13 de julho de 2021
Devoção mariana, fundamento para a organização da vida na sociedade temporal
7 de julho de 2021
TERESINHA SETÚBAL
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| Teresinha, primeira à direita, com seu pai e irmãos |
Informações complementares sobre a menina paulista predileta do Menino Jesus
Alguns exemplos de virtude
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| Da. Francisca Souza Aranha Setúbal,
mãe de Teresinha
ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. |
Teresinha estava lá por obediência à família, mas gozava da companhia do Menino Jesus. Comenta Da. Francisca [foto]: “Quando ela estava na praia, mesmo em seu traje de banho, notava-se que ela só via o mar e o céu. Aquele movimento na praia lhe causava horror, mas nada dizia”.
Aceitando as cruzes postas em seu caminho
Obedecendo sempre ao Menino Jesus
| Da esq. para a dir.: Da. Francisca, Olavo, Vicentina, Paulo Setúbal e Teresinha |
Sofrendo com os tratamentos médicos
Sofri tudo o que tinha que sofrer
Tomando conhecimento do que se passava, Teresinha disse à mãe: “Que importa que eles pensem que tenho alguma coisa (e mostrou com a mão a cabecinha, e com suavidade na voz): Jesus, que é Filho de Deus, não lhe vestiram a camisa branca dos loucos?”.
Depoimento final de um médico atencioso
5 de julho de 2021
Quem subsistirá ao dia da ira?
Tratei recentemente da escalada de corrupção moral envolvendo crianças, tendo prometido voltar ao assunto, tamanha a sua gravidade. Infelizmente, se na estrutura familiar ainda perduram alguns valores morais, estes não remontam aos princípios, mas a meros atavismos, muito mais fáceis de serem tragados pela maré montante da Revolução gnóstica e igualitária.
Tornou-se rotina, por exemplo, pessoas provenientes de casamentos desfeitos realizarem uma ou mais uniões, agravando ainda mais a precariedade da estrutura que muitos ainda teimam em chamar de “familiar”, na medida em que trazem filhos de uma união para conviver com outros que não são seus genitores ou irmãos.
Como não perceber que esse arranjo dito familiar resulta da falta de princípios e de convicções religiosas que constituíam até um tempo não muito remoto a salvaguarda do casamento, mas igualmente da instituição da família?
A união entre um homem e uma mulher que desejassem constituir família se dava num Cartório de Registro Civil (não havia ainda a lei do divórcio), mas era, sobretudo, sacramentado no Altar, onde os nubentes juravam diante de Deus fidelidade mútua — até que a morte os separasse — e a educação da prole.
O casamento indissolúvel, consubstanciado num Sacramento da Santa Igreja, redunda no bem dos cônjuges, dos filhos e da sociedade. Foi ensinado nos santos evangelhos com validade para todos os tempos e lugares, não devendo o homem separar aquilo que Deus uniu. Este é um arcabouço sólido para se edificar a união entre o homem e a mulher.
No entanto, na medida em que a Revolução anticristã prossegue seu processo multissecular para implantar todo um estado de coisas avesso à ordem — que é a paz de Cristo no Reino de Cristo —, ela vai derrubando os obstáculos com os quais se depara, sendo o principal deles a família, um dos pilares da civilização cristã.
Aqui no Brasil, a ministra Damares Alves vem denunciando reiteradas vezes o tráfico de crianças para os piores fins, inclusive para serem abusadas sexualmente, com todas as sequelas que tais aberrações acarretam.
Se Deus julga e sentencia quem escandaliza e desvia uma criança que para ele seria melhor uma mó ao pescoço e ser lançado nas profundezas do mar, qual é a ameaça que pesa sobre os articuladores que se utilizam das crianças como instrumentos de seus planos para eliminar a ideia de Deus da face da Terra?
Outro reflexo dos dias tenebrosos em que vivemos é o Projeto de Lei, 3.369/2015, do comunista Orlando Silva (PCdoB), conhecido como Estatuto das Famílias do Século XXI, que na opinião de publicações e pessoas autorizadas visa à legalização do incesto e da união entre duas ou mais pessoas.
