26 de julho de 2026

QUAL O PODER DOS AVÓS?

Quadro do pintor austríaco Franz von Defregger (1912)

 

A misericórdia de Deus se estende sobre os filhos dos seus filhos.
Salmos 102, 17

✅  Evaristo de Miranda

Perguntaram a Sofia, uma menina de nove anos, com síndrome de Down, o que ela gostaria de ser quando crescesse. Ela respondeu: - Eu gostaria de ser avó! Perguntaram-lhe por quê. Ela completou: - Porque as avós escutam, compreendem. E além do mais, a família se reúne inteirinha na casa dos avós. Nem sempre os avós recebem a devida atenção. Nem lhes são dadas as oportunidades para manifestar seus dons.


Ao desejar ser avó, Sofia resumiu perfeitamente três das principais capacidades dos avós: escutar, compreender e reunir. Avós escutam. Eles têm tempo. Se aposentados, seu ritmo de vida diminui. Enquanto o pai e a mãe trabalham até o esgotamento, os avós têm tempo. Os pais levam os filhos à escola correndo. Avisam: estão atrasados, apressam os filhos... Com os avós, eles caminham tranquilamente. Basta observá-los na entrada das escolas. Seus passos estão harmonizados. Uma das graças dos avós consiste em dedicar às crianças, sobretudo às mais frágeis, tempo de admiração e maravilhamento. Eles saboreiam as perguntas das crianças. Compartilham suas pequenas alegrias. Ouvem suas queixas, mágoas e tristezas. Sua disponibilidade parece infinita. Sua paciência ultrapassa gerações.


Quadro do pintor americano
Morgan Weistling
Além de ouvir, os avós compreendem. A discrição dos avós é capaz de guardar os segredos dos adolescentes, as aventuras dos jovens e suas confidências dolorosas... muitas vezes negadas aos ouvidos dos pais. Os pais são a lei. Os avós são o sonho. São espaço de tolerância e aceitação. Erros e equívocos, escondidos dos pais, são relatados em toda confiança aos avós.


Finalmente, os avós reúnem a família. Suas casas são locais encantados onde ocorrem as celebrações natalinas, a Páscoa, as passagens de ano... lugares onde se saboreiam pratos especiais. Hoje em dia, essas reuniões se tornam mais raras e difíceis, com as famílias nucleares e seus infinitos afazeres. A família extensa ainda é um dom. Permite à criança tomar consciência das próprias raízes. Permite participar de uma memória comum, de uma herança transmitida entre gerações. Essa experiência convida a ampliar a vida comunitária, a solidariedade nas dificuldades e passagens difíceis. Os avós têm a graça de manter - até onde é possível - os laços familiares. Só se percebe isso, quando eles não estão mais aqui. O vivido na infância, na casa dos avós, é marca indelével para o resto da vida.


Diversos estudos em psicologia do desenvolvimento, neurociência e sociologia mostram o impacto positivo da convivência entre avós e netos: maior segurança emocional, fortalecimento da identidade familiar, transmissão de memória, desenvolvimento da linguagem, redução da solidão dos idosos e até benefícios cognitivos para ambos.


A ciência apenas confirmou aquilo conhecido havia séculos pelas famílias: a convivência entre avós e netos faz bem às duas gerações.


Claro, nenhuma generalização é possível. Existem avós abandonados em clínicas e casas de geriatria. Existem avós sem condições físicas ou psicológicas de participar da vida dos filhos e netos. Existem avós isolados e segregados. Existem avós cuidando e criando os netos, normais e deficientes, em favelas e bairros pobres. Para a maioria deles, escutar, compreender e ser traço de união familiar parece uma agradável missão. Avós não podem, nem devem, ser marginalizados das informações e da convivência com os netos. Os avós entregam aos netos tesouros muitas vezes desconhecidos dos próprios pais. A força do amor e do desejo possui um poder quase infinito. Sofia tinha razão. Os avós podem muito.

19 de julho de 2026

No turbilhão invasivo da Inteligência Artificial, como reagir e separar o ‘joio’ do ‘trigo’?


Fonte: Editorial da Revista Catolicismo, Nº 906, julho/2026 * 

“Tenho medo do dia em que a tecnologia vier a sobrepor-se à interação humana. O mundo terá uma geração de idiotas.” A frase é atribuída a Albert Einstein, mas não encontramos comprovação histórica. Entretanto, o que importa é esta verídica advertência.

O referido dia parece ter chegado com o domínio onímodo e onipresente da Inteligência Artificial (IA). Especialistas dizem que ela está suplantando a inteligência humana, “pensando por você”, “decidindo por você”. 

