17 de setembro de 2013

Um sinal dos tempos: a balbúrdia dos sexos

Radical Revolução igualitária para a destruição da Família

Leo Daniele 

Se o leitor espera, neste tópico, um requisitório contra o homossexualismo — muito merecido aliás — prepare-se para encontrar algo que desce ainda mais abaixo. 

Vai encontrar logo de início certo “pirão” dos sexos, no sentido de que o homem seja menos, ou nada masculino, e a mulher, menos, ou nada feminina. Mas este ainda é o princípio da conversa. 


Mais radical, a feminista Shulamith Firestone [foto ao lado] assim se exprime: 

“Assim como a meta final da revolução socialista era não só acabar com o privilégio próprio da classe econômica, mas também com a própria distinção entre as classes econômicas, a meta definitiva da revolução feminista deve ser igualmente — diversamente do primeiro movimento feminista — não simplesmente acabar com o privilégio masculino, mas com a própria distinção de sexos: as diferenças genitais entre os seres humanos já não importariam culturalmente”.[1] 

É claro que para essa nova onda revolucionária a realidade da natureza incomoda, estorva, e, portanto, deve desaparecer. Mas como se arranjam os caudatários dessa corrente, para obliterar diferença tão óbvia? Veja esta tentativa: O ser humano nasce sexualmente neutro e, a seguir, a influência social faz dele homem ou mulher! 

Os seguidores desta corrente percebem que a natureza pediria outra coisa. Mas isto não os inibe: é preciso ir contra a natureza! “O ‘natural’ não é necessariamente um valor ‘humano’. A humanidade já começou a ultrapassar a natureza; já não podemos justificar a continuação de um sistema discriminatório de classes por sexos tomando como base suas origens na Natureza”.[2]

Portanto — comenta Dale O’Leary — os que tratam as mulheres com respeito estão tão errados quanto os que as desrespeitam. As duas atitudes marcam a existência de uma diferença. Essa diferença, embora seja natural, deve ser anulada ou ignorada. Ora, respeito é, justamente, o reconhecimento da existência de algo desigual ou diverso. Dentro de um “pirão” não há, nem pode haver, respeito. 

É uma tática pós-moderna fragmentar/para fundir. A fim de fundir os dois sexos em um só pirão, essa nova corrente os fragmenta em cinco: 

“Rebecca J. Cook, docente de Direito na Universidade de Toronto e redatora da contribuição oficial da ONU na IV Conferência das Nações Unidas, realizada em Pequim em 1995, afirma que “os sexos já não são dois, mas cinco”, e, portanto, não se deveria falar de homem e mulher, mas de “mulheres heterossexuais, mulheres homossexuais, homens heterossexuais, homens homossexuais e bissexuais”. Assim, as diferenças quase desaparecem. 

Essa catadupa de aberrações ainda não é aceita pela sociedade, mas indica o caminho do futuro sinistro. Ela leva necessariamente a novas aberrações, e o leitor talvez já adivinhe em que direção estas vão: a tentativa de desvincular o sexo da procriação. Só assim se estabeleceria uma verdadeira igualdade entre homem e mulher: 

“A igualdade feminista radical significa não simplesmente igualdade diante da lei, nem mesmo satisfação de necessidades básicas, mas antes que as mulheres — tal como os homens — não tenham que dar à luz”.[3]

Quando se conseguir isto, ocorrerá “a destruição da família biológica” e surgirão “mulheres e homens novos, diferentes dos que existiram anteriormente”.[4] 

Para a instituição internacional anti-vida “Catholics (sic) for a Free Choice”,[5] a destruição da família será fato extremamente alvissareiro. 

As “feministas de gênero” consideram que, quando a mulher cuida de seus filhos no lar e o esposo trabalha fora de casa, as responsabilidades são diferentes, e, portanto, não igualitárias. Veem esta ‘desigualdade’ no lar como causa de ‘desigualdade’ na vida pública, já que a mulher, cujo interesse primário é o lar, nem sempre tem tempo e energia para dedicar-se à vida pública.

Vê-se que, para os propulsores do “gênero”, as responsabilidades da mulher na família são supostamente inimigas da realização da mulher. Como fazer para resolver de vez este problema? Com novas técnicas reprodutivas:

“Em sociedades mais imaginativas, a reprodução biológica poderia assegurar-se com outras técnicas”.[6] Cada qual pode imaginar algum novo tipo de fertilização “in vitro” ou de clonagem, feita por uma repartição competente. 

Os futurólogos têm-se debruçado com especial empenho sobre esse assunto. Assim, Antônio Polito escreve, sobre o Século XXI: 

“Deve-se esperar, sobretudo, a separação definitiva entre sexo e procriação, isto é, a mais extraordinária mudança na história da evolução humana. Carl Djerassi, um dos pais da 'pílula', prevê que a indústria farmacêutica concluirá o estudo do controle da natalidade e preocupar-se-á de encontrar meios de aumentá-la, sobretudo nos países desenvolvidos".[7]

Além de tudo isto, que não é pouco, fala-se cada vez mais em sexo com animais.

Tudo neste tópico remete para uma pergunta: pode o relógio funcionar contra as regras que lhe pôs o relojoeiro? Ou a criatura proceder contra as normas estabelecidas por seu Criador?[8] 

Nosso Senhor recomendava que se prestasse atenção aos “sinais dos tempos”. O certo é que dificilmente poder-se-ia imaginar algo de mais radicalmente igualitário do que essa tendência de igualar os sexos, em sentido tão literal e tão ao arrepio da própria natureza. 
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Notas:
[1] Shulamith Firestone, The Dialectic of Sex, Bantam Books, New York, 1970, p. 12, grifos nossos. 
[2] Shulamith Firestone, ibid. grifos nossos . 
[3] Alison Jagger, Political Philosophies of Women’s Liberation, Feminism and Philosophy, Littlefield, Adams & Co., Totowa, New Jersey, 1977, p. 14. 
[4] ibid. 
[5] Católicas pelo direito de escolher. 
[6] Heidi Harmann, The Unhappy Marriage of Marxism and Feminism, Women and Revolution, South End Press, Boston, 1981, p. 16. 
[7] “La Repubblica”, sexta-feira, 5 de novembro de 1999. 
[8] Muitos dados deste tópico foram extraídos de um documentadíssimo relatório da Conferência Episcopal Peruana, intitulado “La ideología de género, sus peligros y alcances”.

13 de setembro de 2013

Escândalo: Dinheiro público para se obter a descriminalização do aborto no Brasil

Paulo Roberto Campos
Tendo como tema “ESTRATÉGIAS PARA A DESCRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO NO BRASIL: Projeto de alteração do Código Penal e experiências de legislação em outros países”, a Defensoria Pública do Estado de São Paulo, programou para o dia 26 de setembro audiência a fim de “ouvir a opinião pública”... [click na foto acima] Entretanto, a parceria com o “Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher” — movimento feminista declaradamente favorável ao aborto — leva a crer que as cartas estão marcadas. Só ouvirão uma opinião: a opinião favorável ao “Direito” da mulher eliminar o bebê no ventre materno. Apenas pretendem dar voz e vez ao "lobby pró-aborto".

O pretexto para tal programação, “ouvir a opinião pública”, é uma mera artimanha, pois só querem ouvir uma parte: a turma do aborto! Só convidam para falar um lado: a mesma turma e pessoas que desejam mostrar os métodos as manobras utilizadas em outras nações para convencer enganar a opinião pública e obter, assim, a legalização do aborto — a legalização do crime! 

