O número de pessoas do povo que assistiu à cerimônia foi muito grande. Uma parte dentro da própria catedral, que é imensa, outra do lado de fora vendo o longo cortejo da rainha que se deslocava desde o palácio de Buckingham até Westminster. Essa multidão assistia também à passagem de todas as personalidades em suas carruagens tradicionais douradas, com pinturas, com janelas de cristal, com plumas, com lacaios usando chapéus de três bicos etc. Toda a nobreza desfilava, príncipes europeus com os seus belíssimos uniformes, mas também marajás, sultões, a rainha de Tonga, potentados do mundo ainda misterioso do Oriente. O império britânico estava ali representado na sua plenitude.
12 de março de 2022
COROAÇÃO DA RAINHA ELIZABETH II
O número de pessoas do povo que assistiu à cerimônia foi muito grande. Uma parte dentro da própria catedral, que é imensa, outra do lado de fora vendo o longo cortejo da rainha que se deslocava desde o palácio de Buckingham até Westminster. Essa multidão assistia também à passagem de todas as personalidades em suas carruagens tradicionais douradas, com pinturas, com janelas de cristal, com plumas, com lacaios usando chapéus de três bicos etc. Toda a nobreza desfilava, príncipes europeus com os seus belíssimos uniformes, mas também marajás, sultões, a rainha de Tonga, potentados do mundo ainda misterioso do Oriente. O império britânico estava ali representado na sua plenitude.
11 de março de 2022
“Estamos no borde de uma guerra nuclear, não estou exagerando”
| Hoje (11-3-2022) tropas russas bombardearam zonas residenciais em Dnipró, no Oeste da Ucrânia |
Estas terríveis palavras foram pronunciadas nada menos que pela jornalista russa Maria Baronova [foto abaixo], editora em chefe de Russia Today (mais conhecida como RT) depois de renunciar ao seu alto cargo ao condenar o sangrento ataque desfechado por tropas russas à sua vizinha Ucrânia. Russia Today é um dos meios estatais a serviço de Putin obrigada, como toda a mídia sob seu controle, a não chamar à criminosa invasão por seu nome, mas usando para isso o eufemismo “operação militar especial”.
Em chamada por WhatsApp desde Moscou, a jornalista explicou por que renunciou a seu cobiçado cargo: “Não renunciaria, e não perderia meu salário e meu trabalho, se tivesse a segurança de que vamos estar vivos por muitos anos; não sei realmente o que vai passar conosco”, afirmou referindo-se à possibilidade de uma guerra nuclear.
Baronova acrescenta que a atual “é uma situação muito perigosa” para seu país e para o mundo. Como trabalhava já há tempos visando os interesses do governo russo, afirma que conhece muito bem os dirigentes russos: “Eles nunca enviam ameaças [em vão], simplesmente matam. Há um silêncio estranho a meu redor, mas creio que estamos a borde de uma guerra nuclear neste momento. Não estou exagerando”.
Pois, conhecendo bem a Putin, o mundo teme que ele, num acesso de loucura, faça uso de armas nucleares. O que para Baronova converteria a Rússia em alvo de um ataque catastrófico por parte do Ocidente. Ela sabe que, se sai uma ordem do Kremlin desta magnitude, receberá uma resposta das mesmas proporções. “Suspeito que o mundo ocidental responderá da mesma forma”, afirma.
A situação pessoal de Maria Baronova é complicada por causa de sua condenação da atitude do governo russo. Pois ela não pode sair da Rússia: “Tenho um filho, e não posso ir porque seu pai não me permite ir-me com ele [com o filho]. Assim, prefiro ficar em Moscou. [...] Parece-me que estamos na Coréia do Norte ou vamos ser assassinados por um fungo termonuclear”.
A jornalista não se preocupa em engrossar a lista dos detidos. Pois a repressão na Rússia não é só nas ruas. Putin também decidiu encarcerar todos que contradigam seu discurso. Esse presidente tornado ditador assinou na semana passada uma lei, aprovada por ambas câmaras do Parlamento a ele submissas, que criminaliza a difusão de “notícias falsas” com relação ao exército russo, com pena de prisão de 10 a 15 anos. E para quem busque "desprestigiar" as tropas sob seu comando, de cinco anos.
Esse é o presidente “conservador” que tantos incautos da direita em todo o mundo enaltecem e mostram como modelo...
