24 de outubro de 2020

Mau uso de dispositivos móveis gera crianças zumbis

 


✅ Luis Dufaur

Um oftalmologista argentino recebeu um casal de pacientes que compareceu com sua filhinha para consultas. Assim que chegaram a menina de três anos deitou-se no sofá e começou a brincar com o smartphone numa distância de apenas 10 centímetros dos olhos durante quase uma hora. 

O oftalmologista percebeu que o caso não era apenas de óculos, mas que a criança estava se transformando num zumbi digital com vários de problemas de saúde e comportamento, segundo descreveu em seu site Cuida tu vista. (https://cuidatuvista.com/ninos-moviles-tablets-problemas-usar-mal/). 

Para os pais o smartphone parecia uma solução porque a criança não dava trabalho e eles podiam se dedicar a outras coisas. O oftalmologista comentou para si: eles não percebem o imenso dano que estão provocando. 

Na consulta, explicou cuidadosamente aos pais da importância de fazer a menina a passar o menor tempo possível com os dispositivos digitais. É o que recomendam os profissionais sanitários de referência no caso das crianças, como pediatras, optometristas etc. 

Os pais devem se informar dos graves problemas que provocam nas crianças o mau uso das novas tecnologias, que podem produzir zumbis digitais. A expressão é dura, mas é da Associação Americana de Pediatria e outras academias correspondentes como a canadense e a japonesa. Veja mais em Digital Zombie: https://en.wikipedia.org/wiki/Digital_Zombie 

Os períodos de uso de dispositivos móveis segundo as idades de acordo com a Associação Americana de Pediatria são: 
• Bebês e crianças de 0 a 2 anos: “0” minutos por dia. Seu cérebro não está preparado para esse tipo de estímulos que podem lhes causar muitos problemas no futuro. 

• Entre 3 a 5 anos: 1 hora/dia, no máximo. 

• Entre 6 a 18 anos: 2 horas-dia, no máximo. 


Os 8 principais problemas que causa o mau uso de celulares e tablets nas crianças 

1. Desenvolvimento cerebral inadequado e transtornos mentais 

Inclui alterações no crescimento do cérebro, problemas de aprendizagem, falta ou déficit de atenção, impulsividade e acessos de raiva frequentes. Também o aparecimento de doenças mentais como depressão, ansiedade infantil, psicose e outros transtornos. 

2. Atraso no desenvolvimento infantil 

Inclui dificuldades para adquirir boas habilidades físicas, que influenciarão muito o desempenho escolar, esportes etc. Surgem muitos problemas para ler porque têm dificuldade para mover os olhos corretamente. 

3. Aumento no número de crianças míopes 

4. Obesidade infantil 

A obesidade e o sedentarismo são agravados pelos pais que permitem uma alimentação com muitos doces e bolos industriais. 

5. Distúrbios do sono 

6. Agressão 

As crianças imitam tudo, mesmo os jogos violentos aos quais ficam expostas. 

7. Comportamentos viciantes, como se isolarem da família e dos amigos. 

8. Superexposição à luz azul gerada pelas telas de LED. 


A Organização Mundial de Saúde classifica os celulares como um risco à saúde devido à emissão de radiação. A superexposição à luz azul emitida por essas telas pode ter um efeito tóxico na retina. AOMS publicou em 2019 novas diretrizes para crianças menores de 5 anos, elaboradas por um comitê de especialistas. Cfr. “El Universo”. 

(https://www.eluniverso.com/noticias/2020/03/27/nota/7797483/enfermedades-ninos-exceso-uso-celulares). 

Entre essas diretrizes, recomenda que “os períodos prolongados em que as crianças pequenas permanecem sujeitas ou em atividades sedentárias em frente a uma tela devem ser substituídos por jogos mais ativos". 

Além desses danos, os especialistas registraram transtornos do sono; hiperestimulação sensorial que afeta o sistema neurológico; cãibras nos braços e nas mãos derivadas de Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou Lesões por Movimentos Repetitivos (LMR). 
“As mãos são as mais afetadas, seguidas dos punhos, cotovelos e ombros. As lesões, principalmente, são geradas nos tendões, o que causa inflamação dos mesmos e influencia a sensibilidade”, disse Carlos Lupotti, médico ortopedista especialista em cirurgia da mão e reconstrutiva do membro superior e integrante da Clínica de Diagnóstico e Tratamento da Patologia do Ombro, Cotovelo e Mão de Buenos Aires (CLIMBA). 

Outro efeito danoso é isolar as crianças de seu entorno social dificultando o relacionamento com outras crianças ou a adaptação a ambientes diferentes. Acrescenta que a exposição às telas LED em uma idade precoce pode causar problemas como miopia ou astigmatismo. Ademais, o uso prolongado de celulares podem causar tumores cerebrais. 

A American Cancer Society (ACS) manifesta em seu site a preocupação de que “os telefones celulares podem aumentar o risco de desenvolver tumores no cérebro ou na região da cabeça e pescoço”. 

Em sentido positivo saudável incentive seus filhos a atividades ao ar livre. Evite televisão, celular ou tablet nas refeições. 

A psicóloga Silvia Álava no livro “Queremos que eles cresçam felizes” recomenda não permitir dispositivos eletrônicos (celulares, tablets, computador ou vídeo game) no quarto. As crianças devem sempre utilizá-los em espaços comuns, para que os pais possam ter um mínimo de controle, evitar horários inadequados e impedir que os pequenos utilizem tais aparelhos mais tempo do que o necessário. 

O problema está muito mais nos pais do que nos filhos. Aprenda a dizer não para eles e verão como tudo funcionará melhor. Não importa se os pais têm estudos ou não, basta aplicar essas orientações. 

Se ainda não vê claramente o problema, peça ajuda de um psicólogo — conclui site Cuida tu vista. https://cuidatuvista.com/ninos-moviles-tablets-problemas-usar-mal/.

22 de outubro de 2020

O MAL NÃO PREVALECERÁ

✅ Pe. David Francisquini*


E
nquanto o Supremo Tribunal Federal revoga a prisão de uma enfermeira acusada de realizar centenas de abortos clandestinos, condena o Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz [foto] que impediu, via judicial, um só aborto. 

A enfermeira encontra-se livre por força de liminar concedida pelo relator do caso no STF, Marco Aurélio Melo, por ter um filho portador de transtorno de espectro autista, dependente de seus cuidados. Para o ministro, a prisão que já durava nove meses excedeu o prazo razoável, pois foi presa em flagrante no ano passado, num hotel, em Belo Horizonte, quando se preparava para praticar ali mais um aborto clandestino. 

Em sua sentença, o ministro Barroso afirmou que a criminalização do aborto viola os direitos fundamentais das mulheres pobres, já que elas não podem ter acesso às clínicas de luxo... Por sua vez, a ministra Rosa Weber alegou que sendo a sociedade machista, não valoriza e nem reconhece os direitos reprodutivos da mulher... Alexandre de Moraes sentenciou que a soltura da enfermeira para cuidar de um filho menor ressalta que o distanciamento dos fatos a impedirá de atitudes criminosas. (Jornal online: Conexão política, Publicado por Marcos Rocha. Acesso em 17-10-20). 