No vídeo a seguir, o Cel. Paes de Lira faz a denuncia: a promoção do aborto com o dinheiro público do contribuinte paulista — mesmo daqueles que são contrários a esse crime infame! A Defensoria Pública do Estado de SP servindo-se de instrumento da "Revolução Cultural", desagregadora da família.

Recomendo aos Amigos ampla propagação da denúncia contida nesse vídeo. 
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9 de setembro de 2013

“Agenda abortista avança, com a conivência de muitos, com o silêncio dos ‘bons’”

Uma muito elucidativa entrevista concedida pelo Prof. Hermes Rodrigues Nery (*) ao canal FORA FORO [de São Paulo] foi postada ontem (8-9-13) e aqui a propago para conhecimento de nossos leitores.

O Prof. Hermes — após contar algumas reminiscências de seu passado — explica muito bem toda a questão do objetivo revolucionário do controle populacional, por meio do aborto promovido por instituições internacionais, como a Fundação Rockefeller, financiada por John Rockefeller III.  

O entrevistado aponta também para o gravíssimo problema que deparamos presentemente devido à infiltração esquerdista nos meios católicos, o que acaba favorecendo o avanço da “Revolução Cultural” (como novos costumes introduzidos para apressar a desagregação familiar) em nosso País. 

A seguir um trecho da entrevista e no final o vídeo (de aproximadamente 2 horas).

Gramsci e a infiltração esquerdista, lenta e cirúrgica, nos meios católicos

"Infelizmente temos que reconhecer, com muita tristeza, que parte da Igreja Católica hoje no Brasil está aparelhada ideologicamente. Muitos em postos de decisão ou se calam ou são coniventes com o projeto de implantação do socialismo no Brasil, processo este com táticas gramscianas, e monitorado por organismos externos, internacionais, que vem impondo a agenda abortista no País, com a anuência do governo federal, do PT, isso já a alguns anos. 

De maneira que para nós, católicos, está ficando cada vez mais difícil defender o Evangelho da Vida, num terreno que se tornou um campo minado, dentro da própria Igreja, cujo joio do esquerdismo (por falta de um termo melhor) cresce de uma tal forma que está suplantando o pouco trigo ainda existente. Hoje, padres e leigos realmente católicos, que tem efetivo compromisso com as diretrizes, princípios e valores do magistério da Igreja Católica, tem se tornado minoria, e perseguidos (de diversas formas, porque há vários meios de você excluir, desprestigiar, manipular, e dificultar o apostolado daquele que realmente tem amor à Igreja e a Nosso Senhor Jesus Cristo. É uma guerra cultural, interna, intestina, um jogo de linguagens, de subterfúgios, de eufemismos, de instrumentalizações do próprio Evangelho para os fins políticos e perversos deste esquerdismo que grassa por toda a parte, dentro da instituição. 

Os fiéis católicos desinformados, mas devotos e tementes a Deus, ficam PERPLEXOS, perplexos diante do que veem, dos contra-testemunhos abundantes, e ou saem fora, daí a evasão, ou ficam mortificados, mas fiéis ao mandato de Nosso Senhor, e aí a evangelização se torna uma cruz no deserto, muitas vezes, dentro da própria Igreja. Eu fiquei, preferi a via estreita da mortificação, pois assumo com honra o meu BATISMO. 

Agora, o que acontece? Nem todos conseguem fazer o discernimento. E hoje eu posso dizer pela experiência de engajamento na vida da Igreja há já alguns anos, de que o câncer do esquerdismo gerou metástases, e a corrosão por dentro está de um tal forma, que não sei o que vai acontecer. E esse processo, no Brasil, está muito, mas muito relacionado com o PT, não só com o PT (se vocês forem ver, o Lula e o Fernando Henrique panfletaram juntos, já no final dos anos 70).

O mesmo FHC conta que na transição dos anos 70-80, no esforço de subverter e mudar a sociedade (e sua mentalidade), a Igreja Católica foi uma das esferas escolhidas para — de modo gramsciano, de infiltração lenta e cirúrgica — fazer o germe da subversão agir. 

Em seu livro “Perspectivas” (Ed. Paz e Terra, 1983, p. 78), ao se referir á transição dos anos 70-80, ele afirma: “Vê-se hoje no ABC, e especialmente em São Bernardo, o nascimento do espírito da comunistas de modo muito vivo. E é isso que dá à presença o fulgor inegável. (...) A Igreja fornece apenas a moldura, dentro desta o espírito que frutifica é o da igualdade mística num nós coletivo que dissolve momentaneamente hierarquias”. 

Naquele período, a Igreja Católica começou então a ser instrumentalizada, e muitos — que hoje ocupam altos postos — contribuíram para isso. O fato é que esta agenda abortista que está sendo implantada no Brasil hoje, ela decorre de um processo que vem de longas décadas, e com uma influência, planejamento e até financiamento que vem de fora. Mas primeiro precisou tomar as instituições, dominá-las e fazer a revolução cultural, ainda em curso. 


Eu me lembro de uma conversa que tive com Fernando Henrique [na foto ao lado com o Prof. Hermes], em sua casa, lá no seu apartamento, na rua maranhão, em São Paulo, em 1988, (parte desta conversa foi publicada no Jornal da tarde de SP, em 11 de outubro de 1988). O FHC me disse que trabalhou nos Estados Unidos “num local chamado Institute for Advanced Study (Instituto de Estudos Avançados). E explicou: “Este instituto foi criado na década de 30 para Albert Einstein, por ocasião de sua estada lá, e hoje é um grande instituto de estudos avançados (...) com uma pequena seção de Ciências Humanas, cujo estimulador naquela época era o professor Albert Goldsmidt, que é muito amigo meu, e o José Serra (que trabalhava conosco)”. O processo não é muito diferente do que aconteceu na Europa, por exemplo, quando também lá as instituições acadêmicas foram tomadas, no decurso do século XX para a difusão do marxismo e tantas outras ideologias. Então veja só o quadro: FHC, Ruth Cardoso, Serra, Lula, todos comprometidos com tais influências, de fora; para este processo de tomada das instituições e inoculação — via mídia por exemplo, e outros meios — da ideologia de gênero e tantos outros venenos que estão aí com os efeitos letais estamos começando sentir agora, quando quase tudo já está tomado. Em relação ao aborto, por exemplo, foram eles, o PT, e em São Paulo, com o financiamento da Fundação MacArthur, que começaram a executar o projeto visando a legalização do aborto no Brasil, começando por São Paulo, isto desde 1988, neste contexto de perversão e dissolução moral. 

Esforços tem sido feito para evitar que o estado brasileiro patrocine (via SUS) a matança dos inocentes. Tivemos uma vitória importante em 2008, com 33 x 0 na CSSF (eu estava lá naquele dia), mas o PLC 03 foi um projeto ardiloso, uma armadilha, um cavalo de Troia  como todos sabem. E de modo concreto ficou evidente de que a evangelização se torna uma cruz no deserto, muitas vezes, dentro da própria Igreja. Infelizmente, a agenda abortista avança, com a conivência de muitos, com o silêncio dos "bons" que hoje são beneficiados pela lógica perversa de poder, do globalismo que aí está.” _______________ ___________________ 
(*) O Prof. Hermes Rodrigues Nery é Coordenador da Comissão em Defesa da Vida e do Movimento Legislação e Vida, da Diocese de Taubaté. Membro da Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB e Diretor da Associação Nacional PROVIDAFAMÍLIA e Coordenador da Campanha São Paulo pela Vida.

