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Detalhe da sepultura do Papa Gregório XIII celebrando a introdução do calendário gregoriano |
31 de dezembro de 2024
POR QUE O ANO COMEÇA À MEIA NOITE DE 1º DE JANEIRO?
29 de dezembro de 2024
PRÍNCIPE DA PAZ, SENHOR DOS EXÉRCITOS
Para esta oitava de Natal, solenidade recordada na época natalina que se inicia no dia 25 de dezembro e se encerra em 1º de janeiro, seguem algumas passagens da Sagrada Escritura para meditarmos a respeito do magno acontecimento que foi Nascimento do Divino Infante.
28 de dezembro de 2024
COMUNICADO do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira
Na véspera do Natal, resolução do CONANDA abre as portas à prática do aborto no Brasil. Rejeitamos tal decisão favorável ao aborto em menores de idade, sem limite de tempo, desrespeitando o direito dos pais, dos médicos e a moral cristã.
Na
antevéspera do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Brasil foi surpreendido
por uma resolução do CONANDA (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do
Adolescente) a favor do pecado do aborto realizado em menores de idade.
O CONANDA é integrante da estrutura básica do
Ministério dos Direitos Humanos do atual Governo do PT.
Ao final das deliberações, os conselheiros se
saudaram com “Feliz Natal”, enquanto aprovavam uma Resolução que buscava
garantir o chamado “aborto legal” a menores de idade, sem a necessidade do
consentimento dos pais ou de seus representantes legais e, em alguns casos, até
mesmo em oposição à vontade deles.
Para o CONANDA, de forma contraditória, uma criança
que ainda não tem maturidade biológica ou psicológica para ser mãe, seria
madura o suficiente para decidir pelo aborto, ocasionando a morte de um outro
ser humano ainda não nascido.
Ademais, os Hospitais católicos seriam obrigados a
realizar o aborto e o médico, mesmo desconfiando de que a gestante estivesse
mentindo sobre ter sofrido violência sexual, não poderia deixar de realizar o
aborto.
Causa profunda dor, especialmente entre os
católicos, a grave omissão da CNBB, cujo representante não participou da
votação, permitindo que a resolução fosse aprovada sem sua manifestação.
Convém lembrar que o Concílio Vaticano II, em sua
constituição pastoral Gaudium et spes
(7 de dezembro de 1965), condenou o aborto como um crime abominável.
Nos últimos 25 anos, o aborto foi sendo gradualmente
implantado no Brasil através de interpretações judiciais, à revelia do processo
legislativo.
Em uma democracia, cabe ao Congresso votar Leis e ao
Poder Judiciário julgar os casos segundo as leis aprovadas. Todavia, não houve
alteração legislativa na lei do aborto desde 1940, apenas resoluções, normas
técnicas ou decisões judiciais.
O Código Penal, de 1940, tipifica o aborto como
crime, não o punindo em duas situações (gravidez resultante de estupro e risco
de vida da mãe). Posteriormente, há cerca de dez anos, o STF incluiu uma
terceira situação em que o crime de aborto não é punido (fetos anencéfalos).
Até 1998, o aborto não era realizado em nenhum
hospital do Brasil. Em 1998, o então Ministro da Saúde de Fernando Henrique
Cardoso, José Serra, publicou uma “norma técnica” autorizando o aborto no
Brasil nos casos em que o Código Penal não punia. Por uma “interpretação” feita
através de uma norma técnica que não tinha nem sequer o valor de uma lei, o
“crime não punido” passou a ser um direito, ao qual se deu o nome de “aborto
legal”.
De lá para cá, a situação foi sendo gradualmente
ampliada.
A esquerda, que hoje diz defender a Democracia,
diante do crescimento da Opinião Pública conservadora no Brasil, decidiu mudar
de estratégia e contornar o processo legislativo.
Apenas a título exemplificativo, elencamos algumas
das absurdas deliberações do CONANDA (a numeração dos artigos pode ser alterada
até a publicação oficial da resolução):
1)
A criança ou adolescente, vítima de violência sexual, deve ser informada “sobre a interrupção da gestação” mesmo
na “ausência dos pais ou do representante
legal” (Art. 8º. §3º)
2)
“O aborto legal é um direito humano
de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual” (Art. 9º.) (Grifos
nossos).
3)
Nenhuma notificação ou comunicação, seja ao Conselho Tutelar ou à autoridade
policial, podem, “em hipótese alguma, ser
impostas como condições para o acesso a serviços e procedimentos de saúde”
(Art. 14). Ademais, na mesma linha, “O
atendimento de saúde deve ser assegurado independentemente da comunicação
tratada neste dispositivo” (Art. 17, parágrafo único).
4)
A mesma criança que deve ser amparada e protegida pelo CONANDA por sua
vulnerabilidade, é considerada capaz de uma autonomia em relação à própria
família e ao Estado: “É dever do Estado,
da família e da sociedade respeitar a autonomia de crianças e adolescentes em
relação ao exercício de seus direitos, abstendo-se de qualquer ato que
constranja, ameace ou provoque medo, vergonha ou culpa em decorrência da
decisão de interromper a gestação ou de realizar a entrega protegida” (Art.
21).
5)
Os pais seriam contactados se houvesse “concordância
da criança ou adolescente”, mas não necessariamente para que os pais
decidam sobre o procedimento do aborto, mas para que possam “acompanhar o atendimento, receber as
devidas informações” (Art. 24).
6)
Se a criança tiver capacidade de “tomada
de decisão” (a resolução não especifica quem será o responsável por atestar
essa capacidade, mas deixa claro que não são os pais), o “profissional deve garantir que o procedimento de escuta, manifestação
da vontade e quaisquer outros tratamentos ou cuidados, devidamente
consentidos, sejam realizados sem qualquer impedimento” (Art. 25).
(Grifos nossos).
7)
Se houver divergência entre a vontade dos pais e da criança e a situação chegue
ao Poder Judiciário, a resolução do CONANDA chega ao absurdo de tentar orientar
a decisão dos juízes, garantindo à criança, que seu caso seja analisado “a partir de sua vontade manifestada..., que
reconhece a condição de sujeitos de direitos de crianças e adolescentes, abstendo-se
de atos que deem prevalência à vontade dos pais ou responsáveis legais em
detrimento da vontade manifestada pela criança ou adolescente...” (Art.
28, IV). (Grifos nossos)
8)
Para deixar mais patente a virtual abertura do aborto no Brasil, bastando a
palavra da vítima para ter acesso ao aborto em decorrência de violência sexual,
o CONANDA afirma, em sua resolução: “O
acesso à interrupção legal da gestação não dependerá: da lavratura de boletim
de ocorrência, de decisão judicial autorizativa do procedimento, da comunicação
aos responsáveis legais quando isso puder ocasionar danos à criança ou
adolescente” (Art. 31).
9)
O aborto pode ser realizado até os nove meses de gestação: “O limite de tempo gestacional para a realização do aborto não possui
previsão legal, não devendo ser utilizado pelos serviços como instrumento de
óbice para a realização do procedimento” (Art. 32).
10)
Hospitais católicos ou confessionais, que se oponham ao aborto, não podem se
negar ao procedimento: “A objeção de
consciência é um direito individual que não pode ser alegado por instituições
que prestam serviços de saúde” (Art. 34).
