Mostrando postagens com marcador Vocação do Brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Vocação do Brasil. Mostrar todas as postagens

6 de setembro de 2026

Emanação de uma grandeza que remete a deslumbrante futuro nas vias de Deus

 


  Plinio Corrêa de Oliveira

O Ipiranga, dentro de certas limitações, em determinados momentos toca o meu firmamento interior, mas compreendo que não seja assim para todos. 

Em alguns momentos, nota-se ali certa grandeza. Objetivamente falando, tem certa fisionomia de grandeza, que eu definiria assim: uma grandeza de poder que é constituída por uma espécie de autoafirmação de si mesmo, independente do concurso do que quer que seja.

Tendo-se passado naquele lugar o que se passou — ou seja, o fato histórico da Proclamação da Independência do Brasil —, que pode ser apreciado diversamente, mas que tem o aspecto positivo de que ali nasceu uma nação. Historicamente incontestável, embora se possa julgar os fatos diferentemente. 

No local há uma como que emanação de grandeza que provém do conjunto. O prédio e o parque têm certa grandeza, não apenas fisicamente. 

Há algo além do que ambientes e costumes que me causa uma ressonância interna no sentido de que essa grandeza remete para um futuro deslumbrante nas vias de Deus que ali se realizará e que corresponde a um anseio de caráter sobrenatural que há nas almas. 

De um plano natural e histórico, há uma transferência para um plano profético que vai muito além. Dir-se-ia que coortes de anjos pairam naqueles horizontes. 

As pessoas acabam percebendo que algo diz o seguinte: “Você é filho desta Pátria, mas ela é mais do que ela mesma. Ela é uma grandeza como que baixada do Céu e em face da qual você tem uma participação e um dever. Viva para isso.” 

Essa participação e esse dever são de caráter fundamentalmente religioso, de Cruzada, de expansão da Fé pelo mundo, da missão de estimular todo o bem e reprimir toda forma de mal. É um convite a cada um a ser fiel, e assim, na hora da morte, vai sentir um ósculo de Deus, como que confirmando a grandeza em função da qual fomos criados. 
____________ 
Excertos da gravação de uma conversa com o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 20 de agosto de 1993. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.

11 de outubro de 2025

Região de Aparecida do Norte no futuro



✅  Plinio Corrêa de Oliveira 

É bonito imaginar como será a Basílica de Nossa Senhora Aparecida, quando for instaurado o Reino de Maria, sobre o qual fala São Luís Grignion de Montfort. Que honra, que pompa, que grandeza, que nobreza, que elevação essa basílica deverá ter! 

Podemos imaginar uma grande conjunção de ordens religiosas contemplativas estabelecidas naquela região de Aparecida do Norte, grandes confessores que ali fossem atender confissões para fazer bem às almas, bem como centros especiais de cursos para intensificação da devoção mariana. Enfim, quanta e quanta coisa! 

São desejos que não estão no reino dos sonhos. Estão no reino dos ideais. Nós, que confiamos na Providência Divina, sabemos bem a diferença que há entre um sonho e um ideal. Para o homem que não confia na Providência, todo ideal não é senão um sonho. Para o que confia, muita coisa que parece sonho é um ideal realizável. 

Devemos esperar que Ela realize tais fatos, e fazer tudo para apressar esse dia — dia da constituição naquela localidade de uma ordem de coisas como deve ser, sintoma da remodelação de todas as coisas no Brasil e no mundo, para o cumprimento da promessa de Nossa Senhora em Fátima: ‘Por fim o meu Imaculado Coração triunfará’

É para o triunfo do reinado do Coração Imaculado de Maria — que no Brasil se apresenta sob a devoção a Nossa Senhora Aparecida — que devemos rezar. 
Trecho do rio Paraíba do Sul onde a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada pelos três pescadores, em 1717

8 de setembro de 2025

BRASIL SOB ESPECIAL PROTEÇÃO DE SÃO MIGUEL ARCANJO

 


    ✅ Oscar Vidal

Em sessão solene no Congresso Nacional, um fato simbólico, transcendental e surpreendente: consagração do Brasil a São Miguel Arcanjo. 

No dia 12 de agosto, no plenário da Câmara dos Deputados, na presença de autoridades civis, militares e eclesiásticas, a imagem peregrina oficial do Arcanjo — proveniente do santuário do Monte Gargano, na Itália — foi coroada e aclamada como máximo “Comandante Espiritual da Nação Brasileira”. A coroa foi levada pelo Pe. Reni Nogueira dos Santos, capelão do Comando Militar do Sudeste. 

Dom Devair Araújo Fonseca, Bispo de Piracicaba, dirigiu a consagração e a súplica pedindo a São Miguel que assumisse a defesa do Brasil. 

A deputada Simone Marquetto (MDB-SP), promotora da cerimônia, recordou que o País teve como início a celebração de uma Missa e que precisamos de uma restauração da fé católica nos espaços públicos. Ela ofereceu uma espada à imagem de São Miguel, como símbolo de sua defesa aos brasileiros, afirmando: “Com essa espada, símbolo da autoridade e da justiça, confiamos a vós a guarda do Brasil, para que se erga contra as forças do mal e seja luz entre as nações.” 

A Irmã Maria Raquel, uma das fundadoras do Instituto Hesed, comovida, disse: “Isto não é teatro, mas um gesto concreto que marcará a história do Brasil. É o socorro do Céu que vem em nosso auxílio.” 

Na mesma sessão houve a entrada, com honras militares, de uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, como “Rainha, Padroeira e Generalíssima do Brasil”, como também com honras militares foi a entrada triunfal da imagem do Arcanjo. 

Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados



Para aqueles que desejarem se consagrar ao Arcanjo São Miguel, individualmente ou em família, segue uma breve fórmula de consagração escrita pelo seu grande devoto São Francisco de Sales, Doutor da Igreja. 

