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| Artigo baseado sobretudo em seis conferências de Plinio Corrêa de Oliveira, proferi das para sócios e cooperadores da TFP em 04-10-1965, 04-10-1966, 29-06-1970, 04-10-1971, 16-11-1972 e 06-07-1985. |
Oito séculos depois de sua morte, a figura de São Francisco de Assis continua a interpelar um mundo que, mais do que nunca, precisa reaprender a amar a Cruz, a verdade, a pureza, e a se livrar do orgulho e da sensualidade. Este artigo é um convite a considerar o fundador da Ordem dos Franciscanos à luz de alguns aspectos extraídos de seis conferências de Plinio Corrêa de Oliveira.*
✅ Paulo Roberto Campos
No dia 3 de outubro de 1226, há exatamente 800 anos, expirava aos 44 anos o grande santo, também conhecido como o Poverello de Assis, batizado como Giovanni di Pietro di Bernardone. Morria aquele que a Igreja haveria de venerar como um dos seus maiores santos e uma de suas maiores glórias em todos os tempos, cuja figura atravessaria os séculos com uma força impressionante.
É difícil imaginar
personalidade mais facilmente deformável. Para alguns, São Francisco é apenas o
santo dos passarinhos, da natureza — como se fosse um “ecologista” ou
“ambientalita” — e de uma vaga fraternidade universal. Para outros, é o
apóstolo de uma pobreza meramente social. Não faltam ainda os que o apresentam
como uma figura doce, sentimental, quase ingênua, desprovida daquela energia
sobrenatural que caracteriza o seráfico santo fundador da Ordem dos Frades Menores (os Franciscanos).
A visão de São Francisco
exposta por Plinio Corrêa de Oliveira em suas conferências é profundamente
diversa.
Nela aparece um homem de
extraordinária firmeza, contemplativo e sereno, mas sem qualquer moleza; puro,
temperante e vigoroso; uma alma de grande força de vontade, capaz de contemplar
um ideal e entregar-se a ele resolutamente.
O verdadeiro
segredo da grandeza do Poverello
Em 1223, São Francisco
visitou o Mosteiro de Subiaco, na Itália, berço da Ordem Beneditina. Nele um
artista anônimo pintou um afresco do visitante [foto]. A célebre obra é
uma das mais antigas representações de São Francisco, pintada ainda durante sua
vida, é um verdadeiro retrato. O Prof. Plinio observa no afresco precisamente
essa combinação de calma e decisão, de contemplação e energia, “fisionomia
de uma pureza impressionante! Um homem casto por excelência, temperante e
vigoroso. Compreende-se que ele gostasse de ler para os seus noviços as
histórias de Cavalaria. Antes de ser franciscano ele pensou em ser cavaleiro”.
Essa observação nos ajuda a
corrigir a caricatura sentimental, que apresenta São Francisco como um homem
hesitante ou adocicado. Mas de alguém que contempla, raciocina, deseja e decide
firmemente. A pureza aparece associada à temperança e à intransigência. Há aí
uma verdadeira lição do modo de ser católico. A santidade não amolece o homem; torna-o
mais plenamente homem. A graça não destrói a natureza: aperfeiçoa-a.
Por que este comentário é
importante? — Porque São Francisco não foi um homem fraco que abandonou o mundo
por incapacidade de enfrentá-lo. Foi o contrário: uma alma forte que, tendo
compreendido uma vocação, teve a coragem de romper com tudo quanto pudesse
constituir obstáculo à sua realização. E é justamente aí que começa o
verdadeiro segredo de sua grandeza.

Altar principal da Igreja de S. Francisco de Assim de Salvador (BA) [Foto PRC]
Livro no qual
São Francisco aprendeu a viver
Há um comentário de Dom
Guéranger — citado por Plinio Corrêa de Oliveira em uma de suas conferências
para sócios e cooperadores da TFP — que talvez contenha uma das mais
importantes chaves para se compreender o santo franciscano: “A Cruz é o
grande livro no qual se formou a alma de Francisco. Desde a hora em que o
Cristo da Igreja do Damião lhe falou, ele não quis pensar a não ser na Paixão
de Jesus.”