____________
Fonte: https://panampost.com/jose-gregorio-martinez/2022/03/08/al-borde-de-una-guerra-nuclear/
9 de março de 2022
RÚSSIA x UCRÂNIA — Movimentações nos ventos da guerra (Parte III)
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| Neste dia 9 de março, a maternidade da cidade de Mariupol foi bombardeada… |
Aseguir reproduzimos um texto, publicado como um quadro ilustrativo da matéria de capa da revista Catolicismo deste mês — artigo redigido às vésperas da efetiva invasão da Ucrânia por ordem do déspota Vladimir Putin.
A revista elenca episódios que antecederam o início da guerra, que se pode dizer que oficialmente foi iniciada no dia 21 de fevereiro com o decreto de Putin, o covarde stalinista russo, declarando a independência de duas regiões da Ucrânia (Donetsk e Luhansk). Decreto que foi estopim para a explosão da guerra com o oficial envio de tropas russas, com o objetivo de excluir para sempre a identidade do povo ucraniano, mas que o cínico Putin denominou de “missão de paz”!

A ESCALADA DAS MOVIMENTAÇÕES RUMO À GUERRA
Segue um breve elenco de alguns dos episódios transcorridos apenas em fevereiro último, todos baseados em informações de agências de notícias sérias, que reforçam a ideia de que a tensão aumentou muito na região fronteiriça Rússia/Ucrânia. E isso apesar dos esforços diplomáticos de líderes mundiais para obter a pacificação e dos reiterados desmentidos de Vladimir Putin de que não desejava o conflito — nos quais poucos acreditaram.

- Vladimir Putin, ex-oficial da KGB, há 22 anos como mandatário absoluto da Rússia, ordena a expulsão do vice-embaixador americano em Moscou, Bartle Gorman;
- A Rússia no início de fevereiro contava com aproximadamente 100 mil soldados mobilizados na fronteira com a Ucrânia. Putin declarou que eles estavam sendo retirados. Entretanto, em meados daquele mês o contrário aconteceu, o número de soldados dobrou;
- Alguns países, como Brasil, Estados Unidos, Japão, Reino Unido, Coreia do Sul, Holanda, Letônia, Noruega, expedem ordens de retirada de seus cidadãos da Ucrânia. Somente dos EUA são 30 mil americanos;
- Joe Biden reforça o pedido de retirada dos cidadãos americanos dizendo que a situação é muito grave, que não estavam lidando apenas com uma organização terrorista, mas sim com um dos maiores exércitos do mundo e que “as coisas podem perder o controle e se tornarem apaixonadas rapidamente”;
- Tropas russas participam de manobras na Bielorrússia em meio ao aumento da tensão na Ucrânia, e testam inclusive lançamento de mísseis intercontinentais. Manobras que foram supervisionadas diretamente por Putin;
- Imagens de satélite revelam um substancial aumento de tropas, veículos e aviões russos na Bielorrússia e na Península da Criméia (anexada pela Rússia há sete anos, na região de Kursk, a 100 quilômetros da fronteira com a Ucrânia);
- Aumento do número de navios de guerra russos, abarrotados de equipamento militar, no Mar Negro;
- Antony Blinken, secretário de Estado americano, afirma que “estamos em uma janela em que uma invasão pode começar a qualquer momento […] Continuamos a ver sinais muito preocupantes da escalada russa, incluindo novas forças chegando à fronteira”;
- Jake Sullivan, conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, afirmou que “a maneira como Putin mobilizou suas forças e as colocou no terreno, juntamente com os outros indicadores que coletamos por meio de inteligência, deixa claro que existe uma possibilidade muito alta de que a Rússia deva lançar uma operação militar, e há razões para acreditar que isso pode acontecer em um prazo razoavelmente curto”;
- Por sua vez, o presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, declarou: “Há um perigo de conflito militar, uma guerra no leste da Europa, e a Rússia tem responsabilidade por isso”;
- Boris Johnson, primeiro-ministro inglês, disse que a Rússia está planejando a “maior guerra na Europa desde 1945. […] Que poderá ocorrer uma geração de derramamento de sangue e miséria”;
- Governos ocidentais emitem novos alertas sobre o risco de uma iminente invasão russa à Ucrânia;
- O secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, também fala em “risco real” de conflagração armada envolvendo a Europa, inclusive com a utilização de armas russas “cibernéticas”;
- Como tentativa de enfraquecer ou mesmo derrubar o governo ucraniano, ciber-ataques são operados por russos contra instituições e bancos;
- Linda Thomas-Greenfield, embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, declarou que Rússia se dirige para uma “invasão iminente” da Ucrânia, apesar dos anúncios de Putin sobre a falaciosa retirada de tropas;
- Declaração do secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, dizendo que, como atestam documentos de Inteligência americana, a Rússia não diminuiu a presença militar e que novas tropas russas vão se aproximando da Ucrânia;
- Elevando o tom ainda mais, Biden — durante coletiva de imprensa na Casa Branca e após uma ligação com líderes ocidentais — declarou estar convencido de que Vladimir Putin tomou a decisão de invadir a Ucrânia, incluindo um ataque à capital, Kiev. E que sua convicção se fundava em relatórios da inteligência americana;
- No dia em que fechamos esta matéria (21 de fevereiro), Putin deu o passo que todo o mundo ocidental temia: numa violação flagrante da legislação internacional, da integridade e da soberania territorial da Ucrânia, decretou a independência de duas regiões claramente ucranianas (Donetsk e Luhansk), conforme os acordos de Minsk (2014 e 2015) e, algumas horas após a assinatura do decreto, ordenou o envio de tropas para ocupar essas regiões. Durante tal declaração, Putin — não escondendo seu anseio de restaurar a antiga URSS — novamente lamentou as perdas que a Rússia teve quando a União Soviética se desfez em 1991.