Esse Arcanjo é o Príncipe da Milícia Celeste. Ele pode nos proteger contra as ações dos espíritos malignos que continuamente agem para perder as almas, sobretudo se rezarmos pedindo a intercessão da Santíssima Virgem, Rainha da Corte Celeste, que recebeu de Deus o poder e a missão de esmagar a cabeça da serpente infernal. 



CONSAGRAÇÃO A SÃO MIGUEL ARCANJO 


Ó grande Príncipe do Céu, fidelíssimo guardião da Igreja, São Miguel Arcanjo, eu, embora muito indigno de aparecer diante de vós, cheio de confiança em vossa bondade e em vossa poderosa proteção, apresento-me e me consagro a vós. 

Coloco-me a mim mesmo, a minha família e tudo o que me pertence sob a vossa proteção poderosa. É pequena a oferta que vos faço, sendo eu miserável pecador, mas vós enalteceis o afeto do meu coração. Lembrai-vos que, doravante, estou debaixo do vosso patrocínio; deveis assistir-me em toda a minha vida e obter-me o perdão dos meus muitos e graves pecados, a graça de amar de todo o coração o meu Deus, o meu dulcíssimo Salvador Jesus Cristo, e a minha Mãe Maria Santíssima. 

Obtende-me aqueles auxílios que me são necessários para alcançar a coroa da eterna glória. Defendei-me dos inimigos da alma, especialmente na hora da morte. Vinde então, ó príncipe gloriosíssimo, assisti-me na última luta, e com a vossa arma poderosa, lançai para longe, precipitando nos abismos do inferno, aquele anjo quebrador de promessas e soberbo que um dia prostrastes no combate no Céu. 

São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, para que não pereçamos no dia do juízo. 

Amém!

6 de setembro de 2025

O IPIRANGA E OS PLANOS DE DEUS PARA O BRASIL



Neste dia 7 de setembro completam-se 130 anos da inauguração do Museu do Ipiranga. Também conhecido como Museu Paulista, tem como nome oficial "Museu Paulista da Universidade de São Paulo". 

Oficialmente inaugurado em 7 de setembro de 1895, é o museu mais antigo da cidade de São Paulo, um dos mais visitados e dos mais belos da capital, assim como seu monumental parque. 

Naquele local, em 1822, foi proclamada a Independência do Brasil pelo Imperador Dom Pedro I. 

Em memória dessa efeméride segue um comentário de Plinio Corrêa de Oliveira em 20 de agosto de 1993: 


O prédio do Ipiranga, dentro de certas limitações, em determinados momentos me toca muito, pois representa uma certa grandeza verdadeira, não subjetiva. 

Objetivamente falando, o edifício tem certa forma de grandeza que eu definiria como uma grandeza de poder, por uma espécie de autoafirmação de si mesmo. 

Tendo-se passado no Ipiranga o fato da proclamação da Independência — que pode ser apreciado diversamente —, ali nasceu uma nação. Isso é historicamente incontestável. 

No Ipiranga há uma como que emanação de grandeza que provém de todas as coisas que o compõem. O prédio é grande não apenas fisicamente, mas tem certa grandeza. O parque não é apenas grande, mas tem certa grandeza. 

Isto se deduz por imponderáveis, não por uma análise de ambientes e costumes do Ipiranga. Há ali algo de mais alto que traz consigo uma ressonância, uma grandeza e um futuro que correspondem a um certo anseio de caráter sobrenatural, de uma esperança de algo enorme nas vias de Deus que se realizará. 

Assim, de um plano natural consideramos um plano histórico e discernimos um plano profético que vai muito além do natural e histórico. 

Olhando para os alentours do Ipiranga tem-se a impressão de que o horizonte é grande, o ar é puro e que coisas enormes — dir-se-iam coortes de anjos — aguardam o olhar por toda a parte. 

Minha impressão é de que todo o mundo, ainda que não seja brasileiro, acaba percebendo isto e é levado a dizer: “Você é filho dessa Pátria, mas essa Pátria é mais do que ela mesma. Ela tem em si uma grandeza como que baixada do Céu e em face da qual você tem uma participação e um dever. Viva para isto”. 

Essa participação e esse dever são de caráter fundamentalmente religioso, e com uma nota de Cruzada, de expansão da Fé pelo mundo, de domínio exercido sobre uma grande área da Terra para favorecer e estimular todo o bem, e perseguir e reprimir toda forma de mal.

22 de abril de 2025

525 anos da descoberta do Brasil — Missão grandiosa de um dos maiores povos da Terra


Desembarque de Cabral em Porto Seguro. Óleo sobre tela de Oscar Pereira da Silva (1904). Acervo do Museu Histórico Nacional (RJ)

  Paulo Roberto Campos 

O histórico dia 22 de abril de 1500 estava nos planos de Deus para ser a data do nascimento de um país-continente, que imaginaram ser uma ilha — donde o primeiro nome de nossa Pátria: Ilha de Vera Cruz. Depois, Terra de Vera Cruz e mais tarde adequadamente denominado Terra de Santa Cruz.

Estava atingida a meta da viagem ultramarina — incentivada pelo Rei Dom Manuel I, “O Venturoso” — com a descoberta pelos heroicos portugueses sob o comando do fidalgo Pedro Alvares Cabral. Eles aqui aportaram, no período pascal, com suas caravelas ostentando os estandartes da Ordem de Cristo.

Mais de três séculos antes, numa visão que Nosso Senhor Jesus Cristo concedeu ao primeiro Rei de Portugal, Dom Afonso Henriques (1109 – 1185) — o “Rei Fundador”, também cognominado “O Conquistador” — foi revelada a grandeza da missão da nação lusitana com a expansão marítima, a dilatação da Fé Católica pelo mundo e o descobrimento do Brasil, selado com a celebração da Primeira Missa na “Ilha” no dia 26 de abril, pelo franciscano Frei Henrique de Coimbra. 
Primeira Missa no Brasil – Victor Meirelles (1860), Museu de Belas Artes

Para marcar esse portentoso acontecimento de exatos 525 atrás, transcrevo trechos de um discurso antológico.* Ele foi proferido por Plinio Corrêa de Oliveira, no encerramento do IV Congresso Eucarístico Nacional, no dia 7 de setembro de 1942, no Vale do Anhangabaú (capital paulista), para uma multidão de mais de meio-milhão de pessoas [foto abaixo]. 

