Na edição anterior publicamos as 15 meditações, especialmente apropriadas para a Semana Santa, sugeridas por Santo Afonso Maria de Ligório (1696-1787), extraídas de sua obra A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo.
![]() |
| Cristo Triufador – Maerten de Vos (1532–1603). Museu Real de Belas Artes de Antuérpia, Flandres, (Bélgica). |
ELE RESSUSCITOU!
MEUS IRMÃOS,
Se o nosso Símbolo
[o Credo, conhecido também como “Símbolo dos Apóstolos”] terminasse no ponto a
que chegamos no comentário que dele fizemos nos sermões que ouvistes, então a
fé cristã — apesar de sua incomparável beleza — permaneceria um sistema
filosófico inacabado, incompleto e impotente.
Se
o “Credo” terminasse onde parei na minha última instrução — “padeceu sob Pôncio Pilatos, foi
crucificado, morto e foi sepultado” —, a carreira terrestre de Nosso Senhor
Jesus Cristo terminaria numa nota trágica, então todo o Cristianismo desabaria
como um saco vazio, como um edifício sem estrutura, como uma casa sem
fundamentos.
Certamente,
mesmo assim o Cristianismo ainda seria um magnífico sistema filosófico, a
doutrina de Cristo permaneceria ainda um conjunto de sublimes verdades morais;
mas quem poderia ainda observar, ao preço de numerosos sacrifícios, os difíceis
mandamentos de Cristo, quem poderia amar sem vacilar até o último suspiro a fé
cristã, se o seu Fundador não fosse senão um homem — um homem virtuoso, um
sábio, um santo, mas apenas um homem que seus inimigos insultaram, pisaram aos
pés e mataram?
Sim, se o nosso Símbolo
ficasse por aí!
Mas não fica. Há
uma continuação. E essa continuação proclama algo particularmente
impressionante, inaudito, incrível, que jamais aconteceu: “Ressuscitou dos mortos ao terceiro dia”. São Paulo já o havia
compreendido e diz expressamente que toda a fé cristã gira em torno desta
questão: Cristo ressuscitou ou não? Com efeito, “se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa pregação, vã também é a vossa
fé” (I Coríntios, XV, 14).
É verdade! Se
Cristo não ressuscitou, que me importa a mim, homem do século XX, que tenha
vivido outrora, há 2000 anos, sobre a terra, um homem extremamente bom,
extremamente sábio, extremamente amável, cheio de amor pelos homens, que curava
os doentes, que perdoava os pecadores… que me importa, se ele também morreu, se
também foi sepultado e se também virou em pó?… Talvez eu o admirasse como se
admira um grande homem, talvez o honrasse como se honra um homem de bem — mas
amá-lo, adorá-lo, observar seus mandamentos por uma vida de sacrifícios,
permanecer-lhe fiel durante toda a vida? Quem sacrificaria a própria vida por
um cadáver reduzido a pó? Quem? Se Cristo não ressuscitou…
Mas se Ele ressuscitou?… Sim, se Ele ressuscitou? Se Ele me impõe respeito não somente por uma vida de
virtude, por palavras de bênção, pelo idealismo de seu caráter, por seus
milagres, mas se Ele ainda marcou finalmente sua vida incomparável e suas
palavras que proclamam sua consciência divina com o selo mais grandioso, mais
extraordinário, mais inaudito: se Ele saiu por seu próprio poder do túmulo?
E se eu vejo que
milhares e milhões aceitaram o martírio por esta fé no Ressuscitado; se vejo
que, sobre as pegadas do Ressuscitado, floresceram as virtudes mais heroicas e
mais belas? Então?
Então? Então não
resta senão reconhecê-lo: Cristo não pode ter sido um homem como eu, como vós,
como qualquer outro. Cristo era Deus. Inclinar-se diante d’Ele é prova de
sabedoria; insurgir-se contra Ele é pura loucura.
Sim, é exatamente
isso, se Cristo ressuscitou.
Também é
compreensível que, há 19 séculos [hoje, 20 séculos], os inimigos do Cristianismo
tenham tentado tudo para aniquilar esta fé na ressurreição. Com efeito, eles
sabem muito bem: se Cristo realmente ressuscitou, isso é um sinal tão inaudito,
tão impressionante de sua divindade, que seria loucura fazer algo contra Ele e
continuar ainda a combater o Cristianismo.
Importa, portanto,
a nós, cristãos fiéis, aprender a conhecer de modo nítido e claro este dogma
fundamental da nossa fé.
