908); a paz e a segurança cidadã (nº 1909). Portanto, a ordem social “tem por base a verdade, constrói-se na justiça e é vivificada pelo amor” (nº 1912). 

Existe uma hierarquia entre esses componentes do bem comum: alguns são essenciais e não negociáveis, outros são contingentes e permitem várias propostas. Logicamente, os valores não negociáveis devem ter primazia nas preferências dos eleitores católicos, porque dizem respeito a valores essenciais da pessoa humana e da vida social, cuja violação é um mal intrínseco e não pode ser justificado por nenhum motivo ou circunstância. A posição de um candidato a respeito dos valores não negociáveis deve ser, portanto, o critério essencial para julgarmos sua aptidão para ocupar um cargo público.

Atualmente os valores não negociáveis para um eleitor católico são:

  • A proteção da vida humana inocente desde a concepção até a morte natural;
  • O reconhecimento e a promoção da estrutura natural da família, baseada no matrimônio indissolúvel entre um homem e uma mulher;
  • A proteção do direito primário dos pais de educar seus filhos (cfr. Papa Bento XVI - discurso a um grupo de parlamentares europeus em 30-3-06). 


Critérios básicos para bem eleger

Reconheço que, para muitos leitores, escolher em quem votar é uma tarefa por vezes difícil. Mas determinar em quem não votar é relativamente fácil, pois são todos os candidatos que promovem o desrespeito e a violação dos mencionados valores não negociáveis. Tais candidatos são inimigos do bem comum, e sua eventual eleição para os cargos que disputam causaria muitos males ao Brasil e aos direitos dos seus habitantes.

Alguém poderia perguntar: Quais são os princípios morais que obrigam os eleitores, em consciência, a excluir do voto os candidatos favoráveis ao aborto, às uniões homossexuais ou à ideologia de gênero? 

O fundamento é triplo. 

Primeiro, porque a regra fundamental da moralidade é fazer o bem e evitar o mal. Mas para isto ser factível é preciso sabermos quais os bens que devem ser procurados e, acima de tudo, os males que devem ser evitados. 

Segundo, porque os critérios que permitem fazer tais discernimentos entre o bem e o mal nos são dados pela moral católica, com base nos Mandamentos de Deus e na Lei natural: “O Deus Criador é, de fato, a única e definitiva fonte da ordem moral no mundo por Ele criado. O homem não pode por si mesmo decidir o que é bom e o que é mau, não pode ‘conhecer o bem e o mal, como Deus’” (João Paulo II, encíclica Dominum et vivificantem, nº 36). 

Segue-se daí, em terceiro lugar, o que escreve São Boaventura: “A consciência é como o arauto de Deus e o seu mensageiro; e o que ela diz não provém dela própria, mas provém de Deus, à semelhança de um arauto quando proclama o edito do rei. Disto deriva o fato de a consciência ter a força de obrigar” (João Paulo II, encíclica Veritatis Splendor, n° 58).

Portanto, os eleitores católicos devem votar de acordo com a sua consciência, mas primeiro formá-la segundo os ensinamentos de Jesus Cristo e do Magistério da Igreja perene. Não devem seguir as modas do mundo, nem as inovações de alguns falsos teólogos descarrilados. 

As leis humanas, de fato, só obrigam em consciência quando são justas. Quando prescrevem algo intrinsecamente imoral, seu cumprimento não é obrigatório, pelo contrário, é pecado obedecê-las (cfr. Atos 5,29). É intrinsecamente injusto (ou seja, é pecado, e pecado grave) elaborar uma lei semelhante ou votar a seu favor. 


Não se pode contribuir com práticas imorais 

Duas condições não negociáveis para se pensar ao votar em alguém: 
o reconhecimento e a promoção da estrutura natural da família, 
baseada no matrimônio indissolúvel entre um homem e uma mulher, 
e a proteção do direito primário dos pais de educar seus filhos.
Alguém poderá objetar como sendo exagerado proibir por tais motivos o voto em candidato que é bom em outras coisas. Respondemos que não é exagerado, porque votar em um candidato que promove a violação dos valores não negociáveis equivale a colaborar formalmente com a prática dos inúmeros pecados que resultarão da aprovação legal de tal violação da ordem moral. Equivale também a contribuir para a deformação moral de toda a população, pois a ordem legal tem natureza pedagógica. 

No caso específico do aborto, votar por um candidato pró-aborto equivale a associar-se ao que já foi qualificado pelo Concílio Vaticano II como crime abominável (Constituição Gaudium et Spes, nº 51). “A Igreja afirmou, desde o século I, a malícia moral de todo o aborto provocado. E esta doutrina não mudou. Continua invariável. O aborto direto, isto é, querido como fim ou como meio, é gravemente contrário à lei moral”, afirma categoricamente o Catecismo da Igreja Católica (n ° 2271). 


Coerência entre vida privada e vida pública 

Além dessas regras gerais de moral, cumpre ainda respeitar algumas normas elementares de prudência na escolha dos candidatos. Tanto mais isso é necessário quando se constata que grande parte dos nossos políticos não é transparente quanto às suas verdadeiras convicções no âmbito da moral, menos até do que no manejo dos fundos públicos. A vida pública nacional tem mostrado claramente isso nos últimos anos. Por isso, recomendo vivamente aos leitores investigar qual é a posição dos candidatos em relação aos valores não negociáveis mencionados acima. Não basta confiar na ideia simplória de que o candidato deve ser bom, se figura na lista do partido no qual se costuma votar. E se algum candidato ainda não manifestou o que pensa sobre o aborto, as uniões homossexuais, a ideologia de gênero, etc, é necessário pedir-lhe que se explique publicamente. 

Devo lembrar que alguns candidatos se afirmam católicos e dizem que se opõem a essas práticas abomináveis, mas na realidade tomaram iniciativas em favor delas; ou também não estão dispostos a apoiar a sua revogação. Recomendo que desconfiem especialmente desses candidatos com posição ambígua ou contraditória, que afirmam distinguir entre sua vida privada e sua vida pública, entre suas opiniões privadas e suas condutas públicas. Porque contradizer na vida pública a fé e a moralidade que se declara ter na vida privada revela, no melhor dos casos, uma espécie de esquizofrenia espiritual, como salientou Bento XVI. Ou senão, um simples abuso da etiqueta de católico para angariar mais votos.

