Na cidade do Rio de Janeiro, ocorrerá a 1ª Caminhada em Defesa da Vida, por um Brasil sem Aborto.
Será no próximo sábado (dia 5 de outubro) no centro da cidade.
A marcha terá início às 9 horas da manhã, frente à Igreja da Candelária, e será encerrada com um ato público na Cinelândia.
O evento visa fazer uma manifestação contra o aborto, em defesa do nascituro — agora especialmente ameaçado pela recente aprovação, pelo governo Dilma Rousseff, de uma lei que favorece ainda mais prática abortiva.
Não perca essa oportunidade de participar da PRIMEIRA marcha em defesa da vida inocente na capital fluminense. Lembre-se que a gigantesca March for Life (que se transcorre todos os anos em Washington) iniciou-se em 1972 com poucas pessoas e atualmente conta com quase 500 mil manifestantes!
2 de outubro de 2013
CONVITE
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Rio de Janeiro
30 de setembro de 2013
A jovem carmelita que atingiu o mais alto píncaro da santidade
No dia 1º de outubro a Igreja celebra a festa de Santa Teresinha. Neste ano temos duas razões a mais para a celebração: o transcurso do 140º aniversário de seu nascimento e 90º de sua beatificação.
Paulo Roberto Campos
Quem nunca ouviu falar de Santa Teresinha do Menino Jesus?(1) A jovem
carmelita francesa é uma das santas mais conhecidas e veneradas no mundo inteiro. Sua canonização em 1925 produziu em todo o orbe católico uma explosão de alegria. Apenas à cidade de Lisieux — onde se encontra a residência de sua família [foto] e o convento carmelita no qual viveu e entregou sua belíssima alma a Deus — acorrem aproximadamente dois milhões de devotos todos os anos.
O Brasil é especialmente devoto de Santa Teresinha e vinculado a ela de modo particular, por dois motivos que muito nos honram: a primeira igreja edificada no mundo (1924) em sua homenagem encontra-se no Rio de Janeiro, no bairro da Tijuca [foto ao lado], e o precioso relicário — conhecido como “a urna do Brasil” [foto abaixo], confeccionado para conter seus restos mortais — foi oferecido pelo povo brasileiro.
Multidões afluem às igrejas dedicadas a Santa Teresinha em todos os continentes. Mas qual a origem de tão extraordinária glorificação popular? — É a dor suportada heroicamente por amor de Deus, da qual nasce, segundo Plinio Corrêa de Oliveira, “a verdadeira glória”. E aos que buscam sofregamente a popularidade alhures, deixo este outro comentário do Prof. Plinio: “A popularidade é a glória dos demagogos. A glória é a popularidade dos Santos e dos heróis”.
A Virgem de Lisieux desprezou a popularidade comum; foi exaltada às honras da celebridade mundial, é venerada como santa em todas as nações!
Com efeito, desde a mais tenra infância, a pequenina e inteligente Teresa almejou a santidade, romper com o mundo, e sofrer por amor de Deus e pela salvação das almas. Com apenas quatro anos afirmara: “Serei religiosa em um claustro”. E, de fato, ao completar 15 anos entrou para o Carmelo.
Em seus manuscritos autobiográficos, intitulados História de uma alma, ela
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| Sta. Teresinha, noviça no Carmelo, em janeiro de 1889 |
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| Sta. Teresinha em julho de 1896 |
E Deus foi burilando a jovem carmelita, como se lapida a mais preciosa das pedras preciosas, para que essa belíssima alma, de dentro do claustro do convento, alcançasse graças para todas as grandes vocações — para os guerreiros, os padres, os apóstolos, os doutores, os mártires, enfim para que todos seus devotos atingissem o caminho da perfeição de modo acessível.
Em poucas palavras, São Pio X disse tudo sobre ela: “A maior Santa dos tempos modernos”. E o Cardeal Vico afirmou: “A virtude de Teresa impõe-se com incrível majestade: a criança torna-se um herói, a virgem das mãos cheias de flores causa espanto pela sua coragem viril!”(3)
Com sua indomável força de alma, essa santa-cruzado é exemplo de vida, modelo do católico combatente, razão pela qual devemos recorrer à sua proteção. Tenhamos a certeza de que nos atenderá, pois ela mesma manifestou: “O que me impulsiona a ir para o Céu é o pensamento de poder acender no amor de Deus uma multidão de almas que o louvarão eternamente.” Ademais, prometeu: “Vou passar meu Céu fazendo o bem na Terra”. E ainda: “Depois de minha morte, farei cair uma chuva de rosas.”
Então, peçamos com confiança e seremos beneficiados por essa prodigiosa chuva de favores e graças, para nós e nossas famílias, para a Santa Igreja e o Brasil — neste momento tão trágico em que vivemos.
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| Foto feita em novembro de 1896. Sta. Teresinha, a primeira à direita, um ano antes de seu falecimento. |
Notas:
1. Nascida em 1873 na cidade francesa de Alençon, entrou para o Carmelo de Lisieux em 1888, onde faleceu com apenas 24 anos, em 1897.
2. Manuscritos Autobiográficos. Carmelo do Imaculado Coração de Maria e Santa Teresinha, Cotia, SP, 2ª. edição, 1960, p. 244.
3. L'Esprit de Ia Bienheureuse Thérese de l'Enfant-Jésus d'apres ses écrits. Office Central de Lisieux, 1924, p. VIII.
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27 de setembro de 2013
LÍDERES CATÓLICOS EXIGEM CANCELAMENTO DE EVENTO PRÓ-ABORTO EM FACULDADE JESUÍTA
Prof. Hermes
Rodrigues Nery (da Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB) e Pe.
José Eduardo exortam os fiéis leigos e religiosos a cobrarem das autoridades
eclesiásticas a identidade católica das instituições ditas católicas.
EXIGÊNCIA
PARA QUE DOM WALMOR OLIVEIRA DE AZEVEDO, ARCEBISPO DE BELO HORIZONTE INTERVENHA
PARA CANCELAR EVENTO PRÓ-ABORTO EM FACULDADE CATÓLICA.
Contatos:
Mitra . Recepção: (31) 3269-3131
Pessoal: (31) 3269-3133
Coordenação: (31) 3269
3134/3139
Veja do
que se trata, nesta reportagem feita por Pedro
Canísio de Alcântara:
Denúncia:
Faculdade jesuíta convida inimigos da Igreja para dar cursos em Simpósio
(...os
alunos da instituição poderão escolher para a participação
obrigatória.)