Já o referido caso do Padre Lodi, por ter impedido a realização de um aborto, foi condenado a pagar uma indenização de quase R$ 400 mil por ‘danos morais’ causados aos pais que desejariam abortar o filho. Antes, no Supremo Tribunal de Justiça, a ministra Nancy Andrighi, que se declara católica, na sua sentença afirma que o sacerdote teria abusado de seus direitos ao pedir liminar para que a realização do aborto não fosse levada a cabo. 

Enquanto nos é negada a liberdade de ir e vir a propósito da epidemia, de trabalhar, de frequentar a igreja, de impedir que cada qual procure resolver o seu problema de saúde, a magistrada — para condenar o padre — discorre sobre a liberdade que a pessoa tem para proceder um aborto a fim de evitar traumas. 


Tal ‘liberdade’, aliás muito particular de se fazer aborto, vem sendo imposta pela agenda esquerdista de todos os naipes ao fornecer os instrumentos legais para o judiciário, sob pretextos diversos, como no caso em pauta, de evitar traumas para a mãe. Contudo, um ponto importante é omitido nessa trama, pois o aborto pode ocasionar traumas ainda maiores como desequilíbrios psíquicos, loucuras, depressões, podendo chegar até mesmo ao suicídio pelo problema de consciência causado, pois está inscrito no coração da mãe a proibição de matar o próprio filho. 

O carinho e o afeto maternos são proibidos de ter a sua livre expansão no coração de uma jovem mãe que pede proteção, evitando usar de crueldade. Abusar dessa liberdade é um ato cruel. A Ministra sentenciou que o padre "buscou ao menos por via estatal a imposição de seus conceitos e valores a terceiros, retirando deles a mesma liberdade de ação que vigorosamente defende para si”

Afirmou ainda que o sacerdote violou a liberdade do casal para fazer prevalecer a sua "posição particular", tendo pois agredido a honra da família ao denominar a atitude tomada por eles de "assassinato", além de ter agido de forma temerária ao impor a eles "sentimento inócuo". A criança a ser abortada, segundo os médicos, não teria condições de sobreviver após o nascimento. O que de fato sucedeu. 

Salta aos olhos que a nossa legislação não está sendo feita para favorecer a vida, mas para implantar a cultura da morte. A propósito, levanto algumas questões. Qual a relação entre a interrupção do curso normal de uma criança que virá à luz do mundo com o poder das trevas e o obscurantismo? Já estaríamos na época das trevas? Haveria ainda uma relação entre aborto e drogas, homicídios, amor livre, libertinagem, eutanásia, liberdade dos traficantes? 

Esta sentença que caiu sobre o Padre Luiz Lodi é um fato inédito no Brasil, por isso não deixa de ser para os defensores do aborto uma ocasião a ser comemorada. Do ponto de vista judicial, tal medida tem um papel preponderante de inibir a voz da Igreja em questões morais e religiosas, pois ninguém se atreverá a impedir o avanço da agenda pró-aborto, mesmo via judicial, como fez esse zeloso sacerdote. 

Pelo que eu saiba, nunca ocorrera na América Latina repercussão tão grave no edifício multissecular do Mandamento da Lei de Deus, ancorado na lei natural, que proíbe matar, principalmente em se tratando de um inocente e indefeso no ventre materno. 

Talvez nem todo leitor saiba da existência de entidades que ajudam mulheres entrarem na justiça para receber danos morais reais ou pretensos. Uma delas é o "Fundo Vivas", que presta auxílio financeiro, por meio de doações a essas mulheres e que tem também como objetivo arrecadar dinheiro para auxiliá-las em situações similares. 


Seus dirigentes partem do princípio de que não se pode defender o nascituro, mas sim os que livremente procederam a geração de uma criança, isso acima de qualquer princípio moral e ético. Os responsáveis pelo filho em gestação têm o direito de matá-lo, pois um nascimento indesejado iria atrapalhar suas vidas despreocupadas e indiferentes a Deus. Imaginam eles que a liberdade consiste apenas em gozar a vida e ser feliz. 

Para eles, o papel do Estado moderno é fazer leis pelas quais cada indivíduo possa afirmar que ‘na minha vida quem manda sou eu’, e ai de quem discordar, poderá de ser punido! A isso eu dou o nome de ditadura do hedonismo, pois a liberdade é para se fazer o bem, e não o que cada um quiser. Há advogados que afirmam que a interrupção da gravidez é um direito da gestante e opção do casal, do qual se pode fazer uso, sem persecução penal posterior e até mesmo sem a interferência de terceiros. 

Fatos como esse, poderão abrir precedentes para qualquer pessoa que queira se utilizar de meios legais para o planejamento e a execução do crime de assassinato da vida intrauterina, pois terão a garantia da impunidade. Isso representa de fato um enorme rompimento na história do cumprimento às Leis de Deus, pois é o homem querendo se sobrepor a Deus! 

Com certeza atrairá sobre si e sobre nossa nação terríveis castigos. Vozes como a do Padre Luiz Lodi precisam ser ouvidas e apoiadas. Não é permitido que o mal e o erro triunfem sobre a verdade e a virtude! Aqui poderemos parafrasear David dizendo a Saul que não quis estender a sua mão contra ele, pois queria conservar a sua mão sem mancha, sem nenhuma iniquidade, para não pecar contra o ungido do Senhor, mesmo quando Saul o procurava para matar. 

Os abortistas não sossegam, não dão tréguas contra a vida do inocente: dos ímpios sairá a impiedade; as mãos dos abortistas estão carregadas de sangue contra as crianças inocentes, clamando a Deus por vingança. 

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*Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso Moreira (RJ).

6 de outubro de 2020

SANTO ROSÁRIO — Poderosa arma contra o demônio e seus sequazes




Neste dia 7 de outubro celebramos a festa do Santo Rosário. Essa festividade foi instituída pelo grande Papa São Pio V em ação de graças pela vitória alcançada na batalha de Lepanto (1571) contra o poder maometano, prestes a invadir a Europa. 