Seguem alguns trechos desse memorável discurso do Prof. Plinio sobre a grandiosa vocação do povo brasileiro. 



O grande celeiro da Igreja e da Civilização 


“No curso já quatro vezes secular da História do Brasil, jamais se reuniu assembleia mais solene e ilustre que esta. No momento em que a vida nacional caminha para rumos definitivos, quis a Divina Providência reunir em pleno coração de São Paulo os elementos representativos de tudo quanto fomos e somos, de todas as glórias de nosso passado e de nossas melhores esperanças para o futuro. [...] 

Senhores, é hoje o dia 7 de setembro. A data é expressiva, e estou absolutamente certo de que um imenso clamor se levantará neste glorioso dia, transpondo os limites do Estado e do País, para notificar ao mundo inteiro que, como um só homem, o Brasil se ergue contra o imperialismo nazista pagão que trama sua ruína e parece ter chamado a si, exatamente como seu sósia vermelho de Moscou, a diabólica empreitada de destruir a Igreja em todo o mundo. 

Contra os inimigos da Pátria que estremecemos, e de Cristo que adoramos, os católicos brasileiros saberão mostrar sempre uma invencível resistência. Loucos e temerários! Mais fácil vos seria arrancar de nosso céu o Cruzeiro do Sul, do que arrancar a soberania e a Fé a um povo fiel a Cristo, e que colocará sempre seu mais alto título de ufania em uma adesão filialmente obediente e entusiasticamente vigorosa à Cátedra de São Pedro. [...] 

“Os mares parecem cantar a glória futura de um dos maiores povos da Terra”

Talvez não fosse ousado afirmar que Deus colocou os povos de sua eleição em panoramas adequados à realização dos grandes destinos a que os chama. E não há quem, viajando por nosso Brasil, não experimente a confusa impressão de que Deus destinou para teatro de grandes feitos este País, cujas montanhas trágicas e misteriosas penedias parecem convidar o homem às supremas afoitezas do heroísmo cristão, cujas verdejantes planícies parecem querer inspirar o surto de novas escolas artísticas e literárias, de novas formas e tipos de belezas, e na orla de cujo litoral os mares parecem cantar a glória futura de um dos maiores povos da Terra. 

“As montanhas trágicas e misteriosas penedias parecem convidar o homem às supremas afoitezas do heroísmo cristão”

Quando nosso poeta cantava que "nossa terra tem palmeiras onde canta o sabiá, e as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá”, percebeu, talvez confusamente, que a Providência depositou na natureza brasileira a promessa de um porvir igual ao dos maiores povos da Terra. 

E hoje, que o Brasil emerge de sua adolescência para a maturidade, e titubeia nas mãos da velha Europa o cetro da cultura cristã que o totalitarismo quereria destruir, aos olhos de todos se patenteia que os países católicos da América são na realidade o grande celeiro da Igreja e da Civilização, o terreno fecundo onde poderão reflorir, com brilho maior do que nunca, as plantas que a barbárie devasta no velho mundo. A América inteira é uma constelação de povos irmãos. Nessa constelação, inútil é dizer que as dimensões materiais do Brasil são uma figura da magnitude de seu papel providencial. 

Tempo houve em que a História do mundo se pôde intitular 'Gesta Dei per Francos'. Dia virá em que se escreverá 'Gesta Dei per brasilienses' — as ações de Deus pelos brasileiros.

A missão providencial do Brasil consiste em crescer dentro de suas próprias fronteiras, em desdobrar aqui os esplendores de uma civilização genuinamente católica, apostólica, romana, e em iluminar amorosamente todo o mundo com o facho desta grande luz, que será verdadeiramente o 'lumen Christ' que a Igreja irradia. Nossa índole meiga e hospitaleira, a pluralidade das raças que aqui vivem em fraternal harmonia, o concurso providencial dos imigrantes que tão intimamente se inseriram na vida nacional, e mais do que tudo as normas do Santo Evangelho, jamais farão de nossos anseios de grandeza um pretexto para jacobinismos tacanhos, para racismos estultos, para imperialismos criminosos. Se algum dia o Brasil for grande, sê-lo-á para bem do mundo inteiro. 

'Sejam entre vós os que governam como os que obedecem', diz o Redentor. O Brasil não será grande pela conquista, mas pela Fé; não será rico pelo dinheiro tanto quanto pela generosidade. Realmente, se soubermos ser fiéis à Roma dos Papas, poderá nossa cidade ser uma nova Jerusalém, de beleza perfeita, honra, glória e gáudio do mundo inteiro. [...] 

Plinio Corrêa de Oliveira,
então com 34 anos, discursa
na sessão de encerramento do
Congresso Eucarístico de 1942.
Em um Brasil imensamente rico, vereis florescer um povo imensamente rico, vereis florescer um povo imensamente grande, porque dele se poderá dizer: 

Bem-aventurado este povo sóbrio e desapegado, no esplendor embora de sua riqueza, porque dele é o reino dos Céus. 

Bem-aventurado este povo generoso e acolhedor, que ama a paz mais do que as riquezas, porque ele possui a Terra. 

Bem-aventurado este povo de coração sensível ao amor e às dores do Homem-Deus, às dores e ao amor de seu próximo, porque nisto mesmo encontrará sua consolação. 

Bem-aventurado este povo varonil e forte, intrépido e corajoso, faminto e sedento das virtudes heroicas e totais, porque será saciado em seu apetite de santidade e grandeza sobrenatural. 

Bem-aventurado este povo misericordioso, porque ele alcançará misericórdia.


Bem-aventurado este povo casto e limpo de coração, bem aventurada a inviolável pureza de suas famílias cristãs, porque verá a Deus. 