I. Como sabemos
que Cristo realmente ressuscitou? —
perguntar-nos-emos na primeira parte do sermão de hoje. Depois,
II. Vamos encarar
claramente os expedientes pelos quais
os inimigos de Cristo querem negar a sua ressurreição.
![]() |
| As santas mulheres encontram o túmulo vazio — Fra Angelico (1395–1455). Museu de São Marcos, Florença, Itália. |
I
COMO SABEMOS QUE CRISTO RESSUSCITOU?
A
ressurreição de Cristo no dia de Páscoa não é uma lenda, mas um fato histórico.
Ao menos um fato tão certo e garantido por tantos testemunhos oculares e
auriculares quanto qualquer outro acontecimento da história do mundo. É um fato
histórico que Nosso Senhor realmente morreu e foi sepultado. É um fato
histórico que, no dia de Páscoa, os amigos e os inimigos de Cristo foram ao seu
túmulo e o encontraram vazio. Enfim, é um fato histórico que Nosso Senhor,
depois da Páscoa, apareceu com bastante frequência a numerosas pessoas e falou
com elas; portanto, Ele vivia.
É
verdade, já faz muito tempo que Cristo ressuscitou, já se passaram 19 séculos.
Mas A) os testemunhos da Sagrada
Escritura e B) as mudanças ocorridas
na alma dos discípulos tornam este acontecimento pelo menos tão crível — e
até muito mais crível — do que qualquer outro episódio da história antiga.
A) A Sagrada
Escritura é, em primeiro lugar, testemunha da ressurreição de Cristo.
a) Basta, meus irmãos, tomar os Evangelhos e ler
atentamente o capítulo XXVIII de São Mateus, o capítulo XVI de São Marcos, o
capítulo XXIV de São Lucas e o capítulo XX de São João.
Todos
afirmam unanimemente: Cristo morreu na cruz, depois foi sepultado, uma grande
pedra foi rolada diante do túmulo... e esse Cristo bem morto ressuscitou na
manhã de Páscoa.
b) Mas não são apenas os evangelistas que afirmam e
proclamam a ressurreição de Cristo; são também os outros apóstolos.
São Pedro, o primeiro, afirma-o em seu sermão de Pentecostes,
portanto já 50 dias após a ressurreição. Pedro começa assim a pregar diante do
povo reunido na praça.
Vistes
Jesus na cruz? — pergunta ele.
Nós O vimos —
respondem.
Vistes que Ele
estava morto? — Nós O vimos.
Vistes como o
sangue e a água correram do seu coração aberto pela lança? — Nós o vimos.
Pois bem! Eu, e
comigo seus apóstolos e discípulos, nós O vimos vivo depois de sua morte, nós O
vimos ressuscitado. “A este Jesus, Deus o
ressuscitou: do que todos nós somos testemunhas” (Atos, II, 32).
Que Cristo tenha
ressuscitado, São Pedro apresenta a coisa como um fato conhecido que não
necessita de prova.
Ele fala disso com
tanta naturalidade e serenidade como alguém que sabe que todos em Jerusalém
estão cientes, e que ninguém pode levantar objeção contra esse fato bem
conhecido. E daquele gigantesco auditório, 3000 homens se converteram naquele
dia (Atos, II, 41).
São Pedro fala
igualmente da ressurreição de Cristo à porta do Templo de Jerusalém, após a
cura do paralítico (Atos, III, 15). Ele não prova a ressurreição de Cristo, mas
simplesmente a invoca como um fato bem conhecido em toda Jerusalém.
Mas fora de
Jerusalém foi necessário prová-la, pois nem todos sabiam o que havia acontecido
na capital. Assim, na casa de Cornélio, em Cesareia, São Pedro falou assim: “Quanto a nós, somos testemunhas de tudo o
que Ele fez na região da Judeia e em Jerusalém. Depois O mataram, suspendendo-O
no madeiro. Mas Deus O ressuscitou ao terceiro dia e permitiu que Ele se
manifestasse... a nós, que comemos e bebemos com Ele depois de sua ressurreição
dentre os mortos” (Atos, X, 39-41).
Ao lado de São
Pedro, também São Paulo prega a ressurreição de Nosso Senhor. Em Antioquia, ele
fala assim aos judeus: “Depois de
cumprirem tudo o que estava escrito a respeito d’Ele, tiraram-nO da cruz e O
colocaram num sepulcro. Mas Deus O ressuscitou dentre os mortos. Durante muitos
dias Ele se manifestou àqueles que com Ele haviam subido da Galileia para
Jerusalém, e que agora são suas testemunhas diante do povo” (Atos, XIII,
29-31).