8 de março de 2022
RÚSSIA x UCRÂNIA — Movimentações nos ventos da guerra (Parte II)
NUMA
GUERRA, QUAL É A
POSIÇÃO
CATÓLICA?
“Seria
de pasmar se as pessoas que amam verdadeira e seriamente a Religião Católica
não indagassem quais os efeitos de uma possível guerra sobre as atividades e as
próprias condições de vida da Igreja em nosso século”
✅ Plinio Corrêa de Oliveira
Catolicismo, abril de 1951
Inútil
seria enumerar os muitos motivos que tornam iminente uma nova guerra mundial.
São eles tantos, tão graves, tão evidentes, que já passaram do conhecimento das
chancelarias para os parlamentos, dos parlamentos para a imprensa, e daí para a
rua, de tal forma que todos hoje, homens, instituições, governos, vivem em
função da guerra.
Não
há pessoa de critério e responsabilidade que, fazendo planos para o futuro, não
tome em consideração as modificações que uma possível guerra imporia à marcha
regular de suas previsões.
Seria, pois, de
pasmar que as pessoas que amam verdadeira e seriamente a Religião Católica,
também não indagassem quais os efeitos de uma possível guerra sobre as
atividades e as próprias condições de vida da Igreja em nosso século. Para
tratar deste assunto que tortura tantas almas zelosas é que deliberamos
publicar em Catolicismo este estudo. É óbvio que não poderemos
considerar senão os aspectos mais gerais do complexíssimo problema. As questões
de pormenor alongariam desmedidamente os quadros, de per se já tão
vastos de nosso trabalho.
Esta
provável guerra terá algumas notas preponderantes, que influirão em todos os
seus outros aspectos.
Primeiramente,
será “mundial” num sentido muito mais real e profundo do que o conflito de
14-18 [Primeira Guerra Mundial], ou mesmo o de 39-45 [Segunda Guerra]. De um
lado, os campos de operações militares serão muito mais numerosos.
Todas
estas circunstâncias exigirão uma participação militar e econômica muito mais
efetiva, das próprias nações que não forem diretamente atacadas em seus
cidadãos e seus territórios. O esforço de guerra mobilizará pois, de um modo ou
de outro, os recursos do mundo inteiro.
Em segundo lugar, esta guerra em
que todas as nações talvez tomem parte, será principalmente uma guerra entre
duas nações. Os russos e americanos de tal maneira se avantajam em força e
poder sobre os respectivos aliados que a vitória de qualquer dos dois blocos
não será senão o triunfo da nação-líder do bloco vencedor.
Em
terceiro lugar, a guerra será ideológica. Se a nação vencedora for a Rússia,
imporá ela ao mundo seu modo de pensar, de sentir e de viver. Contra esta
perspectiva se armam as nações que não estão dispostas a renunciar às suas
tradições, seus costumes e sua própria alma nacional. Em outros termos, há duas
civilizações, duas culturas, dois mundos ideológicos inteiramente distintos e
antagônicos, em presença um do outro. E a sobrevivência da hegemonia mundial da
cultura ocidental será impossível se a vitória couber ao bloco liderado pelos
bolchevistas.
Em
quarto lugar, vem uma decorrência do que acabamos de dizer. Se a guerra for
ideológica e se a questão ideológica que estiver na raiz da luta for a questão
social, é bem de ver com que facilidade em vários países se manifestará a
tendência de complicar com uma guerra de classes intestina, a guerra mundial.
É, pois, possível que a guerra mundial seja agravada por uma revolução social
que, se não for mundial, por certo poderá ser internacional.
