31 de julho de 2025

Cerimonial grandioso e tradicional X Simplificação igualitária e modernista

 

Coroação do Papa Pio VI — Antonio Poggioli (1795–1830). Metropolitan Museum of Art, Nova York

“Nas fileiras católicas, não faltou infelizmente quem tivesse a audácia de propor à Santa Sé que, para conciliar melhor as simpatias das massas, o Papado se ‘democratizasse’ e o Pontífice Romano renunciasse às manifestações exteriores e solenes de seu supremo poder”


O artigo que segue foi publicado há 86 anos, mas agora vem à tona a propósito do novo pontificado que se iniciou em 8 de maio com o Papa Leão XIV.

O texto é de Plinio Corrêa de Oliveira (Legionário, 12-3-1939). Ele expõe duas questões que se tornaram candentes no noticiário sobre a morte de Francisco e a eleição de Leão XIV, sobretudo no que tange ao “espetáculo grandioso das cerimônias do Vaticano”.

O ósculo dos pés na Basílica de São Pedro, em Roma — Antoinette Cécile Hortense (1784-1845). Museu do Louvre, Paris.

REX PACIFICUS

 

   Plinio Corrêa de Oliveira



N
o dia em que se desenrolam em Roma as cerimônias faustosas da coroação do novo Pontífice, deve ser grato aos corações católicos meditar atentamente as circunstâncias dentro das quais essa solenidade se realiza. 

No século passado, em que o liberalismo político grassava pela Europa inteira, agravado por uma monomania democrática vizinha do delírio, as grandes solenidades pontifícias se desenrolavam não raramente sob o olhar hostil e a censura surda de grandes setores da opinião pública. Evidentemente, durante toda a vida da Igreja, nunca faltou a esta o amor de filhos dedicados e entusiastas. 

 

Entretanto, é incontestável que, no século passado, os fulgores dessas belas provas de amor alternavam sombriamente com o rancor igualitário daqueles que, na faina de destruir toda a ordem religiosa, política e social, não suportavam o espetáculo grandioso das cerimônias do Vaticano. 

 

Os argumentos não faltavam para servir de pretexto a tanto rancor. O primeiro deles, já antigo, era da autoria de Judas Iscariotes: por que gastar tanto dinheiro, em lugar de dar aos pobres? O outro, de sabor mais acentuadamente luterano: não haverá idolatria em se prestar a um homem tantas provas de sumo respeito? Finalmente, a blasfêmia anarquista não deixava de se fazer ouvir neste triste concerto: quando chegará o dia feliz em que enforcaremos o último Papa nas tripas do último rei? 

 

A Santa Sé nunca deu atenção a tais rancores. Com uma sublime e desassombrada energia, ela continuou a manter intacto seu magnífico e suntuoso cerimonial, que outra coisa não é senão a afirmação, através de cerimônias perceptíveis pelos sentidos, do princípio da autoridade, de que o Papa é o mais alto e mais sagrado representante na Terra. 

 

Nas fileiras católicas, não faltou infelizmente quem tivesse a audácia de propor à Santa Sé que, para conciliar melhor as simpatias das massas, e vencer mais facilmente a revolução social que se fazia prenunciar de modo sinistro, o Papado se "democratizasse" e o Pontífice Romano renunciasse às manifestações exteriores e solenes de seu supremo poder. 

 

A Igreja, entretanto, nunca deu ouvidos a essa falaciosa proposta. Não é de seu feitio transigir com o erro, ou procurar entabular com ele um duelo de subtilezas e astúcias.


Quando o princípio de autoridade periclitava no mundo inteiro, pondo em risco a autoridade de todos os monarcas e chefes de Estado, não era o Vigário de Cristo, do qual provém toda a autoridade, que tomaria ares de pactuar com a revolução. A missão da Igreja não consiste em se adaptar aos séculos, mas de adaptá-los a si própria. Ela nunca baixará até os erros dos homens, mas elevará a humanidade até si. 

 

Por isso, enquanto as monarquias ruíam fragorosamente, as repúblicas se dissolviam na anarquia das crises sociais, e as mais antigas dentre as cortes sobreviventes se democratizavam a olhos vistos, o Vaticano conservou intacto seu grandioso cerimonial.

Vem, agora, o outro aspecto da questão.

 

Comício nazista em Nuremberg, em 1934


Um verdadeiro vendaval político-social foi a consequência da pregação das doutrinas liberais. Esse vendaval suscitou a tendência geral para uma consolidação de autoridade. Todos os povos, outrora minados pela febre da liberdade, se sentem hoje trabalhados por uma intensa propaganda a favor da consolidação do Poder público, com preterição ou até supressão dos mais sagrados direitos da pessoa humana. 

 

Os novos césares, como o exige a natureza das doutrinas que pregam, sentem a necessidade de confirmar sua autoridade com os sinais exteriores do poder, desenvolvidos através de imponentes cerimônias cívicas. E, com isso, todo um cerimonial político renasce em nossos dias, que bem poderia ser chamado a liturgia faustosa dos novos ídolos que as massas levantam acima de si mesmas para lhes prestar adoração. 

 

Interessante é notar, a esse propósito, o ambiente que cerca essa nova e estranha liturgia política. Duas notas a caracterizam: força e domínio. Atente-se para uma cerimônia nazista. Em algum imenso estádio da Alemanha, comprime-se uma multidão incontável, que se torna cada vez mais densa porque os ônibus e os trens despejam ondas humanas sempre mais numerosas. Para encher o tempo, inúmeros alto-falantes transmitem a voz de um locutor. 

