✅ Plinio Corrêa de Oliveira
A respeito de se realizar de fato uma “União Europeia”, o problema não é principalmente econômico. É fundamentalmente cultural. Isto devido à harmonia ou choque de culturas e de psicologias.
Poderíamos falar dos vinhos, que países europeus os produzem de primeiríssima qualidade, ou dos sabonetes.
Objetar-me-ão: “Mas que questões frívolas!” — Eu responderia: É próprio de uma grande civilização levar a um alto requinte coisas frívolas. A frivolidade de alta classe é um dos índices da substância de uma civilização.
Em quase todos os países europeus se produzem sabonetes esmerados, mas o caráter do sabonete primoroso varia de acordo com o temperamento e a psicologia do povo que o fabrica. O produto de um determinado país é reputado o melhor porque tem certa mentalidade típica dele, outro país tendo uma mentalidade diferente pode não gostar.
Vamos exemplificar com os deliciosos bombons europeus. Certa vez, assisti a uma discussão entre duas pessoas: uma se deliciava preferencialmente com os chocolates ingleses e holandeses (de variedade amarga), enquanto a outra gostava mais dos suíços e italianos. Os chocolates suíços eram mais doces, digamos mais bem humorados e tranquilos. Os chocolates ingleses têm seu indiscutível sabor, são excelentes, mas não têm aquela bonomia do chocolate suíço e aquele movimentado e aliciante dos chocolates italianos.
Assim, poderíamos multiplicar os exemplos para cada nação. Mas, no fundo, eu percebi que as pessoas, quando discutem a respeito, estão discutindo mais é uma questão filosófica, como que escondida por trás dos chocolates. Com isso, percebi que se discute mais sobre qual a visão que se deve ter da vida.
Como estas questões não são discutidas em profundidade, a questão da unificação europeia vai por um ziguezague que não se sabe até onde chegará.
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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 22 de julho de 1990. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.



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