Outra
vez ainda ele dá testemunho com estas palavras: “Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado
e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras; e apareceu a Cefas,
depois aos Doze. Em seguida apareceu de uma só vez a mais de quinhentos irmãos…
Depois apareceu a Tiago, depois a todos os apóstolos. E, por último de todos,
apareceu também a mim” (I Coríntios, XV, 3-8).
B) Mas, além
desse testemunho patente da Sagrada Escritura, a transformação espiritual dos
apóstolos é também um testemunho eloquente da realidade da ressurreição.
Todos
conhecemos o desmoronamento moral que a morte de Nosso Senhor produziu nos
apóstolos. Nenhuma tempestade de granizo pode devastar a colheita como o fim
lamentável do Salvador quebrou a alma dos apóstolos. Ouvi apenas com que
desolada desesperança falam os discípulos de Emaús: “Nós esperávamos que fosse Ele quem libertaria Israel” (S. Lucas,
XXIV, 21). Mesmo quando, na manhã de Páscoa, as santas mulheres vieram
apressadamente e com alegria anunciar que o túmulo de Cristo estava vazio, eles
permaneceram sem compreender (S. Lucas, XXIV, 22), e ainda na tarde de Páscoa
trancaram cuidadosamente as portas por medo dos judeus.
E
é nessas almas covardes, trêmulas e abatidas que de repente se acende a chama
da coragem dos mártires. Aqueles que haviam acabado de trancar as portas atrás
de si vêm agora pregar em plena praça pública e desafiam intrepidamente a
proibição dos sumos sacerdotes.
Quem
poderia compreender tal atitude, se Cristo não tivesse ressuscitado? Acaso um
morto seria capaz de produzi-la? Não há efeito sem causa. Ora, é um fato
incontestável que os apóstolos, esses simples pescadores, introduziram no
mundo, no terreno religioso, moral, social e intelectual, uma mudança —
poder-se-ia dizer uma proeza — tal que a História não pode apresentar fenômeno
semelhante.
Quem
pode dar sua explicação, se Cristo não ressuscitou? Em verdade, podemos dizer
que, se se põe em dúvida a realidade da ressurreição de Cristo, então não há
absolutamente mais nenhum fato histórico no mundo.
![]() |
| Quando o Salvador apareceu a Maria Madalena, ela O tomou por um jardineiro. |
II
EXPEDIENTES CONTRA O FATO DA RESSURREIÇÃO DE CRISTO
Se
examinarmos a fundo essas provas que fortalecem a nossa fé na ressurreição de
Cristo, as tentativas pelas quais os inimigos de Cristo procuram esquivar-se da
força peremptória do fato da ressurreição nos parecerão esforços bem
miseráveis.
A) Antes de
tudo, eles não sabem o que fazer com o túmulo vazio de Cristo
As
santas mulheres que, na manhã de Páscoa, queriam prestar as últimas honras ao
corpo de Jesus, encontraram o túmulo vazio. Aterrorizadas, informaram os
apóstolos. São Pedro e São João foram imediatamente ao sepulcro e também o
encontraram vazio (S. João, XX, 8). Que realmente o corpo de Jesus já não
estava no túmulo é demonstrado também pelo espanto e desorientação dos sumos
sacerdotes judeus; pois eles poderiam ter desmentido imediatamente a notícia
que se disseminava sobre a ressurreição, se tivessem podido apresentar o
cadáver de Cristo.
O
túmulo estava, portanto, incontestavelmente vazio. Mas como se tornou vazio?
Para onde foi o corpo?
a) Foi roubado — esta era a ideia que podia surgir primeiro no
espírito. Os sumos sacerdotes judeus recorreram imediatamente a esse expediente
e ofereceram dinheiro aos soldados que guardavam o túmulo para que anunciassem
por toda parte: Enquanto dormíamos, os discípulos de Jesus vieram e roubaram o
corpo.
Que
contradição e que impossibilidade psicológica há nessa afirmação! Os discípulos
medrosos e dispersos teriam de repente se tornado suficientemente corajosos
para ousar aproximar-se do túmulo guardado por soldados! Os soldados afirmam ter
dormido — mas, então, como viram que os apóstolos roubavam o corpo? E, se não
dormiam, por que assistiram ao roubo sem agir? E se os soldados romanos,
pertencentes ao exército mais disciplinado do mundo, dormiram durante a guarda,
teriam permanecido sem castigo? Ora, em vez de punição, lemos que receberam
dinheiro — muito dinheiro.
b) Os negadores da ressurreição compreenderam a
gravidade dessas dificuldades e tentaram outra explicação: Cristo estava morto apenas em aparência; voltou a si graças ao frescor
do túmulo e saiu dele.