 

Do que fala ele? Da luta do partido nazista, de suas vitórias passadas, dos inimigos que esmagou, esmaga e esmagará. Quando, ao cabo de uma longa série de injúrias e de ameaças, o locutor se cala para tomar fôlego, a multidão entoa cânticos guerreiros. Refletores deslumbrantes erguem para o céu colunas verticais. Uma tribuna imensa, composta de blocos graníticos pesados e brutais, se ergue no centro de tudo isso. De repente, estrugem gritos e urros de entusiasmo. É o “Führer” que chega. 

 

As canções guerreiras redobram. Os canhões estrugem. A multidão ulula como um mar enfurecido. O “Führer” começa a falar: do outro lado das fronteiras, Chamberlain treme de medo, apoiado em seu guarda-chuva; Daladier prefere fingir que não ouve, para não ter de brigar (como os meninos bem educados, quando passam perto dos moleques na rua e ouve seus insultos, fingindo não notar nada). Mussolini presta atenção: é tão bonito; quem sabe se ele conseguirá fazer igual! Roosevelt não entende bem como é que, tendo ele tantos milhões de dólares, Hitler não é amigo dos Estados Unidos. E os povos fracos da Terra tremem. 

 

Exéquias do Papa Pio XI

Para completar o quadro, seria suficiente que uma legião de demônios aparecesse no céu, vociferando em gritos agrestes: glória ao novo messias, a opressão, na terra, para os povos que não têm canhões! E o mundo inteiro aplaude ou treme; mas, quer aplaudindo, quer tremendo, secretamente admira!

É sob o signo dessa dura liturgia do ódio e da guerra, do sangue e da luta, que o mundo curva a cabeça em atitude respeitosa e admirativa. Nessas grandes festas públicas, não há outro gáudio senão o do orgulho exacerbado e do ódio satisfeito. 

 

Não são propriamente festas, esses tremendos “sabbats” cívicos. São bacanais em que as multidões não se embriagam mais, como no tempo dos césares, com o vinho capitoso e subtil das plantações itálicas, mas com o licor espiritual grosseiro, de um patriotismo levado até à loucura. 

 

Enquanto isso, morre para o mundo e nasce placidamente para o Céu o Papa Pio XI. Sua morte não anunciada pelo troar dos canhões, mas pelo som paternal e suave dos sinos de São Pedro, que repercutem de campanário em campanário, até os extremos da China ou da Groenlândia. 

 


Nenhum Departamento de Propaganda engaiola as multidões para levá-las à força para Roma. Mas Roma se enche de uma multidão que faria babar de inveja o Ministério da Propaganda da Alemanha [do período nazista], e muitas repartições congêneres de outros países. Não há desfiles marciais de soldados, nem desenrolar de tropas agressivas. Apenas a gendarmerie pontifícia, que contém e policia paternalmente a multidão pacífica e enlutada. 

 

Anuncia-se, depois, o novo Papa. Uma multidão aguarda seu nome. Outras multidões afluem de todas as ruas e de todos os becos de Roma, para saber quem foi o eleito. Todo o mundo aplaude. Mas, ainda aí, não há outro eco senão o das sonoras e musicais trombetas de prata dos arautos, as harmonias graves dos sinos da Cidade Eterna, e os vivas da multidão. 

 

 Pio XII abençoa a multidão reunida na Praça de São Pedro. 

Não, o Vaticano não é a caserna em que o gado humano é arregimentado para a carnificina, mas a casa suntuosa, porém acolhedora, do Pai comum, que é o lar espiritual de todos os povos da Terra, que ali ombreiam uns com os outros, numa alegria despreocupada e pacífica, de que só o Vaticano, hoje em dia, é teatro. 

 

Pio XII sendo levado na
Sede Gestatória
no dia de sua coroação.

Finalmente, anuncia-se a coroação do Papa. Nenhuma cerimônia, no mundo inteiro, é mais majestosa. Nenhuma, porém, é ao mesmo tempo mais pacífica, mais serena, mais familiar. O povo não treme diante de um ídolo, mas delira de contentamento diante de um Pai. O povo não se ajoelha diante de um algoz, mas beija reverente os pés daquele que é uma branca e suave figura. E na majestade de seu porte, a Santidade e a Majestade suprema do Criador. 

 

E, no menor Estado do mundo, que é o Vaticano, uma das maiores multidões que a Itália — mesmo a fascista — tenha jamais contemplado, celebra, à sombra do Vigário de Cristo, ao mesmo tempo a mais pacífica e a mais jubilosa das cerimônias deste sinistro século de lutas e de guerras.


29 de julho de 2025

VIDA — HEROISMO OU INSIGNIFICÂNCIA



✅  Paulo Roberto Campos 

Dizer que a vida é uma luta é um chavão muito comum, mas uma verdade irretorquível. Assim como viver é lutar, lutar é viver, e viver só para viver não é vida, é mediocridade. Ninguém vive sem esforço. Não apenas os pobres precisam se esforçar para viver, mas todos e de qualquer classe; os bem abastados muitas vezes são obrigados a se esforçarem ainda mais do que aqueles de classes inferiores. 

