450 anos de um Papa Cruzado que convocou uma grande Cruzada para salvar a Cristandade da invasão maometana. E ele foi vitorioso! Ele conseguiu que a Cruz de Jesus Cristo triunfasse sobre o Crescente islâmico de Maomé; que as espadas católicas vencessem as cimitarras muçulmanas.
✅ Paulo Roberto Campos
Pode-se dizer que o Papa São Pio V (1504-1572) foi o comandante das esquadras católicas na batalha de Lepanto — o maior embate naval da História travado até então — que salvou a Cristandade da invasão maometana no século XVI. Ele conseguiu convencer alguns soberanos europeus a se unirem numa Cruzada para impedir tal invasão dos sequazes de Maomé.
O que foi obtido com a vitória nas águas do golfo de Lepanto, no dia 7 de outubro de 1571, com especial intervenção de Nossa Senhora Auxiliadora — Aquela que é, como registra a Sagrada Escritura, “terribilis ut castrorum acies ordinata” (terrível como um exército em ordem de batalha - Ct 6, 9).
Em nossos dias o Velho Continente está sendo novamente ameaçado de ser invadido... Basta lembrar da invasão da Ucrânia perpetrada pela Rússia do déspota Vladimir Putin intimidando o mundo ocidental com suas armas nucleares.
A civilização cristã hoje conta com um Pontífice com a coragem e a grandeza de alma do Papa São Pio V? — Nem precisa dizer que, lamentavelmente, a resposta é negativa...
Hoje celebramos o 450º aniversário do falecimento do grande Papa, grande comandante, grande inquisidor, grande santo que venceu o Império Otomano. Em memória de tão relevante efeméride, transcrevemos a seguir um comentário do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, em conferência de 7-10-75.
“Vou destacar aqui um herói da batalha de Lepanto, a respeito do qual pouco se fala. Esse herói foi o Papa São Pio V.
O Pontífice via bem o poder otomano crescer cada vez mais, e o perigo de os otomanos se jogarem sobre a Itália ou sobre qualquer outra parte da Europa, e operarem uma invasão que poderia ter efeitos tão ruinosos ou talvez mais ruinosos do que teve a invasão dos árabes na Espanha, no começo da Idade Média.
Nessa situação, São Pio V tinha que apelar naturalmente para o varão que era o apoio temporal da Igreja naquele tempo: Felipe II, Rei da Espanha.
O Imperador do Sacro Império Romano Alemão não tinha condições, por causa da divisão religiosa no império [em razão da revolução protestante], de lutar eficazmente contra os mouros. A França estava corroída por uma crise religiosa muito grande, guerra de religião etc.
O Papa só podia contar, dentre as grandes potências católicas, com Felipe II de um lado, e, de outro, com Veneza, que dispunha de grande poder marítimo.
Caso Felipe II se retraísse, a horda maometana desataria sobre a Itália, e depois atingiria toda a Cristandade. Seria o fim da Civilização Cristã no Ocidente. Não seria o fim da Igreja, porque ela é imortal; mas, ao que a Igreja poderia ficar reduzida, ninguém sabe.
Se não fosse a pressão de São Pio V, não se teria realizado a Batalha de Lepanto, porque a Espanha não teria mandado sua esquadra. Esta era o grande contingente decisivo dentro das esquadras aliadas que lutaram e venceram em Lepanto.
Nossa Senhora do Rosário de Lepanto [Foto Michael Gorre]
Assim se compreende melhor por que razão houve a famosa aparição a São Pio V: ele estava numa reunião de cardeais, em Roma, e em certo momento levantou-se e rezou um terço pela vitória dos católicos sobre os maometanos, decisiva para a Cristandade. Enquanto o Papa rezava o terço, teve a revelação da vitória das esquadras católicas.
São Pio V foi um verdadeiro herói, como Dom João d’Áustria e os outros grandes guerreiros que venceram em Lepanto".
O Czar Alexandre III recebendo russos idosos do distrito
rural no pátio do Palácio de Petrovsky em Moscou – Ilya Pepin, 1886. Galeria
Estatal Tretyakov, Moscou.
O flagelo do regime comunista russo aniquilou a mentalidade autêntica do povo
✅ Plinio Corrêa de Oliveira
O povo russo ficou submetido ao jugo comunista durante 70 anos. E a tirania foi de tal ordem, que se poderia dizer — com exceções, é claro — que a mentalidade autêntica daquele povo foi aniquilada. O que é catastrófico para um país!
Em face disso, coloca-se a pergunta: como eram os russos antes do comunismo? Havia duas Rússias. Uma, a de São Petersburgo, e outra, a de Moscou.
São Petersburgo é uma cidade situada junto ao Rio Neva, perto do Mar Báltico, que mantém comunicações fáceis com a Europa Ocidental através do Mar do Norte e do Báltico. Essa região do país era muito ocidentalizada.
Centro de Moscou visto desde o Rio Neva
Havia também a Rússia de Moscou, mais profunda, em que tudo se processava de acordo com o que se poderia chamar de Idade Média russa. Essa época histórica correspondia à Rússia de Ivan, o Terrível. Apresentava uma arquitetura regional muito bonita, mas bastante misteriosa: salas com penumbras e esconderijos. A vida de corte no Kremlin — residência do Czar — era de um fausto extraordinário, que refletia muito luxo, correspondente à grandeza do Império russo.
