29 de setembro de 2026

Eleições, Ideal Católico ou a Sovietização do Brasil

Embora de outros tempos, a tese da presente matéria continua muito atual. Publicada em “O Legionário”, no longínquo 15 de janeiro de 1933, ela tratou da Liga Eleitoral Católica (LEC) constituída por Plinio Corrêa de Oliveira e alguns amigos em 1932, quando ele tinha apenas 24 anos.

A LEC exerceu enorme influência na opinião pública brasileira daquela década. Apesar de ela não mais existir, continua de pé nossa obrigação de lutar pela causa autenticamente católica. Para se compreender melhor essa luta — sobretudo agora, às vésperas das eleições nacionais —, convidamos o leitor a apenas substituir “LEC” por “ideal católico” no artigo que segue.


Bafejada pela simpatia e aprovação das autoridades eclesiásticas e desenvolvendo uma atividade rigorosamente conforme às diretrizes da Santa Sé, constitui a Liga Eleitoral Católica a expressão mais eloquente do desejo dos católicos de que o Brasil não seja mais um país em que se adore Deus apenas no segredo do íntimo dos corações ou no recesso dos lares, mas em todos os campos da atividade humana.

Os acontecimentos que se desenrolaram, e que todos nós conhecemos, colocaram o Catolicismo em tal situação que, do futuro pleito eleitoral, apenas um resultado não podemos esperar: a manutenção do atual estado de coisas.

Ou o catolicismo conseguirá vencer nas urnas e fazer progredir resolutamente o País no caminho de sua restauração religiosa, ou o socialismo extremado se apoderará do Brasil, para fazer dele a vítima dos numerosos Calles e Lenines que pululam nos bastidores de nossa política, sequiosos de “sovietizar” a Terra de Santa Cruz.

Ou o espiritualismo se afirma nas eleições, na sua expressão mais elevada e mais genuína, que é o catolicismo, ou vencerá o materialismo na sua forma mais violenta e mais nefasta, que é o comunismo.

Ora, de que depende o resultado do pleito? Depende dos votos do eleitorado brasileiro.

O eleitorado brasileiro, portanto — e tanto vale dizer os católicos brasileiros — tem em suas mãos os destinos espirituais do Brasil, e talvez os do mundo.

Dormir enquanto uma tal batalha se prepara, viver sua vida de todos os dias indiferente a tudo quanto não seja a banalidade das ocupações de sempre, construir egoisticamente sua felicidade individual, enquanto se esboroa a felicidade do Brasil e corre risco a prosperidade da Igreja, eis aí atitudes próprias certamente de um Pilatos, nunca porém de um católico brasileiro.

No momento presente, a ninguém é lícito repousar com a consciência tranquila enquanto não tiver empregado todas as suas horas vagas, todos os seus momentos de lazer, todos os seus recursos intelectuais e morais a serviço da LEC.

E este serviço não é somente próprio aos eleitores. Podem prestá-lo todos os católicos realmente ciosos da maior glória de Deus.

Na foto, visita de congregados marianos
do interior de São Paulo
à sede da Congregação Mariana
 de Santa Cecília e redação
do “Legionário”, em 1935.
No centro, Plinio Corrêa de Oliveira.


Uma discussão em favor da LEC no escritório onde se trabalha, ou no clube em que se faz esporte; uma palestra a respeito do programa da LEC com um companheiro que encontramos na rua ou um parente que nos visita em casa, uma oração feita em rápida visita ao Santíssimo Sacramento pelo triunfo da LEC, quem não o poderá fazer?

Ora, é destas dedicações perseverantes e ardorosas, deste proselitismo combativo e prudente que a LEC precisa para seu triunfo, pois que é principalmente dele que depende o sucesso do pleito.

Vemos, pois, que todos podem trabalhar pela LEC e que, portanto, todos devem trabalhar pela LEC.

Reflitam todos os católicos sobre a grande responsabilidade que atualmente pesa sobre seus ombros. Decidam-se a sair a campo pelos ideais da Igreja. Porque, se algum dia se ensopar o solo brasileiro com o sangue das perseguições religiosas, ou se encher de luto a Igreja pela crescente descristianização do Brasil, é sobre os inertes, sobre os indiferentes, sobre os Pilatos que cairá toda a culpa deste sangue e pesará todo o horror deste luto.

Como na narrativa evangélica, aproximam-se os asseclas do farisaísmo para crucificar novamente a Jesus. Entregá-lo-emos como Judas? Dormiremos como os Apóstolos? Negaremos como São Pedro?

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