As dificuldades diárias ao longo da vida são inerentes à nossa existência neste campo de batalha — neste “Vale de Lágrimas”, como rezamos na oração “Salve Rainha”. Inerentes a todos sem exceção, pois nascemos com a mancha original devido à desobediência a Deus cometida pelos nossos primeiros pais, motivo da expulsão deles do Paraíso terrestre. Por isso, somos, como consta na mesma oração, os “degredados filhos de Eva”. 

E a beleza da vida consiste justamente em vencer as dificuldades, tanto as externas como as internas. É a beleza que contempla e a alegria que tem um alpinista escalando uma montanha deparando-se com mil dificuldades, mas todas vencidas. Quando ele atinge o pico da montanha, é uma conquista realizada. Uma conquista sobre a montanha e sobre si. Ele do alto, mesmo muito esgotado pelo esforço, contempla a beleza do panorama e a vitória sobre si mesmo por não ter desistido no meio do caminho. É a alegria do heroísmo por ter chegado ao pico. Metáfora aplicável ao alpinismo na vida espiritual; vamos escalando a montanha — com o objetivo de contemplar Deus — vencendo as provações, as tentações, os desânimos, as cruzes ao longo de nossos caminhos. 

Esse aspecto da vida, como uma luta contínua, nos reporta ao Hino dos Tamoios, poema de Gonçalves Dias. Aqui a primeira estrofe, uma alusão ao pai exaltando a bravura que deve ter o filho a fim de ser verdadeiramente um índio tamoio: 
Não chores, meu filho; 
Não chores, que a vida 
É luta renhida: 
Viver é lutar. 
A vida é combate, 
Que os fracos abate, 
Que os fortes, os bravos 
Só pode exaltar. 

 

Para refletirmos sobre o valor da luta, à qual o homem medíocre tem horror, seguem alguns pensamentos: 

 

“A vitória no combate não depende do número, mas da força que desce do Céu.”  
(I Macabeus 3, 19) 

 

“Não há nada, por fácil que seja, que a nossa tibieza não apresente como difícil e pesado; como nada há tampouco tão difícil e penoso que o nosso fervor e determinação não torne fácil e leve.”  
(São João Crisóstomo) 

 

"Não há, caríssimos, obras de virtude sem experiência da tentação, fé sem provações, combate sem inimigo, vitória sem luta."  
(São Leão Magno) 

 

“Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é muito para ser insignificante. Tentar de novo mostra como você está disposto a lutar por aquilo em que acredita.”
(Santo Agostinho) 

 

“Os grandes choques e as grandes lutas robustecem a alma e forjam o caráter. As almas que não têm às vezes sobressaltos não são comumente grandes almas.” 
(Padre J. Baeteman)

 

16 de julho de 2025

Festa de Nossa Senhora do Carmo — 16 de julho

 

No século XII, como consequência do estabelecimento do Reino Latino de Jerusalém, muitos peregrinos da Europa vieram se juntar aos solitários da santa montanha do Carmelo [foto abaixo], na Palestina, aumentando-lhes assim o número. Pareceu bom dar à sua vida, até então mais eremítica que conventual, uma forma que fosse mais de acordo com os hábitos ocidentais. Foi quando o Legado Aimeric Malafaida, Patriarca de Antioquia, os reuniu em uma comunidade sob a autoridade de São Bertoldo, a quem foi dado pela primeira vez o título de Prior Geral. Santo Alberto, Patriarca de Jerusalém e igualmente Legado Apostólico, completou, nos primeiros anos do século seguinte, a obra de Aimeric, concedendo uma Regra fixa à Ordem, que começou a se expandir em Chipre, na Sicília e nos países de além-mar, favorecida pelos príncipes e pelos cavaleiros, de volta da Terra Santa. 


Logo depois, tendo Deus abandonado os cristãos do Oriente aos castigos merecidos por suas faltas, tornaram-se tais — nesse século de adversidades para a Palestina — as represálias dos sarracenos vitoriosos, que uma assembleia geral, realizada no Monte Carmelo, sob os auspícios de Alain le Breton, decretou a emigração total dos religiosos, não deixando para cuidar do berço da Ordem senão alguns poucos sedentos de martírio. No preciso momento em que ela se extinguia no Oriente (1245), Simão Stock foi eleito Geral, no primeiro Capítulo do Ocidente, reunido em Aylesford, na Inglaterra.

Na noite do dia 15 para 16 de julho do ano de 1251, a graciosa Soberana do Carmelo confirmava a seus filhos, por um sinal externo, o direito de cidadania que Ela lhes havia obtido nas novas regiões para as quais os havia conduzido seu êxodo. Senhora e Mãe de toda a Ordem religiosa, Ela lhes conferia de suas próprias e augustas mãos o escapulário, parte do vestuário que caracteriza a maior e mais antiga das famílias religiosas do Ocidente. São Simão Stock, no momento em que recebia da Mãe de Deus essa insígnia [representação na pintura abaixo], enobrecendo-a ainda pelo contato de seus dedos sagrados, ouviu a própria Virgem Santíssima dizer: “Todo aquele que morrer dentro deste hábito não sofrerá de maneira nenhuma as chamas eternas”. 