Como era a alma desse povo?
População inteligente, não muito amiga do raciocínio, mas sim da imaginação. Por isso, nela eram menos frequentes grandes sábios do que literatos de porte. Estes sim, numerosos e de renome internacional.
Em São Petersburgo, o Palacio Tsarkoie Selo
Os romances russos eram marcados por essa mentalidade e difundiram-se pelo mundo inteiro. Por exemplo, as obras de Dostoievski e uma série de outros escritores.
Tal mentalidade se deve apenas ao temperamento nativo do povo?
Tenho forte impressão de que não. Mas devido ao fato de que, ainda durante a Idade Média, o povo russo rompeu com a Igreja Católica e constituiu uma igreja denominada greco-cismática. Os russos abraçaram o cisma grego contra Roma.
Todas as características da alma desse povo encontram-se também nessa igreja cismática. Cerimônias religiosas e liturgia esplendorosas, mas cuja origem é anterior ao cisma, da época em que a Rússia era católica. Os paramentos riquíssimos, a liturgia apresenta cerimônias longas, solenes e belas.
São esses alguns dos traços do estado em que se encontravam a alma e a mentalidade russas antes de se abater sobre o povo o flagelo do comunismo, em 1917.
Igreja de São Basílio no inverno
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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 17 de setembro de 1992. Sem revisão do autor.
Mais do que física, o extremo da dor moral está expressa neste crucifixo de Nosso Senhor Jesus Cristo. Durante toda a sua Paixão, Ele padeceu um sofrimento maior na alma do que no corpo. Apesar disso, notamos em sua fisionomia paz, misericórdia, delicadeza de sentimentos. Nela o furor não está presente. Mas a tristeza está inteiramente presente.
Este condenado à morte, privado dos trajes que qualquer um possui, entretanto tem uma atitude superior à majestade de qualquer rei! Em meio à tremenda dor, nota-se a manifestação da misericórdia, do perdão.
A expressão é muito comovente, dando a impressão em quem a contempla, de que entrará de um momento para outro no campo de visão desse olhar.
Também dá a impressão bem acentuada de desolação e desamparo de alguém que sofre uma dor que sabe que não tem remédio, que não tem limite, e que caminha para a morte. Mas uma morte que se anuncia na tristeza de quem vê a maldade dos homens que causaram a crucifixão.
Nosso Senhor desejou beber a taça de fel do sofrimento até o fim! Quis sofrer tudo quanto era possível sofrer. Mas também na alegria de quem tem a certeza de que, após o supremo holocausto, estariam abertas aos homens as portas do Céu; começaria o período em que Ele, passando pelo Limbo, levaria para o Céu todas as almas que lá estavam.
Como que coroando o Divino Crucificado, o artista colocou um lindo topázio. É a linguagem muda e expressiva das pedras preciosas. Se não houvesse esse topázio, a imagem perderia muito. O topázio dourado parece afirmar que, por detrás da dor e mais alto do que a dor, brilha a glória, apesar de tudo.
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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 21 de agosto de 1985. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.
No dia 8 de abril, ataque russo à estação de trens de Kramatorsk (Ucrânia), deixou 55 civis mortos, incluindo 5 crianças, e mais de 100 feridos.
No início do último ano da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), Plinio Corrêa de Oliveira teceu um comentário que se aplica exatamente à gravíssima situação de guerra em que nos encontramos, a qual ameaça estender-se muito mais.
“O noticiário internacional desta semana tornou evidente que as Nações Unidas consideram muito provável o prolongamento da guerra. A notícia é lamentável sob muitos aspectos. O primeiro que acode é, evidentemente, o quadro de dores das batalhas sangrentas que se desfecham.
A cidade de Nuremberg
em ruínas, em 1945
São aos milhares, jovens que morrem ou ficam mutilados, famílias que imergem e soçobram num desespero ímpio e sem remédio, cidades destruídas, tesouros que se dispersam, monumentos insubstituíveis que desaparecem.
São almas atiradas a centenas de milhares no cadinho da dor, sem a preparação prévia, de sorte que a provação significa para elas, não raro, a perdição.
E, ao par deste quadro triste, vem o quadro mais restrito e tão e tão mais luminoso, das almas que aceitam a Cruz, que se purificam no sofrimento, que crescem com a adversidade e se glorificam na humilhação, na miséria, na ruína.
Nós que ficamos, nós a quem Deus não impôs o fardo que pesa sobre os povos da Europa e da Ásia, devemos ser os Cireneus de nossos irmãos que sofrem. Pelos recursos materiais, devemos aliviar suas misérias físicas. Pela oração, pela penitência, devemos ajudá-los a se santificar na dor.
A esmola material é excelente. Mas é absolutamente insuficiente. O homem não vive só de pão, diz o Evangelho. E poderíamos acrescentar que o pão do corpo lhe é muito menos necessário para viver do que o pão do espírito, isto é, o bom conselho, a oração e a expiação. E, já que não podemos enviar a nossos irmãos que sofrem nem conselhos, nem exemplos, pelos menos rezemos por eles” (7 Dias em Revista, “Legionário”, 14 de janeiro de 1945).
