28 de abril de 2026

O Reino de Maria para que venha o Reino de Jesus Cristo



28 de abril é o dia fixado pela Santa Igreja para a festa litúrgica de São Luís Maria Grignion de Montfort, ardoroso missionário francês do século XVIII (o século de Luis XIV), doutor marial por excelência, nascido em 1673 e falecido no dia 28 de abril de 1716. 

Entre suas numerosas profecias, uma que atrai especialmente a atenção foi o anúncio de uma Cristandade restaurada em todo seu esplendor — o Reino de Maria, como também previsto em Fátima. 

Uma profecia feita há mais de 300 anos por  por São Luís Grignion e que está registrada no seu célebre Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem (1712): 

“Ah! quando virá este tempo feliz em que Maria será estabelecida Senhora e Soberana nos corações, para submetê-los plenamente ao império de seu grande e único Jesus? [...] Então, coisas maravilhosas acontecerão neste mundo [...]. Quando chegará esse tempo feliz, esse século de Maria, em que inúmeras almas escolhidas, perdendo-se no abismo de seu interior, se tornarão cópias vivas de Maria, para amar e glorificar Jesus Cristo? Esse tempo só chegará quando se conhecer e praticar a devoção que ensino, ‘Ut adveniat regnum tuum, adveniat regnum Mariae’”*. (Que venha o Reino de Maria, para que assim venha o vosso Reino - ou seja, o Reino de Jesus Cristo). [Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem, São Luís Maria Grignion de Montfort, Editora Vozes, Petrópolis, 1961, VI edição, tópico 217, pp. 210-211]. 



A seguir, para marcar este grande dia de São Luís Maria Grignion de Montfort, transcrevo um artigo de Plinio Corrêa de Oliveira, publicado no “Legionário” de 21 de outubro de 1945:


GRIGNION DE MONTFORT 

  Plinio Corrêa de Oliveira 

Como condição de vitória, sem se desprezar nem de leve as providências concretas, devemos contar essencialmente com os recursos sobrenaturais. A História demonstra que não há inimigos que vençam um país cristão que possua três devoções: ao Santíssimo Sacramento, a Nossa Senhora e ao Papa. Investigue-se bem a queda de nações aparentemente muito fervorosas em sua adesão à Igreja: alguma broca secreta as minava em uma dessas três virtudes-chave. 

A vitória, pois, depende de nós. Tenhamos em dia nossa consciência, estejamos tranquilos em Deus, e venceremos. 

*   *   * 

Isto explica o extraordinário relevo que damos a uma notícia apagada, que os jornais reproduziram há pouco: a canonização iminente do Bem-aventurado Luiz Maria Grignion de Montfort. 

A notícia nada significa para o comum das pessoas. Ela significa tudo, para os que conhecem o verdadeiro fundo das coisas. A Providência resolveu jogar sua bomba atômica contra os adversários da Igreja. Perto desta bomba, as convulsões de Hiroshima e Nagasaki não passam de inocentes tremedeiras. Há dois séculos que está pronta a bomba atômica do Catolicismo. Quando ela explodir de fato, compreender-se-á toda a plenitude de sentido da palavra da Escritura: "Non est qui se abscondat a calore ejus" [Não há quem possa subtrair-se a seu calor]. 

Esta bomba se chama com um nome muito doce. É que as bombas da Igreja são bombas de Mãe. Chama-se O Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. Livrinho de pouco mais de 100 páginas. Nele, cada palavra, cada letra é um tesouro. Este o livro dos tempos novos que hão de vir. 

*   *   * 

Nosso artigo já está por demais longo, para que demos um resumo biográfico da extraordinária vida desse Bem-aventurado. Não sei de nenhuma, que seja mais empolgante e mais edificante. O que em nosso assunto é essencial, em poucas palavras se diz. 

O Beato Grignion de Montfort expõe em sua obra no que consiste a perfeita devoção dos fiéis a Nossa Senhora, a escravidão de amor dos verdadeiros católicos à Rainha do Céu. Ele nos mostra o papel fundamental da Mãe de Deus no Corpo Místico de Cristo e na vida espiritual de cada cristão. Ele nos ensina a viver nossa vida espiritual em consonância com essas verdades. E nos inicia em um processo tão sublime, tão doce, tão absolutamente maravilhoso e perfeito, de nos unirmos a Maria Santíssima, que nada há na literatura cristã de todos os séculos, que o exceda neste ponto. 

Esta devoção, diz Grignion de Montfort, unindo o mundo a Nossa Senhora, uni-lo-á a Deus. No dia em que os homens conhecerem, apreciarem, viverem essa devoção, nesse dia Nossa Senhora reinará em todos os corações, e a face da Terra será renovada. 

De que forma? Grignion de Montfort esclarece que seu livro suscitaria mil oposições, seria caluniado, escondido, negado; que sua doutrina seria difamada, ocultada, perseguida; que ela suscitaria automaticamente uma antipatia profunda nos que não têm o espírito da Igreja. Mas que um dia viria, em que os homens por fim compreenderiam sua obra. Nesse dia, escolhido por Deus, a restauração do Reino de Cristo estaria assegurada. 

Durante séculos, a canonização do Beato Grignion vem caminhando. Por fim, ela chegou a seu termo. É absolutamente impossível que esse fato não tenha um nexo profundo com a dilatação da Verdadeira Devoção no mundo. 

E, nós o repetimos, é essa Verdadeira Devoção a bomba atômica que, não para matar mas para ressuscitar, Deus pôs nas mãos da Igreja em previsão das amarguras deste século. 

Pois bem, nosso otimismo é este: confiamos imensamente mais na bomba atômica de Grignion de Montfort, e em seu poder, do que nós receamos da ação devastadora de todas as forças humanas.

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