11)
O médico que desconfiar da adolescente gestante que alegar ter sofrido
violência sexual, não poderá alegar essa desconfiança para se abster de
realizar o aborto: “Configura conduta
discriminatória, inapta de ser caracterizada como objeção de consciência, a
recusa em realizar a interrupção da gestação com base meramente na descrença em
relação à palavra da vítima de violência sexual” (Art. 34, §1º).
Essa resolução, votada na antevéspera de Natal,
mostra até onde a esquerda quer levar o nosso querido Brasil, a Terra de Santa
Cruz.
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"Matança dos Inocentes" (ordenada por Herodes), quadro de Duccio Di Buoninsegna (1308), Museu dell'Opera del Duomo (Siena, Itália). |
Quando nascia Nosso Senhor Jesus Cristo, cuja festa
comemoramos neste dia 25 de dezembro, um personagem de nome Herodes ficou
marcado na História por ter ordenado a morte dos inocentes.
Arrancados dos braços de suas mães, essas crianças
verteram seu sangue como consequência de uma sociedade que já não valorizava a
Moral, mas o prazer e o poder.
O Brasil, corrompido por essa mesma mentalidade, se
aproxima mais do paganismo do que do Cristianismo.
Mas é nas grandes decadências, como essa que
atravessamos, que a História mostra as grandes ressurreições.
Estamos no Natal d’Aquele que é a Luz do Mundo.
Diante de seu Presépio peçamos, por meio de Nossa Senhora Aparecida, as graças
necessárias para não apenas permanecermos fiéis, mas para defendermos a sua Lei
contra as artimanhas que se abatem sobre nossa nação.
Em breve, temos a certeza, as trevas desse
neopaganismo serão vencidas pela Luz de Cristo que já começa a brilhar em
incontáveis almas que se voltam para a verdadeira Fé, do Verdadeiro Deus,
nascido da Virgem Maria em Belém.
São
Paulo, 24 de dezembro de 2024
Frederico
R. de Abranches Viotti
Diretor
de Comunicação
Instituto
Plinio Corrêa de Oliveira
27 de dezembro de 2024
NATAL DE UM CHOUAN
✅ Paulo
Henrique Américo de Araújo
De 1793 a 1800, a região de Fougères, no nordeste da França, foi palco da luta épica dos Chouans — camponeses que se levantaram contra a Revolução Francesa em defesa da Monarquia e da Igreja. Numa noite de inverno de 1795, uma coluna de militares da República revolucionária caminhava por uma trilha através de uma floresta.*
Estavam entediados e cansados pelo peso
das mochilas e mosquetes que carregavam nas costas. Levavam como prisioneiro um
camponês, um jovem chouan, que tinha tentado emboscá-los. O camponês,
depois de atacar os revolucionários com seu mosquete, havia sido capturado e
desarmado. Ele ia sendo puxado pelos militares: mãos amarradas, semblante
desolado. Dois soldados amarraram cordas em seus pulsos e por aí o mantinham
preso.
Na encruzilhada de Servilliers, o
sargento ordenou uma parada. Os homens, exaustos, empilharam suas armas e
jogaram suas mochilas na grama. Juntaram galhos e folhas secas com as quais
fizeram uma fogueira no meio da clareira. Ao mesmo tempo, dois deles amarraram
o camponês a uma árvore.
O chouan atentamente observava
tudo a sua volta. Não tremia, nem dizia uma palavra, mas a angústia
transparecia em suas feições: a morte se aproximava.
Sua apreensão foi notada por um dos Azuis, como eram conhecidos os soldados
da Revolução. Este homem havia sido destacado para ficar de olho no
prisioneiro. Era um adolescente magro, com uma língua zombeteira e cortante.
Ele provocou o prisioneiro, dizendo com forte sotaque parisiense:
— Não tenhas medo, rapaz! Não morrerás
agora; tens ainda seis horas de vida...
Suas palavras foram interrompidas por
uma voz sonora e áspera do outro lado da clareira.
— Amarre-o bem, Pierre! Não podemos
deixá-lo escapar!
— Não te preocupes, Sargento Torquatus,
vamos levá-lo inteiro para o general!
Então o rapaz voltou às zombarias:
— Olhe, seu cão, não penses que serás
tratado como aqueles nobres. Faltam guilhotinas na República. Tu receberás tua
cota de balas de chumbo: seis na cabeça e seis no peito!
O camponês ficou quieto como se não
estivesse ouvindo, um olhar impenetrável se instalou em seu rosto.
Após aquele dito, o soldado Pierre
sentou-se ao lado de seus companheiros perto do fogo e começou a limpar o
mosquete. Tomou uma bala e, segurando-a entre os dedos, disse ao camponês:
— Vês isto, irmãozinho? Esta é para ti!
– E colocou a bala na culatra.
Todos começaram a rir, cada um tentando
superar o outro naquele jogo macabro de tormentos ao infeliz prisioneiro.
— Também tenho uma boa reserva de chumbo
para ti! – vociferou outro.
— Tu ficarás igual peneira – gargalhou o
Sargento Torquatus.
O camponês permanecia calmo e em
silêncio, sob aquela torrente de ameaças. Parecia ouvir sons distantes que os
gritos e risadas dos soldados impediam-no de discernir bem. De repente, abaixou
a cabeça, pensativo. Das profundezas da floresta, ecoava o som de sinos tocando
através da noite. Soava alto e claro ao seguir a brisa fria. Então o vento
mudou para o norte, e imediatamente outro sino, de tom mais profundo, começou a
soar. Logo outro — mais melodioso — se juntou a este vindo da direção oposta.
Os Azuis ficaram em silêncio,
surpresos e apreensivos. Também se esforçavam para ouvir.
— O que é isso? – perguntou o sargento. Por que os sinos estão tocando?… Será um sinal?… Os rebeldes devem estar soando o alarme!
Então, começaram a imprecar o prisioneiro e a gritar uns com os outros. Vários deles pegaram em armas. O camponês levantou a cabeça e, olhando-os serenamente, disse:
— É Natal.
— É o quê? – perguntou o sargento.
— Natal... Estão tocando os sinos para a
Missa do galo.
Os soldados perceberam sua própria
tolice e começaram a xingar e resmungar. Depois ficaram em silêncio, enquanto
tomavam seus lugares de novo ao redor do fogo. Por um tempo, ninguém falou.
Natal… Missa do galo… Havia muito que eles não ouviam essas palavras. Isso
despertava vagas lembranças de épocas mais felizes, de ternura de há muito
esquecida, de paz.
Com as cabeças baixas, eles ouviram
aqueles sinos que lhes falavam um idioma esquecido. O Sargento Torquatus largou
o cachimbo, cruzou os braços e fechou os olhos como quem saboreia uma sinfonia.
Então, envergonhado por esse sinal de fraqueza, virou-se para o prisioneiro e
perguntou em tom rude:
— Tu és desta região?
— Eu sou de Coglès, não muito longe
daqui.
O sargento se interessou — Então há
padres na tua cidade?
