7 de abril de 2023

A CRUCIFIXÃO ESCULPIDA PELO GÊNIO DE ALEIJADINHO


Na sexta capela dos Passos da Paixão em Congonhas do Campo (MG), lê-se "Ao lugar chamado calvário, onde O crucificaram, e com Ele outros dois, um de cada lado" (Jo 19, 17-18). 

Esse "Passo da Paixão", composto por 11 esculturas da lavra de Aleijadinho (séc. XVIII), representa Jesus Cristo sendo pregado na Cruz. No centro, Santa Maria Madalena ajoelhada numa atitude suplicante. À esquerda, soldados jogam dados disputando a túnica do Redentor. À direira, os dois ladrões, Dimas e Gestas, amarrados, esperam serem presos em suas cruzes. 

Aleijadinho esculpiu o bom ladrão de pé numa atitude resignada, enquanto o mau ladrão enfurecido tenta se desvencilhar das cordas que amarram suas mãos às costas.

6 de abril de 2023

CRUCIFIXÃO DE JESUS


  Plinio Corrêa de Oliveira 

Essa pintura de Giotto* representa muito bem o episódio pungente que veneramos no Rosário, precisamente no quinto mistério doloroso: “Crucifixio et mors Domini Nostri Jesu Christi” (Crucifixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo). 

Notem que Nosso Senhor crucificado está com o corpo lívido, parecendo que já emitiu ou está por emitir seu último suspiro. 

Junto à Cruz estão algumas das santas mulheres. Santa Maria Madalena oscula os pés do Divino Redentor. No centro desse grupo de três pessoas, à direita de Jesus, encontra-se Nossa Senhora, vestida com túnica azul. Nesse mesmo grupo, vemos São João Evangelista amparando-A. 

A pintura revela o quanto a Santíssima Virgem foi atingida pela dor, mas está de pé. Quer dizer, com força e com determinação para tudo. Ela foi concebida sem pecado original, portanto, por perfeito amor a Deus, foi capaz de frear em alguma medida a sua própria dor para se sustentar vendo seu Divino Filho sendo crucificado. Assim mesmo, manteve-se de pé o tempo inteiro. 

Do lado esquerdo da Cruz, à frente, vemos os soldados romanos que disputam a túnica inconsútil do Salvador Crucificado. Aparece também Longino, segurando a lança com a qual ele feriu o lado de Jesus. Ao fundo, percebe-se a multidão que assistia os acontecimentos. 

No Céu estão os anjos cantando a glória de Nosso Senhor, mas anjos invisíveis aos olhos dos homens. Entre estes, apenas a dor e a vergonha. 

Esta é a pintura da Paixão de Jesus — a crucifixão e morte — segundo Giotto. Para mim, uma das obras-primas da piedade católica. 

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* Afresco Crucifixão de Jesus, pintado pelo artista italiano da época medieval, Giotto di Bondone (1267-1337), na Capela degli Scrovegni, Pádua (Itália), entre 1304 e 1306. 

**Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 30 de novembro de 1988. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.

5 de abril de 2023

CRISTO FLAGELADO COM ÓDIO


  Plinio Corrêa de Oliveira 

Dizer que essa representação de Cristo flagelado é bela, seria dizer pouco. Muito mais do que isso, ela é impressionante. E de molde a despertar muito a piedade. 

À primeira vista, quando me foi apresentado esse quadro fiquei chocado, porque as feridas do corpo sagrado de Nosso Senhor estão apresentadas com tal realismo, que o instinto de conservação do homem clama vendo a cena; tem a tendência a fugir e achar que não é arte representar de modo tão terrificante. O que é de nossa parte um primeiro impulso, mas que deve ser dominado, porque o contrário seria uma ingratidão. 

Tal será que Nosso Senhor Jesus Cristo, tendo sofrido tudo o que padeceu por nós, não queiramos sequer olhar para seu corpo chagado porque pode nos desagradar. É uma ingratidão e uma falta de respeito sem nome. Como um primeiro impulso se compreende. É uma reação quase física. Mas seria ingratidão consentir nesse impulso. 

Compreende-se então que o escultor tenha chegado a esculpir de modo tão terrivelmente realista essa imagem. 

Primeiramente, analisando o quadro, cheguei à conclusão de que deveria ser uma escultura espanhola em madeira. Com aquele realismo das imagens espanholas sobre a Paixão de Jesus. Depois soube que é uma imagem do Canadá. 


Para que se tenha ideia do que foi a flagelação de Nosso Senhor, como está representada nessa imagem, é preciso compreender todo o significado das chagas terríveis que apresenta, bem como da coroação de espinhos. 

Os verdugos que flagelaram Jesus eram malfeitores, bandidos, que foram levados para exercer essa função. De onde um verdadeiro furor dessa gente péssima, com aquele gosto sádico de fazer o mal que caracteriza esse tipo de pessoas. Homens embebedados, que já tinham flagelado vários condenados, estavam no delírio de seu ódio quando Nosso Senhor lhes caiu nas mãos. Ocorre que gente muito infeliz com frequência tem ódio de quem é normal e feliz. Assim, eles se desafogam do seu triste estado. 