A Rainha dos Santos manifestou-se posteriormente a Jacques d’Euze, que o mundo iria saudar em breve como novo Papa sob o nome de João XXII. Anunciava-lhe Ela sua próxima elevação ao sumo pontificado, e, ao mesmo tempo, recomendava-lhe publicar o privilégio de uma pronta libertação do purgatório, que Ela havia obtido de seu divino Filho para seus filhos do Carmelo: “Eu, sua Mãe, descerei por misericórdia até eles, no sábado que se seguir à sua morte, e a todos que encontrar no purgatório livrá-los-ei e levá-los-ei à montanha da eterna vida”. São as próprias palavras de Nossa Senhora, citadas por João XXII na bula em que ele disto deu testemunho, e que foi chamada Sabatina em razão do dia designado pela gloriosa libertadora, no qual Ela exerceria o misericordioso privilégio. 

A munificência de Maria, a piedosa gratidão de seus filhos pela hospitalidade que lhes dava o Ocidente, a autoridade, enfim, dos sucessores de Pedro, tornaram logo essas riquezas espirituais acessíveis a todo o povo cristão, pela instituição da Confraria do Santo Escapulário, que faz seus membros participarem dos méritos e privilégios de toda a Ordem do Carmo.

Quando o Papa Bento XIII, no século XVIII, estendeu a festa do dia 16 de julho para a Igreja inteira, ele, por assim dizer, nada mais fez do que consagrar oficialmente a universalidade do fato de que o culto da Rainha do Carmelo havia conquistado quase todas as latitudes do orbe. 

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Dom Prosper Guéranger, O.S.B., L’Année Liturgique – Le temps après la Pentecôte, Maison Alfred Mame et Fils, Tours, 1922, tomo IV, excertos das pp. 149-153.

9 de julho de 2025

As guerras têm como principal causa os pecados das nações


 

Na edição de março último, a revista Catolicismo publicou trecho de uma matéria do Prof. Plinio concernida na memorável polêmica que travou com os periódicos Kierunki e Zycie i Mysl, ambos pertencentes ao grupo progressista polonês Pax. 

Em continuação, a revista reproduziu, na edição de maio, outro oportuno trecho dessa matéria, estampada originalmente na edição de Catolicismo de novembro/1965. 

Aqui segue a transcrição de tal trecho.




✅  Plinio Corrêa de Oliveira

Santo Agostinho defende a tese de que não podendo as nações ser recompensadas nem castigadas na outra vida, recebem neste mundo mesmo o prêmio de suas boas ações e a punição de seus crimes. 

Assim, se queremos evitar as guerras e as hecatombes, combatamo-las em suas causas. A corrupção das ideias e dos costumes, a impiedade oficial dos Estados leigos, a oposição cada vez mais frequente entre as leis positivas e a Lei de Deus, isto sim, é que nos expõe à cólera e ao castigo do Criador, e nos conduz mais do que tudo, à guerra. 

Se, para evitá-la, cometessem as nações do Ocidente um pecado maior do que os atuais, como seria a aceitação de existir sob o jugo comunista em condições que a moral católica reprova, desafiariam desse modo a ira de Deus e chamariam sobre si os efeitos de sua cólera. 

E isto tanto mais quanto a concessão que hoje se fizesse com referência à abolição da propriedade privada, amanhã teria de ser repetida com relação à abolição da família e assim por diante. Pois assim procede com inexorável intransigência a tática das imposições sucessivas, inerente ao espírito do comunismo internacional. Desse modo, até que torpeza, até que abismo, até que apostasia não rolaríamos? 

A existência humana, sem instituições necessárias como a propriedade e a família, não vale a pena de ser vivida. Sacrificar uma ou outra, para evitar a catástrofe, não importa em “propter vitam vivendi perdere causas”? [para viver, perder aquilo que é a razão de ser da vida]. Para que viver num mundo transformado em uma imensa senzala de escravos atirados a uma promiscuidade animal? 

Em face da opção dramática da hora presente, que este artigo procura pôr em evidência, não raciocinemos como ateus, que ponderam os prós e os contras como se Deus não existisse. 

Um ato supremo e heroico de fidelidade, nesta hora, poderia apagar diante de Deus uma multidão de pecados, inclinando-O a afastar o cataclismo que se aproxima. 

Um ato de fidelidade heroica... um ato de inteira e heroica confiança no Coração d’Aquele que disse: “Aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de Coração, e encontrareis descanso para as vossas almas” (Mat. 11, 29). 

Sim, confiemos em Deus. Confiemos na sua Misericórdia, cujo canal é o Coração Imaculado de Maria.

6 de julho de 2025

CARDEAL MINDSZENTY — (1975 – 2025)

O Cardeal József Mindszenty, Arcebispo-Príncipe de Esztergom-Budapeste, indômito herói anticomunista da Hungria, exemplo do destemido combate católico.


Fonte: Editorial da Revista Catolicismo, Nº 895, Julho/2025

“Derrotado, venceu” (em latim, Devictus, vincit). Lema episcopal escolhido pelo Cardeal József Mindszenty em 1944. 
O lema bem expressa sua vida de luta, pois, mesmo derrotado, venceu no sentido análogo ao de Nosso Senhor Jesus Cristo, que aparentemente “derrotado” — pois fora crucificado —, triunfou da morte, redimiu o gênero humano, ressuscitou, abriu as portas do Céu e estabeleceu a Santa Igreja Católica Apostólica Romana. 