— Os Azuis
não conquistaram tudo... Do outro lado do rio ainda há liberdade. Não podes
ouvir? O sino de Parigué que está tocando agora. O outro mais fraco é do
castelo de Bois-Guy. E o mais distante é o sino de Montours. E com o vento
favorável, poderíamos até ouvir o grande sino de Landéans.
Um dos soldados, chamado Gil, tinha
ficado em silêncio, enquanto os outros provocaram o chouan. Ouvia tudo
atentamente e parecia comovido. Os outros, após um momentâneo sentimento de
ternura, já tinham fechado seus corações.
Naquele momento, vindo de todos os
lados, o badalar dos sinos de aldeias distantes podia ser ouvido. Era uma doce
melodia que aumentava e diminuía de acordo com a brisa.
Gil abaixou a cabeça e escutou. Pensava
no passado... Lembrou-se da igreja de sua aldeia natal, resplandecente com
velas acesas, a manjedoura com seus belos adornos, onde cintilavam pequenas
lâmpadas vermelhas e azuis. Recordou-se dos alegres hinos de Natal, cantados
por gerações. Músicas inocentes, tão antigas como a França, falando de
pastores, flautas, estrelas e crianças; de paz, perdão e esperança... Ele
sentiu seu coração apertar com o calor dessas imagens gentis que ele havia
abandonado por tanto tempo.
Os sinos continuaram a tocar de longe.
Torquatus ordenou que todos dormissem e colocou Gil no primeiro turno de
vigília. Os Azuis, exaustos pela
refrega do dia e desejando esquecer o som daqueles sinos que lhes trouxeram
tantas memórias de suas infâncias felizes, adormeceram.
O fogo ainda crepitava... Apenas Gil e o
chouan estavam acordados. O azul
aproximou-se do chouan amarrado.
— Tu sabes? – disse o soldado – De onde
eu venho costumávamos fazer uma manjedoura enorme na igreja e colocávamos o
Menino Jesus lá cercado por Nossa Senhora e São José.
E então disse:
— Tu queres ir embora?
— E tu? Eles vão te executar.
— Eu irei contigo. Estou farto dessa
maldita República! Eu fui forçado a me alistar. Minha família é católica. Em
casa, desde os meus primeiros dias, eles me ensinaram a respeitar o Rei.
— Então venha comigo,
– respondeu o chouan. – Torna-te fiel outra vez. Vou levar-te a um padre
para que possas te confessar. Juntos, lutaremos por Nosso Senhor Jesus Cristo e
pelo Rei.
O azul não disse mais nada. Tomou uma faca e cortou as cordas que
prendiam o prisioneiro. Não demorou muito para que ambos escapassem por meio da
escuridão da noite.
Não se podia mais ouvir os sinos ao
vento, mas eles continuaram a soar nos corações dos dois homens. Era Natal!
____________
*
Adaptado de: https://www.returntoorder.org/2016/12/the-christmas-of-a-Chouan/?pkg=xpmasport , com base na obra “Legendes de Noel – Contes Historiques” do
historiador francês G. Lenôtre (pseudônimo de Théodore Gosselin Lenotre,
1857-1935).
Fonte: Revista Catolicismo, dezembro/2024
26 de dezembro de 2024
“Pousadas”: tradição mexicana que ilumina o Natal
No Natal, piedoso costume mexicano faz reparação à recusa de hospedagem feita a São José e a Nossa Senhora em Belém
✅ Luis Dufaur
A doçura e as alegrias de Natal contrastam com a dureza da recusa a São José e à Santíssima Virgem quando pediram pousada em Belém, a cidade do rei David, fundador da estirpe da Sagrada Família.
São
José bateu à porta da hospedaria explicando que sua esposa estava prestes a dar
à luz. Responderam-lhe que não havia lugar. Ele bateu em outras portas, mas
ninguém se apiedou da humildade da alta nobreza empobrecida, mas que era
daquela cidade e pedia em grande necessidade.
Na
fria noite de inverno, só lhes restou irem se abrigar numa gruta que era refúgio
de animais!
Em Jerusalém, cidade enriquecida pelas ofertas ao Templo para atrair a vinda do Messias, onde residiam as maiores figuras do povo hebraico como o Sumo Sacerdote, o Sinédrio, o rei usurpador Herodes, a classe sacerdotal e os ricos comerciantes, nem pensavam que o Messias estivesse por nascer em Belém, como deveriam saber pelos anúncios dos profetas.
Isaías
assim profetizara tal insensibilidade: “O
boi conhece o seu proprietário, e o asno o estábulo do seu dono; mas Israel não
conhece nada, e meu povo não tem entendimento. Ai da nação pecadora, do povo
carregado de crimes, da raça de malfeitores, dos filhos desnaturados!
Abandonaram o Senhor, desprezaram o Santo de Israel, e lhe voltaram as costas”
(Isaías 1, 3-4).
Nosso
Senhor Jesus Cristo deveria ter nascido em alguma dependência do Templo, ou o
rei deveria ter-lhe cedido seu palácio. O Menino Jesus deveria ser aclamado
pela nação inteira. Nada disso aconteceu, e o divino recém-nascido foi
depositado numa manjedoura, cumprindo-se a profecia de Simeão de que Ele seria
a pedra de escândalo para a perdição e salvação de muitos, e para que se
conhecessem as cogitações ocultas dos corações (Lc 2, 34-35).
Natal
transmite a santa alegria
A
Sagrada Família, entretanto, nem parecia incomodada por essa recusa. Pelo
contrário, ninguém poderia imaginar a alegria de Nossa Senhora e de São José
junto àquele misérrimo — e quão glorioso! — presépio da gruta de Belém. Eles
adoravam o Menino recém-nascido, Filho d’Ela e Filho de Deus, a divindade
encarnada na natureza humana, o Messias anunciado havia séculos!
Nele
viam o executor de tudo o que foi prometido aos profetas: a Redenção do gênero
humano, a fundação da Santa Igreja, a expansão da civilização cristã em todos
os continentes ao longo de todos os séculos.
Nossa Senhora chamou alguns para participar da sua sacrossanta alegria na Santa Gruta de Belém. A começar pelos três santos pastorinhos e, pouco depois, pelos três Reis Magos que vieram do Oriente guiados por uma maravilhosa estrela.
Não
há na Terra gáudio mais autêntico do que a alegria do Natal, porque nele o amor
religioso toca o mais profundo dos corações. E esse amor, se é autêntico,
inspira ódio ao mal, pois do contrário não seria verdadeiro. Prova é que hoje os
corações endurecidos renovam sua rejeição ao Santo Casal com um Natal comercial
que profana a sublimidade desse grande acontecimento.
Reparação
das “pousadas”
É
oportuno indagar se não há almas sensíveis que pelo menos com um simples gesto
reparem a dureza de coração — “não havia
lugar para eles na estalagem” (Lc 2, 7) — que fechou portas ao augusto
casal.
Reconforta-nos
na Fé, no amor e na alegria natalina uma bela tradição do México católico. Pois naquela grande nação os bons católicos fazem uma celebração
religiosa reparando a cruel recusa de Belém e do povo eleito em geral.
São as “pousadas”. Trata-se de uma piedosa novena de festas populares, celebradas de 16 a 24 de dezembro, para dar à Virgem Maria e a seu castíssimo esposo a acolhida que não lhes foi dada antes do nascimento de Jesus.
