28 de janeiro de 2025

NO TABULEIRO LATINOAMERICANO — “Revolução e Contra-Revolução” em 2024

 

Megaporto de Chancay, na costa do Peru, a poucos quilômetros de Lima. 

·        Juan Antonio Montes

Fonte Revista Catolicismo, Nº 889, Janeiro/2025 

Atendendo a um pedido da revista Catolicismo paraque no âmbito deste número dedicado ao retrospecto de 2024 desenvolvesse o tema do embate entre a Revolução e a Contra-Revolução na América Hispânica neste período, farei algumas considerações que sirvam para esclarecer o leitor sobre os acontecimentos que marcaram o percurso do “Continente da Esperança” e as perspectivas que deles se podem esperar.

 

1. Emergência de uma nova forma de “guerra fria”?

Xi Jinping, ditador chinês. 

Quando a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas se dissolveu em 1991, muitas pessoas incautas previram um “fim da história”, com base no fato de que nada mais era do que o confronto de duas ideologias opostas. Eles pensavam que, uma vez terminada uma das partes em conflito (a URSS), a história obviamente terminaria.1

O que o autor da tese do “fim da história” não sabia prever naquele momento era o fato de que o colapso da URSS não seria o fim do mundo comunista, mas sim a mudança de “porta-estandarte” desta ideologia macabra.

Em 1991, quando os braços emagrecidos dos que apoiavam a ideologia comunista já não conseguiam continuar a esconder o panorama de fome e escravidão que imperava naquelas nações, surgiram em cena dois novos e fortes braços que, graças às técnicas que o mesmo Ocidente lhes tinha fornecido, souberam aproveitar seus enormes recursos econômicos e populacionais para assumir o papel deixado pela sua antecessora: a China comunista de Mao Tse-tung.

O slogan do mundo “multipolar”, que a China reivindica hoje, nada mais é do que uma nova versão da “guerra fria” sob outro nome e outras técnicas, mas com o mesmo objetivo: acabar com a primazia do Ocidente e impor hegemonia.

Contudo, há uma grande diferença entre a guerra de conquista promovida pela URSS e aquela promovida hoje pela China de Xi Jinping.

A primeira consistiu na divulgação da ideologia de Marx e na promoção de guerras subversivas para derrubar governos pró-ocidentais. Pelo contrário, a atual técnica de expansão da China comunista não promove guerras internas ou “tomadas de poder”, mas sim acordos comerciais e favorecimento das estruturas dos países latino-americanos, entre outros centros geográficos.

Contudo, não é difícil ver que na troca de bens e serviços entre as nações pobres da América Latina e uma China que parece ser dotada de recursos inesgotáveis, a “parte do leão” vai para a China.

E qual é essa “parte do leão” chinês? Precisamente o aumento de sua influência no Continente, que até agora era conhecido como o “quintal” dos Estados Unidos.2

Observa o especialista latino-americano Christian Hauser, da Universidade de Ciências Aplicadas de Graubünden, na Suíça: “Ultimamente, os desafios e riscos associados à ascensão da China como ator dominante em muitas áreas econômicas e tecnológicas têm se tornado cada vez mais claros na América Latina. Países latino-americanos estão cada vez mais envolvidos na rivalidade geopolítica entre os Estados Unidos e a China. Neste contexto, é provável que as atuais tensões entre alguns países da América Central, como a Guatemala, a Costa Rica e a China, sejam apenas o início de relacionamentos mais conflituosos no futuro.”3

 

Um novo “protetorado” chinês está sendo estabelecido em todos os países do continente, começando pelas nações com infraestruturas mais precárias. Na foto, Xi Jinping com o presidente Luis Arce da Bolívia.  

2. De Xangai a Chancay, uma nova forma de “protetorado”.

Talvez o exemplo mais característico deste novo tipo de influência sobre o conjunto de nações latino-americanas seja a recente inauguração, em novembro passado, do megaporto de Chancay, na costa do Peru.

Por ocasião da última APEC, realizada na cidade de Lima em novembro passado, o ditador chinês Xi Jinping inaugurou o porto de Chancay, a menos de 100 km de distância da capital. O megaporto foi construído por uma empresa estatal chinesa e conta com recursos de última geração.4

No seu discurso inaugural, Xi Jinping comemorou o fato de esse porto facilitar uma rota direta de Chancay a Xangai e impulsionar ainda mais o comércio entre os dois países. O governo peruano destacou o fato de que esse megaporto atrairá investimentos anuais de mais de 4 bilhões de dólares.5

Poucas semanas após a sua posse, o futuro porta-voz do novo governo Trump, Mauricio Claver-Carone, antigo diretor principal para o Hemisfério Ocidental, anunciou que “qualquer produto que passe por Chancay deveria ter uma tarifa de 60%”.6


Segundo o mesmo responsável norte-americano, a medida visa travar o transbordo de produtos chineses em todo o continente e reduzir a influência econômica de Pequim na América Latina.

A questão óbvia é se esse anúncio reduzirá a influência da China no continente, ou apenas a aumentará, uma vez que os Estados Unidos não acompanham estas ameaças com qualquer oferta de investimento compensatória. Desta forma, um novo “protetorado” chinês está sendo estabelecido em todos os países do continente, começando pelas nações com infraestruturas mais precárias.7

Contudo, este novo “protetorado” não é livre. Tem as suas condições e elas são draconianas. A primeira é que as nações que os assinam devem romper imediatamente as suas relações diplomáticas com Taiwan.8

Outro país interessado em tornar-se membro deste Protetorado Chinês é a Bolívia. Por ocasião da última reunião do G20, realizada no Brasil, logo após a APEC em Lima, Xi Jinping reservou alguns minutos para atender o presidente Arce. Ao final do encontro, o presidente boliviano postou em sua rede social: “Hoje no Brasil, no âmbito da Cúpula de Líderes do G20, realizamos um encontro agradável e frutífero com o irmão presidente Xi Jinping”. Arce não indicou em que consistiu o encontro com o “irmão Xi Jinping”, mas provavelmente tratou de novas promessas da China e de novas hipotecas para a pequena economia boliviana.9

Tais promessas são muito questionáveis quando se sabe que a China está extraindo ouro daquele país, utilizando supostas “cooperativas bolivianas” que funcionam como fachada para empresas estatais chinesas. Ao exposto, cabe acrescentar que a China não tem nenhum cuidado com a preservação do meio ambiente, nem a devida atenção aos operários que ali trabalham.10

Resta saber quais são os propósitos que levam a China a ser tão “generosa” com os países sul-americanos. Será apenas altruísmo a favor das nações pobres? Ou será exclusivamente para garantir a utilização de matérias-primas, como o lítio, para as suas empresas?

É claro que a China tem interesse nas matérias-primas que a América Latina possui. Porém, a esta razão deve-se acrescentar outra: seus estrategistas devem levar em conta que numa hipótese, nada improvável, de um confronto que não seja americano, a China já conta com o apoio de cada vez mais países do Continente como, para usar a expressão do Presidente da Bolívia, “irmãos.”11

Estas intenções foram expressas claramente por Xi: “O ‘Sonho Chinês’ e o ‘Sonho Latino-Americano’ estão intimamente ligados. Ambas as partes devem ser encorajadas a prosseguir estes sonhos e a torná-los realidade em conjunto.”12

Seria oportuno perguntar aos habitantes de Hong Kong ou de Taiwan se acreditam que este “sonho” não seja antes um pesadelo terrível.

 

Cúpula dos Brics realizada na cidade de Kazan entre 22 e 24 de outubro de 2024 

Rota da seda, nova operação de “baldeação ideológica inadvertida”

Na década de 1960, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira denunciou um estratagema do comunismo internacional que consistia em aproximar gradativamente os países não comunistas dos seus postulados. O ilustre pensador católico alertou contra o uso de “palavras talismânicas” como “diálogo”, “terceira via” etc. O que caracterizou estas palavras foi o seu significado impreciso, através do qual se manipulou uma gradual “baldeação” de natureza ideológica para o comunismo.

Se estas foram as manobras psicológicas praticadas pela operação de “baldeação ideológica”, o leitor pode imaginar quão mais eficazes serão se não se limitarem a meras palavras, mas antes oferecerem uma cooperação econômica “graciosa” e suculenta.

Ao exposto devemos acrescentar o fato de que, durante a “Guerra Fria”, os Estados Unidos implementaram muitos programas — nem todos bem orientados — em favor do desenvolvimento latino-americano, com o objetivo de evitar o deslizamento destas nações em direção à Cuba dos irmãos Castro.

Hoje, pelo contrário, a nova Administração Trump anuncia a todos os ventos que o seu objetivo será primeiro “tornar os Estados Unidos grandes novamente”, o que significará, sem dúvida, cortar subsídios e apoio econômico, precisamente às nações que os recebem a mancheias da China.

Não é difícil prever para onde serão direcionadas as simpatias dos países sul-americanos. Cada vez mais, o “quintal” dos Estados Unidos está se tornando o quintal da China.

 


4 — BRICS, uma reformulação das “nações não alinhadas”?

Quem acompanhou os acontecimentos da “guerra fria” recordará a formação do Pacto das “Nações Não Alinhadas”, um grupo de países com governos de esquerda que parecia fazer parte de uma “terceira posição” entre a Rússia Soviética e os Estados Unidos.

Com o desaparecimento da importância geopolítica do bloco russo, e devido a divergências e até guerras entre os seus membros, hoje o acordo dos “Não-alinhados” é quase inexistente e foi substituído pelo pacto de nações de economias emergentes, conhecido como Brics.13

Em teoria, esses países estão organizados para se ajudarem mutuamente em favor do desenvolvimento das suas economias, mas, na realidade, constituem cada vez mais uma frente de nações contra o Ocidente rico, com uma visão clara de luta de classes.