6 de setembro de 2013

Cardeal Burke estimula os católicos a se mobilizarem em defesa da Família

A revista francesa “Familie Chrètienne” (link abaixo), publicou uma oportuna entrevista com o Cardeal Raymond Leo Burke, na qual relembra a posição da Santa Igreja, quanto ao aborto, a condenação a políticos que apoiam tal prática, ao “casamento” homossexual, à família e à educação dos filhos. 

O Eminentíssimo Cardeal Burke é norte-americano e atualmente é o Prefeito da Signatura Apostólica da Santa Sé (que equivale ao nosso STF, ou ao supremo tribunal judiciário do Vaticano).  

Aqui transcrevo a tradução de sua entrevista, recomendando aos Amigos ampla divulgação, pois, devido ao relativismo imperante em nossa época, as pessoas são tendentes a deixar cair no esquecimento o que jamais poderíamos olvidar: os ensinamentos perenes da Igreja sobre esses temas e em relação às leis injustas e imorais que governos querem impor a qualquer custo. 

Cardeal Burke: “A Igreja Católica jamais aprovará as uniões homossexuais” 

P — A defesa da vida é um combate incessante para a Igreja, como o atesta, entre outros, a continuação das jornadas Evangelium vitae lançadas por João Paulo II. Onde se radica essa prioridade? 
R — A lei que a Revelação nos deu nos ensina que o primeiro direito de um ser humano é de viver. Esta verdade, que é a inviolabilidade de vida inocente, é tão mais evidente quando se lembra que Cristo morreu por todos os seres humanos sem exceção. Lembremos igualmente a parábola do juízo final: “O que fazeis ao menor dos meus é a mim que o fazeis” (Mateus 25,40). Ora, aqueles que são vivos, mas ainda não nasceram, são os menores. É por isso que a Igreja conclamará sempre a proteger a vida inocente. Mais ainda, o primeiro preceito da lei natural é o de promover e proteger a vida humana. Inscrito no coração de cada um, este preceito é participado por todo mundo, seja qual for a sua orientação espiritual.

P — Uma nota da Congregação para a Doutrina da Fé, assinada pelo cardeal Ratzinger em 2004, indicava que não se devia dar a comunhão a políticos católicos, homens e mulheres, que defendessem publicamente o aborto. Ela está ainda vigente? 
R — Inteiramente! Os homens políticos que se dizem católicos, mas que defendem o aborto pretendendo não querer impor suas convicções religiosas, estão no erro, pois, como eu já o disse, a revelação divina não vem senão confirmar aquilo que a lei natural acessível a todos já estabeleceu. E aqueles que fazem abertamente a promoção do aborto não devem, portanto, ter acesso à sagrada comunhão. Esta regra de disciplina canônica está prevista no artigo 915 do Código de Direito Canônico. Os católicos devem saber manifestar sua oposição, inclusive na rua, quando necessário. 

P — Qual é o papel da família no respeito pela vida? 
R — A família tem o primeiro papel, pois são os pais que devem ensinar os filhos a respeitarem a vida humana e a si próprios. Em uma segunda etapa, a educação religiosa deve preparar os filhos nesse sentido. Nesta ótica, a catequese é muito importante. Durante os anos, a maneira de ensinar o catecismo às crianças foi de tal maneira pobre que há uma necessidade de realizar um verdadeiro trabalho nesse ponto. Espero que esse tempo em que a catequese foi empobrecida acabou. Lembro-me de que quando eu era bispo de uma diocese, tentei tanto que pude remediar esses problemas. 

P — Vossa Eminência é o prefeito do Tribunal supremo da Signatura Apostólica, que vela pela boa administração da justiça eclesiástica. O que diz o ensinamento da Igreja sobre as uniões homossexuais? 
R — O ensinamento da Igreja é muito claro. A união sexual é moral no âmbito do casamento, sendo ela a expressão de um amor fiel, permanente e fecundo, isto é, procriador, entre um homem e uma mulher. Uma nota da Congregação para a Doutrina da Fé, publicada em 2003 e assinada pelo Cardeal Ratzinger, então prefeito dessa mesma congregação, condenava assim toda forma de legalização das uniões homossexuais. A natureza nos ensina que o homem e a mulher são feitos um para o outro. A alteridade é uma condição necessária ao casamento. Cumpre, pois, compreender que a Igreja Católica jamais aprovará as uniões homossexuais, que não podem ser naturalmente procriadoras. 

P — Na França, a lei que legaliza o casamento homossexual foi votada. O que os católicos devem fazer doravante? 
R — Acompanhei o combate dos franceses contra essa lei. Eu posso lhes dizer aqui: continuem a manifestar, continuem a mostrar que essa lei é injusta e imoral. A Igreja os apoiará nesse combate pela justiça. Eu incito assim os padres e os bispos a continuar nessa via e a manifestar sua oposição na rua se necessário. É importante que eles deem o exemplo. Eu mesmo cheguei a manifestar, notadamente na Marcha pela Vida. Na Evangelium vitae, João Paulo II faz referência à desobediência civil, é nesse gênero de caso que devemos praticá-la. Os pais têm igualmente um trabalho a fazer contra essas leis insidiosas. Eles devem observar o que fazem seus filhos. O pior hoje é sem dúvida a pornografia. Os pais devem prestar atenção principalmente quando os filhos utilizam o computador e olham coisas cujos efeitos eles não medem e que fazem muito mal. 

P — Como preservar as crianças desses desvios de conduta quando exibidos na rua? 
R — É preciso que os pais procurem manter seus filhos longe de tudo isso e explicar-lhes o que é bem e o que é mal. A escola é também um lugar no qual importa investir. É necessário principalmente que o ensino católico seja ainda mais católico do que o é atualmente. 
(*) http://www.famillechretienne.fr/croire/l-eglise-et-son-histoire/cardinal-burke-leglise-catholique-napprouvera-jamais-les-unions-homosexuelles-_t9_s86_d70114.html
famillechretienne.fr – 20/06/2013 / Par Pierre de Calbiac

5 de setembro de 2013

Aborto — Entrevista com o Pe. Padre Anderson Batista da Silva

No último dia 3, o Padre Anderson Batista da Silva [na foto à esq.], da Arquidiocese de Niterói (RJ), concedeu esclarecedora entrevista à rádio Catedral, emissora da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. 

Na entrevista [vídeo abaixo], o Revmo. sacerdote trata de temas atuais relacionados à prática do aborto no Brasil, como a recente aprovação do homicida PLC 3/2013, e denuncia organizações internacionais que estão impulsionando e financiando a ampliação do aborto em nosso País. 

 

4 de setembro de 2013

Nova fase na luta contra o aborto

Importantíssima matéria, prognosticando uma nova frente de luta contra a legalização do aborto, foi publicada na revista Catolicismo deste mês. O autor, Mathias von Gersdorff — publicista católico e diretor da Aktion Kinder in Gefahr (Ação Crianças em Perigo) com sede em Frankfurt (Alemanha) — aponta que devemos, além de uma ação em defesa do inocente ainda no seio materno, passar para uma ação em defesa do já nascido. 


Isto porque mentores do movimento abortista planejam aplicar a eutanásia não somente aos idosos, mas também aos neonatos, ou seja, a legalização do infanticídio! Caso um bebê venha a nascer com alguma má-formação, abortistas querem justificar sua eliminação! Seria o decreto de pena de morte para o inocente que acabou de nascer com saúde débil.