Finalmente, aconselho a todos rezarem a Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, para que nos proteja e impeça que os valores não negociáveis sejam violados na Terra da Santa Cruz.

11 de setembro de 2017

Marido e Esposa: autoridade idêntica na Família?

A instituição primitiva do casamento, deturpado pelo pecado dos homens, Nosso Senhor Jesus Cristo veio restaurá-lo na sua plenitude, elevando-o, além do mais, à condição de sacramento, que transmite a graça e simboliza a união entre Cristo e a Igreja. (Pintura: Casamento da Virgem – detalhe do tríptico do pintor Goswin van der Weyden, que se encontra na Igreja Sint-Gummaruskerk, em Lier (Bélgica).
Um leitor da revista Catolicismo enviou uma pergunta, para ser respondida pelo Monsenhor José Luiz Villac, que muito interessa àqueles que costumam acompanhar os temas deste espaço especialmente apropriado às famílias. Segue a muito instrutiva resposta, publicada na edição deste mês da revista (Edição Nº 801, Setembro/2017).
Pergunta Conversando recentemente com um canonista, ele me disse que, no casal, o marido e a mulher mandam em igualdade de condições. Que nas últimas décadas houve uma evolução no modo de a Igreja considerar a autoridade na família, pelo que a versão mais tradicional, segundo a qual prevalece a autoridade do marido, deu lugar a um conceito mais igualitário. Creio que a última encíclica do Papa Francisco “Amoris Laetitia” trata de algo sobre isto. Será que o Sr. poderia me esclarecer e, se for o caso, inclusive me dizer se existe algum ensino infalível da Igreja sobre esta matéria?
Resposta Para responder com profundidade a essa “polêmica” pergunta do nosso caro missivista — que se situa na contracorrente da escalada feminista na sociedade —, é preciso relembrar, ainda que de modo sucinto, a teologia do matrimônio cristão e da família. 

O casamento foi divinamente instituído para três finalidades elevadas: propagação do gênero humano, educação dos filhos, auxílio mútuo dos esposos. Para assegurar essas altíssimas finalidades, o casamento possui duas características essenciais: a indissolubilidade e a unicidade ou monogamia. 

Assim, através do pacto matrimonial pelo qual os esposos se dão inteiramente um ao outro para formar “uma só carne” (Gn 2, 24), eles são constituídos num estado que pode ser definido como uma união perpétua e exclusiva entre um homem e uma mulher com a finalidade principal de gerar filhos e educá-los, e, secundariamente, para se prestarem mútuo apoio. 

Essa foi a instituição primitiva do casamento. Deturpado pelo pecado dos homens, Nosso Senhor Jesus Cristo veio restaurá-lo na sua plenitude, elevando-o, além do mais, à condição de sacramento, que transmite a graça e simboliza a união entre Cristo e a Igreja. 

Na pequena comunidade que é a sociedade doméstica, Deus estabeleceu, no IV Mandamento da sua Lei, as regras que devem governar as relações entre os pais e os filhos e que Leão XIII assim descreve: “Pelo que respeita aos filhos, devem submeter-se e obedecer a seus pais, honrá-los e venerá-los por dever de consciência, e, por outro lado, os pais devem aplicar todos os seus pensamentos e cuidados em proteger seus filhos e, sobretudo, em educá-los na virtude: ‘Pais [...] educai os vossos filhos na disciplina e nos mandamentos do Senhor' (Ef. 6, 4)” (Enc. Arcanum divinae sapientiae, n° 8). 
O Apóstolo São Paulo na sua Epístola aos Efésios: “Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela [...] Assim os maridos devem amar as suas mulheres, como a seu próprio corpo” (Pintura: Carícia materna – Mary Cassatt, 1896. The Philadelphia Museaum of Art, EUA).

Duas existências numa só 

Mas Deus também estabeleceu as regras que devem governar as relações dos esposos entre si. Quanto à finalidade principal de procriar e educar os filhos, pelo pacto matrimonial os esposos são obrigados ao débito conjugal, conforme ensina São Paulo: “O marido cumpra o seu dever para com a sua esposa e da mesma forma também a esposa o cumpra para com o marido. A mulher não pode dispor de seu corpo: ele pertence ao seu marido. E da mesma forma o marido não pode dispor do seu corpo: ele pertence à sua esposa” (1 Cor 7, 3-4).

As obrigações decorrentes da finalidade secundária, ou seja, o fundir-se de duas existências numa só e o apoio mútuo que marido e mulher devem prestar-se, o mesmo São Paulo as formulou na sua Epístola aos Efésios.

Aos maridos, o Apóstolo diz que eles devem se sacrificar por suas respectivas esposas: “Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela [...] Assim os maridos devem amar as suas mulheres, como a seu próprio corpo. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. Certamente, ninguém jamais aborreceu a sua própria carne; ao contrário, cada qual a alimenta e a trata, como Cristo faz à sua Igreja porque somos membros de seu corpo. Por isso, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois constituirão uma só carne” (5, 25-31). 

E às esposas, São Paulo ensina que devem obedecer aos seus maridos: “As mulheres sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor, pois o marido é o chefe da mulher, como Cristo é o chefe da Igreja, seu corpo, da qual ele é o Salvador. Ora, assim como a Igreja é submissa a Cristo, assim também o sejam em tudo as mulheres a seus maridos” (5, 22-24). 

“Toda a família é uma sociedade” 

Nesse santo consórcio, ao marido cabe a autoridade, porque a força física e de caráter com que Deus dotou o sexo masculino serve de apoio à delicadeza de sua mulher e à fraqueza de seus filhos. À mulher cabe principalmente educar os filhos e influenciar toda a família pela sua delicada sensibilidade de coração, sua dedicação, sua benignidade, seu carinho. 