De 2
a 4 de outubro, a Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia promoverá
seu IX Simpósio Internacional Filosófico-Teológico. Depois da “ilustre”
presença do Prof. Dr. Leonardo Boff com a conferência de abertura do
Simpósio no ano passado, neste ano, a FAJE convidou para ministrar um seminário
(4h/a) a Dra. Roseli Fischmann (USP).
O seminário da Dra. Fischmann tem por
título “O caráter educativo da laicidade do Estado” e se realizará
conforme a programação do evento nos dias 3 e 4 às 10h no Campus da FAJE.[1] O
seminário está entre os cinco eventos simultâneos entre os quais os alunos da
instituição poderão escolher para a participação obrigatória.
A
Dra. Fischmann faz parte do Grupo de Estudos sobre o Aborto (GEA)[2], que
“conta com o apoio do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira para o
Progresso da Ciência e seu foco é capilarizar a discussão do tema do aborto sob
o prisma da Saúde Pública e retirá-lo da esfera do crime.”[3] Entre seus
participantes o GEA declara outras organizações, como por exemplo, as Católicas
pelo Direito de Decidir e o Ipas Brasil, que possuem a mesma finalidade, além
do Ministério da Saúde e da Secretaria de Política para as Mulheres.[4] Para
alcançar seu fim o GEA “produz novos materiais e estimula a difusão de
informação e dados de pesquisas através de entrevistas e matérias nos veículos
de comunicação do Brasil e no mundo e realiza seminários, colóquios e encontros
com mais parceiros nessa iniciativa.”[5] Tudo isso para descriminalizar o
aborto. Para se ter ideia da importância do GEA, alguns dos seus membros e o
próprio grupo tiveram importância na discussão e julgamento favorável ao aborto
de fetos anencéfalos pelo STF na ADPF 54.[6]
Pró-aborto, a Dra. Roseli realizou nos
anos de 2007 e 2008 o projeto “Ensino Religioso em Escolas Públicas: legislação
e normas e seu impacto sobre a cidadania e os direitos sexuais e reprodutivos”.
Tal projeto teve como financiadores as Católicas pelo Direito de Decidir[7] e
apoio financeiro da MacArthur Foundation (ambas abortistas) com consultoria do
GEA.[8]
Em 2009, em audiência pública na Comissão
de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, a Dra. Roseli
Fischmann, contrária ao acordo entre o Brasil e o Estado do Vaticano,
defendeu a sua inconstitucionalidade e seus perigos[9] [10]. Tendo ela
mesma, por conta desta ocasião, pedido a viagem de representante(s) da
virulenta ATEA Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos para Brasília.[11]
Contrária
ao ensino religioso na escola pública[12], no contexto do acordo com a Santa Sé
ela afirmou: “A abordagem insidiosa da Igreja
Católica sobre o ensino religioso nas escolas públicas não pode mais ser alvo
de omissão por parte das autoridades, em particular dos
parlamentares, em nome de supostas boas intenções que permeariam um suposto
ensino interconfessional. Na prática, no cotidiano das escolas, crianças de 6 ou 7 anos de idade são objeto de
manipulação por parte de pessoas que sequer percebem o que estão fazendo e
vão, com isso, moldando consciências de forma oposta às exigências de autonomia
moral presentes na boa educação, disseminando também preconceito e discriminação.”
“Temas como meio ambiente,
saúde e em particular saúde reprodutiva podem ser
afetadas diretamente pelo tipo de abordagem dada nessas propostas
inconstitucionais de ensino religioso, negando o conhecimento
científico, pela abordagem que é própria para o campo religioso, mas imprópria
para o campo pedagógico, sobretudo da escola pública. Nessa perspectiva,
valores e condutas podem ser “ensinados” como verdade absoluta, ignorando a ética e a formação para a
autonomia, sem o que não se consolidará jamais a democracia.”[13]
Comentando
sobre um “casal” de homossexuais, lamenta o julgamento destes “casais” como
“não merecedores do reconhecimento como entidade familiar” dizendo que “é a falta de reflexão crítica e de postura ética
que leva a essa situação em que é preciso lei e decisão
judicial, onde apenas o justo reconhecimento
da dignidade do ser humano bastaria.”[14] Tal reconhecimento
familiar, portanto, seria apenas o justo reconhecimento da dignidade do ser
humano.
Em
outro texto sobre o mesmo assunto, comenta: “amparada na ética e voltada para o avanço histórico, decisão inédita
em nível federal, do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), reconhecia a legalidade
da adoção de crianças por casal homossexual de Bagé (RS).”[15]
Em um texto sobre denúncias de pedofilia
na Igreja, ela pega carona neste assunto e critica a interferência da Igreja em
políticas públicas, como se a Igreja, quer dizer, os católicos, não fizessem
parte da sociedade. Ela aponta a “outra face da moeda, que credita à Igreja
Católica o poder de a tudo julgar e tudo determinar na vida humana, inclusive
interferindo em políticas públicas. É o caso das pressões sobre o 3º PNDH, para
os temas de retirada dos símbolos religiosos de estabelecimentos públicos,
reconhecimento da autonomia das mulheres, em caso de aborto, e das uniões
homoafetivas, incluindo adoção de filhos.” E argumenta que os fiéis católicos
não serão obrigados ao que contraria a doutrina católica. Argumenta também que
o interesse público deve atender toda a cidadania, sem discriminação. E que não
cabe às denominações religiosas convencer o Estado a atender as determinações
que elas pregam. O Estado, segundo ela, lida apenas com o que é crime. E, por
fim, acusa o Vaticano de disposição de ser soberano por sobre a ordem
humana.[16] Caberia perguntar como ela justifica que os católicos devem se
reduzir a aceitar as leis decididas para “atender toda a cidadania”, isto é, as
vontades e os pensamentos de quem quer que seja e devem aceitar a ordem pública
por tais pessoas desejadas. Pelo jeito, a Dra. Roseli substituiu “bem comum”
pela vontade desse conjunto chamado “toda cidadania”, que leva à exclusão do
pensamento e da vontade dos católicos sobre a sociedade.
