A Batalha de Rocroi – François Joseph Heim (1834). Galeria de Batalhas, Palácio de Versalhes (França).
✅ Plinio Corrêa de Oliveira
Os franceses estão hesitantes, e nem toda fogosidade do Duque d’Enghien — então com apenas 21 anos, e mais tarde conhecido como o Grand Condé —, são suficientes para dar o arranco necessário para abrir essa brecha nas tropas dos tércios — então considerados invencíveis, eles estavam sob o comando do general Francisco de Melo, Conde de Assumar.
O Duque d’Enghien tem nas mãos o bastão de marechal da França [foto]. Era um símbolo muito sério! No mundo anterior à Revolução Francesa, sobretudo na Idade Média, o bastão era uma insígnia de mando frequente. E o bastão de marechal de França era forrado com veludo lilás sobre o qual se imprimiam, em ouro saliente, as flores de lis da Casa de França.
O Grand Condé comandava com esse bastão. Quando ele viu que não havia meio de abrir a brecha nos soldados tércios, ele lançou seu bastão no meio deles, dizendo ao exército francês: “Vamos pegá-lo!”
Assim, seus soldados se lançaram e conseguiram abrir a brecha nas tropas adversárias.
Este quadro representa essa cena da batalha. O Grand Condé encontrou a solução para aquela situação difícil.
Alguém talvez dissesse o seguinte: “Esse é um recurso que se usa até em brinquedos de criança; joga-se a bola no campo adversário e diz ‘vamos pegar a bola’. Portanto, trata-se de um método psicológico muito corrente e foi utilizado”.
Mas no caso de Condé foi porque ele era um homem-símbolo e tinha na mão um bastão muito simbólico. E quem não for capaz de ir atrás do símbolo, não é capaz de vencer. Condé arriscou a vitória e lançou o bastão, talvez pensando: “Toda a minha glória militar está sendo arriscada neste gesto, mas a vaincre sans péril on triomphe sans gloire” (a vencer sem perigo, triunfa-se sem glória).
Ele arriscou tudo na beleza do gesto, jogando o bastão de marechal de França, bradando, eventualmente com seu cavalo levantando as patas dianteiras de modo lindo.
Nessas horas, por uma disposição da Providência, até batem nas plumas do chapéu os ventos propícios para marcarem lindamente a história e o quadro ficar completo. No arriscado gesto de jogar seu bastão de mando, ele ganhou a batalha!
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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 15 de março de 1977. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.


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