Em uma das suas alocuções aos recém-casados, de 10 de setembro de 1949, afirma o Papa Pio XII: 
“Toda a família é uma sociedade, e toda a sociedade bem ordenada reclama um chefe, todo o poder de chefe vem de Deus. Portanto, a família que vós fundastes tem também seu chefe, um chefe que Deus investiu de autoridade sobre aquela que se deu a ele para ser sua companheira, e sobre os filhos que virão, pela bênção de Deus, crescer e alegrar a família, tais como os rebentos verdes em torno do tronco de oliveira. Sim, a autoridade do chefe de família vem de Deus, assim como de Deus que Adão recebeu a dignidade e a autoridade de primeiro chefe do gênero humano e todos os dons que ele transmitiu à sua posteridade”

Ele não fazia senão repetir a doutrina salutar reiterada pelo Papa Pio XI na sua famosa encíclica Casti connubii, na qual especifica a “ordem do amor” que deve revestir a hierarquia doméstica: 
“Essa ordem implica de um lado a superioridade do marido sobre a mulher e os filhos, e de outro a pronta sujeição e obediência da mulher, não pela violência, mas como a recomenda o Apóstolo [...] Tal sujeição não nega nem tira à mulher a liberdade a que tem pleno direito, quer pela nobreza da personalidade humana, quer pela missão nobilíssima de esposa, mãe e companheira, nem a obriga a condescender com todos os caprichos do homem, quando não conformes à própria razão ou à dignidade da esposa [...] Se efetivamente o homem é a cabeça, a mulher é o coração; e, se ele tem o primado do governo, também a ela pode e deve atribuir-se como coisa sua o primado do amor. O grau e o modo desta sujeição da mulher ao marido podem variar segundo a variedade das pessoas, dos lugares a dos tempos; e até, se o homem menosprezar o seu dever, compete à mulher supri-lo na direção da família. Mas em nenhum tempo e lugar é lícito subverter ou prejudicar a estrutura essencial da própria família e a sua lei firmemente estabelecida por Deus” (n° 26-27). 
Família na Alemanha do séc. XIX – Ludwig Knaus (1829 – 1910). Märkisches Museum, Berlim.

A família não é uma sociedade igualitária 

A exortação pós-sinodal Amoris laetitia, pelo contrário, saúda a “superação de velhas formas de discriminação e o desenvolvimento de um estilo de reciprocidade” no casamento, afirmando ver nessa superação “a obra do Espírito no reconhecimento mais claro da dignidade da mulher e dos seus direitos”, embora nessa evolução tenham aparecido “formas de feminismo que não podemos considerar adequadas” (n° 54). E acrescenta: “No lar, as decisões não se tomam unilateralmente, e ambos [marido e mulher] compartilham a responsabilidade pela família”. Assim, “em cada nova etapa da vida matrimonial, é preciso sentar-se e negociar novamente os acordos, de modo que não haja vencedores nem vencidos, mas ganhem ambos” (n° 220).

A Exortação apostólica não hesita em “reinterpretar” a epístola do Apóstolo dos Gentios aos Efésios, acima citada. O preceito paulino de que “as mulheres sejam submissas a seus maridos” não significa “submissão sexual”, diz o Papa Francisco. “São Paulo exprime-se em categorias culturais próprias daquela época”; trata-se, segundo ele, apenas de uma “roupagem cultural” que “nós não devemos assumir” (n° 156). 

E para tentar justificar teologicamente esse novo modelo de casamento igualitário, o Papa Francisco se apoia num ensinamento de S.S. João Paulo II, na audiência geral de 11 de agosto de 1982, no qual ele afirma que a comunidade constituída pelos cônjuges “realiza-se por meio de uma recíproca doação, que é também submissão mútua”, porquanto o Apóstolo aconselha: “Submetei-vos uns aos outros” (Ef. 5,21). Seis anos mais tarde, na carta apostólica Mulieris dignitatem, o mesmo Papa afirmou que “enquanto na relação Cristo-Igreja a submissão é só da parte da Igreja, na relação marido-mulher a ’submissão’ não é unilateral, mas recíproca!” (n° 24). 

O grande problema dessa interpretação é que ela não se baseia em nenhum texto escriturário, patrístico ou magisterial, tratando-se, portanto, de uma interpretação puramente pessoal e gratuita, que contradiz o que a Igreja Católica sempre ensinou durante quase dois mil anos. 

O modelo ideal é a família patriarcal 

Em segundo lugar, a expressão “submissão mútua” é um contrassenso, uma contradição nos termos, porque é impossível alguém mandar em outrem e ao mesmo tempo lhe estar submetido a respeito de uma mesma esfera de assuntos. Mesmo imaginando um marido que fosse empregado de sua mulher na vida profissional, não se poderia falar de “submissão mútua”, porque enquanto ele mandaria na casa, a mulher mandaria no escritório, e um seria súdito do outro, mas em momentos e áreas diferentes. 

Além de o versículo 21 (“submetei-vos uns aos outros no temor de Cristo”) constituir uma advertência a toda a comunidade, nele a expressão “uns aos outros” não pode ser entendida como uma reciprocidade de relações pela qual todos se submetem a todos (coisa impossível, como visto), mas antes no sentido de que alguns da comunidade devem se submeter a outros da mesma comunidade (os jovens aos idosos, os discípulos aos mestres, as mulheres aos maridos, os filhos aos pais, etc. todos eles membros da mesma comunidade).

Algo semelhante ocorre na Epístola aos Colossenses, na qual São Paulo exorta: “A palavra de Cristo permaneça entre vós em toda a sua riqueza, de sorte que com toda a sabedoria vos possais instruir e exortar uns aos outros” (3,16). Ora, é sabido que no Novo Testamento o ensino e a exortação são atividades claramente restritas aos detentores dessa missão eclesial. 

Se essas considerações não fossem suficientes, bastaria relembrar a analogia que São Paulo estabelece entre marido e mulher, e Cristo e a Igreja: é inimaginável supor que Nosso Senhor e sua Esposa mística estejam “submetidos um ao outro”! Pelo contrário, ele diz que a mulher deve submeter-se ao marido “em tudo”, como a Igreja é submissa a Cristo. Aliás, se a mulher deve se submeter ao marido em tudo, no que poderia ele ser submisso a ela?