Durante a cúpula dos Brics realizada na cidade de Kazan entre 22 e 24 de outubro de 2024, o governo da Bolívia comemorou a admissão do país como “parceiro” daquele fórum político e econômico. Na mesma ocasião, Cuba foi incluída, apesar de a sua economia ser tudo menos “emergente”...

Por sua vez, o ditador Maduro viajou pessoalmente a Kazan para pedir a Putin que incorporasse a Venezuela na lista de países membros. Sua intenção foi frustrada graças ao veto do Brasil. O mesmo aconteceu com a Nicarágua, que enviou uma delegação à reunião com o mesmo objetivo.14

No caso da Nicarágua, o veto do Brasil se deveu ao fato de aquela nação ter expulsado pouco antes o embaixador brasileiro por este não ter comparecido à celebração de um aniversário da revolução sandinista.

O que precede não impediu a Nicarágua de celebrar pouco depois um importante acordo com a China de Xi, mediante o qual entregou um megaprojeto de infraestruturas àquela nação. O jornal argentino Infobae noticiou que “a ditadura de Daniel Ortega na Nicarágua selou esta segunda-feira vários acordos com empresas chinesas para desenvolver infraestruturas essenciais no país, consolidando a sua perigosa aliança com um regime autoritário como o de Xi Jinping, relação que tem sido sujeita às críticas internacionais pelo aumento do controle e da opressão em ambas as nações.”15

Por sua vez, a Venezuela orgulha-se do apoio que a sua ditadura encontra nos governos da China, da Rússia e do Irã e não há dúvida de que se não fosse o veto brasileiro à ditadura que causou o maior êxodo da história do Continente, já faria parte desse conglomerado, também conhecido como “clube da ditadura”16

Estas alianças entre países latino-americanos, cada vez mais críticos dos Estados Unidos, estão formando um bloco regional que desafia os valores ocidentais e representa sérias ameaças à ordem mundial e aos restos da civilização cristã nas nossas nações.

 


5 — Argentina e outras nações do Continente dão esperança

Em contraste com esta capitulação de vários países sul-americanos às políticas hegemônicas da China e da Rússia, destaca-se a atitude da Argentina que, cansada de várias décadas perdidas causadas por governos socialistas, decidiu optar por um Presidente de linha totalmente oposta.

É claro que, dado o lugar de destaque que a Argentina ocupa no conjunto das nações latino-americanas, a sua influência no sentido oposto ao que delineamos, assume particular importância. Esta importância é sublinhada pela rapidez com que este governo consegue escapar à espiral inflacionária em que o mergulharam sucessivos governos peronistas de Kirchner.

Os governos do Uruguai e do Paraguai tiveram uma influência positiva semelhante ao longo deste ano de 2024. Por sua vez, a eleição que deu a presidência a Daniel Noboa no Equador e fechou o caminho ao candidato do ex-presidente Rafael Correa, constituiu um passo na direção certa.

Resta saber qual será a mudança de rumo político no Uruguai após a ascensão de um novo presidente da esquerda naquela nação.

 

Curiosa mistura de wokismo e ditaduras

A afirmação do presidente Boric de que “os laços não fazem sentido para mim”, dada numa entrevista à revista Time seis meses após a sua ascensão à Presidência, resume a marca do seu governo:um chefe de Estado distraído, espontâneo, casual.

Tais características remetem à ideologia ‘acordada’, a qual, sem afirmá-lo, Boric e vários outros presidentes do Continente veem com simpatia.

No entanto, essas simpatias continuam a chamar a atenção para uma corrente ideológica que vem das universidades norte-americanas e se caracteriza por um liberalismo extremo, por parte de Chefes de Estado que ao mesmo tempo se identificam com “o clube das ditaduras”.

Esta contradição vê-se, entre vários aspectos, no fato de o wokismo manter como dogma a necessidade de acabar com as empresas extracionistas prejudiciais ao ambiente quando a nação mais predatória do ambiente é a China.17

Por outro lado, fortes reclamações são sentidas pelas Marinhas e corporações de pescadores das costas do continente sul-americano devido à pesca de arrasto totalmente predatória realizada pela China. Apesar disso, as autoridades políticas desses países têm sido tímidas quando se trata de exigir o respeito pela sua soberania marítima.18

Contradição semelhante verifica-se em relação à adesão de vários governos de esquerda latino-americanos à chamada “ideologia de gênero”. Estes governos não hesitam em implementar políticas que favoreçam a transexualidade dos menores, sem limites de idade ou consentimento dos pais.

No entanto, nenhum dos países do Brics incentiva ou permite tais tratamentos chamados “Terapias de Conversão”. Pelo contrário, por diferentes razões, tanto a China, quanto a Rússia e o Irã opõem-se à sua implementação. É o que afirma, entre outras fontes, não suspeitas de serem de direita, a página “gatecenter.org”, uma espécie de centro de pensamento socialista espanhol.19

Estas inconsistências, entre o discurso ultraliberal woke, ao qual aderem os governos de esquerda do Continente e, no sentido oposto, as políticas superestatais de controle interno das suas populações impostas pelas principais nações dos Brics, não deixam de mostrar quão frágil pode ser a aliança entre eles.

Estas circunstâncias levam a supor que, embora tais alianças representem uma ameaça, possuem vários fatores que podem transformá-las num “gigante com pés de barro”.

Sem dúvida, a maior contradição entre os principais países dos Brics e as nações latino-americanas é que, com exceção do Brasil, todas essas nações do Brics são pagãs ou refratárias a qualquer influência católica.

No sentido contrário, basta visitar as nações do nosso continente para perceber o quanto ainda se justifica a expressão de que ainda é “o Continente da Esperança”.

_____________

1. F. Fukuyama, na revista Estudios Públicos: El fin de lahistoria, 1990, 30 de janeiro. https://www.cepchile.cl/cep-40-aniversario/fukuyama-en-la-revista-estudios - publicos-o-fim-da-história/

2. Cfr. João Paulo II, Ecclesia Apostólica na América. O Papa João Paulo II proferiu a Exortação Apostólica Ecclesia na América em 23 de janeiro de 1999, na Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, México.

3. Cfr. “A América Latina sente cada vez mais pressão da China” https://www.dw.com/es/am%C3%A9rica-latina-siente-cada-vez-m%C3%A1s-la-presi%C3%B3n-de-china/a-69258814

4. Cfr. “O que nos deixou a APEC 2024: o choque de poderes, a ausência de grandes líderes e os principais acordos econômicos” 16 de novembro, o Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC) 2024. https://www.infobae.com/peru/2024/11/17/lo-que-nos-dejo-apec-2024-el-choque-de-poderas-grandes-lideres-ausentes-y-los-principales- acordos econômicos/

5. Cfr. “Ministério dos Transportes e Comunicações (Peru). MTC: O megaporto de Chancay iniciou operações que revolucionarão o comércio entre o Peru e a Ásia. Localizado em Huaral, gerará um impacto econômico de cerca de 4.500 milhões de dólares anuais.” https://www.gob.pe/institucion/mtc/noticias/1057890-mtc-entro-en-operaciones-el-megapuerto-de-chancay-que-revolucionara-el-comercio-entre-peru-y-asia.

6. Cfr. “Qualquer produto que passe por Chancay deveria ter uma tarifa de 60%”: o assessor de Donald Trump tem como alvo o porto da China no Peru. https://www.infobae.com/peru/2024/11/18/cualquier-producto-que-pase-por-chancay-deberia-tener-un-arancel-del-60-asesor-de-donald-trump- coloca-na-vista-o-porto-da-china-no-peru/

7. Cfr. “SANTIAGO CARRANCO. A mudança nas relações entre pequenos países andinos (Equador e Peru) com grandes potências (China) após a pandemia da Covid-19, nos permite abordar dois casos de Estados que podem ser entendidos a partir desta conceituação, dada a existência de uma relação de dependência com a China. Bertóla& Ocampo (2013) afirmam que “a maior parte dos países latino-americanos não conseguiu superar um padrão de especialização produtiva baseado na exploração dos recursos naturais”. Portanto, ao se estabelecerem como países latino-americanos com economias exportadoras, tanto o Equador como o Peru encontraram-se subordinados ao capital estrangeiro. Assim, ambos os países sul-americanos são vulneráveis nas suas relações com um dos seus principais parceiros comerciais e financeiros: a China. https://relial.org/wp-content/uploads/2024/02/La-influencia-de-China-en-AL-final.pdf

8. “O recente anúncio de Honduras de romper relações diplomáticas com Taiwan e reconhecer o princípio de ‘uma só China’ é mais uma reviravolta na virada política que (China) está liderando na América Latina para reconhecer o gigante asiático como uma grande potência econômica e comercial que tem cada vez mais influência política na região. Honduras e Taiwan, considerada pela China como uma província rebelde, mantinham uma intensa relação de cooperação militar, educacional e econômica desde 1941. No entanto, o presidente hondurenho, Xiomara Castro, ordenou há dias ao seu chanceler, Eduardo Enrique Reina, para estabelecer relações diplomáticas com a China, o que significou romper com Taiwan. Este é o reconhecimento de uma situação internacional que não pode continuar a ser negada e é o posicionamento da China como uma grande potência”, explica. EFE. Luciano Bolinaga, doutor em Relações Internacionais pela Universidade Nacional de Rosário (Argentina).