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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 10 de fevereiro de 1976. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.

2 de abril de 2023

QUAL FOI O CRIME DE PILATOS?

Não seremos nós outros tantos Pilatos? 


✅  Plinio Corrêa de Oliveira 

Pilatos passou à História, indelevelmente marcado pelo ferro em brasa da censura dos Evangelistas, como o tipo característico do homem que não é cruel por medo da crueldade, não é assassino por indolência, e não é feroz por inércia. Escravo da preguiça e do medo, cede a todas as infâmias, submete-se a todas as baixezas, pela força da inércia que é como que a base de sua mentalidade. 

E a mesma indolência que o preserva dos acessos coléricos de um Nero, atira-o às traições vis de um Judas, ou às transigências abomináveis de um ser indigno do nome de homem, de uma alma indigna da própria carne que ela vivifica. 

Qual foi o crime de Pilatos? Foi o de ter sido fraco. Não foi ele autor de uma condenação categórica, como a de Herodes. Mas sua culpa nem por isso foi menor. Porque o pecado não está somente em não atacar a Jesus. Está também em não O defender. Está também em não ter a coragem de O preservar, de O resguardar contra o ódio das multidões. Está na covardia de não lutar. 

Descendo agora ao terreno de nossas consciências, este terreno onde somente dois olhares penetram, o de Deus e o nosso, perguntemo-nos desassombradamente: não seremos nós outros tantos Pilatos? 

Confessar, comungar, pedir a Deus inúmeras graças, na sua maioria temporais, dinheiro, saúde, felicidade, e também um pouco de virtude, como uma gorjeta que se faz a Deus, isto tudo não é possuir na sua plenitude o espírito cristão, todo feito de luta e de sacrifício. 

Ser cristão não é só ser um crente, é ser também um soldado. É saber descer à arena da luta de opiniões, ostentando com firmeza nossos princípios. É não ter medo de adquirir inimizades, se for necessário. É não ter medo de atrair sobre si antipatias. É, em suma, sacrificar-se. (“O Legionário”, Nº 74, 8-2-1931).

1 de abril de 2023

Poderia explicar a origem da Via Sacra que se reza na Semana Santa?


✅  Padre David Francisquini

Pergunta — Gostaria de saber qual é a origem da Via Sacra que se reza nas igrejas durante a Semana Santa e por que em algumas estações são lembrados episódios que não figuram nos Evangelhos, como o da Verônica, o encontro de Jesus com sua Mãe e as três quedas de Jesus na Via Sacra.


Resposta — Segundo a tradição dos religiosos da Ordem Franciscana, guardiães dos Lugares Santos desde 1342, Nossa Senhora teria sido a primeira a fazer o piedoso exercício de percorrer o caminho seguido por Nosso Senhor Jesus Cristo do pretório de Pilatos até o Calvário e depois até o Sepulcro, rememorando os episódios da Paixão. De acordo com revelações da mística Soror Maria de Ágreda, a Mãe do Salvador teria percorrido esse trajeto, no sentido inverso, já na Sexta-Feira Santa, depois de depositar o Corpo de seu Divino Filho no túmulo de José de Arimateia e antes de se recolher no Cenáculo. Mas não há provas históricas sustentando essa bela tradição.


Essa carência de documentação é tanto mais explicável quanto poucos anos depois se desencadeou a primeira perseguição contra a emergente comunidade cristã, originando uma primeira dispersão daqueles que tinham visto os fatos em primeira mão. Algumas décadas mais tarde, como Nosso Senhor havia profetizado, a cidade de Jerusalém foi destruída pelos romanos, em represália pela rebelião dos zelotes. Foi somente após o fim das hostilidades que alguns sobreviventes retornaram à cidade e se pôde novamente restabelecer uma comunidade cristã, a qual provavelmente retomou discretamente as antigas tradições, por tratar-se ainda de uma minoria mal vista.

Tradição de percorrer os Lugares Santos

Isso mudou com a ascensão de Constantino, convertido ao cristianismo, ao trono imperial, e de Teodósio, que elevou o cristianismo à condição de religião oficial do Império. Houve então um bom número de cristãos que foi a Jerusalém por devoção ou estudo, como é o caso de São Jerônimo (350-420). Em uma de suas cartas, ele alude à presença de visitantes na cidade e insta seus correspondentes, Desidério e sua irmã Serenila, a não se atrasarem na visita “dos santos lugares”, pois “constitui uma parte da fé ter venerado o lugar onde estiveram os pés do Senhor, e ter visto os vestígios de seu recente nascimento e da sua cruz e paixão” (Epistola 47 ad Desiderium: Patrologia Latina, XXII, 493). 

Outro testemunho interessante é o de Silvia Etéria, que visitou Jerusalém a partir de meados do ano 381, quando era bispo São Cirilo. Ela conta que, na Sexta-Feira Santa, antes de nascer o sol, os cristãos se reuniam no lugar em que Jesus fora flagelado, conforme outros tinham repetido. Levantava-se uma cruz, segurada pelo bispo e osculada por todos, enquanto se recitavam salmos e se liam as profecias e a Paixão segundo São João.