Note-se que o Estado, na pessoa de seus
governantes, sempre faz juízos de valor e juízos morais sobre a maldade ou
bondade daquilo que é considerado crime; de fato, nem todo mal moral é ou deve
ser crime, mas todo crime há de ser mal moral, porque atenta contra o bem
público ou privado. A própria Dra. Fischmann realiza uma série de juízos
morais. Dizer que o Estado não trata de moral é falso. Dizer que a influência
da Igreja, tanto no plano da pregação religiosa quanto no plano do senso comum
e da sua forte e milenar reflexão filosófica, deve ser eliminada é fazer uma
opção filosófica ou ideológica clara, mas que ela não adverte. O que faz a
posição da Dra. Fischmann melhor do que a dos católicos? Por que razão
eliminá-la do debate? Qual a razão pela qual devemos aceitar o bom-mocismo
politicamente correto da moda? Sob qual fundamento se sustenta o igualitarismo
religioso ou o indiferentismo do Estado? Serão estas questões passíveis de
serem colocadas em debate? Se não, por quê?
Por fim, convém lembrar a doutrina
católica, exposta no Concílio Vaticano II, sobre os temas tratados acima pela
Dra. Roseli:
-
Prestar culto a Deus é um dever dos homens e para isto devem ter imunidade de
coação na sociedade civil, portanto, “permanece a doutrina católica tradicional
acerca do dever moral que os homens e sociedades têm para com a verdadeira
religião e com a única Igreja de Cristo.”[17]
- A Igreja defende o ensino religioso
católico nas escolas públicas.[18]
- O bem comum, fim da comunidade
política, “compreende o conjunto das condições da vida social que permitem aos
indivíduos, famílias e associações alcançar mais plena e facilmente a própria
perfeição.”[19] Portanto, bem comum está ligada não às condições de realização
de qualquer vontade, mas às condições objetivas para alcançar a perfeição
humana, fim de sua natureza objetiva.
-
Além disso, “o apostolado no meio social, isto é, o empenho em informar de espírito cristão a
mentalidade e os costumes, as leis e
estruturas da comunidade em que se vive, são incumbência e
encargo de tal modo próprios dos leigos que nunca poderão ser plenamente
desempenhados por outros.”[20] Tal apostolado não exclui nenhum bem espiritual
ou temporal.[21] Por isso, o Concílio pede aos católicos que “investiguem em conjunto o modo de organizar as
instituições sociais e públicas segundo o espírito do Evangelho.”[22]
Não, obviamente, fazer e estudar o modo como a Dra. Fischmann quer organizar a
sociedade. O único evento digno desta senhora é um debate, se muito.
Mas como um é pouco, mas dois é bom, como
não poderia deixar de ser, o Simpósio contará com uma personalidade ilustre da
teologia da libertação: o Pe. José Maria Vigil, CMF. Ele apresentará uma
conferência às 8h do dia 4 de outubro na FAJE com o título “Consequências da
secularização e tarefas para o futuro” e às 19:30 do mesmo dia será a figura
principal de uma “mesa redonda” com o mesmo título. Já no Campus Coração
Eucarístico da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, nos dias 3 e 4
às 14:30, o Prof. Vigil irá ministrar o seminário “A grande virada que vem –
Releitura do cristianismo a partir de novos paradigmas: Enfoque epistemológico”
no âmbito do V Simpósio Internacional de Teologia e Ciências da Religião desta
universidade.
O padre Vigil é aquele que escreveu o
livro “Teología del pluralismo religioso. Curso sistemático de Teología
Popular”, que foi objeto de uma nota[23][24] da Comissão Episcopal para a
Doutrina da Fé da Conferência Episcopal Española. Na nota sobre tal livro,
podemos ler:
“La pretendida unión entre la teoría y la
práctica se ve, sin embargo, condicionada por incorrectos presupuestos
metodológicos, como son la asunción acrítica de una filosofía racionalista que
niega de facto la posibilidad real de la intervención de Dios en la historia,
la lectura e interpretación de la Sagrada Escritura al margen de la Tradición
eclesial, la hermenéutica del Concilio Vaticano II en clave de ruptura, la
negación del Magisterio como intérprete auténtico de la Palabra de Dios escrita
y transmitida, una concepción relativista del hecho religioso, una comprensión
sociológica de la Iglesia y una presentación ideológica de la Historia de la
evangelización[1].”
“Estos presupuestos metodológicos llevan
a afirmaciones incompatibles con la fe de la Iglesia católica, como son, entre
otras: la negación del realismo de la Encarnación, presentada como
“«teologúmenon», metáfora, mito, símbolo” (p. 173), de la Preexistencia del
Logos (p. 189) y de la Mediación salvífica única y universal de Cristo y de la
Iglesia; la contraposición entre “el cristianismo del Cristo dogmático” y “el
cristianismo del Evangelio del Reino de Dios y del seguimiento de Jesús” (pp.
171-172); la negación de la voluntad fundacional de Cristo respecto a la
Iglesia (p. 119); la comprensión inmanentista de la Revelación, entendida como
“un caer en la cuenta” de lo que Dios va obrando; la consecuente equiparación
de la Revelación sobrenatural a las “revelaciones” de otras tradiciones
religiosas (pp. 81-91); la ruptura entre el Reino de Dios y la Iglesia; o, la
reducción de la religión a la ética, entendida como justicia y respeto al otro
(pp. 195-209)”
A nota conclui dizendo que “La gravedad
de los errores contenidos en este libro, unida a su carácter divulgativo, hacen
de esta obra un instrumento especialmente dañino para la fe de los
sencillos.” A nota é mais extensa, mas estes trechos ilustram bem.
Diante de tudo isso, fazemos algumas
perguntas: nesta hora grave da história da Igreja, especialmente no Brasil,
onde o laicismo avança e as heresias e a superficialidade pululam, onde a
teologia da libertação e a ideologização dominam sobre a fé, sob quais
argumentos se pode justificar a presença de tais ilustres inimigos da Igreja
para dar conferências e seminários em uma faculdade católica, inclusive
eclesiástica, como a FAJE e uma universidade pontifícia como a PUC Minas? Quem
os convidou e por qual motivo? É normal que uma instituição, mesmo
universitária, convide inimigos da Igreja e hereges manifestos para sofismar
impunimente diante de seus alunos que dão os primeiros passos nas ciências
sacras e profanas?
A
Igreja permite a colaboração das Faculdades eclesiásticas com outras Faculdades
não católicas, mas procurando, porém, “conservar sempre com cuidado a própria
identidade.”[25] O mesmo se deve dizer dos professores com os quais colabora.