“O Santo Rosário é a homenagem mais agradável à Mãe de Deus” 

(Santo Afonso de Ligório) 


“Nunca será considerado um bom cristão, quem não reza o Santo Rosário” 

(Santo Antônio Maria Claret) 


“Rezar meu Rosário é minha doce ocupação e uma verdadeira alegria, porque sei que enquanto o rezo estou falando com a mais amável e generosa das mães” 

(São Francisco de Sales) 


“A devoção do Santo Rosário cotidiano defronta-se com tantos e tais inimigos, que julgo uma das mais assinaladas mercês de Deus perseverar na mesma até a morte” 

(São Luís Grignion de Montfort) 


“Amar a Senhora e rezar o Rosário, porque o Rosário é a arma contra os males do mundo” 

(São Pio de Pietrelcina) 


“O Santo Rosário contém todo o mérito da oração vocal e toda a virtude da oração mental” 

(Santa Rosa de Lima) 

“Dai-me um exército que reze o Rosário, e eu vencerei o mundo” 

(Papa São Pio X) 


“O Rosário flagela o diabo” 

(Papa Adriano VI)

26 de setembro de 2020

Notícia muito alentadora para todas as famílias

 


✅ 
 Paulo Roberto Campos 

Neste sábado (26 de setembro) o Presidente Donald Trump indicou a juíza Amy Coney Barrett [foto]  para a mais alta Corte dos Estados Unidos. 

“Hoje tenho a honra de nomear para a Corte Suprema uma das mentes jurídicas mais brilhantes e talentosas de nossa nação. Ela é uma mulher de realização incomparável, intelecto imponente, ótimas credenciais e lealdade inflexível à Constituição”, disse o presidente americano durante a cerimônia realizada nos jardins da Casa Branca. 

Agora apenas resta a aprovação do Senado norte-americano, o que facilmente deve ocorrer, pois conta com maioria republicana (53 senadores republicanos X 47 democratas). 


Amy Coney Barrett, 48 anos, nascida em New Orleans, é católica, mãe de sete filhos [foto], Emma, Vivian, Tess, John Peter, Liam, Juliet e Benjamin (dois deles são adotados) — será na história do país a primeira mãe de crianças em idade escolar a atuar na Corte Suprema dos EUA. Ela graduou-se pela Rhodes College e, em primeiro lugar da classe, pela Faculdade de Direito da Universidade de Notre-Dame (Indiana), onde lecionou por 15 anos. 

Um renomado e muito respeitado professor de direito em Notre-Dame escreveu: “Amy Coney é a melhor aluna que já tive”. Atualmente é Juíza da Corte de Apelações Federal de Chicago. Ela substituirá Ruth Bader Ginsburg, falecida recentemente aos 87 anos, que era de tendência esquerdista. 


Graças a Deus, com esta escolha de hoje, a Suprema Corte americana se tornará mais conservadora (6 conservadores X 3 esquerdistas), o que poderá auxiliar muito na defesa dos valores da instituição familiar, como a proibição do comércio de drogas, do aborto, da eutanásia, do “casamento” homossexual e do absurdo ensino nas escolas da "teoria de gênero" às crianças.

Claro, e não nos causa nenhuma surpresa, a mídia esquerdista (e intolerante) está bufando de ódio, denominando a juíza como ultraconservadora etc. Não nos surpreende também que líderes feministas — que deveriam comemorar a eleição de uma mulher para a mais alta Corte da nação mais poderosa do mundo —, estejam igualmente encolerizadas. Por quê? — Certamente pela mesma razão pela qual as mulheres autenticamente femininas e mães de família estão comemorando...

24 de setembro de 2020

Trump anuncia ordem executiva para proteger bebês sobreviventes do aborto

 


  Fonte: ACI, 3-9-2020 *
 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira uma ordem executiva para que seja obrigatório o atendimento médico aos bebês sobreviventes do aborto. 

“Hoje, anuncio que assinarei a ordem executiva ‘Born-Alive’ (Nascido Vivo) para garantir que todos os preciosos bebês nascidos vivos, independentemente de suas circunstâncias, recebam os cuidados médicos que merecem. Este é o nosso sacrossanto dever moral”, disse Trump em um vídeo que foi transmitido em 23 de setembro durante o Café da manhã Nacional de Oração Católica, realizado de forma virtual. 

O projeto de lei para a "proteção dos bebês nascidos vivos" já foi apresentado diversas vezes no Congresso, mas não chegou a se converter em lei. Estagnou na Câmara dos Representantes entre 2019 e 2020 devido ao número insuficiente de membros que assinaram uma “discharge petition”, uma petição que teria levado a uma votação sobre o assunto. 

O projeto não criaria novos limites ou restrições ao acesso ao aborto, mas possibilitaria que bebês nascidos vivos após tentativa de aborto recebessem atendimento médico adequado, semelhante ao de uma criança nascida com a mesma idade gestacional, em uma circunstância diferente. Vários estados aprovaram sua própria versão do projeto de lei. 

O texto completo da ordem executiva ainda não foi publicado, mas deve refletir a mesma intenção da legislação federal sobre o assunto. 


Trump também anunciou que seu governo estaria "aumentando o financiamento federal para pesquisas neonatais, para garantir que cada criança tenha a melhor chance de prosperar e crescer". Setembro é o Mês da Conscientização sobre a Unidade de Terapia Intensiva Neonatal.

O Café da Manhã Nacional de Oração Católica foi remarcado devido à pandemia do coronavírus, uma vez que deveria ocorrer no final de março. 

Esta é a primeira vez que Trump participa do evento; no entanto, funcionários de sua administração, incluindo o vice-presidente Mike Pence e o ex-chefe de gabinete interino da Casa Branca, Mick Mulvaney, participaram do café da manhã nos últimos anos. 

Leonard Leo, copresidente da Sociedade Federalista e presidente do comitê do Café da Manhã Nacional de Oração Católica, apresentou o presidente Trump. Leo elogiou os esforços do governo para proteger as escolas confessionais e a liberdade religiosa. 

Leo também elogiou o compromisso de Trump com a defesa da vida. O presidente assumiu uma postura ativa contra o aborto, tornando-se o primeiro presidente em funções a discursar na Marcha pela Vida e a anunciar planos para expandir a política da Cidade do México, que proíbe o fornecimento de ajuda externa federal para organizações que promovem ou realizam abortos. 
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 * Publicado originalmente em “ACI Prensa”. Traduzido e adaptado por Nathália Queiroz.

23 de setembro de 2020

Quem combate de modo “politicamente correto” não conquista a vitória


Plinio Maria Solimeo 

Hoje em dia tal é a pressão dos meios de comunicação social sobre as pessoas em geral que, independentemente de seu nível social e representativo, ao se manifestarem, para serem “politicamente corretas”, elas silenciam sobre as opiniões que deveriam por dever de ofício expressar com clareza. 

É o que ocorre inclusive com eclesiásticos de alto escalão quando falam de problemas morais. Em vez de justificá-los com base na religião que professam, por uma espécie de incompreensível respeito humano, para não ferir os ateus ou agnósticos ou destoar da opinião geral, silenciam o aspecto religioso do que dizem. Exemplifiquemos com dois casos recentes. 

Está em tramitação no Congresso espanhol, propulsionado pelos esquerdistas radicais apoiados pela esquerda em geral, uma nova lei para aprovar a eutanásia, o suicídio assistido etc. 