É exercendo sua autoridade que o marido imita Nosso Senhor, o qual, como os Papas João Paulo II e Francisco ressaltaram, “não veio para ser servido, mas para servir, e dar a sua vida em redenção por muitos”, e que, assim fazendo, introduziu um modelo cristão de exercício do poder, radicalmente diferente do pagão. 

Após cinco décadas de igualitarismo no exercício do hoje chamado “poder familiar”, substituto do “pátrio poder” do antigo Código Civil, nunca a família brasileira padeceu semelhante crise, nem o número de divórcios foi tão elevado, com indizível custo psicológico e moral para suas principais vítimas: os filhos.

Somente retornando ao modelo austero e hierárquico da família patriarcal, fundada no matrimônio indissolúvel e na prole numerosa, é que a família brasileira poderá recuperar seu vigor de outrora. 

Que São José, modelo do exercício virtuoso da autoridade paterna na Sagrada Família — onde era menor a outros títulos —, nos ajude nessa obra fundamental de restauração!

2 de maio de 2014

Às vésperas da “Parada homossexual”, uma nota ESCANDALOSA da “Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo”

Numa “Parada homossexual” na Av. Paulista, de modo blasfemo e sacrílego, participantes desfilaram com imagens de santos pintados como se estes fossem homossexuais (destaque na foto), debochando assim de Deus e de seus Santos

Paulo Roberto Campos 

Em muitos meios católicos causou enorme e justificado escândalo a nota publicada pela “Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo” no último dia 30. 

Em apoio ao movimento homossexual, tal nota foi publicada propositalmente às vésperas da “18ª Parada do Orgulho de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais de São Paulo”, que se realizará no próximo domingo, 4 de maio. No final deste post transcrevo a notícia sobre essa vergonhosa nota.(*) 

A propósito da denominação “Parada do Orgulho”, relembro aqui o que afirma a Sagrada Escritura: “O princípio de todo pecado é o orgulho” (Ecl. 10, 15). 

Sirvam estas linhas de reparação a Nosso Senhor Jesus Cristo contra tal “Parada homossexual”, que é da ostentação do “orgulho” (satânico) de se praticar o ato sodomítico — gravíssimo pecado sensual contra a natureza, que o Primeiro Catecismo da Doutrina Cristã classifica como um dos pecados que bradam ao Céu e clamam a Deus por vingança. 

Uma vez que não tive conhecimento de alguma publicação da Arquidiocese de São Paulo, nem da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, desautorizando a escandalosa nota que emitiu apoio ao movimento homossexual, transcrevo a seguir uma excelente matéria que expõe a doutrina verdadeiramente católica a respeito da pecado de homossexualismo. 

Nessa matéria, publicada na revista Catolicismo Nº 553 (Janeiro/1997), o Monsenhor José Luiz Villac, responde a seguinte pergunta: “A imprensa tem tratado com muita frequência do problema da homossexualidade. O Sr. poderia dizer o que ensina a Igreja Católica a respeito, e o que Ela recomenda para a pessoa se afastar desse vício?”

“Com muito gosto me honrarei de dar aos caros leitores alguma orientação sobre o problema da homossexualidade e homossexualismo, assunto tão delicado, mas também tão atual quanto sinistro.

A respeito da homossexualidade, a doutrina católica distingue entre a tendência homossexual(homossexualidade) — que pode ser devida a defeitos genéticos, de educação ou a fatores psicológicos e morais — e a prática homossexual (homossexualismo).

Tendência homossexual
A tendência homossexual é uma paixão, isto é, um apetite desordenado, que já denota um desvio da natureza, pois o instinto sexual normalmente só se manifesta em relação a pessoas de outro sexo, uma vez que foi dado ao homem e à mulher com vista à procriação.

A pessoa que sofre essa tentação — contrária à natureza, é preciso realçar — tem obrigação moral de combatê-la a ferro e fogo, e não consentir absolutamente em nada do que ela pede. Nem por pensamentos, nem por palavras, nem por atos. Se a pessoa assim agir, estará isenta de culpa. É tentação vencida, é vitória alcançada. É aumento em graça e virtude!

A paixão pode solicitar até veementemente para um ato mau, mas se a pessoa tentada não consente, lutando para afastar o mau pensamento e fugindo das ocasiões de queda, não só não comete pecado, mas ganha méritos perante Deus, pela batalha vitoriosa que desenvolve contra as más inclinações que tem dentro de si, triste herança do pecado original.

Como combater essa má tendência
Um dos segredos da vitória nessa matéria está na estratégia do combate aos maus pensamentos.

A batalha contra os maus pensamentos deve começar muito antes que eles despontem na imaginação ou na memória, isto é, muito antes que nasçam na cabeça. A resistência deve começar pelo combate à raiz desses maus pensamentos.

Qual é essa raiz?

Geralmente as pessoas com tendência homossexual são tendentes a uma visão acentuadamente egoísta da vida, de cunho sentimental e romântico. No fundo, gostam de admirar-se, "adorar-se", de se acharem maravilhosas e sublimes, e de se considerarem incompreendidas pelos outros. É com base nessa mentira que, de início até imperceptivelmente, põem-se a procurar uma "alma irmã" que as compreenda. E uma "alma irmã" do mesmo sexo...

Se uma pessoa assim não combate essa auto-contemplação e esse sonho a respeito de sua suposta sublimidade, ela põe o pé na rampa, derrapando depois para todas as desordens monstruosas da vida homossexual. A esse respeito, leia na Sagrada Escritura o que diz São Paulo na Epístola aos Romanos, cap. 1, vers. 21 a 32. É impressionante.

Outro segredo é a fuga das ocasiões próximas de pecado.

Segundo a doutrina católica, há obrigação moral sub-gravi de evitá-las.

Uma ocasião de pecado é próxima quando se percebe que pode levar logo ao pecado. Por exemplo, manter amizade e frequentar rodas de pessoas do mesmo sexo em relação às quais o indivíduo, por um apelo de seus instintos desviados, sente atração homossexual.

Assim, falar de "amizade" entre homossexuais sem temer que acabe, mais cedo ou mais tarde, desfechando no ato abominável, é o mesmo que achar possível brincar de riscar fósforos a dois milímetros da boca aberta de um tonel de gasolina e não prever a explosão. Não é lícito.

