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Estátua representando Anchieta escrevendo o “Poema à Virgem” numa das praias de Ubatuba
✅ Paulo Roberto Campos
Entre inúmeras e grandiosas obras apostólicas, São José de Anchieta converteu numerosos índios à fé católica, salvando-os das trevas do paganismo. Além de fundador da cidade de São Paulo, colaborou decisivamente com Estácio de Sá, fundador do Rio de Janeiro, para a expulsão dos invasores calvinistas franceses dessa cidade. Ainda em vida, operou numerosos milagres.
Em memória de Anchieta, cuja festividade litúrgica é celebrada neste dia 9 de junho, uma breve lembrança sobre o seu belíssimo Poema à Virgem (“De Beata Virgine Dei Matre Maria”).
Foi escrito em latim nas areias da então praia de Iperoig em 1563, e memorizado pelo santo autor, que possuía privilegiada memória. É considerado o maior poema mariano da literatura católica. Os versos foram compostos quando Anchieta esteve preso pelos índios tamoios, enquanto o Pe. Manuel da Nóbrega negociava a pacificação dos indígenas.
Os admiráveis versos revelam a excelsa elevação a Deus e a profunda devoção à Santíssima Virgem do Apóstolo do Brasil.
Eis apenas alguns dos quase 6.000 mil versos:
“Por Ti, Mãe, o pecador está firme na esperança, Caminhar para o Céu, lar da bem-aventurança!""Ó Morada de Paz! Canal de água sempre vivo, Jorrando água para a vida eterna!""Em Ti todos se refugiam dos inimigos que ameaçam.""Dá-me acalentar neste peito aberto pela lança, Para que possa viver no Coração do meu Senhor!"[...]"Quem poderá louvar dignamente a Mãe daquele que tudo criou?"[...]"Brilhas acima dos astros, mais bela que a aurora nascente."[...]"Olha como os espinhos rasgam a cabeça sagrada do teu Filho."[...]"Que me consumam as saudades do Senhor, enquanto vivo longe da Pátria celeste."[...]"Guia-me, Virgem Santa, pelo mar revolto desta vida."[...]"Depois de Cristo, minha esperança, és Tu, ó dulcíssima Mãe."

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