Como sacerdote de Nosso Senhor Jesus Cristo, eu tenho o dever de ensinar os fiéis a cuidar de suas almas e a se santificar pela frequência habitual dos sacramentos. O ensinamento de hoje é apontar nas Escrituras Sagradas algumas passagens sobre a ira de Deus e os castigos infligidos por Ele àqueles que violam a sua santa Lei.
Deus fala em deixar a cidade em ruínas, desolada e arrasados os seus santuários, sem ofertas nem sacrifícios, a ponto de deixar as pessoas perplexas quando os inimigos ocuparem seus países e habitações, como aconteceu nas nações dominadas pelos regimes ditatoriais e ateus.
O Senhor fala em propagar entre as nações a espada, a desolação e a ruína de suas cidades. Recairá sobre elas o castigo de repente, como a águia se atira sobre a presa, porque rejeitaram obedecer aos decretos de sua santa Lei:
“Porque é chegado o grande dia de sua ira, e quem subsistirá?” (Ap. 6, 17).
“Da sua boca saía uma espada afiada para com ela ferir as nações; ele as regerá com uma vara de ferro, e ele é o que pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus Todo-poderoso” (Ap. 19, 15).
“Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que vos ameaça? Fazei, portanto, frutos dignos de penitência [...] porque o machado já está posto à raiz das árvores. Toda árvore que não dá bom fruto, será cortada e lançada ao fogo” (Lc 3. 7 e ss.).
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* Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso Moreira (RJ).
2 de julho de 2021
CREIO EM DEUS
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Imagem de São Tomé
venerada em San Giovanni di Laterano (Roma). Obra do escultor francês Pierre
Legros (1666 -1719), pertenceu à escola barroca [Foto PRC]
Neste dia 3 de julho a Santa Igreja celebra o Apóstolo São Tomé. Segundo a tradição, ele pregou o Evangelho na Armênia, na Média, na Pérsia e na Índia, onde foi martirizado. Afirma também que esteve na América, inclusive no Brasil — onde os índios diziam que, antes da chegada dos portugueses, passou por aqui para lhes ensinar a Religião o “Pai Zumé”.
Por seu apostolado e sua morte, confessou a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, da qual duvidara por momentos.
O Apóstolo São Tomé não estava no Cenáculo quando Jesus apareceu aos discípulos. Quando voltou, eles lhe disseram: — Vimos o Mestre! Apareceu aqui e falou conosco.
Tomé sorriu e objetou: — Se eu não vir no seu lado aberto, não acreditarei.
São Tomé não quis crer. Tudo aquilo, em sua opinião, era uma ilusão.
Oito dias depois, os discípulos estavam novamente reunidos no Cenáculo. Tomé achava-se presente. Inesperadamente, envolvido numa luz misteriosa, Jesus apareceu no meio deles, dizendo: — A paz esteja convosco.
Os Apóstolos alegraram-se vendo Jesus. Tomé, pelo contrário, abaixou a cabeça. Jesus aproxima-se dele, dizendo severamente: — Tomé põe o teu dedo nas minhas feridas e coloca a tua mão sobre o meu lado, e não sejas mais incrédulo.
São Tomé, confundido, caiu de joelhos aos pés de Jesus e exclamou, entre lágrimas de comoção: — Senhor meu e meu Deus.
E Jesus erguendo-o disse: — Creste, ó Tomé, porque viste. Bem-aventurados os que não viram e creram.
A respeito desta passagem do Evangelho, Plinio Corrêa de Oliveira comentou em artigo no “O Legionário”, em 25-4-1943:
“Muito se tem falado... e sorrido a respeito da relutância de São Tomé em admitir a Ressurreição. Haverá talvez, nisto, certo exagero. Ou, ao menos, é certo que temos diante dos olhos exemplos de uma incredulidade incomparavelmente mais obstinada do que a do Apóstolo.
Com efeito, São Tomé disse que precisaria tocar Nosso Senhor com suas mãos, para n’Ele crer. Mas, vendo-O, creu mesmo antes de O tocar.