9. Cfr. “O presidente Luis Arce realizou uma reunião ‘agradável e frutífera’ com Xi Jinping na Cúpula do G20 no Brasil. 19 de novembro de 2024. https://vc.presidencia.gob.bo/index.php/prensa/58-julio/943-el-presidente-luis-arce-mantuvo-una-reuni%C3%B3n-%E2%80%9Cgrata-y -fruta%C3%ADfera%E2%80%9D-com-xi-jinping-na-cimeira-do-g20-no-brasil

10. Cfr. “‘O saque do ouro boliviano: as empresas chinesas se escondem atrás de cooperativas de mineração’, é a manchete do jornal boliviano El Deber. O desejo da China por matérias-primas é cada vez mais questionado na Bolívia: Os chineses pegam “tudo e não deixam nada para o povo, mas o Governo não diz nada”, disse ao jornal um homem que não quis revelar sua identidade. https://www.dw.com/es/crece-el-rechazo-al-expansionismo-de-china-en-am%C3%A9rica-latina/a-63968473

11. Cf. Alexandra Sitenko, in Heinrich-Böll-Stiftung “A influência da China na América Latina. Além do econômico, a aproximação da China com a América Latina tem também uma componente política. É essencialmente o reconhecimento da política de “uma China.” Em 2017, havia um total de 18 países que reconheceram a soberania de Taiwan, que Pequim considera uma província separatista. Destes, 12 estavam na América Latina e no Caribe. Desde então, El Salvador, o Panamá e a República Dominicana cortaram os seus laços diplomáticos com Taipé e, em vez disso, aproximaram-se da estratégia geopolítica da Iniciativa Cinturão e Rota (BRI), também conhecida como o “projeto” da Nova Rota da Seda, liderada pelo Presidente Xi Jinping. anunciada no Cazaquistão em 2013, visa consolidar a supremacia global da China. Até à data, vários países da região, incluindo Chile, Equador e Bolívia, assinaram cartas de intenção de participar do projeto.”

12. Cfr. “China fortalece as suas relações com a América Latina, ‘o quintal’ dos Estados Unidos. Presidente Xi Jinping e sua visita ao Peru e ao Brasil esta semana”. Domingo, 17 de novembro de 2024. https://noticiasargentinas.com/internacionales/china-afianza-sus-relaciones-con-america-latina---el-patio-trasero --of-the-united-states_a673957de8055baacf3b0322a?srsltid=AfmBOooGaD8YqKYgRvZp-RE-BbjDEQ_fOetCGp-bpSLt6pD_RWRrGqEx

13. Cfr. Renato Baumann. “Comércio entre os países ‘BRICS’. A sigla BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul),originalmente usada para identificar economias emergentes com grandes dimensões geográficas e demográficas, está se tornando na prática uma categoria de análise. Estes países passaram a ser considerados de forma diferente, passando a ser vistos já não apenas como ‘outros países em desenvolvimento’, mas como candidatos a desempenhar um papel de importância crescente na cena mundial.” https://www.cepal.org/sites/default/files/publication/files/3166/LCbrsR210_es.pdf

14. Cfr. “O Brasil explicou que o impedimento de Caracas de ingressar no BRICS se deve ao fato de o presidente Nicolás Maduro ter abusado da confiança de Lula após as eleições presidenciais ao não cumprir sua promessa de apresentar os registros oficiais dos resultados, como explicou a O Globo, Celso Amorim, assessor presidencial para assuntos internacionais.” https://elpais.com/america/2024-10-25/brasil-dice-que-veto-a-venezuela-en-los-brics- Porque-abuso-de-su-confianza-tras-las-elecciones .html

15. Cfr. “América Latina. O regime chinês expande o seu controle sobre a Nicarágua com novos acordos milionários apoiados pela ditadura de Ortega.” https://www.infobae.com/america/america-latina/2024/11/19/el-regimen-de-china-amplia-su-control-sobre-nicaragua-con-nuevos-atrabajos-millonarios-respaldados-pela-ditadura-de-ortega/

16. Cfr. “O veto de Lula e do Brasil impede que Ortega entre no ‘clube das ditaduras’.Com exceção do Brasil, praticamente todas as ditaduras do mundo estão juntas no chamado grupo BRICS”, afirma o pesquisador.https://confidencial.digital/politica/veto-de-lula-impide-a-daniel-ortega-entrar-al-club-de-las-dictaduras/

17. A este respeito, o jornal espanhol La Vanguardia informa que “a China é o maior emissor de gases do mundo e a segunda maior economia, mas resiste a assumir formalmente que deve contribuir para o financiamento climático.” Cf. https : //www.lavanguardia.com/natural/contaminacion/20241121/10124395/emisiones-china-han-causado-mas-global-warming-ue.html

18. Cfr. “Uma frota de pelo menos 90 navios estrangeiros zomba da segurança marítima do Chile neste momento. Nenhum notificou as autoridades do Serviço Nacional de Pesca e Aquicultura (Sernapesca) ou da Marinha do Sul sobre suas identidades ou localizações, impedindo a rastreabilidade de seus São navios chineses em busca de lulas? https://panampost.com/gabriela-moreno/2023/12/12/aguas-chilenas-invadidas-por-90-embarcaciones-extranjeras-que-podrian-ser-chinas/

19. Cfr. Alba Teresa González Esteban e Paula Toro Bahamonde. “Objetivos desconectados: Os BRICS e a saúde reprodutiva dos ODS. Este estudo apresenta evidências importantes sobre a grande distância que existe entre o estado atual dos dados e as metas propostas em a Agenda 2030 “11 de abril de 2024 | Análise do Documento de Trabalho do Young Voices”. https://gatecenter.org/objetivos-descargados-los-brics-y-la-salud-reprodutiva-de-los-ods/

27 de janeiro de 2025

Oportuno alerta para fortificar os movimentos que combatem o aborto

 


Para os movimentos anti-aborto no Brasil, julgamos muito interesse o manifesto da TFP americana, cuja tradução aqui reproduzimos. Esse documento foi largamente distribuído durante a gigantesca manifestação contrária ao aborto, ocorrida em Washington no dia 24 último.

Fonte: https://www.tfp.org/time-for-a-reality-check-in-the-pro-life-cause/

As fotos são de autoria de William Gosset e Nikolas Scheuren e foram feitas na recente March for Life da capital americana.  

 


Hora de uma verificação da realidade na causa pró-vida

  

À medida que nos aproximamos das Marchas pela Vida de 2025, o movimento pró-vida é forçado a enfrentar novas realidades à luz dos resultados das eleições de novembro [com a vitória de Donald Trump]. O campo de batalha mudou e é hora de refletir sobre as oportunidades e perigos que enfrentamos agora.

Por esta razão, a Sociedade Americana para a Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP) convida todos aqueles que se opõem ao aborto provocado a considerar novas perspectivas que ajudarão a garantir a vitória de que precisamos com tanta urgência.

Entrando em 2025, os americanos pró-vida têm muito o que comemorar.

Os pró-vida deram um suspiro de alívio e oraram em ação de graças pela derrota da chapa de Harris. Lembramos com pavor o histórico de Biden / Harris de ser o governo mais pró-aborto de nossa história. Não havia limite para seu zelo pela causa pró-aborto. Todos os caminhos possíveis foram abertos para facilitar o massacre maciço de inocentes. A derrota de Harris evitou mais catástrofes em grande escala.

Muitos outros candidatos pró-aborto também perderam. Devemos celebrar este desenvolvimento promissor.


Devemos também considerar o impacto da derrota eleitoral de Harris em todo o mundo. Devastou esquerdistas e forças pró-aborto em todos os lugares. A esquerda dos EUA esperava usar a questão do aborto como um ponto de encontro para impulsionar sua revolução. Globalmente, as forças pró-aborto e esquerdistas entram em 2025 desmoralizadas e divididas.

Nem todas as notícias eleitorais foram boas. Emendas pró-aborto aprovadas em sete estados. Isso deve nos levar a uma reflexão orante. Isso sinaliza que a luta pelos nascituros está longe de terminar. Ainda há muito trabalho a ser feito antes de vermos o alvorecer da vitória.

Assim, a eleição mudou as perspectivas de maneiras positivas e negativas. É hora de fazer uma verificação da realidade para ver onde estamos, o que mudou e o que devemos fazer nos próximos dias.

Essa reavaliação deve nos ajudar a eliminar velhos mitos que atrasam nossa vitória. Devemos mudar nossa percepção dos pró-aborto que revelaram todo o seu rosto durante a eleição. Alguns conservadores também mudaram. Precisamos manter nosso foco e resistir à imensa pressão para mudar nossa mensagem. Nunca devemos trair a causa do nascituro.

Assim, apresentamos quatro verificações da realidade para ajudar a orientar nosso futuro.

1 — Não há moderados no movimento pró-aborto. A derrota de Roe v. Wade lançou o lado do aborto em um frenesi, e seus ativistas estão revelando suas verdadeiras cores.

Os abortistas que propunham que os abortos deveriam ser seguros, legais e raros como um meio "razoável" de justificar o aborto provocado se foram.

Com a reversão de Roe, despertamos para a realidade de que não há mais moderados no movimento abortista. Os pró-aborto de hoje jogaram a cautela ao vento e exigem que as regras de aborto ao estilo norte-coreano, desde a concepção até o nascimento, sejam consagradas na lei e nas constituições estaduais.

Seus gritos radicais não pedem compromisso. Eles nos atacam com seu ódio. Alguns até vandalizam nossos centros de gravidez.

A luta mudou. Enfrentamos um adversário radical que não esconde mais seu objetivo final e hediondo. Os lados são mais bem definidos.

Essa nova situação abre oportunidades, pois muitos ficarão alarmados com o crescente radicalismo abortista. No entanto, também apresentará perigos, pois podemos esperar que a batalha se intensifique e se torne mais brutal.