Jesus, por meio do crucifixo
daquela igreja, disse a São Francisco: “Vai restaurar minha Igreja, que está
em ruínas.” Desde aquele momento, ele teria compreendido que sua vida
deveria ser orientada inteiramente pela Paixão de Nosso Redentor. A Cruz não
foi para ele um símbolo entre muitos outros. Foi o centro em torno do qual se
organizou toda a sua existência. De tal modo desejou servir exclusivamente o
Divino Crucificado que ficou marcado com os estigmas d’Ele, e até mesmo
adquiriu certa semelhança física com Ele.
São Boaventura, o grande
filho da Ordem Franciscana, vê nesse mistério da Cruz um tesouro no qual estão
encerrados os tesouros da sabedoria e da ciência. E o Prof. Plinio comenta,
recordando a observação de Dom Guéranger segundo a qual toda a vida de
Francisco foi uma espécie de seguimento das pegadas da Cruz: ele contemplou a
Cruz, amou o sofrimento da Cruz e pregou as glórias da Cruz. Isso ajuda a
compreender também o verdadeiro sentido da pobreza franciscana.
Não se tratava simplesmente
de possuir pouco. A pobreza era consequência de um amor a Nosso Senhor enquanto
humilhado e crucificado. São Francisco queria conformar-se a Ele e estabelecer
um vínculo integral. Por isso a Cruz e a pobreza estão intimamente
relacionadas.
Quem contempla seriamente a
Cruz percebe a relatividade de todas as coisas terrenas. O dinheiro, o
conforto, o prestígio, o prazer, o êxito. Tudo isso deixa de ocupar o primeiro
lugar; a alma passa a desejar aquilo que não é transitório.
Foi assim que Francisco se
tornou, conforme comentou o Prof. Plinio, aquele que afervorou a Cristandade
pelo espírito sobrenatural, pelo amor à Cruz e pelo menosprezo do dinheiro.

São Francisco renuncia aos bens materiais
— Giotto di Bondone (1266–1337). Afresco na Basílica
Superior de São Francisco de Assis
O drama diante
de Pedro Bernardone
Um dos episódios mais
impressionantes da vida de Francisco é a ruptura com o pai.
O Poverello pertencia
a uma família de comerciantes abastados de Assis. Seu pai, Pedro di Bernardone
dei Moriconi, era homem próspero, e a sociedade na qual o filho crescera
valorizava intensamente a riqueza, o conforto e o sucesso.
O Prof. Plinio chama a
atenção para esse contexto ao analisar o famoso quadro de Giotto [foto acima],
representando o momento em que Francisco renuncia a tudo, até mesmo às roupas e
aos bens paternos. A cena é carregada de significado: de um lado, o bispo e o
clero; de outro, Pedro Bernardone e os homens ligados ao mundo do comércio e do
dinheiro. No centro, Francisco, já decidido a abandonar tudo para seguir sua vocação,
segundo o ensinamento de Jesus Cristo: “Se alguém quer vir após mim,
renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me” (Lc 9,23).
Na pintura, Giotto revelou
algo mais profundo que um simples conflito familiar. De um lado está a Igreja;
de outro, o espírito do dinheiro. De um lado, a entrega; de outro, a posse. De
um lado, a procura de Deus; de outro, a tendência a fazer dos bens terrenos a
finalidade da existência. Gesto de quem rompe com uma determinada concepção da
vida.
Ele não despreza
simplesmente seu pai. Não despreza a riqueza enquanto tal. O que rejeita é a
escravidão da alma aos bens terrenos. A verdadeira questão é: quem é o senhor
do homem? O dinheiro ou Deus? — Francisco responde com sua própria vida.
E é precisamente por isso
que sua mensagem conserva uma atualidade extraordinária. O mundo contemporâneo
multiplicou os bens materiais em proporções inimagináveis para o século XIII,
mas nem por isso se tornou mais feliz. Ao contrário: a obsessão pelo possuir,
pelo consumir e pelo aparecer tornou-se uma das grandes escravidões do homem.