O prelado húngaro, Arcebispo-Príncipe de Esztergom-Budapeste, apesar de morrer no exílio em Viena, em 1975, terminou seus dias vitorioso e carregado de honra, pois teve a coragem de enfrentar o tirânico governo comunista que havia subjugado sua pátria. 

Várias vezes preso e torturado cruelmente por agentes do comunismo, permaneceu inquebrantável. Ele teve a coragem de suportar as dores da perseguição, especialmente uma dor ainda mais cruel: a provação de ver as mais altas autoridades da própria Igreja Católica pedir-lhe para cessar sua luta anticomunista. 

Mas o Cardeal Mindszenty continuou a resistir destemidamente, atuando contra vários programas do governo comunista húngaro, como por exemplo a Reforma Agrária, o divórcio, o ensino marxista nas escolas, a estatização socialista etc. 

As autoridades eclesiásticas agiam para estabelecer um acordo entre a Igreja e o Estado comunista, com o qual Ela se submeteria aos projetos do Kremlin. Desse modo, haveria uma coexistência pacífica entre o Vaticano e Moscou. Esse embate levou o jornal londrino The Sunday Telegraph a descrever assim vida do Cardeal Mindszenty: “Crucificado pelo Kremlin e traído pelo Vaticano”. 

Queriam que o Cardeal ficasse em silêncio, mas, obviamente, isso ele considerava uma cumplicidade com o bolchevismo e até mesmo uma traição ao ensino perene da Igreja. 

Aquela atitude do alto clero progressista-colaboracionista — da época do Concílio Vaticano II nos pontificados de João XXIII e Paulo VI — foi bem oposta à do Papa anterior, Pio XII, ao comentar, em junho de 1956, que a resistência de Mindszenty “causava admiração aos Anjos de Deus”. 

Em 10 de dezembro de 1948,
manifestação católica em
apoio ao Cardeal Mindszenty
O Cardeal teria sido um derrotado aos olhos dos homens e de Deus se tivesse capitulado, mas se tornou um símbolo imortal da resistência ao comunismo e ao progressismo ecumenista; ele estimulou com seu exemplo os católicos do mundo inteiro a não cruzarem os braços no bom combate. 

Destacamos aqui um aspecto da admirável vida do invencível Cardeal József Mindszenty, mas com a leitura da matéria de capa da edição deste mês da revista Catolicismo, comemorativa do cinquentenário da morte do heroico prelado, o leitor se encantará com vários outros aspectos do seu bom e exemplar combate.

26 de junho de 2025

SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS, UM PARAÍSO



350 anos da histórica visão do adorável Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque, durante a qual revelou promessas extremamente valiosas a todos os católicos. 

✅  Paulo Roberto Campos 

Junho é por excelência o mês dedicado ao Sagrado Coração de Jesus. O deste ano o é ainda mais especialmente, pois se completam 350 anos da memorável visão sobrenatural, conhecida como a “Grande Aparição”, d’Ele a Santa Margarida Maria Alacoque (1647-1690), freira da Ordo Visitationis Beatissimae Mariae Virginis (no Brasil, mais conhecida como Ordem das Visitandinas), fundada por São Francisco de Sales e Santa Joana Francisca Frémyot de Chantal em 1610. 

No dia 16 de junho de 1675, estando Santa Margarida Maria em seu mosteiro de Paray-le-Monial (na região da Bourgogne, França), Jesus, apontando para o seu próprio Coração, apareceu-lhe e disse: 

“Eis aqui o Coração que tanto amou os homens, que não poupou nada até esgotar-se e consumir-se, para testemunhar-lhes seu amor; e, por reconhecimento, não recebe da maior parte deles senão ingratidões, por suas irreverências, sacrilégios e pelas indiferenças e desprezos que têm por mim no Sacramento do amor [a Sagrada Eucaristia]. Mas o que me é ainda mais penoso é que corações que me são consagrados agem assim. 
“Por isso, Eu te peço que a primeira sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento seja dedicada a uma festa especial para honrar meu Coração, comungando-se neste dia e fazendo-lhe um ato de reparação, em satisfação das ofensas recebidas durante o tempo que estive exposto nos altares. Eu te prometo também que meu Coração se dilatará para distribuir com abundância as influências de seu divino amor sobre aqueles que lhe prestem culto e que procurem que este lhe seja prestado.”[1]

 

A Basílica e o Mosteiro do Sagrado Coração de Jesus em Paray-le-Monial.

Nosso Senhor prometeu a ela, “discípula”[2] de seu Coração Sagrado, que concederia a graça da penitência final, no último momento da vida, a todos aqueles que durante nove meses seguidos comungarem na primeira sexta-feira de cada mês. Ou seja, não morrerão em pecado mortal, recebendo a garantia da salvação eterna. Esta é a palavra dada por Ele como penhor de uma boa morte, conhecida como a “grande promessa”, que há três séculos e meio fez o Sagrado Coração de Jesus em Paray-le-Monial. É claro, nem precisaria dizer, mas nunca é demais recordar, que ninguém se salva automaticamente. Para se obter a salvação eterna há também a exigência de não se transgredir os 10 Mandamentos da Lei de Deus. Ou, tendo transgrido algum dos preceitos divinos, arrepender-se sinceramente dos pecados cometidos, fazendo uma boa confissão com o firme propósito de nunca mais voltar a cometê-los.