Santo Agostinho vê na relutância inicial do Apóstolo uma disposição providencial. Diz o Santo Doutor de Hippona que o mundo inteiro ficou suspenso ao dedo de São Tomé, e que sua grande meticulosidade nos motivos de crer serve de garantia a todas as almas timoratas, em todos os séculos, de que realmente a Ressurreição foi um fato objetivo, e não o produto de imaginações em ebulição. Seja como for, o fato é que São Tomé creu assim que viu. E quantos são, em nossos dias, os que veem e não creem?
Temos um exemplo desta obstinada incredulidade no que diz respeito aos milagres verificados em Lourdes, e também com Teresa Neumann em Ronersreuth, em Fátima. Trata-se de milagres evidentes.
Em Lourdes, há um bureau de constatações médicas, em que só se registram as curas instantâneas de moléstias sem qualquer caráter nervoso, e incapazes de ser curadas por um processo sugestivo; as provas exigidas como autenticidade da moléstia são, em primeiro lugar um exame médico do paciente, feito antes de sua imersão na piscina; em segundo lugar, ainda antes dessa imersão, a apresentação dos documentos médicos referentes ao caso, das radiografias, análises de laboratório etc.
A todo esse processo preliminar podem estar presentes quaisquer médicos de passagem por Lourdes, ficando autorizados a exigir exame pessoal do doente, e das peças radiográficas ou de laboratório que traga consigo; finalmente, verificada a cura, deve esta ser observada pelo mesmo processo por que se verificou a doença, e só é considerada efetivamente miraculosa quando, durante muito tempo, o mal não reaparecer.
Aí estão os fatos. Sugestão? Para eliminar qualquer dúvida a este respeito, aponta-se o caso de curas verificadas em crianças sem uso da razão por sua tenríssima idade, e que, por isto, não podem ser sugestionadas. A tudo isto, o que se responde? Quem tem a nobreza de fazer como São Tomé, e, diante da verdade segura, ajoelhar-se e proclamá-la sem rebuços?
Parece que Nosso Senhor multiplica os milagres à medida que cresce a impiedade. O caso de Teresa Neumann, Lourdes, Fátima, o que mais? Quanta gente sabe destes casos? E quem tem a coragem de proceder a um estudo sério, imparcial, seguro, antes de negar esses milagres?”
29 de junho de 2021
Procissão do Preciosíssimo Sangue de Jesus
No dia 1º de julho celebra-se a festividade instituída pelo Papa Beato Pio IX em 1849, em ação de graças pela libertação de Roma, com a vitória dos exércitos franceses e pontifícios sobre a Revolução nacionalista anti-clerical que o obrigara a exilar-se em Gaeta. São Pio X fixou-a para este dia. Mas na Alemanha essa importante festividade remonta ao século XI.
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São Longino, o centurião miraculado foi um dos primeiros propagadores da Fé de Jesus Cristo. Procissão nas Filipinas |
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| A Sagrada Lança está conservada na Sainte Chapelle de Paris |
Judite, duquesa da Baviera, irmã do conde Balduíno V de Flandres e de Santa Adela da França, doou o relicário à abadia de Weingarten. Ali, a relíquia é venerada há quase um milênio. Ela está exposta numa capela ao lado da basílica de São Martinho.
História da abadia
A abadia beneditina de Weingarten foi fundada em 1056, por Guelfo I, duque da Baviera. Os monges elaboraram famosas iluminuras de manuscritos, a mais famosa das quais é o Sacramentário de Berthold, de 1217.Em 1274, o mosteiro ganhou estatuto de feudo independente de qualquer poder temporal, exceto do imperador. Seu território era de 306 km2, incluindo muitas florestas e vinhedos.A primeira igreja românica foi construída entre 1124 e 1182. Entre 1715–24 foi substituída por uma maior, em estilo barroco, ricamente decorada. Em 1803, a revolução anticristã se voltou contra o Sacro Império e aboliu os estados menores independentes, como Weingarten.A abadia foi dissolvida e suas propriedades confiscadas pelo principado de Nassau-Orange-Fulda, e depois pelo reino de Würtemberg.Naquela ocasião os riquíssimos relicários de ouro e pedras preciosas foram roubados de modo vergonhoso pelo laicismo rompante. Em 1812, sob os efeitos revolucionários das invasões de Napoleão, a procissão foi proibida. Mas retomou em 1849 e persiste até os presentes dias.Em 1922, a abadia de Weingarten foi refundada por monges beneditinos da arquiabadia de Beuron e da abadia de Erdington (Inglaterra).Em 1940, o nazismo expulsou os monges, mas eles voltaram após o fim da guerra. Os monges pertencem em parte ao rito romano e em parte ao rito bizantino. [Mais dados em Wikipédia].