Esses exercícios piedosos dos primeiros cristãos na Terra Santa se viram dificultados ou até impedidos após a invasão muçulmana da Palestina em 637. Mas foram retomados com a vitória dos cruzados e, assim, vários viajantes que visitaram a Terra Santa nos séculos XII, XIII e XIV, mencionam uma Via Sacra (Caminho da Cruz ou Via Crucis) — uma rota estabelecida pela qual os peregrinos eram conduzidos pelos habitantes locais. Mas não há nada em seus relatos que identifique essa curta peregrinação pelos lugares ligados com a Paixão de Nosso Senhor com a Via Sacra como a praticamos atualmente.

“Viagem espiritual” seguindo os passos de Jesus

Com o retorno desses peregrinos à Europa, aumentou no povo a devoção pela Paixão. Para alimentá-la junto aos impossibilitados de irem à Terra Santa, começaram a ser construídas pequenas capelas contendo representações pintadas ou esculpidas dos principais episódios. Pode ter servido de inspiração para essas coleções de capelas o fato de, já no século V, São Petrônio, bispo de Bolonha, ter construído no mosteiro de Santo Estêvão um grupo de capelas conectadas representando os santuários mais importantes de Jerusalém.

Durante os séculos XV e XVI, várias reproduções dos lugares sagrados foram montadas em diferentes partes da Europa. O Beato Álvarez (falecido em 1420), em seu retorno da Terra Santa, construiu uma série de pequenas capelas no convento dominicano de Córdoba, nas quais, seguindo o padrão de capelas separadas, foram pintadas as principais cenas da Paixão. Mais ou menos na mesma época, a Beata Eustóquia, religiosa clarissa, construiu em seu convento de Messina um conjunto semelhante de reproduções. Outras instalações semelhantes que se podem enumerar foram as de Görlitz, erguidas por volta de 1465, e as de Nuremberg, em 1468.

O fato de as pessoas terem de percorrer sucessivamente as cenas requeria delas o deslocamento de um lugar para outro, resultando na introdução imperceptível do aspecto processional. Isso levava a intercalar marchas, paradas, orações e cantos. O aspecto espiritual estava sendo desenvolvido paralelamente. Por exemplo, já no século XIV o Beato Henrique de Suso preconizava uma espécie de viagem espiritual (portanto, sem deslocamento físico), por meio de uma série de meditações para recordar certos momentos do ocorrido na Paixão. 

Estímulos para incrementar a prática da Via Sacra

O uso mais antigo da palavra Estações (do latim stare, “estar ou permanecer de pé, fazendo uma parada ao longo do caminho”), aplicada aos costumeiros lugares de parada na Via Sacra em Jerusalém, ocorreu no relato de um peregrino inglês, William Wey, que visitou sucessivamente a Terra Santa em 1458 e em 1462, e que descreveu como era usual seguir os passos de Cristo em Sua dolorosa jornada.

Dependendo do guia ou do relato (ou texto) seguido, as propostas podiam ir de sete a 18 paradas, embora a mais habitual fosse de doze estações. No início do século XVI, Jean van Paesschen foi o primeiro a falar de 14 paradas ou estações, mas nem todas correspondem àquelas que conhecemos hoje.

O livro Jerusalem sicut Christi tempore floruit, escrito por Christiaan van Adrichem (†1585) ou Adrichomius e publicado em 1584, menciona 12 estações, as quais correspondem exatamente às 12 primeiras das nossas conhecidas Vias Sacras. Este fato leva alguns a concluir que essa é a origem da seleção autorizada posteriormente pela Igreja, sobretudo pelo fato de esse livro ter tido uma ampla circulação, sendo traduzido para várias línguas europeias. Não há certeza se foi assim ou não, pois até então nada estava definido e cada um organizava à sua maneira esses atos de piedade.

Houve uma evolução rumo a uma forma cada vez mais comum, até se chegar a uma espécie de reformulação das variantes anteriores. É quase certo que tal unificação não ocorreu em Jerusalém, porque depois da dominação turca não era mais permitido percorrer a Via Sacra detendo-se nos lugares tradicionais e dando ali alguma demonstração externa de veneração. A unificação deve ter acontecido na Espanha, no decorrer do século XVII, onde acabou tomando a forma em que a devoção chegou aos nossos dias.

A confirmação papal dessa prática de piedade veio na forma de indulgências, especialmente no século XVIII. Os franciscanos haviam solicitado indulgências para estimular essa devoção nas suas igrejas. Em 1694, o Papa Inocêncio XII confirmou algumas dessas indulgências para os franciscanos e os filiados à sua Ordem terceira. Um quarto de século depois, em 1726, Bento XIII estendeu os privilégios a todos os fiéis, ainda que não vinculados aos franciscanos. Posteriormente, em 1731, Clemente XII alargou-a ainda mais, concedendo indulgências a todas as igrejas, com a condição de que as figuras ou representações que marcassem as estações no interior do templo fossem sempre abençoadas por um religioso franciscano com a aprovação do bispo. Tais indicações foram confirmadas e avaliadas por Bento XIV em 1742.