2 — A posição pró-aborto não é invencível

As eleições gerais de 2024 destruíram o mito de que a questão do aborto sempre vence nas urnas.

Depois de Roe, os pró-aborto adotaram a estratégia de realizar referendos, introduzindo emendas pró-aborto nas constituições estaduais. Superando fortemente a oposição antiaborto, os pró-aborto conseguiram aprovar uma série dessas iniciativas. Quanto mais eles passavam, mais convencidos ficavam de que as iniciativas eleitorais pró-aborto eram invencíveis.

Esse falso mito foi esmagado em novembro. Os candidatos pró-vida venceram as eleições em massa e três emendas pró-aborto foram derrotadas. Os resultados das eleições provaram que as iniciativas pró-aborto podem ser derrotadas mesmo quando o lado pró-vida é massivamente superado.

Além disso, a esquerda esperava que a questão galvanizasse um número extraordinário de mulheres a votar e, portanto, ajudasse os candidatos pró-aborto a vencer.

Essa onda maciça de entusiasmo pelos "direitos reprodutivos" nunca apareceu. Aparentemente, mais de 7 milhões de eleitores do Partido Democrata ficaram em casa. O espetacular absenteísmo dos eleitores foi a derrota de Harris / Walz.

O aborto ainda é uma questão importante para ambos os lados. No entanto, não é o ponto de encontro que a esquerda imaginou.



3 — A dinâmica da batalha pró-vida mudou

O lado contrário ao aborto há muito conta com o apoio incondicional do movimento conservador ao longo das décadas. De sua parte, fornecemos os meios e votos para eleger candidatos em todos os níveis de governo.

Essa ajuda mútua forneceu a energia e a persistência necessárias para derrubar Roe v. Wade. A causa pró-vida tornou-se um ponto de encontro para todas as coisas conservadoras.

A triste nova realidade é que esse apoio incondicional não existe mais. Muitos no movimento conservador agora pedem o abandono da luta contra o aborto. Alguns fazem isso porque acham que a derrubada de Roe foi uma solução suficiente para o problema. Outros acham que as questões econômicas devem ser a única prioridade. Outros afirmam que apoiar questões de vida derrota nas urnas.

Assim, devemos enfrentar a realidade dessas visões equivocadas entre os conservadores. Esta não é a primeira vez que enfrentamos políticos covardes que mudam com o vento. Devemos insistir na importância preeminente da questão do aborto. A moral não é negociável. Devemos manter o curso como temos feito ao longo dos anos. Não nos cansaremos a esse respeito. Só ficaremos satisfeitos com a vitória completa.



4 — Não podemos evitar a necessidade de mudar a cultura

O movimento pró-vida venceu o debate intelectual por sua insistência perseverante de que o aborto não era um direito da mulher, mas um mal moral. O aborto provocado é sempre assassinato, pois interrompe o coração de um feto inocente.

A nova realidade é que o movimento deve levar a luta um passo adiante, centrando-a na derrota da revolução sexual. Devemos abordar o problema em sua origem. De fato, o aborto facilitou a destruição da moral cristã, permitindo que homens e mulheres fossem sexualmente ativos sem as consequências da gravidez.

Os fatos mostram a necessidade de fazer da revolução sexual o alvo de nossos esforços incansáveis. A grande maioria dos abortos (87%) é resultado de relações sexuais fora do casamento. A melhor defesa do nascituro é a família tradicional, um pai e uma mãe unidos em casamento — um homem e uma mulher unidos por toda a vida, excluindo todos os outros. Enquanto a cultura exaltar a liberdade sexual completa, o aborto sempre será visto como contracepção de emergência.



Assim, o movimento pró-vida não deve apenas ter a coragem de salvar a vida de bebês (por mais vital que seja), mas deve atacar a revolução sexual em todas as suas manifestações. Devemos procurar salvar o casamento, promover a modéstia e defender e louvar a castidade. Devemos condenar a promiscuidade, a licenciosidade e a impureza. Devemos dedicar a esta guerra moral toda a engenhosidade, determinação e sacrifício usados para fechar 4.333 clínicas de aborto em todo o país.

Esse esforço consistiria em mostrar o impacto negativo devastador do aborto em indivíduos e comunidades. Também exigiria a apresentação de uma visão positiva de homens e mulheres dentro de uma estrutura pró-casamento e pró-família. Acima de tudo, devemos ser bons exemplos de vida virtuosa para atrair pessoas para nossa causa.

Essa tarefa é facilitada porque o modelo liberal dominante de sociedade está desmoronando e poucas alternativas são apresentadas.


Almas tímidas podem objetar que tal transformação social é impossível. No entanto, eles disseram o mesmo sobre derrubar Roe v. Wade, e Dobbs provou que eles estavam errados.

A sociedade pode mudar para melhor. Em nossa verificação da realidade, devemos recorrer a um Ser Superior — um poder sobrenatural para Quem todas as coisas são possíveis.

Somente com a ajuda de um Deus Todo-Poderoso e de Sua Mãe Santíssima podemos aceitar esse desafio de mudar a cultura e cortar a causa raiz do aborto.



Hoje, quando a ajuda política vacila e diminui, devemos confiar que a assistência divina será ainda mais certa. Devemos acreditar com a confiança inabalável que move montanhas para obter a vitória de que precisamos.

Sigamos em frente, portanto, e enfrentemos com coragem as novas realidades que nos interpelam. Com nossa oração e ação, improvisaremos e ousaremos enquanto marchamos para nosso objetivo abençoado: uma América moral e livre de aborto sob Deus. Não nos cansemos nem descansemos até que o aborto provocado se torne impensável e Deus e Sua Mãe Santíssima sejam glorificados em toda Terra.










26 de janeiro de 2025

2024 — Enchentes na Terra, Sinais no Céu

 

Enchente em Valência, Espanha, no dia 30 de outubro

  ✅  Daniel Félix de Sousa Martins

Fonte Revista Catolicismo, Nº 889, Janeiro/2025 

 

O ano que passou assemelhou-se a um mar revolto. Extraordinariamente revolto. As ondas turbilhonaram de todos os lados, em sentidos contraditórios e caóticos. Primeiro a água, depois a lama devastaram regiões no Rio Grande do Sul e mais tarde da Espanha, parecendo simbolizar as psico-enchentes no mundo, algumas boas, outras preocupantes.

A esquerda sofreu um verdadeiro arrastão, tanto no Brasil, quanto nos EUA e Europa.

Em sentido contrário, a avalanche da autodemolição avançou a passos largos na Santa Igreja. Na sociedade, a imoralidade e a blasfêmia foram mar alto, em especial durante as Olimpíadas de Paris.

A conflagração russo-ucraniana e o crescente poderio chinês ameaçam, qual tsunami, descarregar-se em conflito mundial, quiçá atômico.

Passemos, pois, 2024 em revista, para que a visão de conjunto, ancorada nos fatos e sobretudo na fé, nos prepare para o ano que começa.

Aurora boreal sobre Kiev, capital da Ucrânia, no mês de outubro


Sinais no firmamento e no céu

Se em 2023 o mundo foi surpreendido por “auroras boreais” em plena zona mediterrânea da Europa[1], 2024 assistiu a uma “inundação celeste” em diferentes estações do ano e em regiões onde tal fenômeno ou não acontece, ou ocorre apenas raríssimamente.

Em março, “uma severa tempestade solar atingiu a Terra, de acordo com o Centro de Previsão do Tempo Espacial da NOAA, fazendo com que partes dos Estados Unidos pudessem ver a aurora boreal.[2]

Em maio, conforme The New York Times, “as pessoas na Grã-Bretanha ficaram maravilhadas com a visão incomum e espetacular da aurora boreal. As luzes do norte geralmente não chegam tão ao sul. Elas são vistas com mais frequência em latitudes mais próximas do Polo Norte. Pessoas em outros países europeus, incluindo Dinamarca e Alemanha, também relataram ter visto as luzes”. Os espectadores ficaram maravilhados com a visão, manifestando sua surpresa, alegria e, às vezes, choque nas mídias sociais: “Aurora boreal? Nesta época do ano? A essa hora do dia? Nesta parte do país?”.[3]

Em outubro, nova ocorrência: a luz vermelha tingiu os céus de Kiev, de cidades russas[4], e também de diversos outros países. Nos Estados Unidos, até a Flórida (sic!) assistiu à mudança no firmamento.

Quem tem fé sabe que a Providência se utiliza dos fenômenos naturais no governo do universo. E se em 2023 já foi este o caso, quanto mais hoje é nosso dever considerar com seriedade as palavras da Santíssima Virgem em Fátima: Quando virdes uma noite alumiada por uma luz desconhecida, sabeis que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai punir o mundo por seus crimes, por meio da guerra, da fome, e da perseguição à Igreja etc.[5]

Sinais no firmamento da Igreja

O Cardeal Víctor Manuel Fernández
 lançou, com aval do pontífice,
a declaração Fiducia Supplicans,
promovendo a bênção para
duplas homossexuais
e casais em situação
de concubinato ou adultério. 

As tempestades solares pareciam simbolizar outra tormenta, muito mais transcendente, na Santa Igreja, instituída por Nosso Senhor para ser o farol da verdade, o “sol da justiça”, segundo expressão da Sagrada Escritura (Malaquias, IV).

Com efeito, a infiltração dos erros na Igreja tentou com renovada sanha obscurecer esse sol com doutrinas e práticas escusas. No apagar das luzes de 2023, em 18 de dezembro, o novo prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, Cardeal Víctor Manuel Fernández, lançou, com aval do pontífice, a declaração Fiducia Supplicans, promovendo a bênção para duplas homossexuais e casais em situação de concubinato ou adultério[6].

