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Não ficaria bem o Divino Filho ter que se envergonhar de seu pai. É o que explica de São Pedro Julião Eymard em seu livro “São José, Modelo dos Adoradores” (Editora Ave Maria, São Paulo, 1949, pp. 17-19).
“Quando Deus Pai resolveu dar seu Filho ao mundo, quis fazê-lo com honra, pois Ele é digno de toda a honra e de todo o louvor.
Preparou-lhe, pois, uma corte e um serviço régio dignos d’Ele: Deus queria que, mesmo na Terra, seu Filho encontrasse uma recepção digna e gloriosa, se não aos olhos do mundo, ao menos aos seus próprios olhos.
Esse mistério de graça da Encarnação do Verbo não foi realizado por Deus de improviso, e aqueles que haviam sido escolhidos para tomar parte nele foram preparados por Ele muito tempo antes.
A corte do Filho de Deus feito Homem se compõe de Maria e de São José; o próprio Deus não poderia ter encontrado para seu Filho servos mais dignos de sua Pessoa. Consideremos particularmente São José.
Encarregado da educação do Príncipe Real do Céu e da Terra, incumbido de dirigi-lo, era necessário que os seus serviços fizessem honra ao seu divino Pupilo: não ficava bem a um Deus ter que se envergonhar de seu Pai. Portanto, devendo ser Rei, da estirpe de David, faz nascer São José desse mesmo tronco real: quer que ele seja nobre, até mesmo da nobreza terrestre.
Nas veias de São José corre, pois, o sangue de David, de Salomão, e de todos os nobres reis de Judá e se a sua dinastia tivesse continuado a reinar, ele [São José] seria o herdeiro do trono e haveria de ocupá-lo por sua vez.
Não nos detenhamos a considerar sua pobreza atual: a injustiça expulsou sua família do trono a que tinha direito, mas, nem por isso ele deixa de ser rei, filho desses reis de Judá, os maiores, os mais nobres, os mais ricos do universo.
Portanto, nos registros do recenseamento em Belém, São José será inscrito e reconhecido pelo governador romano, como o legítimo herdeiro de David: eis o seu documento régio, é bem autêntico e leva a sua régia assinatura.
–– Mas, que importa a nobreza de São José? direis talvez; Jesus só veio para se humilhar. Respondo que o Filho de Deus que quis se humilhar por algum tempo, também quis reunir em sua Pessoa todos os gêneros de grandeza: Ele também é Rei por direito de herança, pois é de sangue real. Jesus é nobre, e quando escolher seus Apóstolos entre os plebeus, Ele os enobrecerá: esse direito lhe pertence , já que é filho de Abraão e herdeiro do trono de David. Ele ama essa honra de família; a Igreja não coloca a nobreza ao nível da democracia: respeitemos, portanto, o que ela respeita. A nobreza vem de Deus.
— Mas então, é preciso ser nobre para servir a Nosso Senhor? Se o sois, dar-Lhe-eis uma glória a mais; porém, não é necessário, e Ele se contenta com a boa vontade e a nobreza do coração. Contudo, os anais da Igreja demonstram que um grande número de santos, e dos mais ilustres, ostentavam um brasão, possuíam um nome, uma família distinta: alguns até, eram de sangue real.
Nosso Senhor se compraz em receber a homenagem de tudo quanto é honorífico. São José recebeu, no Templo, esmerada educação e Deus o preparou assim para ser o nobre servidor do seu Filho, o cavalheiro do mais nobre Príncipe, o Protetor da mais augusta Rainha do universo”.

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