Esta decisão de impor certas condições — seja às representações, em madeira na forma de cruz, que podiam ser acompanhadas de quadros pintados ou esculpidos nos quais se apresentava a cena evocada, seja à sequência delas, localizadas a certa distância uma da outra, para poder-se beneficiar das indulgências estipuladas — foi o que fixou definitivamente em 14 o número de estações, dispostas numa ordem precisa, desde a condenação de Jesus à morte até o Sepultamento.

“Porque pela vossa santa Cruz remiste o mundo”

Desde então surgiram inúmeros livrinhos com uma resenha de cada Estação. O conteúdo de tais formulários era extremamente variado: imprecações dolorosas, meditações, orações e até poesias. Muitos dos que foram impressos na Espanha incluíam a oração, seguida da jaculatória “Nós Vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos, porque pela vossa santa Cruz remiste o mundo”, datada do século XVI e recomendada aos fiéis para o momento de entrarem na igreja ou de passarem diante de uma cruz.*

No século XVIII, dois grandes santos, ambos italianos, promoveram a devoção da Via Sacra: São Leonardo de Porto Maurício (1676-1751), franciscano, que a difundiu em suas missões, sermões e folhetos de piedade, e Santo Afonso Maria de Ligório (1696-1787), seu contemporâneo, fundador dos Redentoristas, instituto religioso que propagou a prática do Caminho da Cruz sobretudo nas missões populares.

Com relação aos episódios da Paixão de que se compõe a atual série de Estações, cumpre notar que muito poucos relatos medievais fazem menção à segunda (Jesus abraça a Cruz), ou à décima (Jesus é despido de suas vestes), enquanto outros, que foram abandonados (como o Ecce Homo, antes da condenação), aparecem em quase todas as suas listas iniciais, o que leva a confirmar a suposição de que nossas atuais estações são derivadas de manuais de devoção e não da prática da Via Sacra em Jerusalém.

As três quedas, não mencionadas nos Evangelhos, podem ter derivado das representações feitas em Nuremberg, no fim do século XV. Consistiam em sete estações, popularmente conhecidas como “as sete quedas”, porque em cada uma delas Cristo era representado ora como realmente prostrado, ora caindo sob o peso da Cruz. Já seus imitadores colocaram Nosso Senhor em pé, nos encontros com a Santíssima Virgem, a Verônica, o Simão de Cirene e as mulheres de Jerusalém, e em apenas três cenas representam-No prostrado.

De qualquer forma, Christiaan van Adrichem (Adrichomius), que em seu já citado livro Jerusalem sicut Christi tempore floruit tentou uma reconstituição acadêmica da Via Crucis, incorporou as 12 primeiras estações atuais, incluindo as três quedas, no seu respectivo lugar. Seu livro foi traduzido em muitas línguas e contribuiu muito para divulgar a Via Sacra em toda a Igreja latina.

Devoção à relíquia do Véu de Verônica

Mais enigmático é o caso da Verônica. Segundo uma antiga tradição da Igreja, que não consta nos relatos evangélicos, uma mulher se comoveu ao ver Jesus carregando a cruz rumo ao Calvário e enxugou seu rosto com um véu, no qual ter-se-ia milagrosamente fixado sua imagem. A relíquia resultante, conhecida como o Véu de Verônica, teria sido levada a Roma.

No reinado do Papa João VII (705-708) construiu-se na antiga Basílica de São Pedro uma capela chamada Verônica, e a primeira menção ao véu data de 1011, com referência à nomeação de um guardião do tecido. No século XIII, o Véu da Verônica passou a ser exibido, especialmente durante uma procissão anual entre a basílica e o vizinho hospital do Santo Espírito. Em 1300 Bonifácio VIII inaugurou um primeiro jubileu da relíquia, a qual passou a figurar entre as mirabilia urbis (as maravilhas da cidade) para os peregrinos que visitavam Roma.

Depois do saque de Roma, em 1527, o precioso véu desapareceu. Na década de 1990, o sacerdote jesuíta Heinrich Pfeiffer levantou a hipótese de que se trata do mesmo véu venerado desde o século XVII num convento capuchinho de Manoppello, o qual possui uma semelhança impressionante com o rosto do Santo Sudário de Turim, só que em positivo, ao contrário desse último. Porém, essa imagem não teria sido impressa durante o percurso de Nosso Senhor até o Calvário, mas tratar-se-ia do véu visto por São João ao entrar no Sepulcro logo depois da Ressurreição.

Seja como for, a ligação do relato da Paixão com o aparecimento miraculoso do rosto de Cristo no Véu de Verônica foi feita pela primeira vez na Bíblia em francês de Roger d'Argenteuil, no século XIII, e ganhou popularidade após as Meditações sobre a Vida de Cristo, livro que ficou internacionalmente conhecido em torno do ano 1300, quando o retorno dos cruzados havia popularizado a devoção pela Paixão e os primeiros embriões da Via Sacra.