Quando fala dos professores não católicos[26], as Disposições da Sagrada
Congregação para a Educação para a Exata Aplicação da Constituição Apostólica Sapientia Christiana dizem que
se deve ater às normas da competente Autoridade eclesiástica e remete ao
Diretório sobre o Ecumenismo, Segunda parte[27]. Consultando a documentação
mais atual, de 1993[28], ao falar da questão se os estudantes católicos de
primeiro ciclo podem assistir a cursos especiais dados por professores de
outras igrejas diz:
“Quando se deve tomar uma decisão sobre
se devem ou não assistir a cursos especiais, há que se considerar bem a
utilidade do curso no contexto geral de sua formação, a qualidade e o espírito
ecumênico do professor, o nível de preparação prévia dos mesmos estudantes, sua
maturidade espiritual e psicológica. Quanto mais próximo se refiram as
conferências ou cursos a temas doutrinais, mais cuidado será necessário em
tomar uma decisão sobre a oportunidade da participação dos estudantes.”[29]
Quanto aos professores, fica claro que
ambos não possuem as qualidades intelectuais requeridas. Qual será o caráter
educativo da laicidade do Estado da Dra. Fischmann consequente com suas teses e
mentalidade? Quais serão as tarefas para o futuro dadas pelo Dr. Vigil
consequentes com sua falta de fé católica? E quanto aos alunos, em sua maioria,
ignoram a doutrina da Igreja e a fidelidade a ela devida sobre muitos dos pontos
acima. Quem duvidar, que os interrogue. Não se trata aqui de impedir aquela
informação necessária aos estudantes das doutrinas dos filósofos e teólogos,
seja de qual corrente forem, dada por professores idôneos, respeitosos e
capazes. Por isso, solicitamos às autoridades eclesiásticas que intervenham não
só para impedir que tais inimigos da Igreja nestas instituições profiram seus
sofismas, mas também para que se acabe com o costume de contratar, convidar ou
permitir professores inidôneos.
* * *
Diante de tal programação e de tais fatos
convidamos os leitores a enviar este texto às autoridades competentes pedindo
providências.
ARQUIDIOCESE DE BELO HORIZONTE
Excelência
Reverendíssima Dom Walmor Azevedo Oliveira de Azevedo
Palácio Cristo Rei
Praça da Liberdade, 263 – Funcionários - 30140-010 – Belo Horizonte – MG
Palácio Cristo Rei
Praça da Liberdade, 263 – Funcionários - 30140-010 – Belo Horizonte – MG
SECRETARIADO PARA A EDUCAÇÃO SUPERIOR DA CÚRIA GERAL DOS JESUÍTAS
EM ROMA
NUNCIATURA APOSTÓLICA
Excelência Reverendíssima Dom Giovanni D’Aniello, Núncio
Apostólico
Av. das Nações, Quadra 801 Lt. 01/ CEP
70401-900 Brasília – DFCx. Postal 0153 Cep 70359-916 Brasília – DF
Fones: (61) 3223 – 0794 ou 3223-0916
Fax: (61) 3224 – 9365
E-mail: nunapost@solar.com.br
CONGREGAÇÃO PARA A EDUCAÇÃO CATÓLICA - DOS SEMINÁRIOS E DOS
INSTITUTOS DE ESTUDO
Eminência Reverendíssima Dom Zenon
Cardeal Grocholewski:
Piazza Pio XII, 3 00193 – Città del
Vaticano – ROMATel. 06.6988-3438 Fax: 06.6988-5088
[4] Idem
[5] Idem
[6] Tendo seu coordenador Thomaz Gollop
feito exposição na audiência do STF em 8 de agosto de 2008. Outros exemplos de
trabalhos pró-aborto deste grupo no Brasil podem ser lidos nos links a seguir: http://aads.org.br/gea/documentos/GEA_folheto_argumentos.pdf
[7] em caráter de cooperação.
[9] http://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/credn/documentos/notas-taquigraficas/Audiencia%20Publica%20MSG%20134-09%20-%2007-07-09.pdf
[11] https://atea.org.br/index.php/component/content/article/923-dia-a-dia/127-atea-acao-urgente-sobre-a-concordata
[14] http://www.geledes.org.br/em-debate/roseli-fischmann/16622-vitoria-da-bola-preta-por-roseli-fischmann
[17] Dignitatis Humanae, 1.
[18] Gravissimum educationis, 7.
[19] Gaudium et spes, 74.
[20] Apostolicam actuositatem, 13
[21] Ibid
[22] Idem, 14.
[23] http://www.conferenciaepiscopal.es/index.php/actividades-noticias-doctrina/1651-nota-sobre-el-libro-del-rvdo-p-jose-maria-vigil-cmf-teologia-del-pluralismo-religioso-curso-sistematico-de-teologia-popular.html
[24] http://www.conferenciaepiscopal.es/index.php/notas/2008/322-la-comision-episcopal-para-la-doctrina-de-la-fe-hace-publica-una-nota-sobre-el-libro-del-p-jose-mo-vigilteologia-del-pluralismo-religioso-curso-sistematico-de-teologia-popular.html
[25] Disposições da Sagrada Congregação
para a Educação para a Exata Aplicação da Constituição Apostólica Sapientia Christiana. Art. 49
par. 1
[26] Idem. Art. 18
[27] ASS 62 (1970), pp. 705ss.
[28] Pontifício Conselho para a Promoção
da Unidade dos Cristãos. Diretório para a aplicação dos princípios e normas
sobre o ecumenismo
[29] n. 194
Por Pedro Canísio de Alcântara
Leia mais: http://logosapologetica.com/denuncia-faculdade-jesuita-convida-inimigos-igreja-dar-cursos-simposio/#ixzz2fezntqMG
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SEGUE
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Prof. Hermes Nery
23 de setembro de 2013
"CASAMENTO" E CASAMENTO
Dom Salvatore Cordileone, Arcebispo de São Francisco (Califórnia), prognostica nesta entrevista que se os católicos não reagirem, temíveis perseguições sobrevirão para a Igreja Católica, por pregar uma moral segundo os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Se o mundo católico não reagir, dias difíceis nos aguardam. Inúmeros fiéis já são perseguidos pelo “crime” de perseverar e defender a moral segundo a doutrina do Magistério da Igreja Católica. Mais difíceis ainda serão os dias daqueles que têm por obrigação combater a imoralidade infrene e as leis que viabilizam a prática do aborto e o “casamento” de pessoas do mesmo sexo.
Em entrevista concedida ao Sr. Michael Drake, membro da TFP norte-americana — e que Catolicismo reproduz nesta edição — o Arcebispo de São Francisco (Califórnia), Dom Salvatore J. Cordileone, responde, entre outras, a estas preocupantes questões: O que acontecerá com sacerdotes que pregam a verdadeira moral católica? Serão condenados? E com os pais de família que ensinarem a seus filhos que o matrimônio só deve ser entre um homem e uma mulher, em união monogâmica e indissolúvel, com vistas à procriação e educação da prole? Sofrerão eles análogas condenações?