13 de junho de 2021
GUERRA ENTRE REVOLUÇÕES
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| Alanna Smith, jovem velocista americana, fala durante ato de protesto pedindo vetar atletas “trans” nos EUA |
Desenrola-se há anos uma espécie de conflito velado entre duas correntes revolucionárias, ambas com vinculações evidentes por seu ódio à civilização cristã. Propugnadores da ideologia de gênero, tida como “avançada”, consideram agora “ultrapassada” a vetusta onda feminista. A recente ascensão de Joe Biden à presidência dos Estados Unidos trouxe notoriedade ao entrechoque das duas posições, e não há mais como escondê-lo do público.
O caso, como veremos, traz à luz uma das constatações mais sagazes de Plinio Corrêa de Oliveira, na sua obra mestra Revolução e Contra-Revolução: No processo de decadência do Ocidente cristão, iniciado nos fins da Idade Média, as revoluções de ontem vão sendo inevitavelmente devoradas pelas revoluções de hoje.
Controvérsia por direitos iguais
Alanna Smith, jovem velocista americana, tinha pela frente uma carreira promissora nas pistas de corrida de seu país. Tal oportunidade lhe surgiu, entre outros motivos, porque o movimento feminista havia reivindicado, durante muitas décadas, o direito das mulheres à prática de esportes geralmente restritos antes aos homens. A partir de meados do século passado, com o avanço da dita “igualdade entre os sexos”, as mais variadas formas de competição foram abertas às mulheres: natação, atletismo, esportes coletivos, e até mesmo um inimaginável pugilismo feminino.
Seus esforços foram paulatinamente reconhecidos no mundo das atletas, exatamente como ocorria com os homens. O pressuposto óbvio era que entre as mulheres esportistas vigoraria o chamado “fair play”, ou jogo justo. Em outras palavras, homens disputariam com homens, e mulheres disputariam com mulheres. Seria um disparate imaginar mulheres competindo com homens, por exemplo, em uma disputa de boxe...
Entretanto, quando a mãe de Alanna lhe perguntou sobre sua estratégia para vencer uma competição juvenil em 2019, a resposta foi taxativa: “Nada vai adiantar, mãe! Não tenho como vencer, porque hoje vou competir contra rapazes!”.(1)
Como!? Então cessou de valer o “fair play”!? Mulheres vão ser obrigadas a competir com homens, em tão flagrante desigualdade de condições??!! Era bem isso, mas também não era bem isso... Acontece que a revolução de hoje decidiu dar um grande passo, tão grande como outras loucas violações da natureza, para cuja vitória ela tem de ‘devorar’ a revolução de ontem. Expliquemo-nos.
O feminismo batalhou com todas as suas armas pela “igualdade de direitos” das mulheres. Avançaram, avançaram, avançaram, e hoje quase não há atividade que seja proibida às mulheres. Mas recentemente interessou à revolução dar impulso a outra “igualdade”, antinatural e insensata como tantas outras: “igualdade de gênero”. Ocorre, no entanto, que essa “igualdade” entra em contradição com a “igualdade de direitos” das mulheres. A consequência prevista por Alanna se concretizou, e ela ficou bem atrás dos dois “transgêneros” (homens identificados como mulheres) que disputavam a corrida naquele dia.
Outro caso emblemático ocorreu com Selina Soule.(2) Em 2018 ela havia galgado o mais alto posto das velocistas juvenis em Connecticut. Contudo, numa corrida pelo campeonato estadual no mesmo ano, ela cruzou a linha de chegada muito, mas muito depois de “outras duas competidoras”. Tratava-se na realidade de dois competidores, que biologicamente falando eram rapazes, mas correndo na mesma pista com as moças. Terminando em terceiro lugar, Selina perdeu uma vaga na universidade, a classificação para futuros campeonatos e outras vantagens advindas da carreira de esportista.