A propósito desse polêmico assunto, a Comissão Executiva da Conferência dos Bispos Espanhóis publicou no dia 14 uma “reflexão”. 

Os prelados recordam que essa lei “é uma má notícia, pois a vida humana não é um bem à disposição de ninguém”. Por isso, “insistir no ‘direito à eutanásia’ é próprio de uma visão individualista e reducionista do ser humano, e de uma liberdade desvinculada da responsabilidade. Afirma-se uma radical autonomia individual e, ao mesmo tempo, se reclama uma intervenção ‘compassiva’ da sociedade, através da medicina, originando-se uma incoerência antropológica”. Ora, dizem os bispos, “o próprio da medicina é curar, mas também cuidar, aliviar e consolar, sobretudo no final da vida. A medicina paliativa se propõe a humanizar o processo da morte, e acompanhar o doente até o final. Não há enfermos ‘não cuidáveis’ mesmo que sejam incuráveis”

Acrescentam os bispos: “O suicídio crescente entre nós também reclama uma reflexão e práticas sociais e sanitárias de prevenção e cuidado oportuno. A legalização de formas de suicídio assistido não ajudará na hora de insistir quem está tentado de suicídio que a morte não é a saída adequada. A lei, que tem uma função de proposta geral de critérios éticos, não pode propor a morte como solução do problema.” 

A Conferência Episcopal Espanhola considera ademais que “uma sociedade não pode pensar na eliminação total do sofrimento e, quando não o consegue, propor sair do cenário da vida; deve, pelo contrário, acompanhar, paliar e ajudar a viver esse sofrimento”.

Os bispos concluem: “O sim à dignidade da pessoa, sobretudo nos momentos em que é mais indefesa e frágil, nos obriga a nos opor a essa lei que, em nome de uma dita morte digna, nega em sua raiz a dignidade de toda vida humana.” 

Essa “reflexão” — que poderia ter sido escrita por qualquer movimento civil de defesa da vida sem orientação religiosa ou filantrópica específica — é muito censurável numa Conferência Episcopal que deveria se expressar de modo católico. Ela omite o principal aspecto do problema, que é o religioso, pois a eutanásia viola o V Mandamento de Lei de Deus: NÃO MATAR. 

Essa mesma crítica se pode fazer à “Carta Aberta” do Cardeal Cañizares, de Valência, entretanto forte e contundente em muitos aspectos, se comparado com seus pares que nada fizeram. 

O purpurado diz que a aprovação da lei da eutanásia foi uma derrota “histórica, humilhante [...] da Espanha inteira, da sociedade espanhola, das pessoas que habitamos aqui, derrota também da humanidade, do próprio homem, pela aprovação da lei da eutanásia em trâmite, suicídio assistido, e pelo rechaço de outras propostas sobre cuidados paliativos que melhoravam a atual legislação”

Numa linguagem forte, o Cardeal Cañizares diz: “Sr. Presidente do Governo, membros do Governo, ministros, parlamentares que aprovaram tamanha injustiça, aliás monstruosa, estão os Srs. loucos, perderam a cabeça, ou sua moral é não tê-la? Deem-se conta de que os Srs., como Governo ou como Parlamentares, existem para defender, proteger, tutelar o bem comum baseado em direito e deveres fundamentais da sociedade à que representam — o primeiro é a vida —, e acontece que se converteram em inimigos que se opõem à sociedade, dispostos a derrotar essa sociedade que representam e devem proteger, ao propugnar semelhante proposta de Lei, que difunde e aumenta uma cultura de morte, sobretudo em meio à Pandemia do Covid-19. Que credibilidade podem manter diante de dita Pandemia? Com que autoridade moral podem dirigir-se a esse povo e pedir-nos o que nos pedem? Não se veem como um sinal de contradição?”

Depois de dizer que sua atitude não representa uma intromissão na política, mas que sua responsabilidade como bispo e como cidadão não lhe permite calar, ele conclui dizendo: “E assim devo denunciar ante a opinião pública esse comportamento, como também o dos meios de comunicação que tanta importância deram ao ‘assunto dos prefeitos’, e sem embargo tão pouco relevo ao assunto da eutanásia, que constitui não uma derrota histórica de um Governo, mas uma derrota de todo um Estado.” 

Concluímos repetindo ser lastimável ver um Cardeal e bispos da Santa Igreja, que enfrentaram os Poderes constituídos, o fazerem não como ministros de Deus e guardiães de sua santa doutrina que são, mas como uma autoridade civil qualquer. 

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- https://www.religionenlibertad.com/espana/545654904/obispos-espanoles-eutanasia-enfermos-incuidables-incurables.html XXXXXXXXXXXXX 

- https://www.religionenlibertad.com/espana/978146941/Estan-locos-han-perdido-la-cabeza-o-su-moral-es-no-tenerla-dura-carta-de-Canizares-al-Gobierno.html?utm_source=boletin&utm_medium=mail&utm_campaign=boletin&origin=newsletter&id=31&tipo=3&identificador=978146941&id_boletin=923471013&cod_suscriptor=452495753

22 de setembro de 2020

O estupro e o exemplo de uma boa mãe


✅Fonte: “Gazeta do Povo”, 17-9-20


Em 1991, a mãe de Paula K. Peyton foi estuprada, engravidou e optou pela filha. Paula K. Peyton [fotos] nasceu em Memphis, no Tennessee, e ali também foi vítima de estupro, em 2017. Decidida a levar adiante a gravidez, apesar da pressão para que abortasse, hoje é mãe de Caleb, um garoto que completa três anos no dia 4 de outubro. 

Ativista pró-vida, Paula criou uma fundação para prestar suporte para outras mulheres que se veem na mesma situação - e também como crianças nascidas a partir de agressões sexuais. 

Paula, que tem 28 anos e continua morando em Memphis, concedeu entrevista à "Gazeta do Povo" , por escrito. As respostas foram organizadas na forma de um relato, em que ela não é só seu drama pessoal, como também apresenta suas motivações para defender que os filhos que nascem nessa situação podem ajudar suas mães a superar o trauma. Esta é sua história: 

"O que é um aborto?" 


“Minha mãe biológica foi estuprada em 1991, aqui em Memphis. Ela tinha 32 anos, quase 33. Até onde eu sei, ela não formaliza a polícia. Quando eu tinha cinco anos, minha mãe discutiu com a mãe dela, minha avó. Algumas coisas foram ditas na ocasião, e então minha mãe foi embora de casa. Perguntei a minha avó sobre alguns dos comentários que ouvi durante a briga. 

Ela me respondeu que minha mãe não sabia quem era meu pai, porque ela tinha sido estuprada. Disse também que eu teria sido abortada se minha mãe soubesse fazer as coisas direito. 

Eu não entendia nem um dos dois conceitos, nem estupro, nem aborto, então continuei fazendo perguntas. Descobri então que aborto é quando um bebê é morto antes de nascer. 