Essa
tentativa de explicação talvez seja ainda mais lamentável que a anterior.
Com
efeito, é um fato certo que Cristo estava realmente morto, e não apenas em
letargia.
Cristo
estava morto? Poderia quase responder: jamais a morte de um homem foi mais
profundamente certa do que a de Cristo. Já no caminho da cruz, Ele não era mais
que uma sombra vacilante, um homem meio morto, derramando seu sangue por mil
feridas. E depois: na cruz, fizeram-lhe quatro grandes feridas nas mãos e nos pés…
a lança de um soldado fez-lhe uma quinta no coração… Finalmente: o túmulo
selado é guardado por soldados.… Em verdade, naquela hora os homens fizeram
tudo para afastar de seu caminho o profeta importuno.
Imaginemos,
aliás, que Cristo, meio morto, tivesse saído do túmulo e ido até seus
discípulos, que O tratassem e cuidassem, e que finalmente tivesse sucumbido aos
seus ferimentos — pode-se imaginar psicologicamente que esse fim miserável
tivesse produzido em almas abatidas aquele efeito sem precedentes de que falei
anteriormente?
B) Mas toda
essa fé dos apóstolos na ressurreição não seria pura fantasia, um produto da
imaginação, uma visão, uma alucinação? Aqueles que querem escapar a todo custo
à imensa força probante da ressurreição também tentaram esse expediente.
a) Mas quem poderia levar a sério essa explicação? O
túmulo de Jerusalém não teria destruído toda visão e alucinação com a mão
brutal da dura realidade? Se esse túmulo
não está vazio, se uma grande pedra o cobre e se sob ela está Cristo morto,
então toda visão é impossível.
b) Além disso, nos apóstolos faltam as condições mais elementares para uma alucinação.
Quem
tem visões e está sujeito a alucinações? Não é aquele que espera algo com
impaciência, febrilmente? Quando um hóspede anunciado deve chegar, já se ouvem
seus passos, e, no entanto, ele não vem. Mas os apóstolos não esperavam de modo
algum a ressurreição de Cristo. E mesmo quando as santas mulheres lhes trazem a
notícia pela primeira vez, eles não acreditam. Os discípulos de Emaús dizem
ainda à tarde que “as mulheres os
assustaram”. E São Tomé não acredita, embora os outros apóstolos já tenham
visto o Ressuscitado.
Eles
estavam tão pouco predispostos a visões, que nem sequer reconheceram o Salvador
quando Ele apareceu. Maria Madalena tomou-O por um jardineiro; os discípulos de
Emaús, por um estrangeiro.
Além
disso, são os homens nervosos que estão sujeitos a alucinações, e não
pescadores endurecidos pela vida ao ar livre.
c) Se Cristo ressuscitado tivesse aparecido apenas uma
ou duas vezes, talvez ainda se pudesse admitir que fosse apenas imaginação, uma
visão, um fantasma. Mas Ele apareceu
frequentemente durante quarenta dias. São Pedro encontrou-O, Maria Madalena
encontrou-O. As santas mulheres encontraram-nO. Os dez apóstolos — com exceção
de São Tomé — encontraram-nO. Depois, todos os apóstolos — inclusive São Tomé —
encontraram-nO... e assim por diante. E quando São Paulo escreve aos Coríntios,
invoca o fato de que ainda vivia entre eles um grande número de homens que
tinham visto com seus próprios olhos o Salvador ressuscitado (I Coríntios, XV,
6). Pode um acontecimento histórico ser mais bem provado? Um homem isolado pode
às vezes ser vítima de uma visão enganosa, mas 500 homens juntos viram Cristo —
teriam todos esses 500 visto um fantasma? E, por outro lado, no quadragésimo
dia, dia da ascensão de Cristo, as aparições cessaram de repente. Por quê? No
entanto, as bases psicológicas permaneceram as mesmas depois.