A declaração, obviamente errônea e escandalosa, contradizia documento da mesma congregação vaticana, publicado dois anos antes, que afirmava não ter a Igreja sequer poder ou autoridade para abençoar uniões ilícitas e pecaminosas[7].

O mês de janeiro assistiu a uma inundação de posicionamentos pró e sobretudo contra a declaração, lembrando o que previra Nossa Senhora em Akita sobre o período do grande castigo: “A obra do maligno vai infiltrar-se até mesmo dentro da Igreja, de tal modo que se verão cardeais opondo-se a cardeais e bispos contra bispos.[8]

Vejamos apenas alguns exemplos da oposição ao documento que tanto escândalo causou:

— Praticamente todos os bispos da África subsaariana rejeitaram a declaração.

— O bispo auxiliar de Madrid declarou que “as bênçãos a casais homossexuais são contrárias à natureza humana”[9]. O bispo de Oviedo disse que a declaração era propositalmente confusa e torcia a verdade sobre as bênçãos.[10]

— Na França, nove bispos saíram a público rejeitando a declaração[11].

— O cardeal Robert Sarah convidou todos a se oporem “a uma heresia que mina gravemente a Igreja”.[12]

— Arcebispo de Kansas City: “nenhum Papa nem dicastério pode mudar o ensinamento bíblico”.[13]

— D. Athanasius Schneider, bispo-auxiliar de Astana, no Cazaquistão: “rezemos pelo Papa para que se arrependa da confusão que criou na Igreja”[14].

— As dioceses do Caribe francês repudiaram Fiducia Supplicans[15].

— Os bispos da Bielorrússia publicamente rejeitaram o documento[16].

— O prelado de Moyobamba, no Peru, declarou: “Abençoar casais em situação irregular e casais do mesmo sexo é um abuso grave do Santíssimo Nome de Deus, que é invocado sobre uma união objetivamente pecaminosa de fornicação, adultério ou, ainda pior, atividade homossexual”[17].

— D. Héctor Aguer, arcebispo emérito de La Plata (Argentina): Fiducia Supplicans não deve ser obedecida: “É perfeitamente correto negar a bênção a casais homossexuais e àqueles em situação irregular”[18].

— Sacerdotes espanhóis lançaram campanha pedindo a revogação da declaração.[19]

Foto do livro “Brecha na Barragem”: O livro de José A. Ureta e Julio Loredo, editado pelo Instituto Plinio Corrêa de Oliveira e TFPS de mais de 20 países, denuncia a infiltração do lobby homossexual na Igreja. A obra foi enviada a bispos de todo o mundo.

Lama na face da Igreja

Em meio à polêmica, descobriu-se que o próprio signatário da inaceitável declaração havia escrito livros de conteúdo obsceno, como a obra A Paixão Mística. Segundo conhecida jornalista católica, “a perversidade fica mais evidente nos capítulos 7 a 9, os três últimos capítulos do livro, onde Víctor Manuel Fernández faz uma longa apresentação do prazer feminino e masculino, não sem ambiguidade, pois parece querer sugerir que o homem, para se aproximar de Deus, precisa se tornar mais feminino em sua união com ele. Vamos nos abster de citar longamente os três últimos capítulos, que obviamente descambam para a pornografia, com seus termos técnicos e descrições de animais. Enquanto isso, ver o novo cardeal ditando a lei doutrinária na Igreja hoje é pior do que uma piada de mau gosto: é um escândalo”.[20]

Buraco negro da autodemolição

O teólogo-moralista Pe. José Aberasturi comentou com razão: “Se ele não for removido, seu mentor assume todo o seu currículo", acrescentando que, "continuar com esse desastre é continuar a ampliar o buraco negro pelo qual a Igreja está se autodestruindo.”[21]

Como católicos, sabemos que a Igreja é imortal, amparada pela promessa de nosso Divino Salvador: “as portas do inferno não prevalecerão sobre ela” (Mt 16, 18-20). As portas do inferno, portanto, tentarão prevalecer... e é o que empreenderam em 2024. Citemos alguns exemplos.

O teólogo e professor da PUC chilena, Jorge Costadoat, afirmou em entrevista para o órgão dos jesuítas no Rio Grande do Sul: “A própria instituição da confissão auricular é abusiva, pois expõe os católicos a uma experiência desumana”. Aonde chegamos? Até a confissão sacramental está sendo posta em xeque![22]

Em setembro, o Papa Francisco desatou nova onda de perplexidade quando declarou a um grupo inter-religioso de jovens em Cingapura, durante sua recente viagem à Ásia: Todas as religiões são caminhos para Deus. Vou usar uma analogia, elas são como diferentes idiomas que expressam o divino.”[23] Pouco depois, aos jovens reunidos em Tirana, Albânia, para os Encontros Mediterrâneos 2024, reafirmou: “A diversidade de nossas identidades culturais e religiosas é um presente de Deus”[24].

Parêntese: Nosso Senhor não disse “eu sou um caminho, uma verdade e uma vida”... Mas sim “eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vai ao Pai senão por Mim” (Jo 14,6). Fecha parêntese...

Em 22 de outubro, algo trágico aconteceu com os católicos chineses que sofrem perseguições há décadas por sua fidelidade a Roma. O Vaticano renovou o acordo com o regime comunista, reconhecendo as nomeações episcopais feitas pelos agentes do estado totalitário chinês, abandonando o rebanho à mercê dos lobos[25].

Em novembro, a visita papal à casa de Emma Bonino também gerou compreensível estranheza, pois a ativista italiana é “uma das figuras públicas mais incisivas na luta pela disseminação do aborto, eutanásia, divórcio, drogas gratuitas etc.”[26].

Ritos pagãos introduzidos na Missa

Emma Bonino 

No esforço de “inculturar” a liturgia, os bispos australianos aprovaram em maio o rito aborígine da Missa, repleto de elementos tribais, pagãos, estranhos à prática católica, e completamente dessacralizantes[27].

Em novembro, o Vaticano aprovou o rito maia da Missa, “que envolve danças rituais e mulheres tomando o lugar do sacerdote no incensamento do altar”[28].

Enquanto isso, segundo o site oficial da Arquidiocese de Manaus, está em fase final de elaboração o rito amazônico, algo que foi se configurando a partir do desejo de uma Igreja com rosto amazônico[29].


Avanço do satanismo e da blasfêmia


As cerimônias de inauguração e encerramento das Olimpíadas de Paris, de que Catolicismo tratou com detalhes em setembro e outubro p.p., foram um sinal emblemático do avanço do satanismo e da blasfêmia.

Em março, a arquidiocese de Carpi promoveu uma mostra de arte blasfema (sic!) dentro da Igreja de Santo Inácio, com Nosso Senhor e Nossa Senhora pintados em atitudes tão obscenas que nos abstemos de descrever aqui. Os fiéis afluíram em massa na frente da igreja em protesto e atos reparação, e processaram o arcebispo, o artista e outros envolvidos na amostra[30].

A cada ano, em Sevilha, o Conselho Geral de Irmandades e Fraternidades convida um artista famoso para produzir um pôster promocional das belíssimas e famosas procissões de Semana Santa na cidade. Neste ano, o pintor Salustiano Garcia apresentou uma figura de “Cristo ressuscitado” blasfema e provocativa, com um corpo ultra efeminado e sensual, praticamente nu.[31]

Em julho, o padre pró-LGBT James Martin proferiu palestra tendo diante de si uma representação sacrílega de Nossa Senhora vestida com bandeira representando o movimento homossexual e transexual[32].

Algo semelhante se deu em Aparecida do Norte. Uma romaria sacrílega envolveu uma cópia da imagem de Nossa Rainha e Padroeira com uma bandeira do movimento LGBT, e entrou no Santuário[33].

Em Toulouse, França, um show de grandes proporções promovido em outubro pelo governo local gerou indignação “devido às suas múltiplas referências satânicas e esotéricas”. O arcebispo de Toulouse “decidiu então consagrar a cidade e a diocese ao Sagrado Coração de Jesus em 16 de outubro, para proteger a cidade das ‘ameaças das trevas’”[34].

Em novembro, um afegão entrou em importante santuário na Suíça, retirou as vestimentas da milagrosa imagem, a “Virgem Negra”, e a golpeou repetidamente, antes de ser detido pelo sacerdote e preso[35].

Na Alemanha, uma ópera sacrílega intitulada “Sancta” apresentava um grupo de freiras, cujo relacionamento na peça se degenera em orgias entre elas sobre uma cruz, entre outros insultos à Igreja. A peça é de tal forma repugnante que 18 assistentes tiveram de receber cuidados médicos pelas severas náuseas.[36] A TFP Student Action da Alemanha promoveu vigorosos atos de reparação em frente aos teatros de Stuttgart e Berlin, com assistência de dezenas de fiéis indignados.

Estes são apenas alguns exemplos dos sacrilégios e blasfêmias contra Nosso Senhor, Nossa Senhora e a Santa Igreja em 2024, que pedem de todo católico consciencioso um revide espiritual à altura, com atos de reparação públicos e privados.

Os participantes do Sínodo da Sinodalidade junto ao papa Francisco


Sínodo da Sinodalidade – abriu-se a caixa de pandora

Em outubro de 2023 e 2024 ocorreu no Vaticano o Sínodo sobre a Sinodalidade. Três meses antes da primeira sessão, o livro Processo Sinodal, uma Caixa de Pandora, editado pelo Instituto Plinio Corrêa de Oliveira e entidades afins de 28 países (Cfr. Catolicismo, outubro/23), alertava para o perigo iminente: sob o pretexto de reforma, o Sínodo ameaçava minar a estrutura hierárquica da Igreja, tal como Nosso Senhor a instituiu.