Em
quinto lugar, tudo leva a crer que a guerra será científica e trará consigo
possibilidades de destruição ainda não bem conhecidas pelo público, mas por
certo muito amplas. A técnica será mobilizada contra o homem, e poderá
determinar convulsões, destruições e hecatombes inimagináveis. Há quem pense
que a própria civilização humana poderá desaparecer da Terra. Sem responder
pela afirmativa nem pela negativa, aceitamos a hipótese muito menos improvável
de que, simplesmente, as destruições acarretem para civilização um retrocesso
que ainda é prematuro tentar medir.
Este
o quadro das perspectivas sombrias que a guerra abre diante de nós.
A
Igreja e o comunismo
Cumpre-nos
examinar agora que influências estas perspectivas podem ter sobre a segurança,
esplendor e dilatação da Cristandade. Para isto, analisemos a posição da URSS e
dos EUA perante a Igreja. Comecemos pela URSS. As relações entre o comunismo e
a Igreja são tema já mil vezes versado. Parece-nos, entretanto, que muito
raramente se tem posto nos seus verdadeiros termos o problema.
Segundo
a doutrina católica, Deus pôs os homens neste mundo para O amar e servir, e
assim conquistar a visão beatífica e a vida eterna. Mas Deus não deixou a nosso
critério servi-Lo como bem entendêssemos. Ele promulgou uma Lei que não revogou
e jamais revogará, a mesma para todos os homens, em todos os lugares e todos os
tempos até a consumação dos séculos. Esta Lei nos manda professar a verdadeira
Religião, guardar a pureza segundo nosso estado, respeitar a propriedade
alheia, e acatar com amor toda a superioridade legítima, como é
arquetipicamente a do intelectual sobre o trabalhador manual.
Assim,
não nos é lícito constituir um estado de coisas baseado sobre a impiedade, o
adultério, o latrocínio e a revolta, e esperar que a Igreja acabe se acomodando
com isto. Para que tal acomodação fosse possível, seria mister, ou que a Igreja
abandonasse a Lei de Deus, ou que Deus reformasse sua própria Lei. Ora, quem
admite qualquer destas duas hipóteses, cai em heresia. A Igreja condena como
herética a simples suposição de que algum dia a Lei no todo ou em parte seja
modificada por Deus ou abandonada por Ele.
Como
se vê, a oposição entre o Comunismo de um lado o Catolicismo de outro é a maior
que se possa imaginar. Ora, os soviéticos não se limitam a viver segundo estes
princípios. Desejam reformar ao sabor deles toda a face da Terra. Prova-o a
existência, em todos os países, de partidos comunistas mantidos e dirigidos por
Moscou; e principalmente a bolchevização brutal de todas as regiões que, deste
ou daquele modo, caíram sob o jugo russo, como aconteceu temporariamente com a
Espanha e o México, e aconteceu com a Romênia, a Bulgária, a Hungria, a
Tchecoslováquia, a Polônia e a China.
Em
outros termos, a guerra de conquista da URSS contra o mundo ocidental é
estritamente uma guerra ideológica, uma espécie de cruzada cuja vitória
significará o fim da civilização atual e a revogação do edito de Milão com o
qual, em 313, Constantino reconheceu à Igreja o direito de existir.
Em
consequência, os católicos têm de lutar em nosso século contra os comunistas,
como lutaram do século XI ao século XVII contra os sarracenos. Somos obrigados
a levar a cabo contra a foice e o martelo uma verdadeira cruzada. Isto é
perfeitamente claro. Significa isto que todos os inimigos da URSS são cruzados,
e que podemos ver em Truman, por exemplo, um Godofredo de Bouillon?
A Igreja e os EUA
Eis outra
grave questão. A primeira coisa que se deve dizer sobre ela é que não é nova.
De fato, ela já se pôs aos cruzados medievais. Tinham estes no Império Romano
do Oriente, um aliado natural. Com efeito, os maometanos haviam feito da
monarquia bizantina sua bigorna preferida.
Contra
ela eram seus melhores golpes. O desejo de a destruir era sua mais alta ambição,
que iam satisfazendo com método implacável, e que chegaram a realizar no século
XV quando as tropas de Constantino XIII, os Dracosès, foram dizimadas sob os muros
e pelas ruas de Constantinopla pelos soldados vitoriosos de Maomé II.
Dada
a orientação implacável e ferozmente antibizantina da política muçulmana, tudo
levaria a crer que os cruzados da Europa Ocidental obtivessem o apoio do
Império do Oriente para a reconquista dos Lugares Santos, tanto mais que os
bizantinos, como cristãos, tinham os mesmos motivos religiosos do que os
cruzados para se interessar pela libertação do Santo Sepulcro.