O que pareceria ser uma prática dos tempos da barbárie e do paganismo é defendido atualmente na Holanda e começa a ser ventilado em outras nações. Já aparecem espantosas notícias de inescrupulosos defendendo a permissão de se matar recém-nascidos cujo estado de saúde físico ou mental justificasse um aborto. Na lógica deles, assim como se pode abortar um nascituro um minuto antes de seu nascimento, por que não se poderia executá-lo alguns minutos após o nascimento natural? 

“O tempora, o mores!”. “Que tempos, que costumes!”  — poderíamos segundar Cícero quando lamentou a maldade e a corrupção moral de sua época de costumes pagãos. 

Aconselhando aos Amigos uma larga difusão desta matéria, transcrevo seu texto. 

A eutanásia de recém-nascidos na Holanda abre nova fase na luta contra o aborto 

Mathias von Gersdorff


Sem dúvida foi chocante e indignante a notícia sobre a planejada legalização da matança de recém-nascidos doentes na Holanda. A introdução da eutanásia para neonatos está abrindo uma fase completamente nova na luta pelo direito à vida.

A partir de agora será possível matar recém-nascidos, evidentemente sem a sua anuência. 

A matança de neonatos não é nenhuma invenção dos tempos modernos. Já era praticada entre os povos pagãos. Somente com o advento do Cristianismo é que houve uma mudança de consciência e cessou essa prática tão inumana, injusta e cruel como o aborto. 

Assim, a introdução legal da eutanásia para recém-nascidos documenta não apenas a decrescente influência que o cristianismo exerce em nossos dias, mas também para onde se dirige a nossa sociedade em razão do desaparecimento da influência cristã. Ela está voltando, em sua decadência, à barbárie e ao paganismo. 

Essa notícia, por mais assustadora que seja, não surgiu de modo inesperado. Como já foi largamente descrito, o diagnóstico pré-natal (DPN) — isto é, a investigação médica da criança no útero materno — calcula a possibilidade da ocorrência de doenças genéticas ou outras quaisquer no nascituro.

Na prática, trata-se de verificar principalmente se existe no feto a ocorrência de trisonomia 13, 18 ou 21 (síndrome de Down ou mongolismo), portanto as derivações genéticas mais frequentes. Cerca de 90% das crianças com a síndrome de Down são abortadas depois de tais controles médicos.

Em via de regra o crime do aborto é a perspectiva mais iminente num diagnóstico pré-natal, uma vez que apenas numa parte cada vez menor dos casos é possível fazer operações ou empregar terapias efetivas. Assim, via de regra, o objetivo visado pelo diagnóstico pré-natal e pelos testes genéticos é claramente a seleção de crianças com defeitos físicos.

É importante saber que os diferentes processos de diagnósticos pré-natais (DPN) só podem fornecer uma probabilidade sobre a existência de doenças e de modo algum uma certeza absoluta. Deste modo são mortas até mesmo crianças sadias (e doentes sobrevivem). 

Posto que muitos desses abortos são feitos tardiamente — sendo por isso chamados de abortos tardios —, muita gente apela pura e simplesmente para o infanticídio: “De fato seria melhor deixar que a criança viesse ao mundo de modo natural para então matá-la, se ela estiver realmente doente. Neste caso se teria absoluta segurança sobre o estado de sua saúde e os médicos evitariam o risco de serem responsabilizados”. 

Do aborto à eutanásia de recém-nascidos
Na Alemanha, por ocasião da revisão do parágrafo 218 do Código Penal — que tratava da penalidade aplicável a uma mulher que praticasse o aborto — no início dos anos 90, sob o nome de “indicação embriopática”, foi introduzida na legislação a respeito do aborto a “indicação eugênica” (§ 218 a do Código Penal), que desembocou depois na indicação “medicinal” ampliada. Essa indicação médica permite abortos até pouco antes do nascimento caso haja perigo para a saúde da mãe. Porém, isso é mera teoria. 

Na prática, o simples risco de nascer uma criança seriamente defeituosa (os testes genéticos e o diagnóstico pré-natal não dão uma certeza de 100%) já é considerado como um peso psíquico de tal maneira grande para a mãe, que não se pode impedi-la de abortar. Isso, por sua vez, é o pressuposto legal que alimenta o grande desenvolvimento do diagnóstico pré-natal e dos testes genéticos. A medicina pré-natal é hoje em dia um segmento econômico com forte crescimento. A esse ponto chegamos! 

Essas considerações não são novas. Iberto Giubilini e Francesca Minerva, dois acadêmicos que exercem suas atividades em Melbourne (Austrália), argumentam na revista especializada de medicina Journal of Medical Ethics que do ponto de vista lógico deveria ser permitido matar recém-nascidos cujo estado de saúde corporal ou mental justificasse um aborto do ponto de vista legal. É um reconhecimento de que aborto e infanticídio se equivalem. 

Esta colaboração científica de ambos no Journal of Medical Ethics sobre a valoração moral do assassinato de crianças, tal como se faz com o feto no aborto, provocou uma onda de indignação no mundo inteiro. Os autores colocam no mesmo nível o “status” moral do assassinato de um recém-nascido e o de um feto. A ambos — ao feto e ao recém-nascido — faltariam, segundo Giubilini e Minerva, as capacidades que justificam o reconhecimento de um direito à vida.

Nossa preocupação não deve restringir-se à situação na Holanda, pois na Alemanha já foram também estabelecidas as condições prévias para a prática da eutanásia em recém-nascidos... 

Também na Alemanha vai se colocar a pergunta: Para que fazer testes caríssimos e extremamente estressantes para a futura mãe? Se a criança pode ser morta um minuto antes de seu nascimento natural, por que então não poderia alguns minutos depois do nascimento, quando se pode constatar claramente seu estado de saúde? 

Aqui fica evidente uma coisa: a legalização do aborto representou o rompimento de um dique que nos conduz de uma catástrofe moral a outra. As soluções de compromisso não conseguem sustar este processo. A propósito da vida é preciso manter o que o cristianismo ensinou desde o início: Não é possível fazer compromissos! 

A completa proibição do aborto deve continuar a ser o objetivo da luta em prol do direito à vida.

31 de agosto de 2013

Gêmeos salvos, apesar do conselho médico recomendar o aborto


No vídeo acima, o Cel. Paes de Lira comenta um caso que merece todo destaque e divulgação. Trata-se de dois chilenos, irmãos gêmeos, que escaparam de um grosseiro erro médico.

Em 1984, os médicos de posse do resultado de uma ultrassonografia julgaram que a mãe geraria um ser monstruoso: um bebê com três braços e duas cabeças. Insistiram com a mãe, a Sra. Rosa Silva, que abortasse. Como digna mãe e católica, recusou a infame proposta dizendo que aceitaria “o que Deus lhe mandasse".

Deus não lhe enviou um monstro; nem um só bebê; mas dois bebês perfeitos: Felipe e Paulo — hoje sacerdotes.

Quantos outros bebês nasceriam perfeitamente, mas foram abortados devido a conselhos de inescrupulosos médicos que se equivocaram dizendo que as crianças nasceriam com má-formações?

Quantos outros bebês nasceriam perfeitamente se o belo exemplo da Sra. Rosa Silva, autêntica e heroica mãe, fosse imitado? 