A obra foi enviada a todos os bispos titulares do mundo e a grande número de sacerdotes e seminaristas, que responderam concordando com a denúncia: o Sínodo ameaçava soltar dentro da Igreja o gás tóxico da heterodoxia e da confusão.

Com efeito, o documento final do evento, bem como as comissões de estudo criadas para discutir temas como o diaconato feminino, confirmaram os receios expostos no livro. Segundo comentário de um sacerdote espanhol, “o objetivo pretendido não é levar o evangelho de Cristo às pessoas, mas estabelecer um novo paradigma da Igreja, a igreja sinodal, com todas as suas consequências.”[37]

O documento final do Sínodo promove a descentralização da autoridade eclesiástica, uma possível mudança no Código de Direito Canônico que dê poder deliberativo a órgãos colegiados de leigos, cujas decisões poderiam ser vinculantes até para os bispos. Faz lembrar o socialismo autogestionário, desta vez aplicado à Santa Igreja.

Em 25 de novembro, o Sumo Pontífice chancelou a declaração, afirmando que “as igrejas locais e os grupos de igrejas são agora chamados a implementar, em diferentes contextos, as indicações autorizadas contidas no documento, por meio dos processos de discernimento e tomada de decisão previstos pela lei e pelo próprio documento”[38].

Sínodo do desinteresse

O lema do Sínodo era Comunhão, Participação e Missão. Ele pretendia haurir sua autoridade moral da consulta ao “povo de Deus”. Em julho, as redes oficiais do Sínodo lançaram uma pesquisa para saber o grau de interesse do “povo de Deus” com a sinodalidade na Igreja: “cerca de 90% votaram negativamente. Como resultado, a secretaria responsável do sínodo encerrou a pesquisa prematuramente e colocou os resultados off-line.”[39]

Comentou a respeito Javier Arias: “os amigos do voto e da sinodalidade receberam uma boa dose de seu próprio remédio. As pessoas se manifestaram, mas na direção oposta ao que eles esperavam.”[40]

Pouca comunhão e quase nenhuma participação do “povo de Deus”... o mesmo que terá de sofrer as consequências!

Novos cardeais

Parece que da mesma Caixa de Pandora saíram alguns dos 21 novos cardeais nomeados em outubro. O principal organismo que promove a infiltração do lobby homossexual na Igreja publicou matéria em que comemorava: “De modo geral, aqueles que tinham registros públicos positivos sobre questões LGBTQ+ foram amplamente recebidos.”[41]

Entre os nomeados está o ex-superior geral dos dominicanos, Pe. Timothy Radcliffe. O religioso fez recentes declarações blasfemas e escandalosas, como: “certamente [o ato homossexual] pode ser generoso, vulnerável, terno, mútuo e não violento. Então, de muitas maneiras, eu acho que ele pode expressar a autodoação de Cristo (sic!)”[42].

Falsas e verdadeiras reações à crise na Igreja

Era de se esperar que essas abominações suscitassem reações. De fato, as houve. Mas infelizmente, talvez levados pelo desespero, muitos começaram a tomar uma atitude tresloucada e cismática. A mais emblemática delas foi a do Arcebispo Carlo Maria Viganò, ex-núncio apostólico nos EUA.

Confundindo denúncias documentadas com conclusões precipitadas e linguagem desrespeitosa, o prelado fez declarações em que não reconhecia o Papa Francisco e desconsiderava a priori qualquer autoridade vaticana. Tal conduta errada e imprudente valeu-lhe a declaração de excomunhão por cisma[43].

Bem diferente foi a postura de outros altos eclesiásticos, como o Cardeal Raymond Burke. Respeitoso na linguagem, mas decidido em sua posição, denunciou o documento final do Sínodo: “Ninguém conseguiu definir qual é o significado de sinodalidade — isso se tornou uma espécie de suporte para o avanço de todos os tipos de ideias sobre a Igreja, sobre a liturgia sagrada. Isso vai simplesmente gerar mais confusão e divisão, prejudicando a missão da Igreja. Deveríamos estar dedicando nossa energia à proclamação da verdade sobre a vida humana, sobre a natureza humana, o casamento e a família [...]. Portanto, rezo com todas as minhas forças para que isso seja corrigido”.[44]

O Arcebispo de Sidney (Austrália) também alertou para os desvios sinodais: “O Sínodo sobre Sinodalidade não pode reinventar a fé católica”.[45]


Outra declaração, talvez a mais contundente e incisiva até o momento, foi a do bispo emérito de Tyler (Texas, EUA), Dom Joseph Strickland [foto ao lado]. Durante rosário público que promoveu ao lado da reunião anual da conferência episcopal de seu país, o prelado leu carta aos bispos americanos[46]:

Os senhores se reúnem aqui hoje, apóstolos dos dias atuais, enquanto a Igreja e, portanto, o mundo está à beira de um precipício. No entanto, os senhores, a quem foi confiada a guarda das almas, preferem não dizer uma palavra sobre o perigo espiritual que sobeja. Hoje estamos à beira de tudo o que foi profetizado sobre a Igreja e as abominações que surgirão nestes tempos, um tempo em que todo o inferno atacará a Igreja de Jesus Cristo e um tempo em que os anjos caídos do inferno não mais procurarão entrar em seus salões sagrados, mas ficarão do lado de dentro, espreitando pelas janelas e abrindo as portas para dar as boas-vindas a mais destruições diabólicas.

[...] Muitas pessoas perguntaram o que será necessário para que mais do que alguns bispos finalmente se manifestem contra as mensagens falsas que fluem constantemente do Vaticano [...]

Os senhores não sabem que Nosso Senhor enviará seus anjos vingadores para amontoar brasas de fogo sobre as cabeças daqueles que foram chamados para serem seus apóstolos e que não guardaram o que Ele lhes deu?

No entanto, quase todos os senhores, meus irmãos, assistiram silenciosamente à realização do Sínodo sobre a Sinodalidade, uma abominação construída não para guardar o Depósito da Fé, mas para desmantelá-lo, e ainda assim poucos foram os gritos ouvidos dos senhores — homens que deveriam estar dispostos a morrer por Cristo e sua Igreja. [...]

Peço aos fiéis que rezem fervorosamente para que todos os pastores encontrem suas vozes e digam comigo: “Que viva Cristo Rei – viva Cristo, o Rei, a Verdade Encarnada!”

As palavras do bispo texano foram uma lufada de ar fresco para os fiéis. Em nenhum momento faltou com o respeito devido à autoridade, mas foi firme. Rezemos e esperemos que continue nesta linha, sem se desviar para os desatinos do arcebispo Viganò.

O sol de justiça brilhará com toda a intensidade

Nosso Senhor Jesus Cristo,
“O Sol de Justiça”
 

Diante da avalanche de notícias que acabamos de ver, podemos ser tentados de desânimo. Por isso é oportuno recordar a passagem da Sagrada Escritura a que fizemos breve alusão acima. Trata-se do trecho do profeta Malaquias, capítulo IV, no qual profetiza um grande castigo para os ímpios, seguido da vitória do “sol de justiça”:

“Porque eis que virá um dia ardente como uma fornalha acesa. Todos os soberbos, todos os que cometem a impiedade serão como a palha; este dia, que está para vir, os abrasará, diz o Senhor dos exércitos, sem lhes deixar nem raiz, nem ramos.

"Mas para vós que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, que traz a salvação sob as suas asas; saireis então e saltareis (alegres) como novilhos ao sair do estábulo.

"Calcareis os ímpios, que serão como cinza debaixo da planta de vossos pés, nesse dia em que eu agir, diz o Senhor dos exércitos[47].

Beata Catarina Racconigi, em êxtase. 

O castigo do mau clero revelado a uma santa

Muitas são as profecias particulares que detalham o grande castigo e o grande triunfo do bem. Abaixo reproduzimos um pequeno trecho de revelações de Nosso Senhor à Beata Catarina Racconigi.

A Beata Catarina Racconigi (1486-1547), virgem mística italiana da Ordem Terceira de São Domingos, recebeu os estigmas e sofreu todas as dores da Paixão. Tendo se oferecido em holocausto por todos os mortos da batalha de Marignan (1515), sua vida foi, a partir de então, um calvário atroz. Deus a cumulou dos maiores favores. O Pe. Morelli O.P., que foi seu confessor, narra suas visões.

Uma espada, um punho, mas três lâminas

“Em diferentes circunstâncias, a Beata Catarina viu no futuro as tribulações que devem preceder a futura renovação da Igreja. Lembro-me de tê-la ouvido dizer que não veria em sua vida mortal a maior dessas provações. Assim, em 1543, ela viu uma pessoa bela e venerável vestida de branco, segurando uma espada, com apenas um punho, mas três lâminas, com a qual ameaçava os povos com calamidades sangrentas. Ela entendeu que a pessoa armada com a espada era a Santíssima Trindade que havia resolvido conduzir a Igreja, por meio de numerosos flagelos, ao seu estado inicial e florescente de santidade.

Flagelo que atingiria o clero seria o último

“Naqueles dias, ela me disse com toda a simplicidade que o flagelo que atingiria o clero seria o último, mas ao mesmo tempo o mais terrível”. Certo dia, “Catarina, arrebatada em êxtase na festa dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, viu Nosso Senhor indignado contra os pastores da Santa Igreja: os dois apóstolos intercederam em favor dos culpados e ela se juntou a eles, mas sem ser atendida.