O discípulo, com sua própria cruz, deve seguir o Mestre

Para concluir, convém ter presente que a Via Sacra é fruto da piedade dos fiéis e da religiosidade popular, como a veneração das relíquias, as visitas aos santuários, as peregrinações e procissões, o rosário ou as medalhas religiosas. Eis o que diz a respeito o Diretório sobre piedade popular e liturgia, publicado pela Congregação para o Culto Divino em 2002:

“Entre os exercícios de piedade com que os fiéis veneram a Paixão do Senhor, poucos são tão estimados como a Via Sacra. Por meio deste exercício de piedade, os fiéis percorrem, participando com seu afeto, o último trecho do caminho percorrido por Jesus durante sua vida terrena [...].

“A Via Sacra é um caminho traçado pelo Espírito Santo, fogo divino que ardia no peito de Cristo (cf. Lc 12, 49-50) e o impelia ao Calvário; é um caminho amado pela Igreja, que conservou a memória viva das palavras e dos acontecimentos dos últimos dias de seu Esposo e Senhor.

“Várias expressões características da espiritualidade cristã confluem também no exercício da piedade na Via Crucis: a compreensão da vida como caminho ou peregrinação; como passagem, pelo mistério da Cruz, do exílio terrestre à pátria celeste; o desejo de se conformar profundamente à Paixão de Cristo; as exigências da sequela Christi, segundo a qual o discípulo deve caminhar atrás do Mestre, carregando a sua própria cruz todos os dias” (cf. Lc 9, 23)” (n° 131 e 133).

O exercício da Via Sacra é particularmente adequado no tempo da Quaresma, mas convém praticá-lo com frequência ao longo do ano, especialmente nas sextas-feiras, quando relembramos especialmente a Paixão do Senhor. E é particularmente frutuoso quando os fiéis, ao percorrerem as estações, se unem às dores do Coração Imaculado de Maria e ao oferecimento que Ela fazia ao Pai Eterno das afrontas feitas ao seu Divino Filho, pedindo pela conversão dos pecadores.

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* A segunda Via Sacra de autoria de Plinio Corrêa de Oliveira foi publicada integralmente na edição de Catolicismo de março de 1951. Seu texto encontra-se à disposição dos leitores no seguinte link: https://catolicismo.com.br/Acervo/Num/0003/P04-05.html

** Fotos das 14 estações da Via Sacra: Luis Dufaur

29 de março de 2023

Não é diabólico ficar obstinado no erro?


R
eproduzo aqui um artigo muito oportuno e esclarecedor do quanto o novo governo petista insiste em tudo aquilo que deu errado em seus 13 anos “governando” o Brasil. “Errar é humano, mas persistir no erro é burrice” (ou petisce...). Inclusive, poder-se-ia dizer que é diabólico ficar obstinado no erro por apego excessivo à uma ideologia falida, ou por “cachaça” — um vício em continuar errando como um turrão. 

O artigo é do jornalista José Roberto Guzzo (colunista em vários periódicos) e foi primeiramente publicado no “O Estado de S. Paulo” de 19 de março de 2023. 

O pró-crime está de volta no governo Lula 

Não existe nenhuma desgraça que oprima tanto e de forma tão direta a população brasileira, sobretudo os mais pobres, quanto o crime. Num país em que o governo diz 24 horas por dia que é “popular”, que cuida dos “menos favorecidos”, etc., etc., essa deveria ser a prioridade das prioridades. Mas o que acontece no mundo das realidades é exatamente o contrário. A noção de “segurança”, para o governo Lula, é fornecer conforto, proteção e apoio aos criminosos, principalmente os que estão nas prisões; é proteger os direitos de quem praticou crimes, e não os direitos de quem sofre diariamente com eles. Num país que teve quase 41 mil assassinatos no ano passado, a preocupação do governo é o bem-estar de quem matou, e não de quem foi morto; defender a vida humana é coisa “de direita”, “fascista” e daí para baixo. 

A última prova desta opção oficial pelos criminosos e pelo crime é a ressurreição do “plano de segurança”, que vigorou no Brasil entre 2007 e 2016 e durante o qual, entre outras calamidades, o número de homicídios aumentou 30%. É um desses casos, medidos numericamente, em que o governo age de maneira concreta em favor do crime. Com a deposição do PT e a eliminação do “plano”, o número de assassinatos começou a cair imediatamente e sem parar até dezembro de 2022; continua sendo um dos mais altos do mundo, mas só nos últimos cinco anos foram 18 mil homicídios a menos, ou 18 mil vidas salvas. Lula anuncia, agora, a retomada do projeto que deu errado — errado para o povo brasileiro, e certo para os criminosos. Suas taras são perfeitamente conhecidas. Soltar gente que está presa, para diminuir a “superpopulação” das penitenciárias. Em vez de dar verbas para a polícia (que, segundo Lula, tem de ser mais “civilizada”), forrar de dinheiro as “ONGs” que se dedicam à proteção de presidiários. Desarmar os cidadãos que têm armas compradas legalmente — e por aí se vai. 

“As cadeias estão cheias de gente inocente no Brasil”, disse Lula ao relançar o “plano”; que o problema do Brasil é a “injustiça” com os presos, e não os assassinatos, roubos e estupros.