Escutem o Cel. Paes de Lira narrar outro caso análogo que ele testemunhou.

29 de agosto de 2013

Atualize sua opinião sobre famílias numerosas


Leo Daniele 

O General Social Survey (uma compilação de dados sociológicos) contém entrevistas com 57 mil adultos dos Estados Unidos realizadas pelo Centro Nacional de Pesquisas de Opinião, da Universidade de Chicago. É recentíssimo.

Downey e Bobbitt-Zeher, desta equipe, apresentaram suas conclusões na 108º reunião anual da Associação de Sociologia Norte-Americana (ASA, na sigla em inglês), que terminou em 13 de agosto último em Nova York. As quais são muito interessantes e oportunas: quanto mais irmãos a pessoa tem, menos provável é que ela se divorcie quando crescer, sugere um estudo apresentado no último dia 13 em uma grande convenção de sociólogos norte-americanos.[1] 

“A verdadeira questão parece ser como a dinâmica familiar muda gradativamente com a adição de cada irmão“, explicou Donna Bobbitt-Zeher, coautora do estudo. 

“Ter mais irmãos significa maior experiência em lidar com os outros — e isso parece oferecer ajuda adicional para lidar com um relacionamento conjugal na vida adulta“, esclareceu. E também não conjugal, acrescento eu. 

“Maior experiência em lidar com os outros”: quem tem muitos irmãos, recebe uma influência em seu temperamento que pode ser benéfica, com uma tendência a ser desembaraçado, sociável, conhecendo o próximo em suas qualidades e seus defeitos, podendo votar-lhe consideração e estima. 

Plinio Corrêa de Oliveira acrescenta: A natureza do homem leva-o a estabelecer nexos mais diretos com certas coisas, e relações mais próximas com certas pessoas. Ser proprietário, ter família, são situações que lhe dão uma justa sensação de plenitude de personalidade. Viver como átomo isolado, sem família nem bens, em meio a uma multidão de pessoas, estranhas, lhe dá uma sensação de vazio, de anonimato e isolamento, que é para ele profundamente antinatural.

O mesmo autor ressalta que a parentela numerosa “emprestava vida e calor à família”. 

E passa a descrever: “O número considerável de filhos dá ao ambiente doméstico uma animação, uma jovialidade efervescente, uma originalidade incessantemente criativa, no tocante aos modos de ser, de agir, de sentir e de analisar a realidade quotidiana de dentro e de fora de casa, que tornam o convívio familiar uma escola de sabedoria e de experiência, toda feita da tradição comunicada solicitamente pelos pais, e da prudente e gradual renovação acrescentada respeitosa e cautamente a esta tradição pelos filhos. A família constitui-se assim num pequeno mundo, ao mesmo tempo aberto e fechado à influência do mundo externo”. 

“A organização familiar como eu a descrevi (diz Dr. Plinio) pode ser comparada às águas de uma piscina, renovadas discreta, mas certamente, de maneira a evitar a estagnação: não são nem as torrentes revoltas da aventura e da improvisação, nem a estagnação que recusa todos os valores novos”.

Com a crise da instituição familiar, a solução muitas vezes é a fuga: “Tende-se a fugir, e se foge indo para a rua ou trazendo a rua para dentro de casa, sob o aspecto de duas ou três televisões em várias salas”. 

Do alto da Cátedra de Pedro, o Papa Pio XII se pronuncia: “Magnífico espetáculo, especialmente em algumas regiões, oferecem aquelas famílias muito bem chamadas patriarcais, nas quais o espírito do avô desaparecido ainda perdura, comunica-se e se transmite de geração em geração, como o melhor e mais sacro patrimônio, guardado mais zelosamente que o ouro ou a prata”.[2] 
_____________
[1] http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/afp/2013/08.
[2] Pio XII, Alocução aos homens da Ação Católica Italiana, em 20-9-1942.

26 de agosto de 2013

“Chora como mulher o que não soubeste defender como homem!”

O rei mouro Abû`Abd Allâh (conhecido como Boabdil)
Paulo Roberto Campos

A agência de notícias “Zenit” (14-8-13) publicou uma matéria intitulada “Dezoito bispos do Brasil mostram-se contrários à lei do aborto aprovada pela Presidente Dilma Roussef”. Esses prelados pertencem à “Regional Leste I” e assinaram uma carta dirigida aos deputados e senadores. 

Na missiva, os 18 bispos lamuriam: “querem demonstrar sua profunda consternação com o PLC nº 3/2013, e sua sanção, por não estar, realmente a favor da vida, atentando contra um inocente indefeso no ventre materno”; e declaram que “ficaram muito surpresos e perplexos quando o PLC nº3/2013 foi sancionado sem veto pela Presidenta (sic) Dilma Rousseff no último 1º de agosto”; lamentam ainda que “o povo católico gostaria de ter ouvido mais nitidamente a sua voz [dos deputados e senadores] denunciando, publicamente, nos meios de comunicação a farsa presente nesse projeto que facilita o aborto no Brasil e acaba obrigando os médicos e hospitais católicos associados ao SUS a realizarem esse crime horrendo”. 

Como se vê, uma lamentação estéril na qual nem pedem aos deputados e senadores que façam o possível para revogar a infame lei que abre a porta para prática do aborto no Brasil. Não pedem sequer uma mobilização dos fiéis católicos para pressionarem seus representantes no Congresso Nacional exigindo a revogação da referida lei. Os leitores que o desejarem e tiverem paciência de conferir esse choramingo na íntegra da carta, podem fazê-lo através do link no final deste post.(*) 

Sempre que tomo conhecimento de atitudes estéreis de pessoas que lamentam o arrombamento de uma porta, mas que nada fizeram para deixá-la bem trancada, eu me lembro de um fato histórico que resumo aqui. 


Boabdil (esq.) entrega as chaves de Granada aos Reis Católicos
(pintura de Francisco Pradilla de 1882)
Com a conquista da cidade de Granada em 1492, obtida graças à ação enérgica dos Reis Católicos Isabel de Castela e Fernando de Aragão, os muçulmanos foram finalmente expulsos da Espanha, após vários séculos de dominação. 


A despedida de Boabdil
(pintura de Alfred Dehodencq)
Então, em sua fuga de volta para o Norte da África, o rei mouro Abû`Abd Allâh (conhecido como Boabdil) chorou... [cena imortalizada no quadro ao lado] Do alto de uma montanha, olhando pela última vez para a espetacular Granada e vendo o magnífico palácio Alhambra no qual habitara, ele se pôs a chorar. Vendo seu filho nessa situação, disse-lhe energicamente sua mãe, a sultana Aixa Fátima: “Llora como mujer lo que no has sabido defender como un hombre!” — Chora como mulher o que não soubeste defender como homem... 

Salvo honrosas exceções, os prelados que compõem a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) nada fizeram de sério para evitar, metaforicamente falando, que a “porta” do aborto fosse arrombada pela nova lei. Foram raríssimas as vozes de respeitáveis bispos que alertaram para o iminente perigo da aprovação do projeto lei abortista. Já fizemos referência neste espaço a esses poucos e corajosos prelados (ver post anterior, de 18-8-13). 

Na atual fase da luta contra o aborto, a CNBB — para variar... — não quis agir firmemente. Não quis, por exemplo, ouvir a voz daqueles que firmaram os abaixo-assinados — um dos quais com milhares de assinaturas, entregue diretamente na Cúria Metropolitana do Rio de Janeiro — para que os bispos pedissem ao Papa Francisco, durante sua estadia no Rio, que instasse a presidente Dilma para vetar totalmente o PLC 3/2013. Ao que tudo indica tal pedido não foi feito. 