Essa prática foi introduzida em 1587 pelo Frei
Diego de Soria, superior do convento de Santo Agostinho de Acolman, com
aprovação do Papa Sisto V. Posteriormente ela se expandiu para vários países da
América Central, tendo sido levada pela migração até os EUA, onde é hoje muito
praticada.
No que consistem as “pousadas”?
Elas formam uma procissão de 10, 15, 20 ou mais
casais acompanhando São José e Nossa Senhora prestes a
dar à luz, batendo nas portas das casas pedindo pousada.
Meninos
e meninas chamados de “pastores” se formam em duas alas, uma para elas e outra
para eles. Na noite de 24 de dezembro, vestindo uma roupa especial que evoca os
tempos do império espanhol e usando chapéus decorados, tocam um chocalho,
dançam e cantam para o Menino Jesus no portal de Belém.
Cada
criança recita um verso enquanto oferece um presente na festa. O conjunto
chama-se “pastorela”, pois leva alguma reprodução de São
José e da Virgem no tradicional burrico à procura de hospedagem pelas vielas de
Belém. Ou até uns figurantes representando-os.
Os peregrinos batem à porta de uma casa —
previamente combinada — entoando a primeira das 12 estrofes tradicionais do
pedido de pousada que, embora variem um pouco em cada lugar, dizem: “Em nome do Céu / peço-te pousada / porque
minha amada esposa não pode andar”.
O grupo dentro da casa então nega o ingresso: “Aqui não é pousada / continua / não posso
abrir para ti / pode ser que sejas um ladrão”.
Inicia-se uma troca verbal de alguns minutos. Os
peregrinos insistem: “Não sejas inumano,
/ tem caridade. / O Deus dos Céus / vai te premiar /. Peço-te uma pousada /
senhor querido / porque a Rainha do Céu vai ser Mãe”.
A resposta é sempre negativa: “Podem ir embora logo e não incomodar mais / porque se ficar bravo vou
te bater”.
Nada desanima os fiéis na rua. que dizem em coro: “Chegamos esgotados de Nazaré, / eu sou o
carpinteiro de nome José”.
E o retorno é ainda um menosprezo: “Pouco me importa o nome, / deixa-me dormir,
/pois eu te digo que não vou abrir”.
E mais uma vez, a insistência: “Pousada te pede, amado caseiro, / por só uma noite, a Rainha do Céu”.
Ante essas palavras o coração duro diz: “Pois bem, se é uma Rainha que solicita /
como é que anda tão sozinha na noite?”
E a resposta: “Minha
esposa é Maria, /é Rainha do Céu, /e vai ser Mãe do Verbo Divino”.
De dentro se ouve cantar: “És tu José? Tua esposa é Maria? / Entrai, peregrinos, /não vos
conhecia”.
Na rua, então, entoam: “Deus te pague, senhor, pela tua caridade / e te encha o Céu de
felicidade”.
Do interior da casa as vozes se aproximam:
“Ditosa a casa que neste dia hospeda / a
Virgem pura, a formosa Maria”.
Quando as portas se abrem, todos entoam em coro: “Entrai, Santos Peregrinos, /aceitai esta
casinha que, apesar de pobre morada, / vos dou de coração”.
A “pastorela”, ou procissão, ingressa na casa
precedidos pelo
“mistério” — imagens de Jesus e Maria, ou pessoas fantasiadas representando-os,
e até um anjo e um burrinho, segundo a piedosa fantasia.
A
oração, a “pinhata” e a festa
Todos juntos então rezam um terço, entoam ladainhas e/ou canções natalinas. Depois servem-se frutas da estação, como tangerinas, cana-de-açúcar e tejocotes (pequenas maçãs locais), além de doces e amendoins, um quentão — nesta época faz frio na região — feito com frutas como goiaba, cana-de-açúcar, maçã e canela. Variam de acordo com cada receita de família e com o toque pessoal de quem prepara a bebida.
Chega então o momento preferido das crianças. Elas
devem destruir a “pinhata”, que consiste num pote de barro, ou papelão com uma
estrutura de arame forrada de papel machê intensamente colorido.
Ela
deve ter o formato de uma estrela de sete pontas em que cada uma representa um
pecado capital, ou o próprio diabo, que com suas cores vivas e enfeites seduz a
alma inocente, levando-a ao pecado.
Cada
criança com os olhos vendados representa o fiel que, embora sem ver, com a
virtude teológica da fé derrota o pecado recuperando o dom sobrenatural da
graça. Com um bastão na mão, símbolo do poder do próprio Deus que dá forças
para vencer as tentações, procura acertar golpes na “pinhata” pendurada do
teto. Antes de começar, as crianças são viradas três vezes, em memória dos
trinta e três anos que Cristo viveu.
Quando alguma criança acerta e quebra a “pinhata”,
todos celebram a vitória do Bem sobre o Mal. Então chovem sobre as crianças guloseimas,
doces e frutas de que a “pinhata” está repleta, simbolizando as graças e os dons de Deus que
nos irriga com seu amor e que, ao destruir o mal, obtém para nós as bênçãos do
Céu. Em certas cidades, a tradição manda reproduzir a cena no átrio da igreja,
reunindo todos os habitantes da vila ou comunidade, mudando as famílias a cada
dia da novena. As famílias são responsáveis por oferecer a cada um dos
participantes frutas da época, doces, bebidas e alguns petiscos.
Por fim, no final da “pousada”, há troca de lembranças na forma de saquinhos com doces, frutas e salgadinhos.
____________
Fonte: Revista Catolicismo, dezembro/2024
25 de dezembro de 2024
O MARAVILHOSO ESPLENDOR DAS CERIMÔNIAS NATALINAS DE OUTRORA
A sublimidade dos costumes de Natal da Santa Igreja Católica Apostólica Romana que tanto atraíam os fiéis do mundo inteiro
Visitando Roma num abençoado dia 25 de
dezembro de 1841, Mons. Jean-Joseph Gaume1, escritor francês,
católico contra-revolucionário, ficou extasiado com a magnificência das
cerimônias natalinas que teve a graça de presenciar nas Basílicas de São Pedro
e de Santa Maria Maior.
Na primeira basílica, o Monsenhor assistiu,
por exemplo, a Missa Pontifical da Noite de Natal e o tradicional costume da
bênção da espada e da armadura, símbolos da disposição do católico de lutar por
Deus, pela Igreja e pela ordem na sociedade; na segunda, ele pôde contemplar o
próprio Presépio no qual nasceu o Menino Jesus. Esse verdadeiro e eternamente
venerável Presépio, do qual podemos dizer que foi o berço da civilização
cristã, fica exposto nessa monumental basílica na chamada “Cripta de Belém”.
Os atos solenes que tanto empolgaram Mons.
Gaume, infelizmente se desvaneceram em nosso século, muitos deles até mesmo se
extinguiram. Tudo causado pelo sinistro processo de “autodemolição da Igreja”,
acelerado sobretudo a partir do Concílio Vaticano II. Com isso, a pompa
praticamente desapareceu dos ambientes da Santa Igreja, bem como do mundo.