Não lembro dos comentários específicos dela sobre estupro, mas lembro de perceber que era algo realmente ruim. Entendi nesse dia também que é por eu ser concebida em um estupro que as pessoas me tratavam diferentes. 

Fiquei envergonhada e chorei muito naquele dia. Esses conceitos, de aborto e estupro, foram levados de forma tão negativa que derrubaram minha autoestima. 

Estudei em escolas públicas e sou agradecida por essa oportunidade. Tive professores maravilhosos, que preencheram uma série de vácuos na minha vida, já que minha infância não foi a ideal, fui muito negligenciada. 

Mas Deus sempre providenciou tudo o que eu precisava e me evoluía a atravessar pelos períodos mais difíceis, com frequência graças a meus professores"

O estupro 

“Fui estuprada em janeiro de 2017. Estava conhecendo um rapaz, que me convidou para assistir televisão. Fui a seu apartamento, e depois de algum tempo ele começou a tocar em mim de uma maneira que me deixou desconfortável. 

Quando me levantei para ir embora, o colega de quarto apareceu de outro cômodo com uma arma nas mãos, e os dois me estupraram diante da mira da arma. Eu fiquei com hematomas e mais tarde desenvolvi uma infecção feia, que poderia causar aborto espontâneo. Sangrei muito na primeira metade da minha gravidez por causa dessa infecção. 

Quando descobri que estava grávida, sorri pela primeira vez desde o estupro. Estava vivendo em luto e perguntando por que Deus poupou minha vida. Descobrir que estava grávida do meu filho deu-me razão para continuar vivendo. 

Eu sabia que Deus me tinha dado uma dor que eu conseguiria conectar, e tinha dado por uma razão. Nunca houve nenhuma dúvida em minha mente de que eu manteria o bebê. Ele era meu filho, e eu o amei instantaneamente. 

Fui abençoada de ter contato com muitas disciplinas filhos foram concebidos por estupro e hoje são adultos. Elas compartilharam o que funcionou bem, e também o que não funcionou, em relação a contar a seus filhos como eles foram concebidos. O conselho que recebi foi o de compartilhar informações apropriadas para a idade, na medida em que meu filho necessita a fazer perguntas. 

No início do ano, ele começou a perguntar por que não tem um pai, então eu contei uma história bem básica, que ele ama e pede para ouvir novamente o tempo todo. Ele chama de 'a história da mamãe feliz'! ” 

O que dizer a seu filho? 


“É assim: 'Há muito tempo, algumas pessoas machucaram a mamãe, e ela estava muito triste. Chorou, perguntou para Deus por que tinha que estar tão triste o tempo todo. Deus estava triste também, porque não gosta de nos ver machucados, e Ele sabia exatamente o que fazer para me ajudar. Ele decidiu que eu precisava de um presente especial, então me deu um menininho doce, forte, esperto e lindo, que dá os melhores beijos e abraços. E esse é o Caleb! 

Então Deus colocou você dentro de mim, e quando eu descobri que você estava lá fiquei tão feliz! Você foi o melhor presente. Você cresceu e cresceu dentro de mim, e, no seu aniversário, você saiu e nasceu. Então você chorou até que colocaram você nos meus braços, e parou de chorar quando eu te acalentei. E eu estava ainda mais feliz por finalmente segurar você nos braços. ' 

Ele ainda não entende que foi elaborado num estupro, mas estou plantando as sementes, de forma que a informação não seja tão chocante quando ele for mais velho.

Vou continuar garantindo que ele entenda que coisas ruínas acontecem com todos nós, mas que, quando Deus atua em nossas vidas, podemos usar tudo isso para nosso bem. Uma beleza que vem das cinzas! 

Sou cristã. Eu não teria sobrevivido à minha gravidez e à intensa pressão que sofri de outras pessoas para fazer um aborto se não for meu relacionamento com Cristo. Deus tem estado comigo a cada passo do caminho, escrevendo uma linda história de redenção em minha vida. 

Meu versículo favorito da Bíblia é Gênesis 50:20, e esse trecho é certeiro [o versículo diz: Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornei em bem, para que hoje fosse preservada a vida de muitos.] ” 

Uma fundação que dá esperança 

“Eu criei uma fundação, chamada Hope After Rape Conception [“ Esperança para a Concepção após o Estupro], que tem por objetivo oferecer esperança para mães que passaram por essa situação, e também para seus filhos. 

As necessidades de cada uma delas são diferentes. Algumas precisam apenas contar histórias que elas não se sentem seguras para compartilhar com os amigos e as famílias. 

Outras necessidades de aconselhamento para lidar com o trauma, e muitas pedem aconselhamento jurídico porque os homens que as estupraram entram na justiça para ter o direito de visita ou de custódia das crianças. 

Aqui nos Estados Unidos, essas leis variam para cada estado. Alguns fornecem proteção adequada para as mulheres, mas aproximadamente metade não oferece. Também estou trabalhando com os legisladores para implementar uma legislação mais adequada para proteger a vítima de estupro e seus filhos. 

Acredito que toda mulher, em qualquer situação, deveria continuar a gravidez. Há casos, como a gravidez ectópica, em que a vida da mãe é ameaçada pelo fato de o bebê se implantar fora do útero. 

Num caso assim, a intenção importa: se a intenção é fazer o parto antes para garantir a saúde da mãe, o bebê acaba morrendo por não conseguir sobreviver por conta própria, essa é uma situação inteiramente diferente da arrancar o bebê do útero da mãe apenas por conveniência. 

As pessoas com frequência citam ou estupro, que respondem por 1% dos abortos praticados nos Estados Unidos, como uma justificativa para todos os abortos. A existência de pessoas como eu e como meu filho é usada para justificar o assassinato de milhões de bebês no mundo todo, todos os anos. 

Mesmo entre as pessoas que se identificam como pró-vida, você vai encontrar quem justifique o aborto em casos de estupro, e isso é simplesmente um ato de compaixão deslocada. Essas pessoas não entendem o que sentimos porque não conversaram diretamente conosco e não conhecem os fatos. 

Todo estudo de grande alcance já realizado sobre o assunto mostra que a esmagadora maioria das mulheres que engravidaram em resultado de estupro escolhem pela vida.

Daquelas que abortam depois do estupro, quase todas relatam terem sido forçadas a realizar o procedimento e agora expressam grande arrependimento, e 90% diz que não recomendariam o aborto para mulheres que se veem nas paralelas. O aborto após o estupro apenas adiciona mais trauma para a situação. Nossos bebês nos curam com alegria e um propósito. 