Convém lembrar que, em conformidade com o Evangelho, é uma honra sofrer perseguição por amor à Justiça: “Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que a vós. Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como sendo seus. Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi, por isso o mundo vos odeia. Lembrai-vos da palavra que vos disse: O servo não é maior do que o seu senhor. Se me perseguiram, também vos hão de perseguir. Se guardaram a minha palavra, hão de guardar também a vossa” (Jo 15, 18-20).
Catolicismo — Existe uma ligação direta entre os esforços para promover a contracepção e os destinados a promover relacionamentos intrinsecamente estéreis entre pessoas do mesmo sexo?
Dom Salvatore — Há certamente ligações filosóficas. Aqueles dentre nós que estudamos isto sabem que o início da erosão neste assunto foi a mentalidade contraceptiva separando a procriação do ato conjugal. O sexo ficou reduzido apenas ao prazer. Cheguei a ler recentemente algumas colunas na imprensa, que o afirmam explicitamente. Uma delas em particular criticava os mórmons porque eles também não aprovam a contracepção. Esse colunista simplesmente não podia acreditar que alguém pudesse olhar o sexo a não ser como recreação. Contudo, se este for praticado exclusivamente como recreação, não haverá limites; qualquer coisa prazerosa será legítima.
Catolicismo — Uma palavra sobre a reação à violência que estamos observando ser perpetrada contra aqueles que apoiam o casamento tradicional. Haveria uma resposta para isso? Como devemos apresentá-la?
Dom Salvatore — Deve haver uma resposta ao ódio e à violência. Há muito para se dizer sobre isso. Deve haver uma preocupação em saber o que o outro lado realmente quer. Essas pessoas estão do lado que prega a tolerância. Mas quando não conseguem o que desejam se tornam os mais intolerantes. Referem-se a “tirar um direito fundamental”; mas como pode ser fundamental um direito criado que nunca existiu antes? Número dois: ele não foi criado através de um processo democrático. Em cada estado onde o “casamento” homossexual foi legalizado, criaram-no quatro juízes da Suprema Corte. Nós fizemos uso de um processo democrático: tiramos o poder das mãos de uma pequena corte e colocamo-lo de volta nas mãos das pessoas, para que o povo pudesse decidir de forma democrática em que tipo de sociedade gostaria de viver. Explicamos que essa atitude não se voltava contra ninguém, não era discriminatória.
O casamento é algo diferente. Considerável número de pessoas recebeu essa mensagem e a entendeu. Se os que se opõem a nós desejam pregar a tolerância, devem praticá-la. Eles precisam usar meios democráticos, pacíficos e honestos. Acabei de receber esta manhã e-mail de um sacerdote amigo de minha diocese. Ele anexou a coluna que escreveu para seu boletim, comparando a atitude deles à Kristallnacht [A noite dos cristais], na Alemanha nazista em 1938, quando foram atacadas pessoas, instituições e entidades judaicas por serem israelitas. Nenhum funcionário público censurou a coluna. O mesmo está acontecendo agora contra os mórmons e nenhum funcionário público está criticando, simplesmente por serem mórmons que participaram do processo democrático que eles e nós acreditamos visar o bem comum, e não ter em vista sua própria visão religiosa particular.
Catolicismo — Se o “casamento” entre pessoas do mesmo sexo for levado adiante, como isso afetará diretamente a Igreja — ou, de modo indireto, as organizações a ela filiadas? Ou ainda as organizações não filiadas e sem fins lucrativos?
Dom Salvatore — Não é uma questão de viver e deixar viver. Na verdade, essa é a situação existente com as leis de parceria doméstica, segundo a ideia deles de tolerância. O que está acontecendo em nossa sociedade é a presença sobre a mesa de duas ideias de casamento mutuamente excludentes. Estamos lutando para que uma delas prevaleça. Tais ideias não podem coexistir.
Uma ideia consiste no modo como o casamento sempre foi entendido em toda a sociedade humana, desde o início da civilização, ou seja, uma união para toda a vida de um homem com uma mulher, com fidelidade duradoura mútua, para a procriação e educação dos filhos, e o bem dos cônjuges. A sociedade tem um interesse nessa ideia. O governo tem interesse e participação no casamento por causa da procriação e da próxima geração de cidadãos. Para a sociedade florescer, os cidadãos devem ser virtuosos. As crianças aprendem a virtude principalmente em suas famílias; em segundo lugar, em suas comunidades educacionais e de fé. Essa é a ideia do casamento como ele sempre existiu.
É por isso que ele goza desse status especial na lei. Não há nenhum outro relacionamento com o status da lei do casamento. Existem outros tipos de belas relações humanas: a relação de amizade, a relação entre pais e filhos, entre um pastor e seu rebanho. Todas essas são relações humanas belas e elevadas. Mas o casamento é diferente de todo o resto.
A outra ideia de casamento é a de que ele pode ser de maneira como você quiser defini-lo. E, assim, não há diferença moral entre o chamado “casamento” entre pessoas do mesmo sexo e as uniões heterossexuais entre maridos e esposas; quem pensar de modo diferente é tachado de “preconceituoso”. Então, se você é um “preconceituoso” à maneira das pessoas que duas gerações atrás se opunham ao casamento inter-racial, será tratado como tal.
Se você quiser saber como será a sociedade se a ideia do “casamento” do mesmo sexo prevalecer, é só considerar como a sociedade trata hoje os racistas, aos quais ela nega autorização para o exercício de profissões. A Universidade Bob Jones teve revogado seu status de organização sem fins lucrativos porque proibia namoros inter-raciais após a decisão da Suprema Corte no Loving versus Virgínia, em 1967. Não havia um processo judicial, não havia legislação aplicável, mas um burocrata no IRS revogou seu status de organização sem fins lucrativos. A mesma coisa aconteceu com um Acampamento Metodista em Ocean Grove, NJ, dono de um pavilhão em frente à praia que ele alugava para quem quisesse fazer festas de casamento. Tendo se recusado alugá-lo para a cerimônia de união civil de um “casal” de lésbicas, um burocrata revogou o status de instituição sem fins lucrativos no tocante àquela parte confrontante com a praia. Há muitos, muitos outros casos, por exemplo, o da Charities Católica, na Arquidiocese de Boston.
