✅ Plinio Corrêa de Oliveira
Em uma das extraordinárias visões com que foi favorecida por Nosso Senhor, Santa Gertrudes conta em seu livro que Deus é tão ávido do amor das criaturas, que lança mão de todos os artifícios para conservá-las unidas a Ele.
Assim é que, para desapegá-las das coisas criadas, envia às vezes certas provações, que têm por efeito mostrar-lhes como são ilusórias todas as coisas terrenas, quanto às felicidades que proporcionam. Efetivamente, até os mais legítimos afetos humanos não são isentos da dor e da instabilidade!
É curioso como nossa época perdeu completamente a noção cristã da dor. A evolução é fácil de se descrever. A resignação cristã, ao mesmo tempo que faz conservar, entre os vivos, a memória constante dos mortos, lembrados aos sufrágios da Igreja militante por inúmeras orações, proporciona, no entanto, aos vivos aquela força de espírito necessária para não sucumbir ao sofrimento constantemente reavivado, das saudades dos mortos por quem continuamente rezamos.
Veio o surto pagão. Começou por hipertrofiar um dos sentimentos que compunham a resignação. Exaltou a dor, as saudades, os desgostos irremediáveis. Todo mundo passou a entender que, para ser “decente”, a dor precisaria ser acompanhada de gritos lancinantes, de desmaios, às vezes de suicídios.
O convencionalismo, o caráter exageradamente dramático, e às vezes ridículo de tais encenações, provocou uma reação em sentido absolutamente contrário. Passou-se a pregar a indiferença.
Os lutos se encurtam cada vez mais. Tendem a ser inteiramente abolidos, não somente nas roupagens (o que constitui um simbolismo muito bonito, e uma homenagem tocante ao morto), mas também no prazo em que se devem as pessoas afastar de festas e cinemas. Não é mais nas preces que se vai buscar a resignação. Afogam-se simplesmente as saudades no jazz e no champagne.
Quanto ao morto, é imediatamente incinerado, e guardado prudentemente em uma pequena urna inexpressiva, onde seus restos mortais deverão ocupar o menor espaço material possível... do mesmo modo porque sua lembrança deve também ser reduzida ao mínimo na memória dos viventes! É pagão, brutal e duro a mais não poder.
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Excertos de uma carta de Plinio Corrêa de Oliveira a Alceu Amoroso Lima (pseudônimo: Tristão de Athayde), datada de 30 de novembro de 1931.


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