Prática homossexual
Por outro lado, a prática homossexual — ou seja, manter relações sexuais com pessoas do mesmo sexo — constitui um pecado abominável aos olhos de Deus, daqueles que a Igreja classifica como "pecados que clamam a Deus por vingança".

De fato, na Sagrada Escritura são várias as condenações explícitas a esse pecado, mostrando eloquentemente a sua ignomínia. Basta citar o proverbial exemplo das cidades de Sodoma e Gomorra, que foram destruídas num apocalíptico dilúvio de fogo vindo do céu, como castigo por esse pecado (Cfr. Gen., cap. 18 e 19). Também no Levítico a condenação ao homossexualismo é clara e radical: "Aquele que pecar com um homem como se fosse mulher, ambos cometem coisa execranda e sejam punidos de morte; o seu sangue caia sobre eles"(20, 13). Existem ainda condenações ao abjeto ato sodomítico em outros livros da Bíblia, que seria supérfluo acrescentar.

Requinte desenfreado de luxúria
Nem sempre a prática homossexual (homossexualismo) deriva de uma tendência (homossexualidade) observada desde a juventude ou mesmo desde a infância. Muitas pessoas se tornam homossexuais por um requinte desenfreado de luxúria. Querem ter novas "experiências" nessa matéria, embora antes fossem perfeitamente normais, ou seja, heterossexuais de tendência e de prática. Isto constitui um pecado ainda mais grave, pois não se trata apenas de uma concessão à tendência desregrada e antinatural que porventura a pessoa já tivesse, mas sim da procura deliberada de um pecado contra a natureza, em busca de novas sensações torpes e vergonhosas, severamente proibidas por Deus.

"Vítima" do homossexualismo
Outras vezes uma pessoa de tendência originária normal, heterossexual, pode ser "forçada" — note bem: forçada — a adotar práticas homossexuais devido a uma permanência prolongada em certos ambientes de baixo nível moral, como penitenciárias, navios em viagens de longo curso, etc. Neste caso o pecado, embora gravíssimo e abominável, pode não ter o mesmo grau de abominação do caso anterior, principalmente se a pessoa for vítima de violência para consentir no ato torpe. Mas deve heroicamente opor toda a resistência possível, sacrificando até a própria vida, a exemplo de uma Santa Inês, de Santa Maria Goretti e de tantos outros heróis da Fé e da Pureza.

As pessoas que adotam práticas homossexuais nestas duas circunstâncias, geralmente ficam sendo taradas bissexuais, ou seja, com tendência e práticas sexuais com pessoas do mesmo sexo e do outro. Neste caso, suas práticas homossexuais constituem pecado gravíssimo contra a natureza, que clamam a Deus por vingança devido ao extremo grau de malícia que lhes é próprio, enquanto as relações heterossexuais, se realizadas fora do casamento, constituem pecado de fornicação ou, mais grave ainda, de adultério.

A importância da oração e dos Sacramentos
Para evitar isso, é preciso pedir a graça de Deus e a especial proteção de Nossa Senhora. O que se consegue rezando e frequentando assiduamente os Sacramentos. Porque, sem o auxílio sobrenatural da graça, nenhum homem é capaz de cumprir estavelmente os Dez Mandamentos, sobretudo o 6º e o 9º, ainda mais no mundo permissivista em que vivemos.

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O Estado de S. Paulo, quinta-feira, 1º de maio de 2014

Comissão da Arquidiocese de SP defende
dignidade de gays

William Castanho e Mônica Reolom — Agência Estado

A Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo publicou nesta quarta-feira, 30, uma nota em “defesa da dignidade, da cidadania e da segurança” dos homossexuais. O texto foi publicado às vésperas da 18ª Parada do Orgulho de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais de São Paulo, que será realizada neste domingo, 4, na Avenida Paulista.

Não podemos nos calar diante da realidade vivenciada por esta população, que é alvo do preconceito e vítima da violação sistemática de seus direitos fundamentais, tais como a saúde, a educação, o trabalho, a moradia, a cultura, entre outros”, afirma, em nota, a entidade da Igreja Católica. A comissão diz também que LGBTs “enfrentam diariamente insuportável violência verbal e física, culminando em assassinatos, que são verdadeiros crimes de ódio”.

A entidade convida “pessoas de boa vontade e, em particular todos os cristãos, a refletirem sobre essa realidade profundamente injusta das pessoas LGBT e a se empenharem ativamente na sua superação, guiados pelo supremo princípio da dignidade humana”. Ainda de acordo com a nota, o posicionamento da entidade, “fiel à sua missão de anunciar e defender os valores evangélicos e civilizatórios dos direitos humanos, fundamenta-se na Constituição Pastoral Gaudium et Spes, aprovada no Concílio Vaticano II: “As alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrais e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo”, diz o documento.

Dar voz — O diretor da Comissão Justiça e Paz da arquidiocese, Geraldo Magela Tardelli, afirmou que esta é a primeira vez que a comissão escreve “formalmente” a favor dos homossexuais. “A comissão tem uma missão, segundo D. Paulo Evaristo Ars: ‘temos que dar voz aqueles que não tem voz’. Neste momento, o que estamos percebendo é que há um crescimento de violência contra homossexuais, então a gente não pode se omitir em relação a essa violação dos direitos humanos”, afirmou o diretor.

Segundo ele, a realização da Parada [homossexual] determinou a divulgação da nota. “Nós achamos que esse era o momento correto de colocar essa nota em circulação. Nós da Igreja estamos engajados na defesa dos direitos humanos e não compactuamos com nenhuma violação, independentemente da cor e da orientação sexual das pessoas”, disse Tardelli.