A cidade ucraniana de Bucha (pronuncia-se Butcha) bombardeada pelos exércitos do ditador russo Putin
A guerra provocada por Putin (crescido na KGB) é justa ou injusta? Qual a posição católica? Nova guerra mundial (nuclear) bate em nossas portas? O mundo ocidental continuará adormecido? Fátima, a chave para interpretar os trágicos acontecimentos hodiernos!
Fonte: Editorial da Revista Catolicismo, Nº 856, Abril/2022
No período tenebroso da URSS havia dois jornais, o “Pravda” (verdade) e o “Izvestia” (notícia), ambos órgãos oficiais, o primeiro do Partido Comunista e o segundo do governo soviético. Corria então entre os russos uma anedota que dizia: “Na imprensa russa o Pravda não tem Izvestia e o Izvestia não tem Pravda”...
Em relação a Vladimir Putin [foto abaixo], vale a anedota. A URSS desmoronou em 1991, mas sobrevive na cabeça paranoica desse déspota, que ambiciona restaurá-la segundo o projeto de seus mentores. Esse neocomunista sonha em ser o novo tzar de um novo Império Soviético. Para isso vale tudo, até mesmo mentir descaradamente para seu povo, por exemplo, obrigando todos os meios de comunicação a noticiar que se trata de uma “operação militar especial” — e não de uma invasão ou guerra — para “libertar os ucranianos do regime nazista” e atender ao pedido de ajuda dos russos que vivem na Ucrânia, que “são tratados como cachorros”.
Ademais, Putin manda sucessivas baterias de fake news na linha de que os russos não bombardearam hospitais, escolas, prédios residenciais ou comerciais, mas que tais edifícios foram destruídos pelos próprios ucranianos para depois acusar os russos, pois “seu exército só tem bombardeado alvos militares”...
Só um derradeiro exemplo, entre muitos outros: Putin acusou a Ucrânia de desenvolver armas biológicas em seus laboratórios. Verificou-se que se tratava de laboratórios farmacêuticos convencionais... Se nós tomamos conhecimento desse desmentido, a população russa, não; ela continua só com a informação fornecida pela mídia oficial, noticiando a existência dos “laboratórios ucranianos com armas biológicas para serem lançadas contra Moscou”.
A mentira foi de tal maneira uma das principais armas do regime comunista — basta ver como os líderes petistas, que comungam de suas ideias, mentem sem o menor constrangimento —, que na antiga URSS a propaganda stalinista acusava os adversários daquilo que os comunistas faziam. Realmente, a primeira vítima nesta guerra deflagrada pelo atual tirano russo tem sido a verdade.
Entretanto, numerosos são os incautos que continuam acreditando em Putin, apesar de toda a carnificina que suas tropas vêm perpetrando na Ucrânia. Vários chegam a achar que ele é um paladino dos valores cristãos... Por que tal ingenuidade?
A revista Catolicismo publica em sua edição deste mês três matérias procurando responder a essa e outras questões. Por exemplo, quais são os critérios para se considerar quando uma guerra é justa ou injusta, ou como a Mensagem de Fátima é a chave para interpretar os trágicos lances de uma guerra que poderá desfechar num conflito mundial se o mundo ocidental continuar contemporizando com um ditador crescido na KGB, cuja força está na fraqueza do Ocidente.
O povo ucraniano resiste heroicamente. Mas até quando conseguirá? Peçamos a Nossa Senhora que torne a Ucrânia inteiramente católica, como também a própria Rússia, conforme predito por Ela em Fátima.
Em julho de 1952, Pio XII consagrou os povos da Rússia ao Puríssimo Coração de Maria, sem associar os bispos do mundo.
Padre David Francisquini
Fonte: Revista Catolicismo, Nº 836, Agosto/2020
Pergunta — Agradeço o seu recente esclarecimento sobre a legitimidade teológica das consagrações a Nossa Senhora. Como ficou claro, vários Papas, e mesmo Nossa Senhora em Fátima, utilizaram o termo “consagração” para se referir à entrega do mundo ao Imaculado Coração de Maria. Mas ainda me ficou uma dúvida: nessas consagrações já feitas, alguma já cumpriu com os requisitos da consagração da Rússia, pedida por Nossa Senhora à Irmã Lúcia?
Resposta — De fato, o prezado consulente observou no texto anterior uma lacuna, que me teria sido impossível preencher ao finalizar aqueles comentários, por escassez de espaço. Pois há diversidade de opiniões sobre o assunto, e para responder à consulta temos de remontar amplamente aos fatos iniciais, como veremos a seguir.
Na aparição de 13 de julho de 1917, Nossa Senhora disse aos pastorinhos que Deus iria “punir o mundo de seus crimes por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. […] Para o impedir, virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora dos primeiros sábados. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições; os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas; por fim, o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz”.
Doze anos mais tarde, no dia 13 de junho de 1929, enquanto residia em Tuí, na Espanha, a Irmã Lúcia teve uma visão na qual Nossa Senhora lhe disse: “É chegado o momento em que Deus pede para o Santo Padre fazer, em união com todos os Bispos do mundo, a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração, prometendo salvá-la por este meio”.