O outro lado vai focalizar com muita frequência sua atenção em igrejas para realizar “casamentos” de pessoas do mesmo sexo. Bem, isso é apenas um fator entre muitos outros. Segundo as leis de acomodação pública, as igrejas que alugam seus salões paroquiais para o público em geral seriam obrigadas a fazê-lo para recepções de uniões do mesmo sexo. Sob a lei trabalhista do emprego, as universidades e as escolas se veriam obrigadas a contratar pessoas unidas por “casamentos” do mesmo sexo e aceitar crianças por elas adotadas, não importando o quanto elas exteriorizam e exibem seu “casamento” homossexual. Quanto à questão de se obrigar a realizar “casamentos” do mesmo sexo, o “Washington Blade”, um jornal homossexual muito influente, disse que ela será resolvida por meio desta frase: “Fluxo constante de processos judiciais”. Então, você verá uma enxurrada de processos judiciais por causa disso. Entretanto, o jornal observou que isso não era certo...
E quanto ao currículo escolar? A evidência e a experiência são claras, apesar da afirmação em contrário de funcionários de escolas: estas serão obrigadas a ensinar a equivalência entre o “casamento” de pessoas mesmo sexo e o casamento heterossexual. Isso já está acontecendo em Massachusetts. E é perfeitamente lógico: as escolas não poderiam ensinar o “fanatismo”, e a opinião comum admitida pela sociedade — que acredita na existência de algo de único na união de maridos e esposas, com exclusão de pessoas comprometidas com o casamento do mesmo sexo — seria uma forma de intolerância. As escolas terão de ensinar a equivalência das uniões conjugais do mesmo sexo com as heterossexuais. É perfeitamente concebível que todas as escolas – inclusive, portanto, as escolas privadas – teriam de adaptar seu currículo a fim de receber a chancela do Estado. Nossas escolas católicas não seguirão isso. O que acontecerá se formos forçados a fechar nossas escolas? O que vai acontecer se formos obrigados a fechar nossos hospitais? Já houve o caso de um hospital católico em São Francisco, o qual foi solicitado a fazer para uma operação completa de mudança de sexo. O Estado não terá como se manter se ele fechar os hospitais católicos. A Igreja Católica oferece uma quarta parte dos serviços de saúde deste país.
Catolicismo — Vossa Excelência prevê qualquer tipo de lei da mordaça ou proibição de externar, a partir do púlpito ou de outra forma, o ensinamento verdadeiro e a pregação da Igreja em oposição às uniões do mesmo sexo?
Dom Salvatore — Por enquanto parece difícil. Mas não considero impossível, porque isso já ocorreu na Suécia. Um pastor foi preso por pregar do púlpito sobre esse tema. Pelo menos um bispo no Canadá foi obrigado a retirar uma Carta Pastoral sobre a santidade do casamento do site diocesano. Haverá leis do chamado discurso de ódio que poderão ser aplicadas contra nós. Mas elas poderão chegar tão longe, até o púlpito? Eu não diria que seja certo, mas é possível.
Catolicismo — Na parte referente ao casamento, especialmente na Califórnia, uma votação sobre a Proposição 8 [estabelecendo que o casamento é só entre homem e mulher] constatou que a maior mudança demográfica na opinião pública situava-se na faixa etária inferior aos 25 anos. Como aconteceu isso?
Dom Salvatore — Isso se deu tanto no aspecto temporal quanto no espiritual. No temporal, aconteceu logo depois de iniciadas as campanhas da mídia. Penso que foi por causa de tais campanhas — os comerciais de TV, por exemplo — que os votantes perceberam realmente a índole da questão e seu impacto, bem como que a aprovação da Proposição 8 seria realmente para proteger os direitos, e não o contrário.
Espiritualmente, houve muitas pessoas de fé que se uniram, fazendo 40 dias de jejum e oração. O jejum iniciou-se uma semana ou duas antes da mudança. Achamos que o esforço espiritual teve algo a ver com isso.
Catolicismo — Olhando para frente, que lições tirar da recente campanha? Inicialmente com a DOMA (Lei de Defesa do Casamento) da época de Clinton, em seguida a mesma lei na Califórnia, em 2000, a qual foi aprovada com 61%, e agora essa queda de nove pontos, para 52%, na emenda estadual da Proposição 8. Qual é o futuro desta batalha pelo casamento?
Dom Salvatore — A queda preocupa, uma vez que o discernimento está erodindo. Embora real, ela não é tão grave como indica, porque os peritos nos dizem que perdemos pelo menos três pontos percentuais, talvez mais, sete pontos; alguns dizem mesmo 10, por causa da mudança do texto. Foi o melhor texto para derrotar uma iniciativa — eliminando um “direito”. Então, se isso não tivesse ocorrido, teríamos obtido pelo menos 55%. No entanto, é uma queda. O que preocupa.
Mas muitas lições foram aprendidas. Há ainda grande quantidade de pessoas com fé, mesmo na Califórnia. A fé ainda tem o poder de transformar a cultura. Curiosamente, tenho certeza de que tudo isso faz parte do plano da Providência divina. Em setembro, pouco antes da eleição, quando esta questão estava realmente aquecendo, eu estava nas Filipinas. Alguns anos atrás, a comunidade filipina de minha diocese tinha me convidado a visitar seu país, seus locais sagrados, e a participar de uma determinada festividade que eu havia celebrado para o povo de San Diego; e encontrei algum tempo em setembro para fazê-lo. As igrejas estavam cheias. Os múltiplos santuários estavam lotados em todas as missas celebradas de hora em hora. Na festividade mariana que eu celebrei, as igrejas e as ruas da cidade estiveram lotadas durante toda a novena. Minha reflexão foi de que as pessoas com mentalidade pós-modernista olhariam para isso como se tratasse de um curioso costume pitoresco e folclórico antiquado sem nenhum nexo com a vida real.
Eu estava empenhado desde o início neste esforço e existiam diferentes grupos que não se conheciam. Tivemos que confiar. Não havia escolha. Se não confiássemos, não poderíamos ter feito isso. E essa foi a nossa única chance de fazê-lo. Então, praticamos um ato de grande confiança. A razão disso foi porque todo mundo provou ser digno de confiança. Ninguém estava ali por si só para sua própria glória. Preocupávamos somente com uma coisa: preservar e promover o casamento. Ninguém se importava em obter vantagem. Isto simplesmente não importava.
Entrevista publicada na Revista Catolicismo,
Nº 753, Setembro/2013
Se o mundo católico não reagir, dias difíceis nos aguardam. Inúmeros fiéis já são perseguidos pelo “crime” de perseverar e defender a moral segundo a doutrina do Magistério da Igreja Católica. Mais difíceis ainda serão os dias daqueles que têm por obrigação combater a imoralidade infrene e as leis que viabilizam a prática do aborto e o “casamento” de pessoas do mesmo sexo.