Em nome de uma demagógica defesa dos pobres
— mais propriamente de uma pobreza miserabilista, tipo comunismo cubano —, “teólogos
da libertação” como que excomungaram o esplendor que irradiava da Igreja e que
tanto atraía os fiéis do mundo inteiro, inclusive os mais pobres, justamente
aqueles que lotavam as igrejas para se encantarem com a suntuosidade das
cerimônias católicas, como aquelas que se realizavam na Semana Santa, em Corpus
Christi, no Natal etc.
Nós, pobres mortais do triste e apagado
século XXI, neste mundo neopagão, no qual fomos privados da graça de assistir
às cerimônias de outrora, poderemos sentir seus perfumes lendo a narração que o
autor fez das que ele presenciou na Cidade Eterna em meados do século XIX,
durante o glorioso Pontificado do grande Papa Pio IX.
As saudades de coisas católicas de um tempo
que não conhecemos, poderão antecipar os planos de Deus para a restauração da
Cristandade de um modo nunca visto na História. Entre outras razões, este é o
objetivo que almejamos com a transcrição2
que nas páginas seguintes oferecemos aos nossos leitores neste Natal de 2024.
Redação de Catolicismo
1. Mons. Jean-Joseph Gaume (1802–1879) foi um teólogo francês, autor numerosos livros tratando de teologia, história e educação. Cavaleiro da Ordem Reformada de São Silvestre, membro da Academia da Religião Católica de Roma, Doutor em teologia da Universidade de Praga, membro de diversas sociedades de eruditos, vigário-geral da Diocese de Nevers, vigário-geral honorário de várias dioceses, recebeu do Papa Pio IX, em 1854, o título de Protonotário Apostólico.
2. As Três Romas, Diário d´uma viagem à Itália, Mons. Jean-Joseph Gaume, Porto, Tipografia de Francisco Pereira d´Azevedo, 1857, tomo primeiro, pp. 297 a 313.
MONUMENTAIS E BELAS TRADIÇÕES DE NATAL
O
belo dia de Natal, dia que eu tanto havia desejado ver em Roma, se mostrou tal
qual eu gosto dele para estar em harmonia com a festa.
Na França e nos países do Norte, quero que ele seja
muito frio, muito glacial; que as estrelas cintilem no azul do firmamento; que
a neve estale debaixo dos pés, a fim de excitar nos corações a mais terna, a
mais viva compaixão do Infante divino que tirita e chora sobre a palha, no seu
berço exposto aos quatro ventos.
Em Roma e nos países quentes, na falta de gelo e neve,
quero um nevoeiro mais ou menos espesso, mais ou menos penetrante, e chuva mais
ou menos fria, mais ou menos abundante: fomos servidos como desejávamos.
Às oito horas estávamos no Vaticano. Seja-me permitido
dizê-lo em elogio da nossa curiosidade, nós fomos lá dos primeiros. Ora, naquele dia, está combinado que não
se vai a São Pedro para rezar, mas para contemplar; a menos que contemplar não
seja também rezar, o que eu creria de boamente, ao menos para o católico
respeitoso que assiste às cerimônias papais. Seja o que for, nós nos pusemos a
contemplar. O primeiro objeto que nos chamou a atenção foram os alabardeiros do
Papa, uma companhia dos quais entrou pouco depois de nós e foi tomar posição
defronte do altar da Confissão de São Pedro, a fim de guardar o recinto
reservado. Nada mais pitoresco e gracioso que o seu uniforme: calções pretos,
vermelhos ou amarelos; couraça redonda da Idade Média, com braçais articulados;
gargantilha em volta do pescoço, capacete redondo de aço, coroado de um penacho
vermelho; largo talabarte amarelo, e longa alabarda à antiga; dir-se-ia a
ressurreição dos tempos cavalheirescos.
Tradições da Santa, Una e Imortal Igreja
Este espetáculo tão novo serviu de tema às seguintes
reflexões: Vede como Roma é essencialmente conservadora! Percorram-se todos os
Estados da Europa, em nenhuma parte se encontrará, a não ser talvez no pó dos
museus, este traje de um tempo que já não existe. Só a cidade eterna o conserva
e expõe à luz do dia como uma página de história que cada qual pode ler. Mais
de uma vez, sem dúvida, os viajantes almiscarados do século passado deviam de
sorrir à vista deste imutável e gótico uniforme; mas o inteligente artista da
nossa época o admira e estuda, em tanto que o cristão abençoa o pensamento que
preside à sua conservação.
Este pensamento romano manifesta-se por toda a parte,
assim nas pequenas coisas como nas grandes. Essas Ordens religiosas, cujos
filhos póstumos percorrem as ruas e ruínas da cidade pontifical, tais, por
exemplo, como os Trinitários e os cavaleiros de Malta, que são aos olhos do
observador, senão a tradução viva do mesmo pensamento? Parece-vos que a lei devora
sancionar uma supressão já operada de fato: o vosso zelo vos desvaira. Como
Deus, Roma cria e conserva, mas não destrói; guarda todas estas ordens caducas
como as relíquias de um passado venerável, como os anéis da cadeia tradicional.
Verdade é que o Trinitário já não irá a Tunes levar o resgate dos cativos,
porém resgatará outros prisioneiros, os do pecado; trabalhará no ministério das
almas. Do mesmo modo, o cavaleiro de Malta já não desembainhará a sua gloriosa
espada contra o maometismo, mas desempenhará junto do chefe da cristandade
nobres funções, no enquanto os perigos da fé ou os interesses da humanidade não
o chamam a novos combates.
O mesmo espírito de conservação se manifesta nos
monumentos da Antiguidade. Se a Áustria, a França, a Inglaterra, a Rússia, ou
qualquer outro povo fosse senhor de Roma por 50 anos, é muito de recear que
tudo ali fosse transtornado. O gênio de cada povo, a atividade de uns, a
incúria dos outros, as colisões políticas, o espírito mercantil e industrial
comprometeria rapidamente a existência da maior parte das ruínas monumentais.
Sob a guarda da Igreja não tem elas nada a temer. O mais cativo, o mais
inteligente gênio da conservação vela por elas; e Roma é sempre um incomparável
museu onde os costumes e as coisas de todos os tempos, cuidadosamente
conservados, são oferecidos ao estudo e à admiração do mundo inteiro.
Daqui nasce involuntariamente uma reflexão mais alta:
não se deve duvidar; este espírito de conservação é evidentemente providencial,
e a Igreja que o manifesta parece dizer a seus filhos: “Se eu emprego tantos cuidados em salvar do olvido e da destruição usos
e monumentos de um interesse secundário, qual pensais que deve ser a minha
solicitude para conservar intacto o depósito sagrado da fé? Confiai na vossa
Mãe; ela nada deixará perecer do vosso divino patrimônio”.
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O Grande Cerco de Malta por Charles-Philippe Larivière (1798-1876). Sala das Cruzadas, Versalhes. No centro, com a espada na mão, o heroico Grão-Mestre da Ordem de Malta, Jean Parisot de la Valette |
Na Igreja, a
beleza dos mistérios que nos atraem
O tempo havia fugido, eram mais de nove horas; a
Basílica de São Pedro tinha-se enchido de uma multidão imensa, quando um tiro
de peça anunciou a partida do Santo Padre. Saindo dos seus quartos, o augusto
ancião desceu, pela escada interior do palácio, a uma capela lateral da Igreja.