É
bem verdade que os cruzados eram católicos, e os bizantinos greco-cismáticos.
Mas não seria o caso de fazer calar os motivos de dissensão entre cristãos, à
vista do adversário comum, formidável, e sanhudamente anticristão? A resposta
só poderia ser pela afirmativa. Fez-se o acordo.
E a
colaboração entre cismáticos e cruzados funcionou tão mal que não haveria
talvez nenhum exagero em se afirmar que melhor teria sido para estes enfrentar
os muçulmanos sem qualquer auxílio bizantino. É que, em mais de uma ocasião
decisiva, o Império do Oriente, receoso de um excessivo poderio dos ocidentais,
se mancomunou com os muçulmanos, deixando inopinadamente os cruzados — falhos
do auxílio prometido — frente a frente com o inimigo.
O
que nos ensina este fato histórico? Que jamais deve haver alianças entre
católicos e acatólicos? Seria levar longe demais a tese. Pio XI, segundo se
conta, afirmava que, se devesse colaborar com o próprio demônio para o bem da
Igreja, aceitaria a colaboração. Mas... e entra aí o pormenor que os cruzados
não tomaram na devida consideração, o demônio é sempre demônio, mesmo quando
acidentalmente nos serve de instrumento.
Os
pactos de aliança temporária que façamos com ele não o transformarão em Anjo de
luz. E toda a cooperação com ele só não será absolutamente ruinosa se nos
lembrarmos sempre das reticências muito consideráveis com que se deve agir em
relação a tal colaborador!
Não
queremos forçar a nota. O exemplo não pode ser aplicado ao problema de uma
cooperação mundial de todas as forças anticomunistas senão com uma imensidade
de nuances que seria gravemente injusto não explicitar cuidadosamente.
Mas, de qualquer forma através deste exemplo, temos sempre os dois princípios
de qualquer colaboração com os adversários da Igreja:
a)
em tese, é possível;
b)
nunca deve ser feita sem cautelas e reservas muito importantes, à falta das
quais a cooperação pode ser quase tão onerosa como a própria derrota.
No
caso presente, a cooperação não é apenas possível, mas necessária. Quando nos
falam na eventualidade de grupos se constituírem como uma terceira força na
hipótese de uma luta soviético-americana, temos vontade de sorrir. Com efeito,
dir-se-ia que não estamos vitalmente interessados no êxito da luta. Se os
soviéticos vencerem, as potências do grupo neutro serão conquistadas num abrir
e fechar de olhos. Lutando para esmagar a URSS, os norte-americanos lutarão
pelo destino de todas as nações livres do mundo. Seria, pois, inconcebível que
estas presenciassem a luta de braços cruzados.
Entretanto,
não se segue daí que a cooperação com os americanos deva ser aceita pelo mundo
católico sem cautelas, nem condições, nem apreensões. Lembremos, antes de tudo,
que o anticomunismo americano é muito heterogêneo em sua composição. Há
anticomunistas que o são por um sincero horror ao bolchevismo. Mas há os que o
são num espírito pagão, de mera preservação de situações pessoais vantajosas.
Há
ainda os que são anticomunistas pelo desejo de acrescer a prosperidade das
grandes empresas americanas. Como há também os que veem na URSS não tanto uma
potência ideologicamente hostil, mas um agressor que põe em risco a estabilidade
da pátria. Entre os anticomunistas americanos, há sindicalistas ferrenhos, que
desejam para sua pátria uma organização econômica e social. Há políticos que
não têm o menor desejo de extirpar o comunismo de qualquer canto da Europa
desde que daí não se irradie para a América. E há até os que veem de muito bom
grado os comunistas como aliados, desde que sejam anti-stalinistas.
Bem
se vê que os católicos, aceitando lealmente a cooperação americana, e sobretudo
prestando aos americanos apoio decidido face ao adversário comum, não podem
viver esta cooperação com chefes e soldados americanos como os cruzados —
irmanados na mesma Fé e combatendo todos por um mesmo ideal — podiam colaborar
entre si sob a direção de um católico da envergadura de Godofredo de Bouillon.
Muito pelo contrário!
Não
basta ganhar a guerra, é preciso ganhar a vitória
E
concluamos estas considerações lembrando que o espírito com que se combate é o
espírito com que se vence; o espírito com que se vence é o espírito com que se
organiza a vitória.