Bem-aventurado este povo pacífico, de idealismo limpo de jacobismos e racismos, porque será chamado filho de Deus. 

Bem-aventurado este povo que leva seu amor à Igreja a ponto de lutar e sofrer por ela, porque dele é o reino dos Céus”. 
__________________ 
(*) Transcrito de “O Legionário” de 7-9-1942 (Órgão oficioso da Arquidiocese de São Paulo). A íntegra encontra-se disponível no link: http://www.pliniocorreadeoliveira.info/Disc_Congr_Eucar_42.htm

29 de janeiro de 2025

O BRASIL EM 2024 — Instabilidade climática em meio à desorientação e provocações da esquerda


 

Lula e Flávio Dino [ Foto: Ricardo Stuckert/PR ]

  ✅  Paulo Henrique Américo de Araújo

 

Neste olhar em retrospectiva sobre a situação brasileira, serve-nos bem como fundo de quadro a instabilidade climática — sem alarmismo ecologista obviamente — e seus efeitos que perpassaram o ano de 2024. As chuvas, a seca, as queimadas e até o frio provocaram insegurança, destruição e mortes. Tudo isso reflete, de maneira tangível, a falta de rumo das forças anticristãs revolucionárias que teimam em contrariar uma opinião pública cada vez mais infensa aos seus objetivos.

 

Rio Grande do Sul inundado pelas enchentes [Foto: Marinha do Brasil/via Fotos Públicas]

Provocações, chuvas e enchentes

2024 iniciou-se com as repercussões de gosto amargo provenientes do final do ano anterior: Flávio Dino, indicado por Lula como novo Ministro do STF, havia sido aprovado pelo Senado Federal para o cargo. O petista saiu com esta declaração: “Vocês não sabem como eu estou feliz hoje. Pela primeira vez na história deste país, nós conseguimos colocar na Suprema Corte um ministro comunista, um companheiro da qualidade do Flávio Dino.1

Analistas consideraram a frase como “simples provocação”, “nada de muito sério2”. Por quanto tempo a opinião conservadora e cristã suportará afrontas assim? Além do amargor causado em boa parte dos brasileiros, a provocação prenunciava fortes chuvas, incêndios e fumaça que cobririam o horizonte do País. 

Em se tratando de provocação, nada mais eloquente do que o espetáculo blasfemo e pornográfico da cantora “Madonna”, ocorrido no Rio de Janeiro, em 4 de maio. Ao mesmo tempo que transcorria, na Praia de Copacabana, o insulto explícito ao sentimento religioso da maioria dos brasileiros, o Rio Grande do Sul era inundado pelas enchentes. A maior rede de televisão do País lidou mal com a situação: apesar das calamidades no Sul, deu preferência à exibição dos saracoteios insanos e imorais da artista americana3.

Enquanto uns se afundavam no pecado na capital fluminense, 182 pessoas morriam afogadas e outros 2 milhões eram afetados pelos alagamentos. Inúmeras vozes se ergueram para cogitar se teria sido possível evitar ou diminuir a catástrofe gaúcha. Sem entrar em detalhes dessa ampla discussão, um pequeno aspecto aponta para um culpado bem conhecido: o ecologismo radical. Dragagens preventivas nos rios (em especial no Rio Guaíba) teriam garantido mais espaço para a água escoar, mas isso não é executado porque “sempre se justifica propósitos ambientais”, diz o deputado estadual, Marcus Vinícius (PP-RS)4.

 

Queimadas no interior do estado de São Paulo

Estiagem, incêndios e fumaça

A seca de meados do ano foi violenta, batendo recordes de estiagem em várias regiões. Uma boa metáfora para o desprestígio crescente do lulo-petismo. No dia 1º de maio, Lula encabeçou um comício esvaziado em São Paulo, com a participação de menos de 2 mil pessoas. Lula sentiu a “secura” e “pediu água”, reclamando sobre a falta de engajamento da militância5. Ricardo Patah, um dos organizadores, afirmou: “Temos que fazer um mea culpa de nossa incapacidade de levar mais gente”, e acrescentou que há “dificuldade de interlocução com jovens6”.

Com a seca, vieram as queimadas. Cenas de labaredas gigantes à margem das rodovias de todo o País percorreram as redes sociais. Curiosamente, desta vez as tubas da grande mídia nacional e internacional não se lembraram de culpar o atual governo pelas queimadas, como haviam feito durante a gestão Bolsonaro, quando incidentes semelhantes tomaram o noticiário. Pelo contrário, houve quem apontasse como principais responsáveis, pasme-se, os agricultores7.

Um fato estranho, mas revelador da desorientação geral: o Ministro Flávio Dino, ele mesmo, o “queridinho comunista” de Lula no STF, mandou o governo atuar de modo mais eficiente para combater os incêndios8.

Assim, a Corte Suprema do País assume as funções de um Poder Executivo cada vez mais inepto. Alguém duvida que algo vai mal nas instituições da República? Vem bem a propósito o comentário de Eliane Cantanhê de: “Amazônia, Cerrado e Pantanal estão em chamas [...] Sem recuperar o protagonismo nas questões internacionais e ambientais e insistindo em estatismo e aparelhamento na Petrobras, fundos de pensão, agências reguladoras, Lula faz o oposto do que pretendia: não repete os acertos nem deixa os erros no passado9”. Os supostos “acertos” de Lula são por conta da articulista. Sabemos do que se trata: avanço da agenda esquerdista e economia submetida ao socialismo estatal, que conduzem inevitavelmente à bancarrota.

Com a estiagem prolongada, a Capital Federal assemelhava-se a um deserto no início de setembro, e a desolação patenteou-se ainda mais quando do desfile do Dia da Independência. O cenário de 2023 se repete: a Esplanada dos Ministérios praticamente vazia e um punhado irrisório de petistas. Lula achou por bem — quem sabe se para dar um pouco de ânimo à comemoração — colocar no palanque dois Ministros do STF: Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes.