Brevemente se viu, dominando todas as cabeças, com pálio brilhante de ouro e
seda, depois dois largos leques da maior beleza, gloriosa recordação da
magnificência imperial; e debaixo desse pálio, assentado na Sedia gestatória [troneto
portátil utilizado para levar os Papas], resplandecente de ouro e púrpura, o
Vigário de Jesus Cristo, com a tiara na cabeça, glorioso emblema da sua tripla
dignidade de Pai, Rei e Pontífice.1
Caminhava majestosamente, levado aos ombros dos oficiais da sua casa, com
vestidos de cerimônia vermelhos.
O sacro Colégio abria a marcha, a guarda nobre formava
a ala e seguia o cortejo que veio parar diante de nós, por trás do altar da
Confissão de São Pedro. Depois de ter deposto a tiara e feito uma breve
adoração ao pé do altar, o Sumo Pontífice subiu a um trono colocado à direita,
entoou Terça,
tomou a mitra c se assentou. Por que sucede a mitra à tiara?
Esta misteriosa troca principiou para mim uma longa
série de enigmas cuja solução muito me atormentou o espírito. Compreendi bem
depressa que se o Santo Padre era Rei sobre a Sedia gestatoria, no altar
não era mais que Pontífice, e a substituição da mitra à tiara explicou-se por
si mesma. Porém dois novos hieróglifos me embaraçaram mui diversamente, um que
eu via, e outro que não via. O Santo Padre, o Bispo dos bispos, não trazia
bacilo; debalde procurei, mas este atributo distintivo do cargo pastoral não
figurava de modo algum entre as insígnias; por que é isto? Primeiro enigma.
Dois prelados domésticos, que precediam o Santo Padre,
traziam, um, uma soberba espada de punho de ouro, stocco; outro, um chapéu
ducal, cimeiro,
de veludo carmesim, forrado de arminho, ornado de pérolas e cercado de um
cordão de ouro com uma pomba no meio, símbolo do Espírito Santo; a espada e o
chapéu foram depostos no canto do altar, onde se conservaram durante a Missa:
por que é tudo isto? Segundo enigma.
Procurei em torno de mim algum Édipo capaz de me
explicar estes dois mistérios: os meus esforços não tiveram bom êxito. A Missa
começou, continuou, acabou; e aquele chapéu, aquela espada, aquele báculo, não
me saíram da cabeça. Confesso a minha distração; para a expiar, condenei-me a
longas investigações sobre a causa que a produzira, e a fim de poupar a mesma
pena àqueles que viessem depois de mim, vou dar a explicação dos dois enigmas.
Em nome de São Pedro, uma ressurreição
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Relíquia de São Materno (tesouro da Basílica de Nossa Senhora, em Liège, Bélgica) |
O pontificado de São Pedro em Roma durou 25 anos. Posto que as nossas histórias galicanas não nos dizem coisa alguma dos trabalhos do Apóstolo durante esta longa permanência, sabe-se muito bem que ele não esteve de braços cruzados. Os antigos monumentos, os arquivos e as tradições das Igrejas da Itália nos falam a cada instante das viagens do pescador Galileu, dos missionários que ele enviou a todas as partes da Península e até além dos Alpes; tais, por exemplo, como São Fronte, à Aquitânia, e São Materno, à Germânia.2 Com este último, partiram para Trèves Santo Eucherio e São Valério, todos três discípulos do Príncipe dos Apóstolos. Ao cabo de 40 dias Materno morreu. Um dos seus companheiros de apostolado voltou a Roma a dar essa nova a São Pedro, e rogar-lhe enviasse um novo obreiro em lugar do defunto. O Apostolo contentou-se com lhe dizer: “Pegai o meu bastão, tocai com ele o morto e lhe direis da minha parte: Levantai-vos e pregai”. À ordem daquele cuja única sombra curava os doentes, operou-se o milagre: Materno saiu cheio de vida da sepultura, continuou a sua missão e veio a ser o segundo bispo de Trèves. Em memória eterna deste milagre, os sucessores de São Pedro não trazem bordão pastoral, exceto na diocese de Trèves, quando ali se acham.
Este fato, que nada tem de surpreendente quando se
conhece o miraculoso poder dos Apóstolos e a necessidade dos prodígios para
acreditar a fé nascente, repousa além disso em ilustres autoridades. Citarei só
duas; o Papa Inocêncio III, e São Tomás de Aquino — o primeiro foi o maior
homem do seu século, o segundo, a razão mais sã e forte da Idade Média.3 Feliz com a minha
descoberta, admirei de novo o espírito de conservação que faz a glória
particular da Igreja de Roma, e bendisse minha mãe por nos haver guardado, num
dos seus usos, a recordação dos fatos miraculosos realizados em torno do nosso
berço.
Tradição de Natal: o Papa abençoava uma espada e uma armadura
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O Papa Pio VIII (1829-1830), na Sedia Gestatoria, na Basílica de São Pedro — Emile Jean Horace Vernet (1829). Palácio de Versalhes, França. |
Esplendor da Missa Pontifical na Noite de Natal
Se, nestes usos preliminares, eu pudera ler uma página
da nossa bela Antiguidade, a missa pontifical me revelou quase inteira. Depois
da confissão aos pés do altar, o Santo Padre foi tomar lugar num trono
preparado no fundo do coro, imediatamente por baixo da cadeira de São Pedro. À
direita e à esquerda, sobre estrados forrados de vermelho, se assentavam os
membros do sacro Colégio: contei 24 de casula e mitra brancas ricamente
bordadas.
Por trás dos cardeais, viam-se os bispos, os chefes de
ordem e os prelados: por cima destes longos assentos havia duas ordens de
tribunas: as tribunas superiores, reservadas aos príncipes e embaixadores; as
outras, ocupadas pelas pessoas munidas de bilhetes. Não se pode dizer quão
grave, e verdadeiramente católico é este espetáculo.
Em memória da antiga união da Igreja oriental e da
ocidental, em testemunho perpétuo da catolicidade da fé que falou e deve até ao
fim falar todas as línguas, a epístola e o evangelho foram cantados primeiro em
latim por dois eclesiásticos de Roma, depois em grego por um subdiácono e um
diácono armênios revestidos com o seu magnífico traje oriental.
Aproximando-se o momento da consagração, o Santo Padre
desceu do seu trono. Depois do cumprimento do formidável mistério, o augusto
ancião pegou a santa Vítima, a imagem do Menino Jesus, em suas venerandas mãos,
e elevando-a acima da cabeça, apresentou-a aos quatros pontos do céu; depois,
antes de tornara colocá-la no altar, deu silenciosamente a bênção ao universo.
Aquele silêncio profundo, os cabelos brancos do Vigário de Jesus Cristo, todas
aquelas cabeças de príncipes e reis inclinadas até à terra, à vista da augusta
Vítima elevada entre o Céu e a Terra, tudo isto produz na alma uma impressão
que se é feliz em tê-la experimentado, porém que se não pode traduzir.