Ainda em 1929, a vidente fez chegar esse pedido ao conhecimento do Papa Pio XI, e no ano seguinte escreveu ao seu confessor, o Pe. José Bernardo Gonçalves S.J., relatando que Nosso Senhor a instara a solicitar ao Santo Padre a aprovação da devoção reparadora dos primeiros sábados. E acrescentou: “Se me não engano, o bom Deus promete terminar a perseguição na Rússia se o Santo Padre se dignar fazer, e mandar que o façam igualmente os Bispos do mundo católico, um solene e público ato de reparação e consagração da Rússia aos Santíssimos Corações de Jesus e Maria”.
Numa comunicação íntima posterior, Nosso Senhor Se queixou à vidente: “Não quiseram atender ao meu pedido. Como o Rei da França, arrepender-se-ão; e fá-la-ão, mas será tarde. A Rússia terá já espalhado os seus erros pelo mundo”. Numa carta ao seu confessor, de 18 de maio de 1936, a Irmã Lúcia declara: “Intimamente, tenho falado a Nosso Senhor do assunto; e há pouco perguntava-Lhe por que não convertia a Rússia sem que Sua Santidade fizesse essa consagração. Foi esta a resposta que a Irmã Lúcia recebeu de Jesus: “Porque quero que toda a minha Igreja reconheça essa consagração como um triunfo do Coração Imaculado de Maria, para depois estender o seu culto e pôr, ao lado da devoção do meu Divino Coração, a devoção deste Imaculado Coração”.
Consagrações realizadas incompletamente
Depois de iniciada a Segunda Guerra Mundial, a Irmã Lúcia se dirigiu diretamente ao novo Papa, Pio XII: “Em várias comunicações íntimas, Nosso Senhor não tem deixado de insistir neste pedido, prometendo ultimamente — se Vossa Santidade se dignar fazer a consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria, com menção especial pela Rússia, e ordenar que, em união com Vossa Santidade e ao mesmo tempo, a façam também todos os Bispos do mundo — abreviar os dias de tribulação com que tem determinado punir as nações de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de várias perseguições à Santa Igreja e a Vossa Santidade”.
Em 1942, por ocasião do encerramento do ano jubilar das aparições de Fátima, o Papa Pio XII consagrou a Igreja e o gênero humano ao Imaculado Coração de Maria, ato que ele renovou em 8 de dezembro. Mas o texto fazia apenas uma alusão velada à Rússia, sem mencioná-la explicitamente. Em carta de 4 de maio de 1943 ao Pe. Gonçalves, a Irmã Lúcia afirmou ter tido outra revelação de Nosso Senhor, prometendo “o fim da guerra para breve, em atenção ao ato que Sua Santidade se dignou fazer. Mas, como ele foi incompleto, fica a conversão da Rússia para mais adiante”.
Em julho de 1952, Pio XII consagrou os povos da Rússia ao Puríssimo Coração de Maria, sem associar os bispos do mundo. Em novembro de 1964, Paulo VI “confiou o gênero humano” ao Imaculado Coração de Maria. João Paulo II fez duas consagrações: uma em Fátima, no dia 13 de maio de 1982; e outra em Roma, em 25 de março de 1984, ambas precedidas de um convite aos Bispos para se unirem a ele nesses atos.
Alguns episcopados se uniram ao ato; mas no Brasil, que tem o terceiro maior episcopado do mundo, apenas poucos bispos o fizeram. Além do mais, a Rússia não era mencionada no texto da consagração, apenas alguns circunlóquios lhe faziam uma alusão indireta, o que foi ainda mais evidenciado quando o Papa polonês, saindo do texto, improvisou a seguinte invocação: “Mãe da Igreja! […] Iluminai especialmente os povos dos quais esperais a nossa consagração e a nossa entrega”.[1]
Em 2015, o então exorcista-chefe de Roma, Pe. Gabriele Amorth (recentemente falecido), declarou o seguinte a propósito dessa consagração: “Eu estava lá em 25 de março [de 1984] na Praça de São Pedro; estava na primeira fila, praticamente a uma curta distância do Santo Padre. João Paulo II queria consagrar a Rússia, mas sua comitiva não [queria], temendo que os ortodoxos fossem antagonizados, e quase o frustraram. Porém, quando Sua Santidade consagrou o mundo de joelhos, ele acrescentou uma frase não incluída na versão distribuída, que em vez disso dizia consagrar ‘especialmente aquelas nações das quais Vós solicitastes sua consagração’. Então, indiretamente, isso incluía a Rússia. No entanto, uma consagração específica ainda não foi feita”.[2]
Essa versão foi confirmada de modo ainda mais claro no centenário da primeira aparição na Cova da Iria. Nesse dia foi celebrada uma missa solene na Catedral de Nossa Senhora de Fátima, em Karaganda (Cazaquistão), como conclusão de um Congresso Mariano internacional. Na homilia, o cardeal alemão Paul Josef Cordes, que viveu muitos anos no Vaticano, como presidente do Pontifício Conselho Cor Unum, referiu-se ao ato realizado por João Paulo II em 1984:
“Ele se absteve de mencionar explicitamente a Rússia, porque os diplomatas do Vaticano lhe haviam pedido com insistência que não mencionasse esse país, já que, do contrário, poderiam surgir conflitos políticos […]. Logo depois ele me convidou para almoçar. Em nosso pequeno círculo, ele falou do desejo que sentia em seu interior, de mencionar a Rússia durante essa consagração, antes que ceder a seus conselheiros. Então ele nos disse, com um rosto radiante, que aquilo ao que ele havia renunciado fazer por si mesmo havia, porém, sido realizado. Através de amigos, tinha sabido algo importante e consolador para ele: que alguns bispos ortodoxos russos haviam aproveitado sua própria consagração do mundo à Mãe de Deus como uma ocasião para consagrar a Rússia de uma maneira muito especial a Maria”.[3]
Podemos objetar, no entanto, que o pedido insistente de Nossa Senhora não foi que os bispos cismáticos russos consagrassem seu país ao Imaculado Coração de Maria, e sim que tal consagração fosse feita pelo Papa em comunhão com todos os bispos católicos do mundo!