Então reaparece São
Francisco como uma figura de oposição. Ele não pregava a miséria, mas recordava
uma verdade elementar: nenhum bem criado pode ocupar o lugar de Deus.
Santo que não era
sentimental
Para não haver nenhuma
desfiguração de São Francisco, talvez seja necessário insistir nesse ponto. Ele
era doce porque era forte; era afável porque era puro; era humilde porque
possuía uma grandeza interior extraordinária; era capaz de falar com os
animais, contemplar uma flor e louvar a Deus pela criação; mas era igualmente
capaz de atravessar as linhas de um exército inimigo para falar pessoalmente
com o sultão aiúbida do Egito, Al-Kamil — que comentaremos mais abaixo.
Essa conjunção de suavidade
e fortaleza é uma das características mais fascinantes de sua personalidade; a
energia natural colocada inteiramente a serviço de uma vocação sobrenatural.

Imagens de S. Francisco de Assim e S. Domingos de Gusmão no Mosteiro da Batalha (ou de Santa Maria da Vitória) na cidade de Batalha, Portugal [Foto PRC]
Francisco e
Domingos: duas chamas que se completam
A Providência não suscitou
São Francisco isoladamente. Na mesma época surgiu São Domingos de Gusmão. E o
Prof. Plinio dá grande importância à relação entre os dois santos.
Ambos receberam sinais
sobrenaturais relativos à missão um do outro e, finalmente, se encontraram.
Frei Ângelo, um grande pregador, teria visto nos dois santos “duas poderosas
colunas da Igreja”.
O interessante para o
conferencista, fundador da TFP brasileira, é que os dois santos eram
profundamente semelhantes e profundamente diferentes. Semelhantes porque ambos
eram homens de Deus, profundamente mariais, chamados a lutar pela salvação das
almas. Diferentes porque suas vocações tinham aspectos diversos. São Francisco
era especialmente associado à pobreza, à Paixão de Nosso Senhor, à humildade, à
pureza e à devoção à Imaculada Conceição. São Domingos, por sua vez, aparece
ligado de modo especial à pregação, ao estudo, à teologia e ao Santo Rosário.
Assim, duas vocações diferentes não se contradiziam, mas completavam-se.
É uma concepção extremamente
rica da ação da Igreja. A unidade católica não exige uniformidade. Duas almas
podem ser santas precisamente porque são diferentes, desde que suas diferenças
se ordenem para a mesma verdade e para a mesma finalidade.
Francisco incendeia a
vontade; Domingos ilumina a inteligência. Um conduz especialmente pelo amor à
Cruz e pela transformação das tendências; o outro pela doutrina, pela pregação
e pelo esclarecimento da inteligência. Ambos combatendo pela mesma Igreja.
“Ação
contra-revolucionária preventiva”
Aqui encontramos talvez o
aspecto mais característico da interpretação de Plinio Corrêa de Oliveira, para
quem Francisco não foi apenas um santo que santificou indivíduos. Sua ação teve
uma dimensão histórica muito mais ampla.
O conferencista fala de uma “ação
contra-revolucionária preventiva”. Segundo essa interpretação, a
Cristandade do século XIII começava a apresentar sinais de deterioração. O
orgulho e a sensualidade começavam a dominar. A riqueza ameaçava transformar-se
de instrumento em finalidade. Preparava-se, lentamente, uma mudança de
mentalidade que mais tarde encontraria expressões no Humanismo e na Renascença.
Foi precisamente nesse momento que a Providência suscitou São Francisco de
Assis.
A ação de Francisco teria
incidido especialmente sobre as tendências: contra o orgulho, a humildade;
contra a sensualidade, a pureza; contra o apego aos bens terrenos, a
austeridade; contra o esquecimento da Paixão, a devoção à Cruz, à Via-Sacra e
às Sagradas Chagas de Nosso Senhor.
É nesse sentido que o Prof.