Se,
na refrega iminente, as nações católicas e latinas não conservarem a
consciência muito viva de sua missão providencial, do imenso futuro histórico
que representam, das tradições de civilização e cultura inestimáveis que
possuem; se as nações católicas e especialmente as nações latinas não se
lembrarem de que, pobres ou ricas, armadas ou desarmadas, têm direito a ocupar
pelo próprio fato destas tradições e desta missão um lugar de primeiríssimo
realce na direção do mundo, de sorte que toda a ordem internacional que se
construa sem elas seja considerada fundamentalmente injusta e inaceitável; se,
pois, estas nações não se munirem das melhores garantias de que tal será sua
situação depois da vitória, terão transgredido, por ingenuidade, por moleza,
por imprevidência, o mais sagrado de seus deveres.
Imaginemos
por um instante o que seria uma vitória americana conquistada sem a
participação de nós católicos, ou sem a garantia de que na mesa da paz nossa
participação nos traria um justo lugar de honra e de poder. O que viria a ser
esta paz? Algo de imensamente melhor do que a vitória de Moscou, isto é certo.
Assim,
pois, a verdadeira fórmula da colaboração deve ser esta: fervorosa, porém não
ingênua ou incondicional.
Isto
mais claro se tornará se considerarmos outra característica do conflito que se
aproxima. A guerra será mundial, dizíamos, e será sobretudo a vitória de uma
nação, URSS ou EUA. Equivale isto a dizer que, se vencerem os EUA, praticamente
serão eles os únicos vencedores, e seu poder será imensamente maior do que o de
César ou de Carlos V. Não haverá outros grupos que possam atender esta
soberania mundial, se antes e durante a colaboração com o adversário comum não
forem tomadas as necessárias precauções.
Este,
pois, é o momento em que as nações latinas — o grande bloco ibero-americano
sobretudo — jogarão as cartas para saber se podem, ou não, ganhar a vitória.
Porque, começado o conflito, a hora da diplomacia terá passado, e será preciso
lutar ou morrer.
7 de março de 2022
RÚSSIA x UCRÂNIA — Movimentações nos ventos da guerra (Parte I)
| Coluna de tanques russos |
“A Rússia espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja”
Fonte: Revista Catolicismo, Nº 855, Março/2022
Tendo
como fundo de quadro o grave conflito que vem se acentuando ao longo das
fronteiras entre Rússia e Ucrânia — sobretudo depois da assinatura do pacto
entre Rússia e China de “aliança sem limites”, acordado em Pequim no dia
4 de fevereiro último —, muitos analistas internacionais passaram a sentir
“cheiro de pólvora” se espalhando pelos ares de várias nações.
Alguns
deles vislumbraram a possibilidade da realização de velho sonho do autocrata
Vladimir Putin de restabelecer a antiga URSS (União das Repúblicas Socialistas
Soviéticas), para o que a invasão da Ucrânia seria apenas o primeiro passo.
Outros levantam inclusive a hipótese de que tal conflito possa se degenerar
numa III Guerra Mundial, até mesmo com o emprego de arsenal atômico.
Temendo o perigo de que esse sonho de Putin se transforme em realidade, alguns países outrora subjugados pela falida União Soviética — como Polônia, Hungria, Romênia, Bulgária, Lituânia, Letônia e Estônia — mobilizaram tropas para defender suas fronteiras.
No
quadro [aqui o reproduziremos amanhã] elencamos algumas informações que mostram
como os ventos da guerra avançaram rapidamente até chegar ao decreto do dia 21
de fevereiro, com o qual Putin deixou cair a máscara, mostrando sua sinistra
face stalinista. Com efeito, com esse decreto ele violou a integridade e a
soberania territorial da Ucrânia ao declarar a independência de duas regiões
claramente ucranianas (Donetsk e Luhansk), conforme os acordos de Minsk (2014 e
2015); tendo ordenado logo em seguida o envio de tropas para essas regiões — o
que o governante absoluto da Rússia, hipocritamente, chamou de “missão de
paz”...
Análise sob o
ponto de vista católico
Nós, enquanto católicos que procuram analisar meticulosamente o panorama político internacional, não podemos deixar de relacionar esse conflito com as proféticas palavras de Nossa Senhora de Fátima. Com efeito, no dia 13 de julho de 1917, na terceira aparição aos três pastorinhos, Lúcia, Jacinta e Francisco, Ela profetizou:
“Quando
virdes uma noite alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal
que Deus vos dá de que vai punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da
fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. Para a impedir, virei pedir a
consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora dos
primeiros sábados. Se atenderem aos meus pedidos, a Rússia se converterá
e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e
perseguições à Igreja; os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito
que sofrer, várias nações serão aniquiladas; por fim, o meu Imaculado
Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia, que se
converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz”.