Interpretação que teria feito a Irmã Lúcia
Desde 1984 até a queda do Muro de Berlim, a Irmã Lúcia sustentou que nenhuma das consagrações feitas até então tinha sido “válida” (no sentido de terem atendido aos requisitos postos por Nossa Senhora). Numa entrevista concedida em 1985 à revista Sol de Fátima, eladeclarou peremptoriamente, a respeito das que foram realizadas por João Paulo II em Fátima (1982) e em Roma (1984): “Não houve a participação de todos os Bispos nem foi mencionada a Rússia”.
Contudo, o Cardeal Tarcísio Bertone transcreveu posteriormente, na sua apresentação a um opúsculo sobre a mensagem de Fátima, uma carta que a vidente teria escrito em 8 de novembro de 1989, na qual ela teria afirmado: “Sim [a consagração] está feita tal como Nossa Senhora a pediu, desde o dia 25 de março de 1984”. E num colóquio do purpurado com a Irmã Lúcia, ela teria declarado: “Já disse que a consagração desejada por Nossa Senhora foi feita em 1984, e foi aceita no Céu”. Segundo o mesmo purpurado, tal aceitação teria sido manifestada à Irmã Lúcia numa aparição de Nossa Senhora, mas tal aparição não figura nos pormenorizados relatos que o próprio Cardeal Bertone fez de seus colóquios com a vidente. Paira, portanto, séria dúvida quanto à realidade dessa manifestação celeste, e é legítimo conjecturar que, ao reavaliar o ato de João Paulo II em 1984, a Irmã Lúcia se tenha deixado influenciar pela atmosfera de otimismo que se difundiu no mundo após o colapso do império soviético.
Cabe destacar que a Irmã Lúcia não gozava do carisma da infalibilidade na interpretação da altíssima mensagem que recebeu. Por isso competia mais aos historiadores, teólogos e pastores da Igreja analisar a coerência dessas suas declarações, recolhidas pelo Cardeal Bertone, com suas declarações anteriores.[4] No entanto, podemos constatar uma coisa certíssima: os frutos da consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria, anunciados por Nossa Senhora, estão longe de se terem materializado — não há paz no mundo. Pelo contrário, as tensões internacionais — notadamente entre a China e os EUA — têm aumentado ao ponto de o Papa Francisco afirmar, em várias ocasiões, que estamos vivendo uma verdadeira “terceira guerra mundial, mas em fragmentos”.[5]
Os atuais dirigentes russos não renunciaram aos erros do comunismo, e sua elite política e intelectual olha para o passado soviético com nostalgia.
O comunismo continua espalhando seus erros pelo mundo
A Rússia está longe de se ter convertido. É um país que autoriza os ventres de aluguel; tem a maior taxa registrada de abortos do mundo (60% das gravidezes terminam em aborto, sendo 20% deles praticados por menores de 18 anos); uma das maiores taxas do mundo em divórcios por habitante (4,2/1000); a maior proporção de divórcios por casamentos (61%); a maior porcentagem mundial de alcoolismo (dois milhões de alcoólatras); alcoolismo que é responsável pela metade das mortes entre 15 e 54 anos, que é a expectativa média de vida para os homens.
Como se tudo isso não bastasse, seus atuais dirigentes não renunciaram aos erros do comunismo, e sua elite política e intelectual olha para o passado soviético com nostalgia. Vladimir Putin chegou a declarar que a extinção da União Soviética foi o maior desastre geopolítico do século XX.