Plinio emprega a expressão “ação contra-revolucionária preventiva”: uma
santidade que, antes mesmo de combater frontalmente todos os erros doutrinários
que apareceriam mais tarde, procura impedir que eles encontrem terreno
psicológico favorável.
A Revolução, nessa
perspectiva, começa nas almas antes de aparecer nas instituições. Começa quando
o homem passa a amar desordenadamente aquilo que deveria usar apenas como meio.
Começa quando o prazer se torna mais importante que a pureza; quando o orgulho
substitui a humildade; quando o homem deixa de olhar para Deus e passa a olhar
exclusivamente para si.
Por isso, a resposta de São
Francisco é tão profunda: ele reforma interiormente o homem.

São Francisco diante do sultão Al-Kamil na
prova do fogo — Domenico Ghirlandaio (1448–1494).
Afresco na Capela Sassetti
(Igreja da Santa Trindade, Florença, Itália).
Encontro com o
poderoso sultão
Há o episódio, mencionado acima e já narrado no artigo precedente, que
mostra de maneira magnífica a conjugação entre doçura e fortaleza: o encontro
de São Francisco com o sultão do Egito durante a Quinta Cruzada.
O Prof. Plinio descreve a
cena como uma das grandes antíteses da História: de um lado, o soberano cercado
de luxo, poder, riquezas e prazeres; de outro, um homem que havia renunciado a
tudo e cuja felicidade estava precisamente naquilo que o sultão não possuía. Um
encontro entre dois mundos.
O sultão tem tudo e não possui
a verdadeira felicidade. Francisco quase nada possui e irradia paz. O primeiro
está cercado de riquezas; o segundo, aparentemente pobre, está riquíssimo
interiormente. É aqui que se compreende a força do diálogo quando
verdadeiramente católico.
Francisco não vai ao sultão
para adulá-lo, nem para esconder a verdade, nem para ceder, transformando o
Evangelho numa mensagem indistinta de fraternidade humana. Vai para
convertê-lo. E, ao mesmo tempo, vai com uma bondade tão desinteressada que essa
bondade se torna um argumento.
Segundo o relato utilizado
pelo conferencista, o sultão ficou profundamente impressionado com Francisco e
chegou a pedir-lhe que rezasse para que Deus lhe revelasse a verdadeira fé.
Francisco possuía a força da verdade e da santidade.
Coragem de
realizar uma vocação
Em outra conferência, o
Prof. Plinio apresenta uma passagem particularmente adequada para este oitavo
centenário de São Francisco. Este, vendo seus primeiros companheiros ainda
poucos e talvez desanimados, teria lhes dito para não temerem. Ele havia
contemplado uma grande multidão de homens de diversas nações que haveriam de
seguir o mesmo caminho. A Ordem Franciscana se expandiu pelo mundo inteiro.
Mas o conferencista chama
atenção para algo ainda mais importante do que a própria visão: o raciocínio
que a acompanha. Se Deus chama uma pessoa ou uma pequena comunidade para
determinada missão, não a chama inutilmente. A vocação traz consigo as graças
necessárias para sua realização. Lição extraordinária para todas as épocas!
A eficácia da obra de Deus
não se mede pelo número de seus servidores. A Igreja começou com apenas 12
Apóstolos… São Francisco começou com poucos companheiros. O que importa não é a
aparência humana da força, mas a correspondência à graça. Por isso, a verdadeira
coragem do católico não consiste em acreditar que tudo será fácil. Consiste em
permanecer fiel mesmo quando tudo parece difícil.
São Francisco não prometeu
aos seus irmãos que seriam admirados por todos. Pelo contrário, advertiu-os de
que seriam ridicularizados, desprezados e combatidos. A confiança não estava na
aprovação do mundo, mas na certeza de que Deus não abandona uma vocação que Ele
próprio suscitou.

Morte de São Francisco de Assis
— Bartolomeo Carducci (1560–1608).
Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa
O que São
Francisco nos diz oito séculos depois
O mundo mudou profundamente
desde 1226. Mas algumas tentações humanas não mudaram. O orgulho e a
sensualidade dominam. O orgulho continua sendo orgulho. A sensualidade continua
sendo sensualidade. O apego ao dinheiro continua escravizando. A busca
desenfreada do prazer continua deixando a alma vazia. E a tendência de colocar
o homem no lugar de Deus continua sendo a raiz de muitas crises que hoje
presenciamos.
Por isso São Francisco de
Assis continua atual. Não porque devamos simplesmente reproduzir exteriormente
a vida do século XIII, mas porque precisamos reencontrar o espírito que o
movia. Ele nos ensina que é possível possuir bens sem ser possuído por eles.
Que é possível ser doce sem ser fraco; ser humilde sem ser servil.
O Fundador franciscano
ensina também que é possível ser contemplativo sem ser inerte; que é possível
amar a criação precisamente porque se ama mais o Criador. Sobretudo nos ensina
que não há santidade verdadeira sem a Cruz.
O legado de São
Francisco de Assis
Oitocentos anos após sua
morte, talvez seja necessário retirar São Francisco das imagens sentimentais
nas quais tantas vezes foi desfiguradamente encerrado em tantas igrejas
progressistas.
Ele não foi apenas o homem
que conversava com os pássaros. Foi o homem que conversava com o próprio Deus.
Não foi apenas o santo da natureza. Foi o santo que, contemplando a natureza,
se elevava fazendo transcendências das criaturas ao Criador.
Não foi simplesmente o santo
que “desposou a dama pobreza". Foi o
santo que, pela pobreza, proclamou a soberania de Cristo Rei sobre todas as
coisas. Não foi simplesmente o santo da bondade. Foi o santo que amou os homens
a ponto de desejar para eles o maior dos bens: a posse da verdade e a salvação
eterna. Ele não foi apenas um homem da época medieval. Foi uma dessas figuras
providenciais cuja influência ultrapassa largamente o seu tempo.
Na interpretação de Plinio
Corrêa de Oliveira, sua missão consistiu precisamente em reacender na
Cristandade aquilo que começava a se apagar: o espírito sobrenatural, o amor à
Cruz, a pureza, a humildade, a austeridade, a devoção à Imaculada Conceição e o
desapego dos bens terrenos. Por essa ação, ele teria contribuído para retardar
o avanço de tendências que posteriormente desembocariam no neopaganismo
renascentista.
Talvez seja essa a grande
mensagem deste oitavo centenário: em épocas de crise, Deus não abandona a
humanidade, mas suscita santos. Assim, suscitou São Francisco quando a
Cristandade precisava reaprender a amar a pobreza. Suscitou São Domingos quando
era necessário reacender o amor à doutrina católica.
E São Francisco mostrou que
uma alma inteiramente entregue a Deus pode exercer uma influência
incomparavelmente maior do que faria supor sua fragilidade humana. Por isso, ao
recordar sua morte em 3 de outubro de 1226 — aliás, no mesmo dia e mês em que,
em 1995, faleceu o autor das conferências aqui comentadas —, não devemos olhar
apenas para o passado. Devemos pedir-lhe que nos ensine a mesma lição que
ensinou aos seus primeiros companheiros: não temer quando somos poucos, não
desanimar quando somos desprezados, não negociar a verdade por vantagens
secundárias e, sobretudo, confiar na graça quando Deus nos chama a uma missão.
A grandeza de São Francisco
consiste em mostrar que um homem que é plenamente de Deus pode transformar uma
época inteira. O Poverello de Assis morreu há oito séculos, mas o livro
no qual aprendeu a viver — a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo — continua
aberto. E talvez seja justamente hoje, quando tantas almas precisam novamente
aprender a lê-lo, que São Francisco tenha ainda uma palavra decisiva a dizer a
toda a Cristandade.
__________
* Artigo baseado
sobretudo em seis conferências de Plinio Corrêa de Oliveira, proferidas para
sócios e cooperadores da TFP em 04-10-65, 04-10-66, 29-06-70, 04-10-71,
16-11-72 e em 06-07-85.



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