Este último vai assumindo um protagonismo constrangedor10, segundo comenta Carlos Alberto Di Franco: “A destruição da ordem jurídica, que no Brasil de hoje é visível a olho nu, está sendo causada pelo excessivo protagonismo de um ministro do Supremo Tribunal Federal: Alexandre de Moraes11”. Mais adiante, acrescenta o mesmo articulista: “A crise de credibilidade do Judiciário é acelerada e preocupante. Seu desprestígio na sociedade precisa ser revertido”.

Ao mesmo tempo em que as queimadas se alastravam, as eleições municipais de 2024 entravam na “onda de calor”. E as chamas parecem ter invadido todos os quadrantes da esquerda! Não há como esconder sua estrondosa derrota. Os dados antecedentes ao pleito já indicavam a fumaça tóxica nas paragens esquerdistas: 15% dos municípios brasileiros não tiveram qualquer candidato de esquerda12. Em Santa Catarina, esse número foi de 25%.13

A esquerda venceu em apenas duas capitais: Recife e Fortaleza. Neste quesito, é seu pior resultado desde 198514. Quanto aos municípios em geral, partidos de esquerda e centro-esquerda que em 2020 tinham conquistado 852 prefeituras, agora ficaram com 74915.

Em São Paulo, Ricardo Nunes (MDB) obteve vitória esmagadora sobre Guilherme Boulos (PSOL), com diferença de quase 20 pontos: 59,3% contra 40,6%. Algo bastante sintomático foi o fato de Boulos ter tentado desesperadamente se afastar da “agenda progressista” durante a disputa, encarnando uma nova versão do “Lulinha paz e amor”. Nada funcionou!

A turma do PT e aliados ainda estão tentando juntar os cacos depois do fracasso eleitoral. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, afirmou que defende uma aliança “mais ao centro”16. Porém, já prevendo que a manobra não surtirá efeito sobre o brasileiro médio, intuitivo e de bom senso, a líder petista emendou em tom de ameaça: a esquerda “vai continuar sendo massacrada” se não regular as redes sociais17.

 


Inverno: “gelo” na máquina estatal

O inverno de 2024 derrubou os marcadores dos termômetros, batendo recordes de baixas temperaturas em certas capitais18. O frio extremo localizado foi um dos fatores (indiretos, é verdade) para a queda do avião da Voepass e a morte de seus 62 passageiros e tripulantes. Não desejo ser irreverente com a memória das vítimas, mas o lastimável acidente traz analogia marcante com o percurso seguido por Lula em seu desastroso 3º mandato.

Há gelo nas engrenagens do avião petista. Tal se vê nos disparates da política externa. As eleições na Venezuela — com sua escancarada ausência de legitimidade — tiveram como resultantes explicitar as incongruências da diplomacia brasileira e acabaram por consolidar a ditadura de Nicolás Maduro. Lula perdeu credibilidade e de seu autoproclamado título de “líder natural” da América Latina só restaram destroços. 19

Durante seu discurso na ONU em setembro, o líder petista repetiu propagandas demagógicas ultrapassadas, insistiu em ações para promover “igualdade de gênero” e políticas “antidiscriminação”; além de criticar as “estruturas da governança mundial”, em sinal claro para a tentativa de dar foco ao seu pretenso protagonismo com o chamado “sul-global”. Falou tanto que estourou o tempo do seu discurso e teve o microfone cortado20. Uma vergonha...

Na reunião do Brics em outubro, Lula tentou emplacar a liderança naquilo que analistas classificam de tendência “antiocidental” do bloco21. Mas no fim, de acordo com um especialista, o mandatário brasileiro acabou perdendo: “A imagem de Lula está manchada por seu apoio a Xi Jinping e a Vladimir Putin, e por sua atuação nos Brics 22.”

A par do esfriamento das suas pretensões no Brics, Lula ainda cometeu gafes pueris na diplomacia com os Estados Unidos. Pouco antes dos resultados das eleições presidenciais norte-americanas, ele saiu com este disparate: uma possível vitória do republicano Donald Trump representaria a volta de um “nazismo e fascismo com outra cara23”.

Para completar a insensatez diplomática com relação aos Estados Unidos, a esposa de Lula, Janja, não achou nada melhor do que atacar, da forma mais baixa, o Elon Musk, indicado por Trump para integrar sua nova equipe de governo. Numa típica “atitude de botequim”, ela referiu-se ao milionário com um palavrão24 — irreproduzível numa publicação como a nossa —, causando mal-estar mesmo entre os aliados petistas e provocando uma moção de repúdio na Câmara dos Deputados25.

Por essas e por muitas outras é explicável que a “frente fria” da insatisfação vá tomando conta do horizonte lulista e provoque a queda nos seus índices de aprovação. Em maio de 2024, a popularidade de Lula, que já vinha despencando, era de 37,4%. Em novembro, esse número tinha descido a 35%.27

Céu nublado, tempestades e raios

O tempo fechado e melancólico de outubro guardava certa analogia com a situação da “esquerda católica” no Brasil. A CNBB — sempre atrelada a um “progressismo” decrépito — parece se encontrar num “céu nublado”, quase totalmente desprezada no cenário nacional. Alguém se lembra de qualquer declaração ou atitude relevante do órgão, durante o ano? Ao menos algo que tenha sido de molde a mover as vontades? Nada!

Nesse sentido, são extremamente significativas essas palavras de Frei Beto, ao observar os participantes de um encontro de “progressistas” em Belo Horizonte: “A maioria de cabelos brancos ou tingidos. Minha geração envelhece. Chego este ano aos 80. É muito preocupante constatar que as forças progressistas não logram renovar seus quadros.” 28

A desconfiança e a indiferença dos brasileiros com relação ao clero progressista só aumentam. Motivos eles têm! Veja-se, por exemplo, a total inação das autoridades eclesiásticas quando “peregrinos” do movimento LGBT exibiram, na própria Basílica de Aparecida, uma cópia da imagem da Padroeira vestida com a bandeira arco-íris [foto ao lado]. Diante da perplexidade dos católicos, saiu a público uma lacônica nota dos responsáveis pelo Santuário Nacional. 29



Do outro lado do espectro político e religioso, a tendência é outra: juventude, dinamismo, esperança. Os quadros da direita se renovam e avançam. As próprias eleições municipais confirmaram isso de maneira eloquente30. Quem há de se surpreender que os progressistas e esquerdistas de todos os vieses estejam desorientados e assumam, como último recurso, o revanchismo meio desesperado? Parece que a gota d’água para o revide veio após a clamorosa vitória de Trump e da direita em geral nas eleições americanas.