A
ressurreição de Cristo é, portanto, um fato histórico. Temos como testemunhas
as santas mulheres que, ao se dirigirem ao túmulo, esperavam tudo, menos a
ressurreição de Cristo. Temos como testemunhas os apóstolos que, a princípio,
acolheram a notícia com hesitação; mas, quando foram convencidos por seus
olhos, seus ouvidos e suas mãos da sua realidade, deram a vida por ela. Temos
como testemunha a multidão dos primeiros cristãos aos quais o Salvador apareceu
depois de sua ressurreição. Temos como testemunha toda a vida da Igreja, vinte
vezes centenária.
Com
efeito, diante da coragem dos mártires, da elevação moral e da intrepidez que
resultam da fé na ressurreição, podemos com razão perguntar: se Cristo não
ressuscitou, mas permaneceu no pó do túmulo, quem pode compreender tudo isso?
Quem pode crer que um morto tenha podido
realizar tudo isso?
A
ressurreição de Cristo é a coroação de sua obra, a prova suprema de que Ele é
realmente o Filho de Deus. Quando Cristo estava pregado na cruz, seus inimigos
O insultavam com estas palavras: “Salvou
os outros e não pode salvar-se a si mesmo; se é rei de Israel, desça agora da
cruz e creremos n’Ele” (S. Mateus, XXVII, 42). Agora, porém, Cristo deu uma
prova ainda maior de sua divindade. Não foi da cruz que Ele desceu, mas foi do
túmulo selado que Ele saiu vivo.
Compreendemos
agora por que a Páscoa é a maior festa do Cristianismo. É porque a ressurreição
de Cristo é o fundamento da nossa fé, o triunfo da verdade, um encorajamento em
nossa vida cheia de lutas e o sinal da nossa própria ressurreição.
![]() |
| A incredulidade de Tomé – Maerten de Vos (1532–1603). Museu Real de Belas Artes de Antuérpia, Flandres, (Bélgica) |
Meus irmãos, é a tarde de Páscoa.
Os apóstolos estão reunidos; faltam apenas dois: Judas, o traidor, e Tomé. Onde
estava Tomé, não o sabemos. Os espíritos estão abatidos, cheios de angústia. O
corpo de Cristo desapareceu; os sumos sacerdotes mandaram divulgar pela cidade
que os discípulos o haviam roubado. Desde então não é prudente sair pelas ruas.
Estão tão inquietos que trancaram cuidadosamente a porta. O que vai acontecer? O
que será dos desígnios de Cristo? Como esses pescadores medrosos empreenderão a
conquista do mundo?
E então… então… de repente Cristo
está no meio deles. As portas ainda estão fechadas, mas Cristo está no meio
deles. “Sou eu, não temais!” É como
se tivesse dito: Agora é preciso acabar com esse pessimismo medroso. Vede,
cumpri a minha palavra. Sou eu, eu vivo. Mas agora preciso de soldados, preciso
de mártires que me deem testemunho diante do mundo.
E “os discípulos alegraram-se ao ver o Senhor”, diz a Sagrada
Escritura, e uma força nova encheu suas almas abatidas. E desde então a figura
sublime de Cristo ressuscitado tornou-se para eles uma fonte de energia sempre
nova. Cada dia ela passa jubilosa por milhões de lábios: “Ressuscitou dos mortos ao terceiro dia”.
Sim,
Cristo vive. Cristo é uma realidade viva. Não é uma lenda, nem um mito, nem um
símbolo. Cristo
que percorria os caminhos da Palestina percorre hoje os caminhos do mundo.
Cristo que falava há 19 [hoje 20] séculos aos habitantes da Terra Santa hoje
ainda nos acena como vencedor da morte com a palma da vitória; hoje ainda Ele
nos fala, nos consola, nos fortalece, nos ilumina, nos ajuda e nos espera… nos
espera na pátria eterna.
Meus
irmãos, vivamos, pois, com a graça de Deus, de tal maneira que onde está a
cabeça estejam também os membros. Vivamos de modo que, onde nosso Irmão
glorioso nos precedeu, cheguemos também nós; e que, por sua paixão e sua cruz,
alcancemos também a glória da ressurreição, por Jesus Cristo, Nosso Senhor. Amém.
____________
(*) Le
symbole des Apôtres (Quarta Parte). La
Résurrection - l´Ascension - La Virge Marie. Sermões traduzidos do húngaro
para o francês pelo Pe. Marcel Grandclaudon. Éditions Salvator, Mulhouse
(Haut-Rhin), 2ª edição, 1938, pp. 5-18.
Fonte: Revista Catolicismo, Nº 903, abril/2026





Nenhum comentário:
Postar um comentário