Santa Margarida Maria Alacoque


Celebração litúrgica do Sagrado Coração de Jesus

No mesmo ano da mencionada aparição de Nosso Senhor (1765) à santa freira Visitandina, o Papa Clemente XIII (pontificado de 1758 a 1769) aprovou a festa do Sagrado Coração de Jesus para algumas dioceses; depois foi estendida a toda a Igreja pelo Bem-aventurado Papa Pio IX (1846 - 1879) com o decreto da Congregação dos Ritos, de 23 de agosto de 1856. Em 11 de junho de 1899, Leão XIII consagrou todo o gênero humano ao Sacratíssimo Coração de Jesus. Pio XI, em 1928, definiu a festa do Sagrado Coração como a característica de nossos tempos.
A solene festividade litúrgica do Sagrado Coração de Jesus celebra-se sempre na sexta-feira que segue a Oitava de Corpus Christi (neste ano, no dia 27 de junho). Desse modo, a Igreja a estabeleceu como uma extensão da comemoração de Corpus Christi (celebrada neste ano em 19 de junho). No dia 28 do mesmo mês, celebramos o Imaculado Coração de Maria, comemorado no calendário católico tradicional no dia 22 de agosto.


 

O Sagrado Coração há de salvar o mundo

Atendendo ao pedido feito pela Irmã Maria do Divino Coração (1863-1899) — condessa de Drostezu Vischering, superiora da Congregação de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor, que recebera revelações de Jesus —, o Papa Leão XIII (1878-1903) fez a solene Consagração do mundo ao Sagrado Coração de Jesus, acompanhado dos bispos de todo orbe, em 11 de junho de 1899, pouco depois da publicação da Encíclica Annum Sacrum (25 de maio de 1899). Ato de Consagração que o Papa classificou como sendo a maior obra de seu pontificado (vide no quadro da p. XX a fórmula da consagração escrita por Leão XIII).
No final da quinta parte do livro Em Defesa da Ação Católica (1943), de Plinio Corrêa de Oliveira, citando o Papa Pio XI, lemos:
“Nosso predecessor de feliz memória, Leão XIII, comprazia-se justamente, em sua Encíclica Annum Sacrum, com a admirável oportunidade do culto para com o Sagrado Coração de Jesus; por isto, não hesitava ele em dizer:
“‘Quando a Igreja, ainda próxima de suas origens, gemia sob o jugo dos Césares, uma cruz apareceu no céu a um jovem imperador [Constantino, 272 - 337]; ela era o presságio e a causa de um insigne e próximo triunfo. Hoje, um outro símbolo divino, presságio felicíssimo, aparece a nossos olhos: é o Coração Sacratíssimo de Jesus, encimado pela Cruz e resplandecendo com um brilho incomparável no meio das chamas. Devemos colocar nele todas as nossas esperanças; é a ele que devemos pedir a salvação dos homens, é dele que é preciso esperá-la’” (Encíclica Miserentissimus Redemptor, de 8 de maio de 1928).
E o Prof. Plinio comenta:
“Fala-se muito em ‘idade nova’ — ‘tempos novos’ — ‘ordem nova’. Queiram-no ou não o queiram nossos adversários, essa ‘idade nova’ será o reino do Sagrado Coração de Jesus, sob cuja suavíssima influência o mundo encontrará o único caminho de sua salvação. “Adoremos este Coração Sagrado, no qual a iconografia católica nos mostra a Cruz do sacrifício, da luta, do combate, da austeridade, assentando suas raízes no mais perfeito dos Corações, e iluminada pelas chamas purificadoras e deslumbrantes do amor.”[3]

Altar de Santa Margarita Maria Alacoque, com a urna com suas relíquias, na capela da Visitação de Paray-le-Monial 

 

“Sagrado Coração de Jesus e Maria”

Para melhor aquilatarmos a excelência dessa incomparável devoção ao adorável Coração de Jesus, recomendamos a leitura do artigo que segue. Nele, Plinio Corrêa de Oliveira expõe magistralmente a situação da sociedade decadente devido à crueldade, ao egoísmo e à dureza e frieza de coração do geral de nossos contemporâneos. E afirma que, para extirpar tais males, a salvação encontra-se na devoção ao Sagrado Coração de Jesus que arde de amor infinito pela humanidade, e que, apesar de nossas misérias, está sempre disposto a perdoar misericordiosamente, sobretudo se pedirmos a mediação do Imaculado Coração de Maria.
Concluímos afirmando com São João Eudes, fundador da Congregação de Jesus e Maria, que os Corações de Jesus e de Maria são um só, inseparáveis; de tal modo unidos pela fornalha ardente do Espírito Santo, que o santo fundador os invocava no singular: “Sagrado Coração de Jesus e Maria”.
____________
Notas: 1. Sainte Marguerite Marie, Sa vie écrite par elle-même, Edições Saint Paul, Paris, 1947, pp. 70-71. Imprimatur de M. P. Georgius Petit, Bispo de Verdun.
2. Essa confidente do Sagrado Coração de Jesus certa vez assinou com seu próprio sangue: “Irmã Margarida Maria, discípula do Divino Coração do Adorável Jesus”. A fim de melhor conhecer sua vida, vide Catolicismo, nº 498, junho/1992: https://catolicismo.com.br/Acervo/Num/0498/p01.html
3. Em Defesa da Ação Católica, Plinio Corrêa de Oliveira, 2ª edição, Artpress, São Paulo, 1983, pp. 335-336.