As tempestades e os relâmpagos despontaram no horizonte dias depois dos resultados. O estopim de um mal executado “ataque terrorista” em Brasília desencadeou novamente os alaridos da esquerda: o País está sob a ameaça dos “conservadores radicais”! O insano e atrapalhado “terrorista” morreu no ato, os danos materiais causados por ele foram insignificantes, porém o evento serviu bem, novamente, para a hábil propaganda da esquerda demonizar todos os conservadores e direitistas31, mesmo os que desejam ordem e paz para a Nação.

Quase como uma cena saída de um enredo já pronto, outro raio iluminou os céus em novembro: o vazamento de supostos planos de golpe de estado, envolvendo o ex-presidente Bolsonaro, o alto escalão do Executivo de então, bem como oficiais das Forças Armadas. Na sequência das investigações, a tempestade deve continuar nos primeiros meses de 2025, entretanto nada mais apropriado para desviar as atenções da patente derrota e desorientação da esquerda no Brasil no último ano.


Não podemos nos esquecer de um contra-golpe simbólico no meio deste vendaval: no fim de novembro, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal (CCJ), presidida pela Deputada conservadora Caroline de Toni, aprovou o projeto de emenda constitucional que proíbe o aborto no Brasil32. O projeto precisa passar por outros trâmites na Câmara, mas a decisão reflete a força da direita no Legislativo, algo que provocou esperneios histéricos entre petistas e seus aliados. Parabéns aos membros da CCJ pela decisão corajosa.

Diante dos acintes esquerdistas e progressistas contra a tendente pacatez e tranquilidade de nosso povo, vale mencionar essas palavras de Plinio Corrêa de Oliveira: Cuidado com os pacatos que se indignam, senhores da esquerda, do centro e da direita. A hora não é para carrancas, mas para as discussões arejadas, polidas, lógicas e inteligentes. Os pacatos toleram tudo, exceto que se lhes perturbe a pacatez. Pois então facilmente se fazem ferozes...”33

Peçamos a Nossa Senhora Aparecida que conduza as forças conservadores e católicas neste ano de 2025 para, dentro da lei e da ordem, fazerem valer sua voz sobre a esquerda desnorteada, desesperada e derrotada.

____________

Notas:

1. Valor Econômico, 15-12-23

2. Idem.

3. Tragédia no RS, documentário Brasil Paralelo

4. UOL, 25-5-24.

5. Folha de S. Paulo, 1-5-24.

6. FSP, Fábio Zanini,“Fim da linha”, 3-5-24.

7. FSP, 6-9-24.

8. O Globo, 14-9-24.

9. O Estado de S. Paulo, 9-9-24.

10. Correio do Povo, 7-9-24.

11. OESP, 16-9-24.

12. UOL,18-9-24.

13. UOL,18-9-24.

14. FSP, 28-10-24.

15. Embora o PT tenha conquistado mais prefeituras do que em 2020 (183 para 252), isso pouco representa de tendência geral nos resultados. Cfr. UOL, 27-10-24.

16. Portal de Prefeitura, 28-10-24.

17. Infomoney, 28-10-24.

18. Em São Paulo houve a média mais baixa em 25 anos: Cfr. Isto é, 28-8-24. O Rio de Janeiro teve a madrugada mais fria em 13 anos (8,3ºC): Cfr. O Globo, 13-8-24.

19. FSP, 14-8-24.

20. Gazeta do Povo, 22-9-24.

21. BBC Brasil, 22-10-24.

22. OESP, 30-11-24.

23. Poder 360, 7-11-24.

24. OESP, 17-11-24.

25. OESP, 28-11-24.

26. UOL, 7-5-24.

27. OESP, 12-11-24.

28. UniSinos, 22-4-24.

29. Portal de Prefeitura, 19-11-24.

30. Gazeta do Povo, 10-11-24.

31. Gazeta do Povo, 14-11-24.

32. Agência Brasil, 27-11-24.

33. FSP, “Cuidado com o Pacatos”,4-12-1982.

11 de outubro de 2024

APARECIDA

 


“Capital autêntica do Brasil” — eis a real perspectiva de como a cidade de Aparecida deveria ser considerada 

✅  Plinio Corrêa de Oliveira

Nossa Senhora aclamada Rainha do Brasil, o Reino de Maria juridicamente já ficou declarado. E juridicamente, para os efeitos celestes e para os efeitos terrestres, Ela tem direitos ainda maiores sobre o Brasil do que se Ela fosse apenas Rainha nesta Terra.

Devido a isto, temos uma obrigação especial de cultuar Nossa Senhora; de dar glória a Ela; de propagar sua devoção por toda parte; de lutar por esta devoção junto aos outros povos que resistam ao culto a Nossa Senhora; de fazer, portanto, cruzadas em nome d’Ela.

Com isso, é toda uma vocação nacional e mundial que se delineia para o Brasil, a partir precisamente dessa devoção a Ela como nossa Rainha. 

Daí decorre também outro fato: se o Brasil não fosse oficialmente o País agnóstico e interconfessional que é, o verdadeiro seria — para determinados efeitos — a capital autêntica do Brasil ser Aparecida do Norte. 