O mais intrigante no caso de Selina é que os dois vencedores não teriam chance numa disputa contra homens, pois seus tempos de corrida estavam bem abaixo de outros competidores do sexo masculino na mesma categoria. Aliás, os dois “transgêneros” não teriam condições nem sequer para disputar o campeonato estadual com outros rapazes, apesar de terem vencido mulheres de verdade. Sua classificação era simplesmente muito aquém da média das competições masculinas. Alegando serem “mulheres”, venceram a competição contra mulheres em nome da “igualdade de gênero”!
Não temos a menor simpatia pela “igualdade de direitos” das mulheres (a revolução de ontem), mas devemos ressaltar que agora está sendo cometida de fato uma flagrante injustiça contra mulheres (consequência nefasta da revolução de hoje).
Feministas e transgêneros em batalha judicial
Em 2019, Selina, Alanna e duas outras atletas juvenis, apoiadas pela associação Aliança em Defesa da Liberdade, entraram com ação judicial no estado de Connecticut.(3) A demanda intenta proteger o direito ao clássico “jogo justo”, excluindo das competições femininas os “atletas transgêneros”, isto é, homens biologicfamente falando, que preferem ser tidos como mulheres. Até o fechamento desta edição, a decisão judicial ainda não havia sido proferida. De qualquer forma, note-se que o Departamento de Educação dos Estados Unidos, durante o governo Trump, vinha tomando uma atitude favorável às jovens esportistas. Sob o novo governo, porém, tal apoio foi retirado.
Analistas preveem(4) outras querelas judiciais do mesmo tipo no país, em razão da ordem executiva baixada pelo presidente americano Joe Biden no início de seu mandato, em janeiro deste ano. A “Ordem executiva para a prevenção e combate à discriminação baseada em identidade de gênero e orientação sexual” declara, em sua 1ª seção: “As crianças devem ser inseridas no aprendizado, sem a preocupação de terem o acesso negado a banheiros, vestiários ou esportes escolares”.
No Brasil, a problemática ainda não veio à tona como na América do Norte. Mas a guerra já desponta no horizonte com a tramitação, na Assembleia Legislativa de São Paulo, de um Projeto de Lei de 2019 para a proibição de “transgêneros” nos esportes.
A lei natural esmagada por contradições
Os argumentos a favor e contra mergulham num mar de contradições e conclusões tortuosas. Os defensores dos “transgêneros” nos esportes femininos argumentam que é possível diminuir ou até neutralizar a natural disparidade biológica entre os sexos. Tratamentos para inibição de hormônios masculinos passaram a ser apresentados como prova de “igualdade de condições” nas competições internacionais e olímpicas. Isto significa, na realidade, tentar consertar um erro com outro erro.
Por outro lado, especialistas afirmam que certas características masculinas não podem ser minimizadas, mesmo com tratamentos hormonais.(5) Dentre as naturais vantagens físicas dos homens sobre as mulheres figuram: ombros mais largos, algo que proporciona maior capacidade pulmonar e respiratória; maior massa muscular; maior densidade óssea nos braços.
Eis uma comparação. Se a velocista norte-americana Allysson Felix — ganhadora de seis medalhas de ouro olímpicas e tida como uma das mulheres mais rápidas do mundo — disputasse os 400 metros rasos, fazendo o melhor tempo de sua carreira (49.26 segundos), ela perderia a corrida para aproximadamente 300 rapazes, atletas não profissionais, estudantes do ensino médio, apenas considerando os participantes dos Estados Unidos.(6)
Não quero desmerecer a famosa atleta, desejo apenas apontar o óbvio: há diferenças biológicas entre os sexos que influenciam os resultados esportivos. Mas as sentinelas da ideologia de gênero não querem enxergar a questão assim. Para elas, retirar o direito de “homens transgêneros” à participação em competições femininas traduz-se por “discriminação de gênero”. Chegam até a qualificar as jovens esportistas acima citadas como “más perdedoras” e “preconceituosas”.