O Barco da Igreja

“Sete dias depois, rezando pelas pessoas que lhe eram queridas, bem como por toda a Cristandade, ela viu a si mesma e a seus amigos em um barco que o mar, em sua fúria, ameaçava com seus abismos. O barco da Igreja foi lançado entre as rochas sob o efeito de ventos contrários, de modo que parecia ter que sucumbir de um momento para outro, para se perder nas profundezas do mar, mas o barco sempre escapou desse perigo supremo, e muitos dos passageiros foram puxados para fora e desapareceram nas águas. São Pedro não tirava os olhos do barco guiado por São Gregório.

“Esse espetáculo das provações do Santo Barco foi dado a ela no final de sua vida. Naqueles dias, ela disse que a renovação da Igreja por meio do flagelo não estava longe; que os turcos viriam. Eles devastariam a Itália e a tornariam sangrenta por meio de grandes batalhas”[48].

Sinais de conversão?

Apesar de toda a decadência nos meios católicos, a Santíssima Virgem parece estar derramando um orvalho de graças em muitos setores da Igreja e da sociedade, fomentando um renascer da fé, ainda muito incipiente, mas que alimenta nossa confiança para o futuro.

Segundo pesquisa da Associated Press, os padres progressistas que dominaram a Igreja dos EUA nos anos que se seguiram ao Concílio Vaticano II estão agora na casa dos 70 e 80 anos. Muitos estão aposentados. Alguns já morreram. Os padres mais jovens são muito mais conservadores[49].

No Canadá, “relatos de declínio da prática religiosa entre os católicos no Canadá estão se tornando mais frequentes a cada ano, mas uma tendência diferente, mostrando maior interesse de jovens adultos, dá esperança de um possível renascimento da Igreja em breve[50].

O Arcebispo de Utrecht (Holanda), Cardeal Willem Eijk, declarou no mesmo sentido que “as paróquias onde a fé é bem proclamada e celebrada com dignidade estão cheias”[51].

A peregrinação de 100 quilômetros entre Paris e Chartres, na festa de Pentecostes, de católicos ligados à liturgia tradicional, teve participação recorde em 2024, deixando toda a mídia francesa de queixo caído: 18.000 peregrinos, a grande maioria jovens, fizeram o caminho a pé[52].

Na Áustria, o mosteiro cisterciense mais antigo do mundo teve este ano o maior número de monges de sua história, desde 1133. Segundo o abade, o segredo é a adoração ao Santíssimo Sacramento que fazem toda sexta-feira, onde sempre comparecem de 150 a 250 jovens[53].

A tendência dos jovens ao Catolicismo tradicional manifesta-se até nas práticas exteriores mais simples, como o uso do véu para mulheres. O que levou Madeleine Kearns, jornalista da mídia The Free Press, de Los Angeles, a se perguntar: “Por que tantas mulheres católicas jovens de toda a América aparecem na igreja usando véus? É fácil descartá-las como millennials superficiais, atraídas por algo bonito, mas seus motivos vão ao cerne de nossa liturgia. É aqui que a fé e a moda se encontram.”[54]

Um famoso site progressista americano lamentou que as mulheres tradicionalistas representam “uma formidável força religiosa e política”:

“As esposas tradicionalistas se opõem coletivamente ao feminismo [...] Minha preocupação não é apenas que a minoria de esposas católicas esteja crescendo, mas que ela esteja mobilizando um grupo de eleitores católicos conservadores que veem um retorno à vida anterior ao Vaticano II como uma questão religiosa e política. [...] Graças à sua conexão com os principais influenciadores católicos e suas contrapartidas republicanas de extrema direita, as esposas católicas fazem parte de um contingente crescente de eleitores católicos que confundem a luta pelo catolicismo tradicionalista com a luta pelos valores políticos americanos conservadores. Elas geralmente se identificam como parte da geração pró-vida, refletindo um número crescente de jovens padres que são mais tradicionalmente católicos e politicamente conservadores. À medida que a eleição presidencial de 2024 se aproxima, esse movimento crescente de esposas católicas provavelmente desempenhará um papel importante na forma como os católicos votam nas eleições e nos futuros líderes políticos e católicos americanos.[...]”[55]

Trump declarou que sua administração “será ótima para as mulheres e seus direitos reprodutivos”, em clara alusão ao aborto, afastando-se da posição pró vida de seu primeiro mandato


Eleições pelo mundo: arrastão contra a esquerda

O panorama político internacional de 2024 foi marcado pelas derrotas fragorosas da esquerda.

Em junho, as eleições para o Parlamento europeu registraram uma das maiores derrotas da esquerda na história do bloco. A BBC assim registrou a surpresa: “Uma noite de drama na Europa: o parlamento da UE se volta para a direita”[56].

Na França, as eleições parlamentares foram antecipadas pelo presidente Emmanuel Macron, em um cálculo político para evitar a maioria absoluta da direita em 2025. Apesar de frustrar tal maioria, a manobra tornou sua governabilidade ainda mais obstruída, além de pavimentar o caminho da direita para uma possível vitória nas eleições presidenciais de 2027.

No Brasil, as eleições municipais marcaram época, deixando a esquerda em uma crise existencial, talvez a maior desde o fim do governo militar.

Na Venezuela, Maduro precisou recorrer a uma enorme fraude eleitoral para manter-se no poder.

Até na Holanda e na Bélgica, uma enchente conservadora pôs os esquerdistas com as barbas de molho...

Mas nenhum choque foi tão grande para a esquerda mundial do que as eleições norte-americanas, que se desenrolaram quase como um filme surreal.

O presidente Joe Biden manifestou sua decrepitude em debate com o candidato republicano em junho, e foi forçado por seus correligionários a renunciar à disputa, passando o bastão para a vice-presidente de esquerda, Kamala Harris.

Donald Trump havia sido indiciado em diversos processos, com o claro intuito de torná-lo inelegível. A tentativa de assassinato na Pensilvânia esteve a um centímetro de tirar-lhe a vida. A cena emblemática do candidato sangrando e de pulsos para o ar dominou o noticiário e as redes sociais durante várias semanas. Outro atentado frustrado foi interceptado a tempo pelo serviço secreto.

Apesar dos esforços midiáticos sem precedente, e de somas astronômicas de donativos para o cofre dos democratas, a esquerda perdeu em todas as frentes: a Câmara, o Senado, a Presidência, e até o voto popular, fato que de há muito não ocorria[57].

Sombras no quadro

Todas essas derrotas da esquerda pelo mundo deram grande alívio e foro de cidadania às correntes conservadoras. E isto é evidentemente bom.

Certas sombras, entretanto, não deixam de preocupar os observadores atentos. Várias lideranças políticas de direita têm favorecido uma mudança de eixo da reação conservadora. Tanto na Europa quanto nos EUA, há uma tendência dessas cúpulas de se afastarem dos temas morais — aborto, família etc. — e focalizarem a agenda direitista apenas no aspecto econômico e no problema das imigrações em massa.

Talvez o fato mais emblemático deste fenômeno tenha sido a vergonhosa e decisiva votação de todos os senadores e de vários deputados do Rassemblement National, o maior partido de direita da França, a favor de incluir na constituição o assim chamado direito ao aborto.[58]

Durante a campanha presidencial, Trump declarou que sua administração “será ótima para as mulheres e seus direitos reprodutivos”[59], em clara alusão ao aborto, afastando-se da posição pró vida de seu primeiro mandato.

O problema da imigração é assustador em alguns países e deve ser tratado com bom senso e firmeza, sobretudo na Europa, em que o Islã ameaça tomar posições-chave na sociedade, com o grave risco de descristianizar e caotizar ainda mais aquele continente. Entretanto, a amnésia do aspecto moral ameaça desvirtuar a onda conservadora para uma posição francamente materialista e, dependendo do país, nacionalista, no sentido pejorativo da palavra.

Por exemplo, cresce a preocupação de que o presidente eleito dos EUA possa abandonar a Ucrânia às traças, sob pretexto de atender “primeiro” aos interesses americanos, o que poderia dar livre curso às pretensões tirânicas do ex-agente da KGB, Vladimir Putin.

Soldado ucraniano lança um drone contra as linhas russas 

Ucrânia por um fio

Segundo o jornal El Pais, em outubro “Volodymyr Zelenskiy retornou de uma viagem a Washington com sinais desencorajadores de que é cada vez mais improvável que a Ucrânia afaste as forças russas no campo de batalha. Os republicanos deixaram claro que sua prioridade é que Kiev faça concessões para acabar com a guerra.”[60]

De fato, o ano terminou com perspectivas sombrias para Kiev. De outro lado, o conflito subiu de grau. Em fins de novembro, o presidente americano e o primeiro-ministro britânico permitiram à Ucrânia usar seus mísseis balísticos em território russo. Logo em seguida, o exército ucraniano bombardeou um centro militar em Maryno, na Rússia[61]. Pouco depois, Biden aceitou fornecer minas à Ucrânia, o que ajudaria na defensa do front[62]. Tudo isso parecia ser uma resposta à participação de 10.000 soldados norte-coreanos lutando do lado russo[63].

A retaliação foi dupla: Putin assinou documento definindo novos parâmetros para a doutrina militar russa quanto ao uso de armas nucleares. Segundo ele, a Rússia se vê agora no direito de reagir com armas nucleares a ataques com armas convencionais vindas de países que possuem arsenal atômico[64]. Em seguida, lançou sobre a Ucrânia um míssil com capacidade de carregar ogivas nucleares. A ameaça estava feita[65].