Após Nossa Senhora ter sido declarada Rainha do Brasil, não concebo a possibilidade de que os grandes atos da vida nacional se realizem em outro lugar que não em Aparecida: a promulgação de leis importantes; declarações de guerra; tratados de paz; grandes solenidades das ilustres famílias do País. E só concebo tais atos sendo realizados em Aparecida, que, pelo ato dessa coroação, ficou sendo o centro espiritual do Brasil.

Quando tanto se discute “Brasília ou Rio”, nós esquecemos o verdadeiro polo: Aparecida, para esses efeitos, ser a verdadeira capital do País! Assim tem-se a perspectiva de como Aparecida deveria ser considerada. 
____________ 
Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 5 de outubro de 1964. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.

4 de outubro de 2024

“Mineração e eleição só depois da apuração”



Nas vésperas das eleições municipais, seguem alguns pensamentos para levarmos em consideração no próximo domingo 


“Para vencer, não devem os candidatos procurar ajustar suas campanhas eleitorais ao quadro-fiction de uma opinião pública brasileira socialo-comunista. Falem com timbre claro, leal e valente, a linguagem que os setores centristas e até reacionários da opinião pública gostam de ouvir. E as urnas lhes dirão que terá vencido o candidato que falou ao Brasil real, e não o que tenha falado a um Brasil irreal, um Brasil-fiction, paraíso dos comunistas e de seus vizinhos ideológicos.” (Plinio Corrêa de Oliveira) 

 

“Em ano eleitoral o ar está cheio de discursos. E vice-versa.” (François-Joseph Nolau)

 

“Fala-se em liberdade para matá-la, em democracia para destruí-la, em legalidade para negá-la em sua própria essência. As palavras adquirem sentido oposto ao seu significado, e os homens afetam sentimentos nobres para justificar, na perplexidade das ideias, a política dos mais baixos instintos.” (Carlos Lacerda

 

“O silêncio dos povos é lição para os governantes.” (Provérbio francês)

 

“Nunca se mente tanto quanto antes de uma eleição, durante uma guerra e depois de uma pescaria...” (Otto von Bismarck

 

“Você pode enganar uma pessoa por muito tempo; algumas, por algum tempo; mas não consegue enganar todas por todo o tempo” (Abraham Lincoln

 

“O coração do sábio o inclina para a direita, mas o coração do tolo o inclina para a esquerda. Quando o tolo vai pelo caminho, falta-lhe o entendimento, e assim mostra a todos que é tolo” (Eclesiastes 10, 2-3

 

“Alguns usam a estatística como os bêbados usam os postes: mais para apoio do que para iluminação” (Andrew Lang

 

“Todos nós, políticos, sabemos o que é preciso fazer. Só não sabemos como ser reeleitos depois”. (Jean-Claude Juncker

 

“Quando a política penetra no recinto dos Tribunais, a Justiça se retira por alguma porta”. (François Guizot

 

“Um povo que elege corruptos, impostores, ladrões e traidores, não é vítima, é cúmplice”. (George Orwell


9 de julho de 2024

Madre Paulina, a primeira Santa brasileira



Canonizada no dia 19 de maio de 2002, o Brasil, depois de 500 anos de História, viu sua primeira Santa ser elevada à honra dos altares. Sua festividade é celebrada pela Santa Igreja no dia 9 de julho.

Paulo Roberto Campos

A encantadora cidade de Nova Trento (SC) não cessa de receber visitantes dos quatro cantos do Brasil. Caravanas afluem com frequência. Todos desejam conhecer a admirável vida de Santa Paulina, canonizada por João Paulo II, tendo sido beatificada pelo mesmo Pontífice, quando de sua visita ao Brasil, em outubro de 1991.

A referida cidade, de imigração italiana, a 100 quilômetros de Florianópolis, nestes dias vive repleta de peregrinos. Devotos percorrem os lugares onde a Bem-aventurada viveu. Muitos procuram pessoas que a conheceram e possam dar testemunho das virtudes que ela praticou em grau heróico; fiéis andam à busca de relíquias, rezam, agradecem e pedem graças à nova intercessora que todos temos agora junto a Deus, especialmente os brasileiros. Santa Paulina! Rogai por nós!

Um pouco de biografia

Vígolo Vattaro (Trento, Itália), cidade natal de Amábile Visintainer.

Amábile Lúcia Visintainer, segunda filha (dentre 14 irmãos) de Antonio Napoleone Visintainer e de Anna Pianezzer, nasceu em Vígolo Vittaro (Itália), em 16 de dezembro de 1865. Os Visintainer imigraram para o Brasil quando Amábile tinha apenas 9 anos. Cresceu no bucólico povoado — que recebeu o mesmo nome de sua terra natal — de Vígolo, em Nova Trento (SC). Aos 12, quando fez a primeira comunhão, iniciou sua obra de caridade: ensinava o catecismo às crianças da aldeia, visitava os enfermos, cuidava da limpeza da capela. Aos 25 anos, com permissão dos pais, deixou sua casa para dar início — auxiliada por uma amiga, Virgínia Rosa Nicolodi — à obra hoje conhecida no Brasil inteiro e em muitos países: a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, fundada pela santa madre no dia 12 de julho de 1890.

Desde a fundação, ela fora escolhida para ser a superiora, mas só em 1895 as jovens que se formaram em torno de Amábile receberam a aprovação do Bispo de Curitiba, Dom José de Camargo Barros.

Assim, fizeram os votos religiosos, e a jovem fundadora recebeu o nome de Irmã Paulina do Coração Agonizante de Jesus.

Terrível provação

Depois da fundação de sua obra em Vígolo e Nova Trento (SC), a Serva de Deus transferiu-se em 1903 para São Paulo, na colina do Ipiranga, onde iniciou a Obra da Sagrada Família, que cuidava de idosos e ex-escravos, os quais, com a abolição da escravatura em 1888, ficavam perambulando pelas ruas.