Contradições que fazem a Revolução avançar
Não consta que qualquer movimento feminista tenha levantado a voz contra tão flagrante violação dos “direitos das mulheres”. Por quê? Ao que tudo indica, porque a onda revolucionária do “gênero” vai ‘pondo para escanteio’ a revolução feminista, suscitando querelas e contradições nas suas próprias fileiras. Por exemplo, o ativismo feminista usa geralmente a expressão “igualdade de gênero” como um conceito favorável aos direitos das mulheres.(7) No entanto, diante da controvérsia dos “transgêneros” nos esportes femininos, a mesma expressão vai sendo utilizada em sentido oposto.
Tantas são as contradições, tão antinaturais todos esses aspectos impensáveis até bem pouco tempo atrás, que não conseguimos imaginar como poderia um juiz sensato prolatar sentença justa nessa situação paradoxal de “Revolução dos bichos”, na qual todos são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros. Quanto aos legisladores, como elaborar leis sensatas num mundo em que a insensatez disputa corrida com os que fogem à “lanterna de Diógenes”?
Na realidade, a Revolução anticristã vive de contradições e lutas internas. O que importa para ela é a destruição dos restos de Cristandade em nossos dias, mesmo que para isso seja necessário desprezar e derrubar suas bandeiras do passado; ou seja, devorar aquilo que foi ultrapassado pelo próprio processo revolucionário.
Apenas na civilização nutrida pela doutrina milenar da Santa Igreja Católica pode haver bases firmes e equilibradas para os legítimos papéis do homem e da mulher na sociedade, cada qual com sua dignidade, importância e particularidades próprias. E longe, muito longe dos disparates igualitários deste nosso mundo paganizado.
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Notas
1. Cfr. <https://www.youtube.com/watch?v=SrMem2TiAqQ>
2. Cfr. <https://www.youtube.com/watch?v=navQkMFvmDc>
3. Cfr. <https://www.ctpost.com/sports/article/Lawsuit-against-allowing-transgender-athletes-to-15982666.php>
4. Cfr.<https://www.uol.com.br/esporte/colunas/lei-em-campo/2021/02/02/decisao-de-biden-aumenta-sobre-transgeneros-afeta-o-esporte.htm>
5. Segundo o Journal of Applied Physiology, citado aos 4m e 45s do vídeo: <https://www.youtube.com/watch?v=b--cafK5mxY>
6. Cfr. aos 2m e 32s do vídeo: <https://www.youtube.com/watch?v=navQkMFvmDc>
7. Cfr. o penúltimo parágrafo do artigo: https://atletasnow.com/mulheres-no-esporte-conheca-suas-trajetorias-e-conquistas/
12 de junho de 2021
Católicos norte-americanos se unem em associações para defender sua fé
Em nossos conturbados dias está cada vez mais difícil criar a família segundo os preceitos tradicionais da Igreja Católica. A degradação moral, tanto da religião quanto da família e dos costumes em geral tornam quase impossível manter-se fiel a esses preceitos sem que haja interferência do governo, da pressão do lobby homossexual, da teoria de gênero, enfim, do “politicamente correto”.
Em resposta a esses desafios impostos pela cultura secular, alguns pais de família se viram obrigados a optar por matricular seus filhos em escolas católicas mais conservadoras, ou a educá-los em casa. Por isso é cada vez maior o número dos que estão considerando mesmo a opção de se mudarem com suas famílias para alguma parte do país em busca de uma comunidade onde a fé seja respeitada e nutrida, em algum local mais tradicional no qual seus filhos possam receber uma boa orientação religiosa e cultural, onde as pessoas compartilhem sua fé e os valores católicos de sempre.
Um desses polos aglutinadores é o da paróquia de Nossa Senhora do Rosário [foto acima], em Greenville, na Carolina do Sul. Ele está atraindo famílias das mais variadas partes do país, num movimento a que chamam de “Relocatio”, neologismo para significar “localizar-se de novo”, ou seja, mudar de rumo ou mesmo de cidade e Estado. O fato de que agora se tem de trabalhar em casa usando a Internet facilitou muito essas mudanças.