Então, sim, eu acredito que toda vida importa e deveria ser protegida. A gravidez é temporária, a morte é permanente. O desejo de não estar grávida não justifica matar outra pessoa. No entanto, também tenho grande compaixão por mulheres que passaram pelo aborto, porque, por gerações, nossa cultura mentiu para elas e disse que bebês no útero são grupos de células, e não seres humanos únicos, que apenas estão num estágio diferente da vida. ” 
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* https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/paula-nasceu-de-um-estupro-e-tambem-foi-estuprada-ela-decidiu-manter-o-filho-esta-e-sua-historia/ 

20 de setembro de 2020

Centímetro por centímetro


 Maria José Miranda Pereira [1] 

Neste setor de abortos há uma corrente forte da qual participam muitos médicos, que acreditam no dogma de Hitler. O aborto deu a algumas pessoas grande poder sobre a vida e sobre a morte. Aguardamos o tempo em que a mãe terá o direito de matar o seu filho até algumas horas depois do parto normal. Quando a criança nasce a mãe deve ter a possibilidade de olhar bem para ela e ver se corresponde à sua expectativa e resolver se ela deve continuar vivendo. Isto é o ideal, o sonho, naturalmente. Mas ainda estamos muito longe do tempo em que a sociedade em seu conjunto aceite uma coisa destas. Temos que ir muito devagar. 

Se se dissesse uma coisa destas logo no começo, quando entrou em vigor a Lei do Aborto, teria havido protestos, o público teria ficado horrorizado. Temos que conquistar nosso terreno centímetro por centímetro[2]. 

As palavras acima foram pronunciadas por um farmacêutico, dono de um consultório de teste de gravidez em Londres. Foram gravadas secretamente pelos jornalistas Michael Litchfield e Susan Kentish, que investigavam o que ocorria nas clínicas de aborto logo após a sua legalização na Inglaterra (o “Abortion Act”, de 1967). Esta foi uma das vezes em que os jornalistas se depararam com uma simpatia entre os praticantes do aborto e as ideias nazifascistas. Digna de nota é a frase: “Temos que conquistar nosso terreno centímetro por centímetro”

No Brasil está acontecendo algo semelhante. Em 1996, a então deputada Marta Suplicy (PT/SP) dizia acerca do seu projeto de lei (PL 1956/96) que buscava liberar o aborto de crianças com más-formações graves: “Quero uma lei que permita a interrupção da gravidez em casos incompatíveis com a vida. Assim será facilmente aprovada e poderemos dar o próximo passo”[3]. Como o Congresso nunca aprovou esse projeto de aborto eugênico, o advogado Luís Roberto Barroso resolveu em 2004 ingressar junto ao Supremo Tribunal Federal com a ADPF 54, a fim de que os Ministros, reinterpretando e desinterpretando o Código Penal “conforme (?) a Constituição” decidissem que o aborto — renomeado “antecipação terapêutica de parto” (ATP) — de bebês anencéfalos não poderia ser considerado crime. Depois de muita luta pela morte dos deficientes, Barroso teve a alegria de ver, em abril de 2012, a Suprema Corte julgar procedente o seu pedido, violando cláusula pétrea da Constituição Federal e permitindo a morte direta de um ser humano inocente pelo simples fato de lhe faltar parte da massa cerebral. 

Em 2016, com o surto do nascimento de crianças com o perímetro cefálico menor que 32 centímetros (microcefalia), fato este supostamente associado ao Zika vírus, eis que aparece a Associação Nacional de Defensores Públicos (ANADEP) desejando pleitear junto à Suprema Corte o aborto de tais bebês de cabeça pequena (ADI 5581). Desta vez, o preconceito não se refere à massa cerebral, mas ao diâmetro do crânio. 

E Luís Roberto Barroso, advogado incansável do preconceito contra os anencéfalos (ADPF 54) e contra os embriões humanos congelados (ADI 3510), agora já é Ministro do Supremo, nomeado por Dilma Rousseff em 2013. 

Mesmo sendo juiz, ele não deixou de ser advogado da causa abortista. Em 29/11/2016, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal julgava um habeas corpus (HC 124.306-RJ) impetrado contra a prisão preventiva de uma quadrilha que praticava abortos em uma clínica em Duque de Caxias (RJ). Os acusados desejavam apenas responder ao processo em liberdade, alegando razões processuais. 

O Ministro Barroso, porém, aproveitando a ocasião, fez em seu voto-vista um tratado de “direitos humanos” e concluiu que os réus deveriam ser soltos não apenas por razões processuais, mas por haver “dúvida fundada sobre a própria existência do crime” (sic), uma vez que, segundo ele, os artigos 124 e 126 do Código Penal (que incriminam o aborto), para serem interpretados “conforme a Constituição” (sic), deveriam excluir o aborto praticado nos três primeiros meses! O lamentável voto de Luís Barroso foi acompanhado por Rosa Weber e Edson Fachin! 

O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) entendeu que no STF o clima estava favorável à liberação do aborto e resolveu assim, em 08/03/2017, ajuizar a ADPF 442, usando os mesmíssimos argumentos de Barroso e pedindo a “não recepção parcial” dos mesmos artigos do Código Penal por ele citados (arts. 124 e 126) pela Constituição de 1988 “para excluir do seu âmbito de incidência a interrupção da gestação induzida e voluntária realizada nas primeiras 12 semanas”

A relatora da ação, Rosa Weber, que acompanhara o voto de Barroso no HC 124.306, resolveu promover um magnífico espetáculo convocando para agosto de 2018 uma audiência pública sobre a ADPF 442. O evento serviu para dar uma aparência de participação popular, mascarando a tirania da Suprema Corte, que já estava pronta para bater o martelo contra os nascituros. Estando em debate o aborto de crianças por simples solicitação da gestante até três meses de vida (ADPF 442), ninguém mais pensava no aborto de crianças microcéfalas (ADI 5581). 

Foi então que, em 13/04/2020, estando o povo em “prisão domiciliar” em meio à pandemia do Coronavírus, o STF resolveu incluir na pauta de 24 de abril, em plenário virtual, o julgamento da ADI 5581. Tudo parecia um golpe para aprovar o aborto na surdina. A sociedade se manifestou como pôde, usando as redes sociais, mas não impediu que o julgamento começasse na data e na forma marcadas. 

Para nossa surpresa, a relatora Ministra Cármen Lúcia emitiu um voto em que dizia: “Julgo prejudicada a Ação Direta de Inconstitucionalidade e não conheço da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental”. Não foi um voto “contra o aborto”, mas contra o seguimento da ação, sem entrar no mérito do pedido. Tal voto foi seguido pelos demais ministros do STF. O último a votar, Luís Roberto Barroso, em 30 de abril, francamente entristecido, não quis manifestar divergência “diante da maioria que já se formou no Plenário Virtual pela existência de óbice processual ao seguimento de ambas as ações”[4].