4 de maio de 2011

Rezemos à Rainha e Padroeira do Brasil para que jamais seja aprovado o “casamento” homossexual


Como prometido no post anterior, segue outra resposta do Mons. José Luiz Marinho Villac sobre o pecado de homossexualismo


PERGUNTA:
No último número de Catolicismo o Sr. abordou o problema da homossexualidade. Ficaram, entretanto, algumas questões pendentes sobre o mesmo assunto. Peço ao Sr. o favor de dar uma orientação a respeito de dois problemas que, segundo creio, ainda não foram tratados.
Em primeiro lugar, embora o homossexualismo seja uma aberração, homossexuais existem. Então qual deve ser a atitude de um católico quando no dia-a-dia encontra uma pessoa com tal vício?
Outro problema é a questão da AIDS. O que pensar sobre essa doença? Como evitá-la?
RESPOSTA:

"Tendo em vista sobretudo o bem das almas, dou aos caros leitores de Catolicismo alguns conselhos sobre a atitude que o bom católico deve tomar em relação aos homossexuais, e alguns esclarecimentos sobre a AIDS.

Como se portar diante de sodomitas? Aí a reta orientação distingue entre a tendência e as práticas homossexuais.

2 de maio de 2011

Prática homossexual: pecado abominável aos olhos de Deus

Pesquisando sobre o tema do post abaixo, encontrei mais duas matérias de autoria do Mons. José Luiz Marinho Villac, respondendo questões e pondo os “pingos nos is” no problema gravíssimo do homossexualismo.
Hoje segue a matéria publicada na revista Catolicismo de janeiro/1997 (sobre a diferença entre tendência homossexual e prática homossexual) e proximamente postarei a de fevereiro/1997.
A pergunta formulada foi a seguinte:
A imprensa tem tratado com muita frequência do problema da homossexualidade. O Sr. poderia dizer o que ensina a Igreja Católica a respeito, e o que Ela recomenda para a pessoa se afastar desse vício?
Eis a sábia resposta do Mons. Villac:

“Com muito gosto me honrarei de dar aos caros leitores alguma orientação sobre o problema da homossexualidade e homossexualismo, assunto tão delicado, mas também tão atual quanto sinistro.

A respeito da homossexualidade, a doutrina católica distingue entre a tendência homossexual (homossexualidade) — que pode ser devida a defeitos genéticos, de educação ou a fatores psicológicos e morais — e a prática homossexual (homossexualismo).

Tendência homossexual
A tendência homossexual é uma paixão, isto é, um apetite desordenado, que já denota um desvio da natureza, pois o instinto sexual normalmente só se manifesta em relação a pessoas de outro sexo, uma vez que foi dado ao homem e à mulher com vista à procriação.

A pessoa que sofre essa tentação — contrária à natureza, é preciso realçar — tem obrigação moral de combatê-la a ferro e fogo, e não consentir absolutamente em nada do que ela pede. Nem por pensamentos, nem por palavras, nem por atos. Se a pessoa assim agir, estará isenta de culpa. É tentação vencida, é vitória alcançada. É aumento em graça e virtude!

A paixão pode solicitar até veementemente para um ato mau, mas se a pessoa tentada não consente, lutando para afastar o mau pensamento e fugindo das ocasiões de queda, não só não comete pecado, mas ganha méritos perante Deus, pela batalha vitoriosa que desenvolve contra as más inclinações que tem dentro de si, triste herança do pecado original.

Como combater essa má tendência
Um dos segredos da vitória nessa matéria está na estratégia do combate aos maus pensamentos.

A batalha contra os maus pensamentos deve começar muito antes que eles despontem na imaginação ou na memória, isto é, muito antes que nasçam na cabeça. A resistência deve começar pelo combate à raiz desses maus pensamentos.

Qual é essa raiz?

Geralmente as pessoas com tendência homossexual são tendentes a uma visão acentuadamente egoísta da vida, de cunho sentimental e romântico. No fundo, gostam de admirar-se, "adorar-se", de se acharem maravilhosas e sublimes, e de se considerarem incompreendidas pelos outros. É com base nessa mentira que, de início até imperceptivelmente, põem-se a procurar uma "alma irmã" que as compreenda. E uma "alma irmã" do mesmo sexo...

Se uma pessoa assim não combate essa auto-contemplação e esse sonho a respeito de sua suposta sublimidade, ela põe o pé na rampa, derrapando depois para todas as desordens monstruosas da vida homossexual. A esse respeito, leia na Sagrada Escritura o que diz São Paulo na Epístola aos Romanos, cap. 1, vers. 21 a 32. É impressionante.

Outro segredo é a fuga das ocasiões próximas de pecado.

Segundo a doutrina católica, há obrigação moral sub-gravi de evitá-las.

Uma ocasião de pecado é próxima quando se percebe que pode levar logo ao pecado. Por exemplo, manter amizade e frequentar rodas de pessoas do mesmo sexo em relação às quais o indivíduo, por um apelo de seus instintos desviados, sente atração homossexual.

Assim, falar de "amizade" entre homossexuais sem temer que acabe, mais cedo ou mais tarde, desfechando no ato abominável, é o mesmo que achar possível brincar de riscar fósforos a dois milímetros da boca aberta de um tonel de gasolina e não prever a explosão. Não é lícito.

Prática homossexual
Por outro lado, a prática homossexual — ou seja, manter relações sexuais com pessoas do mesmo sexo — constitui um pecado abominável aos olhos de Deus, daqueles que a Igreja classifica como "pecados que clamam a Deus por vingança".

De fato, na Sagrada Escritura são várias as condenações explícitas a esse pecado, mostrando eloquentemente a sua ignomínia. Basta citar o proverbial exemplo das cidades de Sodoma e Gomorra, que foram destruídas num apocalíptico dilúvio de fogo vindo do céu, como castigo por esse pecado (Cfr. Gen., cap. 18 e 19). Também no Levítico a condenação ao homossexualismo é clara e radical: "Aquele que pecar com um homem como se fosse mulher, ambos cometem coisa execranda e sejam punidos de morte; o seu sangue caia sobre eles" (20, 13). Existem ainda condenações ao abjeto ato sodomítico em outros livros da Bíblia, que seria supérfluo acrescentar.