Só em abril deste ano, 14 novas famílias de 11 estados diferentes se “relocalizaram” em Greenville, para gozarem dos benefícios dessa paróquia e de sua escola. E muitas outras estão a caminho.
O que atrai tantos católicos à igreja Nossa Senhora do Rosário e à sua escola?
Alguns dos novos frequentadores da paróquia ficaram sabendo de sua existência pelo blog do seu vigário, Pe. Dwight Lognecker, palestrante proeminente e muito conservador. Outros ficaram impressionados sabendo que em 2019 a paróquia dedicou uma nova bela igreja num estilo tradicional, o românico.
Mas, sobretudo, o que atrai as famílias é o fato de a escola estar ligada à Igreja. Em sua home-page pode-se ler:
“Sob o patrocínio da Bem-Aventurada Virgem Maria, a missão da Escola Católica Nossa Senhora do Rosário é apoiar os pais no seu papel de educadores primários dos filhos. Nosso rigoroso treinamento clássico extrai dos alunos o desejo natural de sabedoria e virtude. Ao promover o amor pela verdade, beleza e bondade, buscamos formar discípulos de Jesus Cristo, libertos para realizar todo o seu potencial, vivendo com alegria de acordo com a verdade revelada por Deus através da natureza e da Igreja Católica” (grifo nosso).
A família Dardis foi uma das atraídas por Nossa Senhora do Rosário. Ela se mudou para Greenville após cruzar todo o país. Um dos fatores de sua decisão foi o fato de a cidade em que morava ter-se tornado a de maior população de moradores de rua per capita dos EUA, com infinidades de barracas, agulhas de droga nas calçadas, sem falar de toda a agitação que faziam. Como a família é católica conservadora, encontrou na Internet o site daquela paróquia e resolveu mudar-se. O casal Pat e Michelle Langowski teve razões parecidas:
“Não gostamos da forma como o lugar em que morávamos estava mudando, e começamos a ver essas mudanças afetando nossos filhos e seu aprendizado. O foco parecia cada vez menos em educação de qualidade e bons valores, e mais em promover uma agenda específica”; quer dizer, ideologizada. Por isso, diz Michelle: “Tomamos a decisão de mudar nossa família (avós também) para o outro lado do país, para morar em um lugar onde as pessoas não tivessem que pedir desculpas por serem católicas”. [...] Além disso, temos a confiança de saber que nossos filhos estão recebendo uma educação de qualidade, clássica e autenticamente católica. Sabemos que frequentam uma escola onde os valores católicos são explicados e celebrados. Vemos que o mundo está muito ansioso para impor seus valores às crianças. Estamos entusiasmados porque o lugar onde nossos filhos passam a maior parte do dia é um lugar católico, clássico, amoroso e atencioso”.
O diretor dessa escola da igreja Nossa Senhora do Rosário, Curtin explica: “Isso começou há alguns anos. Mas acelerou quando teve início o lockdown. As pessoas começaram a ver a cultura católica como ela era. Elas estão prontas para fazer mudanças radicais [para seguirem fielmente sua religião] que antes pareciam impensáveis — mas agora são imagináveis.” Isso às vezes até mudando-se de um extremo do país ao outro.
Iniciativa semelhante em outra parte dos Estados Unidos que está atraindo muitos católicos é a chamada Vertitatis Splendor.
Sua idealizadora, Kari Beckman, é uma partidária do homeschooling que lutava contra os efeitos do isolamento social e as pressões culturais recentes. Ela afirma: “Ficou muito claro para mim que devemos preservar a fé agora. Este é apenas o primeiro round da crise, o que o futuro nos reserva pode ser muito pior. Se nós, como leigos, não preservamos o que realmente temos [a fé católica] e o guardamos com cada grama de nosso ser como o presente precioso que é, então vamos perdê-lo.”
Ela imaginou então uma propriedade rural isolada [foto], onde houvesse um oratório, alguns institutos católicos, centro de retiros etc., dirigida por uma comunidade de sacerdotes que celebrassem as festas católicas tradicionais, como procissões e outras celebrações, como havia antigamente. Esses institutos seriam também um meio de restaurar o pensamento e a filosofia corretos, e não a progressista atual, em uma sociedade cada vez mais confusa.