27 de março de 2023

A oração mais antiga a Nossa Senhora


✅  
Marcelo Dufaur 


A saudação de São Gabriel à Santíssima Virgem por ocasião da Anunciação, em Nazaré, é a mais antiga e sublime oração a Ela. É aquela que os homens mais rezam e rezarão até o fim do mundo: “Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco; bendita sois Vós entre as mulheres e bendito é o fruto de Vosso ventre, Jesus”. 

Mas qual é a oração mais antiga composta pelos homens a Nossa Senhora? 

De modo inesperado, ela apareceu inscrita num pequeno papiro milenar, de textura frágil, redigida em grego, desenterrado das areias de um deserto do Egito. O mais incrível é que o manuscrito, após quase dois mil anos, foi descoberto de modo legível. Agora é cuidadosamente guardado entre dois vidros para evitar a sua deterioração. 

Seria como se anjos tivessem querido conservar o texto para o revelar nos presentes dias, em que tanto se blasfema contra os mais insignes atributos da Santa Mãe de Deus, a fim de despertar os nossos contemporâneos. 

O papiro desaparecera no século III e foi encontrado num depósito de lixo das ruínas da extinta cidade de Oxirrinco, no norte do Egito, em 1897. Os arqueólogos ingleses Bernard Pyne Grenfell e Arthur Surridge [foto ao lado] recuperaram no local abundante coleção de manuscritos, agora conservados na Coleção John Rylands, da Universidade de Manchester (Inglaterra). Eles só foram dados a conhecer na década de 1930, porém ninguém os havia transcrito corretamente. 


O filólogo espanhol Felipe Hernández Muñoz, do Departamento de Clássicos da Universidade Complutense, foi em dezembro de 2022 à Rylands Collection e efetuou uma transliteração correta do grego e a tradução para o inglês e o latim. Assim, ele nos forneceu uma conscienciosa primeira versão da oração, que tem algo da célebre “Salve Rainha”, mas muito simples. Ei-la:

“Sob vossas / misericordiosas entranhas / nos refugiamos, / Mãe de Deus. Não desprezeis os nossos / pedidos na pressa, / mas do perigo, / livrai-nos, / só vós, santa, / a bem-aventurada”. 

Felipe Hernández explica que a “escrita está cuidada. Tudo em letras maiúsculas e em grego, a língua mais difundida na época. Há rasgões no papiro, mas as letras podem ser adivinhadas sem problemas”. O filólogo também destaca que as primeiras palavras são “sob vossas misericordiosas entranhas” que lembra a “Salve Rainha”. E as palavras “sob vossa proteção” indicam que Maria era invocada como Mãe de Misericórdia, como também na “Salve Rainha”, implorando seus “olhos misericordiosos”

Prof. Felipe Hernández Muñoz com um colaborador, no laboratório da Universidade Complutense.

A oração pede à Virgem que nos liberte do perigo. E um deles era a perseguição contra os cristãos perpetrada pelo Império Romano. 

“Altar dos Apóstolos”.
Visto através da grade de metal,
a relíquia é guardada sob o altar
da Santa Casa de Loreto. 
Por que fomos encontrar nesse velho papiro do ano 250 d.C. a versão mais primitiva que nos recorda a “Salve Rainha”? Grandes santos mariais, como São Luís Maria Grignion de Montfort, ensinam que a devoção a Nossa Senhora começou já em sua vida com a veneração dos próprios Apóstolos que iam até sua casa de Nazaré visitá-la e rezar a Missa num altar, hoje conhecido como “Altar dos Apóstolos”, o qual se conserva na Santa Casa de Loreto (Itália) aos pés da imagem da Virgem. 

Naqueles remotos tempos, devido aos vícios e às fraquezas dos neófitos oriundos do paganismo, a devoção à Mãe de Deus era revelada com discrição e prudência, porque, percebendo a sua excelsa virtude, os ex-pagãos poderiam achar que Ela fosse uma deusa. Com a posterior consolidação do apostolado, essa dificuldade desapareceu e o culto a Nossa Senhora generalizou-se livremente. 

Culto que nos primeiros séculos da Igreja teve sua aprovação magisterial no Concílio Ecumênico de Éfeso, do ano 431. Nele, Ela foi proclamada “Mãe de Deus” (theotokos, em grego). O herói dessa proclamação foi São Cirilo, patriarca de Alexandria. Naquele Concílio, por defender Maria como Mãe de Deus, São Cirilo foi invectivado pelo heresiarca Nestório e seus bispos cúmplices como “monstro, nascido e educado para a destruição da Igreja”. 

Com análogo ódio, os protestantes, estultamente, como de costume, contestaram a origem histórica da devoção a Nossa Senhora, arrancando da Bíblia páginas nas quais Ela é citada. Pior ainda, em nossos tempos, o progressismo dito católico, que tudo subverte, empenha-se em negar com maior furor os mais excelsos atributos da Santíssima Virgem, como o de Medianeira Universal de todas as Graças e seu correspondente título de Advogada nossa. Se Ela é Medianeira Universal, só a Igreja Católica é o único canal que nos leva a Deus por meio d’Ela, Advogada nossa por excelência, em quem podemos confiar com certeza plena. 