Requinte desenfreado de luxúria
Nem sempre a prática homossexual (homossexualismo) deriva de uma tendência (homossexualidade) observada desde a juventude ou mesmo desde a infância. Muitas pessoas se tornam homossexuais por um requinte desenfreado de luxúria. Querem ter novas "experiências" nessa matéria, embora antes fossem perfeitamente normais, ou seja, heterossexuais de tendência e de prática. Isto constitui um pecado ainda mais grave, pois não se trata apenas de uma concessão à tendência desregrada e antinatural que porventura a pessoa já tivesse, mas sim da procura deliberada de um pecado contra a natureza, em busca de novas sensações torpes e vergonhosas, severamente proibidas por Deus.

"Vítima" do homossexualismo
Outras vezes uma pessoa de tendência originária normal, heterossexual, pode ser "forçada" — note bem: forçada — a adotar práticas homossexuais devido a uma permanência prolongada em certos ambientes de baixo nível moral, como penitenciárias, navios em viagens de longo curso, etc. Neste caso o pecado, embora gravíssimo e abominável, pode não ter o mesmo grau de abominação do caso anterior, principalmente se a pessoa for vítima de violência para consentir no ato torpe. Mas deve heroicamente opor toda a resistência possível, sacrificando até a própria vida, a exemplo de uma Santa Inês, de Santa Maria Goretti e de tantos outros heróis da Fé e da Pureza.

As pessoas que adotam práticas homossexuais nestas duas circunstâncias, geralmente ficam sendo taradas bissexuais, ou seja, com tendência e práticas sexuais com pessoas do mesmo sexo e do outro. Neste caso, suas práticas homossexuais constituem pecado gravíssimo contra a natureza, que clamam a Deus por vingança devido ao extremo grau de malícia que lhes é próprio, enquanto as relações heterossexuais, se realizadas fora do casamento, constituem pecado de fornicação ou, mais grave ainda, de adultério.

A importância da oração e dos Sacramentos
Para evitar isso, é preciso pedir a graça de Deus e a especial proteção de Nossa Senhora. O que se consegue rezando e frequentando assiduamente os Sacramentos. Porque, sem o auxílio sobrenatural da graça, nenhum homem é capaz de cumprir estavelmente os Dez Mandamentos, sobretudo o 6º e o 9º, ainda mais no mundo permissivista em que vivemos.

27 de abril de 2011

A repugnância de Deus ao pecado de homossexualismo

“Deus condenou à destruição e reduziu a cinzas as cidades de Sodoma e Gomorra para servir de exemplo para os ímpios do porvir”. (Epístola de S. Pedro)


Através do e-mail disponível neste blog, recebi algumas indagações relacionadas ao pecado de homossexualismo — mais ou menos semelhantes a estas abaixo —, às quais este “blogueiro” não soube responder com precisão. Para esclarecer tais perguntas, nada melhor que um douto sacerdote: o Mons. José Luiz Marinho Villac [foto abaixo], colaborador do mensário Catolicismo. Nessa revista (edição Nº 724/abril/2011), ele elucida a questão expondo algumas noções básicas, que cada um poderá aplicar nos confrontos quotidianos que venham a ter sobre o assunto.

1. Gostaria de conhecer a posição da Igreja Católica a respeito do homossexualismo, onde posso encontrar respaldo nas Escrituras e no Código de Direito Canônico, para um possível debate;
2. Que atitudes a Igreja manda tomar quando me vir de frente com tal situação, especialmente na família: posso recebê-los em minha casa normalmente?
3. Que atitude, pensamento e palavra devo ter, ao me deparar com tal situação?

Resposta — O tema é dos mais atuais, pois a senadora Suplicy desengavetou o projeto contra a homofobia, que em 2006 fora apresentado na Câmara pela deputada petista Iara Bernardi e agora está no Senado. Ademais, os partidários da propagação do pecado nefando estão tomando uma posição cada vez mais agressiva. Assim, se os defenso-res da boa posição moral não se mantiverem alertas, podem ser pegos de surpresa por certas manobras sorrateiras para impor — “democraticamente” (?!) — ideologias contrárias ao pensamento geral da opinião pública, como já tem acontecido no Brasil e no mundo. O leitor faz bem, portanto, de se preparar para eventual tomada de posição nos círculos familiares e um possível debate em âmbitos mais extensos.

Caso conhecidíssimo narrado nas Escrituras
Embora o caso de Sodoma e Gomorra, narrado no livro do Gênesis, seja muito conhecido, convém recordá-lo aqui para quem não o tenha à mão.

Deus apareceu a Abraão, junto com dois anjos (todos em forma humana), e lhe anunciou que, apesar da avançada idade, ele teria um filho. Abraão acolheu-os e fez com que Sara, sua mulher, lhes desse de beber e comer. E tendo sido servidos, levantaram-se todos e “voltaram os olhos para Sodoma; e Abraão ia com eles, acompanhando-os. E o Senhor disse [para Si mesmo]: Acaso poderei eu ocultar a Abraão o que estou para fazer, visto que ele há de vir a ser pai de uma nação numerosíssima e poderosíssima, e que todas as nações da Terra hão de ser benditas nele? [...] Disse, pois, o Senhor: O clamor de Sodoma e Gomorra aumentou, e o seu pecado agravou-se extraordinariamente” (Gen. 18,16-20).

Os dois anjos prosseguem o caminho até Sodoma, e Abraão fica com o Senhor. Entendendo que Deus iria castigar a cidade, onde residia seu sobrinho Lot, Abraão procura salvá-lo. A cena é comovedora. Diz Abraão ao Senhor: “Perderás tu o justo com o ímpio? Se houver cinquenta justos na cidade, perecerão todos juntos? E não perdoarás aquele lugar por causa dos cinquenta justos, se os houver? [...] E o Senhor disse-lhe: Se eu achar no meio da cidade cinquenta justos, perdoarei por amor deles toda a cidade” (Gen. 18,23-26). Abraão percebe que jogou alto demais, e vai rebaixando o número de justos de 50 para 45, depois para 40, depois para 30, para 20 e chega até 10!... “E o Senhor disse: Não a destruirei por amor aos dez. O Senhor retirou-se, depois que cessou de falar com Abraão e Abraão voltou para a sua tenda” (Gen. 18,32-33). Abraão compreendeu que sua intercessão fora infrutífera, não pela falta de desejo do Senhor em atendê-lo, mas porque não havia sequer dez justos em Sodoma...