Em fevereiro de 1903, ela foi eleita Superiora Geral “ad vitam” (para toda a vida), mas seu governo durou apenas seis anos. Sua obra ia crescendo extraordinariamente, novas vocações surgiam, novas casas eram fundadas. Mas, a partir de 1909, Madre Paulina começou a ser perseguida e humilhada cruelmente. Pessoas estranhas, apoiadas por algumas religiosas, passaram a transmitir más informações ao então Arcebispo de São Paulo, D. Duarte Leopoldo e Silva. Devido a isto, o Prelado a demitiu das funções de superiora e proibiu-a de, no futuro, exercer qualquer cargo de mando na própria Congregação que ela havia fundado. Com heróico espírito de humildade, resignação e amor à obediência, ela nunca se revoltou contra essa injusta punição aplicada pela autoridade eclesiástica.

Tal vida santa, tal morte

Casa onde nasceu Madre Paulina

De 1909 a 1918 viveu na Casa-Asilo de idosos, fundada por ela em Bragança Paulista (SP). Foram nove anos de uma pungente Via Crucis, na qual a Divina Providência ia acrisolando suas virtudes, purificando ainda mais sua bela alma no caminho do sofrimento. Perseguida e humilhada, não desanimou em seu apostolado, tudo aceitou por amor de Deus, por sua obra e pela santificação de suas filhas espirituais.

Madre Paulina, em 1918, foi chamada de volta à Casa Geral no bairro do Ipiranga, em São Paulo, com pleno reconhecimento de suas virtudes, para servir de exemplo às mais jovens da Congregação, das quais não era mais a Superiora, mas era venerada como fundadora. Foi um modelo de vida de piedade, de amor ao sacrifício e de constante assistência às Irmãs enfermas.

Em 1938 começa a padecer dores atrozes devido a uma diabete. Sofreu progressivas amputações, tendo, aos poucos, ficado cega. Morreu piedosamente aos 76 anos e seis meses, em 9 de julho de 1942, sendo suas últimas palavras as de sua habitual jaculatória: “Seja feita a vontade de Deus”.


A postuladora da causa

Tanto a beatificação como a canonização se devem, em muito considerável medida, aos esforços da Irmã Célia Cadorin, postuladora da causa, instaurada 23 anos após a morte de Madre Paulina, em 3-9-65.

Irmã Célia, que também levou a bom termo o processo de beatificação de Frei Antônio de Sant’Ana Galvão, é religiosa da Congregação fundada pela nova Santa, que teve o privilégio de conhecer pessoalmente quando tinha 13 anos.

Em entrevista exclusiva à revista Catolicismo, a Irmã Célia narrou interessantes episódios alusivos à beatificação de Frei Galvão (Vide Catolicismo, setembro/1998).

O processo de canonização

Réplica da choupana onde se iniciou a obra de Madre Paulina, em Vígolo, Nova Trento (SC)

Antes de uma pessoa ser declarada santa, há um rigoroso processo em que se estuda minuciosamente toda sua vida, para certificar-se, sem qualquer sombra de dúvida — o que pode demorar décadas ou mais —, que ela tenha praticado em grau heróico as virtudes teologais (Fé, Esperança e Caridade) e as virtudes cardeais (Prudência, Justiça, Fortaleza e Temperança).

Há também necessidade da comprovação inequívoca de dois milagres operados por intercessão do novo santo. No caso de Madre Paulina, houve duas curas atribuídas a ela: a da Sra. Eluíza Rosa de Souza, em 1966, e a de uma menina acreana, Iza Bruna Vieira de Souza, em 1992. (Vide quadro abaixo).

A Santa Sé reconheceu que houve intercessão da Madre Paulina nessas duas curas, após ter submetido a comprovação a uma junta médica que implacavelmente examinou os casos cientificamente; após aprovação, seguiu o tema para análise de teólogos; depois a cardeais e bispos, para que também eles fizessem a análise. Finalmente — ficando evidenciado que as curas eram duradouras e completas — o processo seguiu para a apreciação do Papa, que lerá a bula de canonização no dia 19 deste mês de maio, em Roma.

Casa Geral da Congregação fundada por Madre Paulina no bairro do Ipiranga, em São Paulo

Terminado o longo processo de 37 anos, Madre Paulina foi reconhecida como santa, suas virtudes foram proclamadas pelo mundo inteiro. Ela pode ser, então, cultuada pelos católicos dos cinco continentes, e todas as igrejas católicas poderão entronizar suas imagens nos altares.

Santa Paulina! Rogai por nós! E intercedei junto a Deus pelo Brasil — sua pátria adotiva — nesta situação caótica em que se encontra o nosso País, com sua população majoritariamente católica, da qual, infelizmente, muitos não praticam as virtudes ensinadas pela Santa Igreja.

____________

Fonte de referência: http://www.fides.orghttp://www.prodau.com.br/madre/http://www.ciic.org.br/fundadora/



OS DOIS MILAGRES COMPROVADOS

  • Eluíza Rosa de Souza
    : Foi curada em 1966, sofrendo perda intra-uterina do feto no sétimo mês de gravidez, tendo na ocasião sofrido hemorragias. Desenganada pelos médicos, rezou pedindo a intervenção da Madre Paulina e sobreviveu. Obteve a cura instantânea e completa, estando internada no Hospital Maternidade São Camilo, de Imbituba (SC). Depois desse fato surpreendente, teve quatro filhos. 

  • Iza Bruna Vieira de Souza
    : Esta menina nasceu em junho de 1992, em Rio Branco (Acre), com um tumor cerebral do tamanho de uma maçã (hidrocefalia). Antes da operação para retirada do tumor, a mãe de Iza, Da. Mabel, colocou na mãozinha da filha uma foto de Madre Paulina. Após a cirurgia, teve convulsões cerebrais, tendo os médicos declarado que, se ela sobrevivesse, ficaria tetraplégica, cega, surda e muda. A avó da menina, Da. Zaira de Oliveira, disse confiante que estava rezando e pedindo a Madre Paulina que miraculasse sua neta. Batizaram a menina e, 20 minutos depois, ela melhorou repentinamente, alcançando a cura completa. A doença jamais voltou a se manifestar, nem deixou sequelas. Hoje goza de plena saúde.