Alguns analistas se perguntaram se essa escalada não seria um show de ambas as partes para aumentar as vantagens em uma possível mesa de negociações. Pode bem ser. Mas isso levanta para o Ocidente uma importante questão:

Em 2014 a Rússia já se havia apossado de um enorme naco do território ucraniano. Dez anos depois está fazendo o mesmo: está no momento em posse de aproximadamente 20% da área do país[66]. Quando isso vai parar? É lícito às nações ocidentais aceitarem um acordo espúrio e abandonar um país soberano, que luta heroicamente pela integridade de seu território? Quem será o próximo: Lituânia? Polônia?

A resposta a esta pergunta crucial só os próximos meses poderão dar. Eis a análise do conhecido colunista espanhol Andrea Rizzi:

“Uma vitória total da Rússia seria um ponto de virada histórico. Mas mesmo um acordo que sancionasse uma perda territorial significativa e a inibição da liberdade de política externa do que restou da Ucrânia seria um sucesso geoestratégico para a Rússia que não só teria um impacto na região, mas mudaria as relações globais, com o entendimento de que as democracias ocidentais podem ser derrotadas em questões de extrema importância por pura superioridade de força de vontade. Seria uma mensagem de efeito imensurável em escala global: tanto para os aliados europeus, que seriam tocados pela realidade do distanciamento americano da região, quanto para toda a galáxia de regimes autoritários insatisfeitos com a primazia ocidental, que veriam seu enfraquecimento e a desintegração do vínculo entre seus principais representantes.”[67]

Guerra no Oriente Médio

Até o momento em que escrevo, Israel parece estar com quase total vantagem sobre o Irã e seus proxies Hamas (Faixa de Gaza) e Hezbollah (Líbano). Grande parte da liderança destes últimos foi dizimada, e sua cadeia de comando parcialmente desmantelada[68].

Em fins de outubro, as forças armadas israelenses bombardearam centenas de alvos estratégicos em território iraniano, incluindo bases militares e depósitos de armas, impedindo uma retaliação significativa do Irã[69].

Exatamente um mês depois, Israel e Hezbollah assinaram um cessar-fogo no Líbano e iniciaram a retirada de tropas das zonas de conflito. Se o frágil acordo for observado por ambas as partes até fins de janeiro, ele seria permanente[70].

Estamos nos encaminhando para o fim do atual conflito no Oriente Médio? É difícil prever. O grande receio dos analistas militares é o papel que desempenhará a China neste e outros casos.

China: a grande ameaça

Segundo o presidente do Instituto para o Estudo da Guerra, general Jack Keane (ret.),

“A maior mudança geopolítica nos últimos 3 ou 4 anos é o grau de cooperação e coordenação entre Irã, China, Rússia e Coreia do Norte. Isso cria uma situação muito perigosa globalmente. Por quê? Porque se a China começasse uma guerra na região do Indo-Pacífico, no mar do sul da China, ou com Taiwan, é provável que então a Rússia faça o mesmo, porque eles sabem que os EUA não poderiam lidar com duas guerras simultâneas, e nos acharíamos em um conflito global. Este é o perigo diante de nós. Eu estive em uma comissão do congresso americano por 20 meses, e esta foi a grande conclusão no que se refere aos perigos para os EUA e seus aliados”[71].

Em setembro, China e Rússia realizaram exercícios militares conjuntos próximos ao Japão: “90.000 soldados e mais de 500 navios e aeronaves foram mobilizados para o maior exercício do tipo em 30 anos”.[72]

Antes, em maio, a China já havia realizado extenso exercício militar aéreo e naval em torno de Taiwan, em claro sinal de protesto e ameaça pelos resultados das eleições na ilha, que elegera um presidente anti-Pequim[73].

Em 19 de novembro, uma comissão de estudo do Congresso americano publicou um relatório de 793 páginas sobre a ameaça chinesa para os Estados Unidos. As conclusões são preocupantes para o equilíbrio mundial: Pequim agora têm o potencial de derrotar os EUA em um futuro conflito regional”. A China também está “escalando as tensões na região do Indo-Pacífico contra o Japão, além da pressão militar contínua visando Taiwan e as Filipinas. Nas últimas duas décadas, diz o estudo, o governo comunista chinês concentrou seus esforços em “construir um grande número de mísseis, navios, aeronaves e outros sistemas para um futuro conflito no Indo-Pacífico”.[74]

Virgem do Apocalipse – Miguel Cabrera (1695-1768). Museu Nacional de Arte, Cidade de México

Conclusão

Esta visão panorâmica pode nos inundar de preocupações. Entretanto, se colocamos a glória de Deus no centro e não nossas pessoas, começaremos a ver o grandioso do quadro. É quando tudo parece irremediavelmente perdido que a Divina Providência costuma intervir: a História dá disso abundantes exemplos.

Se é verdade que em 2024 apareceram muitos sinais no céu, muito mais expressivo é o Sinal, com S maiúsculo, que Deus quis dar ao mundo: “uma Senhora mais brilhante que o sol”, como descreveu um dos pastorinhos de Fátima, “uma Mulher vestida do sol com a lua debaixo dos pés, e uma coroa na cabeça”, como descreve o Apocalipse (12,1).

Sim, essa Senhora tem coroa porque é Rainha, e tudo o que Ela pede a seu Divino Filho, obtém. Ela nos promete seu auxílio se a Ela recorremos com confiança e persistência em todas as vicissitudes, quaisquer que sejam.

Tudo o que Ela promete, Ela cumpre.

Ela prometeu intervir, intervirá.

Prometeu triunfar, triunfará!



[1]Euronews, 6-11-23.

[2] AOL, 25-3-24

[3] The New York Times, 10-5-24

[4] The New York Times, 11-10-24

[5] Cfr. Catolicismo, nº 159.

[6] Site oficial do Vaticano, 18.12.24. Cfr: https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_ddf_doc_20231218_fiducia-supplicans_en.html

[7] Site oficial do Vaticano, 15.3.21. Cfr: https://press.vatican.va/content/salastampa/en/bollettino/pubblico/2021/03/15/210315b.html

[8] Mensagem de Akita, 13.10.73

[9] Infovaticana, 5-1-.24

[10] Infovaticana, 14-1-24

[11] Catholic World Report, 6-1-24

[12] Diakonos.be, 8-1-24

[13] Infovaticana, 13-1-24

[14] Infovaticana, 16-1-24

[15] Infovaticana, 23-1-24

[16] Il Messagero, 2-4-24

[17] LifeSiteNews, 4-1-24

[18] LifeSiteNews, 4-1-24

[19] Infovaticana, 3-1-24

[20]SMITS, Jeanne. Le cardinal pornographe : Victor Manuel Fernandez et la « passion mystique ».Reinformation.tv, 8.1.24. Disponível em : https://reinformation.tv/cardinal-pornographe-fernandez-mystique/

[21] Infocatolica, 9-1-24

[22] Instituto Humanitas Unisinos, 4-11-24. Disponível em: https://www.ihu.unisinos.br/645573-o-grande-sinal-dos-tempos-e-a-consciencia-da-catastrofe-ecologica-e-ambiental-entrevista-especial-com-jorge-costadoat

[23] America Magazine, 25-9-24

[24] Catholic News Agency, 17-11-24

[25] Site oficial do Vatican, 22.10.24. Cfr.: https://press.vatican.va/content/salastampa/en/bollettino/pubblico/202410/22/241022c.html

[26] La Nuova Bussola Quotidiana, 7-11-24

[27] Crux, 8-5-24

[28] LifeSiteNews, 15-11-24

[29] 22-8-24

[30] La Nuova Bussola Quotidiana, 11-3-24

[31] The Pillar, 5-2-24

[32] Infovaticana, 2-7-24

[33] Pleno.news, 19-11-24

[34] Aleteia, 19-10-24

[35] Infovaticana, 20-11-24

[36] The Guardian, 10-10-24

[37] Stillum Curiae, 1-11-24

[38] Site oficial da Conferência Nacional dos Bispos dos EUA, 25-11-24

[39] Stillum Curiae, 2-9-24

[40] Infovatica, 26-7-24

[41] New Ways Ministry, 7-10-24

[42] New Ways Ministry, 7-10-24

[43] Vatican News, 5-7-24

[44] LifeSiteNews, 1-11-24

[45] Catholic World Report, 16-10-24

[46] Catholic.org, 14-11-24

[47] (Malaquias 4, 1-3)

[48] SERVANT, Michel, Veillez et Priez car l'heure est proche, Saint Germain en Laye, 1972.P. 229-232. Ver também, sobre a Bem-Aventurada, M. C. Garray, Les Bienheureuses dominicaines, Paris, 1913.

[49] Il Timone, 3-5-24

[50] Catholic World Report, 22-7-24

[51] Infovaticana, 16-10-24

[52] L’ÉchoRepublicain, 20-5-24

[53] Infovaticana, 18-3-24

[54] The Free Press, 25-8-24

[55] National Catholic Reporter, 17-5-24

[56] BBC, 10-6-24

[57] PBS News, 24-11-24

[58] Le Monde, 4-3-24

[59] Infocatolica, 16-8-24

[60] El Pais, 4-10-24

[61] The Guardian, 20-11-24

[62] The New York Times, 20-11-24

[63] The Guardian, 20-11-24

[64] Euronews, 19-11-24

[65] Reuters, 22-11-24

[66] Reuters, 2-6-22

[67] El Pais, 12-11-24

[68] Site da Foundation for Defense of Democracies, 21-9-24

[69] BBC, 28-10-24

[70] The New York Times, 27-11-24

[71] Entrevista para Fox News, 14-9-24

[72] CNN, 17-9-24

[73] The New York Times, 22-5-24

[74] The Washington Times, 19-11-24