Alguém acha que se o Papa tivesse pedido o veto do projeto, a presidente o teria sancionado? — Certamente não, pois ela não teria ousado contradizê-lo num momento em que as tubas midiáticas estavam colocadas favoravelmente sobre ele. Mas agora não se trata mais de um projeto, pois a nova lei — sancionada quatro dias após o retorno do Papa a Roma — entrará em vigor 90 dias depois de sua aprovação. 

Com a nova e abjeta lei os que lutamos contra a legalização do aborto no Brasil perdemos uma batalha, é claro, mas não a guerra. Esta continua e esperamos vencê-la sob a proteção de Deus. Como disse Santa Joana D´Arc “les hommes combattront et Dieu donnera la victoire” (os homens combaterão e Deus dará a vitória). 

Assim, confiantes na vitória, façamos tudo quanto for possível para que a lei do aborto seja revogada. Se isso não acontecer, como não recear uma nova “Matança de Inocentes”? Mas o sangue deles subirá até o trono de Deus, clamando por vingança. E o Criador é muito sensível à voz dos que realmente não têm voz nem meios de se defender, sobretudo em se tratando de almas inocentes. 
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(*)http://www.zenit.org/pt/articles/dezoito-bispos-do-brasil-mostram-se-contrarios-a-lei-do-aborto-aprovada-pela-presidente-dilma

18 de agosto de 2013

Repercute no Congresso Nacional matéria de nosso blog

Em manifestação contra a aprovação de projeto abortista: PLC 03/2013 - LEGALIZAÇÃO DO ABORTO DISFARÇADA DE PROTEÇÃO À MULHER!!!
O Deputado Federal Lael Varella (DEM-MG) fez leitura e registrou nos anais da Câmara dos Deputados artigo (veja clicando aqui) do encarregado do Blog da Família contra o projeto abortista, o abjeto PLC 3/2013. A seguir o texto do discurso pronunciado. E no final deste post, aconselho a audição de um vídeo gravado pelo Cel. Paes de Lira com muito oportunas considerações em torno da aprovação do PLC 03/2013, sancionado pela Presidente Dilma no dia 1º de agosto. 
  • Sessão: 220.3.54.O 
  • Orador: LAEL VARELLA
  • Hora: 15:16

Dep. Lael Varella
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, apesar de a população brasileira majoritariamente rejeitar a legalização do aborto, um herodiano projeto de lei foi aprovado sorrateiramente no Congresso Nacional. 

Trata-se do PLC 3/2013 que amplia ainda mais os casos de aborto, e agora tragicamente sancionado pela presidente Dilma. Reações pelo veto integral manifestam-se pelo País. A ocasião dá ensejo para que eu dê conhecimento a esta Casa do artigo de meu conterrâneo Paulo Roberto Campos, estampado na revista Catolicismo. 

Notícia trágica para a família eclodiu no mês de julho: o antigo Projeto de Lei 60/1999 — agora renomeado como PLC 3/2013 — foi maquiavelicamente reformulado por um passe de mágica e aprovado pelo Congresso Nacional. 

Com efeito, o PL 60/1999 normatizava uma questão em certos aspectos até louvável: o atendimento nos hospitais à mulher vítima de violência sexual. Mas ele sofreu uma reformulação a fim de poder ampliar ainda mais os casos de abortamento legal (sic) no País, sem empregar a palavra aborto. A pretexto de uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher, o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, pediu ao deputado Henrique Alves (PMDB-RN) que, em regime de urgência, colocasse tal projeto em votação na Câmara dos Deputados. 

Na verdade, um verdadeiro complô montado para aprovar o PLC. Em 5-3-13, devido a uma manobra regimental, a nova redação foi aprovada pelo plenário da Câmara, de forma sub-reptícia para que não houvesse reações. Muitos deputados sequer tomaram conhecimento do texto. Encaminhado ao Senado, ele foi rapidamente aprovado pela Comissão de Direitos Humanos em 10-4-13. 

Repetindo a mesma manobra anterior, ele foi renomeado como PLC 3/2013 e posto em votação no plenário do Senado, sendo aprovado também de modo relâmpago e por unanimidade no dia 4 de julho último. Até mesmo congressistas contrários ao aborto afirmaram ter sido surpreendidos e que votaram sem tempo para conhecer precisamente as reformulações inseridas. No fundo, cochilaram! Caíram na armadilha montada pelo Ministro da Saúde e por alguns deputados petistas. Acabaram aprovando o Projeto de Lei da Câmara, tão contrário à moral e ao sentir da imensa maioria do povo brasileiro que se opõe à prática abortiva. 

Uma vez aprovado, o projeto foi encaminhado à Presidência da República. No momento em que escrevemos este artigo (22-7-13), ele se encontra sobre a mesa da presidente Dilma Rousseff para ser sancionado (ou vetado) atéo final de julho. Se ela o aprovar, todos os hospitais integrantes da rede do SUS serão obrigados a encaminhar a mulher que se disser vítima de violência sexual a um serviço de abortamento a fim de se submeter a uma profilaxia da gravidez — eufemismo de aborto empregado velhacamente para não assustar e evitar possíveis reações. 

Conforme estabelece o projeto, todos os hospitais devem prestar informações às vítimas sobre os direitos legais e sobre todos os serviços sanitários disponíveis e devem oferecer atendimento emergencial e integral decorrentes de violência sexual, e o encaminhamento, se for o caso, aos serviços de assistência social. E por vítima de violência sexual a nova lei entende qualquer mulher que declare uma relação sexual não consentida — ainda que tenha sido com o próprio marido. Não há sequer obrigação de provar, por exemplo, por meio de um laudo do Instituto Médico Legal, ou de apresentar boletim de ocorrência policial. Basta a declaração da gestante... 

Vigorosas reações pelo veto total do PLC se levantaram em todo o Brasil. Logo que a espantosa notícia da aprovação circulou pelos movimentos que lutam contra a legalização do aborto no País, a reação foi imediata e de muita indignação. A primeira foi uma campanha para exigir da presidente Dilma Rousseff que honre a palavra dada por ocasião do segundo turno das últimas eleições, quando, além de dizer que pessoalmente era contra o aborto, ela garantiu que nada faria a favor da prática abortiva durante seu mandato — do que temos uma farta documentação, inclusive gravações em vídeos. 

Assim, o gabinete da presidente foi inundado de mensagens com pedidos para que ela não sancionasse o PLC 3/2013. Com o mesmo objetivo, movimentos antiabortistas moveram outras iniciativas por meio de abaixo-assinados; pedidos à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) para que pressione o governo; contatos em Brasília; telefonemas, envios de e-mails, fax, notícias de sites e blogs; tudo, enfim, com o objetivo de obter que o hediondo projeto seja vetado INTEGRALMENTE.

Vimos com júbilo que logo no início das reações, pelo que tenhamos conhecimento, três eminentes Prelados — o arcebispo da Paraíba, Dom Aldo di Cillo Pagotto, o bispo de Frederico Westphalen (RS), Dom Antonio Carlos Rossi Keller e o bispo de Apucarana (PR), Dom Celso Marchiori — ergueram suas vozes para protestar contra a aprovação do projeto abortista e lançaram notas pastorais publicadas em diversos sites e blogs pedindo aos fiéis orações e manifestações dirigidas à presidente Dilma pelo VETO TOTAL do PLC. Foram dignos pastores que saíram a público em defesa da moral católica e de seus rebanhos. Seguem trechos de cada um dos documentos dos mencionados Prelados. 