Compreende-se, portanto, que em 2016, tendo já em vista o centenário das aparições de Fátima, Dom Athanasius Schneider, bispo-auxiliar de Astana (Cazaquistão), tenha declarado em uma entrevista ao site Rorate Cɶli: “Temos de rezar para que o Papa em breve consagre explicitamente a Rússia ao Imaculado Coração de Maria, para que Ela triunfe”.[6]
No próprio ano do centenário (2017), em uma palestra sobre a mensagem de Fátima pronunciada por ocasião do Rome Life Forum, o Cardeal Raymond Leo Burke instou os participantes a se consagrarem ao Imaculado Coração de Maria e a “trabalhar pela consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria […].Hoje, mais uma vez, ouvimos o chamado de Nossa Senhora de Fátima para consagrar a Rússia ao seu Imaculado Coração, de acordo com suas instruções explícitas”.[7]
Interrogado pelo jornal The Wanderer sobre se esse pedido correspondia a mais do que o ato do Papa simplesmente mencionar a Rússia de modo explícito, o cardeal americano respondeu, em termos inequívocos, acreditar que o Papa João Paulo II desejava atender ao pedido de Nossa Senhora, pois estava ciente da gravidade da situação e da necessidade de consagrar a Rússia ao Imaculado Coração de Maria. Mas na época se argumentava que, a fim de promover um relacionamento mais amigável com os países do bloco oriental, o nome da Rússia não deveria ser mencionado em particular:
“Acredito que era a intenção do Santo Padre consagrar realmente a Rússia. No entanto, também acredito que, dada a situação em que nos encontramos hoje, a consagração da Rússia deve ser feita explicitamente, exatamente como Nossa Senhora solicitou (o que não implica negar a intenção de João Paulo de incluir a Rússia, quando ele consagrou o mundo ao seu Imaculado Coração). […] Minha intenção não é levantar acusações contra ninguém, mas insistir na necessidade de realizar o que Nossa Senhora pediu, exatamente como Ela pediu, em resposta à atual situação, que é tão grave”.[8]
Consagração da Rússia, hoje mais necessária do que nunca
Na edição via Internet do recente Rome Life Forum, o Cardeal Burke [foto ao lado] fez uma palestra intitulada “Fátima: a resposta do Céu para um mundo em crise”. Ele aproveitou a ocasião para questionar o papel do Partido Comunista chinês na gênese da pandemia da covid-19, sua influência sobre a Organização Mundial da Saúde e sua dominação imperialista sobre outras nações:
“A consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria é hoje mais necessária do que nunca. Quando testemunhamos como o mal do materialismo ateu, cujas raízes estão na Rússia, dirige de maneira radical o governo da República Popular da China, reconhecemos que o grande mal do comunismo deve ser curado em suas raízes através da consagração da Rússia como Nossa Senhora ordenou. […] Reconhecendo a necessidade de uma conversão total do materialismo ateu e do comunismo a Cristo, permanece urgente o apelo de Nossa Senhora de Fátima para que a Rússia seja consagrada ao seu Imaculado Coração, de acordo com suas instruções explícitas”.[9]
Ecoando esse apelo à conversão, Dom Athanasius Schneider compôs e divulgou pelas mídias sociais, em junho passado, uma oração que recomendo a todos rezar frequentemente:
“Ó Imaculado Coração de Maria, Vós sois a santa Mãe de Deus e nossa terna Mãe. Considerai a angústia em que vivem a Igreja e toda a humanidade por causa da disseminação do materialismo e da perseguição à Igreja. Em Fátima, Vós alertastes contra esses erros ao falar sobre os erros da Rússia. Vós sois a Medianeira de todas as graças. Implorai ao vosso Divino Filho para que Ele conceda esta graça especial ao Papa: que ele consagre a Rússia ao vosso Imaculado Coração, a fim de que a Rússia se converta, um período de paz seja concedido ao mundo, e o vosso Imaculado Coração triunfe através de uma renovação autêntica da Igreja, pelo esplendor da pureza da fé católica, pela sacralidade do culto divino e pela santidade da vida cristã. Ó Rainha do Santo Rosário e nossa doce Mãe, voltai vossos olhos misericordiosos para nós e ouvi graciosamente esta nossa oração confiante. Assim seja”.[10]
[1] Todos os fatos narrados até aqui, e as correspondentes citações, tirei do excelente livro Fátima: Mensagem de tragédia ou de esperança? – de Antônio Augusto Borelli Machado.
Agora, 31 anos depois, algo semelhante precisamos fazer para que a católica Ucrânia não volte a ficar sob o jugo do comunismo soviético.
— O que querem, camaradas?
— Nós não somos camaradas! Nós somos senhores.
— Então, o que querem os senhores?...
Esse diálogo deu-se no Kremlin, entre alto funcionário do governo soviético e membros da comitiva das TFPs, no ato de entrega de um dossiê especial. Este continha mensagem dirigida a Gorbachev mostrando a amplitude e os fins da campanha empreendida pelas TFPs, nos cinco Continentes, em favor da independência da Lituânia, que jazia sob o domínio da URSS.
A comitiva chegara de Vilnius, capital da Lituânia, onde entregara ao Presidente Vytautas Landsbergis os microfilmes das 5.218.520 assinaturas do monumental abaixo-assinado.
Que dor de cabeça para Gorbachev!
Já pensou a dor de cabeça para Gorbachev, o prestidigitador político ambíguo e viperino?
A comitiva da TFP, num lance surpreendente, transpôs as históricas e sombrias muralhas do Kremlin para fazer saber ao ídolo da mídia mundial que 1 dentre cada 1.000 habitantes da Terra exige dele autenticidade em sua política aparentemente pacifista: ou seja, que dê LIBERDADE PARA A LITUANIA CRISTÃ!
A seguir reproduzimos a homenagem que na edição deste mês a revista Catolicismo prestou à Rainha Elizabeth II pelos 70 anos de reinado da primeira monarca britânica a celebrar Jubileu de Platina. Homenagem à qual nos associamos de todo coração.
✅Plinio Corrêa de Oliveira
Assisti ao filme da coroação da rainha da Inglaterra Elizabeth II em 1953. Sua ascensão ao Trono ocorreu em 1952, mas foi coroada no ano seguinte. Uma verdadeira maravilha a cerimônia da coroação! Uma filmagem lindíssima!