Em entrevista concedida ao Sr. Michael Drake, membro da TFP norte-americana — e que Catolicismo reproduz nesta edição — o Arcebispo de São Francisco (Califórnia), Dom Salvatore J. Cordileone, responde, entre outras, a estas preocupantes questões: O que acontecerá com sacerdotes que pregam a verdadeira moral católica? Serão condenados? E com os pais de família que ensinarem a seus filhos que o matrimônio só deve ser entre um homem e uma mulher, em união monogâmica e indissolúvel, com vistas à procriação e educação da prole? Sofrerão eles análogas condenações?
Convém lembrar que, em conformidade com o Evangelho, é uma honra sofrer perseguição por amor à Justiça: “Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que a vós. Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como sendo seus. Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi, por isso o mundo vos odeia. Lembrai-vos da palavra que vos disse: O servo não é maior do que o seu senhor. Se me perseguiram, também vos hão de perseguir. Se guardaram a minha palavra, hão de guardar também a vossa” (Jo 15, 18-20).
Catolicismo — Existe uma ligação direta entre os esforços para promover a contracepção e os destinados a promover relacionamentos intrinsecamente estéreis entre pessoas do mesmo sexo?
Dom Salvatore — Há certamente ligações filosóficas. Aqueles dentre nós que estudamos isto sabem que o início da erosão neste assunto foi a mentalidade contraceptiva separando a procriação do ato conjugal. O sexo ficou reduzido apenas ao prazer. Cheguei a ler recentemente algumas colunas na imprensa, que o afirmam explicitamente. Uma delas em particular criticava os mórmons porque eles também não aprovam a contracepção. Esse colunista simplesmente não podia acreditar que alguém pudesse olhar o sexo a não ser como recreação. Contudo, se este for praticado exclusivamente como recreação, não haverá limites; qualquer coisa prazerosa será legítima.
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| O Padre Norman Weslin, de 80 anos, foi preso nos Estados Unidos no Campus da Universidade Católica de Notre Dame. Que "crime" cometeu? Liderou um protesto contra o aborto... |
Dom Salvatore — Deve haver uma resposta ao ódio e à violência. Há muito para se dizer sobre isso. Deve haver uma preocupação em saber o que o outro lado realmente quer. Essas pessoas estão do lado que prega a tolerância. Mas quando não conseguem o que desejam se tornam os mais intolerantes. Referem-se a “tirar um direito fundamental”; mas como pode ser fundamental um direito criado que nunca existiu antes? Número dois: ele não foi criado através de um processo democrático. Em cada estado onde o “casamento” homossexual foi legalizado, criaram-no quatro juízes da Suprema Corte. Nós fizemos uso de um processo democrático: tiramos o poder das mãos de uma pequena corte e colocamo-lo de volta nas mãos das pessoas, para que o povo pudesse decidir de forma democrática em que tipo de sociedade gostaria de viver. Explicamos que essa atitude não se voltava contra ninguém, não era discriminatória.
O casamento é algo diferente. Considerável número de pessoas recebeu essa mensagem e a entendeu. Se os que se opõem a nós desejam pregar a tolerância, devem praticá-la. Eles precisam usar meios democráticos, pacíficos e honestos. Acabei de receber esta manhã e-mail de um sacerdote amigo de minha diocese. Ele anexou a coluna que escreveu para seu boletim, comparando a atitude deles à Kristallnacht [A noite dos cristais], na Alemanha nazista em 1938, quando foram atacadas pessoas, instituições e entidades judaicas por serem israelitas. Nenhum funcionário público censurou a coluna. O mesmo está acontecendo agora contra os mórmons e nenhum funcionário público está criticando, simplesmente por serem mórmons que participaram do processo democrático que eles e nós acreditamos visar o bem comum, e não ter em vista sua própria visão religiosa particular.
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| "O que está acontecendo em nossa sociedade é a presença sobre a mesa de duas ideias de casamento que são excludentes. Elas não podem coexistir" |
Dom Salvatore — Não é uma questão de viver e deixar viver. Na verdade, essa é a situação existente com as leis de parceria doméstica, segundo a ideia deles de tolerância. O que está acontecendo em nossa sociedade é a presença sobre a mesa de duas ideias de casamento mutuamente excludentes. Estamos lutando para que uma delas prevaleça. Tais ideias não podem coexistir.
Uma ideia consiste no modo como o casamento sempre foi entendido em toda a sociedade humana, desde o início da civilização, ou seja, uma união para toda a vida de um homem com uma mulher, com fidelidade duradoura mútua, para a procriação e educação dos filhos, e o bem dos cônjuges. A sociedade tem um interesse nessa ideia. O governo tem interesse e participação no casamento por causa da procriação e da próxima geração de cidadãos. Para a sociedade florescer, os cidadãos devem ser virtuosos. As crianças aprendem a virtude principalmente em suas famílias; em segundo lugar, em suas comunidades educacionais e de fé. Essa é a ideia do casamento como ele sempre existiu.
É por isso que ele goza desse status especial na lei. Não há nenhum outro relacionamento com o status da lei do casamento. Existem outros tipos de belas relações humanas: a relação de amizade, a relação entre pais e filhos, entre um pastor e seu rebanho. Todas essas são relações humanas belas e elevadas. Mas o casamento é diferente de todo o resto.
A outra ideia de casamento é a de que ele pode ser de maneira como você quiser defini-lo. E, assim, não há diferença moral entre o chamado “casamento” entre pessoas do mesmo sexo e as uniões heterossexuais entre maridos e esposas; quem pensar de modo diferente é tachado de “preconceituoso”. Então, se você é um “preconceituoso” à maneira das pessoas que duas gerações atrás se opunham ao casamento inter-racial, será tratado como tal.
Se você quiser saber como será a sociedade se a ideia do “casamento” do mesmo sexo prevalecer, é só considerar como a sociedade trata hoje os racistas, aos quais ela nega autorização para o exercício de profissões. A Universidade Bob Jones teve revogado seu status de organização sem fins lucrativos porque proibia namoros inter-raciais após a decisão da Suprema Corte no Loving versus Virgínia, em 1967. Não havia um processo judicial, não havia legislação aplicável, mas um burocrata no IRS revogou seu status de organização sem fins lucrativos. A mesma coisa aconteceu com um Acampamento Metodista em Ocean Grove, NJ, dono de um pavilhão em frente à praia que ele alugava para quem quisesse fazer festas de casamento. Tendo se recusado alugá-lo para a cerimônia de união civil de um “casal” de lésbicas, um burocrata revogou o status de instituição sem fins lucrativos no tocante àquela parte confrontante com a praia. Há muitos, muitos outros casos, por exemplo, o da Charities Católica, na Arquidiocese de Boston.