No entanto, não deixou de fazer “uma ressalva e uma reflexão”. A ressalva é que, na opinião dele, a ANADEP teria legitimidade para ajuizar a ação, sob a forma de ADPF (se ele tivesse sido o relator, a ação teria sido conhecida). A reflexão é que a extinção do processo adiou a discussão do “tratamento constitucional e legal a ser dado à interrupção da gestação, aos direitos fundamentais da mulher e à proteção jurídica do feto”. Note-se que, para Barroso, enquanto a mulher tem “direitos fundamentais”, o nascituro (por ele chamado “feto”) tem apenas uma “proteção jurídica”, semelhante àquela que têm a fauna, a flora e os bens patrimoniais. E mais ainda: “Mulheres são seres autônomos, que devem ter o poder de fazer suas escolhas existenciais, e não úteros a serviço da sociedade”. 

Convém notar que as mulheres que Barroso considera autônomas são as adultas, não as mulheres que estão no ventre de outras mulheres aguardando a hora do nascimento. O que ele defende não é um direito “da mulher”, mas o direito do grande sobre o pequeno, do forte sobre o fraco, o que nada mais é do que a ausência do direito. Em seu voto, ele menciona expressamente a sua apologia do aborto feita no HC 124.306 e afirma que a reflexão “transcende a questão da Zika e da microcefalia, alcançando os direitos reprodutivos das mulheres de maneira geral” (sic!). Como é grande a desilusão de Barroso diante de um placar de onze votos a zero, tendo o Tribunal perdido a ocasião de avançar mais alguns centímetros em direção ao aborto irrestrito! Como seria bom se o Ministro tivesse a sinceridade daquele farmacêutico de Londres, que se declarava admirador de Hitler! Como seria bom se ele confessasse que seu sonho seria restaurar o que estava escrito na “Tábua Quarta” da Lei das Doze Tábuas do Direito Romano: 

“1. É permitido ao pai matar o filho que nasce disforme, mediante o julgamento de cinco vizinhos. 

2. O pai terá sobre os filhos nascidos de casamento legítimo o direito de vida e de morte e o poder de vendê-los”. 

Como seria bom se Barroso tivesse a coerência do australiano Peter Singer, que defende não apenas o aborto, mas o infanticídio: “Tudo o que digo é: por que limitar a matança ao útero? Nada mágico acontece no nascimento. [...]. Claro, o infanticídio precisa ser raro e controlado por uma legislação dura, mas não precisa ficar ilegal. Não mais que o aborto”[5]. 

E como seria bom se ele e os demais Ministros reconhecessem que não querem suprir uma “omissão” do Parlamento sobre o aborto, mas destruir o sonoro NÃO que os parlamentares disseram ao aborto. 

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Parabenize a promotora Maria José Miranda Pereira pela publicação deste artigo! Envie uma mensagem para mjmp10@Gmail.com 
Anápolis, 3 de junho de 2020. Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz, Presidente do Pró-Vida de Anápolis 
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Maria José Miranda Pereira

Fonte: https://www.tribunadiaria.com.br/noticia/814/centimetro-por-centimetro.html 
 
[1] A autora deste artigo, Dra. Maria José Miranda Pereira [foto] é Promotora de Justiça do Distrito Federal, membro da Associação Nacional de Membros do Ministério Público – MP PRÓ-SOCIEDADE. Publicado na Tribuna Diária em 31 maio 2020 [ https://www.tribunadiaria.com.br/noticia/814/centimetro-por-centimetro.html ]. 
[2] Michael LITCHFIELD, Susan KENTISH. Bebês para queimar: a indústria do aborto na Inglaterra. 6. ed. São Paulo: Paulinas, 1985, p. 52-54. Título original: Babies for burning: the abortion business in Britain. O “copyright” é de 1974. 
[3] Jornal do Brasil, 19/05/1996, página “Saúde”. 
[4] https://www.conjur.com.br/dl/voto-barroso-adi-5581.pdf 
[5] https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe2507200401.htm

14 de setembro de 2020

Na Itália, o espectro de uma ditadura LGBTQ

 

OrganizOrganizações Pró-Família exigem que ela seja protegida na Itália

✅Julio Loredo

Fonte: Revista Catolicismo, Nº 837, Setembro/2020

 

    O Parlamento italiano está discutindo o projeto de lei Zan (do deputado Alessandro Zan), também conhecido como projeto de lei Zan-Scalfarotto (o deputado Ivan Scalfarotto foi o autor do primeiro rascunho), ambos do Partido Democrático, herdeiro do Partido Comunista. A intenção do projeto de lei é “opor-se à homofobia e transfobia”, modificando o Código Penal com artigos sobre “violência ou discriminação devido a preferências sexuais ou identidade de gênero”. O projeto de lei pretende tratar de uma “emergência de gênero” na Itália, como se a violência contra homossexuais e transgêneros fosse desenfreada.

    Tudo no projeto é errado e perigoso.

    Para começar, não existe uma “emergência de gênero” na Itália. Muito pelo contrário, pois infelizmente a Itália é considerada um dos países europeus mais “amigos dos homossexuais”, logo abaixo da ultra-permissiva Grã-Bretanha. Mais de 70% dos italianos apoiam direitos iguais para os homossexuais. Um número impressionante de 27% aprovaria a formação de um partido homossexual, e 6,7% votariam a favor. O serviço de estatísticas da União Europeia mostra que a Itália tem uma das menores taxas de violência relacionada ao gênero: apenas 29 casos por ano.

    Tivemos dois presidentes regionais abertamente homossexuais: Nichi Vendola, da Puglia, e Rosario Crocetta, da Sicília. Há um deputado transgênero: Vladimir Lussuria. Um comentarista conhecido da TV é travesti: Mauro Coruzzi, também conhecido como Platinette. Números em mãos, podemos concluir firmemente que não há na Itália “emergência de gênero” que exija uma legislação especial.

Em segundo lugar, a legislação atual na Itália já protege a integridade física e a dignidade moral de todos os cidadãos. O Código Penal pune severamente qualquer ofensa — seja física, verbal ou por imagens — motivada por ódio ou desdém (Art. 604 bis). Além disso, penaliza “qualquer propaganda ou instigação à ofensa com base em discriminação racial, étnica ou religiosa”. A pena é agravada se a ofensa for motivada por “motivos fúteis ou desprezíveis” (Art. 61), como orientação sexual. Em outras palavras, homossexuais e transgêneros já estão suficientemente protegidos. Vereditos regionais e federais recentes mostram que, com base no atual Código Penal, os tribunais italianos já usam o conceito de homofobia. Não há absolutamente nenhuma necessidade de nova legislação.

Em terceiro lugar, a teoria jurídica estabelece que não pode haver punição sem uma definição clara do que constitui um ato criminoso. Em outras palavras, os cidadãos não podem ser condenados por crimes que não são definidos como tais. “Homofobia” e “transfobia” não estão definidas em nenhum código legal, seja italiano ou europeu. Nem são definidos em nenhum texto científico, como o DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) ou o CID (Código Internacional de Doenças). Quem decidirá o que constitui um crime de “homofobia” ou de “transfobia”? Uma possibilidade é que os próprios juízes decidam, caso a caso, se um ato constitui ou não um crime de homofobia ou transfobia. Isso levaria diretamente à arbitrariedade judicial.

