31 de março de 2025

Na França, apesar dos imigrantes, o número de nascimentos continua em declínio


·      ✅   Plinio Maria Solimeo

 

Com a decadência religiosa e a perda do espírito sobrenatural, hoje em dia a quase totalidade das pessoas vive só para seu conforto e prazeres. Por isso evita tudo que possa supor um sacrifício ou dedicação integral. O que leva a que elas não pensem mais em ter filhos, ou em ter apenas um. Para isso recorrem à pílula abortiva para evita-los e, quando não conseguem, fazem o aborto.

                Isso, que ocorre em todo o mundo, faz com que em vários países, principalmente da Europa, o número de nascimentos seja tão pequeno, que não satisfaz a taxa de reposição necessária que corresponda um ao pai, outro à mãe, e outro para recompensar o número de mortes.

                Nesse sentido, vamos analisar essa situação como ocorre na França de hoje, outrora a “Filha Primogênita de Igreja”, segundo o relatório demográfico do Instituto Nacional de Estatística do país, publicado no dia 14 de janeiro. Seus dados e estatísticas foram analisados pelo jornalista Yann Thompson em artigo na France Télévisions[i], no qual nos baseamos.

                O relatório daquele Instituto mostra que, no dia 1º. de janeiro, a França tinha cerca de 68,6 milhões de habitantes, incluindo Córsega e departamentos ultramarinos. O que mostra que houve um aumento de 0,25% de pessoas no país. Ou seja, de 169 mil pessoas, que no entanto é o menor aumento dos últimos anos. Mesmo assim, a França continua sendo o segundo país mais populoso da União Europeia logo atrás da Alemanha. Deve-se dizer que esse aumento da população se deve em boa parte à imigração.

As mortes são quase tão numerosas quanto os nascimentos

Sublinha o relatório que há 60 anos a França, em meio a um boom demográfico, registrava quase o dobro de nascimentos do que de mortes a cada ano. Eram os bons tempos em que as famílias eram muito numerosas e tinham muitos filhos.

Isso mudou. Em 2024 o número de bebês nascidos foi de 663 mil, para 646 mil mortes. Houve então uma queda de 2,2% nos nascimentos em um ano.   O que, para o Instituto significa que, a pequena diferença de 17 mil entre nascimentos e mortes revela que a França atingiu “o seu nível mais baixo [de nascimentos] desde o fim da Segunda Guerra Mundial".

Por outro lado, a taxa de mortalidade aumentou um pouco de 1,1%, em 2024, de acordo com estimativas do Instituto. Esse aumento, que era perfeitamente previsível, pode ser explicado pelo envelhecimento da população, com a chegada “a idades de alta mortalidade” das gerações nascidas entre 1946 e 1974.

Contudo, houve uma mudança na expectativa de vida da população. A taxa de envelhecimento das mulheres passou para 85,6 anos, enquanto que a dos homens começa pela primeira vez a atingir a idade dos 80 anos de expectativa de vida.              

Assim, a "esperança de vida das mulheres é uma das mais elevadas da UE", atrás de Espanha, enquanto "a dos homens está na 11.ª posição", muito atrás do campeão, Malta, mas acima da média europeia, como nota o Instituto Nacional de Estatística com base em dados comparativos de 2023.

Cada vez menos filhos

                Uma coisa a se lamentar tendo-se o espírito católico, é que as mulheres francesas entre 20 e 40 anos, estão cada vez tendo menos filhos. Em 2024, com um índice de 1,62 filhos por mulher, a taxa de fertilidade total continuou a diminuir para um nível não visto desde 1919 e o fim da Primeira Guerra Mundial.

                Com a preocupação crescente das jovens com seus estudos e carreira profissional mais os atrativos da vida moderna, ocorre que as mulheres entre 30 e 34 anos têm taxa maior de fertilidade que as jovens entre 25 e 29 anos. Mesmo assim, essa taxa de fecundidade também registrou o nível mais baixo em um século, sendo de 1,59, bem abaixo do necessário para ocorrer a renovação da população. Para se ter uma ideia, essa taxa ainda em 2010, era de 2,02 filhos por mulher.

                Entretanto, apesar dessa taxa baixíssima, para se ver a decadência da moralidade na Europa, as mulheres francesas ainda têm mais filhos que as de muitas outras nações da União Europeia, como a Espanha e Itália. Esta situação permite à França manter uma das maiores percentagens de menores de 15 anos na Europa (17,3 % em 2023), atrás da Irlanda e da Suécia.

Cresce o número de “casamentos”

                O articulista que seguimos, para ser politicamente correto, tem em seu artigo um subtítulo que diz “Os casamentos estão em ascensão, as uniões PACS estão em declínio”.

                Ele afirma com toda naturalidade que o número de casamentos celebrados na França aumentou em 2% em 2024, atingindo um total de 247 mil. Ora, por liberalismo, ele inclui nesse total os 7 mil “casamentos” entre pessoas do mesmo sexo. Mesmo as PACS – “parceria contratual  entre duas pessoas maiores, independente do sexo, tendo como objetivo organizar a vida em comum” – caiu 3% em 2023, sendo de 204 mil uniões “incluindo 10.600 pessoas do mesmo sexo”.

                Curioso que não encontramos dados sobre as uniões fora do casamento, tão comum nos nossos infelizes dias.

                Por causa dessa triste realidade, muitas nações da Europa, principalmente Itália e Espanha, com sua população cada vez mais envelhecendo e diminuído, têm que recorrer à mão de obra estrangeira para poder sobreviver.

                Rezemos para que isso não ocorra em nosso Brasil, a Terra de Santa Cruz.



[i] (https://www.francetvinfo.fr/societe/naissances-mariages-deces-decouvrez-le-portrait-demographique-de-la-france-en-cinq-graphiques_7011737.html#at_medium=5&at_campaign_group=1&at_campaign=alerte_info&at_offre=3&at_variant=V3&at_send_date=20250114&at_recipient_id=726375-1492290919-f7c26739&at_adid=DM1054776)

 

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