Ou seja, embora o próprio do ser humano é ser racional, os humanos estão deixando de pensar. Os algoritmos de IA estão amortecendo o raciocínio e a criatividade, eliminando os aspectos mais inerentes (e mais deleitáveis) à vida humana: pensar, analisar, decidir. 

Por isso, idiotices, mediocridades, imoralidades, fakes, deepfakes estão dominando o mundo. 

Muitas pesquisas científicas vêm comprovando que praticamente todos estão ficando dependentes da internet, todos tendem a ficar com o pensamento atrofiado e homogêneo. Isto porque recebem overdoses de informações propagadas por bots e robôs de IA. O pior é que todos ficam sem meios para separar o joio do trigo — muitas vezes, permanecendo apenas com o ‘joio’ (inverdades, ocultismo, pornografia). Com a IA, o ‘joio’ é transmitido em toneladas, enquanto o ‘trigo’ em apenas alguns gramas... 

Assim sendo, uma pergunta se impõe: quais são os seres que estão dirigindo tais robôs de IA? Seres invisíveis? Seres transnacionais ou preternaturais? 

O que é certo é que aqueles que controlam os robôs de IA detêm poderes titânicos, sem precedentes na História. Eles podem controlar quase tudo o tempo todo; podem remodelar as mentes, vigiar e escravizar os utilizadores de IA, torná-los autômatos, a fim de fazerem não o que desejam, mas o que ordena aqueles que concentram em suas mãos todo o poder tecnológico. 

Com o objetivo de ajudar nossos leitores a separar melhor o ‘joio’ do ‘trigo’, publicamos a presente matéria de capa sobre a avassaladora IA, que está penetrando em todos os ambientes, fazendo vítimas entre jovens, adultos, idosos e até entre crianças que desde cedo perdem a inocência. 

Neste tsunami da nova era digital, peçamos a Nossa Senhora, invocada como Sedes Sapientiae (Sede da Sabedoria), que não nos deixe naufragar no mar de lixo eletrônico, e nos conceda a graça e a inteligência para seguirmos bem o Farol e assim chegarmos ao Bom Porto, que é seu Divino Filho.
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15 de julho de 2026

ELIAS, PRÍNCIPE DOS PROFETAS


Profeta Elias – Igreja dos Carmelitas do Porto. Escultura em madeira policromada e dourada,  dourada, século XVIII (c. 1750-1775) [Foto PRC].



Celebrado liturgicamente no dia 20 de julho, Santo Elias é considerado o Fundador da Ordem do Carmo, apesar de ter vivido muitos séculos antes da constituição oficial dos Carmelitas. Em memória, segue trecho de uma palestra de Plinio Corrêa de Oliveira em 20 de julho de 1967. 

✅  Plinio Corrêa de Oliveira


S
anto Elias constituiu a primeira Ordem religiosa que houve na História! Aproximadamente 900 anos antes do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, ele reuniu discípulos no Monte Carmelo (situado na região noroeste de Israel), desejando formar suas almas segundo a pureza da Fé da Antiga Lei. O que deu origem à Ordem do Carmo. 

A Ordem nasceu com a finalidade principal de cultuar Nossa Senhora do Carmo (festejada no dia 16 de julho), que o profeta Elias anteviu numa revelação, na expectativa da vinda do Messias à Terra. 

Mas ao lado dessa finalidade principal, havia uma finalidade essencial sem a qual a Ordem não seria ela mesma: o combate contra o politeísmo. 

O politeísmo tinha penetrado às torrentes dentro da nação judaica, que era a única nação monoteísta do mundo. Elias e seus discípulos deveriam com sumo ardor e combatividade atacar o politeísmo. Eles eram a espada e o escudo da verdadeira Fé. Para isto, precisavam de teólogos, doutores, pregadores capazes de sustentar a verdadeira Fé contra a invasão do espírito mau nas fileiras de Israel. 

Habitando nas cercanias do Monte Carmelo, faziam seus estudos em conjunto a fim de se prepararem para essa missão. 

Segundo Cornélio a Lapide, Elias foi “o porta-estandarte dos profetas”. Ele era uma espécie de príncipe dos profetas, porque teve um papel maior do que todos os outros. Ele converteu mais gente, atuou mais profundamente na nação israelita, foi um verdadeiro condutor do povo de Deus, salvou o povo israelita da ruína, lutou contra os erros do seu tempo. E isto se deu num momento em que a nação eleita estava completamente deteriorada.

A Providência escolheu Elias para, a partir dele, comunicar seu espírito a uma Ordem de religiosos e, a partir destes, comunicar esse espírito a toda nação de Israel. Muitos séculos depois, a Ordem do Carmo se espalhou pelo mundo inteiro.