1
Em
carta do dia 12 de maio de 1982, dirigida ao Papa João Paulo II, a Irmã Lúcia
escreveu : “Porque não temos atendido a este apelo da Mensagem, verificamos
que ela se tem cumprido, a Rússia foi invadindo o mundo com seus erros.
E se não vemos ainda, como fato consumado, o final desta profecia, vemos que
para aí caminhamos a passos largos”. 2
Guerra de
civilizações, de culturas, de ideologias
Enquanto
católicos não podemos deixar de apontar os efeitos que uma nova guerra poderá
causar à Igreja e influenciar todos os aspectos da sociedade temporal. É o que
o nosso principal colaborador, o muito saudoso Prof. Plinio Corrêa de Oliveira,
comenta em seu prenunciativo texto publicado em nossa edição de abril de 1951 [aqui o reproduziremos
no dia 9 próximo].
Com
a invasão da Ucrânia pela Rússia, a situação de guerra poderá levar o mundo a
um novo e brutal “choque de civilizações” e a uma “guerra cultural”, gerando
revoluções sociais e/ou guerras civis, provocando destruições incalculáveis,
não apenas materiais, mas culturais, no sentido da expansão da IV Revolução.
3 Ou seja, será uma guerra ideológica entre “duas civilizações,
duas culturas, dois mundos ideológicos inteiramente distintos e antagônicos, em
presença um do outro. E a sobrevivência da hegemonia mundial da cultura
ocidental será impossível se a vitória couber ao bloco liderado pelos
bolchevistas”, escreveu o Prof. Plinio no referido artigo.
Uma vez iniciada a invasão da Ucrânia pela Rússia, a situação de guerra poderá levar o mundo
a um novo e brutal “choque de civilizações” e a
uma “guerra cultural”.
“Morto o
comunismo? E o anticomunismo também?”
Uma
objeção poderia ser levantada: a URSS não existe mais; a União Soviética era
uma coisa e a Rússia de hoje, outra. Sem dúvida, o objetor fictício tem razão.
Mas também tem razão quem vê o perigo do retorno do regime próprio da “União
Soviética” — que subjugou povos por sete longas e negras décadas —, prenunciado
na pretensão de dominar a vizinha Ucrânia. Tudo isso se agrava exponencialmente
com o recente pacto sino-russo.
Ademais,
constitui grave equívoco julgar que o “comunismo morreu” e que a Rússia pós
URSS já não é mais dominada pela antiga nomenklatura do regime
comunista. A respeito, aconselhamos a leitura do manifesto “Morto o
comunismo? E o anticomunismo também?”, de autoria de Plinio Corrêa de
Oliveira, publicado em nossa revista (edição de outubro de 1989 — link indicado
no final desta matéria).4
Nesse
documento, o autor demonstra que no desmoronamento da União Soviética o
comunismo não morreu, mas apenas se metamorfoseou por meio de duas políticas
cosméticas denominadas Glasnost (transparência), em 1985, e depois Perestroika
(reestruturação), em 1986, ambas levadas a cabo pelo velhaco político Michail
Gorbachev.
Como
a carranca marxista-leninista do comunismo assustava a opinião pública
ocidental, os dirigentes russos resolveram dar a impressão de que “o velho
comunismo morreu”, desmobilizando desse modo as reações anticomunistas, ao
mesmo tempo que conservavam os países satélites da Rússia. Tudo não passou de
mera cirurgia cosmética — como agora estamos vendo com o projeto de Putin,
antigo coronel da KGB da ex-URSS.
Ele
próprio já afirmou que a maior tragédia geopolítica do século XX foi o fim da
União Soviética, tendo aliás renovado essa afirmação no dia 21 de fevereiro
último, ao lamentar as perdas causadas à Rússia pelo desfazimento da União
Soviética em 1991. Não é, pois, de estranhar que Putin queira restabelecer o
antigo sistema de domínio soviético ao subjugar o próprio país e os vizinhos,
entre os quais a Ucrânia, a fim de restabelecer aquela espúria união de países
comunistas para fazer face ao mundo ocidental.
“Espada de
Dâmocles” pairando sobre o Ocidente
Nestes
dias em que redigimos esta matéria, a tensão nos ventos da guerra é altíssima —
sobretudo porque poderá ocorrer uma conflagração armada envolvendo Rússia,
China, Estados Unidos, Ucrânia e nações vizinhas. Bem vislumbramos que esses
ventos poderão mudar de direção de um dia para outro, e quando esta edição
estiver em mãos de nossos leitores, a tensão poderá ter aumentado, diminuído ou
mesmo cessado. Quem viver, verá!