Nossa Senhora foi proclamada “Mãe de Deus” (theotokos, em grego) durante o Concílio Ecumênico de Éfeso, do ano 431,
graças a São Cirilo, patriarca de Alexandria

Mas foi nestes nossos tempos de negação empedernida, protestante e/ou progressista, que a Providência Divina fez reaparecer o histórico papiro provando que os celestes atributos da Virgem não são invenção medieval, mas que vêm sendo cultuados há quase dois milênios.

O mais antigo ícone representando
Nossa Senhora se venera no mosteiro
das dominicanas do Monte Mário, em Roma,
e é conhecido como “Advocata”,
 cuja autoria é atribuída ao Apóstolo São Lucas.
“Por muitos anos, esse documento foi deixado de lado. Talvez um dos motivos seja o fato de ser controverso por conter uma oração à Virgem Maria. O texto tem intrigado vários teólogos porque aparece em meados do terceiro século, antes do que qualquer um poderia pensar” — diz o filólogo Felipe Hernández, que traduziu o papiro e confirmou o que tantos intuíam, alguns com amor redobrado, outros com ódio e revolta. 

“Quando Jesus, do alto da Cruz, diz a São João: ‘Eis aí a tua mãe’, indicou que a Virgem não era só mãe espiritual do Apóstolo virgem, o primeiro devoto d´Ela, mas também a Mãe de toda a Igreja e de todos os cristãos — explicou Felipe Hernández, ecoando o ensinamento unânime da Igreja. 

As representações artísticas e muito antigas nos apresentam Nossa Senhora em ícones. O mais antigo ícone representando Nossa Senhora se venera no mosteiro das dominicanas do Monte Mário, em Roma, e é conhecido como “Advocata”, cuja autoria é atribuída ao Apóstolo São Lucas. O culto da Virgem como sendo uma invenção medieval não tem o menor fundamento, pois as imagens anteriores também nos falam de um culto que remonta aos tempos apostólicos.

13 de março de 2023

TRÍDUO CARNAVALESCO


“Sob pretexto de cultuar a alegria, o carnaval trai a alegria” 

✅  Plinio Corrêa de Oliveira

Certos escritores de meia tigela, que se querem dar ares de profundos, de psicólogos, de filósofos ou de qualquer outra coisa em que se lhes possam estatelar o pedantismo e a superficialidade, costumam afirmar que é durante a mascarada carnavalesca que o homem, “tirando a máscara dos preconceitos e das convenções sociais”, mostra a sua verdadeira fisionomia. E o ultra cediço chavão, o pretendido paradoxo encontra sempre, entre certas pessoas graves, o acolhimento devido aos grandes oráculos. 

Ora, nós achamos exatamente o contrário. No carnaval, não só a humanidade não tira máscara alguma, antes, se aferra mais encarniçadamente à máscara que, nestes últimos tempos, não cessa de usar. 

Assim, o carnaval não é um oásis, ou uma trégua; é um auge, um recrudescimento, crise delirante de um estado crônico. 

De fato, o carnaval moderno não passa de uma torpe falsificação, de uma reles intrujice, de uma atroz mistificação. Sob pretexto de cultuar a alegria, o carnaval trai a alegria. 

Em verdade, que é a alegria carnavalesca? Embriaguez de álcool, embriaguez de éter, embriaguez de ritmo, em suma, a completa desordem do sistema nervoso, alucinação de pessoas que desejam fugir de si mesmas, porque em si mesmas morrerão de tédio ou de náusea. 

Para uma humanidade falsificada, idiotizada, brutalizada, que detesta a sua alma e não quer contemplar a sua própria face, só mesmo uma alegria falsificada: o carnaval é inumano [...]. 

Desde que as calamidades são consequências dos pecados, façamos penitência e, muito especialmente, afastemos as causas dos pecados, a fim de que Deus se compadeça de nós.


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Excertos do artigo de Plinio Corrêa de Oliveira, publicado no “Legionário” de 28 de fevereiro de 1943, Nº 551, p. 2.

12 de março de 2023

PENTECOSTES


Nos primórdios da Santa Igreja, imensas graças para o seu estabelecimento e sua dilatação pelo mundo inteiro. Os Apóstolos movidos pelos dons do Espírito Santo operaram grandes milagres, evangelizaram todos os povos, prepararam o florescimento da Cristandade. 


Fonte: Catolicismo, Nº 867, Março/2023 

Cinquenta dias depois da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, um grandioso acontecimento: o Pentecostes, palavra grega que significa “quinquagésimo dia”. Nessa ocasião o Espírito Santo desceu em forma de línguas de fogo sobre a Santíssima Virgem e os Apóstolos reunidos no Cenáculo — o mesmo recinto onde o Redentor os havia reunido na “Última Ceia” um dia antes de sua Crucifixão no Calvário. 

Convertidos pela graça de Pentecostes, os Apóstolos se transformaram, de pessoas pusilânimes nos dias da Paixão de Jesus, em destemidos heróis da Fé; ficaram com a disposição de dar suas vidas para expandir o cristianismo a todas as nações; operaram grandes milagres; receberam em abundância os dons do Espírito Santo e o dom de falar muitas línguas para ensinar todos os povos. Em poucos dias converteram milhares de judeus e de gentios. 