Antes da comunhão, o Santo Padre voltou ao seu trono;
viu-se o cardeal-diácono deixar o altar e trazer-lhe, precedido
de tochas, o adorável Corpo do Salvador. Neste momento solene toda a gente caiu
prosternada, até um inglês que eu tinha à minha direita. O Santo Padre
assentado, com as mãos juntas, a cabeça respeitosamente inclinada, tomou a
Santa Hóstia e administrou a comunhão a si próprio; depois, pegando noutra, a
ofereceu ao cardeal-diácono que comungou da mão do Vigário de Jesus Cristo. O
diácono voltou ao altar donde levou, com as mesmas cerimônias, o precioso
Sangue, de que o Santo Padre bebeu com um canudinho de ouro segundo o costume
da primitiva Igreja, depois do que o diácono absorveu o resto da mesma maneira.
Esta dupla comunhão ressuscita os primeiros tempos da Igreja e do mundo no
Pontífice assentado no seu trono, vede o Filho de Deus assentado no meio dos seus
Apóstolos e distribuindo-lhes o pão de vida; no diácono recebendo em pé o
Cordeiro divino, vede o Israelita, no momento de transpor o mar Vermelho,
comendo em pé e na atitude do viajante, o Cordeiro pascal, viático da sua
peregrinação e penhor do seu livramento.
A este espetáculo, a inteligência do cristão, o seu
coração, a sua existência toda, superabundam numa alegria doce, intima,
profunda: quatro mil anos de amor acabam de lhe passar por diante dos olhos.
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O próprio Presépio do Salvador exposto à veneração dos fiéis |
O verdadeiro Presépio exposto na Basílica de Santa
Maria Maior
Terminada a Missa, o Santo Padre foi reconduzido aos
seus quartos na Sedia gestatoria, do alto
da qual abençoava, ao atravessar a imensa basílica, o povo inumerável que
acudira para o ver. Todos os cardeais, com a mitra na cabeça, precediam o Sumo
Pontífice, seguido dos bispos, dos prelados e da guarda nobre, que fechava a
marcha. Muito nos custou a arrancar-nos daquelas tribunas donde havíamos
contemplado o mais belo espetáculo da nossa vida. Contudo força foi
descermo-las: como todas as alegrias deste mundo, a augusta pompa desaparecera.
Quando havíamos partido para São Pedro, tinham-nos
dito: “Não vos deixeis absorver em
demasia; tende cuidado; encontram-se inevitavelmente nas cerimônias papais
filhos de Rômulo apaixonados pelos lenços do seu próximo”.
Preocupados do que tínhamos visto, do que tínhamos
sentido, não sei como nos veio à lembrança, ao lançar-nos na multidão, tomar
certa medida de segurança. Graças a Deus, nenhum de nossos vizinhos se achou no
pré-citado caso e saímos sãos e salvos com armas e bagagens.
Livres dos gatunos, caímos nas mãos dos vetturini. A chuva
continuava a cair a torrentes: em Roma, como em Paris, em dia de festa e de mau
tempo, os coches são reis. Depois de termos por muito tempo esperado,
procurado, suplicado, encontramos por fim uma dessas majestades populares, que
teve por bem obrigar-se a conduzir-nos à casa mediante cinco paulos e meio. De
tarde, foi-nos de novo necessário implorar aos potentados dos becos; porque as
cataratas do céu estavam sempre abertas, e nós queríamos a todo o custo visitar
Santa Maria Maior [foto abaixo]. Naquele dia somente o próprio Presépio do Salvador fica exposto
à veneração dos fiéis.
Eram cerca de quatro horas quando chegamos à Basílica
Libéria [Santa Maria Maior]. Segundo o antigo costume, o Sumo Pontífice cantava
lá as vésperas; mais de mil tochas iluminavam a Igreja e faziam-lhe cintilar os
dourados; nunca o ouro do Novo Mundo brilhou com um fulgor mais vivo.
Terminado o ofício, a guarda pontifical faz evacuar a
Igreja, cujas portas são fechadas. Só ficam nela um pequeno número de
escolhidos: nós fazíamos parte dele, graças a um de nossos amigos. Mais um
pouco, e vai nos ser dado ver com os nossos olhos o próprio Presépio de Belém,
tocante testemunho do amor de um Deus feito nosso irmão.
Desde o princípio, rodearam os cristãos da Judéia dum
respeito e de um culto solícito os lugares e os objetos santificados pela
presença ou pelo toque do Salvador. Na medida em que o Evangelho estendia as
suas conquistas na Palestina, conduzia ao reconhecimento e à fé multidões
numerosas de peregrinos idos do Oriente e do Ocidente. A imperatriz Santa Helena
para lá se dirigiu em pessoa, e mandou revestir o presépio de lâminas de prata
e a gruta sagrada dos mais preciosos mármores.5
No tempo de São Jerônimo, era a afluência tão continua
e numerosa, que o santo doutor escrevia de Belém: “Acode aqui gente do globo inteiro; a cidade não se despeja de homens
de todas as nações;6 não se passa um dia, uma hora em que não
vejamos chegarem bandos de irmãos que nos obrigam a fazer do nosso silencioso
mosteiro um caravançará”[hospedaria].7
Intensa
veneração ao Presépio do Menino Jesus
Guardado com mais amor que a Arca da Aliança, com mais
respeito que o Tugurium de Rômulo,
rodeado por gerações não interrompidas de cristãos fiéis, coberto dos ósculos
de muitos milhões de peregrinos, regado com suas ardentes lágrimas, o Presépio
deixou o Oriente por ocasião da invasão do maometismo. Foi no segundo ano do
pontificado do Papa Theodoro, no ano 642. Roma o depositou na basílica Libéria8 com o corpo de São
Jerônimo, igualmente trazido da Palestina: ela não quis que o santo doutor,
guarda vigilante do Presépio durante a sua vida, fosse separado dele depois da
sua morte.9
Ora, se a velha
Roma fez consistir parte da sua glória em conservar a cabana de Rômulo, julgai
a Roma cristã quanto mais feliz e orgulhosa se mostra por possuir o berço do
Menino-Deus!10
O Presépio é o
seu tesouro, a sua joia, faz a sua felicidade, a sua glória. Ela o guarda com
um amor cioso, rodeia-o de uma veneração que não podem os séculos enfraquecer;
conserva-o numa caixa de bronze e não o expõe às vistas senão uma vez cada ano.
Na noite que precede este dia tão desejado pelo
peregrino católico, é o Presépio colocado primeiro sobre um altar na grande
sacristia; o mais apreciável incenso arde em sua honra; depois os quatro
cônegos mais moços de Santa Maria pegam a preciosa relíquia aos ombros,
precedidos de todo o clero, a transportam solenemente para a capela de Sixto V.
Depois da missa da Aurora tornam a buscá-la e a expõem no tabernáculo do
altar-mor. Todo o clero se dirige depois à capela Borghese, situada defronte à
de Sixto V, para nela descobrir a milagrosa imagem de Maria; é um modo de
convidar a divina Mãe a contemplar o triunfo de seu Filho e a gozar ela mesma
do seu próprio triunfo.