Da Nota Pastoral de Dom Aldo Pagotto: Manifesto o meu veemente protesto público e pedido de veto ao projeto, junto à Presidente da República Federativa do Brasil, a Sra. Dilma Rousseff. O Senado aprovou recentemente o Projeto de Lei 3/2013, após rapidíssima tramitação, sem quaisquer debates. A estratégia utilizada focou a obrigação de oferecer assistência integral de saúde às vítimas de violência sexual. Passaram batidos os itens que representam a legalização proposital do aborto, apresentado, pois, como profilaxia. O projeto está nas mãos da Sra. Presidente para sua aprovação. 

Da Nota Pastoral de Dom Rossi Keller: Não se encontra, naturalmente no texto [do PLC], a palavra aborto. Mas as intenções são suficientemente claras: proporcionar aos profissionais da Medicina e do Direito a base legal para a realização pura e simples de abortos. Esta é e sempre foi a estratégia usada: fugir dos termos contundentes, mas implantar, de forma disfarçada a devida autorização para que se possa agir de acordo com a ideologia abortista. 

Da Nota Pastoral de Dom Celso Marchiori: A atitude do Governo Federal e dos parlamentares que lhe dão sustentação no Parlamento é criminosa e caminha em direção oposta à defesa da vida. Tenho comigo que a legalização do aborto, mesmo que não às claras, é uma saída mais barata, pois a defesa da vida envolve investimentos na saúde da mulher e da criança. 

Infelizmente, enquanto o Brasil parecia acordar com reações pipocando por todas as partes, a CNBB parecia dormir. Demorou a fazer algo, mesmo depois de inúmeros pedidos de movimentos e de fiéis católicos; e quando o fez, manifestou-se insuficientemente. Apenas lançou, sem destaque e por meio de seu site, uma nota tímida, não para exigir o VETO INTEGRAL, mas apenas PARCIAL do PLC. Será que a CNBB não percebeu que o veto parcial deixará uma brecha através da qual entrará a ampliação de casos de aborto praticados no País?

Com essa reação tão insuficiente, ao mesmo tempo em que cresceu nos movimentos antiabortistas a indignação contra a matança de inocentes, cresceu também a perplexidade em relação à CNBB, por não sair a público manifestando uma justa indignação contra o abjeto Projeto de Lei e conclamando todos os católicos à reação, numa verdadeira cruzada contra um Projeto atentatório ao 5º Mandamento da Lei de Deus: NÃO MATAR. 

Como até o momento (22-7-13) a presidente Dilma não se manifestou e como a CNBB se pronunciou de maneira tão fraca, a solução foi apelar ao Pastor dos Pastores, ou seja, ao Papa.

Assim sendo, o movimento Brasil pela Vida (www.brasilpelavida.org) empreendeu uma campanha de mensagens dirigidas ao Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta, pedindo-lhe que fizesse chegar a Francisco I nosso desejo do VETO TOTAL ao PLC 3/2013, a fim de que o Pontífice o manifestasse à presidente Dilma, exortando-a a vetar INTEGRALMENTE, e não apenas alguns itens. No dia da chegada do Papa, em 22 de julho, as primeiras 2.844 mensagens foram entregues na Cúria do Rio de Janeiro. Pouco depois, tinha-se notícia de que o número de assinaturas já ultrapassava a casa dos 7 mil, e continuou crescendo. 

Sr. Presidente, queira a Sagrada Família — do mesmo modo como livrou o Menino Jesus da sanha do rei Herodes, quando este ordenou a Matança dos Inocentes em Belém — livrar o Brasil de uma nova Matança de Inocentes, que ocorrerá com esse herodiano projeto sancionado pela presidente Dilma. E rezemos para que ela volte atrás e cumpra sua promessa de que nada faria que favorecesse a ampliação do aborto em nossa Pátria. 

Tenho dito. 
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Para obter o Discurso em PDF, click aqui.

Vídeo do Coronel Paes de Lira comentando a aprovação do PLC/3 2013

13 de agosto de 2013

Ministério da Saúde faz propaganda enganosa para conseguir ampliar casos de aborto


Paulo Roberto Campos

O governo petista, como já sabemos e tratamos nos últimos posts, aprovou o PLC 3 /2013, o projeto aborticida sancionado pela presidente Dilma Rousseff no dia 1º de agosto para facilitar e ampliar casos de aborto no Brasil — ou seja, facilitar a prática desse crime. 

Entretanto, tal aprovação despertou enorme reação de norte a sul do País. Incontáveis movimentos e pessoas publicamente manifestaram indignação pelo fato de a presidente não ter honrado a palavra dada, quando prometera que nada faria em seu mandato que pudesse facilitar a prática abortiva.

Devido a uma tão grande reação, fruto da indignação, e temendo que a mesma venha a repercutir significativamente no minguamento de votos favoráveis aos candidatos do PT nas próximas eleições, membros do governo — sobretudo o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha — vêm procurando enganar novamente a opinião pública. O chefe desse Ministério, dedicado entre outras coisas ao combate da “propaganda enganosa”, pratica-a quando afirma que a “Pílula do Dia Seguinte” (PDS) não é abortiva; pílula que, com a sanção do referido projeto, passará a ser distribuída nos hospitais a todas as mulheres (ainda que adolescentes) que declararem (mesmo sem provas) ter tido alguma “relação sexual não consentida”. 


Profª. Dra. Lilian Piñero Eça
[foto L.G. Arroyave]
O próprio fato de ser denominada “do dia seguinte”, é porque tal pílula impede a natural implantação na parede uterina do embrião possivelmente concebido no dia anterior. Ela não é um mero anticoncepcional, mas uma forte droga que conduz ao aborto quimicamente induzido, pois elimina o ser concebido (o embrião humano) ao evitar que o óvulo fecundado se implante no útero materno. Disso não tem a menor dúvida a renomada cientista brasileira, a bióloga e biomédica Lilian Piñero Eça, quando declarou: “A pílula do dia seguinte nada mais é do que uma bomba hormonal que provoca um aborto”.(1)

Na nova lei abortiva — nº 12.845 (antigo PLC 3/2013) — consta que os hospitais devem oferecer à mulher o “contraceptivo de emergência”, o que não passa de eufemismo de aborto de emergência e um jeito farisaico para evitar maiores reações do público. 

Ora, uma lei humana não pode contrariar a Lei Divina, a qual condena o aborto como um pecado gravíssimo que “brada aos céus e clama a Deus por vingança”. Vemos então que o aborto não é apenas um atentado contra a vida, mas diretamente contra o Criador de todas as coisas. 

Assim, devemos fazer tudo que estiver ao nosso alcance para que a nova lei seja revogada, devendo os médicos e todo o pessoal de saúde alegar objeção de consciência e não oferecer às mulheres a “pílula do dia seguinte”. Fazendo-o, eles estarão agindo de acordo com o prescrito no artigo 28º do Código de Ética Médica (em vigor desde 1988): “É direito do médico recusar a realização de atos médicos que, embora permitidos por lei, sejam contrários aos ditames de sua consciência.” 