“O Espírito Santo desce sobre a Virgem
e os Apóstolos”. Iluminura da obra
Les Très Riches Heures du duc de Berry.
Cumpria-se assim o que o Divino Mestre lhes havia ordenado: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado. Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu nome, falarão novas línguas, manusearão serpentes e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal; imporão as mãos sobre os enfermos e eles ficarão curados” (Mc 16, 15-18). 

Esse é o assunto da matéria de capa da edição deste mês da revista Catolicismo. Com ela damos prosseguimento à nossa publicação da Semana Santa do ano anterior, reproduzindo trechos da magnífica obra do Pe. Augustin Berthe, sacerdote redentorista francês, falecido no início do século passado. 

É o tema que sugerimos para meditação nesta Quaresma — período penitencial que no rito romano da Igreja Católica se inicia na Quarta-feira de Cinzas e termina no Domingo de Páscoa, ou seja, neste ano, de 22 de fevereiro até 9 de abril. 

Desejando aos nossos leitores uma abençoada Quaresma e uma Santa e Feliz Páscoa, oferecemos-lhes nossas orações para que alcancem a plenitude dos dons do Espírito Santo. Imensa graça que devemos pedir por intercessão de Nossa Senhora, assim como Ela intercedeu pelos Apóstolos no Cenáculo. Peçamos também um “novo Pentecostes” a fim de que se opere a conversão total da humanidade, o reflorescimento da Fé Católica e a restauração da Cristandade até os confins da Terra.

7 de março de 2023

O RETORNO DOS TERRORISTAS DO MST

O comunismo não é perverso e condenável apenas por ser um desastre do ponto de vista político-social e econômico — negando, por exemplo, o sagrado direito de propriedade. Ele é uma ideologia materialista e ateia intrinsecamente má, com uma visão do universo e do homem diametralmente oposta àquela ensinada pela Religião católica, e nega, em consequência, todos os Mandamentos da Lei de Deus. Assim, não se pode ser verdadeiramente católico e comunista ao mesmo tempo. 

Notícias concernentes à seita comunista no Brasil voltaram à pauta do dia com o retorno sinuoso do PT ao governo — “eleição não se ganha, se toma” — e o reinício das invasões e saques perpetrados pelo MST. 

Em recente artigo para a “Gazeta do Povo” (1-3-23), intitulado “Carnaval Vermelho: MST faz guerra para retomar poder político”, o deputado federal Marcel van Hattem (NOVO-RS) denuncia muito bem: 

“O ‘Carnaval Vermelho’ de invasões de terras desencadeado pelo MST é a mais recente consequência violenta da eleição de Lula à Presidência da República. E a promessa já é de intensificação da estratégia de terror empregada pelo braço armado do PT na área rural. 

“O MST, que usa do terror como arma de convencimento político, aliás, nunca foi enquadrado legalmente como aquilo que é: um movimento terrorista. Por quê? Simples: porque o PT obviamente nunca quis e o Centrão sempre acabou se rendendo, apesar de comporem suas bancadas inúmeros produtores rurais e seus representantes. Agora, após quatro anos de paz no campo, prosperidade rural e praticamente sem invasões de terra, vemos a retomada das investidas de quem não quer reforma agrária nenhuma e nem tem vergonha de deixar isso claro ao invadir terras produtivas, contrariando seu próprio discurso de ataque ao direito de propriedade. O MST, na verdade, faz guerra contra quem trabalha honestamente e, como todo ‘movimento social’ nesse país, reivindica também ‘espaço no governo’. Não quer reforma agrária; quer poder político”. 

Desde o dia 27-2-23, aproximadamente 1.700 petistas do MST invadiram três fazendas de cultivo de eucalipto da empresa Suzano Papel e Celulose, nos municípios de Teixeira de Freitas, Mucuri e Caravelas, no sul da Bahia (Cfr. O Estado de S. Paulo, 2-3-23)

Apenas acrescento: o MST não quer Reforma Agrária, ele quer Revolução Agrária. Utiliza para isso a luta de classes da cartilha marxista, jogando empregados contra padrões, sempre “abençoado” e impulsionado pela clerezia de esquerda. 

Vem a propósito reproduzir aqui três pensamentos: 


“O Comunismo foi fundado pelo demônio. Lúcifer é o seu chefe e a disseminação de sua doutrina é a guerra do diabo contra Deus. Conheço o comunismo e sei que é diabólico. É a continuação da guerra dos anjos maus contra o Criador e seus filhos.”
(Padre Cícero Romão Batista). 





“Em nossos dias o marxismo vai tomando ares de sacristão, e procura inviscerar-se na Igreja para A conquistar. Reconhecendo-se fracassado nos 100 anos em que lutou contra Ela de fora para dentro, procura agora matá-la de dentro para fora.”
(Plinio Corrêa de Oliveira). 





“Governos com políticas agrícolas erradas com pegadas socialistas, que na verdade escondem o comunismo, geram sequelas no prato de comida. E a história está aí para provar, como podemos ver hoje na ‘Venezuela do norte’ e na ‘Venezuela do sul’ — antes chamada Argentina.” 

(Júlio Brissac).