Na nave da Abadia de Westminster, em Londres, o clero anglicano com paramentos vagamente parecidos com os da Igreja Católica e os nobres nas tribunas especiais. Todos os monarcas presentes portavam condecorações próprias aos seus títulos de nobreza. Bem em frente ao altar, o trono no qual se sentaria a nova rainha. À direita e à esquerda, os assentos para os membros da casa real inglesa. Presentes também muitos membros das casas reais de outros países. Uma cena belíssima!
O número de pessoas do povo que assistiu à cerimônia foi muito grande. Uma parte dentro da própria catedral, que é imensa, outra do lado de fora vendo o longo cortejo da rainha que se deslocava desde o palácio de Buckingham até Westminster. Essa multidão assistia também à passagem de todas as personalidades em suas carruagens tradicionais douradas, com pinturas, com janelas de cristal, com plumas, com lacaios usando chapéus de três bicos etc. Toda a nobreza desfilava, príncipes europeus com os seus belíssimos uniformes, mas também marajás, sultões, a rainha de Tonga, potentados do mundo ainda misterioso do Oriente. O império britânico estava ali representado na sua plenitude.
Nesse cortejo passavam homens eminentes — por exemplo, Churchill — que tinham salvado a Inglaterra durante a guerra. Também as corporações de mutilados de guerra. O público manifestava um entusiasmo enorme.
Para que tudo isto? — Para ungir, para recobrir com o azeite da compreensão e da admiração as relações entre a rainha e o povo. Mas também para a rainha ver seu povo entusiasmado que a saudava e aplaudia. Em tudo transparecia que o principal fundamento das boas relações é o recíproco amor. Nesse mútuo entendimento as instituições tornam-se sólidas, o reinado permanece íntegro. Não apenas nos grandes dias, como naqueles da coroação, mas na vida quotidiana. Um reinado deve ser como que uma coroação contínua.
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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 28 de julho de 1993. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.
Hoje (11-3-2022) tropas russas bombardearam zonas residenciais em Dnipró, no Oeste da Ucrânia
✅Plinio Maria Solimeo
Estas terríveis palavras foram pronunciadas nada menos que pela jornalista russa Maria Baronova [foto abaixo], editora em chefe de Russia Today (mais conhecida como RT) depois de renunciar ao seu alto cargo ao condenar o sangrento ataque desfechado por tropas russas à sua vizinha Ucrânia. Russia Today é um dos meios estatais a serviço de Putin obrigada, como toda a mídia sob seu controle, a não chamar à criminosa invasão por seu nome, mas usando para isso o eufemismo “operação militar especial”.
Em chamada por WhatsApp desde Moscou, a jornalista explicou por que renunciou a seu cobiçado cargo: “Não renunciaria, e não perderia meu salário e meu trabalho, se tivesse a segurança de que vamos estar vivos por muitos anos; não sei realmente o que vai passar conosco”, afirmou referindo-se à possibilidade de uma guerra nuclear.
Baronova acrescenta que a atual “é uma situação muito perigosa” para seu país e para o mundo. Como trabalhava já há tempos visando os interesses do governo russo, afirma que conhece muito bem os dirigentes russos: “Eles nunca enviam ameaças [em vão], simplesmente matam. Há um silêncio estranho a meu redor, mas creio que estamos a borde de uma guerra nuclear neste momento. Não estou exagerando”.
Pois, conhecendo bem a Putin, o mundo teme que ele, num acesso de loucura, faça uso de armas nucleares. O que para Baronova converteria a Rússia em alvo de um ataque catastrófico por parte do Ocidente. Ela sabe que, se sai uma ordem do Kremlin desta magnitude, receberá uma resposta das mesmas proporções. “Suspeito que o mundo ocidental responderá da mesma forma”, afirma.
A situação pessoal de Maria Baronova é complicada por causa de sua condenação da atitude do governo russo. Pois ela não pode sair da Rússia: “Tenho um filho, e não posso ir porque seu pai não me permite ir-me com ele [com o filho]. Assim, prefiro ficar em Moscou. [...] Parece-me que estamos na Coréia do Norte ou vamos ser assassinados por um fungo termonuclear”.
A jornalista não se preocupa em engrossar a lista dos detidos. Pois a repressão na Rússia não é só nas ruas. Putin também decidiu encarcerar todos que contradigam seu discurso. Esse presidente tornado ditador assinou na semana passada uma lei, aprovada por ambas câmaras do Parlamento a ele submissas, que criminaliza a difusão de “notícias falsas” com relação ao exército russo, com pena de prisão de 10 a 15 anos. E para quem busque "desprestigiar" as tropas sob seu comando, de cinco anos.
Esse é o presidente “conservador” que tantos incautos da direita em todo o mundo enaltecem e mostram como modelo...
Neste dia 9 de março, a maternidade da cidade de Mariupol foi bombardeada…
Aseguir reproduzimos um texto, publicado como um quadro ilustrativo da matéria de capa da revista Catolicismo deste mês — artigo redigido às vésperas da efetiva invasão da Ucrânia por ordem do déspota Vladimir Putin.