Mas onde e como fazer? Kari necessitava sobretudo de assistência religiosa. Ocorreu-lhe então que o bispo Joseph Strickland [foto], de Tyler, no Texas, conservador, fora dos poucos prelados americanos a permitir que as igrejas de sua diocese ficassem abertas durante a pandemia para missas e adoração. Daria assistência religiosa aos participantes desse novo programa caso se mudassem para Tyler?
Foi a pergunta que lhe fez Kari quando o visitou. O prelado quis então saber o nome da instituição. Quando ela disse que seria Veritatis Splendor, ele ficou surpreso, pois dias antes havia considerado com seu secretário sobre como pôr em prática essa encíclica. Isso concorreu para que ele concordasse com o plano, e enfatizasse: “É responsabilidade dos pais proteger seus filhos da loucura que está lá fora, e também prepará-los para enfrentar essa loucura com a luz de Cristo. [...] Existem muitas ideias malucas. Mas Cristo diz: ‘Não tenha medo’. Portanto, não agimos por medo, mas fortemente, com alegria, acreditando sobre o que é a mensagem de Cristo”.
Outro casal, Lisa e Tim Wheeler, pais de cinco filhos adotivos, acreditaram que Deus os estava chamando para construir uma comunidade de acolhimento familiar conservadora, mas não sabiam ainda como. Então Kari Beckman lhes fez a proposta de se juntarem a ela no seu ousado plano. Após oração e reflexão cuidadosa, os Wheelers entenderam que sua visão se fundia facilmente com a de Beckman, e se juntaram ao esforço como cofundadores.
Os planos estão avançando. Confiando em Deus de que darão frutos, os Beckman já venderam sua casa na Geórgia e, quando o ano escolar de sua filha terminar, planejam se mudar oficialmente para Winona e fixar residência na nova propriedade no Texas.
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Fontes:
- https://www.ncregister.com/news/massive-catholic-center-planned-for-east-texas
- https://www.churchpop.com/2021/05/17/a-huge-blessing-why-3-families-moved-across-the-country-to-live-in-a-catholic-community/?utm_campaign=ChurchPop&utm_medium=email&_hsmi=127909105&_hsenc=p2ANqtz-9ikZn0_vXYpQIDk5zVg1_-J4rvsUQqSFc12aLKP-znwszjtQh9jspfH-zHYIqTtJ4APss81ECjFLQgMrEzwmV3tenOSA&utm_content=127909105&utm_source=hs_email
9 de junho de 2021
Igreja do Sagrado Coração de Jesus
A festividade do Sagrado Coração é comemorada na sexta-feira que segue a Oitava de Corpus Christi, como prolongamento da solenidade que celebra o “Corpo de Cristo”, portanto neste dia 11.
Na Igreja do Sagrado Coração de Jesus há proporção entre altura, largura, extensão e partes laterais. Algo de muito sério convida à reflexão, favorece a meditação.
Dentro de uma luminosidade difusa em meio à névoa, as imagens têm rostos lisos, sérios, com olhares descontraídos. Elas olham para quem está em baixo, prontas para socorrer e ajudar a quem suplica. Sobretudo isto se nota nas imagens do Sagrado Coração de Jesus e de Nossa Senhora Auxiliadora.
5 de junho de 2021
DITADURA DA MEDIOCRIDADE
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A vida mental dos medíocres cifra-se
na sensação do imediato — a abastança do dia, a poltrona cômoda, os chinelos e
a televisão — não vai além disso o seu pequeno paraíso.
Os medíocres impõem às almas de largos horizontes a ditadura da mediocridade
2 de junho de 2021
SOLENIDADE DE CORPUS CHRISTI
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| Em Orvieto, no final da belíssima procissão de Corpus Christi, a benção do Santíssimo Sacramento, no dia 2 de junho de 2013 [Foto PRC]. |
✅ Paulo Roberto Campos


