Se considerarmos que a grande maioria dos juízes italianos está à esquerda no espectro político, podemos imaginar que tipo de decisão seria proferida. Outra maneira de definir esses crimes, ainda mais perigosa, seria pelo conceito de “violência percebida”, que vai ganhando terreno lentamente na teoria jurídica. O crime existiria caso a vítima se julgasse ofendida. Portanto, constituiria crime qualquer ato ou palavra entendidos pela própria vítima como ofensivos.

 Ensino do Catecismo poderá ser penalizado

Se o projeto de lei for aprovado, um sacerdote que pregar do púlpito o Catecismo da Igreja Católica, no que se refere aos mandamentos sexto e nono, estará sujeito à penalidade máxima.




Mas aprofundemo-nos no projeto de lei Zan-Scalfarotto. Sem dúvida, é a legislação mais ditatorial, absolutista e fascista já produzida na Itália. Já foi aprovado na Comissão de Justiça da Câmara dos Deputados, e deverá ser apresentado em breve. Apoiado por todos os partidos de esquerda, o projeto foi contestado apenas por Fratelli d'Italia Lega. O Forza Italia de Silvio Berlusconi se absteve, confirmando sua tendência para a esquerda.

Se for aprovado, o projeto punirá qualquer “discriminação baseada em gênero, orientação sexual ou identidade de gênero”. Eis as penalidades:

— de 18 meses a seis anos de prisão, se o agressor pertencer a uma organização que rejeita a homossexualidade do transgenerismo;

— revogação da carteira de identidade nacional;

— revogação do passaporte;

— revogação da carteira de motorista;

— toque de recolher depois das 18 horas;

— perda de direitos políticos por três anos.

         A sentença de prisão poderá ser comutada mediante “serviços civis” realizados em centros LGBTQ, onde o infrator será devidamente “reeducado”. Sim, RE-EDUCADO!

         Se essa lei for aprovada, um sacerdote que pregar do púlpito o Catecismo da Igreja Católica, no que se refere aos mandamentos sexto e nono, estará sujeito à penalidade máxima. E o autor deste artigo poderá tornar-se presidiário em um cárcere de segurança máxima quando escrever o próximo...

         Tal ataque à liberdade religiosa não ocorreu sem oposição.

 

Câmara dos Deputados Italiana
Se for aprovado, o projeto punirá com as seguintes penalidades:
— de 18 meses a seis anos de prisão, se o agressor pertencer a uma organização que rejeita a
homossexualidade do transgenerismo;
— revogação da carteira de identidade nacional;
— revogação do passaporte;
— revogação da carteira de motorista;
— toque de recolher depois das 18 horas;
— perda de direitos políticos por três anos.

É crime expressar a própria opinião católica?

         A pandemia do covid desestruturou o país até as suas raízes, interrompendo a vida política e cultural especialmente no campo conservador. As reuniões públicas, embora não totalmente impossíveis, tornaram-se muito difíceis de organizar, devido às restrições sanitárias. No entanto, à medida que o projeto de lei tramitava no Parlamento, grupos pró-vida e pró-família começaram a se reunir, formando a coalizão Restiamo Liberi (Permanecemos livres). O objetivo da coalizão é muito simples: interromper o projeto de lei Zan fazendo ouvir a voz do povo.

         Em um comunicado à imprensa, Restiamo Liberi definiu o seu objetivo: “Dizemos NÃO à instituição de um novo crime, o da ‘homotransfobia’, não definido pelo legislador, deixando assim enormes espaços para interpretações e desvios liberticidas, que atingirão todos aqueles que se expressarem de maneiras não alinhadas com o pensamento politicamente correto. Numa época em que o poder está cada vez mais concentrado nas mãos de poucos, a instituição do crime de opinião é mais um passo rumo à repressão da divergência, de qualquer dissidência. Este é um fato que deve preocupar a todos”.

         No sábado, 11 de julho de 2020, o Restiamo Liberi organizou 100 manifestações públicas em diversas cidades italianas. Em Monza participaram mais de 150 pessoas, enquanto em Roma foram quase mil, evidenciando a penetração popular que o movimento pró-família alcançou. Os membros da Associazione Tradizione Famiglia Proprietà, da qual sou presidente, participaram de várias dessas manifestações.

         Massimo Gandolfini, líder do Dia da Família, declarou: “A liberdade de expressão e a liberdade de professar a religião estão em risco. Quem se preocupa com a liberdade e a democracia, independentemente de suas crenças religiosas ou políticas, é chamado a apoiar a campanha”. E Antonio Brandi, de Pro Vita & Famiglia, confirmou: “A homofobia não é uma emergência e o projeto de lei Zan representa a ditadura do LGBTQ, uma lei que reduz a liberdade de opinião garantida constitucionalmente”.

 

O eloquente silêncio do Vaticano

        


As manifestações foram um sucesso? Irão influenciar o Parlamento? Em um mundo sempre em movimento, como o nosso, é difícil responder. Dadas as atuais circunstâncias, obviamente elas foram um sucesso, pelo menos em termos relativos. Mas é um fato infeliz que a barreira do horror à homossexualidade e ao transgenerismo esteja diminuindo, assim como ocorreu em relação ao controle da natalidade, divórcio e aborto. A opinião pública italiana está se deteriorando gradualmente, tornando cada vez mais difícil reunir apoio a causas pró-vida e pró-família. A menos que algo muito profundo aconteça no campo espiritual
isto é, uma conversão —, esse curso dos acontecimentos não mudará.

         Temos uma dificuldade imediata, que é a liderança. Os católicos italianos não receberam nenhuma orientação do Vaticano em relação a esse projeto de lei. O Papa Francisco não pronunciou uma só palavra. Pelo contrário, apoiou publicamente algumas das políticas adotadas pelo governo de esquerda. Num país profundamente católico, onde a voz da Igreja poderia ter um efeito retumbante, esse silêncio é extremamente prejudicial.

         A Conferência Episcopal Italiana (CEI) emitiu um comunicado criticando o Projeto de Lei Zan-Scalfarotto, mas em termos tão moderados que o tornam praticamente ineficaz. Ademais, ele não foi seguido por nenhuma ação concreta. Nas manifestações do Restiamo Liberi não havia bispos, mas apenas um punhado de sacerdotes. As paróquias e associações católicas os evitaram, de acordo com o tratamento “prudente” adotado pela CEI em relação ao governo. Isso se traduz em uma atitude de não resistência a qualquer mal resultante dele. Apenas dois bispos alertaram os católicos sobre as consequências sinistras que esse projeto de lei teria.

         Nem sequer no âmbito político existe uma figura nacional capaz de coordenar esses grupos de base e transformá-los em um movimento politicamente eficaz. O ponto importante, porém, é que na base as pessoas estão dispostas a lutar em defesa da liberdade de expressão e religião. Enquanto elas não recuarem, tudo é possível.