“À tarde, chegaram os dois anjos a Sodoma, quando Lot estava sentado às portas da cidade. E ele, tendo-os visto, levantou-se, e foi ao seu encontro, prostrou-se por terra e [...] instou com eles para que fossem à sua casa; e depois que entraram, preparou-lhes um banquete, e fez cozer uns pães ázimos, e eles comeram. Mas antes que fossem deitar, os homens da cidade, desde os jovens até os velhos, e todo o povo junto com eles, cercaram a casa. E chamaram por Lot e disseram-lhe: Onde estão aqueles homens que entraram em tua casa ao cair da noite? Faze-os sair para que os conheçamos” (Gen. 19,1-5). Linguagem cheia de pudor da Bíblia para indicar que queriam abusar deles. Lot sai, e tenta dialogar com os facínoras, alegando o direito de proteção aos hóspedes, ao qual estava obrigado. Chega ao extremo de oferecer suas filhas. É maltratado pela turba, que queria mesmo os homens... Tentam arrombar a porta, quan-do os anjos puxam Lot para dentro, e fecham a porta. “E [os anjos] feriram de cegueira os que estavam fora, desde o menor até o maior, de sorte que não podiam encontrar a porta” (Gen. 19,11). Lot e os seus estavam, de momento, salvos.


Não obstante, Lot move-se com displicência...
Segue-se uma batalha inesperada: a dos anjos para retirar Lot e os seus da cidade maldita... “E disseram a Lot: Tens aqui alguns dos teus? Genro ou filho, ou filhas, faze sair desta cidade todos os que te pertencem, porque nós vamos destruir este lugar, visto que o clamor [dos seus crimes] aumentou diante do Senhor, o qual nos enviou para que os exterminemos” (Gen. 19,12-13).

Lot sai para buscar os genros que estavam para se casar com suas filhas, mas estes tomaram o aviso como se Lot estivesse zombando deles. O próprio Lot movia-se com displicência: “Ao amanhecer, instavam os anjos com Lot dizendo: Levanta-te, toma tua mulher e as duas filhas que tens; não suceda que também pereças na ruína da cidade. E como ele hesitasse, pegaram pela mão a ele, a sua mulher e as suas filhas, porque o Senhor queria salvá-lo. E o tiraram de casa, e o puseram fora da cidade; e aí lhe falaram, dizendo: Salva a tua vida; não olhes para trás, e não pares em parte alguma dos arredores deste país; mas salva-te no monte, para que não pereças com os outros” (Gen. 19,15-17). Lot ainda contemporiza e pede para ir para uma pequena cidade próxima, onde diz que se sentiria mais seguro. “E o Senhor disse-lhe: Eis que, ainda nisso, eu ouvi os teus rogos, para não destruir a cidade a favor da qual me falaste. Apressa-te e salva-te lá, porque não poderei fazer nada enquanto tu lá não tiveres entrado” (Gen. 19,21-22). “E o sol levantou-se sobre a Terra, quando Lot entrou em Segor [a pequena cidade, da qual falara]. Fez pois o Senhor chover sobre Sodoma e Gomorra enxofre e fogo do céu, [vindo] do Senhor; e destruiu estas cidades, e todo o país em roda, todos os habitantes das cidades, e toda a verdura da terra. E a mulher de Lot, tendo olhado para trás, ficou convertida numa estátua de sal” (Gen. 19,24-26).

Destruição de Sodoma e Gomorra
John Martin, séc. XIX. 
Laing Art Gallery, Newcastle

Sodama e Gomorra são, pois, casos paradigmáticos da aversão de Deus ao pecado de homossexualismo, que na lei mosaica era castigado com a morte (cfr. Lev. 18,22;20,13; Deut. 23, 18-19).


Entretanto, se algum sacerdote ler estes trechos no púlpito (hoje lamentavelmente abandonado) de alguma igreja, poderá ser acusado de homofobia e ir para a cadeia, caso o projeto que mencionamos de início seja aprovado...

Pecado que brada aos Céus por vingança
Tampouco o Novo Testamento é menos radical na condenação da prática do homossexualismo. São Paulo afirma claramente que os sodomitas não entrarão no Reino dos Céus: “Porventura não sabeis que os injustos não possuirão o Reino de Deus? Não vos enganeis: nem os fornicadores, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os que se dão à embriaguez, nem os maldizentes, nem os roubadores possuirão o Reino de Deus” (I Cor. 6,9-10). Ver também I Tim. 1,8-11.

Por isso o Primeiro Catecismo da Doutrina Cristã enumera, entre os pecados que bradam ao Céu e pedem por vingança de Deus, o “pecado sensual contra a natureza” (Editora Vozes, Petrópolis, 1951, p. 25). É assim que é designado, na Moral católica, o pecado de homossexualismo.

O tema é extenso e não cabe nos limites desta coluna. Sem dúvida, a constituição física de determinadas pessoas as pode inclinar afetivamente para outras do mesmo sexo. Elas não são culpadas por isso, mas incumbe-lhes a mesma obrigação de castidade. E com a ajuda da graça de Deus, obtida pela oração, frequência aos sacramentos e fuga das ocasiões, elas podem coibir os movimentos desordenados de sua predisposição física e manterem-se castas.

É claro que as pessoas da família, sobretudo os pais, devem ajudá-las e tratá-las com caridade — o que não significa tolerar qualquer infração do 6° Mandamento da Lei de Deus, o qual obriga à castidade.

Se, em outra hipótese, essa tendência antinatural decorrer de uma educação mal orientada ou de um ambiente viciado, elas devem ser corrigidas também com os desvelos da caridade cristã, mas sem fraquezas nem condescendência alguma relativa às práticas contrárias à natureza.

Contudo, para os que se entregam a esses atos — e são muitíssimos —, vale o julgamento terrível do Catecismo, há pouco lembrado: eles bradam ao Céu e atraem a cólera de Deus. O exemplo da destruição de Sodoma e Gomorra está aí para ser sempre lembrado...

Espero que os lineamentos gerais da questão, aqui apresentados de forma muito sumária, ajudem o missivista a encontrar por si a solução das situações concretas com que venha a se defrontar.
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