25 de junho de 2025

Três lições importantes do ataque dos Estados Unidos às instalações nucleares do Irã


 

✅  John Horvat II

O ataque de 21 de junho às instalações nucleares do Irã [foto acima] contém três lições muito importantes que vão contra muitas narrativas falsas que circulam nos dias de hoje. Um deles vem daqueles que se opõem ao ataque. Eles afirmam que essa ação não refletiu a vontade do povo americano.

Essas três lições podem servir como uma verificação da realidade, permitindo que os americanos ajustem alguns critérios e os ajudem a navegar no mundo real.

Acordar em um mundo perigoso

A primeira lição é que a América vive em um mundo escuro e perigoso, pronto para explodir a qualquer momento e em qualquer lugar. Antes de junho, poucos esperavam testemunhar outra guerra punitiva, muito menos a participação americana nela.

No entanto, esse conflito aconteceu. O alvo era o Irã, um gigante estrategicamente posicionado do tamanho do Alasca que controla o fluxo de 20% do petróleo mundial através do Estreito de Ormuz. Durante décadas, tem sido o ponto central das guerras por procuração contra Israel e o Ocidente em todo o Oriente Médio. Ele prega e canta "Morte à América do Norte".

O conflito atual é um alerta que lembra ao mundo sobre as nações hostis que buscam obter armas poderosas, neste caso nucleares, para usar contra os Estados Unidos, seus aliados e tudo o que resta do cristianismo e do Ocidente cristão.

O Irã faz parte de uma visão de mundo "multipolar" com o objetivo de deslocar os Estados Unidos e o Ocidente de sua posição de hegemonia. Rússia, China, Coreia do Norte e Turquia são os outros membros importantes. Cuba, Nicarágua e Venezuela lideram um círculo de membros de segundo nível. Brasil, África do Sul e dezenas de outras nações se deixam influenciar por esse novo eixo do mal, distanciando-se dos Estados Unidos e do Ocidente.

A perspectiva dessa aliança antiocidental é mal nomeada. Por mais diferentes que sejam essas nações entre si, elas estão unidas em sua oposição aos EUA e ao Ocidente. Assim, o conflito é descrito com mais precisão como bipolar — Ocidente versus anti-Ocidente. Não é verdadeiramente "multipolar".

Há três anos, a Rússia lançou sua injusta guerra de agressão contra a Ucrânia, que ainda está em andamento. Em 7 de outubro de 2023, o Irã, por meio de seu representante Hamas (acompanhado pelo Hezbollah), lançou uma guerra injusta de agressão contra Israel. Amanhã, a China pode muito bem fazer o mesmo contra Taiwan, a Coreia do Norte contra a Coreia do Sul e a Venezuela contra a Guiana. A Rússia pode ampliar sua guerra injusta e atacar uma ou mais nações bálticas, Finlândia ou Polônia.

A lição é que o Ocidente não está apenas ameaçado, mas sob ataque, e uma ação defensiva enérgica pode e deve ser tomada agora. O mundo tomou conhecimento.

Apoio agressivo à liderança dos EUA

A segunda lição é que a maioria dos americanos está ciente desses perigos e apoiará qualquer governo que trabalhe para tornar o mundo mais seguro.

Existe um mito de que, com a vitória do presidente Donald Trump nas eleições de novembro passado, a maioria dos americanos agora não está preocupada com o resto do mundo, que a grande maioria de seus eleitores quer ignorar os conflitos mundiais e se concentrar exclusivamente na “América em primeiro lugar”.

O ataque dos EUA às instalações nucleares do Irã expõe a falta de apoio dos eleitores a essa ideia de retirada do mundo. É um equívoco sem evidências para apoiá-lo.

Na verdade, os eleitores do presidente Trump apoiam esmagadoramente ações comoo o ataque ao Irã. Uma nova pesquisa do Instituto Ronald Reagan, realizada pouco antes do ataque, mostrou que 90% dos republicanos autoidentificados do MAGA acreditam que "impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear é importante para a segurança dos EUA". Cerca de 74% deles dizem que é "muito".

Os resultados se tornam ainda mais surpreendentes com pesquisas mostrando que os eleitores do MAGA são mais agressivos em questões de liderança mundial americana do que os republicanos que não são do establishment MAGA (Make America Great Again – Torne a América Grande Novamente).

O apoio está aumentando

As mesmas perguntas da pesquisa do Instituto Reagan foram feitas nos últimos dois anos. Os resultados mostram não apenas um apoio consistente ao envolvimento internacional dos Estados Unidos em ataques como o ataque iraniano, mas também aumentos significativos nesse apoio entre os eleitores do MAGA desde o ano passado.

Por exemplo, uma supermaioria de 93% dos eleitores do MAGA concordou que "um exército forte dos EUA é essencial para manter a paz e a prosperidade, tanto em casa quanto no exterior". Essa porcentagem aumentou para 96% em 2025. O apoio a uma pergunta perguntando se os Estados Unidos deveriam ser "mais engajados e assumir a liderança" disparou de 51% para 73% em um ano. Outras perguntas tiveram aumentos semelhantes.

Se forem tomadas medidas enérgicas e conclusivas, esses americanos apoiarão esses esforços com margens esmagadoras e grande unidade.