A revista elenca episódios que antecederam o início da guerra, que se pode dizer que oficialmente foi iniciada no dia 21 de fevereiro com o decreto de Putin, o covarde stalinista russo, declarando a independência de duas regiões da Ucrânia (Donetsk e Luhansk). Decreto que foi estopim para a explosão da guerra com o oficial envio de tropas russas, com o objetivo de excluir para sempre a identidade do povo ucraniano, mas que o cínico Putin denominou de “missão de paz”!
Mariupol ficou arrasada com o bombardeio russo em 9-3-22.
A ESCALADA DAS MOVIMENTAÇÕES RUMO À GUERRA
Segue um breve elenco de alguns dos episódios transcorridos apenas em fevereiro último, todos baseados em informações de agências de notícias sérias, que reforçam a ideia de que a tensão aumentou muito na região fronteiriça Rússia/Ucrânia. E isso apesar dos esforços diplomáticos de líderes mundiais para obter a pacificação e dos reiterados desmentidos de Vladimir Putin de que não desejava o conflito — nos quais poucos acreditaram.
Residencias de Mariupol arrasadas com o bombardeio russo de hoje (9-3-22)
Vladimir Putin, ex-oficial da KGB, há 22 anos como mandatário absoluto da Rússia, ordena a expulsão do vice-embaixador americano em Moscou, Bartle Gorman;
A Rússia no início de fevereiro contava com aproximadamente 100 mil soldados mobilizados na fronteira com a Ucrânia. Putin declarou que eles estavam sendo retirados. Entretanto, em meados daquele mês o contrário aconteceu, o número de soldados dobrou;
Alguns países, como Brasil, Estados Unidos, Japão, Reino Unido, Coreia do Sul, Holanda, Letônia, Noruega, expedem ordens de retirada de seus cidadãos da Ucrânia. Somente dos EUA são 30 mil americanos;
Joe Biden reforça o pedido de retirada dos cidadãos americanos dizendo que a situação é muito grave, que não estavam lidando apenas com uma organização terrorista, mas sim com um dos maiores exércitos do mundo e que “as coisas podem perder o controle e se tornarem apaixonadas rapidamente”;
Tropas russas participam de manobras na Bielorrússia em meio ao aumento da tensão na Ucrânia, e testam inclusive lançamento de mísseis intercontinentais. Manobras que foram supervisionadas diretamente por Putin;
Imagens de satélite revelam um substancial aumento de tropas, veículos e aviões russos na Bielorrússia e na Península da Criméia (anexada pela Rússia há sete anos, na região de Kursk, a 100 quilômetros da fronteira com a Ucrânia);
Aumento do número de navios de guerra russos, abarrotados de equipamento militar, no Mar Negro;
Antony Blinken, secretário de Estado americano, afirma que “estamos em uma janela em que uma invasão pode começar a qualquer momento […] Continuamos a ver sinais muito preocupantes da escalada russa, incluindo novas forças chegando à fronteira”;
Jake Sullivan, conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, afirmou que “a maneira como Putin mobilizou suas forças e as colocou no terreno, juntamente com os outros indicadores que coletamos por meio de inteligência, deixa claro que existe uma possibilidade muito alta de que a Rússia deva lançar uma operação militar, e há razões para acreditar que isso pode acontecer em um prazo razoavelmente curto”;
Por sua vez, o presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, declarou: “Há um perigo de conflito militar, uma guerra no leste da Europa, e a Rússia tem responsabilidade por isso”;
Boris Johnson, primeiro-ministro inglês, disse que a Rússia está planejando a “maior guerra na Europa desde 1945. […] Que poderá ocorrer uma geração de derramamento de sangue e miséria”;
Governos ocidentais emitem novos alertas sobre o risco de uma iminente invasão russa à Ucrânia;
O secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, também fala em “risco real” de conflagração armada envolvendo a Europa, inclusive com a utilização de armas russas “cibernéticas”;
Como tentativa de enfraquecer ou mesmo derrubar o governo ucraniano, ciber-ataques são operados por russos contra instituições e bancos;
Linda Thomas-Greenfield, embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, declarou que Rússia se dirige para uma “invasão iminente” da Ucrânia, apesar dos anúncios de Putin sobre a falaciosa retirada de tropas;
Declaração do secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, dizendo que, como atestam documentos de Inteligência americana, a Rússia não diminuiu a presença militar e que novas tropas russas vão se aproximando da Ucrânia;
Elevando o tom ainda mais, Biden — durante coletiva de imprensa na Casa Branca e após uma ligação com líderes ocidentais — declarou estar convencido de que Vladimir Putin tomou a decisão de invadir a Ucrânia, incluindo um ataque à capital, Kiev. E que sua convicção se fundava em relatórios da inteligência americana;
No dia em que fechamos esta matéria (21 de fevereiro), Putin deu o passo que todo o mundo ocidental temia: numa violação flagrante da legislação internacional, da integridade e da soberania territorial da Ucrânia, decretou a independência de duas regiões claramente ucranianas (Donetsk e Luhansk), conforme os acordos de Minsk (2014 e 2015) e, algumas horas após a assinatura do decreto, ordenou o envio de tropas para ocupar essas regiões. Durante tal declaração, Putin — não escondendo seu anseio de restaurar a antiga URSS — novamente lamentou as perdas que a Rússia teve quando a União Soviética se desfez em 1991.
A cidade de Mariupol arrasada com o bombardeio russo de hoje (9-3-22)