Não se pode julgar o foro interno, mas a atitude do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), declarando oficialmente que ele e muitos de seus colegas "fomos todos enganados na boa fé", quando da aprovação do projeto pró-aborto e que "eu, sinceramente, peço perdão a Deus", foi exatamente a mesma ocorrida com políticos na Costa Rica, que após a aprovação do aborto também disseram que haviam “cochilado”, e pediam perdão a Deus.

A Deus não se engana, mas, como a melhor reparação é fazer diametralmente o oposto do mal praticado ou permitido, esperamos que no perdão que o deputado Eduardo Cunha pediu a Deus “por ter sido enganado e não ter visto a trama que armaram contra a vida”; e que “farei tudo que estiver ao meu alcance para tentar reverter esse lamentável quadro”(2), ele tome realmente a peito a reversão desta lei infame. 

Pelo contrário, o ex-seminarista Gilberto Carvalho, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência e amigo íntimo da CNBB, tentou enganar movimentos contrários à aprovação da nova lei do aborto, dizendo que ela presta “apoio humanitário” às vítimas “de relações sexuais não consentidas”. E concluiu: “Eu, que não sou favorável ao aborto, sou obrigado a defender esse projeto, porque ele implica exatamente na possibilidade de a mulher evitar uma gravidez indesejada pelo estupro”.(3)

Tal ministro petista, ou não conhece os efeitos da PDS, ou mente. A fim de relembrá-lo, bem como para uso de nossos leitores nesta polêmica, transcrevo abaixo um precioso documento(4) elaborado por especialistas que apontam os reais efeitos da PDS ou RU-486. Com isso se pode confirmar que o governo está fazendo “propaganda enganosa”, a respeito de um crime. O que constitui outro crime. 

PONTIFÍCIA ACADEMIA PARA A VIDA 

Comunicado sobre a “pílula do dia seguinte” 

Como sabemos, foi posta à venda nas farmácias da Itália a denominada pílula do dia seguinte. Trata-se de produto químico (de tipo hormonal) que frequentemente tinha sido apresentado por muitos da área e pela mídia como um simples contraceptivo ou, mais precisamente, como um “contraceptivo de emergência”, que se usado dentro de um curto tempo depois de um ato sexual presumivelmente fértil, deveria unicamente impedir a continuação de uma gravidez indesejada.

As inevitáveis reações polêmicas daqueles que levantaram sérias dúvidas sobre como esse produto funciona, em outras palavras, que sua ação não é meramente “contraceptiva”, mas “abortiva”, receberam rapidamente a resposta de que tais preocupações mostravam-se sem fundamento, uma vez que a “pílula do dia seguinte” tem um efeito “anti-implantação”, assim sugerindo implicitamente uma clara distinção entre o aborto e a intercepção (impedimento da implantação de um ovo fertilizado, isto é, o embrião, na parede uterina).

Considerando que o uso deste produto diz respeito a bens e valores humanos fundamentais, a ponto de envolver as origens da própria vida humana, a Pontifícia Academia para a Vida sente a responsabilidade premente e a necessidade definitiva de oferecer alguns esclarecimentos e considerações sobre o assunto, reafirmando, além disso, as já bem conhecidas posições éticas sustentadas por precisos dados científicos e reforçadas pela Doutrina Católica.

1. A pílula do dia seguinte é um preparado a base de hormônios (pode conter estrogênio, estrogênio/progestogênio ou somente progestogênio) que, dentro de e não mais do que 72 horas após um ato sexual presumivelmente fértil, tem uma função predominantemente "anti-implantação", isto é, impede que um possível ovo fertilizado (que é um embrião humano), agora no estágio de blástula de seu desenvolvimento (cinco a seis dias depois da fertilização) seja implantado na parede uterina por um processo de alteração da própria parede. O resultado final será assim a expulsão e a perda desse embrião. Somente se a pílula fosse tomada vários dias antes do momento da ovulação poderia às vezes agir impedindo a mesma (neste caso ela funcionaria como um típico "contraceptivo"). De qualquer forma, a mulher que usa esse tipo de pílula, usa pelo medo de poder estar em seu período fértil, e assim pretende causar a expulsão de um possível novo concepto; sobretudo não seria realista pensar que uma mulher, encontrando-se na situação de querer usar um contraceptivo de emergência, pudesse saber exatamente e oportunamente seu atual estado de fertilidade.

2. A decisão de usar o termo "ovo fertilizado" para indicar as fases mais primitivas do desenvolvimento embrionário não pode de maneira alguma conduzir a uma distinção artificial de valor entre diferentes momentos do desenvolvimento do mesmo indivíduo humano. Em outras palavras, se pode ser útil, por razões de descrição científica, distinguir com termos convencionais (ovo fertilizado, embrião, feto etc.) os diferentes momentos em um único processo de crescimento, nunca pode ser legítimo decidir arbitrariamente que o indivíduo humano tem maior ou menor valor (com a resultante variação da obrigação de protegê-lo) de acordo com seu estágio de desenvolvimento.

3. Portanto, é evidente que a comprovada ação "anti-implantação" da pílula do dia seguinte é realmente nada mais do que um aborto quimicamente induzido. Não é intelectualmente consistente nem cientificamente justificável dizer que não estamos tratando da mesma coisa. Além disso, parece suficientemente claro que aqueles que pedem ou oferecem essa pílula estão buscando a interrupção direta de uma possível gravidez já em progresso, da mesma forma que no caso do aborto. A gravidez, de fato, começa com a fertilização e não com a implantação do blastocisto na parede uterina, que é o que tem sido sugerido implicitamente.

4. Como resultado, a partir do ponto de vista ético, a mesma absoluta ilegalidade dos procedimentos abortivos também se aplica à distribuição, prescrição e uso da pílula do dia seguinte. Todos os que, compartilhando ou não a intenção, cooperam diretamente com esse procedimento, são também moralmente responsáveis. 

5. Uma outra consideração deve ser feita com respeito ao uso da pílula do dia seguinte em relação à aplicação da Lei 194/78, que na Itália regula as condições e procedimentos para a interrupção voluntária da gravidez. Dizer que a pílula é um produto "anti-implantação", em vez de usar o termo mais transparente "abortivo", torna possível evitar todos os procedimentos obrigatórios requeridos pela Lei 194 a fim de interromper a gravidez (entrevista prévia, verificação da gravidez, determinação do estágio de crescimento, tempo para reflexão etc.), praticando uma forma de aborto que é completamente oculta e não pode ser registrada por nenhuma instituição. Tudo isso parece, então, estar em direta contradição com a aplicação da Lei 194, ela mesma contestável.

6. Finalmente, como tais procedimentos estão-se tornando mais disseminados, nós encorajamos fortemente a todos os que trabalham nesse setor a fazer uma firme objeção de consciência moral, o que gerará um testemunho prático e corajoso do valor inalienável da vida humana, especialmente em vista das novas formas ocultas de agressão contra os mais fracos e mais indefesos indivíduos, como é o caso de um embrião humano.
Cidade do Vaticano, 31 de outubro de 2000 
___________ 
1. http://www.bioetica.org.br/?siteAcao=Noticias&id=1061 
2. http://www.zenit.org/pt/articles/deputado-confessa-que-ele-e-muitos-de-seus-colegas-foram-enganados-na-aprovacao-do-projeto-pro 
3. “Dilma sanciona lei que dá pílula a vítima de estupro”, em “O Estado de S. Paulo”, 2-8-13. 4.http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_academies/acdlife/documents/rc_pa_acdlife_doc_20001031_pillola-giorno-dopo_fr.html