Os americanos não são isolacionistas

A lição final é que o apoio à greve ajudará a desmantelar o mito de que a América se tornou uma nação de isolacionistas autocentrados. Embora exista um quadro de isolacionistas radicais entre os apoiadores do MAGA, a grande maioria desses americanos e muitos outros em ambos os lados do corredor querem que os Estados Unidos se envolvam e os vejam como uma parte essencial da segurança mundial.

Os americanos do MAGA não apenas favorecem ações como o ataque iraniano, mas também apoiam uma ampla gama de posições anti-isolacionistas.

Como observa Marc Thiessen, do The Washington Post, "Em praticamente todas as métricas medidas — desde o apoio a Taiwan e à OTAN até preocupações com democracia, direitos humanos, China e liderança dos EUA — os autodenominados republicanos do MAGA apoiam mais a liderança americana forte e baseada em princípios no cenário mundial do que seus irmãos republicanos não-MAGA."

Esse apoio geralmente representa uma maioria esmagadora de 80 ou 90%, especialmente em questões-chave como a China. E está crescendo.

O mundo é um lugar escuro e perigoso. O ataque iraniano de 21 de junho é um episódio de uma guerra de autodefesa contra os inimigos do Ocidente cristão. A Ucrânia é outra manifestação dessa autodefesa do Ocidente cristão, e este bravo país precisa de total apoio dos Estados Unidos e do mundo livre.

A América tem um papel a desempenhar nesta guerra de autodefesa. Não pode simplesmente afastar-se dos seus deveres e responsabilidades. As evidências mostram que muitos americanos reconhecem essa verdade e apoiarão esmagadoramente uma ação forte e baseada em princípios contra nações desonestas que travam guerras diretas ou por procuração contra o Ocidente.

Não deve haver hesitação ou fraqueza. Uma visão clara de quem são os inimigos do Ocidente, juntamente com uma ação prudente, sábia, eficaz e resoluta contra eles, é o que é urgentemente necessário.

14 de junho de 2025

Há um século da beatificação de Santa Bernadette


✅  Paulo Roberto Campos

Neste dia 14 comemoramos a passagem dos 100 anos da beatificação da venerabilíssima vidente de Lourdes, Santa Bernadette Soubirous. Beatificada por Pio XI em 14 de junho 1925. Oito anos depois, pelo mesmo Papa, ela foi canonizada. 

Nascida em Lourdes, no Moulin de Boly, no dia 7 de janeiro de 1844, foi uma camponesa encantadora, puríssima, pobre, inteligente, discreta, de uma honestidade a toda prova. Falecida em 16 de abril de 1879 como freira no convento das “Irmãs da Caridade” da cidade de Nevers, onde alcançou o ápice da santidade. Tinha 35 anos, mas, apesar dos terríveis sofrimentos de corpo e de alma que padecera, continuava bela como na época de sua adolescência. 

Representação da aparição da Virgem Maria a Bernadette Soubirous (por Virgílio Tojetti, 1877)

Seu corpo foi exumado em 1908 e encontrado incorrupto. Milagre que pode ser interpretado como Deus selando o dogma da “Imaculada Conceição”, pois assim Nossa Senhora se apresentou. Numa de suas aparições à santa francesa, então com apenas 14 anos, esta perguntou quem era. “Eu sou a Imaculada Conceição” — foi a resposta! 

Após duas exumações, dois dias antes da beatificação (12 de Junho de 1925), foi feita uma terceira (e última) exumação do seu corpo a fim de se retirar algumas relíquias. E, como nas vezes anteriores, o corpo continuava incorrupto, muito preservado e sem o mínimo sinal de putrefação. Fato histórico e milagroso registrado no relatório do Dr. Comte:

“Eu queria abrir o lado esquerdo do tórax para retirar algumas costelas e então remover o coração, o qual eu tinha certeza que estaria intacto. Porém, como o tronco estava levemente apoiado no braço esquerdo, haveria dificuldade em ter acesso ao coração. Como a Madre Superiora expressou o desejo de que o coração de Santa Bernadette não fosse retirado, bem como também este era o desejo do Bispo, mudei de ideia de abrir o lado esquerdo do tórax, e apenas retirei duas costelas do lado direito, que estavam mais acessíveis. O que mais me impressionou durante esta exumação foi o perfeito estado de conservação do esqueleto, tecidos fibrosos, musculatura flexível e firme, ligamentos e pele após 46 anos de sua morte. Após tanto tempo, qualquer organismo morto tenderia a desintegrar-se, a se decompor e adquirir uma consistência calcária. Contudo, ao cortar, eu percebi uma consistência quase normal e macia. Naquele momento, eu fiz esta observação a todos os presentes de que eu não via aquilo como um fenômeno natural.” 
Na sepultura no convento de Nevers, corpo incorrupto de Santa Bernadette exposto à veneração pública 

De Santa Bernadette comentou o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira: 

“Nela vemos bem o espírito da verdadeira contra-revolucionária, católica e santa, que não se importa com as pompas deste mundo; que não dá importância a ser tida em grande ou pequena conta; e que, por causa disso, despreza as honras e louvores mundanos. Para se ter sobranceria, é preciso não ligar para o mundo". 

Neste centenário, peçamos a ela essa graça: sermos verdadeiramente contra-revolucionários, no sentido de não compactuarmos com a Revolução gnóstica e igualitária que se alastra em nossos dias destruindo aquelas virtudes sublimes que tanto caracterizaram Santa Bernadette de Lourdes!