O outro lado vai focalizar com muita frequência sua atenção em igrejas para realizar “casamentos” de pessoas do mesmo sexo. Bem, isso é apenas um fator entre muitos outros. Segundo as leis de acomodação pública, as igrejas que alugam seus salões paroquiais para o público em geral seriam obrigadas a fazê-lo para recepções de uniões do mesmo sexo. Sob a lei trabalhista do emprego, as universidades e as escolas se veriam obrigadas a contratar pessoas unidas por “casamentos” do mesmo sexo e aceitar crianças por elas adotadas, não importando o quanto elas exteriorizam e exibem seu “casamento” homossexual. Quanto à questão de se obrigar a realizar “casamentos” do mesmo sexo, o “Washington Blade”, um jornal homossexual muito influente, disse que ela será resolvida por meio desta frase: “Fluxo constante de processos judiciais”. Então, você verá uma enxurrada de processos judiciais por causa disso. Entretanto, o jornal observou que isso não era certo...
E quanto ao currículo escolar? A evidência e a experiência são claras, apesar da afirmação em contrário de funcionários de escolas: estas serão obrigadas a ensinar a equivalência entre o “casamento” de pessoas mesmo sexo e o casamento heterossexual. Isso já está acontecendo em Massachusetts. E é perfeitamente lógico: as escolas não poderiam ensinar o “fanatismo”, e a opinião comum admitida pela sociedade — que acredita na existência de algo de único na união de maridos e esposas, com exclusão de pessoas comprometidas com o casamento do mesmo sexo — seria uma forma de intolerância. As escolas terão de ensinar a equivalência das uniões conjugais do mesmo sexo com as heterossexuais. É perfeitamente concebível que todas as escolas – inclusive, portanto, as escolas privadas – teriam de adaptar seu currículo a fim de receber a chancela do Estado. Nossas escolas católicas não seguirão isso. O que acontecerá se formos forçados a fechar nossas escolas? O que vai acontecer se formos obrigados a fechar nossos hospitais? Já houve o caso de um hospital católico em São Francisco, o qual foi solicitado a fazer para uma operação completa de mudança de sexo. O Estado não terá como se manter se ele fechar os hospitais católicos. A Igreja Católica oferece uma quarta parte dos serviços de saúde deste país.
Catolicismo — Vossa Excelência prevê qualquer tipo de lei da mordaça ou proibição de externar, a partir do púlpito ou de outra forma, o ensinamento verdadeiro e a pregação da Igreja em oposição às uniões do mesmo sexo?
Dom Salvatore — Por enquanto parece difícil. Mas não considero impossível, porque isso já ocorreu na Suécia. Um pastor foi preso por pregar do púlpito sobre esse tema. Pelo menos um bispo no Canadá foi obrigado a retirar uma Carta Pastoral sobre a santidade do casamento do site diocesano. Haverá leis do chamado discurso de ódio que poderão ser aplicadas contra nós. Mas elas poderão chegar tão longe, até o púlpito? Eu não diria que seja certo, mas é possível.
Catolicismo — Na parte referente ao casamento, especialmente na Califórnia, uma votação sobre a Proposição 8 [estabelecendo que o casamento é só entre homem e mulher] constatou que a maior mudança demográfica na opinião pública situava-se na faixa etária inferior aos 25 anos. Como aconteceu isso?
Dom Salvatore — Isso se deu tanto no aspecto temporal quanto no espiritual. No temporal, aconteceu logo depois de iniciadas as campanhas da mídia. Penso que foi por causa de tais campanhas — os comerciais de TV, por exemplo — que os votantes perceberam realmente a índole da questão e seu impacto, bem como que a aprovação da Proposição 8 seria realmente para proteger os direitos, e não o contrário.
Espiritualmente, houve muitas pessoas de fé que se uniram, fazendo 40 dias de jejum e oração. O jejum iniciou-se uma semana ou duas antes da mudança. Achamos que o esforço espiritual teve algo a ver com isso.
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| A Proposição B, na Califórnia, estabelece que o casamento é só entre homem e mulher |
Dom Salvatore — A queda preocupa, uma vez que o discernimento está erodindo. Embora real, ela não é tão grave como indica, porque os peritos nos dizem que perdemos pelo menos três pontos percentuais, talvez mais, sete pontos; alguns dizem mesmo 10, por causa da mudança do texto. Foi o melhor texto para derrotar uma iniciativa — eliminando um “direito”. Então, se isso não tivesse ocorrido, teríamos obtido pelo menos 55%. No entanto, é uma queda. O que preocupa.
Mas muitas lições foram aprendidas. Há ainda grande quantidade de pessoas com fé, mesmo na Califórnia. A fé ainda tem o poder de transformar a cultura. Curiosamente, tenho certeza de que tudo isso faz parte do plano da Providência divina. Em setembro, pouco antes da eleição, quando esta questão estava realmente aquecendo, eu estava nas Filipinas. Alguns anos atrás, a comunidade filipina de minha diocese tinha me convidado a visitar seu país, seus locais sagrados, e a participar de uma determinada festividade que eu havia celebrado para o povo de San Diego; e encontrei algum tempo em setembro para fazê-lo. As igrejas estavam cheias. Os múltiplos santuários estavam lotados em todas as missas celebradas de hora em hora. Na festividade mariana que eu celebrei, as igrejas e as ruas da cidade estiveram lotadas durante toda a novena. Minha reflexão foi de que as pessoas com mentalidade pós-modernista olhariam para isso como se tratasse de um curioso costume pitoresco e folclórico antiquado sem nenhum nexo com a vida real.
Eu estava empenhado desde o início neste esforço e existiam diferentes grupos que não se conheciam. Tivemos que confiar. Não havia escolha. Se não confiássemos, não poderíamos ter feito isso. E essa foi a nossa única chance de fazê-lo. Então, praticamos um ato de grande confiança. A razão disso foi porque todo mundo provou ser digno de confiança. Ninguém estava ali por si só para sua própria glória. Preocupávamos somente com uma coisa: preservar e promover o casamento. Ninguém se importava em obter vantagem. Isto simplesmente não importava.
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