Oh! se estiverdes algum dia em Roma, não deixeis de
venerar esta imagem de Maria. É ela a mesma que foi pintada por São Lucas,
segundo a tradição;11 a mesma que Sixto III
quis honrar, segundo o
desejo do seu coração, mandando fazer os preciosos mosaicos do abside, e
renovando a basílica em quase todas ao suas partes; a mesma aos pés da qual os
santos Papas Símaco, Gregório III, Adriano I, Leão III,
Pascoal I
passavam as noites em oração; a
mesma diante da qual Clemente VIII vinha, logo ao romper da aurora, descalço,
oferecer o augusto sacrifício; a mesma à qual o ilustre Bento XIV não deixava
sábado algum de render as suas homenagens, assistindo ao canto das ladainhas
lauretanas.12
A recordação de tantas
orações, de tantas lágrimas, de tantos brilhantes testemunhos de fé e piedade,
produz indizível confiança, e nós teríamos ficado prostrados ao pé dessa imagem
tantas vezes venerável, se o Presépio não houvesse dado outro curso aos sentimentos
de nossos corações.
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Menino Jesus venerado na Missa de Natal, na Basílica de São Pedro. |
Divino berço, eternamente venerável
Quando, pois,
tudo estava pronto, dois cônegos de Santa Maria Maior desceram o Presépio do
tabernáculo e o depuseram num altarzinho portátil. O cardeal protetor
adiantou-se e foi o primeiro que veio render as suas homenagens ao divino
berço; o clero o seguiu; chegou a nossa vez, e eu pude ver de perto, ver com os
meus próprios olhos, o pobre Presépio em que Maria deu à luz o Salvador do
mundo, envolvido em faixas!!!
O Presépio já
não conserva a sua forma primitiva. As cinco pequenas taboas que lhe formavam
as paredes estão todas reunidas. As mais compridas podem ter dois pés e meio de
comprimento por quatro ou cinco polegadas de largura; são delgadas e de uma
madeira enegrecida pelo tempo. Este berço, eternamente venerável, repousa num
relicário de cristal, engastado numa moldura de prata esmaltada de ouro e de
pedras preciosas: esplêndida oferenda de Felipe IV, rei de Espanha.
Terminada a
veneração, lavrou-se o processo verbal, certificando a identidade do Presépio
e as particularidades da cerimônia: depois do que a santa relíquia foi encerrada no
tesouro, para não sair
dele senão no ano
seguinte em igual época.
O nosso dia estava completo. Tudo o que a religião tem
de mais majestoso, a missa papal; tudo o que tem mais terno, o Presépio, tinha
estado diante dos nossos olhos. Por isso o nosso coração estava contente, mas
contente como o não pode estar senão em Roma, em dia de Natal, quando se viu,
com olhos cristãos, o duplo espetáculo que acabo de dizer.
____________
Notas:
1.
Pondo-a ao Pontífice o cardeal lhe diz: “Accipe
tiaram tribus coronis ornatam, et scias te esse patrem principum
et regum, rectorem orbis in terra Vicarium” etc. Os italianos chamam a
tiara Triregno: é uma bela
palavra.
2.
Foggiuio, De romano divi Petri itinere et
episcopatu, in-4.o, Exercit.
XIII, XIV, XIX.
3. Eis as suas
palavras: Inocêncio III diz: “Romanus
autem Pontifex pastor alivirga non utitur, pro eo quod beatus Petrus Apostolus baculum
suum misit Eocherio primo epíscopo Trevirorum, quem una cum Valerio et Materno
ad praedicandum Evangelium genti Teutonicae destibavit. Cui successit in
episcopatu Maternus, qui per baculum sancti Petri de morte fuerat suscitatus.
Quem baculum usque hodie cum magna veneratione Trevirensis servat Ecclesia. De sacrif. Miss., c. VI. O mesmo
Pontífice escrevendo ao patriarca de Constantinopla, repete o mesmo fato. De
sacra unct., cap. unic., versus fin. — O doutor angélico exprime-se
assim: “Romanus Pontifex non utitur baculo,
quia Petrus mísit ipsum ad suscitandum quemdam discipulum suum, qui postea factus
est episcopusTrevirensis, et ideo ín dioecesi Triverensi Papa baculum portat,
et non in aliis”. Q. 3 , art, 3, dtstinct. 24, lib. IV. — A esta razão histórica ajuntam os autores
varias razões misteriosas, para explicarem a ausência do báculo nas mãos dos
sumos Pontífices; eis a principal: “Quia
per baculum designatur correctio sive castigatio; ideo alii pontífices
recipiunt a suis superioribus baculos, quia ab homine potestatem accipiunt.
Romanus Pontifex non utiturbaculo, quia potestatem a solo Deo recipit” Desacr. unct. ad verb. Mystic, Vêde
também Dnrandus, Rationalediv.
Offic.) lib. III, c. 15; Àlzedo, De prcecelent. Episcop. dignit.,
p. I, c. 13 , n. 70; Hieron. Venerius, De exam. Epxscop.,lib, IV, cap.
20, n. 21; Barbosa, De offic. Et potest. episcop. , p. I, tit. I,
n. 11 etc. etc. — Na Dissertação ad hoc que colocou no fim dos seus Monim,
veter I. III, p. 209, faz o sábio Ciampini observar muito bem que a Ferula,
espécie de bordão direito que se apresentava aos Papas no dia da sua
eleição, e que se acha gravado nos antigos túmulos, não é um báculo, mas o
emblema do seu poder temporal. — Pois se trata aqui do báculo episcopal, não
posso resistir ao prazer de citar os versos seguintes de um autor da Idade
Média, sobre a significação deste cajado espiritual e sobre o uso que o
pontífice deve fazer dele:
In baculi
forma, praesul, datur haec tibi norma:
Attrahe per primum, medio rege, punge per imum.
Attrahe peccantes, age justos, punpe vagantes:
Attrahe, sustenta, stimula, vaga, morbida, lenta.(Gloss. De sacr. unct.c.unic).
4.Costanzi, Instituzioni di Pietà di Roma, t. 1, p. 8.
5. Euseb., Hist., lib. III, c. 41 e 43.
6. De Toto huc orbe concurritur; plena est Civitas
universi generis hominum, et tanta utriusque sexus constipatio, ut quod álibi
ex parte fugiebas, hic totum sustinere cogaris. Epist.XIII ad Paulinum.
7. Nulla hora nullumque momentum, ín quo non
fratrum occurramus turbis, et monasterii solitudinem hominum frequentia commutemus.
Id. , c. VII in Ezecfi.
8. Vêde os dois sábios autores da Historia do
Presépio, Giov. Batelli
e Fr. Bianchini, De Translat. sacr. cunabul AC praesep. Dom., etc. Vêde também Cancell., Notte di Natale, c. XXVI. p.88;
Benedicto XIV, De die natali etc.
9. Arringhi, Rom. subterr., t. II, p.
269, ediç. Paris, in-foL
10. Porro Christi natalis nobile monumentum, ex ligno
confectum Roma possidet, eoque multo felicius illuslratur, quam tugurio Romulí,
quod in textum ex stipula eorum majores ad saecula de industria
conservaveruot.Baron,, t. I, an. I, n. 5.
11. Baron., an. 530. Cancellieri, Notte di
Natale, c. XXVI, p. 80.
12. Costanzi, lib. II, p. 27.