Mesmo que o clima de guerra venha aparentemente arrefecer,
enquanto Vladimir Putin e Xi Jinping — o qual pretende fazer com Taiwan o mesmo
que o mandatário russo quer fazer com a Ucrânia — estiverem aboletados no poder
de suas imensas nações, tal clima persistirá ainda que seja como “espada de
Dâmocles” pairando sobre a civilização ocidental e cristã.
Chamberlain, no retorno a Londres, exibe o “acordo de Munique” após encontro com Hitler
“Escolhestes a
vergonha, agora tereis a guerra”
Não somos partidários do “ceder para não perder”, mas sim de lutar para vencer! Imaginamos que também nossos leitores sejam admiradores desse princípio católico, em oposição a certos líderes mundiais entreguistas, partidários do princípio “ceder para não perder”. Conforme se desenrolarem os acontecimentos, a eles poderemos aplicar a histórica censura proferida por Churchill [foto ao lado] ao entreguista Chamberlain (Primeiro-Ministro do Reino Unido entre 1937 e 1940) quando este retornou a Londres celebrando o “acordo de Munique” após um encontro com Hitler — às vésperas da eclosão da Segunda Guerra Mundial —, na vã tentativa de apaziguar a agressividade nazista: “Tínheis a escolher entre a vergonha e a guerra. Escolhestes a vergonha, agora tereis a guerra”.
Assim
sendo, não “baixemos a guarda”, estejamos com os olhos bem abertos, pois não
podemos ver de modo otimista o perigo que nos ameaça, nem com olhos
“chamberlainescos”... Pelas mesmas razões, consideramos que o artigo a seguir seja mais atual do que
no próprio ano em que foi redigido, décadas atrás, por Plinio Corrêa de Oliveira.
Dele eliminamos apenas algumas frases concernentes especificamente à
geopolítica naquele remoto ano.
Da Redação de Catolicismo
____________
Notas:
1.
1. Um caminho
sob o olhar de Maria
– Biografia da Irmã Lúcia Maria de Jesus e do Coração Imaculado, Carmelo de
Coimbra, Edições Carmelo, Coimbra, 2013, pp. 63-64.
2.
2.
Antonio Augusto Borelli Machado, Catolicismo,
Nº 597, Setembro/2000.
3.
3.
Plinio Corrêa de Oliveira, Revolução e
Contra-Revolução, Artpress, S. Paulo, 4a. edição em português, 1998, Parte
III. (na qual o autor descreve o nascimento da IV Revolução - a Revolução
Cultural, que procura implantar uma sociedade tribal e anárquica).
3 de março de 2022
Os que esperam só ser comidos no fim...
✅ Plinio Corrêa de Oliveira
2 de março de 2022
Desejar a paz é estar disposto a pegar em armas para conquistá-la
Nesses dias de uma guerra que poderá se estender pela Europa, talvez até para todos os Continentes, seguem alguns pensamentos para refletirmos
“Ouvireis falar de guerras e de rumores de guerra. Atenção: que isso não vos perturbe, porque é preciso que aconteça. Mas ainda não será o fim.”
(São Mateus 24, 6)
“Preparai-vos, sede corajosos e estai prontos desde a manhã para o combate a essas nações que estão unidas para nos arruinar, a nós e tudo o que possuímos de sagrado.”
(I Judas Macabeu 3,58)
“Eu não temeria ir à guerra. Com que alegria, por exemplo, no tempo das cruzadas, teria partido para combater os hereges. Sim! Eu não temeria levar um tiro, não temeria o fogo!”
(Santa Teresinha)
“Pax quaeritur bello.”
[Procura-se a paz por meio da guerra]
(Expressão latina)
“É próprio ao belicismo fanático delirar e agredir. É próprio ao pacifismo fanático fechar os olhos, ceder, recuar.”
(Plinio Corrêa de Oliveira)
“Não sabemos a totalidade das armas da terceira guerra mundial, mas as da quarta serão o arco e a flecha.”
(Albert Einstein)
1 de março de 2022
Rússia/Ucrânia: tensão nos ventos da guerra. Estamos às vésperas de uma III Guerra Mundial?
| Dois misseis russos atingiram uma área residencial de Kharkiv, a 2ª maior cidade da Ucrânia, em 1-3-22. |
| Torre de TV bombardeada, neste primeiro dia de março, em Kiev, capital ucraniana |
